sábado, 7 de maio de 2011

Os 100 maiores litigantes na Justiça | Brasilianas.Org

Os 100 maiores litigantes na Justiça | Brasilianas.Org: "Pensei em contar uma história longa, mas resolvi resumí-la ao essencial: entrei com um processo contra uma operadora de celular que negativou meu nome 'por engano' (incompetência, descontrole, desídia, desrespeito...) no SPC.No juizado especial do consumidor a condenaram a uma indenização por danos morais de R$ 4.000,00 (dos quais 20% são para o advogado e mais um tanto para o imposto de renda). Quatro meses depois, pelo mesmo motivo ( a mesma conta indevida) negativaram meu nome novamente, desta vez no Serasa. Novo processo (há mais de uma ano concluso para sentença), mas o advogado já avisou que não deve passar de R$ 6.000,00. Minha audiência era a primeira, e pude verfificar na agenda no juizado (fica pregada na entrada) que a dita operadoa tinha nada menos que 7 (sete) audiências com aquele juiz em um único dia, sempre como demandada, e o que o mesmo se repetia nos juizados vizinhos.

Penso cá com meus botões: empresa faz conta, e pelas contas dela, deve ficar mais barato contratar advogados 'full time' para passar o dia no juizado, depois recorrer, recorrer, e pagar eventualmente uma indenização de 4 mil para cada prejudicado, do que investir em qualidade do serviço, fluxo de informações...enquanto isso entopem os juizados especiais de ações, sem o menor pudor, sem a menor preocupação.

Se o dano moral visa coibir a reincidência em determinadas práticas, se é justo se evitar o enriquecimento ilícito, (será que com 8 mil eu ficaria rico?) e se por outro lado as tais indenizações de 4 mil obviamente não tem impedido a reincidências das empresas em determinadas práticas ilícitas e/ou abusivas, que diabos os juízes estão esperando para colocar como padrão de indenização o teto dos juizados, para forçar as empresas contumazes a melhorar o seu atendimento evitando danos aos consumidores, e a buscarem acordos extra-judiciais, desafogando o judiciário, quando eventuais danos ocorrerem?

Portanto, o próprio judiciário é cúmplice dessa situação. Afinal, é do judiciário a prerrogativa de obrigar 'o Estado Brasileiro a cumprir com suas obrigações em relação aos cidadãos' e ainda 'obrigar os bancos a resolver, em sua própria estrutura, grande parte dos problemas que causam..'

Enquanto for conivente (com indenizações pífias a empresas contumazes) com esse estado de coisas, o judiciário será nada mais que um estímulo a que tudo continue como está. Ninguém mais tem medo quando alguém diz que 'vai procurar um advogado e fazer valer sus direitos', ao contrário, dão risada, por já preverem a via crúcis de um cidadão comum nos meandros do judiciário brasileiro.

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Desilusões perdidas: Impressões particulares

Desilusões perdidas: Impressões particulares: "Impressões particulares


Jornalista não nasce. Jornalista é o “eleito”, aquele que chega ao mundo com uma nobre missão.

Jornalista não mente. Jornalista distorce um pouco a realidade.

Jornalista não revela um segredo por falta de ética. Jornalista apenas esquece que a revelação deveria ser mantida em off.

Jornalista não ganha presentes interesseiros. Jornalista só recebe um jabazinho inocente.

Jornalista não vai a boteco para tomar um porre. Jornalista discute temas essenciais à humanidade enquanto bebe pra cacete.

Jornalista não olha pra bunda das mulheres. Jornalista apura seu olhar investigativo.

Jornalista não ouve fofoca. Jornalista recebe informação de suas fontes.

Jornalista não se vende para operadora de turismo. Jornalista viaja “a convite”.

Jornalista não comete erros crassos por desconhecer o Português. Jornalista comete erros por estar sempre com pressa.

Jornalista não tem utopias. Jornalista tem apenas a simples pretensão de mudar o mundo.

Jornalista não faz bicos. Jornalista se dedica a trabalho free lance.

Jornalista não perde o rumo profissional. Jornalista se permite um período de reciclagem de idéias em Londres.

Jornalista não é desleixado com a aparência. Jornalista tem um visual descolado e provocador.

Jornalista não se acha o fodão. Jornalista tem certeza que é.

Jornalista não morre. Jornalista alcança seu próprio deadline.

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Só choveu na horta da Kátia « CartaCapital

Só choveu na horta da Kátia « CartaCapital: "Só choveu na horta da Kátia
Leandro Fortes 3 de maio de 2011 às 17:28h

Contra a determinação do DEM, a senadora do Tocantins montou um esquema de arrecadação que beneficiou as campanhas do próprio filho e de aliados em seu estado. Foto:Sérgio Lima/FolhaPress

A senadora Kátia Abreu, do Tocantins, era um dos orgulhos do DEM até se bandear para o recém-criado PSD, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do qual, inclusive, poderá ser a primeira presidenta. Enquanto era um dos expoentes do ex-PFL, Kátia aproveitou-se como pôde da sigla. Nas eleições de 2010, criou uma falsa campanha nacional para, via caixa do partido no Tocantins, arrancar dinheiro de produtores rurais em todo o Brasil e eleger o filho, Irajá Abreu (DEM-TO), para a Câmara dos Deputados, e outros nove deputados estaduais para sua base política local. Tudo sem que a direção nacional do DEM tivesse conhecimento.

A ideia de convocar os “cidadãos e militantes” do agronegócio Brasil afora para bancar a campanha dos ruralistas foi posta em prática graças à capilaridade e ao poder econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), presidida pela senadora. De posse do cadastro da instituição, ela usou o serviço de mala direta para mandar boletos bancários de 100 reais cada, a fim de garantir recursos extras para a eleição e reeleição de candidatos ruralistas. Nas eleições de 2010, a senadora coordenou as finanças da campanha do candidato José Serra, do PSDB, à Presidência. Ou seja, usou uma entidade de classe para fazer política partidária. Oficialmente, a CNA “atua na defesa dos interesses dos produtores rurais brasileiros junto ao governo federal, ao Congresso Nacional e aos tribunais superiores do Poder Judiciário, nos quais dificilmente um produtor, sozinho, conseguiria obter respostas para as suas demandas”.

A questão não se resume apenas a um dilema ético-institucional. Para convocar os produtores a bancar as campanhas dos ruralistas, Kátia Abreu tornou-se protagonista de um vídeo de 1 minuto e 32 segundos, ainda disponível no YouTube, intitulado “Ajude-nos nessa missão”. O programa foi criado para ser veiculado, na internet, dentro do site www.agropecuariaforte.com.br, atualmente fora do ar, produzido pela equipe da senadora para divulgar as agendas de campanha dos candidatos ruralistas e os interesses dos latifundiários a serem defendidos durante as eleições passadas.

O mais interessante é que, a certa altura do vídeo, a senadora apela aos produtores para “garantirmos a presença, no Congresso Nacional, de parlamentares dispostos a assumir, sem medo, as grandes causas do campo”. Para tal, conclama a todos a “eleger e reeleger” deputados e senadores ligados ao agronegócio “independente (sic) do estado ou do partido”.

Em seguida, explica que todo o dinheiro doado seria depositado “em conta exclusiva do meu partido”, para, segundo ela, “ter mais controle sobre a arrecadação”. A tal conta exclusiva pertencia ao diretório regional do DEM do Tocantins, do qual ela, por coincidência, era também presidenta. De fato, ela manteve total controle sobre a arrecadação.

De acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 6.485 eleitores atenderam ao pedido da senadora e lá depositaram 648,5 mil reais. Outras 330 empresas também atenderam ao apelo e, juntas, doaram outros 66 mil reais para a campanha a favor da “agropecuária forte”. Acontece que o dinheiro irrigou somente a horta da turma tocantinense de Kátia Abreu. Os demais candidatos defensores do agronegócio no resto do País nunca viram brotar um só centavo em suas contas de campanha.

Ainda segundo o registro do TSE, feito a partir da prestação de contas do diretório do DEM em Palmas, revela-se que somente dez candidatos receberam recursos oriundos do fundo ruralista criado pela parlamentar: nove deputados estaduais do Tocantins, que formam a base da senadora no estado, e seu filho Irajá Silvestre Filho, deputado federal eleito. Para facilitar a eleição do rebento, a mãe conseguiu, inclusive, mudar o sobrenome dele: o jovem passou a chamar-se, nas eleições passadas, Irajá Abreu. Dos 1,4 milhão de reais arrecadados pelo DEM do Tocantins (dos quais 714 mil reais vieram da campanha de Kátia Abreu), 200 mil reais foram para a campanha de Irajá Abreu.

Titular da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, onde atua como lobista do latifúndio nacional, Irajá Abreu chegou a ser autuado, em Palmas, por desacatar policiais militares, após ser multado por se recusar a retirar o carro de um estacionamento privativo de táxis. “Quem é você para me pedir documentação?”, bradou o filho da senadora para o PM que o interpelou. No episódio, o jovem ruralista, de 27 anos, ficou tão furioso que foi preciso chamar reforço policial para contê-lo.

Ao saber da história por CartaCapital, a direção nacional do DEM mostrou-se surpresa. De acordo com a assessoria de imprensa da sigla, o partido chegou a ser consultado, no ano passado, da viabilidade de se montar a tal campanha de arrecadação para candidatos ruralistas. Kátia Abreu, informa a direção do partido, foi “expressamente” desautorizada a fazê-lo. Internamente, avaliou-se que esse tipo de arrecadação poderia causar problemas na Justiça Eleitoral. Ainda assim, a senadora levou o projeto adiante, sem o conhecimento do partido e sem jamais ter prestado conta do dinheiro arrecadado.

Apenas pelo site do TSE foi possível à direção nacional do DEM descobrir que o dinheiro da campanha “Ajude-nos nessa missão” foi distribuído para apenas quatro outros candidatos do partido no estado, além do filho da parlamentar. Os beneficiados foram Darlom Jacome Parrião, Antonio Poincaré Andrade Filho, Maria Auxiliadora Seabra Rezende e Silas Rodrigues Damaso. Também receberam apoio Amélio Cayres de Almeida, Wilmar Martins Leite Júnior e José Bonifácio Gomes de Souza, filiados ao PR, Ailton Parente Araújo (PSDB) e Gerônimo dos Santos Lopes Cardoso (PMDB). Kátia Abreu não atendeu aos pedidos de entrevista.
Leandro Fortes

Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo e Fragmentos da Grande Guerra, entre outros. Mantém um blog chamado Brasília eu Vi. http://brasiliaeuvi.wordpress.com

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Tijolaço – O Blog do Brizola Neto

Tijolaço – O Blog do Brizola Neto: "Disparidade no preço do etanol, enfim, sai no jornal

Demorou, demorou, saiu escondidinho, mas saiu no jornal que o preço do etanol (hidratado e anidro) baixou fortemente nas usinas e não baixou nada – ou quase nada – para o consumidor.

A Folha registra aí do lado que a baixa do etanol hidratado, em uma semana, foi de 20%, mas a queda de preços nas bombas de combustível foi desprezível. Dez vezes menor, 2,1%.

Idem com o etanol anidro, que é misturado com a gasolina. A gasolina pura continua sendo vendida pela Petrobras ao mesmo preço : R$1,05. O etanol anidro, que entra na mistura à razão de 25%, baixou de 2,73 – preço de 20 de abril – para R$ 1,88. Portanto, 31% mais barato – 21% só na última semana. E o preço no posto subiu mais 0,85%!

Vejam que coisa: um composto de duas substâncias, onde uma não aumenta e outra baixa muito de preço passa a custar mais caro!

É o mercado, que maravilha o mercado!

Mas não é só o mercado que é estranho, não. A Folha, que considera digna de uma manchete garrafal a alta da inflação, quase “comemorando” que esta tenha batido no teto das previsões, não acha importante destacar para seus leitores o comportamento absurdo dos preços daquilo que está, basicamente, causando o aumento de preços: o combustível.

A matéria sobre o etanol saiu você sabe onde? Na coluna de Mauro Zaphalon, “Vai e vem das Commodities”, umaseção especializada em negociação de produtos primários, no caderno de economia.

Bom, vamos esperar que os pauteiros de jornal agora finalmente vejam o que a gente vem mostrando aqui há uma semana e mandem um repórter fazer o que a ANP deveria estar fazendo: saber e mostrar quem está comprando, a quanto, e a quanto está vendendo.

Ou seja, quem está sangrando o bolso da população.

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domingo, 1 de maio de 2011

O blog Livros de Humanas fora do ar | Brasilianas.Org

O blog Livros de Humanas fora do ar | Brasilianas.Org: "O blog Livros de Humanas fora do ar
Enviado por luisnassif, sab, 30/04/2011 - 14:26
Por Clayton M. Cunha Filho

De O Globo

Suspensão de blog com livros piratas cria discussão na web

Uma mensagem de violação dos termos de uso anunciou semana passada aos milhares de visitantes diários do blog Livros de Humanas a suspensão da página, que era hospedada pelo Wordpress. Criado em 2009 por um aluno da USP, o blog formou em pouco mais de dois anos uma biblioteca maior do que a de muitas faculdades brasileiras. Até sair do ar, reunia 2.496 títulos, entre livros e artigos, de filosofia, antropologia, teoria literária, ciências sociais, história etc. Um acervo amplo, de qualidade, que podia ser baixado imediatamente e de graça.

Muitas pessoas, é claro, adoravam a página. Entre elas, no entanto, não estavam os editores dos livros reunidos ali. A biblioteca do Livros de Humanas era toda formada sem qualquer autorização.

- É óbvio que o blog desrespeita a legislação vigente - diz o criador da página, que mantém anonimato, numa entrevista por e-mail. - Mas não porque somos bandidos, mas porque a legislação é um entrave para o desenvolvimento do pensamento e da cultura no país.

O mesmo argumento foi defendido nos últimos dias no Twitter por intelectuais como o crítico literário Idelber Avelar, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, a escritora Verônica Stigger e o poeta Eduardo Sterzi. Do outro lado da discussão, críticas à pirataria. A Editora Sulina, que vinha pedindo a remoção da página, falou em 'apropriação indevida' e o escritor Juremir Machado escreveu: 'Quem chama pirataria de universalização da cultura é babaca q ñ vende livro, mas quer q alguém pague a conta. Livro tem de ser barato e pago'.

O caso chama atenção para a ampliação da circulação de arquivos digitais de livros na internet, uma prática que dá novo sentido e escala à discussão sobre a circulação de cópias xerocadas no meio acadêmico.

Leia abaixo entrevista feita por email com o criador do Livros de Humanas.

Por que você criou o blog e como ele funcionava?

O blog nasceu no começo de 2009 (e saiu do ar na sexta-feira passada) para ser uma alternativa dos estudantes de letras da USP à copiadora que existe no prédio do curso e que tinha aumentado arbitrariamente em 50% (de 10 pra 15 centavos) o valor da cópia (o contrato de cessão de espaço com o Centro Acadêmico estabelece que a decisão deve ser conjunta). No começo havia a ideia de colocar apenas os textos das disciplinas de cada semestre. Esta iniciativa surgiu sem vínculo algum com o CA, que nunca se manifestou sobre o blog. No começo recebi de alguns colegas os programas das disciplinas e procurava na net se já existia cópia digital dos livros no 4shared ou similares. Se eu não encontrava, mas tinha o texto, escaneava. Por isso, no começo o blog era mais próximo dos meus interesses acadêmicos (mais crítica literária do que linguística, p. ex.) Também recebia textos de outros colegas e assim criamos o blog. No primeiro mês tínhamos menos de cem textos. Com o crescimento deste número e das visitas o blog deixou de ser apenas algo relacionado ao curso de Letras da USP (apesar de ter mantido o nome por mais um ano) e se tornou um depositário de textos da área de humanidades. O blogue saiu do ar com exatos 2.496 arquivos – não necessariamente livros, porque colocávamos também capítulos de livros, alguns de livros que surgiram inteiros no blogue tempos depois.

Com isso meu critério passou a ser o seguinte: se alguém enviava o arquivo eu publicava, independente do ano de publicação e seu estado no mercado (se era lançamento ou texto fora de catálogo). Porém eu só escaneio obra esgotada e que seja difícil de encontrar.

O perfil de seleção era bem básico: textos da área de humanidades ou correlatos. Tínhamos de obras do Will Eisner a livros sobre lógica. De autores brasileiros contemporâneos a material de ensino de língua estrangeira. De Sociologia a Ecologia. Majoritariamente entravam livros em português, mas tínhamos muitas obras em espanhol, inglês, italiano, alemão e francês.

Quantos usuários o blog tinha e qual o perfil deles?

No começo o público era quase que inteiramente uspiano. Nos últimos tempos era majoritariamente universitário, com visitas de todas as partes do globo. De estudantes de Nova Orleans ('terra' de um grande entusiasta do blogue, o professor Idelber Avelar) a visitantes dos PALOP (Países Africanos de Língua Portuguesa). Pelos e-mails de pedidos que eu recebia dava para traçar um perfil mínimo: são estudantes de universidades brasileiras com péssimas bibliotecas. É comum eu receber pedidos do tipo 'preciso do livro tal para minha iniciação científica mas não o temos aqui e vi no dedalus (sistema de consulta da USP) que a biblioteca da FFLCH tem'. Não consigo – pelos dados informados pelo Wordpress – determinar quantos visitantes únicos o blog recebia diariamente. Nos últimos meses a média de pageviews/dia passava de 10 mil. Em um ano no Wordpress (antes o blogue estava abrigado no blogspot) passamos dos 1,8 milhões de pageviwes, uma média de quase 5 mil/dia.

Antes desse episódio recente você já havia tido algum outro problema?

Sim. Desde o começo links são retirados do ar. E logo depois, claro, eu colocava de volta. Ficamos - eu e ABDR (Associação Brasileira de Direitos Reprográficos) - neste gato e rato até o fim. Quando o blog ainda estava no Blogspot recebi do Google um aviso sobre infração às leis americanas de Direito Autoral. Daí mudei pro Wordpress que é (ou achei que era) mais flexível. Algumas editoras me davam mais trabalho, como a Jorge Zahar e os livros do Zygmunt Bauman ('capitalismo parasitário' era o que tinha mais links retirados) mas nunca passou disso. Denúncia para os sites de hospedagem dos textos e livros. E é preciso dizer, apesar de óbvio, que não fui o responsável pela primeira disponibilização de quase todo o conteúdo do blogue. Mais procurei, editei e organizei num único centro os textos do que outra coisa.

Por que o blog saiu do ar?

Fora os e-mails da ABDR, nunca recebi nada de mais substancial. Nos últimos dias a Editora Sulina (inexpressiva, de quase 3 mil livros que tenho em casa apenas 3 são editados por ela) – seja por seu perfil ou de seu editor no Twitter – reclamou muito do blog e disse que tomaria medidas contra. E dias depois, sem aviso prévio, o Wordpress retirou o blog do ar. E, se não me engano, temos 3, no máximo 5 livros dela. Honestamente, não sei apontar (até porque alguns – como os livros do Maffesoli, hoje editado pela Sulina – são de edições anteriores, como as da Brasiliense) quais são os livros reclamados. Editoras como a Companhia das Letras, que tem cópias de milhares de livros rodando na internet, nunca se manifestaram.

Algumas pessoas defenderam o blog dizendo que ele era como uma biblioteca pública. Concorda com a comparação?

Acredito que a comparação é ruim – posto que o blog é apenas um paliativo que nasceu das péssimas condições das bibliotecas públicas do país – porém não de todo despropositada. O blog era gratuito (tempos atrás fizemos um rateio com doações diversas para a compra de um hd para becape dos arquivos) e acessível para todos. Como uma biblioteca.

E o que você acha da crítica de que o blog desrespeita a legislação vigente?

Bem, é óbvio que o blog desrespeita a legislação vigente. Mas não porque somos bandidos, mas porque a legislação é um entrave para o desenvolvimento do pensamento e da cultura no país. O blog é tão ilegal quanto a cópia xerox nas universidades os sebos de livros antigos. E sem sebo e xerox uma universidade não funciona. Das bibliotecas universitárias a Florestan Fernandes (biblioteca da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP) deve ser uma das 3 ou 4 mais completas do país. E mesmo contando com determinada obra, o número de volumes é insuficiente.

Um exemplo prático: O livro 'O demônio da teoria' ficou por anos esgotado (foi reeditado no ano passado – e eu comprei o meu exemplar!) e possuía 3 exemplares na Florestan. Emprestei o livro, escaneei e hoje milhares de outros estudantes tiveram acesso a um texto fundamental para o estudo da teoria literária. A revisão da lei é uma necessidade de nossos tempos. Acreditava muito em avanços durante a gestão Gil/Juca no MEC. Mas o retrocesso defendido por este ministério novo é assustador.

Sem uma revisão da Lei de Direito Autoral que tente equilibrar estas duas demandas teremos mais problemas como este. As editoras de livros preferem seguir o estúpido caminho das gravadoras. E, se não acordarem logo, terão o mesmo destino.

Como possível futuro autor de obras acadêmicas, você consideraria normal que seus livros fossem distribuídos de graça?

Claro! Ainda mais se eu estiver vinculado a alguma universidade pública. A questão não deve ser essa. É óbvio que o autor deve ter remuneração por sua produção. Mas não podemos aceitar como normal que o critério para acesso a um texto (que é produto de sua época e dialoga com toda uma tradição intelectual – seja de domínio público ou não) seja o econômico. Um estudante sem dinheiro para pagar R$ 100 numa obra deve ser desprezado? Acredito que o direito ao acesso e a difusão do conhecimento se sobreponha ao do autor de receber dinheiro por sua obra.

Outro exemplo prático: quando ingressamos na Letras-USP usamos em elementos de linguística o livro 'Introdução à linguística' (volumes I e II) editado pela Contexto. O livro é organizado por um professor da USP e os autores dos capítulos são também professores da casa, todos contratados em regime de dedicação exclusiva, além de contar com verba da órgãos públicos (Capes, CNPq, fapesp) de fomento. É justo que este profissional exija de 850 ingressantes (isso só na USP, o livro é usado em outras Instituições de Ensino Superior também) a compra dos dois volumes? E, principalmente, quem recebe este dinheiro? Porque os autores (são mais de dez por livro) recebem centavos de cada edição vendida por quase R$ 40 nas livrarias. Outra situação comum (desculpe se me concentro muito na USP, mas é de onde sou e de onde vejo tudo): livro escrito por pesquisador da USP, editado pela EDUSP ou pela Humanitas (editora da FFLCH) e sem exemplar nas bibliotecas da USP. Se não há cópia nas bibliotecas, por qual motivo não devemos copiá-los?

Por último, duas considerações. A primeira pessoal: Sem a contribuição de centenas de outras pessoas – sejam estudantes universitários ou não – o blog jamais existiria. Sou apenas quem procura na net, organiza os arquivos e escaneia dois ou três livros por mês. E, ao contrário do que acreditam editores como este da Sulina, sou do tipo que não possui e-reader, só usa xerox quando não tem jeito e ainda gasta meio salário mínimo por mês em livros físicos. O livro pirata não tira público do livro 'oficial'. Não acho que a cópia pirata seja a responsável pelo número cada vez menor nas tiragens das editoras. Acredito no que disse o Gaiman quando veio pra Flip: 'O inimigo não é a ideia de que as pessoas estão lendo livros de graça ou lendo na internet de graça. Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não lerem.'

A outra é de apoio político. Desde intelectuais do porte de Eduardo Viveiros de Castro e Idelber Avelar a novos pensadores e escritores como Eduardo Sterzi, Veronica Stigger e outros tantos (muitos deles seguidores do perfil do blog no Twitter) apoiam o blog. Todos os que citei aqui possuem obras no blog e deixaram de ganhar (segundo o cego argumento de alguns editores do país) algumas dezenas, talvez centenas, de reais. E não ficam bravos com isto. Pelo contrário, como certa vez tuitou o professor Avelar: 'Piratearam meu 1º livro! Tá na net pra baixar. E eu, como autor, gosto disso: http://bit.ly/ikvMaR#PegaECAD'

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Blog do Espalha Brasa: Nós somos, isso sim, os reis da presunção. Imaginamos que a nossa moral é a moral da natureza, como se a natureza tivesse moral.

Blog do Espalha Brasa: Nós somos, isso sim, os reis da presunção. Imaginamos que a nossa moral é a moral da natureza, como se a natureza tivesse moral.: "João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu em Itaparica, 23 de janeiro de 1941 é escritor, jornalista, roteirista e professor membro da Academia Brasileira de Letras. O ESTADO DE SÃO PAULO - 01/05/11
SOMOS TODOS COMIDA
Depois da notícia de que, ao fim de prolongado debate jurídico, foi negado por um tribunal o habeas-corpus impetrado em favor de um chimpanzé enjaulado em solidão no Zoológico de Niterói, vieram ao conhecimento público outras providências judiciais em nome de animais, pelo Brasil afora.
Isso está ficando interessante. Antigamente, era fácil dizer que os animais não tinham direito nenhum, pois não são sujeitos de direito, não são pessoas, não podem acionar o poder judiciário, da mesma forma que não têm deveres, nem podem ser interpelados pela justiça. Direitos e deveres são província exclusiva do ser humano e, embora isso não soe bem, um cachorro, por exemplo, não tem o direito de não ser maltratado. O homem é que tem o direito de estabelecer em lei que maltratar um animal é criminoso e de protestar e intervir, quando a lei for descumprida.
Mas vivemos tempos mais complexos e em transformação quase frenética. As crenças antes estabelecidas e praticamente unânimes hoje mudam o tempo todo, somos intimidados pelas descobertas da física quântica, as certezas se tornam indagações e a eventual sensação de que ninguém sabe nada é inevitável. Já há quem sustente que pelo menos os chamados animais superiores, como o mencionado cachorro, têm consciência e emoções. Os donos de cachorros frequentemente acham que estes pensam, raciocinam e comunicam seus pensamentos, só faltando mesmo falar. Logo, têm direitos e talvez a única coisa que lhes negue a condição de sujeito de direito seja a circunstância de que a linguagem do cachorro ainda não tem tradutores oficializados. Mas talvez passe a ter no futuro e alguém venha a dizer que o Rex está se sentindo prejudicado pelo seu dono e quer constituir advogado, para o que aplicará a impressão de sua pata em uma procuração.
De certa forma, isso já começa a acontecer, como demonstra o caso do habeas-corpus do chimpanzé. Seus advogados inferiram que, sem companhia e encarcerado, o chimpanzé é infeliz e consegue comunicar que, sim, gostaria de ser transferido para uma moradia condigna. Considerando a maravilhosa diversidade do ser humano, acho que, a partir desse precedente, viremos a testemunhar ações movidas não somente por cachorros, gatos, peixes de aquário e outros animais domésticos, mas também, antecipo eu, por bois de corte ou por frangos para abate. Não descarto até mesmo a possibilidade de medidas contra o que certamente se chamará 'zoofobia', em cuja ilícita prática serão enquadrados, por exemplo, os que usarem as palavras 'galinha', 'vaca' ou 'cadela' com intenção pejorativa. Leia mais...
A situação deverá evoluir, em futuro talvez não muito distante, para o estabelecimento dos níveis de consciência das espécies e a consequente maior ou menor abrangência de seus direitos. Não é descabido imaginar a promulgação de uma Declaração Universal dos Direitos dos Cães, ou do Estatuto do Gato e assim por diante, cada um deles definindo os critérios aplicáveis a cada espécie. É complicado, porque, por exemplo, o direito de latir, certamente parte indissolúvel da liberdade de expressão canina, pode conflitar com o direito ao silêncio de um vizinho humano, o que requererá imaginação e engenho da parte de legisladores e magistrados.
Questões éticas e morais, filosóficas mesmo, terão que ser encaradas, por mais incômodas que sejam. O morcego, em muitos casos inofensivo, amante das frutas e polinizador de pomares, pode ser discriminado apenas por ter, na opinião da maior parte das pessoas, uma aparência assustadora ou repulsiva? Nos desenhos animados e historietas infantis, serão adotadas quotas para a inclusão de animais normalmente marginalizados, a exemplo de lacraias, lesmas e piolhos? Aliás, é um direito do piolho infestar cabeleiras improdutivas e sugar uma cesta básica de sangue? Estará sujeito à acusação de omissão de socorro aquele que negar a uma futura mamãe mosquito da dengue o direito a uma picadinha que a ajudará a perpetuar sua espécie?
De propósito, deixei para o fim o direito mais básico, o direito à vida. Sem ele, evidentemente, os outros perdem o sentido. Pensando nele, argumentam os que se negam a consumir qualquer produto de origem animal.
Nossa comida deveria ser apenas a que se consegue obter sem destruir nenhuma vida, nem mesmo, talvez, a das plantas. Nós somos os reis da Criação e não podemos agir como predadores.
Nós somos, isso sim, os reis da presunção. Imaginamos que a nossa moral é a moral da natureza, como se a natureza tivesse moral. Na natureza, continua um alegre come-come por tudo quanto é canto, um comendo o outro afanadamente, às vezes até de forma surpreendente, como no caso de um pelicano londrino que vi na Internet. Esse pelicano, em seu andar balançado na grama de um parque, viu e fingiu nem notar um pombo a seu lado. Mas, num movimento rapidíssimo, engoliu o pombo, que ficou se agitando dentro daquele papo enorme, sem chance de escapar. Se as pessoas presentes à cena fossem do tamanho de pombos, o pelicano sem dúvida as comeria também, porque é assim a natureza. Nós achamos que somos os grandes comedores, só porque, do nosso ponto de vista, ocupamos o topo da cadeia alimentar.
Ocupamos nada. Cada um de nós, mesmo os que não portam parasitas, é hospedeiro de uma infinidade de 'ecossistemas', para não falar nos muitos animais que, por exemplo, vivem do sangue de mamíferos, inclusive nosso.
Nós somos os favoritos de nós mesmos, não da natureza. Nossos corpos, biodegradáveis como são, para outras espécies não passam de simples comida e, homens, bichos ou plantas, a Terra acabará digerindo todos nós.

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Blog do Espalha Brasa: É evidente que a inflação preocupa. Há indícios de que a pressão está aumentando, em parte por causa de choques exógenos, em parte por excesso de demanda.

Blog do Espalha Brasa: É evidente que a inflação preocupa. Há indícios de que a pressão está aumentando, em parte por causa de choques exógenos, em parte por excesso de demanda.: "É evidente que a inflação preocupa. Há indícios de que a pressão está aumentando, em parte por causa de choques exógenos, em parte por excesso de demanda.
Paulo Nogueira Batista Jr, economista e professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, é conhecido como um autor que procura o caminho da independência não subordinando as suas avaliações às de correntes doutrinárias, acadêmicas ou partidárias. FOLHA DE SÃO PAULO - 30/04/11
PENSAMENTO GRUPAL
Leitor, leitora, nada mais promíscuo do que o sexo grupal - exceto talvez o pensamento grupal. A turma da bufunfa e os economistas do mercado financeiro são muito propensos a esse pensamento grupal - groupthink em inglês, isto é, a tendência entre setores homogêneos a considerar os temas sob um mesmo paradigma e não desafiar certas premissas e interesses básicos. A opinião de cada indivíduo passa a ser um ato coletivo, mais ou menos orquestrado.
Nas últimas semanas, tivemos um exemplo extraordinário de pensamento grupal - a forte reação do mercado à decisão do Banco Central de aumentar em 'apenas' 0,25 ponto percentual a taxa básica de juro. Se bem percebi daqui de longe, foi uma unanimidade ululante. O aumento foi considerado 'insuficiente' para o controle da inflação, indício de fraqueza do BC e até mesmo da sua suposta subordinação ao 'desenvolvimentismo' que domina o Ministério da Fazenda.
Fantástico. Quem ouve esse coro de especialistas e financistas e não tem acesso a certas informações básicas pode ficar completamente desorientado. Na realidade, entre os bancos centrais de economias emergentes, o do Brasil está entre os que reagiram mais rapidamente, em termos de política de juros, ao risco de aquecimento. Desde abril de 2010, a meta para a taxa Selic passou de 8,75% para 10,75% no final do ano. No governo atual, os aumentos continuaram, com a taxa alcançando 12% depois da última decisão do Copom (Conselho de Política Monetária) do BC. Leia mais...
Eis aí uma taxa gorda, para rentista nenhum botar defeito! A Cruzeiro do Sul Corretora publica um ranking mensal das taxas de juro reais em 40 países (na verdade, 39 mais Hong Kong). O Brasil lidera esse ranking por margem cada vez maior. Com o aumento de 'apenas' 0,25 ponto percentual, a taxa básica de juro no Brasil alcança 6,2% (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses). O segundo e o terceiro colocados, Turquia e Austrália, ficaram bem para trás, com 2,2% e 2% de juro real básico. A taxa média para os 40 países é negativa em 0,9%. Dos 40, nada menos que 36 países apresentam juros básicos negativos em termos reais.
O diferencial de juros nominais entre o Brasil e as principais economias desenvolvidas é imenso - 12% contra 1,25% na área do euro, 0,25% nos EUA e 0,1% no Japão. Nenhum dos BRICS segue o padrão brasileiro de política de juros. A China e a Índia, que também estão enfrentando problemas de sobreaquecimento e inflação, talvez mais graves do que os nossos, têm sido mais cautelosos em matéria de aumentos de juros.
O pensamento grupal aí no Brasil não toma conhecimento de nada disso. Não se leva na devida conta que um aumento ainda maior dos juros sobrecarregaria o déficit público (o Tesouro é quem arca com o grosso do prejuízo decorrente dos juros altos). E pior: acentuaria a tendência à sobrevalorização do real - um dos mais graves problemas da economia do país.
É evidente que a inflação preocupa. Há indícios de que a pressão está aumentando, em parte por causa de choques exógenos, em parte por excesso de demanda. Por exemplo, houve aceleração dos preços de serviços, que tendem a refletir mais o ritmo da demanda doméstica. As medidas de tendência da inflação também acusam algum aumento nos meses recentes.
Mas isso não significa que a resposta deva ser carregar a mão nos juros. Parece mais apropriado, nas circunstâncias atuais, combinar a política de juros com ajuste fiscal, medidas de controle do crédito e restrições à entrada de capitais e à tomada de empréstimos externos. Esse último tipo de medida mata dois coelhos: contém a expansão do crédito alimentada pela onda de capitais externos e contribui para atenuar a valorização do real.

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Blog do Sakamoto

Blog do Sakamoto: "Dia do Trabalho: o Estado e a Imprensa como fiscais de direitos
01/05/2011 - 8:44 Comente já »

Em um país onde milhões de pessoas são tratadas como ferramentas descartáveis, a fiscalização do trabalho desempenha um papel fundamental. Ela não é perfeita, sabemos disso, noves fora casos de corrupção que ocorrem em todas as funções públicas. Mas sem esse aparato de vigilância, as relações capital/trabalho seriam bem piores do que realmente são. A desregulamentação não levaria à auto-regulação pela sociedade, como profetizam alguns economistas, mas sim ao caos total. Se com regras já temos trabalho escravo, infantil, precarização, imagine sem.

Além de beneficiar os empregadores que limam direitos de seus empregados, as tentativas de tirar poder da fiscalização – que vira e mexe entram na pauta do Congresso Nacional – tende a funcionar como ponta-de-lança para outras mudanças.

Diminuir a fiscalização aumenta o déficit nas contas da Previdência, pois reduz a taxa de carregamento do INSS (lembrando que, é claro, o chamado “rombo” é provocado em grande parte pelas empresas que sonegam). Idem para o FGTS, cujo caixa financia a casa própria e está bancando o PAC. Consequentemente, surgem outras propostas draconianas para resolver esses embrólios, como diminuir as aposentadorias abaixo do suficiente para sobreviver (como se já não fosse assim).

Esses projetos de redução de direitos não são emergenciais, como querem fazer crer pelo contrário. Fazem parte de uma mesma política para tirar o poder que o Estado tem de garantir que o empresariado tenha um patamar mínimo de bom senso. Com o aumento da competição, cresce também a precarização do trabalho e com ela o discurso da necessidade de flexibilização, ou seja: pá de cal nos direitos adquiridos e vamos embora que o mundo é uma selva.

Nesse ritmo, não me espantaria ver anúncios estampados em página dupla nas revistas semanais de circulação nacional dizendo: “O Banco X pensa em seus empregados. Ele paga 13º salário. Isso sim é responsabilidade social”. E nossos filhos olharão para aquilo e, espantados, perguntarão: “Mamãe, o que é esse tal de emprego?”

Aproveito para resgatar outro tema que já abordei aqui. Afinal de contas, nós jornalistas também somos fiscais das condições de trabalho, investigando e denunciando situações em que o contrato de compra e venda de mão-de-obra não é devidamente respeitado.

Muitas vezes não nos reconhecemos como classe trabalhadora. Devido às peculiaridades da profissão, desenvolvemos laços com o poder e convivemos em seus espaços, seduzidos por ele ou enganados por nós mesmos. Só percebemos que essa situação não é real e que também somos operários, transformando fato em notícia, quando nossos serviços não são mais necessários em determinado lugar.

Ou, às vezes, nem isso. Já vi colegas se culparem por terem sido demitidos sem justa causa no melhor estilo “perdoa-me por me traíres” de Nelson Rodrigues. “Deveria ter virado mais madrugadas na redação”, “deveria ter me oferecido para trabalhar em todos os finais de semana”, “não deveria ter corrigido o português ruim do meu chefe”…

Fazer protestos por melhores condições? Imagina! É coisa de caixa de banco, de operário sujo de graxa ou de condutor de trem que atrasam nossa vida e geram congestionamentos na cidade. Ou de inglês, francês e italiano que têm a vida ganha e mamam no Estado. Enquanto isso, quem tem consciência de que é um trabalhador e reivindica coletivamente, como muitos bancários, metalúrgicos e metroviários, tem mais chances de obter o que acha justo.

Quando vejo algumas coberturas jornalísticas mal feitas de protestos e greves fico pensando como pessoas que não conseguem se reconhecer como classe trabalhadora podem entender as reivindicações de trabalhadores. O fato é que não somos observadores externos e nem podemos ser. Somos parte desse tecido social, desempenhamos uma função, somos parte da engrenagem, gostemos ou não.

A vida de jornalista, deixando de lado o falso glamour, não é fácil. Ainda mais com o processo de precarização da profissão que é mais intenso para aqueles que são patrões de si mesmo. Às vezes, é legal ser frila. Às vezes, não é.

Seria importante aproveitar momentos como este para participarmos mais dos debates sobre os desafios de ser um trabalhador da notícia. Pelo menos, estaríamos quebrando a barreira do silêncio e abrindo o diálogo nas redações. E não apenas fazendo figa para que o dissídio seja maior neste ano como se ele caísse do céu.

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monitorando

monitorando: "é a independência jornalística uma ilusão?

Posted by Rogério Christofoletti in jornalismo on 16/ 04/ 2011

Terra arrasada?Um dos aspectos que mais me chamou a atenção quando tive acesso às entrevistas com os principais gestores de mídia do país é que era consensual a necessidade da independência editorial para a sobrevivência do jornalismo e das empresas que disso vivem. Foi em 2009 e eram entrevistas com 22 editores-chefes, diretores e publishers de todas as regiões, e eu estava – junto com outros colegas – concluindo uma pesquisa sobre indicadores de qualidade de informação para a Unesco.

O argumento repetido é que as empresas precisam construir condições para se fortalecer financeiramente de maneira a não depender de verbas publicitárias dos governos. A independência editorial é, então, um resultado da independência comercial. O raciocínio é lógico, linear e de fácil convencimento.

Pois esta semana voltei a ouvir interessantes declarações sobre a independência jornalística. Eu participava, no Rio, do encontro da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica), e acompanhei a mesa redonda “Mídia e democracia: questões teóricas”. Na sessão de perguntas finais, alguém da plateia questionou os palestrantes sobre a hipótese de que alguns veículos de imprensa chantageariam o governo federal com a ameaça de publicação de escândalos políticos, tentando atrair para si mais verbas publicitárias. Mesmo sem mencionar explicitamente, o indagador colocou o problema da independência da imprensa nacional.

Bem humorado, o presidente da Compolitica, Afonso de Albuquerque (UFF), disse que todas as relações humanas de alguma forma são baseadas em chantagem. “As relações sentimentais, mais ainda”, brincou, completando que a hipótese pode acontecer com alguma frequência e por parte de alguns veículos e governos. Quer dizer, é da regra do jogo, pertence à lógica que tensiona esses atores. Tentando desviar de um “cinismo” de seu colega de mesa, Fernando Lattman-Weltman (FGV) também deu de ombros diante da chantagem. “Olha, ninguém é independente. Ninguém. Nem mesmo os mortos, afinal, eles dependem da gente para serem enterrados! Por isso, nem vale a pena lutar por esse valor, pela independência”, afirmou.

Confesso que uma fala tão convicta ficou martelando a minha cabeça. Não porque me apegue tanto a certos valores, mas porque venho assistindo nos últimos anos à franca demolição de uma série deles no campo do jornalismo. Não mais se acredita em objetividade; a imparcialidade é questionada a todo momento; a verdade é relativizada; a ética é flexibilizada; a independência editorial não merece ser cultivada… Com isso, parece que daqui a pouco não vai sobrar pedra sobre pedra…

Afinal, esses valores, por décadas, serviram de alicerces para o jornalismo, tanto do ponto de vista ético quanto para garantir padrões mínimos para a sua execução técnica. É verdade que o jornalismo já não é mais o que foi; que a sociedade mudou; nossas percepções de espaço e tempo também foram transformadas; e o mundo e a vida são outros. Entretanto, temo que, no afã de se reformar o jornalismo, jogue-se a criança junto com a água do banho.

A pergunta que agora assalta a minha consciência é: se estamos em busca de uma nova ética para este novo jornalismo, em que mesmo ela estaria apoiada?

Alguém aí se arrisca a responder?

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Folha de S.Paulo - Vinicius Torres Freire: Era uma vez na América - 01/05/2011

Folha de S.Paulo - Vinicius Torres Freire: Era uma vez na América - 01/05/2011: "Espirros americanos não causam mais pneumonia, mas convém notar a rateada do maior PIB do mundo


FAZ MENOS de uma década, era corrente o lugar-comum de dizer que, 'quando a economia dos EUA pega um resfriado, a do Brasil cai no hospital com pneumonia'.
O último contágio, ou pelo menos o último surto desse clichê, aconteceu durante as crises americanas de 2001-2002, mistura de estouro da bolha pontocom com espirros econômicos causados pelo terrorismo.
Na verdade, porém, o Brasil padecia mesmo é de imunodeficiências autóctones, tais como desordem fiscal, incertezas sérias sobre inflação, dívida externa alta, efeitos restantes do erro do câmbio fixo e ameaças de petismo alucinado.
Agora, o país parece vacinado por um terço de trilhão de dólares em reservas, algo mais em forma nas medidas macroeconômicas e vitaminado pela China. Tanto assim que a gente mal dá bola para as desventuras da economia americana.
A contaminação de origem americana mais relevante, a torrente de dólares derivada da política monetária frouxíssima, é assunto complicado demais para chamar a atenção além das gentes especializadas.
A feia rateada do PIB dos EUA no primeiro trimestre mal foi notada por aqui. Decerto, nosso provincianismo autocentrado e juvenil também pouco se ocupa de saber o que nos causaria um possível, embora ainda remoto, desarranjo chinês, que cairia muito mal. Ainda assim, dado o nosso histórico de dependência americana, causa impressão que a economia deles agora seja nota de pé de página de jornal.
Há uma conversa persistente sobre o risco de estagflação, de crescimento econômico baixo com inflação (faz menos de um ano, temia-se a deflação...). Esse nome feio foi o apelido dado aos problemas macroeconômicos americanos da década dos 1970 e início dos 1980. Não há medida precisa para o fenômeno, mas uma inflação além dos 5% e crescimento inferior a 2% seria um chute razoável para caracterizá-lo.
Pois bem, a economia dos Estados Unidos cresceu pouco mais de 2% nos últimos quatro trimestres ('ano'). A inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) está em 2,7%, sobre um ano antes. A medida levada mais a sério pelo Fed, o banco central deles, está em 1,8% (inflação dos gastos pessoais).
O crescimento vai mal, certo -o ritmo do PIB da década passada foi o pior em quase 60 anos. Mas onde está a inflação? Está chegando, dizem os mais ortodoxos.
O Fed não acredita. Projeta para este ano crescimento do PIB em torno de 3,2%, com inflação abaixo de 2%. Para o fogo da inflação pegar, em tese é preciso desemprego baixo -a taxa caiu de 10% em 2010 para algo menos que 9%, ainda alta. De resto, Paul Krugman não cansa de lembrar que o nível de ocupação na economia na verdade não se recuperou após 2008.
Mas o crescimento vai pegar? A venda de casas novas voltou a cair ao nível da Grande Recessão. Entre quem paga prestação da casa, um em cada cinco deve mais que o valor do imóvel -indicador de calote próximo. O investimento das empresas voltou a cair. O preço do petróleo, persistentemente alto mas não explosivo, também faz estrago. O estímulo econômico do gasto do governo acabou. O monetário vai diminuir. Não há cheiro de desastre no ar, nem de estagflação ao estilo anos 1970. Desta vez, a encrenca é diferente. Mas é uma encrenca.

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Folha de S.Paulo - Vinicius Torres Freire: Era uma vez na América - 01/05/2011

Folha de S.Paulo - Vinicius Torres Freire: Era uma vez na América - 01/05/2011: "Espirros americanos não causam mais pneumonia, mas convém notar a rateada do maior PIB do mundo


FAZ MENOS de uma década, era corrente o lugar-comum de dizer que, 'quando a economia dos EUA pega um resfriado, a do Brasil cai no hospital com pneumonia'.
O último contágio, ou pelo menos o último surto desse clichê, aconteceu durante as crises americanas de 2001-2002, mistura de estouro da bolha pontocom com espirros econômicos causados pelo terrorismo.
Na verdade, porém, o Brasil padecia mesmo é de imunodeficiências autóctones, tais como desordem fiscal, incertezas sérias sobre inflação, dívida externa alta, efeitos restantes do erro do câmbio fixo e ameaças de petismo alucinado.
Agora, o país parece vacinado por um terço de trilhão de dólares em reservas, algo mais em forma nas medidas macroeconômicas e vitaminado pela China. Tanto assim que a gente mal dá bola para as desventuras da economia americana.
A contaminação de origem americana mais relevante, a torrente de dólares derivada da política monetária frouxíssima, é assunto complicado demais para chamar a atenção além das gentes especializadas.
A feia rateada do PIB dos EUA no primeiro trimestre mal foi notada por aqui. Decerto, nosso provincianismo autocentrado e juvenil também pouco se ocupa de saber o que nos causaria um possível, embora ainda remoto, desarranjo chinês, que cairia muito mal. Ainda assim, dado o nosso histórico de dependência americana, causa impressão que a economia deles agora seja nota de pé de página de jornal.
Há uma conversa persistente sobre o risco de estagflação, de crescimento econômico baixo com inflação (faz menos de um ano, temia-se a deflação...). Esse nome feio foi o apelido dado aos problemas macroeconômicos americanos da década dos 1970 e início dos 1980. Não há medida precisa para o fenômeno, mas uma inflação além dos 5% e crescimento inferior a 2% seria um chute razoável para caracterizá-lo.
Pois bem, a economia dos Estados Unidos cresceu pouco mais de 2% nos últimos quatro trimestres ('ano'). A inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) está em 2,7%, sobre um ano antes. A medida levada mais a sério pelo Fed, o banco central deles, está em 1,8% (inflação dos gastos pessoais).
O crescimento vai mal, certo -o ritmo do PIB da década passada foi o pior em quase 60 anos. Mas onde está a inflação? Está chegando, dizem os mais ortodoxos.
O Fed não acredita. Projeta para este ano crescimento do PIB em torno de 3,2%, com inflação abaixo de 2%. Para o fogo da inflação pegar, em tese é preciso desemprego baixo -a taxa caiu de 10% em 2010 para algo menos que 9%, ainda alta. De resto, Paul Krugman não cansa de lembrar que o nível de ocupação na economia na verdade não se recuperou após 2008.
Mas o crescimento vai pegar? A venda de casas novas voltou a cair ao nível da Grande Recessão. Entre quem paga prestação da casa, um em cada cinco deve mais que o valor do imóvel -indicador de calote próximo. O investimento das empresas voltou a cair. O preço do petróleo, persistentemente alto mas não explosivo, também faz estrago. O estímulo econômico do gasto do governo acabou. O monetário vai diminuir. Não há cheiro de desastre no ar, nem de estagflação ao estilo anos 1970. Desta vez, a encrenca é diferente. Mas é uma encrenca.

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Folha de S.Paulo - Marcelo Gleiser: A escorregadia ‘partícula de Deus’ - 01/05/2011

Folha de S.Paulo - Marcelo Gleiser: A escorregadia ‘partícula de Deus’ - 01/05/2011: "A escorregadia ‘partícula de Deus’

Volta e meia os boatos que falam de uma descoberta do bóson de Higgs correm o mundo, mas tudo indica que ele ainda nos escapa

OS FÍSICOS de partículas estão mais uma vez em alvoroço. Duas semanas após ter escrito aqui sobre a possibilidade de uma nova força da natureza ter sido encontrada no Fermilab, rumores de que a famosa partícula chamada Higgs foi achada no LHC (Grande Colisor de Hádrons, gigantesco acelerador de partículas localizado nos arredores de Genebra,na Suíça) vêm circulando pela mídia.
Um relatório interno escrito anonimamente por alguém da equipe do detector Atlas, do LHC, menciona um sinal estranho nos dados, relativo a uma massa 115 vezes maior que a de um próton.
A atenção dada ao relatório é exagerada. Um porta-voz do Cern, o laboratório onde fica o LHC, disse a uma agência de notícias que 'provavelmente não é nada'.
Primeiro, queria contar a história por trás do desafortunado nome 'partícula de Deus'. Como alguns leitores devem saber, 'A Partícula de Deus'é onome de um livro de divulgação científica escrito pelo físico vencedor do Nobel Leon Lederman, que foi diretor do laboratório americano Fermilab durante anos e meu chefe quando eu fazia meu pós-doutorado por lá.
De acordo com Leon, ele queria chamar o livro de 'Partícula Maldita'(do inglês 'Goddamn Particle'), pois ninguém conseguia achá-la. Mas seu editor sugeriu que 'Partícula de Deus' venderia muito mais. Por razões óbvias,o nome vingou.
É claro que a partícula não tem nada de divino.Obóson de Higgs, como é propriamente chamado, é uma partícula hipotética cuja função é dar massa às outras partículas do Modelo Padrão, que reúne tudo o que sabemos sobre a matéria.
Talvez essa função dê ao Higgs certa influência.Mas não lhe confere divindade. Peter Higgs é o físico escocês que, nos anos 1960, desenvolveu várias ideias ligadas ao mecanismo em que uma partícula confere massa a todas as outras.
O bóson de Higgs é a peça que falta No Modelo Padrão. Daí o enorme interesse em achá-lo. Se você procurar no Google por 'Higgs found' (Higgs encontrado), verá que volta E meia esses boatos ocorrem. Mas, antes que você acuse os físicos de partículas de serem pouco sérios, é importante entender como funciona essa comunidade.
A World Wide Web (o célèbre 'www' da internet) foi inventada no Cern exatamente para facilitar a comunicação rápida entre os físicos.
Experimentos em aceleradores de partículas envolvem milhares de cientistas e engenheiros. Portanto, quando um sinal (esperado ou surpreendente) surge, o entusiasmo cresce rápido: é inevitável evitar que a informação, mesmo prematura, acabe vazando.
Seria um alívio encontrar finalmente o Higgs. Desde que comecei minha carreira, venho editando sua massa nas equações que descrevem a infância do universo. Graças aos esforços dos cientistas do Fermilab e do Cern (que incluem muitos brasileiros), temos uma boa ideia de qual deve será sua massa do Higgs.
Basta encontrá-lo. Ou não. O Modelo Padrão pode estar nos contando apenas parte da história ou, quem sabe, o Higgs pode não existir. Afinal, a natureza pouco liga para as nossas ideias, mesmo quando as achamos belas demais para estarem erradas. Os dados é que vão decidir isso.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro 'Criação Imperfeita'

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Folha de S.Paulo - PIB da América Latina tem maior alta em 3 décadas - 01/05/2011

Folha de S.Paulo - PIB da América Latina tem maior alta em 3 décadas - 01/05/2011: "PIB da América Latina tem maior alta em 3 décadas

Crescimento de 6,1%, o maior registrado desde o ano de 1980, faz mudar o status de 'região esquecida'

Recuperação chinesa, perfil demográfico mais jovem e expansão da classe média influem no boom, dizem analistas

ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO

'Nem pobre o suficiente para atrair piedade e ajuda, nem perigosa o suficiente para incitar cálculos estratégicos, nem tinha crescido rápido o suficiente até recentemente para acelerar pulsos em salas de reunião.'
A descrição (em tradução livre) feita por Michael Reid em 'O Continente Esquecido' explica a tendência do Ocidente em negligenciar a América Latina.
Mas esse status de região esquecida parece estar mudando, como Reid, editor de América Latina da revista 'The Economist', previu em seu livro, lançado em 2007.
Recentemente, a região tem sido alvo de relatórios de bancos e centros de pesquisa e ganhado cada vez mais espaço na mídia internacional.
O 'Financial Times', um dos mais respeitados jornais de finanças do mundo, dedicou cinco páginas na última terça-feira ao comércio exterior na América Latina.
Os olhares de fora voltados para ela se explicam pelo desempenho econômico. Em 2010, houve crescimento de 6,1%, a mais alta taxa de expansão desde 1980, antes da crise da dívida externa.
Outros dados econômicos positivos de 2010 não eram registrados há, pelo menos, 30 anos. A América Latina foi a segunda região que mais cresceu no ano passado, perdendo apenas para a Ásia.
Além disso, na lista dos 15 países do mundo com taxas de expansão do PIB mais altas, havia quatro sul-americanos: Paraguai, Argentina, Uruguai (parceiros do Brasil no Mercosul) e Peru.

CHINA
O forte desempenho econômico do Brasil, maior economia latino-americana, no ano passado contribuiu para a região. Mas, segundo analistas, a China é a principal causa do boom.
'Países da região se beneficiaram da recuperação chinesa, com forte crescimento das exportações de commodities', diz Robert Wood, analista da consultoria Economist Intelligence Unit.
A expansão da classe média é citada como outra fonte de dinamismo. 'Isso contribui para o crescimento do consumo doméstico e deve garantir que a demanda por commodities produzidas na América Latina continue forte', avalia Marcos Aguiar, presidente do Boston Consulting Group no Brasil.
O perfil demográfico também é considerado um motor de crescimento. A média de idade na América do Sul é pouco inferior a 30 anos.
Isso significa que a população economicamente ativa deste continente ainda é grande em relação à parcela dos que não trabalham (crianças e idosos), o que deve continuar contribuindo para a expansão econômica.

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Folha de S.Paulo - Prisão de suspeito de vazar papéis gera críticas a Obama - 01/05/2011

Folha de S.Paulo - Prisão de suspeito de vazar papéis gera críticas a Obama - 01/05/2011: "Prisão de suspeito de vazar papéis gera críticas a Obama

Bradley Manning, apontado como fonte do WikiLeaks, não teve 1ª audiência e ficou confinado em solitária

Segundo a rede de apoio que arca com os custos da defesa de Manning, há várias razões para acusar maus-tratos

ANDREA MURTA
DE WASHINGTON

A recente divulgação de novos documentos secretos do governo americano obtidos pelo WikiLeaks reavivou protestos nos EUA contra a situação do soldado Bradley Manning, que se encontra preso há quase um ano.
Ele é suspeito de ter sido o responsável pelo vazamento do material diplomático.
Durante o tempo encarcerado, Manning, 23, foi submetido ao que seus defensores classificam como punição extrema pré-julgamento.
O soldado ainda não teve sua primeira audiência, agendada para ocorrer em junho e ficou confinado em solitárias, sem exposição à interação humana, a exercícios e à luz do sol.
Na semana passada, ele finalmente foi transferido para uma prisão no Kansas, onde poderá conviver com outras pessoas.
O Pentágono afirma que seu tratamento tem sido adequado e legal. Mas, segundo o 'Free Bradley Manning', uma rede de apoio que paga a defesa do soldado, há várias razões para maus-tratos.
A primeira seria 'que os militares sabem que o caso contra Bradley não é tão forte quanto anunciam e, caso ele seja inocentado, querem garantir alguma punição que sirva de 'alerta' a outros no futuro', disse à Folha Jeff Paterson, porta-voz do grupo.

CONSTRANGIMENTO
Manning foi detido em maio de 2010, após um hacker dizer ao FBI ter tido conhecimento do roubo dos documentos.
Há, entre os dados vazados para o WikiLeaks, um vídeo do assassinato de iraquianos por americanos em um helicóptero, arquivos do Afeganistão, telegramas diplomáticos e, na última semana, fichas dos suspeitos de terrorismo detidos na prisão militar de Guantánamo, em Cuba.
Herói para alguns, criminoso para outros, o soldado cria divergências até dentro do governo. O presidente dos EUA, Barack Obama, disse, no último dia 21, que Manning 'violou a lei'.
Para seus defensores, além de supor culpa antes do julgamento, Obama influenciou injustamente o júri, que será formado por militares sob suas ordens.
O ex-porta-voz do Departamento de Estado PJ Crowley, ao contrário de Obama, disse que o tratamento dado a Manning é 'ridículo, contraproducente e estúpido'. Ele renunciou pouco depois.
O presidente também sofreu o constrangimento de ver um ex-professor assinar um manifesto de juristas criticando as condições da detenção. Um representante da ONU foi outro a protestar.
Paterson diz que o soldado já não é o mesmo. 'Quando recebe visitas, leva um tempo até que a parte do cérebro ligada à interação social volte ao normal e ele se lembre de como conversar. Isso não faz mais parte de sua rotina.'

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Folha de S.Paulo - Análise Justiça: Estatística é vital para uma gestão eficiente - 30/03/2011

Folha de S.Paulo - Análise Justiça: Estatística é vital para uma gestão eficiente - 30/03/2011: "Estatística é vital para uma gestão eficiente

Divulgar números ainda não é uma tarefa pacífica porque, como acontece com as leis, eles têm de ser interpretados

NÚMEROS SERÃO SEMPRE POLÊMICOS, MAS O DEBATE SOBRE ELES, MAIS TRANSPARENTES, AVANÇA A DEMOCRACIA

JOAQUIM FALCÃO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Quando o Conselho Nacional de Justiça, na gestão do ministro Nelson Jobim, começou a implantar o sistema de Justiça em Números, a reação dos tribunais Brasil afora não foi uniforme.
Muitos aderiram e cooperaram. Outros foram contra.
Acreditavam que era uma interferência inconstitucional do CNJ na sua autonomia administrativa. E até hoje alguns ainda pensam assim.
Outros não foram nem contra nem a favor. Não tinham sistemas estatísticos.
Precisavam de apoio técnico e investimentos.
O argumento da autonomia de cada tribunal, o Supremo já decidiu, não prevalece diante do CNJ, que é um órgão nacional. Estatísticas nacionais são necessárias.
Mas divulgá-las não é tarefa pacífica. Reação ainda existe, por exemplo, nas que tratam de pessoal, salários e produtividade.
O fato é que nem empresas nem governos hoje se administram sem estatísticas. Elas serão polêmicas sempre. Como o texto legal, elas vivem de interpretações. Interpretações nunca uniformes. Mas o debate sobre elas, cada vez mais transparentes, avança a democracia.
Convergências sobre tendências vão se consolidando.
O ranking dos maiores usuários da Justiça pelo CNJ, que não inclui o Supremo, confirma quase exatamente as estatísticas do Supremo em Números da FGV.
O INSS, a Caixa e a União são os maiores usuários das Justiças e do Supremo também. Dos usuários privados, os bancos e as empresas de serviço público, como telefonia, também o são maiores no Supremo.

INTERESSES
Esses dados, às vezes, contrariam interesses de curto prazo. Mas, para uma política eficiente de administração de justiça, o CNJ acredita que enfrentar a verdade básica judicial é indispensável.
A partir daí, é pesquisar as causas. Por que a União usa tanto o Judiciário? Por que o cliente briga tanto com os bancos e eles com o cliente?
Por que o governo Rio Grande do Sul é grande usuário?
Será por que, como diz o Ipea, quanto mais educado o cidadão, maior sua busca da Justiça? Ou por que uma antiga decisão do Supremo sobre a pensão dos servidores gaúchos provocou uma avalanche de recursos?
JOAQUIM FALCÃO é professor de direito constitucional da FGV Direito-Rio.

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