Barbosa isolado! Procurador-geral pula fora do barco! | O Cafezinho
Barbosa isolado! Procurador-geral pula fora do barco!
Enviado por Miguel do Rosário on 28/05/2014 – 7:19 pm Comentários: 36 Wordpress | Facebook
Um sociopata com expressão raivosa e confusa perambula sozinho pelas esplanadas de Brasília, incensado apenas por globais sonegadores e coxinhas psicóticos.
Até o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, um conservador corporativo como parecem ser todos no Ministério Público, percebeu que não é boa ideia morrer abraçado com Barbosa. E declarou, em alto e bom som: a decisão de Barbosa, de não permitir que os réus da AP 470 trabalhem fora, cria “insegurança jurídica”.
A OAB calcula que quase 80 mil presos podem ser prejudicados pela decisão de Barbosa.
O presidente do STF agora só tem um esteio, a grande mídia, ou, mais exatamente, os quatro cavaleiros do apocalipse: Globo, Folha, Estadão e Veja, o grupinho gente boa que alguns chamam de PIG.
Até o momento, a Globo não reviu suas matérias e editoriais sobre “regalias” aos réus da AP 470. A decisão de Barbosa é a prova viva de que não há regalias, e sim perseguição.
Acho que o Innovare não vai conseguir mais dar outro prêmio Faz Diferença para um Barbosa deslumbrado. Entretanto, como bom sociopata, Barbosa não está nem aí para nada. O que lhe importa é o apoio dos setores medievos da sociedade, interessados antes em linchamento político do que em justiça ou direitos penais.
Bye, bye, Barbosa.
Acaba de sair no Globo (imagino o constrangimento do editor ao ter de publicar isso) a seguinte matéria.
*
Procurador-geral diz que decisão de Barbosa sobre trabalho externo gera insegurança jurídica
OAB calcula em 77 mil presos em regime semiaberto que poderiam ser prejudicados com a decisão de Barbosa
BRASÍLIA – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou nesta quarta-feira que a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, de proibir o trabalho externo dos presos condenados ao regime semiaberto no processo do mensalão cria insegurança jurídica e pode atingir presos de outros processos que estão na mesma situação. Segundo Janot, penas de prisão não são os únicos meios que o Estado dispõe para punir determinados tipos de crimes. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) calcula em 77 mil presos em regime semi-aberto que poderiam ser prejudicados com a decisão de Barbosa.
- O problema que se coloca é de segurança jurídica. Tínhamos a interpretação já de algum tempo de que não seria necessário o cumprimento de um sexto da pena primeiro para que depois o preso pudesse alcançar o privilégio do trabalho externo no regime semiaberto. Uma modificação na interpretação jurídica o que eu vejo é que pode causar insegurança jurídica. E, em causando insegurança jurídica, pode refletir nos demais presos sim – afirmou Janot depois de participar de uma reunião do Conselho Nacional do Ministério Público.
Janot fez a declaração ao ser perguntado por um repórter se o corte do trabalho externo dos condenados no mensalão não seria um contrassenso em relação à tendência do Direito Penal de aplicação de penas alternativas e à jurisprudência criada a partir de decisões anteriores do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A OAB teria até classificado a decisão de Joaquim Barbosa de vingança. O procurador-geral disse que não endossaria o termo vingança, mas reafirmou sua posição sobre o trabalho externo de condenados ao regime semiaberto.
Segundo ele, prevalece no Ministério Público o entendimento de que condenados ao regime semiaberto tem direito ao trabalho externo mesmo sem cumprir um sexto da pena. A prática vem sendo adotada pelos juízes de execução penal de todo o país desde 1999. Janot disse ainda que é importante incentiva a aplicação de penas alternativas em crimes de baixo potencial ofensivo. Para ele, as penas alternativas também são uma forma de punição e ajudam na ressocialização dos presos.
- No caso do regime semiaberto, o preso, se tiver oferta de trabalho digno, que permita sua ressocialização, ele pode imediatamente iniciar o trabalho externo, mesmo sem cumprir um sexto da pena – disse Janot.
Nas duas últimas semanas, Joaquim Barbosa, relator do mensalão, rejeitou o pedido de trabalho externo do ex-ministro José Dirceu e suspendeu o benefício a outros presos vinculados ao processo. Para Barbosa, a lei determina que os presos do regime semiaberto cumpram pelo menos um sexto da pena antes de pedir autorização para trabalho externo.
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quinta-feira, 29 de maio de 2014
Janio a Eduardo Campos: “qual foi o crime de seu avô?”
Janio a Eduardo Campos: “qual foi o crime de seu avô?” | TIJOLAÇO |

A pergunta cortante é do mestre Janio de Freitas, sobre a prática contumaz da hipocrisia em que vem se especializando o candidato do PSB, Eduardo Campos, que danou a dizer só o que agrada o conservadorismo.
Poderia, sem dificuldade, ter dito que essa é uma decisão que a
Justiça terá de tomar, sobretudo agora que lhe são apresentados,
concretamente, casos escabrosos como o da tortura, morte e ocultação do
cadáver do deputado Rubens Paiva e do atentado do Riocentro.
Mas preferiu se lambuzar dizendo que é contra o reexame das responsabilidades por crimes de lesa-humanidade.
O discurso do “revanchismo” é apenas dos que o usam para ocultar, também, a verdade.
Atividade na qual Campos vem se mostrando dedicado aprendiz.
Anistia, para possível punição legal de criminosos da repressão,
divide-se em duas partes bem distintas. Na primeira, o pré-candidato à
Presidência adota o chavão dos militares acusados de tortura,
assassinatos e desaparecimentos: “Acho que a Lei da Anistia foi para
todos os lados. O importante agora não é ter uma visão de revanche”. Na
segunda, Eduardo Campos reforça, por um dado pessoal, a sua
identificação com aqueles militares: “Falo isso muito à vontade porque a
minha família foi vítima do arbítrio”.
Uma das maiores vítimas imediatas do golpe em 1964 foi Miguel
Arraes, então governador de Pernambuco. Retirado do palácio sob a mira
de armas, Arraes foi preso e, depois dos maus-tratos esperáveis,
deportado para a ilha de Fernando Noronha como prisioneiro sem
condenação e sem prazo. Quando, afinal, pôde voltar ao continente e à
vida civil, a iminência de nova prisão levou-o a asilar-se e daí ao
exílio.
Eduardo Campos é neto de Miguel Arraes. Por isso diz estar “muito
à vontade” quando subscreve o pretexto da “anistia para os dois lados”.
Nas duas condições, está, portanto, desafiado a indicar os crimes de
que seu avô foi anistiado. Os crimes cuja anistia justifica, no que lhe
cabe, a anistia do lado dos que o prenderam depois de o derrubarem do
governo conquistado pelo voto e exercido com o que sempre se achou ser
impecável dignidade.
No exterior, residente na Argélia e depois na França, Arraes
integrou a oposição ativa à ditadura brasileira. É possível que, do
ponto de vista de Eduardo Campos, oposição ao regime dos generais
ditadores fosse prática criminosa, como os próprios consideraram. A
identificação de Eduardo Campos com o pretexto usado pelos militares
reforça tal hipótese. A ser assim, porém, sua pretensão a concorrer à
Presidência de um regime democrático não poderia ser vista senão como
farsa. Farsa perigosa, como sugerem as identificações que exibe.
Não menos sugestivo é que esse mesmo Eduardo Campos integra, com
os seus conceitos, o Partido Socialista Brasileiro. Vê-se que aprecia
essa coisa de “para todos os lados”. Mas, se não tem fatos a narrar que
justifiquem a anista de Arraes como compensação para a anistia do “outro
lado”, então Eduardo Campos está manchando a história de um homem
honrado. Da qual e do qual até agora só tirou proveito: sem ambas, não
se sabe o que seria, mas por certo não teria sido o que já foi e não
seria o que é.
Janio a Eduardo Campos: “qual foi o crime de seu avô?”
29 de maio de 2014 | 08:38 Autor: Fernando Brito
A pergunta cortante é do mestre Janio de Freitas, sobre a prática contumaz da hipocrisia em que vem se especializando o candidato do PSB, Eduardo Campos, que danou a dizer só o que agrada o conservadorismo.
Poderia, sem dificuldade, ter dito que essa é uma decisão que a
Justiça terá de tomar, sobretudo agora que lhe são apresentados,
concretamente, casos escabrosos como o da tortura, morte e ocultação do
cadáver do deputado Rubens Paiva e do atentado do Riocentro.
Mas preferiu se lambuzar dizendo que é contra o reexame das responsabilidades por crimes de lesa-humanidade.
O discurso do “revanchismo” é apenas dos que o usam para ocultar, também, a verdade.
Atividade na qual Campos vem se mostrando dedicado aprendiz.
Muito à vontade
Janio de Freitas
A definição de Eduardo Campos contra qualquer mudança na Lei da Anistia, para possível punição legal de criminosos da repressão,
divide-se em duas partes bem distintas. Na primeira, o pré-candidato à
Presidência adota o chavão dos militares acusados de tortura,
assassinatos e desaparecimentos: “Acho que a Lei da Anistia foi para
todos os lados. O importante agora não é ter uma visão de revanche”. Na
segunda, Eduardo Campos reforça, por um dado pessoal, a sua
identificação com aqueles militares: “Falo isso muito à vontade porque a
minha família foi vítima do arbítrio”.
Uma das maiores vítimas imediatas do golpe em 1964 foi Miguel
Arraes, então governador de Pernambuco. Retirado do palácio sob a mira
de armas, Arraes foi preso e, depois dos maus-tratos esperáveis,
deportado para a ilha de Fernando Noronha como prisioneiro sem
condenação e sem prazo. Quando, afinal, pôde voltar ao continente e à
vida civil, a iminência de nova prisão levou-o a asilar-se e daí ao
exílio.
Eduardo Campos é neto de Miguel Arraes. Por isso diz estar “muito
à vontade” quando subscreve o pretexto da “anistia para os dois lados”.
Nas duas condições, está, portanto, desafiado a indicar os crimes de
que seu avô foi anistiado. Os crimes cuja anistia justifica, no que lhe
cabe, a anistia do lado dos que o prenderam depois de o derrubarem do
governo conquistado pelo voto e exercido com o que sempre se achou ser
impecável dignidade.
No exterior, residente na Argélia e depois na França, Arraes
integrou a oposição ativa à ditadura brasileira. É possível que, do
ponto de vista de Eduardo Campos, oposição ao regime dos generais
ditadores fosse prática criminosa, como os próprios consideraram. A
identificação de Eduardo Campos com o pretexto usado pelos militares
reforça tal hipótese. A ser assim, porém, sua pretensão a concorrer à
Presidência de um regime democrático não poderia ser vista senão como
farsa. Farsa perigosa, como sugerem as identificações que exibe.
Não menos sugestivo é que esse mesmo Eduardo Campos integra, com
os seus conceitos, o Partido Socialista Brasileiro. Vê-se que aprecia
essa coisa de “para todos os lados”. Mas, se não tem fatos a narrar que
justifiquem a anista de Arraes como compensação para a anistia do “outro
lado”, então Eduardo Campos está manchando a história de um homem
honrado. Da qual e do qual até agora só tirou proveito: sem ambas, não
se sabe o que seria, mas por certo não teria sido o que já foi e não
seria o que é.
Dirceu diz que JB atenta contra sua liberdade | Brasil 24/7
Dirceu diz que JB atenta contra sua liberdade | Brasil 24/7
Ex-ministro
alega estar sofrendo constrangimento ilegal pelo presidente do Supremo
Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, e apresenta pedido de habeas corpus;
em tese, não cabem HCs contra decisões de ministros do STF, mas
advogados de Dirceu apontam ineditismo da causa, uma vez que, só com
Barbosa, o STF passou também a comandar execuções penais; de acordo com o
documento, Barbosa atenta contra a liberdade de um cidadão, violando
direitos individuais assegurados pela Constituição
alega estar sofrendo constrangimento ilegal pelo presidente do Supremo
Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, e apresenta pedido de habeas corpus;
em tese, não cabem HCs contra decisões de ministros do STF, mas
advogados de Dirceu apontam ineditismo da causa, uma vez que, só com
Barbosa, o STF passou também a comandar execuções penais; de acordo com o
documento, Barbosa atenta contra a liberdade de um cidadão, violando
direitos individuais assegurados pela Constituição
28 de Maio de 2014 às 06:26
247 -
Os advogados do ministro José Dirceu apresentaram ontem à noite um
pedido de habeas corpus contra as decisões do ministro Joaquim Barbosa,
que o mantêm há mais de seis meses preso em regime fechado, embora tenha
sido condenado ao semiaberto pelo STF. Em tese, não cabem pedidos de HC
contra decisões de ministros do STF, mas os advogados de Dirceu apontam
o ineditismo da causa, uma vez que, só com Barbosa, o STF passou também
a comandar execuções penais.
Os advogados do ministro José Dirceu apresentaram ontem à noite um
pedido de habeas corpus contra as decisões do ministro Joaquim Barbosa,
que o mantêm há mais de seis meses preso em regime fechado, embora tenha
sido condenado ao semiaberto pelo STF. Em tese, não cabem pedidos de HC
contra decisões de ministros do STF, mas os advogados de Dirceu apontam
o ineditismo da causa, uma vez que, só com Barbosa, o STF passou também
a comandar execuções penais.
"Em tese, o Relator da
execução penal no Supremo Tribunal Federal, por não ser infalível, pode
se equivocar gravemente e, com sua solitária e errônea decisão, atentar
seriamente contra a liberdade do sentenciado e, por que não, violar o
entendimento solidificado na própria Corte. Se este mesmo ministro não
submeter o agravo regimental para julgamento do Plenário em tempo hábil,
o direito à liberdade sofrerá consequências irreparáveis."
execução penal no Supremo Tribunal Federal, por não ser infalível, pode
se equivocar gravemente e, com sua solitária e errônea decisão, atentar
seriamente contra a liberdade do sentenciado e, por que não, violar o
entendimento solidificado na própria Corte. Se este mesmo ministro não
submeter o agravo regimental para julgamento do Plenário em tempo hábil,
o direito à liberdade sofrerá consequências irreparáveis."
Recentemente, Barbosa, em
sua implacável perseguição a Dirceu, alterou a jurisprudência dos
tribunais superiores no que tange ao direito dos condenados em regime
semiaberto ao trabalho externo. Barbosa passou a defender, de forma
isolada no meio jurídico, que condenados cumpram antes um sexto da pena.
Como ele não se julga no dever de submeter sua decisão arbitrária ao
plenário, na prática, Barbosa age como se ele próprio fosse a lei.
sua implacável perseguição a Dirceu, alterou a jurisprudência dos
tribunais superiores no que tange ao direito dos condenados em regime
semiaberto ao trabalho externo. Barbosa passou a defender, de forma
isolada no meio jurídico, que condenados cumpram antes um sexto da pena.
Como ele não se julga no dever de submeter sua decisão arbitrária ao
plenário, na prática, Barbosa age como se ele próprio fosse a lei.
segunda-feira, 26 de maio de 2014
O Brasil atrasado da moda - Marcelo Rubens Paiva - Estadao.com.br
O Brasil atrasado da moda - Marcelo Rubens Paiva - Estadao.com.br

A ELLUS surpreendeu no desfile primavera-verão do SPFW deste ano com a campanha #protestoellus: Abaixo Este País Atrasado.
Um protesto esquisito, num local que não combinava.
Um debate ideológico se seguiu, sob o hálito do verdadeiro debate, o da luta de classes.
Como o debate sobre os que reclamam da deselegância dos novos
consumidores em aeroportos e da construção de uma estação de metrô que
traria gente “diferenciada” num bairro de gente fina e educada, que anda
de metrô em Paris e NY.
trânsito, nos aeroportos, nos hospitais, nas estradas, na energia, nas
escolas, na comunicação, na burocracia (corrupção)… Até a água está
entupida!
Dificuldade para tudo! As coisas não fluem! Tudo é tão difícil!
Tudo isso gerando esse custo. Brasil = ineficiência, improdutividade.
Isso faz com que fiquemos isolados do mundo, acarretando esse atraso
todo em relação ao mundo moderno.
É claro que os maiores responsáveis são os políticos e os
governos antiquados, cartoriais, quase medievais, que com suas ideias
atrasadas de protecionismo acabam por gerar atrofia.
Até para indústria da moda, exportar o nosso design fica difícil
com todo esse custo, abrindo espaço maior para as importações de roupas e
acessórios provenientes de países pobres, porque nós não temos
condições de competir.
Precisamos desburocratizar, simplificar para motivar, avançar,
abrir, internacionalizar, se não, cada vez mais, ficaremos isolados nas
geleiras do Polo Sul.
Que Brasil é esse em que até as empresas e patrimônios públicos acabam destruídos?!?!
ABAIXO ESSE BRASIL ATRASADO!
TIME ELLUS”
Faz sentido.
Até lembrarem que a empresa é questionada pela Justiça se utiliza MÃO DE OBRA ESCRAVA.
O Processo corre na 2ª Região do Ministério de Trabalho e foi
denunciado pela procuradora Carolina Vieira Mercante em 2012, que
instaurou um inquérito civil e convocou representantes da Etiqueta Ellus
através da portaria 1083/2012.

As empresas Marisa, Pernambucanas,
C&A, Zara, Collins e Gregory também estiveram na mira do Ministério
do Trabalho por causa de denúncias do uso de trabalho escravo.
Em 2010, a Marisa recebeu 48 autos de infração: 16 bolivianos
trabalhavam em condições análogas às de escravidão na zona norte de São
Paulo; cadernos encontrados no local davam indícios de tráfico de
pessoas; funcionários cumpriam uma jornada que começava às 7 da manhã e
seguia até às 9 da noite, com expediente do fim de semana.
Multada, a empresa cortou mais de 70 fornecedores.
A Zara recebeu 48 autos de infração: jornadas de até 16 horas por
dia, salários irrisórios, proibição de deixar o local sem autorização
prévia, uso de mão de obra infantil, ambientes se ventilação, fiação
exposta.
A empresa foi multada e passou a se envolver em ações de auxílio a imigrantes.
Em 2011, a Pernambucanas foi informada que trabalhadores em condições
degradantes haviam sido encontrados em duas oficinas, menores de idade,
mulher com deficiência cognitiva; trabalhavam mais de 60 horas semanais
em troca de um salário médio de R$ 400.
A empresa subcontratada assumiu a culpa.
A Gregory recebeu 25 autos de infração. Em 2012, a Superintendência
do Ministério do Trabalho achou evidências de trabalho escravo;
trabalhadores recebiam R$ 3 por cada vestido de renda confeccionado;
oficina embolsava R$ 73, e a loja o vendia por R$ 318; 23 bolivianos
foram libertados, todos submetidos a jornadas excessivas de trabalho e
servidão por dívida; armários eram trancados com correntes para que os
trabalhadores não se alimentassem em horários impróprios.
Está tudo na matéria de 2012 da repórter Marcela Ayres da Reuters, na Revista Exame:
http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/o-que-a-zara-e-5-grifes-fazem-mesmo-com-o-trabalho-escravo
De que Brasil atrasado falamos?
O Brasil atrasado da moda
A ELLUS surpreendeu no desfile primavera-verão do SPFW deste ano com a campanha #protestoellus: Abaixo Este País Atrasado.
Um protesto esquisito, num local que não combinava.
Um debate ideológico se seguiu, sob o hálito do verdadeiro debate, o da luta de classes.
Como o debate sobre os que reclamam da deselegância dos novos
consumidores em aeroportos e da construção de uma estação de metrô que
traria gente “diferenciada” num bairro de gente fina e educada, que anda
de metrô em Paris e NY.
A ELLUS esclareceu. Soltou o “DESABAFO”:
“O Brasil está entupido, um congestionamento em tudo. Não anda notrânsito, nos aeroportos, nos hospitais, nas estradas, na energia, nas
escolas, na comunicação, na burocracia (corrupção)… Até a água está
entupida!
Dificuldade para tudo! As coisas não fluem! Tudo é tão difícil!
Tudo isso gerando esse custo. Brasil = ineficiência, improdutividade.
Isso faz com que fiquemos isolados do mundo, acarretando esse atraso
todo em relação ao mundo moderno.
É claro que os maiores responsáveis são os políticos e os
governos antiquados, cartoriais, quase medievais, que com suas ideias
atrasadas de protecionismo acabam por gerar atrofia.
Até para indústria da moda, exportar o nosso design fica difícil
com todo esse custo, abrindo espaço maior para as importações de roupas e
acessórios provenientes de países pobres, porque nós não temos
condições de competir.
Precisamos desburocratizar, simplificar para motivar, avançar,
abrir, internacionalizar, se não, cada vez mais, ficaremos isolados nas
geleiras do Polo Sul.
Que Brasil é esse em que até as empresas e patrimônios públicos acabam destruídos?!?!
ABAIXO ESSE BRASIL ATRASADO!
TIME ELLUS”
Faz sentido.
Até lembrarem que a empresa é questionada pela Justiça se utiliza MÃO DE OBRA ESCRAVA.
O Processo corre na 2ª Região do Ministério de Trabalho e foi
denunciado pela procuradora Carolina Vieira Mercante em 2012, que
instaurou um inquérito civil e convocou representantes da Etiqueta Ellus
através da portaria 1083/2012.
As empresas Marisa, Pernambucanas,
C&A, Zara, Collins e Gregory também estiveram na mira do Ministério
do Trabalho por causa de denúncias do uso de trabalho escravo.
Em 2010, a Marisa recebeu 48 autos de infração: 16 bolivianos
trabalhavam em condições análogas às de escravidão na zona norte de São
Paulo; cadernos encontrados no local davam indícios de tráfico de
pessoas; funcionários cumpriam uma jornada que começava às 7 da manhã e
seguia até às 9 da noite, com expediente do fim de semana.
Multada, a empresa cortou mais de 70 fornecedores.
A Zara recebeu 48 autos de infração: jornadas de até 16 horas por
dia, salários irrisórios, proibição de deixar o local sem autorização
prévia, uso de mão de obra infantil, ambientes se ventilação, fiação
exposta.
A empresa foi multada e passou a se envolver em ações de auxílio a imigrantes.
Em 2011, a Pernambucanas foi informada que trabalhadores em condições
degradantes haviam sido encontrados em duas oficinas, menores de idade,
mulher com deficiência cognitiva; trabalhavam mais de 60 horas semanais
em troca de um salário médio de R$ 400.
A empresa subcontratada assumiu a culpa.
A Gregory recebeu 25 autos de infração. Em 2012, a Superintendência
do Ministério do Trabalho achou evidências de trabalho escravo;
trabalhadores recebiam R$ 3 por cada vestido de renda confeccionado;
oficina embolsava R$ 73, e a loja o vendia por R$ 318; 23 bolivianos
foram libertados, todos submetidos a jornadas excessivas de trabalho e
servidão por dívida; armários eram trancados com correntes para que os
trabalhadores não se alimentassem em horários impróprios.
Está tudo na matéria de 2012 da repórter Marcela Ayres da Reuters, na Revista Exame:
http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/o-que-a-zara-e-5-grifes-fazem-mesmo-com-o-trabalho-escravo
De que Brasil atrasado falamos?
Luiza: tá ruim ? Vende o negócio e vai embora ! | Conversa Afiada
Luiza: tá ruim ? Vende o negócio e vai embora ! | Conversa Afiada
Empresária mantém o
viés otimista pelo Brasil, conta como a empresa precisou se reorganizar
depois de quase dobrar de tamanho e diz ser garota-propaganda daquilo
que dá certo
Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues,
presidente do conselho de administração da rede de lojas Magazine Luiza,
é diferente da maioria dos empresários brasileiros. Não só pelo fato de
ser mulher — é uma das poucas na posição —, mas pelo viés otimista que
enxerga o Brasil. Enquanto boa parte da iniciativa privada adota tom
mais ácido ao falar das ações do atual governo, essa paulista de Franca
afirma que prefere ver o copo “meio cheio” em vez de “meio vazio”e diz
não temer ser vista como garota-propaganda do Planalto.
De tão
identificada com a rede que comanda, Luiza é associada à marca. Na
realidade, o nome vem da tia, Luiza Trajano Donato, que comprou uma
pequena loja de presentes em 1957, A Cristaleira, com o marido Pelegrino
José Donato.
Depois de quase dobrar de tamanho entre 2007 e
2010, a empresa sentiu as dores do crescimento. Em 2012, amargou
prejuízo de R$ 6,7 milhões, resultado que empurrou o preço das ações
para baixo e obrigou a empresa a diminuir o ritmo de expansão. Novas
aquisições estão fora dos planos este ano, diz Luiza.
A meta em
2014 é crescer de forma sustentada. Para isso, conta com o bom
desempenho das vendas no Rio Grande do Sul, que costuma visitar com
bastante frequência. O hino rio-grandense ela já sabe de cor. Falta só
aprender a tomar chimarrão.
Enquanto outras
redes destacam a qualidade do produto ou o preço mais barato, o slogan
da Magazine Luiza faz um convite: vem ser feliz!. Luiza Trajano é uma
mulher feliz?
Eu sou muito feliz (risos). Felicidade é
muito você aceitar as coisas da maneira como vêm. Há quatro anos, perdi
meu marido subitamente e foi muito triste. Mas acredito que as coisas
sempre vêm para que as pessoas possam desenvolver, melhorar. Lógico,
sofremos, temos problemas. Mas felicidade é muito simples. É preciso
querer ser feliz. Agradecer o que acontece de bom. Detesto a frase “era
feliz e não sabia”. Quando meu marido morreu, a única coisa que me
consolava era isso. Eu era feliz e tinha sabido aproveitar isso.
O que a faz rir à toa?
Meus
netos e boas vendas. Fico muito alegre vendo as pessoas crescendo e
conseguindo vencer os obstáculos. Pessoas com garra e determinação, que
não reclamam muito das coisas. Gente que faz acontecer, de princípios,
que luta por uma causa.
Uma de suas marcas é o otimismo sobre o Brasil. É avaliação de cenário ou é nato?
Não
é que eu seja otimista e ache que tudo está certo. Apenas costumo
ressaltar também as coisas positivas. Vivemos uma onda de pessimismo. O
Brasil incluiu 5 milhões de pessoas no mercado de trabalho e parece que
não foi nada. Uma década atrás, quando tínhamos uma loja com 50 vagas
ficavam 2 mil pessoas na fila por um emprego.
E agora, mudou?
Agora
abrimos uma outra filial na mesma cidade no interior de São Paulo, Rio
Preto, tinha só 100 pessoas. E metade já tinha emprego. Sou daquelas que
gosta de ver o copo do lado cheio. O lado vazio tem muita gente para
mostrar. O Brasil precisa de líderes que também saibam ver o lado
positivo.
Há motivos para as queixas dos empresários?
Eu
costumo dizer para os colegas empresários que pensam muito negativo:
“Está tão ruim? Então, vende o negócio e muda de país”. Trabalha aqui,
ganha dinheiro aqui e acha que está tudo ruim? O Brasil é nosso. Não
adianta eu reclamar de mim mesma. À medida que eu estou reclamando do
país eu estou reclamando de mim. O que eu posso fazer para ajudar? Não é
um otimismo sem participação. É se sentir responsável por construir um
país melhor. Quem se sente responsável não aponta dedo.
Há um certo ranço do mercado em relação ao governo?
A
campanha eleitoral começou muito cedo este ano e isso traz muita coisa à
tona. Temos muitos problemas para vencer. A infraestrutura está sendo
enfrentada. Mesmo assim, temos conquistas. O país passou por uma crise
global (2008) quase ileso. Afetou todo mundo e nós não sentimos. Dia
desses recebi um empresário espanhol que me contou que os jovens na
Espanha não têm emprego. E nossos jovens têm. Há coisas para melhorar,
mas só nós conseguiremos isso. A renda triplicou em 10 anos.
A
senhora fez sucesso nas redes sociais quando corrigiu Diogo Mainardi,
no programa Manhattan Connection, sobre inadimplência no varejo. Mandou
mesmo o e-mail a ele?
Nunca mandei um e-mail ou carta de
retorno para ele. Tudo que andam dizendo na internet é mentira. A única
coisa que fiz foi agradecer as milhares de mensagens de apoio que
recebi. Tenho um respeito muito grande por toda a equipe do Manhattan. O
que aconteceu é que eu sou uma pessoa preocupada com a inadimplência.
Toda segunda-feira, recebo dados atualizados, tanto da minha empresa
quanto dados gerais. Inadimplência é igual a cupim, corrói o negócio por
dentro. Nem sou tão ligada em números, mas esse tema é algo que
acompanho muito de perto. Mesmo tendo certeza do contrário, quando o
Diogo Mainardi disse que a inadimplência havia aumentado eu não
retruquei. Apenas disse que ia encaminhar o e-mail. Mas nunca enviei. O
que tem é muita gente aí escrevendo mensagens falsas no meu nome.
Por que a resposta da senhora fez sucesso entre os jovens?
Eu
me assusto com o pessimismo dos jovens. Eles vivem uma fase sem
esperança, e de repente alguém mostra o copo cheio, o que o país tem de
bom. E também porque o número que eu dei estava certo. E na semana
seguinte foram divulgados dados mostrando que o país estava com os
índices mais baixos de inadimplência.
O estilo da resposta contribuiu para a repercussão?
A
forma como conduzi, firme, sem ser agressiva, também ajudou. Não sou
analista de comunicação, mas acho que foi isso. Era uma coisa que tinha
de ser. Não me preparei. Tinha chegado aquele dia mesmo dos Estados
Unidos. Nunca mais vou ser tão inocente (pausa). Apesar de que, no
programa do João Dória, fui do mesmo jeito (risos).
A inadimplência preocupa? Os índices voltaram a subir no início deste ano…
Continua
em queda. A prova disso é que os bancos têm aprovado mais crédito. Teve
um pouquinho de alta sim, o que é comum para o período.
Ainda há espaço para expandir o consumo no Brasil?
Falar
em opção por consumo ou por infraestrutura é um erro. Infraestrutura é
necessária, mas para garantir não é preciso abrir mão do consumo. Sem
consumo não tem emprego. No Brasil só 54% da população tem máquina de
lavar, só 10% tem televisão de tela plana e só 1% tem ar-condicionado. E
ainda precisamos construir 23 milhões de casas para ter um nível
satisfatório de igualdade social para um país em desenvolvimento.
Nenhuma indústria vive sem consumo. Nos Estados Unidos, as pessoas já
estão na oitava geração de TVs de tela plana. A gente ainda precisa de
uns 20 anos de progresso.
(…)
Clique aqui para ver “Luiza afoga Mainardi num copo vazio”.
E aqui para ler “Luiza desmoraliza a capital da Colônia”.
Saiu no Diário Catarinense:
“Está tão ruim? Então, vende o negócio e muda de país!”, diz Luiza Trajano
Empresária mantém o
viés otimista pelo Brasil, conta como a empresa precisou se reorganizar
depois de quase dobrar de tamanho e diz ser garota-propaganda daquilo
que dá certo
Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues,
presidente do conselho de administração da rede de lojas Magazine Luiza,
é diferente da maioria dos empresários brasileiros. Não só pelo fato de
ser mulher — é uma das poucas na posição —, mas pelo viés otimista que
enxerga o Brasil. Enquanto boa parte da iniciativa privada adota tom
mais ácido ao falar das ações do atual governo, essa paulista de Franca
afirma que prefere ver o copo “meio cheio” em vez de “meio vazio”e diz
não temer ser vista como garota-propaganda do Planalto.
De tão
identificada com a rede que comanda, Luiza é associada à marca. Na
realidade, o nome vem da tia, Luiza Trajano Donato, que comprou uma
pequena loja de presentes em 1957, A Cristaleira, com o marido Pelegrino
José Donato.
Depois de quase dobrar de tamanho entre 2007 e
2010, a empresa sentiu as dores do crescimento. Em 2012, amargou
prejuízo de R$ 6,7 milhões, resultado que empurrou o preço das ações
para baixo e obrigou a empresa a diminuir o ritmo de expansão. Novas
aquisições estão fora dos planos este ano, diz Luiza.
A meta em
2014 é crescer de forma sustentada. Para isso, conta com o bom
desempenho das vendas no Rio Grande do Sul, que costuma visitar com
bastante frequência. O hino rio-grandense ela já sabe de cor. Falta só
aprender a tomar chimarrão.
Enquanto outras
redes destacam a qualidade do produto ou o preço mais barato, o slogan
da Magazine Luiza faz um convite: vem ser feliz!. Luiza Trajano é uma
mulher feliz?
Eu sou muito feliz (risos). Felicidade é
muito você aceitar as coisas da maneira como vêm. Há quatro anos, perdi
meu marido subitamente e foi muito triste. Mas acredito que as coisas
sempre vêm para que as pessoas possam desenvolver, melhorar. Lógico,
sofremos, temos problemas. Mas felicidade é muito simples. É preciso
querer ser feliz. Agradecer o que acontece de bom. Detesto a frase “era
feliz e não sabia”. Quando meu marido morreu, a única coisa que me
consolava era isso. Eu era feliz e tinha sabido aproveitar isso.
O que a faz rir à toa?
Meus
netos e boas vendas. Fico muito alegre vendo as pessoas crescendo e
conseguindo vencer os obstáculos. Pessoas com garra e determinação, que
não reclamam muito das coisas. Gente que faz acontecer, de princípios,
que luta por uma causa.
Uma de suas marcas é o otimismo sobre o Brasil. É avaliação de cenário ou é nato?
Não
é que eu seja otimista e ache que tudo está certo. Apenas costumo
ressaltar também as coisas positivas. Vivemos uma onda de pessimismo. O
Brasil incluiu 5 milhões de pessoas no mercado de trabalho e parece que
não foi nada. Uma década atrás, quando tínhamos uma loja com 50 vagas
ficavam 2 mil pessoas na fila por um emprego.
E agora, mudou?
Agora
abrimos uma outra filial na mesma cidade no interior de São Paulo, Rio
Preto, tinha só 100 pessoas. E metade já tinha emprego. Sou daquelas que
gosta de ver o copo do lado cheio. O lado vazio tem muita gente para
mostrar. O Brasil precisa de líderes que também saibam ver o lado
positivo.
Há motivos para as queixas dos empresários?
Eu
costumo dizer para os colegas empresários que pensam muito negativo:
“Está tão ruim? Então, vende o negócio e muda de país”. Trabalha aqui,
ganha dinheiro aqui e acha que está tudo ruim? O Brasil é nosso. Não
adianta eu reclamar de mim mesma. À medida que eu estou reclamando do
país eu estou reclamando de mim. O que eu posso fazer para ajudar? Não é
um otimismo sem participação. É se sentir responsável por construir um
país melhor. Quem se sente responsável não aponta dedo.
Há um certo ranço do mercado em relação ao governo?
A
campanha eleitoral começou muito cedo este ano e isso traz muita coisa à
tona. Temos muitos problemas para vencer. A infraestrutura está sendo
enfrentada. Mesmo assim, temos conquistas. O país passou por uma crise
global (2008) quase ileso. Afetou todo mundo e nós não sentimos. Dia
desses recebi um empresário espanhol que me contou que os jovens na
Espanha não têm emprego. E nossos jovens têm. Há coisas para melhorar,
mas só nós conseguiremos isso. A renda triplicou em 10 anos.
A
senhora fez sucesso nas redes sociais quando corrigiu Diogo Mainardi,
no programa Manhattan Connection, sobre inadimplência no varejo. Mandou
mesmo o e-mail a ele?
Nunca mandei um e-mail ou carta de
retorno para ele. Tudo que andam dizendo na internet é mentira. A única
coisa que fiz foi agradecer as milhares de mensagens de apoio que
recebi. Tenho um respeito muito grande por toda a equipe do Manhattan. O
que aconteceu é que eu sou uma pessoa preocupada com a inadimplência.
Toda segunda-feira, recebo dados atualizados, tanto da minha empresa
quanto dados gerais. Inadimplência é igual a cupim, corrói o negócio por
dentro. Nem sou tão ligada em números, mas esse tema é algo que
acompanho muito de perto. Mesmo tendo certeza do contrário, quando o
Diogo Mainardi disse que a inadimplência havia aumentado eu não
retruquei. Apenas disse que ia encaminhar o e-mail. Mas nunca enviei. O
que tem é muita gente aí escrevendo mensagens falsas no meu nome.
Por que a resposta da senhora fez sucesso entre os jovens?
Eu
me assusto com o pessimismo dos jovens. Eles vivem uma fase sem
esperança, e de repente alguém mostra o copo cheio, o que o país tem de
bom. E também porque o número que eu dei estava certo. E na semana
seguinte foram divulgados dados mostrando que o país estava com os
índices mais baixos de inadimplência.
O estilo da resposta contribuiu para a repercussão?
A
forma como conduzi, firme, sem ser agressiva, também ajudou. Não sou
analista de comunicação, mas acho que foi isso. Era uma coisa que tinha
de ser. Não me preparei. Tinha chegado aquele dia mesmo dos Estados
Unidos. Nunca mais vou ser tão inocente (pausa). Apesar de que, no
programa do João Dória, fui do mesmo jeito (risos).
A inadimplência preocupa? Os índices voltaram a subir no início deste ano…
Continua
em queda. A prova disso é que os bancos têm aprovado mais crédito. Teve
um pouquinho de alta sim, o que é comum para o período.
Ainda há espaço para expandir o consumo no Brasil?
Falar
em opção por consumo ou por infraestrutura é um erro. Infraestrutura é
necessária, mas para garantir não é preciso abrir mão do consumo. Sem
consumo não tem emprego. No Brasil só 54% da população tem máquina de
lavar, só 10% tem televisão de tela plana e só 1% tem ar-condicionado. E
ainda precisamos construir 23 milhões de casas para ter um nível
satisfatório de igualdade social para um país em desenvolvimento.
Nenhuma indústria vive sem consumo. Nos Estados Unidos, as pessoas já
estão na oitava geração de TVs de tela plana. A gente ainda precisa de
uns 20 anos de progresso.
(…)
Clique aqui para ver “Luiza afoga Mainardi num copo vazio”.
E aqui para ler “Luiza desmoraliza a capital da Colônia”.
'Se o sistema não mudar, pode quebrar' - Folha de Londrina
'Se o sistema não mudar, pode quebrar' - Folha de Londrina - O Jornal do Paraná - Brasil
Médico americano alerta
Um sistema caro, com pacientes
infelizes. Em linhas gerais, esta é a definição do atual sistema de
saúde brasileiro (nas redes pública e suplementar) feita pelo médico
norte-americano Robert Janett, professor da Harvard Medical School.
Integrante da Cambridge Health Alliance, rede de serviços de
saúde, composta por clínicas e hospitais que adotam o sistema de Atenção
Primária à Saúde (APS), em Boston, Janett esteve em Londrina no último
final de semana para participar do 8º Fórum Anual de Planejamento
Estratégico da Unimed Londrina. O médico tem sido a referência técnica
da cooperativa médica para implantar projetos-piloto de APS em várias
regiões do Brasil. Estudioso do assunto há mais de 30 anos, Janett é
taxativo: "Se o sistema não mudar, pode quebrar".
O conceito de APS surgiu no final da década de 1970, como uma
diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS). A ideia é oferecer um
atendimento focado nas necessidades do paciente, por meio de equipe
multidisciplinar, que fica responsável por um grupo de pessoas e o
acompanha ao longo de anos, o que resulta, inevitavelmente, em uma
relação de amizade e confiança.
O modelo é bem diferente daquele que predomina atualmente no
País, onde para cada problema de saúde o indivíduo tem um médico
diferente. O resultado são muitas e diferentes prescrições, excesso de
exames e relações menos humanizadas entre médicos e pacientes. O
Programa Saúde da Família (PSF), implantado pelo Ministério da Saúde em
1994, é reconhecido e elogiado por Janett, mas para o estudioso a falta
de investimentos nos profissionais, somada a outras falhas, impede a
obtenção de melhores resultados.
Por que o senhor acredita que o modelo de Atenção Primária à Saúde é o melhor?
Os custos de saúde no Brasil estão aumentando em níveis
insustentáveis. Um dos motivos é a mudança da epidemiologia da
população, que hoje apresenta altas taxas de mortalidade por doenças
crônicas, e não apenas doenças agudas, como era no passado. Este é um
fenômeno global ligado ao desenvolvimento. Quando o Brasil entrou na
época moderna, com mais lucros, a sociedade toda sofreu transformações,
mudou a maneira de comer, de se exercitar, levando ao aumento das
doenças crônicas. Só que o sistema de saúde foi organizado originalmente
para atender doenças infecciosas, acidentes, traumas. Estes problemas
continuam existindo, mas o que temos que fazer agora é organizar o
atendimento também às doenças crônicas. Outro motivo para o aumento de
custos são as falhas nos serviços preventivos e de vigilância à saúde. E
se há falhas, vão aparecer doenças que poderiam ser evitadas. Além do
trauma para o paciente e sua família, doenças como câncer, diabetes,
quando não prevenidas ou controladas, significam gastos que poderiam ser
evitados. Com serviços bem organizados, motivados e equipes
multidisciplinares, podemos diminuir as complicações, o sofrimento das
pessoas e o gasto global com saúde.
Quais são as principais falhas do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro e do Programa Saúde da Família (PSF), na sua opinião?
Admiro o sistema público de saúde do Brasil. É um dos maiores do
mundo em termos de justiça, de cobertura universal e de atendimento às
pessoas, independentemente da situação econômica de cada um. O modelo do
PSF também é muito bom. Mas eu diria que a primeira falha é a falta de
recursos. Um médico do PSF hoje é responsável por cerca de 5 mil
pacientes. No modelo que adotamos nos Estados Unidos um médico tem
responsabilidade sobre 2 mil pacientes. É impossível dar a mesma
qualidade de atendimento com uma agenda tão cheia. Outra falha é não dar
opção de escolha ao paciente: o médico é definido por região, por
bairro da cidade. Não importa se o paciente não se identifica com este
profissional, não tem outra opção. O modelo que propomos é que vários
médicos trabalhem na mesma região, dando ao paciente a opção de escolher
o melhor médico para ele, de acordo com suas necessidades,
personalidade, interesses e emoções, porque cada pessoa é única. A
principal mudança no atual modelo deve ser esta: em vez de um sistema
centrado no médico, um sistema centrado no paciente. Essa é uma mudança
cultural difícil, mas deve ser a meta.
Mas esta mudança geraria um grande impacto, inclusive nos cursos
de medicina, que hoje estão adaptados ao modelo centrado em médicos
especialistas. O senhor concorda?
Sim, sabemos que não é fácil mudar. Os fatores que provocam as
especializações hoje no Brasil são verdadeiros. Mas temos que ter uma
visão de futuro, em que a posição do médico de família seja superior,
que ele tenha mais prestígio e melhor salário. Porque para o médico,
escolher uma especialização que pague 50% mais que o PSF é uma escolha
racional. Temos que entender que para melhorar os resultados do sistema
de saúde temos que reformar o seu modelo. Mas temos também que andar
antes de voar, por isso estamos propondo projetos-piloto, com uma boa
base de dados, com indicadores que comprovem os benefícios deste modelo
em relação ao anterior. Foi o que fizemos nos Estados Unidos, e com isso
a procura por prontos-socorros diminuiu em mais de 30%, a permanência
de dias no hospital teve uma queda de mais de 33% e o custo global de
saúde diminuiu em mais de 15%. Isto é bastante dinheiro, que pode ser
reinvestido na melhoria da assistência.
Além disso, os pacientes ficam mais satisfeitos e os resultados
relacionados às doenças crônicas são muito melhores. Nossa taxa de
internação por diabetes, por exemplo, diminuiu em 30% com o programa de
controle que implantamos. Também caiu nossa taxa de internação por asma.
No começo do projeto de atenção primária, o índice de crianças com a
doença internadas por ano era de uma a cada 10. Após cinco anos do
programa, a taxa de internação é quase zero. Isso porque não estamos
mais passivos, esperando os clientes virem às nossas clínicas, temos um
programa de busca ativa: mandamos lembretes a eles sobre uso de
medicamentos e outros cuidados, identificamos por nosso sistema de
informática pacientes que 'estão fora da linha'(que não estão
comparecendo às consultas e não estão buscando seus medicamentos nas
farmácias, por exemplo). E para pacientes de alto risco enviamos
serviços especializados para assistir e coordenar sua participação no
programa de saúde. Dados epidemiológicos e econômicos mostraram que 3%
da nossa população consumia 50% do gasto médico no país. Essa situação
nos levou a trabalhar em dois eixos: em um deles, fazer o que for
possível para oferecer à população acima da linha (de risco) vigilância
em saúde, prevenção e gestão da doença crônica para que se mantenha sem
complicações, por evidência e com confiabilidade. Em outro, para a
população abaixo da linha, coordenar os serviços de forma que estas
pessoas tenham acesso a serviços de alta complexidade tecnológica,
baseados em evidências e ainda com garantia de ser bem tratadas. É
maximizar o atendimento aos pacientes de alto risco e oferecer serviços
de alta confiabilidade à população mais saudável.
Há quantos anos o modelo de atenção primária foi adotado nos Estados Unidos e qual a sua abrangência hoje no país?
Começamos a adotar o sistema há cinco anos, e neste tempo já
obtivemos todos estes resultados positivos citados. Não sei dizer qual a
porcentagem da população que já utiliza o modelo de atenção primária,
ainda há muitos centros no modelo antigo. O que posso garantir é que
trata-se de um modelo inovador.
O senhor acredita que não há outro caminho viável para a saúde, no futuro?
Não tenho dúvidas disso. Porque se continuar no atual sistema, o
futuro é cheio de sombras. Os gastos estão subindo, a expectativa de
vida dos pacientes está aumentando e eles não estão satisfeitos com o
atual sistema. Hoje há duas opções: cortar serviços para controlar os
gastos ou aumentar os serviços para diminuir as falhas. Acho que esta
última é a escolha óbvia.
Os Estados Unidos espelharam-se em outros modelos para implantar seu próprio sistema de atenção primária?
Conhecemos sistemas implantados em vários países, como Espanha,
França, Inglaterra, Suécia, cada um com suas especificidades. O que é
certo é que cada sistema que funciona bem tem um modelo forte de atenção
primária. Sistemas sem atenção primária forte são fracos.
'Se o sistema não mudar, pode quebrar'
Médico americano alerta
que o atual modelo brasileiro de saúde, focado em especialidades, é
inviável financeiramente e não satisfaz população
infelizes. Em linhas gerais, esta é a definição do atual sistema de
saúde brasileiro (nas redes pública e suplementar) feita pelo médico
norte-americano Robert Janett, professor da Harvard Medical School.
Integrante da Cambridge Health Alliance, rede de serviços de
saúde, composta por clínicas e hospitais que adotam o sistema de Atenção
Primária à Saúde (APS), em Boston, Janett esteve em Londrina no último
final de semana para participar do 8º Fórum Anual de Planejamento
Estratégico da Unimed Londrina. O médico tem sido a referência técnica
da cooperativa médica para implantar projetos-piloto de APS em várias
regiões do Brasil. Estudioso do assunto há mais de 30 anos, Janett é
taxativo: "Se o sistema não mudar, pode quebrar".
O conceito de APS surgiu no final da década de 1970, como uma
diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS). A ideia é oferecer um
atendimento focado nas necessidades do paciente, por meio de equipe
multidisciplinar, que fica responsável por um grupo de pessoas e o
acompanha ao longo de anos, o que resulta, inevitavelmente, em uma
relação de amizade e confiança.
O modelo é bem diferente daquele que predomina atualmente no
País, onde para cada problema de saúde o indivíduo tem um médico
diferente. O resultado são muitas e diferentes prescrições, excesso de
exames e relações menos humanizadas entre médicos e pacientes. O
Programa Saúde da Família (PSF), implantado pelo Ministério da Saúde em
1994, é reconhecido e elogiado por Janett, mas para o estudioso a falta
de investimentos nos profissionais, somada a outras falhas, impede a
obtenção de melhores resultados.
Por que o senhor acredita que o modelo de Atenção Primária à Saúde é o melhor?
Os custos de saúde no Brasil estão aumentando em níveis
insustentáveis. Um dos motivos é a mudança da epidemiologia da
população, que hoje apresenta altas taxas de mortalidade por doenças
crônicas, e não apenas doenças agudas, como era no passado. Este é um
fenômeno global ligado ao desenvolvimento. Quando o Brasil entrou na
época moderna, com mais lucros, a sociedade toda sofreu transformações,
mudou a maneira de comer, de se exercitar, levando ao aumento das
doenças crônicas. Só que o sistema de saúde foi organizado originalmente
para atender doenças infecciosas, acidentes, traumas. Estes problemas
continuam existindo, mas o que temos que fazer agora é organizar o
atendimento também às doenças crônicas. Outro motivo para o aumento de
custos são as falhas nos serviços preventivos e de vigilância à saúde. E
se há falhas, vão aparecer doenças que poderiam ser evitadas. Além do
trauma para o paciente e sua família, doenças como câncer, diabetes,
quando não prevenidas ou controladas, significam gastos que poderiam ser
evitados. Com serviços bem organizados, motivados e equipes
multidisciplinares, podemos diminuir as complicações, o sofrimento das
pessoas e o gasto global com saúde.
Quais são as principais falhas do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro e do Programa Saúde da Família (PSF), na sua opinião?
Admiro o sistema público de saúde do Brasil. É um dos maiores do
mundo em termos de justiça, de cobertura universal e de atendimento às
pessoas, independentemente da situação econômica de cada um. O modelo do
PSF também é muito bom. Mas eu diria que a primeira falha é a falta de
recursos. Um médico do PSF hoje é responsável por cerca de 5 mil
pacientes. No modelo que adotamos nos Estados Unidos um médico tem
responsabilidade sobre 2 mil pacientes. É impossível dar a mesma
qualidade de atendimento com uma agenda tão cheia. Outra falha é não dar
opção de escolha ao paciente: o médico é definido por região, por
bairro da cidade. Não importa se o paciente não se identifica com este
profissional, não tem outra opção. O modelo que propomos é que vários
médicos trabalhem na mesma região, dando ao paciente a opção de escolher
o melhor médico para ele, de acordo com suas necessidades,
personalidade, interesses e emoções, porque cada pessoa é única. A
principal mudança no atual modelo deve ser esta: em vez de um sistema
centrado no médico, um sistema centrado no paciente. Essa é uma mudança
cultural difícil, mas deve ser a meta.
Mas esta mudança geraria um grande impacto, inclusive nos cursos
de medicina, que hoje estão adaptados ao modelo centrado em médicos
especialistas. O senhor concorda?
Sim, sabemos que não é fácil mudar. Os fatores que provocam as
especializações hoje no Brasil são verdadeiros. Mas temos que ter uma
visão de futuro, em que a posição do médico de família seja superior,
que ele tenha mais prestígio e melhor salário. Porque para o médico,
escolher uma especialização que pague 50% mais que o PSF é uma escolha
racional. Temos que entender que para melhorar os resultados do sistema
de saúde temos que reformar o seu modelo. Mas temos também que andar
antes de voar, por isso estamos propondo projetos-piloto, com uma boa
base de dados, com indicadores que comprovem os benefícios deste modelo
em relação ao anterior. Foi o que fizemos nos Estados Unidos, e com isso
a procura por prontos-socorros diminuiu em mais de 30%, a permanência
de dias no hospital teve uma queda de mais de 33% e o custo global de
saúde diminuiu em mais de 15%. Isto é bastante dinheiro, que pode ser
reinvestido na melhoria da assistência.
Além disso, os pacientes ficam mais satisfeitos e os resultados
relacionados às doenças crônicas são muito melhores. Nossa taxa de
internação por diabetes, por exemplo, diminuiu em 30% com o programa de
controle que implantamos. Também caiu nossa taxa de internação por asma.
No começo do projeto de atenção primária, o índice de crianças com a
doença internadas por ano era de uma a cada 10. Após cinco anos do
programa, a taxa de internação é quase zero. Isso porque não estamos
mais passivos, esperando os clientes virem às nossas clínicas, temos um
programa de busca ativa: mandamos lembretes a eles sobre uso de
medicamentos e outros cuidados, identificamos por nosso sistema de
informática pacientes que 'estão fora da linha'(que não estão
comparecendo às consultas e não estão buscando seus medicamentos nas
farmácias, por exemplo). E para pacientes de alto risco enviamos
serviços especializados para assistir e coordenar sua participação no
programa de saúde. Dados epidemiológicos e econômicos mostraram que 3%
da nossa população consumia 50% do gasto médico no país. Essa situação
nos levou a trabalhar em dois eixos: em um deles, fazer o que for
possível para oferecer à população acima da linha (de risco) vigilância
em saúde, prevenção e gestão da doença crônica para que se mantenha sem
complicações, por evidência e com confiabilidade. Em outro, para a
população abaixo da linha, coordenar os serviços de forma que estas
pessoas tenham acesso a serviços de alta complexidade tecnológica,
baseados em evidências e ainda com garantia de ser bem tratadas. É
maximizar o atendimento aos pacientes de alto risco e oferecer serviços
de alta confiabilidade à população mais saudável.
Há quantos anos o modelo de atenção primária foi adotado nos Estados Unidos e qual a sua abrangência hoje no país?
Começamos a adotar o sistema há cinco anos, e neste tempo já
obtivemos todos estes resultados positivos citados. Não sei dizer qual a
porcentagem da população que já utiliza o modelo de atenção primária,
ainda há muitos centros no modelo antigo. O que posso garantir é que
trata-se de um modelo inovador.
O senhor acredita que não há outro caminho viável para a saúde, no futuro?
Não tenho dúvidas disso. Porque se continuar no atual sistema, o
futuro é cheio de sombras. Os gastos estão subindo, a expectativa de
vida dos pacientes está aumentando e eles não estão satisfeitos com o
atual sistema. Hoje há duas opções: cortar serviços para controlar os
gastos ou aumentar os serviços para diminuir as falhas. Acho que esta
última é a escolha óbvia.
Os Estados Unidos espelharam-se em outros modelos para implantar seu próprio sistema de atenção primária?
Conhecemos sistemas implantados em vários países, como Espanha,
França, Inglaterra, Suécia, cada um com suas especificidades. O que é
certo é que cada sistema que funciona bem tem um modelo forte de atenção
primária. Sistemas sem atenção primária forte são fracos.
Casaca virada
Veja pressionou Ronaldo a virar a casaca: “Está pisando num campo minado” | Brasil 24/7
2007, integrou comitiva que acompanhou a escolha do Brasil como sede da
Copa de 2014. Sete anos depois, Coelho atacou a organização do evento e
chamou o ex-jogador Ronaldo de "imbecil" ao dar entrevista ao jornal
francês "Le Journal du Dimanche", com vistas a se "imunizar"
politicamente.
Coelho criticou o ex-jogador por defender a realização da Copa no
Brasil. O escritor se integrou a um time no qual Ronaldo acaba de
ingressar, composto por personalidades que, por conveniência e/ou medo
da mídia, criticam os preparativos do país para a competição ou mentem
sobre a origem dos recursos para realizá-la.
Até há pouco, Ronaldo vinha sendo uma voz dissonante. Defendia a
realização da Copa e, aparentemente, colaborava com os esforços do
governo federal. De repente, aparece ao lado de Aécio Neves fazendo
apologia do pré-candidato do PSDB a presidente e criticando duramente a
organização do campeonato no Brasil.
O que parece estar passando despercebido é que Ronaldo, entre tantas
outras personalidades, sofreu fortes pressões para virar a casaca. E não
é de hoje. Em 6 de abril do ano passado, reportagem da revista Veja o
ameaçou.
A reportagem A Jogada mais ousada de Ronaldo, o dono da Bola no país
chamou o ex-jogador de "Figura mais influente do futebol brasileiro" e o
ameaçou: "Ele encara o risco de arranhar sua imagem na Copa do Mundo de
2014".
Após sua aposentadoria, Ronaldo vinha sendo chamado pela mídia esportiva de "Um homem de negócios do futebol".
A Reportagem de Veja deu início a fortes pressões que o ex-craque
sofreu para mudar de time, ou seja, para parar de defender um projeto no
qual se integrara desde a primeira hora.
Abaixo, trecho da matéria de Veja que, há mais de um ano, já
"alertava" Ronaldo: "Caso o Mundial seja um fiasco, ele será capaz de
afirmar, ao vivo na tela da Globo, que o comitê organizador que ele
próprio integra fracassou?".
O que impressiona na matéria de Veja é que, reiteradamente, "avisa"
Ronaldo de que defender a realização da Copa no Brasil pode lhe trazer
problemas nos negócios. Mais um longo parágrafo da matéria de abril do
ano passado termina com novo "aviso". Abaixo, outro trecho.
Mais alguns infográficos, fotos etc. e a matéria de Veja repete a
dose. Pela terceira vez, a matéria "avisa" Ronaldo para que fizesse o
que acabou fazendo um ano e algumas semanas depois. Abaixo, o terceiro
trecho ameaçador de Veja.
Mais um parágrafo, mais uma ameaça. Abaixo.
A repetição da ameaça de que Ronaldo poderia "se dar mal" ao
emprestar seu prestígio converte-se em um mantra. A matéria de Veja
parece tentar lavar a mente do ex-jogador, "avisando-o" de que estaria
"arriscando" o "futuro dos seus filhos". Abaixo, uma incrível quinta
ameaça em texto tão curto.
O último gigantesco parágrafo da matéria de Veja culmina com a
exibição de um Ronaldo diametralmente diferente desse que a Folha de São
Paulo usou na semana passada em manchete principal de primeira página
para atacar o governo usando a organização do evento. Em abril de 2013,
Ronaldo negava tudo que continuou dizendo até há pouco, antes de
finalmente ceder a essa e a outras pressões que sofreu para virar a
casaca. Abaixo, o trecho final da matéria de Veja.
Como se vê, não foi à toa que o jovem de origem humilde que venceu na
vida às custas do próprio talento traiu a si mesmo de forma tão
patética. A matéria de Veja é apenas a ponta do Iceberg das pressões que
vinha sofrendo para se unir aos grupos de interesse distintos que
contam com o fracasso do Brasil ao sediar a Copa para extrair dividendos
políticos.
Seja pelo viés de críticas à organização da Copa, seja pelo da
"denúncia" mentirosa de que dinheiro da saúde e da educação foi usado
para realizar o evento no país, o aparato montado por grupos políticos
de direita e de esquerda para desmoralizar o Brasil internacionalmente
se vale de politicagem barata e do mais puro fascismo. E nada mais.
EDUARDO GUIMARÃES
O que parece estar passando despercebido éEle foi chamado de "imbecil" pelo escritor Paulo Coelho, quem, em
que Ronaldo, entre tantas outras personalidades, sofreu fortes pressões
para virar a casaca. E não é de hoje
2007, integrou comitiva que acompanhou a escolha do Brasil como sede da
Copa de 2014. Sete anos depois, Coelho atacou a organização do evento e
chamou o ex-jogador Ronaldo de "imbecil" ao dar entrevista ao jornal
francês "Le Journal du Dimanche", com vistas a se "imunizar"
politicamente.
Coelho criticou o ex-jogador por defender a realização da Copa no
Brasil. O escritor se integrou a um time no qual Ronaldo acaba de
ingressar, composto por personalidades que, por conveniência e/ou medo
da mídia, criticam os preparativos do país para a competição ou mentem
sobre a origem dos recursos para realizá-la.
Até há pouco, Ronaldo vinha sendo uma voz dissonante. Defendia a
realização da Copa e, aparentemente, colaborava com os esforços do
governo federal. De repente, aparece ao lado de Aécio Neves fazendo
apologia do pré-candidato do PSDB a presidente e criticando duramente a
organização do campeonato no Brasil.
O que parece estar passando despercebido é que Ronaldo, entre tantas
outras personalidades, sofreu fortes pressões para virar a casaca. E não
é de hoje. Em 6 de abril do ano passado, reportagem da revista Veja o
ameaçou.
A reportagem A Jogada mais ousada de Ronaldo, o dono da Bola no país
chamou o ex-jogador de "Figura mais influente do futebol brasileiro" e o
ameaçou: "Ele encara o risco de arranhar sua imagem na Copa do Mundo de
2014".
Após sua aposentadoria, Ronaldo vinha sendo chamado pela mídia esportiva de "Um homem de negócios do futebol".
A Reportagem de Veja deu início a fortes pressões que o ex-craque
sofreu para mudar de time, ou seja, para parar de defender um projeto no
qual se integrara desde a primeira hora.
Abaixo, trecho da matéria de Veja que, há mais de um ano, já
"alertava" Ronaldo: "Caso o Mundial seja um fiasco, ele será capaz de
afirmar, ao vivo na tela da Globo, que o comitê organizador que ele
próprio integra fracassou?".
O que impressiona na matéria de Veja é que, reiteradamente, "avisa"
Ronaldo de que defender a realização da Copa no Brasil pode lhe trazer
problemas nos negócios. Mais um longo parágrafo da matéria de abril do
ano passado termina com novo "aviso". Abaixo, outro trecho.
Mais alguns infográficos, fotos etc. e a matéria de Veja repete a
dose. Pela terceira vez, a matéria "avisa" Ronaldo para que fizesse o
que acabou fazendo um ano e algumas semanas depois. Abaixo, o terceiro
trecho ameaçador de Veja.
Mais um parágrafo, mais uma ameaça. Abaixo.
A repetição da ameaça de que Ronaldo poderia "se dar mal" ao
emprestar seu prestígio converte-se em um mantra. A matéria de Veja
parece tentar lavar a mente do ex-jogador, "avisando-o" de que estaria
"arriscando" o "futuro dos seus filhos". Abaixo, uma incrível quinta
ameaça em texto tão curto.
O último gigantesco parágrafo da matéria de Veja culmina com a
exibição de um Ronaldo diametralmente diferente desse que a Folha de São
Paulo usou na semana passada em manchete principal de primeira página
para atacar o governo usando a organização do evento. Em abril de 2013,
Ronaldo negava tudo que continuou dizendo até há pouco, antes de
finalmente ceder a essa e a outras pressões que sofreu para virar a
casaca. Abaixo, o trecho final da matéria de Veja.
Como se vê, não foi à toa que o jovem de origem humilde que venceu na
vida às custas do próprio talento traiu a si mesmo de forma tão
patética. A matéria de Veja é apenas a ponta do Iceberg das pressões que
vinha sofrendo para se unir aos grupos de interesse distintos que
contam com o fracasso do Brasil ao sediar a Copa para extrair dividendos
políticos.
Seja pelo viés de críticas à organização da Copa, seja pelo da
"denúncia" mentirosa de que dinheiro da saúde e da educação foi usado
para realizar o evento no país, o aparato montado por grupos políticos
de direita e de esquerda para desmoralizar o Brasil internacionalmente
se vale de politicagem barata e do mais puro fascismo. E nada mais.
“Quem se sente responsável não aponta o dedo”, diz Luiza Trajano | Brasil 24/7
“Quem se sente responsável não aponta o dedo”, diz Luiza Trajano | Brasil 24/7
247 – Sem medo de se mostrar a favor da política
econômica da presidente Dilma Rousseff, a empresária Luiza Helena
Trajano mandou um recado bastante irônico a seus colegas que têm
criticado o governo. "Está tão ruim? Então vende o negócio e muda de
país", disse ela em entrevista ao jornal Zero Hora, do Rio Grande do
Sul. "Trabalha aqui, ganha dinheiro aqui e acha que está tudo ruim? O
Brasil é nosso, não adianta em reclamar de mim mesma", completou.
A empresária que pilota uma das maiores redes de vendas de
eletrodomésticos do País defendeu o que classificou como "otimismo
participativo". Luiza acrescentou que os empresários deveriam fazer mais
e reclamar menos. "Não adianta eu reclamar de mim mesma", frisou. "À
medida que eu estou reclamando do país, eu estou reclamando de mim. O
que eu posso fazer para ajudar? Quem se sente responsável não aponta
dedo".
Para sustentar seu discurso a favor, a empresária fez comparações com
a situação econômica de outros países. "O país passou por uma crise
global (2008) quase ileso. Afetou todo mundo e nós não sentimos",
acentuou. "Dia desses recebi um empresário espanhol que me contou que os
jovens na Espanha não têm emprego. E nossos jovens têm. Há coisas para
melhorar, mas só nós conseguiremos isso. A renda triplicou em 10 anos".
Ela comentou a polêmica travada com o colunista Diego Mainardi, do
programa Manhatan Conection, na qual ele apontou que existiria uma alta
da inadimplência no comércio, enquanto a presidente do Magazine Luiza
sustentou o contrário.
"Na semana seguinte foram divulgados dados mostrando que o país
estava com os índices mais baixos de inadimplência", lembrou. "E
continua em queda prosseguiu. A prova disso é que os bancos têm aprovado
mais crédito".
Citando dados na ponta da língua, a empresária defendeu o atual
modelo que procura preservar o poder de consumo e, ao mesmo tempo, fazer
frente aos problemas de infraestrutura. "No Brasil, só 54% da população
tem máquina de lavar, só 10% tem televisão de tela plana e só 1% tem
ar-condicionado. E ainda precisamos construir 23 milhões de casas para
ter um nível satisfatório de igualdade social para um país em
desenvolvimento". Para ela, "nenhuma indústria vive sem consumo". E mais
uma vez fez uma comparação. "Nos Estados Unidos, as pessoas já estão na
oitava geração de TVs de tela plana. Aqui, a gente ainda precisa de uns
20 anos de progresso".
247 – Sem medo de se mostrar a favor da política
econômica da presidente Dilma Rousseff, a empresária Luiza Helena
Trajano mandou um recado bastante irônico a seus colegas que têm
criticado o governo. "Está tão ruim? Então vende o negócio e muda de
país", disse ela em entrevista ao jornal Zero Hora, do Rio Grande do
Sul. "Trabalha aqui, ganha dinheiro aqui e acha que está tudo ruim? O
Brasil é nosso, não adianta em reclamar de mim mesma", completou.
A empresária que pilota uma das maiores redes de vendas de
eletrodomésticos do País defendeu o que classificou como "otimismo
participativo". Luiza acrescentou que os empresários deveriam fazer mais
e reclamar menos. "Não adianta eu reclamar de mim mesma", frisou. "À
medida que eu estou reclamando do país, eu estou reclamando de mim. O
que eu posso fazer para ajudar? Quem se sente responsável não aponta
dedo".
Para sustentar seu discurso a favor, a empresária fez comparações com
a situação econômica de outros países. "O país passou por uma crise
global (2008) quase ileso. Afetou todo mundo e nós não sentimos",
acentuou. "Dia desses recebi um empresário espanhol que me contou que os
jovens na Espanha não têm emprego. E nossos jovens têm. Há coisas para
melhorar, mas só nós conseguiremos isso. A renda triplicou em 10 anos".
Ela comentou a polêmica travada com o colunista Diego Mainardi, do
programa Manhatan Conection, na qual ele apontou que existiria uma alta
da inadimplência no comércio, enquanto a presidente do Magazine Luiza
sustentou o contrário.
"Na semana seguinte foram divulgados dados mostrando que o país
estava com os índices mais baixos de inadimplência", lembrou. "E
continua em queda prosseguiu. A prova disso é que os bancos têm aprovado
mais crédito".
Citando dados na ponta da língua, a empresária defendeu o atual
modelo que procura preservar o poder de consumo e, ao mesmo tempo, fazer
frente aos problemas de infraestrutura. "No Brasil, só 54% da população
tem máquina de lavar, só 10% tem televisão de tela plana e só 1% tem
ar-condicionado. E ainda precisamos construir 23 milhões de casas para
ter um nível satisfatório de igualdade social para um país em
desenvolvimento". Para ela, "nenhuma indústria vive sem consumo". E mais
uma vez fez uma comparação. "Nos Estados Unidos, as pessoas já estão na
oitava geração de TVs de tela plana. Aqui, a gente ainda precisa de uns
20 anos de progresso".
Balaio do Kotscho
SQN
Ronaldo usa Copa só para faturar e apoiar candidato
Ronaldo usa Copa só para faturar e apoiar candidato
Dilma e Nelson só erraram na raça do cachorro: vira-latas costumam
ser fiéis, não traem o caráter nem mudam de time em troca de um osso.
ser fiéis, não traem o caráter nem mudam de time em troca de um osso.
Ronaldo Fenômeno, maior artilheiro de todas as Copas e empresário bem
sucedido, pode ser acusado de tudo, menos de ser um idiota, como o
chamou o escritor Paulo Coelho, que estava a seu lado, entre outras
autoridades e celebridades, quando o Brasil foi escolhido para sediar a
Copa do Mundo de 2014.
sucedido, pode ser acusado de tudo, menos de ser um idiota, como o
chamou o escritor Paulo Coelho, que estava a seu lado, entre outras
autoridades e celebridades, quando o Brasil foi escolhido para sediar a
Copa do Mundo de 2014.
Ao contrário, o ex-jogador do Corinthians e da seleção sempre foi muito
esperto nos negócios e não rasga dinheiro, um exímio surfista em busca
de uma boa onda, sem dar muita bola para compromissos e princípios
éticos, um verdadeiro fenômeno empresarial.
esperto nos negócios e não rasga dinheiro, um exímio surfista em busca
de uma boa onda, sem dar muita bola para compromissos e princípios
éticos, um verdadeiro fenômeno empresarial.
Quando aceitou ser membro do Comitê Organizador Local, em 2007, uma das
tarefas de Ronaldo era exatamente a de defender a Copa no Brasil e
responder críticas à organização do evento. Só que, logo em seguida, ele
sumiu do noticiário, mudou-se para Londres, onde foi cuidar dos seus
negócios, e esqueceu a tarefa que havia assumido. Até aí, seria apenas
mais um cartola omisso e leniente, preocupado mais em faturar como
garoto propaganda do que em servir ao futebol brasileiro que lhe deu
fama e fortuna.
tarefas de Ronaldo era exatamente a de defender a Copa no Brasil e
responder críticas à organização do evento. Só que, logo em seguida, ele
sumiu do noticiário, mudou-se para Londres, onde foi cuidar dos seus
negócios, e esqueceu a tarefa que havia assumido. Até aí, seria apenas
mais um cartola omisso e leniente, preocupado mais em faturar como
garoto propaganda do que em servir ao futebol brasileiro que lhe deu
fama e fortuna.
Depois de embolsar uma bela grana com comerciais alusivos à Copa do
Mundo, eis que ele ressurge em grande estilo no Brasil, ganhando
novamente as manchetes ao papaguear as críticas da grande mídia à
organização, na qual o COL tem um papel importante. Ronaldo foi além e
desceu o pau no atraso das obras dos estádios e da mobilidade urbana.
Como se não tivesse nada com isso, apenas um turista inglês de passagem
pelo Brasil, falou mal dos aeroportos e de todo o resto, dizendo que
sentia vergonha de tudo.
Mundo, eis que ele ressurge em grande estilo no Brasil, ganhando
novamente as manchetes ao papaguear as críticas da grande mídia à
organização, na qual o COL tem um papel importante. Ronaldo foi além e
desceu o pau no atraso das obras dos estádios e da mobilidade urbana.
Como se não tivesse nada com isso, apenas um turista inglês de passagem
pelo Brasil, falou mal dos aeroportos e de todo o resto, dizendo que
sentia vergonha de tudo.
Vergonha de Ronaldo sentimos nós ao constatar que não fez nada de graça,
nem isso: na verdade, estava fazendo política rasteira para desgastar o
governo e iniciar uma campanha a favor do candidato que apoia, o tucano
Aécio Neves, seu amigo, como fez questão de registrar em seu Facebook,
chamando-o de futuro presidente.
nem isso: na verdade, estava fazendo política rasteira para desgastar o
governo e iniciar uma campanha a favor do candidato que apoia, o tucano
Aécio Neves, seu amigo, como fez questão de registrar em seu Facebook,
chamando-o de futuro presidente.
Com a maior cara de pau, logo deu início à sua nova tarefa de cabo
eleitoral: "Sempre tivemos uma amizade muito forte e agora vou apoiá-lo.
É meu amigo, confio nele e acho que é uma ótima opção para mudar o
nosso país". Foi mais longe: afirmou que, como empresário, diz que
desistiu de investir no Brasil no próximo ano por estar inseguro. "Essa
insegurança que estamos vivendo, essa instabilidade, a revolta do
povo... O governo deveria tranquilizar o povo, o setor empresarial".
eleitoral: "Sempre tivemos uma amizade muito forte e agora vou apoiá-lo.
É meu amigo, confio nele e acho que é uma ótima opção para mudar o
nosso país". Foi mais longe: afirmou que, como empresário, diz que
desistiu de investir no Brasil no próximo ano por estar inseguro. "Essa
insegurança que estamos vivendo, essa instabilidade, a revolta do
povo... O governo deveria tranquilizar o povo, o setor empresarial".
Até outro dia, ele aparecia em alegres fotos ao lado de Lula e Dilma. De
repente, ao voltar de uma longa vilegiatura no exterior, entre um
comercial e outro, virou uma espécie de Álvaro Dias do futebol, só vendo
defeitos em tudo e dizendo o que deveria ser feito.
repente, ao voltar de uma longa vilegiatura no exterior, entre um
comercial e outro, virou uma espécie de Álvaro Dias do futebol, só vendo
defeitos em tudo e dizendo o que deveria ser feito.
Ora, o cidadão Ronaldo tem o direito de escolher os amigos e apoiar os
candidatos que bem entender, mas poderia pelo menos ser um pouco mais
sutil na sua radical guinada de lado, certamente porque ouviu dizer lá
fora que Dilma estava mal nas pesquisas e Aécio era a bola da vez.
candidatos que bem entender, mas poderia pelo menos ser um pouco mais
sutil na sua radical guinada de lado, certamente porque ouviu dizer lá
fora que Dilma estava mal nas pesquisas e Aécio era a bola da vez.
Sem esperar pela pronta resposta, acabaria tomando um tranco da
presidente Dilma, ainda no final de semana. "Tenho orgulho das nossas
realizações, não temos do que nos envergonhar e não temos o complexo de
vira-latas, tão bem caracterizado por Nelson Rodrigues se referindo aos
eternos pessimistas de sempre".
presidente Dilma, ainda no final de semana. "Tenho orgulho das nossas
realizações, não temos do que nos envergonhar e não temos o complexo de
vira-latas, tão bem caracterizado por Nelson Rodrigues se referindo aos
eternos pessimistas de sempre".
Dilma e Nelson só erraram na raça do cachorro: vira-latas costumam ser
fiéis, não traem o caráter nem mudam de time em troca de um osso.
fiéis, não traem o caráter nem mudam de time em troca de um osso.
A campanha presidencial este ano está tão imprevisível que tudo pode
acontecer. Como Aécio Neves não consegue encontrar um vice para chamar
de seu, por que não aproveitar o repentino embalo político de Ronaldo e
dar a camisa logo para ele?
acontecer. Como Aécio Neves não consegue encontrar um vice para chamar
de seu, por que não aproveitar o repentino embalo político de Ronaldo e
dar a camisa logo para ele?
Se com sua ficha extracampo Ronaldo vai agregar ou tirar votos do
tucano, é outro problema. E se o nome dele for aprovado nas pesquisas
internas do PSDB? Fica a sugestão. A campanha eleitoral ficaria pelo
menos mais divertida e festiva.
tucano, é outro problema. E se o nome dele for aprovado nas pesquisas
internas do PSDB? Fica a sugestão. A campanha eleitoral ficaria pelo
menos mais divertida e festiva.
domingo, 25 de maio de 2014
Cantanhêde mostra aonde a direita sente o golpe
Cantanhêde mostra aonde a direita sente o golpe | TIJOLAÇO |
Os marqueteiros do PT,que focam sempre no desejo individual de
progresso (e o desejo existe, é natural, forte e bom), deveriam atentar
para a coluna de hoje de Eliane Catanhêde, a mais perfeita tradução do tucanismo jornalístico.
Tal como aconteceu, semana passada, quando antecipou a subida de
Dilma nas pesquisas, Catanhêde - muito bem informada sobre as análises
de pesquisas feitas pelo conservadorismo – revela hoje o que doeu entre
os tucanos a mudança de postura do Governo.
“Aécio e Eduardo Campos vinham bem quando o debate (ou o
“terreno”) era Petrobras, crise ética, crescimento baixo, inflação alta,
o preço do tomate. Mas Dilma, que patinava, deu uma guinada e puxou
tucanos e pessebistas para o campo social. Este é o forte do PT e de
Lula e a única área que salva o discurso de Dilma.
Com a CPI da Petrobras no Senado enterrada e a CPI mista
natimorta, lá se foram vários cartuchos da oposição. E os novos anúncios
do governo -aumento do Bolsa Família, correção da tabela do IR,
investimentos em saneamento básico- reforçaram a munição de Dilma. O
anúncio do medo e dos fantasmas fez a liga.
É verdade que as pessoas votam pensando em se dar bem, mas os
interesses meramente pessoais não anulam o imaginário coletivo. Explico:
as menores faixas de renda querem Bolsas; as classes médias querem
emprego, renda e status; as mais remuneradas querem privilégios; as
ricas querem ficar mais ricas. E todas querem segurança etc. Mas há
mensagens que perpassam todas elas.
Exemplo? A fofoca de que os tucanos privatizariam a Petrobras.
Isso não atingia diretamente o interesse de quase nenhum eleitor e de
nenhuma faixa de renda e de escolaridade, mas fez um corte transversal
por todas.”
Este tal “corte transversal” poderia atender pelo nome de
“nacionalismo”. Ou, mais bem traduzido, termos um projeto nacional ou um
projeto colonial, aquele em que somos um paíseco e precisamos que os
“iluminados” venham nos salvar.
Claro que, pela sua gentileza, levam-nos as calças.
A colunista da “massa cheirosa” mostra, insuspeita, que o divisor de
águas essencial nas eleições é e será, nesta e em muitas eleições, o
desejo e o direito dos brasileiros de terem um país.
O que estão devendo aos brasileiros mais ou menos aí por uns 514 anos…
Cantanhêde mostra aonde a direita sente o golpe
25 de maio de 2014 | 11:17 Autor: Fernando Brito
progresso (e o desejo existe, é natural, forte e bom), deveriam atentar
para a coluna de hoje de Eliane Catanhêde, a mais perfeita tradução do tucanismo jornalístico.
Tal como aconteceu, semana passada, quando antecipou a subida de
Dilma nas pesquisas, Catanhêde - muito bem informada sobre as análises
de pesquisas feitas pelo conservadorismo – revela hoje o que doeu entre
os tucanos a mudança de postura do Governo.
“Aécio e Eduardo Campos vinham bem quando o debate (ou o
“terreno”) era Petrobras, crise ética, crescimento baixo, inflação alta,
o preço do tomate. Mas Dilma, que patinava, deu uma guinada e puxou
tucanos e pessebistas para o campo social. Este é o forte do PT e de
Lula e a única área que salva o discurso de Dilma.
Com a CPI da Petrobras no Senado enterrada e a CPI mista
natimorta, lá se foram vários cartuchos da oposição. E os novos anúncios
do governo -aumento do Bolsa Família, correção da tabela do IR,
investimentos em saneamento básico- reforçaram a munição de Dilma. O
anúncio do medo e dos fantasmas fez a liga.
É verdade que as pessoas votam pensando em se dar bem, mas os
interesses meramente pessoais não anulam o imaginário coletivo. Explico:
as menores faixas de renda querem Bolsas; as classes médias querem
emprego, renda e status; as mais remuneradas querem privilégios; as
ricas querem ficar mais ricas. E todas querem segurança etc. Mas há
mensagens que perpassam todas elas.
Exemplo? A fofoca de que os tucanos privatizariam a Petrobras.
Isso não atingia diretamente o interesse de quase nenhum eleitor e de
nenhuma faixa de renda e de escolaridade, mas fez um corte transversal
por todas.”
Este tal “corte transversal” poderia atender pelo nome de
“nacionalismo”. Ou, mais bem traduzido, termos um projeto nacional ou um
projeto colonial, aquele em que somos um paíseco e precisamos que os
“iluminados” venham nos salvar.
Claro que, pela sua gentileza, levam-nos as calças.
A colunista da “massa cheirosa” mostra, insuspeita, que o divisor de
águas essencial nas eleições é e será, nesta e em muitas eleições, o
desejo e o direito dos brasileiros de terem um país.
O que estão devendo aos brasileiros mais ou menos aí por uns 514 anos…
Presos da Papuda temem serem tratados como Dirceu
Presos da Papuda temem serem tratados como Dirceu | TIJOLAÇO |
(Enquanto o governador do DF, Agnelo Queiroz, tenta resolver o
problema da superlotação da Papuda, Joaquim Barbosa se mete a carcereiro
furioso e irresponsável e causa instabilidade em todo o sistema
prisional do DF e do Brasil)
Neste sábado, participei, logo após João Santana, de um seminário do
PCdoB sobre comunicação, em São Paulo. Um dos participantes era um
advogado de Brasília com acesso à Papuda e ao governo do DF. Ele me
contou que as loucuras de Joaquim Barbosa têm causado enorme
instabilidade no sistema prisional do distrito.
Mas não porque, conforme a mídia divulga, mentirosamente (como
sempre,) os presos tem alguma espécie de ressentimento por José Dirceu
estar sendo tratado com “regalias”.
É ao contrário.
A população carcerária teme perder seus direitos adquiridos, assim
como aconteceu com Dirceu. Teme que algum juiz mantenha-os num regime
diferente daquele ao qual foram sentenciados, conforme aconteceu com
Dirceu. E temem, naturalmente, perder o direito ao trabalho externo,
conforme aconteceu com Dirceu.
Este advogado me contou que a campanha maluca da mídia contra Dirceu
tem ganho contornos surreais. Uma reforma na Papuda planejada há anos, e
que faz parte de um longo processo de negociação política para
normalizar a população carcerária do presídio, foi descrito pela
imprensa como a construção de uma área especial para José Dirceu. O que
não tem sentido, porque Dirceu sairá daqui a pouco da prisão, enquanto a
reforma, que nem é onde ficou ou ficará Dirceu, permanecerá.
- É uma coisa de louco. Eu não entendo porque ele [Joaquim Barbosa] tem agido assim. Ele é um irresponsável!
O advogado me contou que Dirceu tem uma TV pequena em sua cela. “Tem
outros presos lá com tv de 55 polegadas, e não há problema, porque não
há nada ilegal nisso!”
Para cúmulo, agora sabemos que Genoíno passa por uma crise grave de
saúde, por conta de sua coagulação irregular, o que não é surpresa. Os
médicos antipetistas raivosos escolhidos a dedo por Joaquim Barbosa
ignoraram criminosamente os graves riscos à saúde de um cidadão que, em
outro tempo, foi barbaramente torturado pelo Estado brasileiro. E que,
em plena democracia, volta a ser torturado por um ministro do Supremo
sem escrúpulos e blindado pela mesma mídia que apoiou a ditadura e se
enriqueceu com ela.
Tem coisas que mudam. Outras não.
Só que antes, Genoíno era um jovem. Hoje é um homem idoso e doente.
As autoridades que hoje o torturam, não permitindo sequer que seu
netinho lhe entregue um desenho, ou que sua família lhe forneça
alimentos prescritos pelo médico, são ainda mais culpados do que os
cupinchas da ditadura.
E a mídia, que mentiu criminosamente sobre as “regalias”, também é
muito mais culpada hoje do que outrora, quando ao menos tinha a desculpa
de que, não obedecesse à ditadura, sofreria retaliação. Hoje vemos,
aliás, que a mídia brasileira sempre foi sádica, antidemocrática,
covarde e mentirosa.
Um dia, essa é a história que será contada nas escolas. Que a
ditadura estendeu-se para dentro da democracia, em virtude da ação de
grupos de mídia e elementos sádicos do Estado brasileiro.
Quando isso vai terminar, não se sabe. Mas um dia vai acabar. Talvez
seja a consciência de seu fim que esteja fazendo determinados setores
partirem para este vale tudo, para esta barbárie asquerosa, insuflando
os piores preconceitos do povo em nome de lucro político provisório.
Entretanto, como diria Chico Buarque, eles pagarão dobrado, a cada
lágrima rolada daqueles que, longe do preconceito vulgar, do ódio
insuflado, tentaram preservar um espaço de racionalidade e humanismo.
Daqueles que lutaram, em meio a uma guerra suja liderada por barões da
mídia acostumados a vitórias obtidas via golpes, trapaças e
truculências, preservar um ambiente digno para disputa política. Uma
dignidade que os barões e seus exércitos de zumbis, pelo jeito, jamais
entenderão.
Não queremos ver adversários idosos e doentes sendo torturados, pela
segunda vez em suas vidas, em prisões superlotadas do Estado. Queremos
simplesmente que eles não vençam eleições, que nossos aliados prevaleçam
nas urnas e façam um bom governo. Essa maturidade tranquila e magnânima
é nossa força.
O sadismo, a covardia, o desequilíbrio deles é o sinal de sua derrota.
25 de maio de 2014 | 01:30 Autor: Miguel do Rosário
(Enquanto o governador do DF, Agnelo Queiroz, tenta resolver o
problema da superlotação da Papuda, Joaquim Barbosa se mete a carcereiro
furioso e irresponsável e causa instabilidade em todo o sistema
prisional do DF e do Brasil)
Neste sábado, participei, logo após João Santana, de um seminário do
PCdoB sobre comunicação, em São Paulo. Um dos participantes era um
advogado de Brasília com acesso à Papuda e ao governo do DF. Ele me
contou que as loucuras de Joaquim Barbosa têm causado enorme
instabilidade no sistema prisional do distrito.
Mas não porque, conforme a mídia divulga, mentirosamente (como
sempre,) os presos tem alguma espécie de ressentimento por José Dirceu
estar sendo tratado com “regalias”.
É ao contrário.
A população carcerária teme perder seus direitos adquiridos, assim
como aconteceu com Dirceu. Teme que algum juiz mantenha-os num regime
diferente daquele ao qual foram sentenciados, conforme aconteceu com
Dirceu. E temem, naturalmente, perder o direito ao trabalho externo,
conforme aconteceu com Dirceu.
Este advogado me contou que a campanha maluca da mídia contra Dirceu
tem ganho contornos surreais. Uma reforma na Papuda planejada há anos, e
que faz parte de um longo processo de negociação política para
normalizar a população carcerária do presídio, foi descrito pela
imprensa como a construção de uma área especial para José Dirceu. O que
não tem sentido, porque Dirceu sairá daqui a pouco da prisão, enquanto a
reforma, que nem é onde ficou ou ficará Dirceu, permanecerá.
- É uma coisa de louco. Eu não entendo porque ele [Joaquim Barbosa] tem agido assim. Ele é um irresponsável!
O advogado me contou que Dirceu tem uma TV pequena em sua cela. “Tem
outros presos lá com tv de 55 polegadas, e não há problema, porque não
há nada ilegal nisso!”
Para cúmulo, agora sabemos que Genoíno passa por uma crise grave de
saúde, por conta de sua coagulação irregular, o que não é surpresa. Os
médicos antipetistas raivosos escolhidos a dedo por Joaquim Barbosa
ignoraram criminosamente os graves riscos à saúde de um cidadão que, em
outro tempo, foi barbaramente torturado pelo Estado brasileiro. E que,
em plena democracia, volta a ser torturado por um ministro do Supremo
sem escrúpulos e blindado pela mesma mídia que apoiou a ditadura e se
enriqueceu com ela.
Tem coisas que mudam. Outras não.
Só que antes, Genoíno era um jovem. Hoje é um homem idoso e doente.
As autoridades que hoje o torturam, não permitindo sequer que seu
netinho lhe entregue um desenho, ou que sua família lhe forneça
alimentos prescritos pelo médico, são ainda mais culpados do que os
cupinchas da ditadura.
E a mídia, que mentiu criminosamente sobre as “regalias”, também é
muito mais culpada hoje do que outrora, quando ao menos tinha a desculpa
de que, não obedecesse à ditadura, sofreria retaliação. Hoje vemos,
aliás, que a mídia brasileira sempre foi sádica, antidemocrática,
covarde e mentirosa.
Um dia, essa é a história que será contada nas escolas. Que a
ditadura estendeu-se para dentro da democracia, em virtude da ação de
grupos de mídia e elementos sádicos do Estado brasileiro.
Quando isso vai terminar, não se sabe. Mas um dia vai acabar. Talvez
seja a consciência de seu fim que esteja fazendo determinados setores
partirem para este vale tudo, para esta barbárie asquerosa, insuflando
os piores preconceitos do povo em nome de lucro político provisório.
Entretanto, como diria Chico Buarque, eles pagarão dobrado, a cada
lágrima rolada daqueles que, longe do preconceito vulgar, do ódio
insuflado, tentaram preservar um espaço de racionalidade e humanismo.
Daqueles que lutaram, em meio a uma guerra suja liderada por barões da
mídia acostumados a vitórias obtidas via golpes, trapaças e
truculências, preservar um ambiente digno para disputa política. Uma
dignidade que os barões e seus exércitos de zumbis, pelo jeito, jamais
entenderão.
Não queremos ver adversários idosos e doentes sendo torturados, pela
segunda vez em suas vidas, em prisões superlotadas do Estado. Queremos
simplesmente que eles não vençam eleições, que nossos aliados prevaleçam
nas urnas e façam um bom governo. Essa maturidade tranquila e magnânima
é nossa força.
O sadismo, a covardia, o desequilíbrio deles é o sinal de sua derrota.
Queimar a Marca Brasil virou estratégia eleitoral
Queimar a Marca Brasil virou estratégia eleitoral
Antonio Barbosa Filho -Jornalista e escritor,
sab, 24/05/2014 - 20:26
DELFT (Países-Baixos) - Estudiosos de marketing em todo o
mundo dedicam-se a um campo relativamente novo nesta área, que é a
criação e as características da chamada “nation brand” ou “marca-país”.
Já em 1965, pesquisas aplicadas mostraram que o consumidor dá avaliações
diferentes a um mesmo produto que lhe é oferecido, dependendo do rótulo
“fabricado em…”, ou seja, ele leva em consideração a localidade de
origem na hora de decidir uma compra.
mundo dedicam-se a um campo relativamente novo nesta área, que é a
criação e as características da chamada “nation brand” ou “marca-país”.
Já em 1965, pesquisas aplicadas mostraram que o consumidor dá avaliações
diferentes a um mesmo produto que lhe é oferecido, dependendo do rótulo
“fabricado em…”, ou seja, ele leva em consideração a localidade de
origem na hora de decidir uma compra.
A partir deste dado, muitos estudos se seguiram, e o
conceito de “marca-país” passou a ser discutido seriamente como fator
importante no comércio e na propaganda mundiais. Está consolidada, por
exemplo, a distinção entre “identidade nacional” (conjunto dos elementos
que dão personalidade a um país, incluindo sua história, geografia,
artes, cidadãos famosos, etc.) e “imagem nacional” (a maneira como o
país é visto nos demais países e no mundo como um todo). A identidade
forma-se historicamente; a imagem pode ser melhorada, assim como pode
piorar, e há vários métodos para medi-la tecnicamente.
conceito de “marca-país” passou a ser discutido seriamente como fator
importante no comércio e na propaganda mundiais. Está consolidada, por
exemplo, a distinção entre “identidade nacional” (conjunto dos elementos
que dão personalidade a um país, incluindo sua história, geografia,
artes, cidadãos famosos, etc.) e “imagem nacional” (a maneira como o
país é visto nos demais países e no mundo como um todo). A identidade
forma-se historicamente; a imagem pode ser melhorada, assim como pode
piorar, e há vários métodos para medi-la tecnicamente.
A imagem é levada em conta, segundo pesquisas, também pelos
executivos de grandes empresas com poder de decidir a destinação de
investimentos num determinado país. Estudo do Communication Group e do
Think Tank You Gov, da Grã-Bretanha, em 2006, concluiu que 92% desses
executivos afirmam que a imagem de um país é “fator vital” para suas
escolhas. 65% acham difícil decidir por um novo empreendimento apenas
baseado em “hard factors” - fatores estritamente numéricos - e 60%
afirmam que os “soft factors” ( estilo de vida, arquitetura, artes,
etc.) são crescentemente importantes.
executivos de grandes empresas com poder de decidir a destinação de
investimentos num determinado país. Estudo do Communication Group e do
Think Tank You Gov, da Grã-Bretanha, em 2006, concluiu que 92% desses
executivos afirmam que a imagem de um país é “fator vital” para suas
escolhas. 65% acham difícil decidir por um novo empreendimento apenas
baseado em “hard factors” - fatores estritamente numéricos - e 60%
afirmam que os “soft factors” ( estilo de vida, arquitetura, artes,
etc.) são crescentemente importantes.
Ora, um evento como a Copa do Mundo de Futebol é um momento
privilegiado para o país-sede incrementar a sua imagem positiva no
exterior, partindo de sua “identidade” e agregando novos valores ao
conjunto de sua representação mercadológica. Segundo o professor Marco
Antonio Ocke, da USP, “para o país-sede, a Copa mostra-se eficaz
ferramenta de promoção da localidade como força econômica com o objetivo
de captar investimentos, atrair visitantes, moradores e profissionais,
fomentar o comércio, a indústria e as exportações”. Ao organizar o
campeonato de 2006, a Alemanha usou-o para reaquecer sua economia, que
atravessava fase de baixa depois dos custos da reintegração. Com o
slogan “Um mundo entre amigos”, o país gerou cerca de 4 mil empregos por
ano desde o anúncio dos jogos, alavancando cerca de 10 bilhões de euros
para sua economia. Houve um crescimento geral do PIB e grandes obras e
avanços nas áreas esportiva, de turismo e de tecnologia da informação.
privilegiado para o país-sede incrementar a sua imagem positiva no
exterior, partindo de sua “identidade” e agregando novos valores ao
conjunto de sua representação mercadológica. Segundo o professor Marco
Antonio Ocke, da USP, “para o país-sede, a Copa mostra-se eficaz
ferramenta de promoção da localidade como força econômica com o objetivo
de captar investimentos, atrair visitantes, moradores e profissionais,
fomentar o comércio, a indústria e as exportações”. Ao organizar o
campeonato de 2006, a Alemanha usou-o para reaquecer sua economia, que
atravessava fase de baixa depois dos custos da reintegração. Com o
slogan “Um mundo entre amigos”, o país gerou cerca de 4 mil empregos por
ano desde o anúncio dos jogos, alavancando cerca de 10 bilhões de euros
para sua economia. Houve um crescimento geral do PIB e grandes obras e
avanços nas áreas esportiva, de turismo e de tecnologia da informação.
A Copa é tal oportunidade de promoção mundial que a
Austrália, por exemplo, de onde sairá o terceiro maior contingente de
visitantes, cerca de 20 mil, realizará uma série de eventos culturais
nas cidades onde sua seleção nacional se hospedará ou jogará, Vitória,
Cuiabá, Curitiba e Porto Alegre. O país tem 40 bilhões de reais
investidos no Brasil, recebe 20 mil estudantes brasileiros por ano, e
quer aproveitar a Copa para ampliar sua presença em todos os setores.
Também a Holanda promoverá exposições e eventos paralelos à Copa, como
outros países. Cabe ao Brasil esperar que todos os países visitantes
levam daqui muito mais do que vão trazer.
Austrália, por exemplo, de onde sairá o terceiro maior contingente de
visitantes, cerca de 20 mil, realizará uma série de eventos culturais
nas cidades onde sua seleção nacional se hospedará ou jogará, Vitória,
Cuiabá, Curitiba e Porto Alegre. O país tem 40 bilhões de reais
investidos no Brasil, recebe 20 mil estudantes brasileiros por ano, e
quer aproveitar a Copa para ampliar sua presença em todos os setores.
Também a Holanda promoverá exposições e eventos paralelos à Copa, como
outros países. Cabe ao Brasil esperar que todos os países visitantes
levam daqui muito mais do que vão trazer.
O FATOR POLÍTICO-ELEITORAL
Os planos do Governo brasileiro para a Copa de 2014 incluem
“agregar novos elementos à imagem do país (economia forte, capacidade
de inovação, sustentabilidade) sem deixar de reforçar as características
positivas pelas quais o país já é conhecido (hospitalidade, belezas
naturais, diversidade cultural)”. No tema “negócios”, o planejamento dos
órgãos envolvidos com o mega-evento prevê, internamente, “estimular a
descentralização economica, potencializando e atraindo investimentos
para as diversas regiões; e estimular a cultura do empreendedorismo a
partir da Copa”. Na frente externa, pretende-se “imprimir à imagem dos
produtos e marcas brasileiras atributos de tecnologia, qualidade,
inovação e sustentabilidade, contribuindo para o aumento das
exportações; apresentar o país como fonte de oportunidades para
parcerias e soluções sustentáveis de alto crescimento; e atrelar à
imagem do país sua importância para a economia e a política
internacionais”.
“agregar novos elementos à imagem do país (economia forte, capacidade
de inovação, sustentabilidade) sem deixar de reforçar as características
positivas pelas quais o país já é conhecido (hospitalidade, belezas
naturais, diversidade cultural)”. No tema “negócios”, o planejamento dos
órgãos envolvidos com o mega-evento prevê, internamente, “estimular a
descentralização economica, potencializando e atraindo investimentos
para as diversas regiões; e estimular a cultura do empreendedorismo a
partir da Copa”. Na frente externa, pretende-se “imprimir à imagem dos
produtos e marcas brasileiras atributos de tecnologia, qualidade,
inovação e sustentabilidade, contribuindo para o aumento das
exportações; apresentar o país como fonte de oportunidades para
parcerias e soluções sustentáveis de alto crescimento; e atrelar à
imagem do país sua importância para a economia e a política
internacionais”.
Vê-se que muito além dos campos de futebol, que reunirão
centenas de milhares de torcedores em doze capitais de Estados, há muito
mais em jogo. O Brasil pode galgar um degrau importante no seu conceito
geopolítico e comercial, ampliando sua presença no cenário
internacional do século que começa. Ou pode mostrar-se um país carente
de organização, governabilidade e eficiência, fatores que valem, no
mínimo, tanto quanto a simpatia de seu povo, a beleza de suas paisagens,
a riqueza de sua Cultura.
centenas de milhares de torcedores em doze capitais de Estados, há muito
mais em jogo. O Brasil pode galgar um degrau importante no seu conceito
geopolítico e comercial, ampliando sua presença no cenário
internacional do século que começa. Ou pode mostrar-se um país carente
de organização, governabilidade e eficiência, fatores que valem, no
mínimo, tanto quanto a simpatia de seu povo, a beleza de suas paisagens,
a riqueza de sua Cultura.
As manifestações de rua contra a realização da Copa não
chegam a preocupar, já que são normais em todos os países democráticos. A
menos que resvalem para depredações de grande porte, ou causem vítimas
brasileiras e estrangeiras - para o que o governo federal, os estaduais e
municipais afirmam estar devidamente preparados, inclusive com respaldo
de órgãos de segurança dos países participantes - os protestos podem
até servir de atestado de nossa estabilidade política, da ampla
liberdade de manifestação, da maturidade democrática do país - pontos
positivos para a “imagem”.
chegam a preocupar, já que são normais em todos os países democráticos. A
menos que resvalem para depredações de grande porte, ou causem vítimas
brasileiras e estrangeiras - para o que o governo federal, os estaduais e
municipais afirmam estar devidamente preparados, inclusive com respaldo
de órgãos de segurança dos países participantes - os protestos podem
até servir de atestado de nossa estabilidade política, da ampla
liberdade de manifestação, da maturidade democrática do país - pontos
positivos para a “imagem”.
Esta imagem vinha melhorando ao longo dos últimos dez ou
quinze anos. Em termos de eventos, a Copa das Confederações da FIFA, em
meados do ano passado, foi um teste muito positivo. A audiência
internacional de TV na final entre Brasil e Espanha foi 50% maior do
que a final da última Copa do Mundo, entre Holanda e Espanha. Dos
estrangeiros que aqui estiveram para a competição, 75,8% disseram em
pesquisas que pretendiam voltar ao Brasil para a Copa de 2014. 70%
afirmaram que tiveram suas expectativas com o país atendidas ou
superadas; 95% aprovaram os estádios; 72% aprovaram os transportes
públicos (!), e 88% gostaram dos serviços de táxi. Também foi um sucesso
a “disponibilidade dos funcionários nos estádios e outras instalações
em dar informações”, elogiada por 89,5% dos turistas-torcedores. Já a
qualidade e preço da alimentação nos estádios foi reprovada por 78,2%.
quinze anos. Em termos de eventos, a Copa das Confederações da FIFA, em
meados do ano passado, foi um teste muito positivo. A audiência
internacional de TV na final entre Brasil e Espanha foi 50% maior do
que a final da última Copa do Mundo, entre Holanda e Espanha. Dos
estrangeiros que aqui estiveram para a competição, 75,8% disseram em
pesquisas que pretendiam voltar ao Brasil para a Copa de 2014. 70%
afirmaram que tiveram suas expectativas com o país atendidas ou
superadas; 95% aprovaram os estádios; 72% aprovaram os transportes
públicos (!), e 88% gostaram dos serviços de táxi. Também foi um sucesso
a “disponibilidade dos funcionários nos estádios e outras instalações
em dar informações”, elogiada por 89,5% dos turistas-torcedores. Já a
qualidade e preço da alimentação nos estádios foi reprovada por 78,2%.
De poucos meses para cá, cresceu o número de reportagens
negativas na mídia internacional sobre o Brasil, mas isso resulta do
próprio fato de as atenções do mundo estarem se concentrando mais no
país. Os problemas mostrados, e os preconceitos revelados, por exemplo,
pela revista liberal The Economist, que chamou os brasileiros de
“preguiçosos”, ou pelo jornal sensacionalista Daily Mirror, que colocou
Manaus entre as cidades mais perigosas do mundo, cujos riscos incluem
“cobras venenosas e tarântulas” são reversíveis. Tudo depende da
normalidade dos jogos, da recepção aos turistas e torcedores, e do
funcionamento razoável da infraestrutura.
negativas na mídia internacional sobre o Brasil, mas isso resulta do
próprio fato de as atenções do mundo estarem se concentrando mais no
país. Os problemas mostrados, e os preconceitos revelados, por exemplo,
pela revista liberal The Economist, que chamou os brasileiros de
“preguiçosos”, ou pelo jornal sensacionalista Daily Mirror, que colocou
Manaus entre as cidades mais perigosas do mundo, cujos riscos incluem
“cobras venenosas e tarântulas” são reversíveis. Tudo depende da
normalidade dos jogos, da recepção aos turistas e torcedores, e do
funcionamento razoável da infraestrutura.
O fator mais preocupante é outro: a oposição política ao
governo Dilma Rousseff, nesse ano eleitoral, tem demonstrado que o
fracasso da Copa do Mundo lhe convém. Ela teme que a vitória da seleção
brasileira leve o país a uma tal euforia que isso contagie o governo e
influa numa fácil vitória da candidata do PT. Assim, há evidente torcida
entre forças políticas de extrema-esquerda, do centro-direita e de
pequenos grupos de extrema-direita (aqueles que convocaram marchas em
favor de um golpe militar, fracassadas em 22 de março último), para que o
Brasil saia derrotado dentro e fora dos gramados. Um caos nas
cidades-sede seria de grande proveito para as oposições na campanha
eleitoral que se aproxima, e para a qual elas não parecem contar com
propostas e candidatos capazes de reverter o favoritismo de Dilma em
todas as pesquisas, até agora.
governo Dilma Rousseff, nesse ano eleitoral, tem demonstrado que o
fracasso da Copa do Mundo lhe convém. Ela teme que a vitória da seleção
brasileira leve o país a uma tal euforia que isso contagie o governo e
influa numa fácil vitória da candidata do PT. Assim, há evidente torcida
entre forças políticas de extrema-esquerda, do centro-direita e de
pequenos grupos de extrema-direita (aqueles que convocaram marchas em
favor de um golpe militar, fracassadas em 22 de março último), para que o
Brasil saia derrotado dentro e fora dos gramados. Um caos nas
cidades-sede seria de grande proveito para as oposições na campanha
eleitoral que se aproxima, e para a qual elas não parecem contar com
propostas e candidatos capazes de reverter o favoritismo de Dilma em
todas as pesquisas, até agora.
Apostar num fracasso da Copa, porém, envolve muito mais do
que o episódio eleitoral. Como vimos, a “marca-país” é algo muito mais
sério, importa a várias gerações, e seria lamentável que brasileiros,
propositadamente, ajudassem a detonar uma construção tão difícil. Já nos
bastam os problemas que realmente temos; não precisamos de outros
gerados pela ambição de poder de alguns políticos. Além disso, não há
provas de que o resultado da Copa influa decisivamente nas eleições. Já o
prejuízo em termos de imagem internacional do país, caso o Brasil
falhe, este é previsível cientificamente, e os danos custarão décadas a
serem reparados, afetando, inclusive, o próximo megaevento, os Jogos
Olímpicos do Rio de Janeiro.
que o episódio eleitoral. Como vimos, a “marca-país” é algo muito mais
sério, importa a várias gerações, e seria lamentável que brasileiros,
propositadamente, ajudassem a detonar uma construção tão difícil. Já nos
bastam os problemas que realmente temos; não precisamos de outros
gerados pela ambição de poder de alguns políticos. Além disso, não há
provas de que o resultado da Copa influa decisivamente nas eleições. Já o
prejuízo em termos de imagem internacional do país, caso o Brasil
falhe, este é previsível cientificamente, e os danos custarão décadas a
serem reparados, afetando, inclusive, o próximo megaevento, os Jogos
Olímpicos do Rio de Janeiro.
Antonio Barbosa Filho -Jornalista e escritor,
A despolitização da democracia dá lugar à juristocracia’
..:: OAB/RJ ::..
A despolitização da democracia dá lugar à juristocracia’ |
Maria Luiza Quaresma Tonelli Em sua tese de doutorado pela Universidade de São Paulo, a filósofa Maria Luiza Quaresma Tonelli analisa a judicialização da política e a soberania popular e expõe sua preocupação com a redução da democracia ao Estado de Direito. Para ela, isso significa que a soberania popular passa a ser tutelada pelo Poder Judiciário, cristalizando a ideia de que a legitimidade da democracia está sujeita às decisões dos tribunais constitucionais. Os cidadãos são desresponsabilizados de uma participação maior na vida política do país; nesse contexto, estabelece-se o desequilíbrio entre os poderes e generaliza-se uma percepção negativa da política e até a sua criminalização, alerta. PATRÍCIA NOLASCO O Brasil vive uma situação de judicialização da política? Maria Luiza Tonelli – Sim. É um processo que vem desde a promulgação da Constituição de 1988. A Constituição é uma carta política da nação, mas a nossa foi transformada numa carta exclusivamente jurídica. Isso significa que a soberania popular passa a ser tutelada pelo Poder Judiciário, cristalizando a ideia de que a legitimidade de qualquer democracia decorre dos tribunais constitucionais. Ora, decisões judiciais e decisões políticas são formas distintas de solução de conflitos. Por isso o tema da judicialização da política remete à tensão entre a democracia e o Estado de Direito. A judicialização da política reduz a democracia ao Estado de Direito, e estamos percebendo que alcançou patamares inimagináveis. Nesse contexto, em que vigora a ideia conservadora de que a democracia emana do Direito e não da soberania popular, a criminalização da política é consequência da judicialização. Isso é extremamente preocupante, pois generaliza-se uma ideia negativa da política. A senhora diz que as condições sociais na democracia brasileira favorecem a judicialização. Como isso se dá e como afeta a soberania popular e o equilíbrio dos poderes? Maria Luiza – A judicialização da politica não é um problema jurídico, é político. Tem várias causas, mas é no âmbito social que tal fenômeno encontra as condições favoráveis para a sua ocorrência. Vivemos em uma sociedade hierarquizada e, em muitos aspectos, autoritária. Nossa cultura política ainda tem resquícios de conservadorismo. O Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão. Trezentos e oitenta e oito anos de trabalho escravo. Passamos pela mais longa das ditaduras da América Latina. Vinte e um anos de um Estado de exceção no qual a tortura era uma política de Estado. Não é por acaso que a sociedade brasileira se esconde por trás do mito da democracia racial e nem se escandaliza com as torturas ainda hoje praticadas nas delegacias e nas prisões. Em uma sociedade pouco familiarizada com a ideia de respeito aos direitos humanos fica fácil convencer as pessoas de que a solução para os problemas sociais e políticos está muito mais nos tribunais do que na política. Isso afeta a soberania popular, pois desresponsabiliza os cidadãos de uma participação maior na vida política do país. A judicialização favorece o afastamento da política nas democracias afetando o equilíbrio dos poderes na medida em que propicia a invasão do Direito na política. É a soberania popular desapossada de seu papel de protagonista na democracia, dando lugar à hegemonia judicial. A despolitização da democracia dá lugar à juristocracia. A defesa da ética na política utilizada como arma por setores conservadores e da mídia para paralisar a política, já mencionada pela senhora, estaria obscurecendo a própria noção de democracia? Maria Luiza – O problema não é a defesa da ética na política, mas esta última avaliada com critérios exclusivamente morais. Há uma diferença entre a moral e a ética. Agir de forma estritamente moral exige apenas certo grau de obediência; agir eticamente exige pensamento crítico e responsabilidade. Obviamente que a política deve ser avaliada pelo critério moral; ela não é independente da moral dos homens e da ética pública, mas há critérios que são puramente políticos. Valores políticos mobilizam para um fim; valores morais impedem em nome de uma proibição. A política visa ao bem comum, ao interesse público. Daí que o critério da moral não pode ser o único, pois a moral nos diz o que não fazer, não o que fazer. Por isso, a moral pode ser utilizada por setores conservadores e pela mídia para paralisar a política, tanto para impedir o debate de temas polêmicos no Parlamento, como para satanizar o adversário, transformando-o em inimigo a ser eliminado. O debate sobre a política, reduzida ao problema da corrupção como questão exclusivamente moral, e não política, dá margem aos discursos demagógicos e à hipocrisia. Isso tem mais a ver com o moralismo do que com a moral ou com a ética. Quando tudo é moral, julga-se mais a virtude dos homens individualmente do que o valor de um projeto político ou a importância de algumas políticas públicas, o que afeta de maneira substancial a noção de democracia. Dentro do processo político, como analisa as causas e os efeitos dos protestos nas ruas? Maria Luiza – Protestos têm como causa a insatisfação. Nas sociedades democráticas, protestar é um direito. Quem protesta quer ser ouvido e atendido. Em um país como o nosso, que, apesar dos avanços, ainda padece da carência de serviços públicos de qualidade, as manifestações nas ruas podem ter como efeito uma nova cultura política de fortalecimento da democracia. O que não podemos concordar, todavia, é que o uso da violência numa democracia sirva de justificativa para a conquista de mudanças sociais e políticas. O efeito pode ser o contrário. Política e democracia não combinam com violência. |
A campanha eleitoral e a estratégia dos jornais | GGN
A campanha eleitoral e a estratégia dos jornais | GGN
O
pessimismo geral do país é um caso clássico de esquizofrenia,
alimentado por uma mídia do eixo Rio-São Paulo que perdeu a noção da
notícia.
pessimismo geral do país é um caso clássico de esquizofrenia,
alimentado por uma mídia do eixo Rio-São Paulo que perdeu a noção da
notícia.
Durante
dois anos, martelaram diariamente atrasos em obras da Copa, realçaram
detalhes de obras inacabadas, uma campanha diuturna sobre a suposta
incapacidade do país em se preparar para a Copa – como se depreciando a
engenharia brasileira, os grupos privados envolvidos com as obras, os
governos estaduais corresponsáveis pelo processo, a criação do clima de
derrotismo se abatesse exclusivamente sobre o governo Dilma Rousseff.
dois anos, martelaram diariamente atrasos em obras da Copa, realçaram
detalhes de obras inacabadas, uma campanha diuturna sobre a suposta
incapacidade do país em se preparar para a Copa – como se depreciando a
engenharia brasileira, os grupos privados envolvidos com as obras, os
governos estaduais corresponsáveis pelo processo, a criação do clima de
derrotismo se abatesse exclusivamente sobre o governo Dilma Rousseff.
À
medida que a Copa se aproxima, que os tapumes das obras são retirados,
os usuários descobrem aeroportos de primeiro mundo, arenas esportivas de
qualidade invejável, novas estatísticas mostrando o potencial
financeiro do jogos.
medida que a Copa se aproxima, que os tapumes das obras são retirados,
os usuários descobrem aeroportos de primeiro mundo, arenas esportivas de
qualidade invejável, novas estatísticas mostrando o potencial
financeiro do jogos.
E
os jornais passam a se dar conta que a Copa será a maior vitrine do
país em toda sua história, com os 14 mil correspondentes, os recordes de
visitantes e da audiência esperada para o televisionamento dos jogos.
os jornais passam a se dar conta que a Copa será a maior vitrine do
país em toda sua história, com os 14 mil correspondentes, os recordes de
visitantes e da audiência esperada para o televisionamento dos jogos.
Por
esse sentimento permanente de baixa autoestima, provavelmente não se
dará o devido valor a um feito extraordinariamente superior ao de
abrigar a maior Copa do mundo da história (na opinião da Fifa): o
atingimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, comprovando que
o Brasil entrou em um novo estágio civilizatório.
esse sentimento permanente de baixa autoestima, provavelmente não se
dará o devido valor a um feito extraordinariamente superior ao de
abrigar a maior Copa do mundo da história (na opinião da Fifa): o
atingimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, comprovando que
o Brasil entrou em um novo estágio civilizatório.
***
O
conceito de Metas do Milênio nasceu em 2000, quando líderes mundiais
acertaram uma agenda mínima global de compromissos pela promoção da
dignidade humana e de combate à pobreza, à fome, às desigualdades de
gênero, às doenças transmissíveis e evitáveis, à destruição do meio
ambiente e às condições precárias de vida.
conceito de Metas do Milênio nasceu em 2000, quando líderes mundiais
acertaram uma agenda mínima global de compromissos pela promoção da
dignidade humana e de combate à pobreza, à fome, às desigualdades de
gênero, às doenças transmissíveis e evitáveis, à destruição do meio
ambiente e às condições precárias de vida.
***
Conforme os dados do 5º Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, com
quatro anos de antecedência, o país conseguiu alcançar a meta de
redução de dois terços a mortalidade infantil, que caiu de 53,7 mortes
por mil nascidos vivos em 1990, para 17,7 em 2011.
quatro anos de antecedência, o país conseguiu alcançar a meta de
redução de dois terços a mortalidade infantil, que caiu de 53,7 mortes
por mil nascidos vivos em 1990, para 17,7 em 2011.
No
saneamento, em 1990 70% da população tinham acesso à agua e 53% à rede
de esgotos ou fossa séptica. Em 2012, os indicadores saltaram para 85,5%
e 77% respectivamente.
saneamento, em 1990 70% da população tinham acesso à agua e 53% à rede
de esgotos ou fossa séptica. Em 2012, os indicadores saltaram para 85,5%
e 77% respectivamente.
***
Outro indicador, o da redução da pobreza extrema, caiu para 3,5% da população, próxima à meta de 3%.
Segundo
o Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos Marcelo Nery, um dos
principais fatores foi a formalização do mercado de trabalho. No período
2002-2005, a formalização girou em torno de 46% da população ocupada.
Em 2012 alcançou 58%.
o Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos Marcelo Nery, um dos
principais fatores foi a formalização do mercado de trabalho. No período
2002-2005, a formalização girou em torno de 46% da população ocupada.
Em 2012 alcançou 58%.
Entre os ocupados a pobreza extrema é de 1,3%; entre os ocupados com carteira de trabalho, de 0,1%.
***
Em
que pese os avanços que ainda faltam na qualidade do ensino, a taxa de
escolarização no ensino fundamental, para crianças de 7 a 14 anos, está
próxima de 100%; assim como a taxa de alfabetização de jovens de 15 a 24
anos.
que pese os avanços que ainda faltam na qualidade do ensino, a taxa de
escolarização no ensino fundamental, para crianças de 7 a 14 anos, está
próxima de 100%; assim como a taxa de alfabetização de jovens de 15 a 24
anos.
Apesar
do analfabetismo funcional, os estudantes de 9 a 17 cursando a série
adequada à sua idade saltaram de 50,3% para 79,6%. Parte do avanço foi
devido a distorções, como a aprovação automática.
do analfabetismo funcional, os estudantes de 9 a 17 cursando a série
adequada à sua idade saltaram de 50,3% para 79,6%. Parte do avanço foi
devido a distorções, como a aprovação automática.
Por Assis Ribeiro
Comentário ao post "As vitórias pouco divulgadas do Brasil"
Como vem sendo debatido aqui no blog a
grande mídia se tornou um partido político, fato confirmado pela
declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de
Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:
grande mídia se tornou um partido político, fato confirmado pela
declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de
Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:
"A liberdade de imprensa é um bem
maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é
sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e,
obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição
oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente
fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida
nenhuma incomoda sobremaneira o governo."
maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é
sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e,
obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição
oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente
fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida
nenhuma incomoda sobremaneira o governo."
O que ocorre com a grande mídia ao
elaborar as suas matérias na base do pessimismo geral abordado por
Nassif em seu artigo "As vitórias pouco divulgadas do Brasil" é o mesmo
observado nas campanhas dos políticos que concorrem ao cargo de
Presidente da República.
elaborar as suas matérias na base do pessimismo geral abordado por
Nassif em seu artigo "As vitórias pouco divulgadas do Brasil" é o mesmo
observado nas campanhas dos políticos que concorrem ao cargo de
Presidente da República.
Trata- se de campanha política, e na
impossibilidade real de apresentarem as suas propostas para o Brasil,
dada a impopularidade delas, partem para a omissão das realizações,
ataques e tentativa de destruição de tudo o que está sendo realizado
pelos governos Lula/Dilma.
impossibilidade real de apresentarem as suas propostas para o Brasil,
dada a impopularidade delas, partem para a omissão das realizações,
ataques e tentativa de destruição de tudo o que está sendo realizado
pelos governos Lula/Dilma.
Sim, as propostas que os candidatos Campos e Aécio defendem são as mesmas vistas diariamente nas matérias da mídia tradicional.
O que lê e se ouve nos jornais e TVs
são propagandas dos princípios implícitos nos axiomas como “eficiência
dos mercados”, "austeridade", "Privatização", “disciplina de mercado”,
“redução de despesas públicas”, “menos estado”; nitidamente de cunho
neoliberal.
são propagandas dos princípios implícitos nos axiomas como “eficiência
dos mercados”, "austeridade", "Privatização", “disciplina de mercado”,
“redução de despesas públicas”, “menos estado”; nitidamente de cunho
neoliberal.
Mas, como defender de forma clara e
honesta uma política que tem levado milhões ao desemprego na Europa
atual contra as realizações de aumento de salário mínimo e gastos
públicos com o social dos últimos governos que tirou da pobreza 40
milhões de pessoas desde 2003?
honesta uma política que tem levado milhões ao desemprego na Europa
atual contra as realizações de aumento de salário mínimo e gastos
públicos com o social dos últimos governos que tirou da pobreza 40
milhões de pessoas desde 2003?
Como negar que a política, contrária
ao neoliberalismo que defendem, de Estado forte como agente indutor e
regulamentador da saúde social, política e econômica do país, realizando
gastos com o social, geração de emprego, e com bancos públicos e
empresas nacionais fortes conseguiu tirar o Brasil da miséria e alcançar
avanços há muito tempo não vistos?
ao neoliberalismo que defendem, de Estado forte como agente indutor e
regulamentador da saúde social, política e econômica do país, realizando
gastos com o social, geração de emprego, e com bancos públicos e
empresas nacionais fortes conseguiu tirar o Brasil da miséria e alcançar
avanços há muito tempo não vistos?
Essa é uma das grandes dificuldades
que a mídia tradicional, Campos e Aécio encontram, em outras palavras,
como definir um projeto político mais sedutor que as políticas dos
governos do PT?
que a mídia tradicional, Campos e Aécio encontram, em outras palavras,
como definir um projeto político mais sedutor que as políticas dos
governos do PT?
Não tendo alternativas para criticar a
política do governo e apresentar as soluções é que partem para a
omissão das realizações, aos ataques e tentativa de destruição de tudo o
que está sendo realizado pelos governos Lula/Dilma.
política do governo e apresentar as soluções é que partem para a
omissão das realizações, aos ataques e tentativa de destruição de tudo o
que está sendo realizado pelos governos Lula/Dilma.
Folha de S.Paulo - Mercado - O PIB dos economistas e o PIB do povo - 25/05/2014
Folha de S.Paulo - Mercado - O PIB dos economistas e o PIB do povo - 25/05/2014
O 'PIB do povo' cresceu mais do que o 'PIB dos economistas', mas à custa da
piora nas contas externas
Na terça feira da semana passada, ampla reportagem do jornal
"Valor" noticiou o entusiasmo do titular da Secretaria de Assuntos
Estratégicos da Presidência da República e meu colega da FGV, Marcelo Neri, com
os avanços sociais na última década e, em particular, no quadriênio de Dilma
Rousseff.
Adicionalmente o ministro apontou a defasagem que há entre a evolução do
produto per capita do país, também chamado de "PIB dos economistas",
e a renda pessoal medida pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios) do IBGE, o "PIB do povo".
Entre 2003 e 2012, ano da Pnad mais recente disponível, o PIB per capita
cresceu em termos reais 28%, enquanto a renda mediana domiciliar per capita
teve aumento de 78%! Houve defasagem na velocidade de crescimento dos PIBs
"do povo" e "dos economistas" de 50 pontos percentuais.
Marcelo é reconhecido como um dos melhores microeconomistas da área de
economia do trabalho no Brasil. Microeconomistas trabalham em geral com bases
de dados muito amplas e estudam em detalhe a natureza de cada indivíduo. Diz-se
que olham as árvores sem se preocupar com a floresta. Já os macroeconomistas
estudam a floresta sem se preocupar com cada uma de suas árvores.
O risco da análise macroeconômica é não notar pequenas dinâmicas que aos
poucos ganham corpo e acabam por ter impactos agregados importantes.
Já os microeconomistas correm o risco de não reconhecer que a dinâmica da
árvore pode depender de fatores agregados que estejam a atingir toda a
floresta. Por exemplo, é possível que a árvore esteja crescendo mais rápido
porque as condições climáticas alteraram-se transitoriamente, em favor do
crescimento. Quando o clima retor- nar ao padrão usual, a bonança perderá
fôlego.
Parece que esse longo período no qual o PIB do povo andou além do PIB dos
economistas foi acompanhado da construção de desequilíbrios em outras variáveis
macroeconômicas que colocam em xeque a manutenção do processo.
Entre 2003 e 2012, o deficit de transações correntes como proporção do PIB
elevou-se em 3,2 pontos percentuais. Como mostrei na semana passada, nesse
período os termos de troca, isto é, o preço da pauta exportadora em unidades da
pauta importadora, cresceu mais de 20%. Conta simples sugere que, se não
tivesse havido a alteração dos preços em nosso favor, a variação do deficit de
transações correntes entre 2003 e 2012 seria de mais de sete pontos percentuais
do PIB, visto que nesse período a absorção (consumo e investimento dos setores
público e privado) cresceu 60%, e o produto, 40%.
Ou seja, parece haver associação entre o fortíssimo crescimento do PIB do
povo além do PIB dos economistas e a elevação do deficit externo, que saiu de
um superavit de 1,76% do PIB em 2004 para um deficit hoje na casa de 4%.
Para verificar essa possível associação, tomei as Pnads de 1981 até 2012.
Calculei a renda individual mediana de todos os trabalhos a preços de 2012.
Essa será a minha medida do PIB do povo. Para o PIB dos economistas, considerei
o PIB per capita a preços de 2012.
Para cada um dos anos, tomei a diferença entre as taxas de crescimento do
PIB do povo e do PIB dos economistas entre 1981 e a referida data. Sempre que
essa estatística for positiva, significa que, entre 1981 e a referida data, o
PIB do povo andou além do PIB dos economistas. Quando for negativa, o PIB do
povo andou aquém do PIB dos economistas. Chamei essa variável de defasagem
entre os PIBs.
A má notícia é que a correlação entre o deficit de transações correntes e a
defasagem entre os PIBs é de 75%. Desde a década de 1980, três quartos da
variação do PIB do povo não explicada pela trajetória do PIB dos economistas
está associada à piora das contas externas.
Enquanto os microeconomistas do governo municiam a presidente e seus
auxiliares com informações positivas associadas ao bom desempenho do PIB do
povo, seria oportuno que os macroeconomistas do governo se debruçassem sobre o
problemão de arrumar a casa --isto é, reduzir o deficit externo, entre outras
coisas-- sem fazer com que o PIB do povo ande muito aquém do PIB dos
economistas.
SAMUEL PESSÔA, formado em física e doutor em economia pela USP, é pesquisador
do Instituto Brasileiro de Economia da FGV.
Samuel Pessôa
piora nas contas externas
Na terça feira da semana passada, ampla reportagem do jornal
"Valor" noticiou o entusiasmo do titular da Secretaria de Assuntos
Estratégicos da Presidência da República e meu colega da FGV, Marcelo Neri, com
os avanços sociais na última década e, em particular, no quadriênio de Dilma
Rousseff.
Adicionalmente o ministro apontou a defasagem que há entre a evolução do
produto per capita do país, também chamado de "PIB dos economistas",
e a renda pessoal medida pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios) do IBGE, o "PIB do povo".
Entre 2003 e 2012, ano da Pnad mais recente disponível, o PIB per capita
cresceu em termos reais 28%, enquanto a renda mediana domiciliar per capita
teve aumento de 78%! Houve defasagem na velocidade de crescimento dos PIBs
"do povo" e "dos economistas" de 50 pontos percentuais.
Marcelo é reconhecido como um dos melhores microeconomistas da área de
economia do trabalho no Brasil. Microeconomistas trabalham em geral com bases
de dados muito amplas e estudam em detalhe a natureza de cada indivíduo. Diz-se
que olham as árvores sem se preocupar com a floresta. Já os macroeconomistas
estudam a floresta sem se preocupar com cada uma de suas árvores.
O risco da análise macroeconômica é não notar pequenas dinâmicas que aos
poucos ganham corpo e acabam por ter impactos agregados importantes.
Já os microeconomistas correm o risco de não reconhecer que a dinâmica da
árvore pode depender de fatores agregados que estejam a atingir toda a
floresta. Por exemplo, é possível que a árvore esteja crescendo mais rápido
porque as condições climáticas alteraram-se transitoriamente, em favor do
crescimento. Quando o clima retor- nar ao padrão usual, a bonança perderá
fôlego.
Parece que esse longo período no qual o PIB do povo andou além do PIB dos
economistas foi acompanhado da construção de desequilíbrios em outras variáveis
macroeconômicas que colocam em xeque a manutenção do processo.
Entre 2003 e 2012, o deficit de transações correntes como proporção do PIB
elevou-se em 3,2 pontos percentuais. Como mostrei na semana passada, nesse
período os termos de troca, isto é, o preço da pauta exportadora em unidades da
pauta importadora, cresceu mais de 20%. Conta simples sugere que, se não
tivesse havido a alteração dos preços em nosso favor, a variação do deficit de
transações correntes entre 2003 e 2012 seria de mais de sete pontos percentuais
do PIB, visto que nesse período a absorção (consumo e investimento dos setores
público e privado) cresceu 60%, e o produto, 40%.
Ou seja, parece haver associação entre o fortíssimo crescimento do PIB do
povo além do PIB dos economistas e a elevação do deficit externo, que saiu de
um superavit de 1,76% do PIB em 2004 para um deficit hoje na casa de 4%.
Para verificar essa possível associação, tomei as Pnads de 1981 até 2012.
Calculei a renda individual mediana de todos os trabalhos a preços de 2012.
Essa será a minha medida do PIB do povo. Para o PIB dos economistas, considerei
o PIB per capita a preços de 2012.
Para cada um dos anos, tomei a diferença entre as taxas de crescimento do
PIB do povo e do PIB dos economistas entre 1981 e a referida data. Sempre que
essa estatística for positiva, significa que, entre 1981 e a referida data, o
PIB do povo andou além do PIB dos economistas. Quando for negativa, o PIB do
povo andou aquém do PIB dos economistas. Chamei essa variável de defasagem
entre os PIBs.
A má notícia é que a correlação entre o deficit de transações correntes e a
defasagem entre os PIBs é de 75%. Desde a década de 1980, três quartos da
variação do PIB do povo não explicada pela trajetória do PIB dos economistas
está associada à piora das contas externas.
Enquanto os microeconomistas do governo municiam a presidente e seus
auxiliares com informações positivas associadas ao bom desempenho do PIB do
povo, seria oportuno que os macroeconomistas do governo se debruçassem sobre o
problemão de arrumar a casa --isto é, reduzir o deficit externo, entre outras
coisas-- sem fazer com que o PIB do povo ande muito aquém do PIB dos
economistas.
SAMUEL PESSÔA, formado em física e doutor em economia pela USP, é pesquisador
do Instituto Brasileiro de Economia da FGV.
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