domingo, 20 de abril de 2014

ISTOÉ Independente - DIRCEU NA COMISSÃO DA VERDADE

ISTOÉ Independente - DIRCEU NA COMISSÃO DA VERDADE

DIRCEU NA COMISSÃO DA VERDADE

 Paulo Moreira Leite

Brutalidade contra Dirceu é uma tentativa de nos convencer de que não adianta reagir



 Num país
que levou um mais de 40 anos para constituir uma Comissão da Verdade
para apurar os crimes do passado do regime militar, talvez seja o caso
de pedir a abertura de um novo item de sua pauta para investigar ataques
aos direitos humanos que têm sido cometidos nos dias de hoje. O
primeiro nome é José Dirceu.




 O caso é exemplar.Embora
nunca tenha recebido, em forma definitiva, uma sentença em regime
fechado, o esforço para impedir Dirceu de respirar  o oxigênio que só se
encontra fora de uma prisão foi reforçado. Tudo se move para impedir
que ele possa sair  à rua, caminhar como uma pessoa durante oito horas
por dia,  trabalhar como um cidadão, conversar com homens e mulheres que
não são nem carcereiros, nem advogados, nem parentes tensos, de olhos
úmidos, nas horas tensas de visita.
 Como se fosse um
delírio, assistimos a um ato de terrorismo que não ousa dizer o seu
nome, mas não pode ser definido de outra forma.
 Ou como você vai
definir um pedido de grampo telefônico que envolve o palácio da
Presidência da República, o Congresso?  Vamos fingir que não é um ataque
à privacidade de Dilma Rousseff, constranger 513 parlamentares,
humilhar onze ministros, apenas para  maltratar os direitos de Dirceu?
Vamos encarar os fatos. É  um
esforço -- delirante? quem sabe? -- para rir do regime democrático,
gargalhar sobre a divisão de poderes, atingir um dos poderes emanam do
povo e em seu nome são exercidos.
Pensando em nossos prazos
históricos, eu me pergunto se vale à pena deixar para homens e mulheres
de 2050 a responsabilidade de coletar informações para apurar fatos
desconhecidos  e definir responsabilidades pelo tratamento abusivo e
injusto que tem sido cometido contra Dirceu.
Sim, Dirceu foi um entre tantos
combatentes que a maioria de nós não pode conhecer pelo nome nem pelo
rosto, lutadores corajosos daquele Brasil da ditadura.
Depois de ajudar a liderar um
movimento de estudantes que impediu, por exemplo, que o ensino
brasileiro fosse administrado por pedagogos do governo norte-americano,
Dirceu tomou parte da vitória do país inteiro pela democracia. Sem
abandonar jamais uma ternura pelo regime de Fidel Castro que ninguém é
obrigado a  partilhar, mostrou-se um líder político capaz de negociar
com empresários, lideranças da oposição e governantes estrangeiros.
Hoje ele se encontra no
presídio da Papuda, impedido de exercer direitos elementares que já
foram reconhecidos pelo ministério público e até pelo serviço
Psicossocial. Trabalha na biblioteca. Já se ofereceu para ajudar na
limpeza.
Sua situação é dramática mas ninguém precisa esperar até 2050 para tentar descobrir que há alguma coisa errada, certo?
Basta caráter. Em situações
políticas determinadas, este pode ser o  dado decisivo da situação
politica. Pode favorecer ou pode prejudicar os direitos das vítimas e
também iluminar a formação das novas gerações. Os direitos humanos
elementares, as garantias sobre a vida e a liberdade, costumam depender
disso com frequência.
Vejam o que aconteceu com o
general José Antônio Belham. Em 1971, ele exibia a mais alta patente na
repartição militar onde Rubens Paiva foi morto sob torturas.
Quando precisou explicar-se, 43
anos mais tarde, Belham afirmou que não se encontrava ali. Estava de
ferias. Acabou desmentido de forma vergonhosa. Consultando suas folhas
de serviços, a Comissão da Verdade concluiu que o general não era
verdade. Ele não só estava lá como recebera os proventos devidos pelo
serviço daqueles dias.
 Esse é o problema.
Ninguém é obrigado a ser herói. Como ensina Hanna Arendt, basta cumprir
seu dever. Caso contrário, a pessoa se deixa apanhar numa situação que
envergonha a mulher, os filhos, os netos – sem falar nos amigos dos
filhos, nos amigos dos netos. Nem sempre é possível livrar-se do vexame
de prestar contas pela própria história.
 Lembra daquele
frase comum em filmes de gangster, quando o herói recebe uma advertência
criminosa: “você vai se arrepender de estar vivo?”  Isso também pode
acontecer com pessoas que não têm caráter. 
 Imagine como vai
ser difícil, para homens e mulheres de 2050, explicar seu silêncio
diante de tantos fatos que envolvem o tratamento dispensado a Dirceu.
Ele foi cassado em 2005 por “quebra de decoro parlamentar”, essa
acusação que, sabemos há mais de meio século, é tão subjetiva que
costuma ser empregada para casos de vingança e raramente serviu para
fazer justiça --  porque dispensa provas e fatos, vale-se apenas de
impressões e convenções sociais que, como se sabe, variam em função de
tempo e lugar, de pessoa, de geração e até classe social.
 Em 2012, não se
encontrou nenhuma prova capaz de envolver Dirceu no esquema de
arrecadação e distribuição de recursos financeiros para as campanhas do
PT. A necessidade de garantir sua punição de qualquer maneira explica a
importação da teoria do domínio do fato. Inventaram uma quadrilha porque
era preciso condenar Dirceu como seu chefe  mas o argumento não durou
dois anos. Depois que o STF concluiu que não havia crime de quadrilha,
ficou difícil saber qual era a atuação real de Dirceu nessa fantasia.
Pensa que o Estado brasileiro
pediu desculpas, numa daquelas solenidades que nunca receberão a atenção
merecida, com as vítimas dos torturadores do  pós-64? Pelo contrário. O
sofrimento imposto a Dirceu aumentou, numa forma perversa de punição.
Numa sequencia da doutrina Luiz
Fux, que disse no STF que os acusados devem provar sua inocência,
coube-lhe tentar provar o que não falou ao celular com um Secretário de
Estado da Bahia.
 Foi invadido em sua privacidade, desrespeitado em seus direitos humanos. Para que? É um espetáculo didático.
Como cidadão, tenta-se fazer
Dirceu cumprir a função de ser humilhado em publico – ainda que boa
parte do público não se dê conta de que ele próprio também está sendo
ultrajado. Através desse espetáculo, tenta-se enfraquecer quem reconhece
seu papel político,  quem reconhece uma injustiça – e precisa ser
convencido de que não adianta reagir para tentar modificar essa
situação. 
Não poderia haver lição mais
reacionária, própría daqueles homens que fogem da Comissão da Verdade
com mentirinhas e desculpas vergonhosas.

Não se engane: o esforço para
inocular um sentimento de fraqueza em cidadãos e homens do povo é
próprio das ditaduras. Fazem isso pela força -- e pela demonstração de
força, também. 
Outra razão é política. Tenta-se
demonstrar que o sistema penitenciário do governo do Distrito Federal –
cujo governador é do PT, como Dirceu e todos os principais réus
políticos dessa história, você sabe -- não é capaz de cuidar dele,
argumento sob medida para que seja conduzido a uma prisão federal, onde
não poderá cumprir o regime semiaberto.
Este é o objetivo. Vai ser alcançado? Não se sabe.
 Animal consciente
dos estados de opressão, o que distingue os homens dos vegetais – e de
alguns animais inferiores – é o reconhecimento da liberdade.
 O que se quer é
encontrar uma falta disciplinar grave, qualquer uma, que sirva como
pretexto para revogar os  direitos de Dirceu. Pretende-se obter uma
regressão de sua pena e conseguir aquilo que a Justiça não lhe deu,
apesar do show – o regime fechado.
Isso acontece porque o projeto,
meus amigos, é o ostracismo – punição arcaica, típica dos regimes
absolutistas. Você lembra o que disse Joaquim Barbosa:  
 "Acho
que a imprensa brasileira presta um grande desserviço ao país ao abrir
suas páginas nobres a pessoas condenadas por corrupção. Pessoas
condenadas por corrupção devem ficar no ostracismo. Faz parte da pena".
  Imagine a maldade que é
deixar tudo isso para os homens e mulheres de 2040. Imagine as páginas
nobres da imprensa, dos jornais, das revistas. Pense como vai ser
difícil, para os leitores do futuro,  entender o que Joaquim Barbosa
quis dizer com isso.
Mais uma vez teremos uma página
horrenda da história e cidadãos perplexos a perguntar: como foi
possível? O que se queria com tudo aquilo?
 E, mais uma vez,
num sinal de que se perdeu todo limite, vamos pedir desculpas. As
futuras gerações merecem um pouco mais, concorda?   
 Não precisam encarar esta derrota colossal de todos que lutaram  com tanta coragem pela democracia.

As suspeitas sobre Barbosa no episódio de espionagem

As suspeitas sobre Barbosa no episódio de espionagem

As suspeitas sobre Barbosa no episódio de espionagem

Como se sentiria um operador do direito se alguém afirmasse que há
suspeitas de que a mais alta autoridade do Judiciário, o presidente do
STF (Supremo Tribunal Federal) usa mão de gato, pratica chicana, estupra
os procedimentos à luz do dia e com as cortinas do palco escancaradas? E
que, na condição de presidente do STF, sua imagem pessoal torna-se a
imagem do Judiciário.


No episódio da tentativa de espionagem sobre o Palácio do Planalto,
Barbosa agiu com mão de gato ou foi fundamentalmente displicente? O
simples fato de existir essa dúvida mostra a desmoralização a que o STF
está submetido com os atos de seu presidente, ao não se pronunciar sobre
a tentativa do Ministério Público do Distrito Federal de espionar o
Palácio do Planalto.


O assessor de Barbosa, Wellington Geraldo Silva, telefonou para Jânio
para “uma exaltada cobrança telefônica”, sobre as suspeitas de que, por
falta de qualquer reação, Barbosa endossara a tentativa de espionar o
Planalto. Foi-lhe recomendado escrever para o Painel do Leitor.


Na carta enviada, o assessor alega que Barbosa tomou as providências
regimentais quando recebeu o pedido de quebra de sigilo do seu parceiro,
o juiz da Vara de Execuções Penais: sem ler, encaminhou o pedido para
apreciação do Procurador Geral da República. Só depois do parecer da
PGR, o presidente do STF manifestar-se-ia.


No entanto, quem analisar todos os passos da trama, terá muitos
elementos para suspeitar que, ao remeter o pedido para o PGR sem nenhuma
observação, ou ao não recusar o pedido liminarmente, o próprio Barbosa
participou da trama  para espionar o Planalto – juntamente com a
promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, o ex-juiz da Vara de
Execuções de Brasília Bruno Ribeiro.


Relembrando:


  1. A promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, da Vara de Execuções
    de Brasilia, pede a quebra do sigilo telefônico de uma área que engloba o
    Palácio do Planalto.
  2. No seu último ato no cargo, o juiz Bruno Ribeiro, que assumiu a
    função na Vara de Execuções após a carga de Barbosa contra seu
    antecessor, recebe o pedido e envia para Barbosa sem nenhuma
    consideração a mais. É de conhecimento geral as afinidades criadas entre
    Barbosa e Ribeiro. Além da pressão contra seu antecessor, Barbosa
    acionou o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em defesa de Ribeiro.
  3. Era de conhecimento de Barbosa que, no mesmo dia em que enviou o
    processo, Ribeiro declarou-se impedido de continuar atuando na Vara de
    Execuções.
  4. O presidente do STF recebeu o pedido, não conferiu as coordenadas e
    enviou para a PGR. Se o PGR também não conferisse as coordenadas,
    Barbosa teria o álibi para quebrar o sigilo do Planalto.
As suposições acima são perfeitamente críveis, para um cargo em que
não se admite sequer a dúvida sobre a conduta do titular. Ainda mais com
todo o histórico de protelações de Barbosa sobre o episódio Dirceu.


É evidente que Barbosa sabia que o pedido de escuta referia-se a
áreas sensíveis, ao Palácio do Planalto ou a outro poder, caso contrário
o próprio juiz da Vara de Execuções poderia ter autorizado a quebra de
sigilo.


Mas seguir procedimentos habituais em um caso absolutamente unusual -
a quebra do sigilo da própria Presidência da República - é um
contrassenso que só se explica pela vontade de postergar ao máximo a
decisão sobre Dirceu, ou então, de criar um fato político mesmo.


A alegação do assessor, de que Barbosa só poderia se manifestar após
parecer do PGR, em um tema que nada tem de usual, mereceu a resposta
adequada de Jânio: aceitar isso seria acreditar que o presidente do STF
comporta-se como um estafeta, recebendo processos e encaminhando sem ler
para o PGR.


Passados vários dias, até agora a única manifestação de Barbosa foi
essa nota do assessor, segundo a qual ele cumpriu o regimento, remetendo
o pedido (sem ler) para o PGR.


É possível que o excesso de processos levasse Barbosa a ser
descuidado com o pedido. Mas é possível – dada a visibilidade do
episódio – que o descuido de Barbosa tivesse sido intencional. É
possível que não atinasse para a extensão do pedido. Mas também é
possível que agisse em sintonia com o juiz para criar uma crise
política.


Agora, coloque-se no lugar de Joaquim Barbosa. Há uma investigação
para conferir um telefonema de José Dirceu, que teria sido dada em um
dia definido. Barbosa recebe um pedido de autorização de escuta por
vários dias, em áreas variadas. Supondo que seja displicente nos seus
pedidos, que seja burocrático no encaminhamento dos processos, alguém
poderá supor que, ao receber o pedido de quebra de sigilo, não tivesse
sequer a curiosidade de conferir as coordenadas definidas pela
promotora?


É mais fácil um camelo passando no buraco de uma agulha.


Pergunto: é possível um presidente de STF conviver com tantas dúvidas
e suspeitas acerca de sua conduta, em um episódio da mais alta
gravidade?

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Desgoverno petralha destrói a Petrobrás | Hariovaldo Almeida Prado

Desgoverno petralha destrói a Petrobrás | Hariovaldo Almeida Prado


Desgoverno petralha destrói a Petrobrás




Cavaleiros e damas quatrocentões de escol e elã,


Um dos exemplos da incompetência dos lullo-dilmo-cripto-communisthas, o Brazil só produz 33 mil barris por dia.
Enquanto sérios e bons administradores do
ninho tuchano sempre se pautaram pelo cuidado e zelo com a couza
pública, como no caso da Petrobrax, quando phoram ou seriam gastos
apenas 50 milhões de dólares por uma óctima troca de nome impedida por
petralhas e populistas, ou no caso da perda da plataforma P-36, de uns
poucos bilhões, vem o governo petelho-marxista aparelhando e destruindo
subreptíciamente a Pectrobrás nos últimos e imphelizes anos em que o
terrível comissariado vermelho colecthivista está a frente do Brazil.

A falta de investimentos
e tornou a empresa um elephante branco desprezada por investidores
internaccionaes, incapaz de conseguir o aporte neccessário para seu
desenvolvimento; o não reajuste dos preços dos combustíveis e derivados
de petróleoestá levando a empresa celerementhe à bancarrota.


Ora, nós que temos tuthano sabemos da maestria com que tuchanos e
seos aliados, da boa e antiga Ordem dos Pefelisthas, hoje Demos, sempre
acthuaram em dephesa da Petrobrás e das phinanças da rés pública,
apresenthamos alguns artigos esclarecedores das boas intenções dessa
elite de brio na luta pelo Brazil:













Por essas e oitras que desde já conclamo os fiéis da Ordem de San
Phrancisco Phranco e San Josémaria de Escrivá Balagüer a unir esphorços
na eleição de oitubro junto ao bom candidactho Neves, do Partido Só De
Bens, para salvar a Pectrobrás e a República dos Estados Unidos do
Brazil das garras atéias.


Delenda Dilma!


Alvíssaras!

Manipulação...

 

"Nestes dias de campanha eleitoral, convém recordar o decálogo que escreveu Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazi. 1)    Princípio de simplificação e do inimigo único. Adotar uma única idéia; um único símbolo; individualizar o adversário em um único inimigo. 2)    Princípio do método de contágio: Reunir os adversários em uma só categoria ou indivíduo. Os adversários tem de constituir-se em suma individualizada. 3)    Princípio da transposição. Atribuir ao adversário os próprios erros ou defeitos, respondendo o ataque com o ataque: “Se não podes negar as más notícias, inventa outras que as distraiam”. 4)    Princípio do exagero e desfiguraçãoConverter qualquer anedota, por pequena que seja, em ameaça grave.      5) Princípio da vulgarização:
“Toda propaganda deve ser popular, adotando seu nível ao menos      
inteligente dos indivíduos, aos que se dirige. Quanto maior seja a massa
a convencer menor há de ser o esforço mental a fazer. A capacidade de entendimento das massas é limitada e sua compreensão rara; além do mais tem grande facilidade para esquecer.
      ==> 6) Principio de orquestração:
“A propaganda deve limitar-se a um número pequeno de ideias e
repetí-las incansavelmente, apresentando-as de diferentes perspectivas;
mas sempre convergindo sobre o mesmo conceito. Sem ranhuras nem
dúvidas”. Daquí vem também a famosa frase: “Se uma mentira se repete suficientemente, acaba por converter-se em verdade”.       7) Principio de renovação:
Emitir constantemente informações e argumentos novos a um ritmo tal
que, quando o adversário responda, o público está já interessado em
outra coisa. As respostas do adversário nunca devem poder contrariar o nível crescente de acusações.
       8) Principio da verossemelhançaConstruir argumentos a partir de fontes diversas, atravésdos chamados balões de ensaios ou de informações fragmentadas.       9) Principio do silêncioCalar sobre as questões das quais não se tem argumentos eencobrir as noticias que favorecem o adversário; também contraprogramando com a ajuda de meios de comunicação afins.     ==>10) Principio da transfusão:
Por regra, a propaganda opera sempre a partir de um substrato
preexistente, seja uma mitología nacional ou um complexo de ódios e
prejuízos tradicionais. Se trata de difundir argumentos que possam se nutrir em atitudes primitivas.      ==>11) Principio da unanimidadeConvencer muita gente que se pensa “como todo o mundo”, criando impressão de unanimidade.

Liberdade para defender a ditadura?

Liberdade para defender a ditadura?

Liberdade para defender a ditadura?


Dois ou três episódios recentes tematizam a pergunta: liberdade para
quem diverge de nós? liberdade para quem defende a ditadura? Amigos
discutem. Vou analisar esta questão sem me perder nos fatos, porque
estes só respondem se os casos se enquadram ou não na regra geral, e é
esta que precisamos definir.
A liberdade de expressão é suprema na democracia. Tanto o é, que está se
emancipando da liberdade de imprensa. Esta última é exercida por
organizações de mídia. A de expressão começava com o maluco inglês
falando num caixote do Hyde Park e hoje está nas redes sociais.
A liberdade, dizia a líder marxista Rosa Luxemburg, é sempre a liberdade
de quem pensa diferente de nós. Não pode haver liberdade só para o
"nosso" lado. A liberdade incomoda. A democracia não é um regime da
unanimidade. É o regime no qual os leitores convencidos de que o PT é um
partido de ladrões veem gente votar nele, e os que acusam o PSDB de
indiferença aos dramas sociais sentem igual frustração... Dependendo de
nosso grupo social, uma dessas convicções pode predominar, a ponto de só
convivermos com gente que pensa como nós. Mas a divergência existe e é
essencial.
Todavia, a liberdade de expressão inclui o direito de incitar ao crime?
Não. Incitar a cometer um crime é crime. Não há liberdade de expressão
para pregar "mate policiais". Então, por que seria livre pedir a
repressão aos negros, a desigualdade entre homens e mulheres, a cassação
de direitos de quem não é criminoso, a tortura, prisão e assassinato de
quem não concorda conosco? Defender a ditadura é pregar que se cometam
crimes contra muitas pessoas; mais que isso: é defender que se cometa,
contra a sociedade inteira, o megacrime que é privá-la do direito de
escolher. É pregar crimes de altas proporções. Tanto assim que no Brasil
é ilegal o racismo, nos EUA se punem crimes de ódio (como a homofobia) e
na Alemanha, a pregação do nazismo.
Essa linha divisória deve ser nítida. Devem ficar claros os temas cuja
prédica a democracia tipifica como crimes. Deve se evitar o julgamento
por inferência ("se disse isso, significa que também disse aquilo...).
Mas não esqueçamos, aqui, os dois princípios em choque. Um é a liberdade
de expressão. O outro é o direito de cada um a não ser vítima de crime.
A liberdade de falar e agir cessa onde fere o direito do outro à
integridade física e pessoal. Por isso defender a tortura e mesmo a
desigualdade dos gêneros pode constituir crime.
Não entro no detalhe dos casos recentes, como o do professor de Direito
da USP. Entrar neles é checar se os fatos precisos se ajustam ou não aos
princípios éticos que validamos. O que quero é esclarecer estes
últimos. Por exemplo, se alguém acredita que a democracia deve admitir
até os discursos contra a democracia (posição oposta à minha), ele
avaliará de outra forma o caso do professor. Mas a diferença dirá
respeito aos princípios, não aos fatos. E cada país legislará do seu
modo sobre os crimes de pregação de ódio. Com nosso histórico de racismo
e ditadura, esses dois temas exigem, de nossa parte, uma ação mais
firme do que em países que não viveram tais experiências de
desumanidade.
...



Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.

A CPI do mau negócio e o mau negócio da CPI

A CPI do mau negócio e o mau negócio da CPI

A CPI do mau negócio e o mau negócio da CPI


No debate sobre Pasadena, o maior destaque fica por conta das repentinas juras de amor da oposição pela Petrobras
Todos os dias, empresas fazem maus negócios, que dão prejuízos. Todos os
dias, firmas vão à falência. Nos períodos de bonança e crescimento,
muitas empresas lucram bastante fazendo apostas altas nos mercados. Nos
períodos de crise, muitas simplesmente desaparecem para nunca mais serem
vistas.
Isto se chama capitalismo. O capitalismo implica riscos. Muitos e graves
riscos. Há nele uma “destruição criativa”, como dizia Schumpeter, que
torna o ambiente dos negócios algo muito mais próximo ao rio de
Heráclito que ao ser imutável e imóvel de Parmênides.
Nos períodos de crescimento, tem-se a impressão que os bons negócios são
sólidos e vão durar para sempre, ainda que sejam, muitas vezes, meras
bolhas alimentadas por ambição desmedida, conveniente cegueira de longo
prazo e ausência de regulação estatal. Já nos períodos de crise, como
dizia outro filósofo, tudo que é sólido se desmancha no ar.
Pasadena se desmanchou no ar, não há dúvida. De acordo com Graça Foster,
o negócio teria dado um prejuízo a Petrobras de aproximadamente US$ 500
milhões. É bastante, ainda que seja uma cifra bem inferior aos quase
US$ 2 bilhões alegados pelos críticos da Petrobras.
Entretanto, se subirmos corrente acima o rio de Heráclito, chegaremos à
conclusão que, em 2006, ano em que foi decidida a compra da refinaria, o
negócio era, sim, muito bom. Com efeito, havia na época um “boom” do
refino nos EUA. As margens de lucro estavam altíssimas, turbinadas por
um consumo doméstico de refinados que chegava a 9,5 milhões de
barrias/dia. Muitas empresas, não apenas a Petrobras, estavam de olho
nesse gigantesco e lucrativo mercado.
Mas não era apenas a perspectiva de grande lucro que motivava a
Petrobras. Em 1999, no governo FHC, a empresa havia traçado uma
estratégia de negócios que colocava o refino de nosso óleo pesado no
exterior como uma das suas prioridades. Na época, ainda não tínhamos o
óleo leve do pré-sal, que é bem mais fácil de processar.
Pasadena, bem situada no corredor de Houston e com uma capacidade
instalada de 100 mil barris/dia, era uma boa aposta para processar o
óleo pesado do pós-sal, principalmente do poço de Marlim, e vender, com
lucro muito alto, os refinados no mercado norte-americano. Com isso, a
nossa conta de petróleo tenderia a ficar superavitária, pois venderíamos
refinados, de valor agregado bem mais alto, no exterior.
E não era apenas Pasadena. Naquele período, impulsionada pela estratégia
traçada no governo tucano, a Petrobras comprou as refinarias de Baia
Blanca, e San Lorenzo, na Argentina, e a refinaria de Okinawa, no Japão.
Observe-se que, de acordo com o sindicato dos petroleiros, em suas
transações com a Repsol, na Argentina, o Brasil entregou 3 bilhões de
dólares e recebeu 750 milhões de dólares. Um prejuízo de mais de US$ 2
bilhões, quatro vezes maior que o de Pasadena. Porém, essa transação
desastrosa não merece, misteriosamente, nenhum comentário da mídia.
No entanto, coerentemente com aquela estratégia traçada no governo
tucano e com as condições do mercado da época, tomou-se a decisão de
comprar Pasadena. Mesmo com as cláusulas Put Option e Marlim,
inexplicavelmente ocultadas do conselho da empresa e explicavelmente
inseridas no contrato com a Astra, já que se destinavam a compensar o
fato de que a Petrobras teria efetivo poder de mando na refinaria, o
negócio tinha boas perspectivas de dar certo.
As perspectivas eram muito boas não fosse um detalhe: a crise
internacional, que tomou todo o mundo de surpresa e derrubou, entre
muitas outras coisas, o mercado de refino dos EUA. Assim, o problema
essencial de Pasadena não foram as cláusulas Put Option e Marlim ou
eventual ato de corrupção de diretor da Petrobras, mas a ausência de uma
“cláusula Parmênides”, que assegurasse a imutabilidade das condições da
economia mundial.
Caso as condições do mercado de refino tivessem permanecido semelhantes
às de 2006, ninguém estaria hoje falando de Pasadena, a não ser para
elogiar uma decisão estrategicamente acertada. Pasadena já estaria “no
lucro”, a Astra não teria abandonado o negócio e a presença de uma
refinaria da Petrobras nos EUA, mesmo após a descoberta do pré-sal e da
mudança da estratégia da empresa, não seria questionada.
Ante isso, pode-se questionar para que serviria uma CPI que tem como
ponto central o mau negócio de Pasadena? Será que tem alguém beócio o
suficiente para acreditar que a compra de Pasadena e o mau negócio que
ela se tornou resultaram de meros atos de corrupção? É possível que sim,
pois reina no Brasil do denuncismo certo reducionismo moral, que
pretende explicar todos os problemas do país com base na corrupção e no
malfeito.
Entre os Azande, povo africano estudado pelo famoso antropólogo Evans
–Pritchard, todos os infortúnios se explicavam pela bruxaria. No Brasil
de hoje, todos os problemas se “explicam” pela corrupção. Até mesmo um
negócio mal sucedido.
Não que atos de corrupção e de má-gestão não possam ter ocorrido, no
caso ou na empresa. Mas atribuir-lhes, de antemão, centralidade é, no
mínimo, um exagero “azandeano”. Além disso, a Petrobras já é objeto de
inquéritos internos e da própria Polícia Federal. Quem tiver de ser
punido, que seja.
Não obstante, essa metafísica da corrupção, quando aplicada à Petrobras
em pleno período eleitoral, talvez esconda interesses mais terrenos e
menos moralizantes.
Em primeiro lugar, há o óbvio interesse em desgastar o governo Dilma e a
candidatura da presidenta, que permanece à frente das pesquisas. Com
seu preciso “timing” eleitoral e sua vaga metafísica, a CPI se tornaria
palco de inúmeras ilações e denúncias, devidamente potencializadas pelo
maior partido de oposição do país.
Em segundo lugar, e menos óbvio, há também o interesse altruísta de
livrar a Petrobras do fardo de ter de explorar o pré-sal. Por isso,
crescem na mídia as matérias e reportagens patrioticamente dedicadas a
mostrar uma Petrobras à beira da falência, ferida de morte por suposta
má-gestão típica de uma estatal assediada pela política. Estratégia
antiga e marota, que deu certo na época das privatizações.
Não comove os altruístas e patriotas o fato da Petrobras, como bem
demonstrou Graça Foster no Senado, ser empresa sólida, com crédito no
mercado, desempenho extraordinário em prospecção, expertise única em
águas ultraprofundas e excepcionais perspectivas de médio e longo prazo,
já que dispõe do pré-sal, enormes megajazidas de óleo leve, num mundo
em que há carência de descobertas de novas jazidas, a não ser as de sujo
óleo de xisto.
Talvez aconselhados pelos mesmos gênios que apregoam a volta das medidas
impopulares, de saudosa memória, esses abnegados senhores desejem o
retorno do modelo de concessão, instituído nos tempos de FHC e
substituído pelo modelo de partilha, nos tempos de Lula. Nesse modelo de
concessão, as jazidas passariam a pertencer às empresas que vencem os
leilões e a Petrobras ficaria alijada da exploração conjunta. Exxon,
Chevron, Shell, et caterva, agradeceriam esse gesto de grandeza. A União
faria um caixa rápido para ampliar o superávit primário e a Petrobras
acabaria transmutando-se na tão sonhada Petrobrax.
É claro que, neste cenário, a Petrobras seria, agora sim, ferida de
morte. A cadeia do petróleo sustentada pela empresa, inclusive a
indústria naval, ressuscitada nos governos Lula e Dilma, também. E a
alavancagem do desenvolvimento nacional e da educação brasileira pelo
pré-sal seria convenientemente esquecida na névoa do denuncismo
metafísico.
Assim, a CPI do mau negócio tende a se transformar num mau negócio para o país.
E não se enganem com as juras de amores à Petrobras por parte daqueles
que pretendem imolá-la no altar das disputas eleitorais e achincalhá-la
no vórtice das ilações e das denúncias vazias. O depoimento de Graça
Fortes no Senado, no qual alguns inquisidores se referiram à empresa
como “abismo moral”, “quitanda” e outras elevadas expressões, é somente
uma prévia do que vem por aí.
Afinal, no caudaloso rio de Heráclito, há coisas que aqui permanecem tão
imutáveis quanto o ser de Parmênides. Duas se destacam: o entreguismo e
a cara de pau.

Marcelo Zero é formado em Ciências Sociais pela UnB.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Folha de S.Paulo - Mercado - Inflação no hemisfério Norte - 17/04/2014

Folha de S.Paulo - Mercado - Inflação no hemisfério Norte - 17/04/2014

Marcelo Miterhof
Inflação no hemisfério Norte
EUA e Europa vivem 'armadilha de liquidez' e saída é ampliar gasto público para estimular demanda
A inflação é debatida no hemisfério Norte. Na semana passada, Paul
Krugman em seu blog e em sua coluna no "New York Times" e Martin Wolf no
"Financial Times" combateram o medo inflacionário atávico.





Krugman defende que os EUA adotem uma política econômica mais ativa para
combater a estagnação e o desemprego que persistem desde a eclosão da
crise financeira em 2007/8.





Um aspecto-chave é o Fed (BC dos EUA) elevar sua meta implícita de
inflação anual de 2% para 4%. Além de abrir espaço para aumentar o gasto
público, uma inflação moderada desvalorizaria os endividamentos, cujo
peso tem travado a economia americana, ajustaria preços e salários
frente às mudanças na demanda e encorajaria as pessoas a gastar, em vez
de poupar.





Wolf diz que não há risco de alta inflação. O problema é o oposto: o Fed
e outros BCs insistirem em perseguir a atual meta de inflação por
crerem que o sistema monetário funciona como descrito nos manuais. O
colunista usa um didático boletim do Banco da Inglaterra para mostrar
por que não é assim.





Basicamente, a quantidade de moeda de uma economia é formada pelo
dinheiro de papel em poder do público e pelos depósitos bancários. Como a
maior parte dos recursos circula dentro do sistema financeiro, os
bancos concedem empréstimos (criam moeda, abrindo depósitos) sem
precisar manter a totalidade de reservas em papel. O crédito impulsiona a
atividade econômica, gerando a renda para pagá-lo (quando moeda é
destruída).





A ortodoxia entende que o BC controla estritamente a quantidade de
moeda, pois os bancos, visando a lucro, sempre concederiam o máximo de
empréstimos possível, dadas as exigências de reservas. Haveria um
multiplicador estável entre o papel moeda emitido pelo Estado e o
dinheiro total na economia.





Porém não é bem assim. O montante de crédito é resultado das decisões
dos bancos e de seus clientes, que, influenciados pelas condições
econômicas, avaliam as perspectivas de risco e retorno para ofertar e
demandar financiamentos.





De fato, a autoridade monetária tem o poder de fixar o custo (juros) de
os bancos recorrerem à suas reservas quando têm falta de liquidez (casos
em que as reservas são insuficientes para suprir a saída líquida de
depósitos) e de impor regras regulatórias, como frações mínimas de
reservas e capital próprio em relação aos ativos, para induzir um
comportamento criterioso pelas instituições financeiras.





Mas esse não é um processo automático. Numa economia aquecida, os bancos
criam inovações financeiras para "burlar" as regras do BC e aumentar a
circulação de moeda demandada pela economia. O risco é que o otimismo
faça o crédito expandir mais do que a produção é capaz de responder, o
que gera uma inflação momentânea ou, pior, uma especulação de ativos,
como numa bolha imobiliária.





Entretanto, nos últimos anos, o afrouxamento monetário ("quantitative
easing") --a monetização (compra) de títulos públicos pelo Fed-- não
trouxe risco de inflação porque a maior disponibilidade de reservas não
tem levado os agentes a expandir o crédito. Há pessimismo em razão do
alto nível de endividamento americano.





Os EUA e a Europa estão numa "armadilha de liquidez": os juros baixos
têm sido incapazes de ativar a economia. A saída é ampliar o gasto
público para estimular a demanda e melhorar as expectativas de retorno
dos negócios.





O problema é que não é fácil convencer os formadores de opinião. Wolf
atribui isso à incompreensão acerca de como realmente funciona o sistema
monetário.





Krugman, lembra o exemplo da inflação americana nos anos 70, quando os
índices anuais estiveram em dois dígitos, destacando que a época não foi
tão danosa para os salários reais quanto a era Reagan/Bush, marcada por
ajustes.





Quem mais perdeu nos 70 foram os detentores de ativos financeiros. É o
interesse dos muito ricos que dá lastro ao conservadorismo
anti-inflacionário, influenciando, inclusive financeiramente, políticos,
centros de estudos e meios de comunicação.





As motivações se complementam. Os ricos têm mais meios de fazer valer
seus interesses e são inegáveis as dificuldades de obter consensos no
conhecimento econômico. Por exemplo, é sempre possível de alguma forma
defender que a prosperidade do governo Clinton foi consequência da
"lição de casa" que teria sido feita pelos republicanos nos doze anos
anteriores.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Fernando Siqueira: Batalha da mídia é para entregar o pré-sal - Viomundo - O que você não vê na mídia

Fernando Siqueira: Batalha da mídia é para entregar o pré-sal - Viomundo - O que você não vê na mídia

“MIDIA E OPOSIÇÃO BURGUESA REQUENTAM O CASO PASADENA PARA
ACABAR COM A PETROBRAS E AJUDAR NA ENTREGA DO PRE-SAL PARA AS EMPRESAS
TRANSNACIONAIS”



por Valéria Nader, no Correio da Cidadania, em 08.04.2014


Não é a primeira vez na sua história que a Petrobras é alvo de uma
possível CPI. Foi assim quando houve a mudança da Lei de Concessão,
criada por FHC, e que acabou com o monopólio estatal do petróleo, para o
modelo de Partilha, sob Lula. E agora, em ano eleitoral, mais uma vez a
empresa está sujeita à abertura de um processo de investigação.


Para o engenheiro Fernando Siqueira, ex-presidente e atual
vice-presidente da AEPET (a Associação de Engenheiros da Petrobras), não
se trata de uma CPI séria. Afinal, “o investigador mais sério e
confiável é o Ministério Público, e este já está investigando. CPIs
infelizmente foram transformadas em chantagens, holofotes, politicagens e
palanques eleitorais”.


O que está de fato em jogo, para o engenheiro, é um acontecimento
agora apenas requentado pela mídia, atrelada que está ao jogo do cartel
internacional, com o intuito de acabar com a Petrobras, para entregar
Pré-Sal, e de “sangrar” a presidente Dilma, presidente do Conselho de
Administração à época da compra da refinaria. E bem mais grave do que a
polêmica em torno a Pasadena, segundo Siqueira, é o estrangulamento
político e financeiro a que tem sido submetida a Petrobras,
consequência, dentre outros, da entrega do maior campo do Pré-Sal e do
mundo para a Shell/Total (40%) e uma aliada chinesa (20%). “Mas isto a
grande mídia defende (…) E não para aí. Há uma campanha para o governo
leiloar parte de Franco, que é uma estrutura contígua de Libra”,
enfatiza o ex-presidente da AEPET.


“O objetivo do cartel do petróleo é derrubar a Petrobras para ganhar o
Pré-Sal. E o da oposição é este, derrubar a Dilma”, diz Siqueira. Mas a
atual presidente não sai nem um pouco ilesa das avaliações de Siqueira,
muito pelo contrário. “O governo Dilma começou bem, baixando os juros,
varrendo a corrupção, mas acabou cedendo às pressões e se submeteu aos
banqueiros, elevando os juros, e fundamentalmente ao cartel
internacional do petróleo, fazendo três leilões em um único ano: o 11º,
que englobou a Margem equatorial (muito promissora), entregou Libra e
fez o absurdo leilão do shale gas. Dilma entregou 60% de Libra para o
cartel e vai entregar muito mais se o povo brasileiro não se defender”.


A seguir a entrevista completa.


Correio da Cidadania: Acha que os atuais escândalos em torno à
Petrobras, associados a alguns outros dados negativos na economia,
chegarão a impactar a candidatura Dilma?



Fernando Siqueira: O objetivo da oposição é este, derrubar a Dilma. O
do cartel do petróleo é derrubar a Petrobras para ganhar o Pré-Sal. E a
Dilma se submete aos dois em detrimento do país. Ela é mais fraca
politicamente do que o Lula, e se deixa dominar por interesses
antinacionais e eleitoreiros. Por isto acho que a alternância de poder é
necessária. O PMDB, que está sempre no poder, se transformou num bando
de fisiológicos. O PT está chegando lá.


Correio da Cidadania: Como você vê o fato de o novo escândalo
em torno à Petrobras, relacionado à questionada compra da refinaria
Pasadena, enquanto a presidente Dilma era parte do Conselho Gestor da
empresa, explodir somente agora, em um ano eleitoral, e praticamente 8
anos após os acontecimentos?



Fernando Siqueira: Na verdade, trata-se de um fato requentado pela
mídia que faz o jogo do cartel internacional, a fim de acabar com a
Petrobras para ficar com o Pré-Sal. Em 2012, como primeiro Conselheiro
de Administração da Petrobras eleito pelos empregados, o atual
presidente da AEPET, Silvio Sinedino, fez essa denúncia. Como defensores
da companhia, somos favoráveis à investigação de qualquer que seja o
indício de irregularidade cometida, por quem quer que seja. O mais
importante é preservar a Petrobras dos ataques que visam inviabilizá-la.


Infelizmente, o presidente do Conselho na época, Guido Mantega, não
levou adiante, como deveria, uma investigação séria. O ex-presidente
Gabrielli foi ao Senado e mostrou que o negócio era bom e fazia parte do
plano estratégico da companhia. Os conselheiros Jorge Gerdau e Fabio
Barbosa também afirmaram que o aprovaram por ser bom negócio. O
problema, ao nosso ver, era o preço total pago.


Agora, em ano eleitoral, a mídia citada resolveu requentar o assunto,
pois quer sangrar a Petrobras, e a presidente Dilma, presidente do
Conselho de Administração na época da compra. Esta, por sua vez, de
forma muito irresponsável, emitiu uma nota infeliz e covarde, saindo de
fininho para deixar toda a culpa com a Petrobras. E, oito anos depois,
demitiu o diretor Cerveró para criar o bode expiatório. Claro que isto
não resolve, e até distorce o problema.


Correio da Cidadania: Quanto aos acontecimentos em si,
relativos à compra que vem sendo questionada, teria mais detalhes?
Vislumbra alguma correlação entre ele e outros semelhantes na empresa?



Fernando Siqueira: Como eu disse acima, como negócio a compra foi
boa. O que se questionou foi o preço pago. Há a nossa preocupação quanto
à atual venda de ativos, o tal “desinvestimento”, pois os lobistas que
intermediam esses negócios não primam pela integridade. Foi vendido o
BMS-65 na Bacia de Campos para a Shell e 40% de um Campo no Rio Grande
do Norte para a BP, na iminência de sua descoberta.


Não podemos concordar com isto. Não fosse a obrigação da Petrobras de
importar derivados e vender para as concorrentes por preço mais baixo,
isto não seria necessário. E a mídia comprometida deita e rola: o
Estadão manipulou uma declaração do presidente da Astra, o dono da
refinaria, que disse que a compra foi o negócio do século, pois os
furacões reduziram a produção das outras refinarias e a demanda por
derivados aumentou. O Estadão pegou o final da frase para dizer que a
venda para a Petrobras é que foi o negócio do século.


Correio da Cidadania: O que pensa da instalação de uma CPI
para averiguar a polêmica aquisição da refinaria pela Petrobras e a que
resultados imagina que se possa chegar?



Fernando Siqueira: Eu acho que toda denúncia deve ser investigada.
Mas o investigador mais sério e confiável é o Ministério Público, e este
já está investigando. CPIs infelizmente foram transformadas em
chantagens, holofotes, politicagens e palanques eleitorais. Quando
estava em elaboração a lei de partilha que iria mudar o entreguismo da
lei de concessão, inventaram a CPI para atrapalhar a recuperação da
soberania. No ano eleitoral, inventaram outra. Não é sério.


Correio da Cidadania: O escândalo de Pasadena chega, por sua
vez, concomitante a outros acontecimentos que têm colocado a Petrobras
no centro dos noticiários, como, por exemplo, uma administração
temerária para a saúde da empresa, com o rebaixamento de tarifas como
forma de controlar a inflação. O que tem a dizer, nesse sentido, sobre
esta política e a condução administrativa da empresa no geral nos
últimos anos?



Fernando Siqueira: Como dito acima, isto visa enfraquecer a Petrobras
para deixar o Pré-Sal para o cartel do petróleo e os EUA, que, quando o
Pré-Sal foi descoberto, reativou a 4ª Frota Naval e a colocou no
Atlântico Sul, violando a soberania da Argentina e do Brasil. O objetivo
era pressionar o governo pelo Pré-Sal, e funcionou, pois a Dilma
entregou 60% de Libra para o cartel e vai entregar muito mais se o povo
brasileiro não se defender. A administração da empresa tem sido muito
prejudicada pelo aparelhamento político feito pela base do governo.
Gerentes nomeados politicamente acabam fazendo o jogo dos partidos em
detrimento de uma administração técnica em favor da companhia e do
interesse da nação brasileira. Isto é péssimo. A produção vem caindo, os
acionistas vêm perdendo e o país perde mais ainda.


Correio da Cidadania: Têm sido divulgados ainda diversos
dados sobre a queda na receita e rendimentos da empresa nos últimos
meses, impactando de forma negativa o seu valor na Bolsa, que está em
evidente queda. O que tem a dizer sobre esses dados e também sobre a
divulgação que lhes é dada pela mídia corporativa?



Fernando Siqueira: Muito mais grave do que este negócio de Pasadena, é
o fato de se estrangular a Petrobras financeiramente e entregar o maior
campo do Pré-Sal e do mundo para a Shell/Total (40%) e uma aliada
chinesa (20%). Mas isto a grande mídia defende. A Globo, no Jornal
Nacional de terça-feira, 6/11/2013, atropelou a matemática para mostrar
uma conta manipulada, na qual o país vai ficar com 85% do campo de
Libra. Fiz as contas e, no máximo, o país vai ficar 40,4% de Libra. O
edital criminoso levará este valor a decrescer ao longo do tempo. Dá
para acreditar que os gringos pagaram 60% e vão levar só 15%? Claro que
não. Isto é crime. É manipulação de opinião.


Mas não para aí. Há uma campanha para o governo leiloar parte de
Franco, que é uma estrutura contígua de Libra. Ambos foram entregues à
Petrobras por conta da sua capitalização via cessão onerosa: a Petrobras
comprou sete blocos da União, que deveriam conter 5 bilhões de barris, e
pagou por eles R$ 85 bilhões. Perfurou Franco e achou 10 bilhões de
barris. Perfurou Libra e achou 15 bilhões. Pela lei, o governo deveria
negociar com ela o excedente dos 5 bilhões através de contratos de
partilha. Ao invés disto, o governo tomou Libra da Petrobras e fez um
leilão fajuto entregando 60% para estrangeiros. Agora quer leiloar o
excedente de Franco.


Outro absurdo: em janeiro de 2012, a ANP doou para a Shell uma área
da União, de 250km², contígua ao Bloco BMS-54, adquirido pela Shell sob a
lei antiga. Dupla ilegalidade: 1) a lei só permite entrega de áreas sem
leilão à Petrobras; 2) pela lei a Petrobras é a operadora única do
Pré-Sal. Quando estourou o escândalo, a ANP desfez a doação e mandou a
Pré-Sal Petróleo SA (PPSA) negociar com a Shell. Os diretores da PPSA
são “amigos” da Shell.


Correio da Cidadania: Ou seja, os fatos recentes têm plena
associação com o recente leilão do Pré-Sal, que já carreou tantas
críticas quanto à entrega de nosso ‘bilhete premiado’.



Fernando Siqueira: Exato. O leilão do campo de Libra, o maior do
Pré-Sal e do mundo, foi um crime de lesa pátria, que a grande mídia
defendeu de forma torpe, inclusive manipulando contas, como já dito. O
campo, pela lei, tinha que ser negociado com a Petrobras, pois é uma
área estratégica e a lei nova estabelece isto. Libra tem uma reserva de
15 bilhões de barris ou mais. Ao valor de US$ 100 por barril, chega-se a
US$ 1,5 trilhão, dos quais 60% foram entregues ao capital externo.
Então, esta campanha visa mesmo é enfraquecer a Petrobras para que seja
entregue o resto do Pré-Sal.


Correio da Cidadania: Faria uma comparação entre os governos
FHC, Lula e, agora, Dilma, no que se refere à administração da empresa e
aos resultados, benéficos e/ou maléficos, a que se chegaram em cada um
desses governos?



Fernando Siqueira: O governo FHC foi, a meu ver, o pior da nossa
história. As mudanças que ele patrocinou na Constituição, no capítulo da
ordem econômica e financeira, foram desastrosas. Quebrou monopólios;
escancarou o subsolo e navegação dos nossos rios para empresas
estrangeiras; eliminou a diferença entre empresa nacional e empresa
estrangeira; emitiu um decreto que isenta do imposto equipamento
estrangeiro, matando 5000 empresas fornecedoras de equipamentos do setor
petróleo; desnacionalizou estatais estratégicas; e propiciou a venda de
3000 empresas nacionais, privadas, para estrangeiros; abriu o monopólio
do petróleo e fez uma lei em que todo o petróleo é de quem o produz.
Iniciou o processo de desnacionalização da Petrobras. Sua política na
área internacional teve a postura de submissão total aos EUA.


O governo Lula tentou recuperar alguns valores. Embora tenha feito a
reforma previdenciária e continuado os leilões de petróleo, mudou a lei
de concessão para partilha de produção, que recupera a propriedade da
União, colocando a Petrobras como operadora única do Pré-Sal. Fez uma
política internacional muito boa, abrindo mercados e se integrando com a
América Latina e com a África e prestigiando o Mercosul, a Unasul e o
G20.


O governo Dilma começou bem, baixando os juros, varrendo a corrupção,
mas acabou cedendo às pressões e se submeteu aos banqueiros, elevando
os juros, e fundamentalmente ao cartel internacional do petróleo,
fazendo três leilões em um único ano: o 11º, que englobou a Margem
equatorial (muito promissora), entregou Libra e fez o absurdo leilão do
shale gas.


Correio da Cidadania: Acha que os atuais escândalos em torno à
Petrobras, associados a alguns outros dados negativos na economia,
chegarão a impactar a candidatura Dilma?



Fernando Siqueira: O objetivo da oposição é este, derrubar a Dilma. O
do cartel do petróleo é derrubar a Petrobras para ganhar o Pré-Sal. E a
Dilma se submete aos dois em detrimento do país. Ela é mais fraca
politicamente do que o Lula, e se deixa dominar por interesses
antinacionais e eleitoreiros. Por isto acho que a alternância de poder é
necessária. O PMDB, que está sempre no poder, se transformou num bando
de fisiológicos. O PT está chegando lá.


Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania.

Maldade…

tuca

tuca

Doleiro da Lava Jato recebeu dinheiro de conta secreta do caso Siemens

Doleiro da Lava Jato recebeu dinheiro de conta secreta do caso Siemens - Fausto Macedo - Estadao.com.br

Doleiro da Lava Jato recebeu dinheiro de conta secreta do caso Siemens

Raul Srour, preso há 3 semanas pela PF junto com Alberto Youssef, foi destinatário de valores de conta em Luxemburgo


por Fernando Gallo


O doleiro Raul Henrique Srour, preso, assim como Alberto Youssef, na
operação Lava Jato, da Polícia Federal, recebeu dinheiro da conta
secreta aberta por ex-diretores da Siemens em Luxemburgo. A conta é
investigada pela matriz alemã da Siemens. Em depoimento à Polícia
Federal em 2013, o vice chefe de compliance da multinacional na
Alemanha, Mark Gough, que apura o caso internamente, afirmou suspeitar
que a conta tenha sido usada para pagar propina a agentes públicos
brasileiros.


Pela conta passaram US$ 7 milhões entre 2001 e 2006. A descoberta da
conta resultou na demissão, em outubro de 2011, do ex-presidente da
Siemens no Brasil Adilson Primo. Primo era sócio da empresa dona da
conta, mas durante 3 anos negou à matriz alemã que soubesse de sua
existência. Ele foi demitido quando a Siemens alemã recebeu da polícia
de Luxemburgo os documentos que vinculavam Primo à conta.


Gough contou à PF que a conta de Luxemburgo, entre outras
transferências, repassou valores para as contas de duas empresas suíças,
de nomes Neisse e Limanda. As duas contas eram de propriedade de três
doleiros: Antonio Pires de Almeida, Ana Lucia Pires de Almeida e Paulo
Pires de Almeida, os dois primeiros já falecidos. A Limanda, relatou
Gough, transferiu dinheiro para uma conta da empresa Cristal Financial
Services, localizada nas Ilhas Virgens Britânicas. Essa empresa é de
propriedade de Raul Srour e de um sócio dele, Richard Andrew van
Otterloo.


Doleiro recebeu dinheiro de conta secreta da multinacional alemã. Foto: Reprodução
O vice-chefe da compliance (setor que disciplina padrões internos de
conduta) da Siemens entregou às autoridades brasileiras documentos
fornecidos pela polícia de Luxemburgo e outros colhidos pela empresa
durante as apurações internas.


O Ministério Público estadual já abriu um inquérito para apurar se a
conta secreta de Luxemburgo foi utilizada pela Siemens para pagar
propina a agentes públicos brasileiros.


Há duas semanas, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot,
requereu ao Supremo Tribunal Federal autorização para que o Ministério
Público encaminhe a Luxemburgo um pedido de cooperação judicial
internacional.


Assim como Alberto Youssef, Srour e Otterloo são velhos conhecidos da
polícia e da Justiça brasileiras. Em 2011, eles foram condenados pela
Justiça Federal por participação no caso Banestado – evasão de US$ 30
bilhões nos anos 1990.


Os doleiros foram sentenciados por evasão de divisas – movimentaram
cerca de US$ 1 bilhão – e por operação de instituição financeira sem
autorização.


Eles devem ser intimados pelo Ministério Público e pela Polícia
Federal para prestarem depoimento no caso Siemens. Se repetirem a
estratégia levada a cabo durante o processo judicial do Banestado, as
autoridades podem chegar a conhecer os destinatários finais dos valores
que passaram pela conta secreta de Luxemburgo.


No caso Banestado, os dois doleiros foram beneficiados por terem
feito delações premiadas com a Justiça. Otterloo prestou mais de 100
depoimentos, nos quais , revelou nomes e transações sob suspeita.


Pela cooperação com a Justiça, ambos tiveram direito a redução da
pena. Srour e Otterloo foram condenados a dois anos e seis meses de
prisão, punição substituída por duas penas restritivas de direitos – um
ano e 9 meses de prestação de serviços comunitários e doação de 50
cestas básicas uma instituição de caridade.


Os acordos de delação premiada feitos por ambos foram os primeiros no âmbito da 6.ª Vara Criminal Federal.

Imóveis abandonados | Brasil 24/7

Imóveis abandonados | Brasil 24/7





CARLOS HENRIQUE ABRÃO
Enquanto não enxergarmos esse problema com os olhos voltados para solução da questão, teremos um impasse com pouca solução
Uma constante que tem sido observada nas grandes cidades diz respeito ao abandono de imóveis de toda e qualquer natureza.
A função social da propriedade precisa ser interpretada conforme essa realidade.


Essa multiplicidade de imóveis em estado de abandono tem várias
causas: a localização, pouco valor comercial, disputas familiares,
problemas de herança, ou ainda a espera do fator especulação, a exemplo
de terrenos que aguardam por muitos anos até que seja incorporado pelas
construtoras.


Em razão de imóveis no centro das capitais, a situação é delicada e
grave, pois permite invasão e acarreta uma completa reviravolta em
termos de ocupação.


Enquanto não enxergarmos esse problema com os olhos voltados para solução da questão, teremos um impasse com pouca solução.


Os poderes públicos, União, Estado e Município, deveriam fazer
parcerias, isolada ou conjuntamente, com a iniciativa privada, e depois
de certo tempo do abandono constatado, seria aberto um procedimento
administrativo para regularização da situação ou declaração do estado a
permitir, também em casos distintos, a chamada locação social.


Terrenos que ficam muitos anos no aguardo da valorização, enfeiando o
entorno e somente se preocupando com a valorização, deveriam sofrer a
tributação progressiva do munícipio.


É essencial, antes de mais nada, que as prefeituras façam um
levantamento, mediante tecnologia avançada, para diagnosticar o estado
de abandono de imóveis e mesmo de prédios inteiros, como há, nos dias de
hoje, nas periferias ou, com mais costume, nos centros.


Essa circunstância causa atração por parte dos moradores sem teto, e
vira alvo fácil de invasão e, o pior de tudo, a demora na regularização.


A partir de parcerias teríamos um norte, o imóvel em estado de
abandono poderia ter uma destinação diversa ou, se os proprietários não
concordassem, a locação para fins sociais seria uma alternativa.


Os programas sociais do governo não são capazes de fortalecer a
construção de casas populares, apesar de um número maior de abandono nas
cidades maiores, o que percebemos é a necessidade de se mudar a
legislação.


Não defendemos o confisco, ou o apossamento administrativo, mas sim
um procedimento com amplo contraditório, feito o levantamento sobre
débitos em aberto, daí sim poderia a prefeitura tomar alguma medida
eficaz.


Imóveis abandonados causam o grave risco do mosquito da dengue, focos de droga e passagem de pessoas altamente suspeitas.


Não é do interesse público manter um prédio abandonado, geralmente
completo o estado de desídia dos proprietários, ou briga entre posseiros
da mais diversa espécie.


Mapeado e radiografado o rastreamento dos imóveis abandonados, de
modo administrativo seria feito um procedimento para que os interessados
se manifestassem sobre a utilização e a razão do abandono, em completo
risco à segurança, saúde pública e aos próprios vizinhos, os maiores
prejudicados.


Não é incomum um determinado proprietário se negar a vender o imóvel
para a construtora e, depois da obra incorporada, o bem fica isolado e
com os inconvenientes, ele acaba sem interesse econômico, por abandonar a
propriedade.


Essa situação teria que ser, em primeiro lugar, tratada a nível
constitucional, depois no código civil e, finalmente, no plano diretor
de cada município.


Recentemente, em visita à cidade do interior, notamos que a
prefeitura colocou num terreno abandonado uma placa para fins de posse e
eventual utilização.


Dessa forma, se o terreno está abandonado, repleto de insetos que
causam problemas à população, não tem sentido esperar a boa vontade do
titular de domínio para fazer alguma coisa.


A função social da propriedade passa ineludivelmente para a
disciplina do imóvel abandonado, aquele que depois de 3 a 5 anos, sem
qualquer ato direto ou indireto de posse, poderá ser utilizado pelo
poder público e inclusive locado para fins de ocupação social.


Um elevado número de prédios comerciais e residenciais no centro das
cidades tem essa radiografia do abandono, de tal sorte que as
prefeituras deveriam ter, a seu favor, uma legislação que as permitisse,
por meio de procedimento administrativo, tomar posse, locar e,
eventualmente, comprar.


Somente uma legislação que disciplinasse a questão com a tributação
progressiva (especulação) ou a investigação do estado de abandono daria,
à sociedade, segurança e tornaria cláusula pétrea a função social da
propriedade.

Conceição Lemes, 33 anos de estrada: Resposta em público a O Globo -

Conceição Lemes, 33 anos de estrada: Resposta em público a O Globo - Viomundo - O que você não vê na mídia

Conceição Lemes, 33 anos de estrada: Resposta em público a O Globo

publicado em 16 de abril de 2014 às 0:38



por Conceição Lemes


Nessa segunda-feira 13, uma repórter de O Globo enviou-nos um e-mail:


“Estou fazendo uma matéria sobre a
entrevista que o ex-presidente Lula concedeu a blogueiros na semana
passada. Gostaria de conversar contigo por telefone”.
Pedi que enviasse as perguntas por e-mail. Hoje, às 12h27 elas foram encaminhadas:





Nada contra a repórter. Embora não a conheça, respeito-a profissionalmente como colega.


Já a empresa para a qual trabalha, não merece a nossa consideração.


Com essas perguntas aos blogueiros, O Globo parece estar com saudades da ditadura, quando apresentava como verdadeira a versão dos órgãos de repressão.  Exemplo disso foi a da prisão, tortura e assassinato de Raul Amaro Nin Ferreira, em 1971, no Rio de Janeiro.


Com essas perguntas, O Globo parece querer promover uma caça aos blogueiros progressistas. Um macartismo à brasileira.


O marcartismo, como todos sabem, consistiu num movimento que vigorou
nos EUA do final da década de 1940 até meados da década de 1950. 
Caracterizou-se por intensa patrulha anticomunista, perseguição política
e dersrespeito aos direitos civis.


O interrogatório emblemático daqueles tempos nos EUA:


Mr. Willis: Well, are you now, or
have you ever been, a member of the Communist Party? (Bem, você é agora
ou já foi membro do Partido Comunista?)
A sensação com as perguntas de O Globo é que
voltamos à ditadura. Agora, a ditadura midiática das Organizações Globo.
É como estivéssemos sendo colocados numa sala de interrogatório.


Afinal, qual o objetivo de saber se pertencemos a algum partido político?


Será que O Globo faria essa pergunta aos jornalistas de direita, travestidos de neutros, que rezam pela sua cartilha?


E se fossemos nós, blogueiros progressistas, que fizessemos essas perguntas aos jornalistas de O Globo?


Imediatamente, seríamos tachados de antidemocratas, cerceadores da liberdade de expressão, chavistas e outros mantras do gênero.


Como um grupo empresarial que cresceu graças aos bons serviços
prestados à ditadura civil-militar tem moral de questionar
ideologicamente os blogueiros que participaram da entrevista coletiva?


Liberdade de imprensa e de expressão vale só para direita e para a esquerda, não?


Como uma empresa que tem no seu histórico o colaboracionismo com a
ditadura, o caso pró-Consult, o debate editado do Collor vs Lula, ter
sido contra a campanha Pelas Diretas,  pode se arvorar em ditar normas
de bom Jornalismo e ética?


Como uma empresa que deve R$ 900 milhões ao fisco tem moral para questionar outros brasileiros?


Como um grupo empresarial que recebe, disparadamente, a maior fatia
da publicidade do governo federal pode criticar os poucos blogs que
recebem alguma propaganda governamental?


O Viomundo, repetimos, não aceita propaganda dos
governos federal, estaduais e municipais. É uma opção nossa. Mas
respeitamos quem recebe. É um direito.


No Viomundo, não temos nada a esconder.  Só não admitimos que as Organizações Globo, incluindo O Globo, com todo o seu histórico, se arvorem no direito de fiscalizar a blogosfera.


Por isso, eu Conceição Lemes, que representei o Viomundo na coletiva, não respondi a O Globo. Preferi responder aos nossos milhares de leitores.  Diretamente. E em público.


Seguem as perguntas de O Globo e as minhas respostas.


Qual a sua formação acadêmica?


Formada em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).


Qual a sua atuação profissional antes do blog? Já cobriu política por outros veículos?


Sou editora do Viomundo, onde faço política, direitos humanos, movimentos sociais. Toco ainda o nosso Blog da Saúde.


No início da carreira, fiz um pouco de tudo: economia, política, revistas femininas, rádio…


Há 33 anos atuo principalmente como jornalista especializada em
saúde, tendo ganho mais de 20 prêmios por reportagens nessa área. Entre
eles, o Esso de Informação Científica, o José Reis de Jornalismo Científico, concedido pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), e o Sheila Cortopassi de Direitos Humanos na área de Comunicação, outorgado pela Associação para Prevenção e Tratamento da Aids e Saúde Preventiva (APTA) com apoio do Unicef.


Conquistei também vários prêmios Abril de Jornalismo, a maioria por matérias publicadas na revista Saúde!, da qual foi repórter, editora-assistente, editora e redatora-chefe.


Em 1995, fui  premiada pela reportagem “Aids — A Distância entre Intenção e Gesto”, publicada pela revista Playboy.
O projeto que desenvolvi para essa matéria foi selecionado para
apresentação oral na 10ª Conferência Internacional de Aids, realizada em
1994 no Japão.


Pela primeira vez um jornalista brasileiro teve o seu trabalho
aprovado para esse congresso. Concorri com cerca de 5 mil trabalhos
enviados por pesquisadores de todo o mundo. Aproximadamente 300 foram
escolhidos para apresentação oral, sendo apenas dez de investigadores
brasileiros. Entre eles, o meu. Em consequência, fui ao Japão como
consultora da Organização Mundial da Saúde.


Tenho oito livros publicados na área.


O mais recente, lançado em 2010, é Saúde – A hora é agora,
em parceria com o professor Mílton de Arruda Martins, titular
de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, e o médico Mario
Ferreira Júnior, coordenador de Centro de Promoção de Saúde do Hospital
das Clínicas de São Paulo.


Em 2003/2004, foi a vez da  coleção Urologia Sem Segredos, da Sociedade Brasileira de Urologia, destinada ao público em geral.


Os primeiros livros foram em 1995. Um deles, o Olha a pressão!, em parceira com o médico Artur Beltrame Ribeiro.


O outro foi a adaptação e texto da edição brasileira do livro Tratamento Clínico da Infecção pelo HIV, do
professor John G. Bartlett, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA. A
tradução e supervisão científica são do médico Drauzio Varella.


Você é filiada a algum partido político?


Não sou nem nunca fui filiada a qualquer partido político.


Mas me estranha muito uma empresa que apoiou a ditadura, cresceu
devido a benesses do regime e hoje se alinhe com todos os espectros da
direita brasileira, questione a a filiação partidária de um jornalista.


Quer dizer de direita, tudo bem, e de esquerda, não?


Como você definiria os “blogueiros progressistas”? Existe uma linha política?


Somos de esquerda.


Defendemos:


Melhor distribuição da renda no país.


Reforma agrária.


Os movimentos sociais por melhores condições de moradia, trabalho, defesa do meio ambiente, saúde e educação.


Regulamentação dos meios de comunicação.


Valorização do salário mínimo.


Política de cotas raciais nas universidades.


Direitos reprodutivos e sexuais das mulheres brasileiras.


Combate à discriminação e promoção dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais


Imposto sobre grandes fortunas.


Financiamento público de campanha.


Reforma política.


Fortalecimento da Petrobras.


Sistema Único de Saúde.


Como você foi chamada para a entrevista? Recebeu alguma ajuda de custo do instituto?


Por e-mail. Nenhuma ajuda.


O que você achou da seleção de blogueiros para a entrevista?
Incluiria, por exemplo, representantes da mídia ninja ou blogueiros “de
oposição”, como Reinaldo Azevedo?



O Instituto Lula tem o direito de chamar para entrevistar o ex-presidente quem ele quiser.


Engraçado O Globo perguntar isso. De manhã à
madrugada, de domingo a domingo, todos os veículos das Organizações
Globo privilegiam, ostensivamente, sem o menor pundonor, vozes do
conservadorismo brasileiro e internacional. Pior é que travestido de uma
falsa neutralidade.


Por que O Globo pode chamar quem quiser e o ex-presidente Lula, não?


Por que as Organizações Globo não dão espaços iguais à esquerda e à direita, garantindo a pluralidade de opiniões?


No dia em que as Organizações Globo garantirem
efetivamente a pluralidade de opiniões, respeitando a verdade factual,
aí, sim, seus profissionais poderão questionar os nomes escolhidos por
Lula.


Qual foi o ponto mais relevante da entrevista para você?


Ter falado três horas e meia com os blogueiros. Uma conversa em que
nenhum assunto foi proibido. Tivemos liberdade plena de perguntar o que
queríamos. Uma lição de democracia.


O instituto arcou com os seus custos de deslocamento?


Não. Fui de táxi. Paguei do meu próprio bolso.


Por que você acredita ter sido escolhida para a entrevista?


Quantos jornalistas brasileiros têm o meu currículo profissional?
Quantos repórteres da mídia tradicional e da blogosfera produziram
tantos furos jornalísticos quanto nós no Viomundo nos últimos cinco anos?


Por isso, deixo essa pergunta para você e os leitores do Viomundo responder.


O que você acha do movimento “Volta Lula”?


Quem tem de achar é a população e os militantes dos partidos da base de apoio do governo.


Sou apenas repórter. Cabe a mim, portanto, retratar o que presencio.


Qual nota você daria ao governo Dilma? Por quê?


O Globo tem fetiche por nota. Quem tem de dar a nota
é o eleitorado. Sou repórter e minha opinião neste caso é irrelevante. A
não ser que O Globo pretenda usá-la para fazer o que
costuma fazer: manipular informação com objetivos políticos, em defesa
de interesses da direita brasileira.


PS do Viomundo: Todas as nossas batalhas são financiadas
exclusivamente pela contribuição de assinantes, a quem agradecemos por
compartilhar conteúdo exclusivo generosamente com outros internautas. Torne-se um deles!


terça-feira, 15 de abril de 2014

Dirceu é o único dos condenados ao semiaberto que continua preso

Dirceu é o único dos condenados ao semiaberto que continua preso

Dirceu é o único dos condenados ao semiaberto que continua preso

Do Valor
 
Raymundo Costa
 
Faz hoje cinco meses que o ex-ministro
José Dirceu está numa cela da penitenciária da Papuda, em Brasília, DF.
Dos condenados ao regime semiaberto no julgamento do mensalão, Dirceu é
o único que continua preso, muito embora desde 18 de dezembro de 2013
tenha uma proposta formal de trabalho de um escritório de advocacia da
capital.
 
Para trabalhar fora e dormir no
presídio como os demais condenados ao semiaberto que cumprem pena na
Papuda, o ex-ministro depende de uma decisão do presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, o executor das sentenças
aplicadas no julgamento da AP 470. Uma análise dos eventos desencadeados
desde a prisão de Dirceu sugerem que a execução da sentença, em relação
ao ex-ministro, é diferenciada.
 
Os recursos que o beneficiariam com o
regime semiaberto em geral foram protelados, enquanto rápidas as
decisões para mantê-lo no regime fechado. A narrativa das idas e vindas
da execução da sentença de José Dirceu revelam uma queda de braço que
não faz justiça a um dos melhores momentos do Judiciário, como foi o
julgamento do mensalão.
Quando se entregou à Polícia Federal, em
15 de novembro, Dirceu cometeu a imprudência de exibir o punho fechado.
Barbosa e outros ministros viram no gesto um desafio a uma decisão
legítima da Justiça. Dirceu também apresentou o registro de emprego num
hotel de Brasília, por uma salário irreal. Parecia ficção. E era uma
trapalhada de seu amigo, o advogado, Carlos Alberto de Almeida Castro, o
Kakay.
Nada disso justifica as seguidas
protelações. A defesa de Dirceu pediu, em 19 de dezembro do ano passado,
autorização para o ex-ministro trabalhar no escritório do advogado José
Geraldo Grossi. Em janeiro, os jornais publicaram que Dirceu teria
conversado, ao telefone, com o secretário de governo da Bahia, James
Correia. O secretário e Dirceu desmentiram que tenham falado ao
telefone. Mas a Secretaria de Segurança Pública do DF abriu uma
investigação, cuja conclusão foi a de que a conversa não ocorrera.
O Centro de Internamento e Reeducação
(CIR), onde Dirceu está preso, também concluiu que a notícia sobre o
telefonema era inverídica. Mesmo assim, no dia 24 de janeiro, a Vara de
Execuções Penais (VEP) suspendeu por 30 dias a análise do pedido de
Dirceu. Alegou que o ex-ministro não foi ouvido na investigação. Nas
férias de Barbosa, o presidente em exercício do STF, Ricardo
Lewandowski, determinou a retomada da análise do pedido de Dirceu.
Argumentou que a investigação nada identificara que sustentasse a
denúncia do telefonema. Uma segunda investigação do CIR também concluiu
pelo arquivamento do inquérito disciplinar.
Os documentos foram então encaminhados
ao ministro Joaquim Barbosa, já de volta ao batente. Ao mesmo tempo o
Ministério Público Federal emitiu um parecer favorável a Dirceu. Barbosa
é tão rápido em negar quanto Lewandowski de aceitar: o presidente do
STF reverteu a determinação do colega. Para justificar a decisão, alegou
que Lewandowski deveria ter ouvido o Ministério Público (que já havia
dado parecer favorável ao pedido de trabalho) e a VEP.
O presidente do STF pediu, então, a
manifestação da Procuradoria Geral da República. A PGR, por seu turno,
tomou ciência mas não faz nenhum pedido em relação a diligências ou
outras medidas. Simultaneamente a esses eventos, a defesa de Dirceu fez
pedidos para Barbosa tomar uma decisão. Sem êxito. Em 24 de fevereiro,
um mês depois de suspender por 30 dias a análise do pedido e dizer que
Dirceu deveria ser ouvido a VEP, sem nenhuma justificativa, adiou o
depoimento do ex-ministro.
Dois dias depois o Ministério Público do
DF encaminhou à VEP um pedido para quebrar o sigilo telefônico de todos
os números que tenham feito ou recebido ligações, de 1 a 16 de janeiro,
entre a região da Papuda e a Bahia. Podem ser milhares. O juiz Bruno
Ribeiro, que respondia pela VEP, recebera o pedido do MP havia mais de
mês e o mantivera na gaveta. Em 11 de março, Dirceu finalmente é ouvido,
por videoconferência, pelo juiz Bruno, na presença de seus advogados e
também do Ministério Público do DF.
Nesse meio tempo, reportagens
denunciaram privilégios que estariam sendo usufruídos por petistas
presos na Papuda. E uma foto de José Dirceu na prisão foi publicada por
uma revista. Os incidentes levaram o juiz Bruno a mandar o ex-tesoureiro
do PT Delúbio Soares de volta ao regime fechado de prisão (decisão já
revogada) e a cobrar explicações do governador do DF, Agnelo Queiroz
(PT). A pedido de Agnelo, o Tribunal de Justiça abriu uma sindicância
para analisar o comportamento do juiz. Ele não apresentara provas dos
supostos "privilégios" e se dirigiu diretamente a Agnelo, sem ter
jurisdição para tanto.
O juiz se afastou da VEP. Não sem antes
dar por encerrada a investigação e encaminhar os autos para a
deliberação do Barbosa. Contraditoriamente, enviou também o antigo
pedido do Ministério Público, feito mais de um mês antes, para a quebra
de sigilos telefônicos ainda com o objetivo de investigar o suposto
telefonema.
Nos dias 2 e 7 de abril a defesa de
Dirceu reiterou ao STF o pedido para o ex-ministro trabalhar fora. No
dia 4 de abril, os advogados tomaram conhecimento do requerimento do MP
para a quebra de sigilos telefônicos. Uma perícia indicou que as
coordenadas geográficas apontadas pelo MP incluíam, além da
penitenciária da Papuda, o Palácio do Planalto.
No dia último dia 10 a defesa de Dirceu
enviou ao STF medida cautelar pedindo urgência no julgamento. Segundo os
advogados do ex-ministro, a questão é tratada com "flagrante
disparidade" pelo presidente Joaquim Barbosa: em menos de uma semana o
ministro cassou decisão de Lewandowski favorável a Dirceu, e em 24 horas
tomou uma outra decisão relativa ao juiz Bruno. E no entanto, há dois
meses protela a análise do pedido para Dirceu cumprir a pena no regime
semiaberto a que foi condenado pela maioria dos ministros do STF.
Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

Quem são os "bandidos", os "ladrões", "quadrilhas" ou "cartéis"

Quem são os "bandidos", os "ladrões", "quadrilhas" ou "cartéis"

Quem são os "bandidos", os "ladrões", "quadrilhas" ou "cartéis"






As linguagens revelam os humanos em seu Tempo. Revelam inclusive quando
buscam esconder. Não seria diferente no Brasil, ainda mais no ano
eleitoral de 2014.



De maneira consciente ou não, cada palavra, cada imagem tem um sentido.
Tanto faz se em relação às ações de partidos, de personagens, ou de
escândalos.



Cada expressão, cada imagem aponta para as escolhas de quem faz o uso da
linguagem. Vamos a alguns exemplos do momento, já que o ano exige
atenção à linguagem.



"Rodízio", como sabemos, se dá em relação a churrasco, pizza, placa de
automóvel... Quando usado em relação a racionamento de água, indica
intenção de esconder.



Já "Racionamento" é quando o adversário é responsabilizado pela falta de
algo. Energia, por exemplo. Mesmo que hipótese ligada ao futuro, ou a
fato passado.



Assim, se for amigo é "Rodízio". Se for adversário é "Racionamento". O mesmo se aplica a "bandido", "gatuno", "quadrilheiro"...



Não há chance do uso de tais definições contra amigos. Será, sempre,
contra alguém do outro lado. "Acusação sem provas": Essa, se usa só para
partido ou personagem do coração.



Quando é "inimigo", vale "corrupção", "ladrão", expressões que terminem
em "ão". Se for agremiação da prefrência , se usa o eufemismo "formação
de cartel".



"Propinoduto" é obra do adversário. Os do peito são "investigados por
supostas irregularidades". Adversário não merece o "suposto". Adversário
"É". E ponto.



Como se sabe, não existe "corruptor" no Brasil, e não importa a cor
partidária. Existe "operador". E "suborno" é ato exclusivo do
adversário; amigos recebem "comissão".



Do governo alheio se mostra o número dos "assassinatos". No dos amigos
usa-se, também , o "latrocínio". Assalto seguido de morte, "latrocínio"
dá uma mãozinha na estatística.



"Quadrilha", "organização criminosa", é, sempre, o "inimigo". Os amigos
são vitimas de "politização" e, sempre, "negam as acusações".



Quando amigos são presos houve "espetacularização" na ação policial.
Quando o preso é adversário é "Operação", e com o nome de batismo.



Ainda escolhas: para uns se usa "vândalos"; aqueles que praticam o
"vandalismo". Em outros se percebe apenas a "ação de manifestantes". Ou,
de "ativistas".



O "inimigo" "sonega milhões em impostos", "assalta o tesouro" e
"empobrece o país". Quem pode, e manda, apenas erra. Ou, faz
"planejamento tributário".