sábado, 18 de outubro de 2014

Chega de Lorota,






Chega de Lorota,



 por  ​Ana Fonseca*


Dois pontos no debate sobre o programa Bolsa-Família podem me tirar do sério.


O primeiro ponto diz respeito à participação do Banco Mundial (BM) na
unificação dos programas de transferência de renda. O segundo é a
comparação do Bolsa-Família com o Bolsa-Escola. Neste artigo, trato do
 primeiro ponto.


Participei do processo que deu origem ao programa Bolsa-Família e
sempre me surpreende ler e ouvir referencia a pessoas e instituições que
são apresentadas como protagonistas de um processo do qual não
participaram.


Esse é o caso daqueles que aludem à participação decisiva do Banco
Mundial na unificação dos programas. Bastaria uma consulta ao Banco.


O Banco não participou do desenho do programa. Aliás, a proposta de
unificação dos programas de transferência de renda já estava no plano de
governo do então candidato, Lula da Silva, no Relatório do Grupo de
Transição e tudo isso em 2002.


O programa Bolsa-Família é resultado de uma construção coletiva. A
narrativa que confere ao BM tal protagonismo não é inocente. A produção
de memórias é sempre parte de um campo de disputas de interesses.


Em que sentido é uma construção coletiva?


Ele se beneficia de experiências anteriores. Em 1995, em Campinas e
Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, e no Distrito Federal, foram
implantados programas de renda mínima que logo se espalharam por muitos
municípios. Ele se beneficia especialmente da experiência do munícipio
de São Paulo que logrou uma modesta integração entre o programa de Renda
Mínima da prefeitura paulista, o Bolsa Escola do governo federal e o
Renda Cidadã do governo estadual. Ele se beneficia do debate em torno do
projeto de 1991 do Eduardo Suplicy.



Ele se beneficia dos variados caminhos para a unificação, em 2003: a
Câmara de Política Social; a formação de um GT Interministerial (MS,
MEC, MAS, MESA, MME, MPOG e CEF) e  subgrupos  temáticos sob a
coordenação da Casa Civil  da Presidência; reuniões com  secretários
executivos dos ministérios da Saúde, Minas e Energia, Educação e
Assistência e Promoção Social;  reuniões com prefeitos e/ou secretários
municipais, com governadores e/ou secretários estaduais e a apresentação
dos resultados ao presidente e aos ministros; apresentação e debate  na
Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara de Deputados e nos
Conselhos Setoriais.


Com propriedade, o presidente Lula aprovou a expressão "Bolsa
Família, uma evolução dos programas de complementação de renda com
condicionalidades", em reconhecimento dos antecedentes múltiplos e
variados.


Cadê o Banco Mundial?  O gato não comeu, mas ele não esteve e não
está nos rumos escolhidos para o programa.  Nem poderia, pois o contrato
com o Banco Mundial foi assinado em 24/05/2005! O Bolsa- Família foi
lançado em  20/10/2003 e ao final daquele ano, o programa já atendia 3,6
milhões de famílias. Em dezembro de 2004 já eram 4.9 milhões de
famílias.  Os recursos do contrato com o Banco correspondiam ao montante
de US$ 569 milhões e a maior para o componente desembolso de renda e
outra parcela (US$ 2,36 milhões) para bens e serviços, incluindo
consultoria, treinamento e seminários.


Reconheço que o programa parece ter feito um bem ao banco. O selo de
um governo mais à esquerda caiu-lhe bem. Não sei se o BM está na origem
dessa ficção e não irei especular sobre isso. Em minha opinião, o Banco
Mundial melhorou muito sua imagem ao liga-lo ao Bolsa Família.


È importante lembrar que a imagem da instituição esteve associada às
chamadas reformas estruturais propugnadas pelo Banco: o risco dos países
medido por meio do FMI, BID e BIRD pelo alcance das reformas: a tese da
focalização e as redes mínimas de proteção social.


Tais reformas promoveram uma devastação na América Latina: segundo a
CEPAL, 40,5% das pessoas dos países da região, nos anos 80, eram  pobres
e 18,6% indigentes. Após 20 anos, em 2000, o percentual de pobres não
sofreu redução alguma e ainda cresceu 3,3pontos. A  pobreza extrema se
manteve indesejavelmente estável.


Para encerrar, reafirmo que a concepção e implementação do Bolsa
família prescindiu do BM. Seus acertos e seus erros fazem parte do
exercício da soberania brasileira. O programa é uma referência
internacional por seus méritos e é distinto dos programas que o
antecederam não somente pela diferença na escala, mas fundamentalmente
pela sua concepção, questão que deixo para um texto futuro.


Como sou brasileira, nordestina e cearense, a ficção criada em torno
de um protagonismo inexistente faz-me recordar a inesquecível voz
nordestina de Luiz Gonzaga: “é lorota, e das boa”.





*ANA FONSECA, 63, é pesquisadora do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da


Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi secretária-executiva do programa


Bolsa Família (2003).

Foi assim que Aécio levantou R$ 166 milhões

Foi assim que Aécio levantou R$ 166 milhões para 2012-2014? | Conversa Afiada

Foi assim que Aécio levantou
R$ 166 milhões para 2012-2014?

Aécio Neves e Eduardo Campos estariam unidos desde a eleição de 2012





Cartório autenticou assinatura de Danilo de Castro






O Procurador Federal de Minas
Gerais, Eduardo Morato Fonseca, recebeu do Sindicato dos Auditores
Fiscais de Minas Gerais (SINDIFISCO-MG), um documento que mostra uma
lista de políticos, partidos e empresas numa operação para,
supostamente,  financiar as campanhas eleitorais de 2012 para prefeitos e
vereadores.

Conversa Afiada tem a informação
de que o promotor Morato Fonseca encaminhou a documentação à
Procuradoria Geral da República, já que entre os suspeitos estão
políticos com direito a foro privilegiado.

No documento, onde se lê “consórcio” é possível entender que dele façam parte operações à margem da legislação eleitoral.

O
arquivo teria sido enviado ao candidato a Presidente Aécio Neves
(PSDB), em 4 de setembro de 2012, por Danilo de Castro, à época
Secretário de Estado de Governo de Minas e possível operador do esquema.
Nessas eleições, Castro coordenou a campanha de Pimenta da Veiga (PSDB) ao Governo de Minas.

A
movimentação financeira teria beneficiado partidos e políticos –
principalmente prefeitos e vereadores – nas eleições de 2012. Entre
eles, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que faleceu
este ano em acidente de avião. Teriam sido destinados R$ 2 milhões e 500
mil a Campos, conforme teria determinado Aécio Neves, como mostra o
documento, o que mostra uma suposta ligação entre ambos há, pelos menos,
dois anos.

Ao todo, 19 siglas teriam o caixa abastecido com o
esquema, como PSDB, PSB, DEM, PPS, PSD, PV, PP, PRB. Entre os políticos
citados, estão José Serra (PSDB), então candidato a prefeito em São
Paulo, que teria recebido R$ 3 milhões e 600 mil, o prefeito de Belo
Horizonte (MG), Marcio Lacerda (PSB), R$ 7 milhões, Arthur Virgilio
(PSDB), prefeito de Manaus (AM), R$ 600 mil, Geraldo Julio (PSB),
prefeito de Recife (PE) R$ 550 mil e o senador José Agripino Maia (DEM),
R$ 2 milhões e 300 mil “por intermédio” do deputado Gustavo Correia
(DEM-MG), de acordo com o documento.

Os recursos podem ter saído
de mais de 150 empresas dos mais diversos setores, como alimentação,
construção civil, bancos, associações e sindicatos. Algumas foram
citadas recentemente pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa,
em seu depoimento à Justiça Federal: Andrade Gutierrez, OAS, Queiroz
Galvão e Camargo Correa.

Chamam a atenção supostas doações de
grupos como Conselho Federal de Medicina, que se envolveu na polêmica do
programa Mais Médicos, que teria cedido R$ 40 mil, Federação Mineira
dos Hospitais R$ 45 mil, Federação das Santas Casas de MG com R$ 100
mil, Associação Espírita o Consolador com R$ 160 mil, Associação dos
cuidadores de idosos de MG, com R$ 200 mil, UGT (União Geral dos
Trabalhadores) R$ 50 mil e Sindicato dos ferroviários R$ 55 mil. Além de
bancos como o BMG, BGT Pactual, Santander, Itaú e Mercantil do Brasil.

Outras
que aparecem são empresas ligadas a governos, como a CEMIG, companhia
de energia de Minas, que teria doado R$ 6 milhões, a CODEMIG (Companhia
de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) R$ 3 milhões e a Fundep
(Fundação de desenvolvimento da Pesquisa) instituição que realiza a
gestão de projetos de ensino, pesquisa e extensão da UFMG (Universidade
Federal de Minas Gerais).

Alguns dos doadores já são denunciados
por participar de esquemas polêmicos. Um deles é o dono da Stillus
Alimentação Ldta, Alvimar Perrela, ex-presidente do Cruzeiro e irmão do
deputado Zezé Perrela. Segundo matéria de O Globo,
“ele é acusado de liderar um esquema de fraudes que o fez vencedor em
32 licitações com o governo de Minas para o fornecimento de quentinhas
para presídios do estado. No período de janeiro de 2009 a agosto de
2011, o grupo de empresas ligadas a Stillus Alimentação recebeu cerca R$
80 milhões em contratos firmados com a Secretaria de Estado de Defesa
Social de Minas”.
A Construtora Cowan,
uma das responsáveis pela construção do viaduto que caiu em Belo
Horizonte, de acordo com os documentos, teria cedido ao esquema R$ 650
mil.

Consta ainda a quantia de R$ 36 milhões e 800 mil que teria vindo de “outras fontes”, não esclarecidas.

O dinheiro arrecado teria irrigado, principalmente, as campanhas de PSDB, DEM e PSB.
Abaixo, o documento na íntegra:
































Em tempo: membros da oposição na Assembleia
Legislativa de Minas chegaram a convocar uma coletiva para divulgar esse
documento. Mas cancelaram, sobretudo, porque ele menciona  nomes que
fazem parte de um grupo que pode vir a apoiar o Governo de Fernando
Pimentel.

Em tempo2: Na ilustração do alto, o
amigo navegante pode observar que o documento com o timbre do 7o ofício
de notas de Belo Horizonte, situado à Rua dos Goytacases, número 43,
centro,  datado de 04/09/2012, teve a assinatura de Danilo de Castro
reconhecida no dia 02/10/2012, pelo escrevente Gustavo Correia Eunapio
Borges no 7o ofício de notas de Belo Horizonte.

Filiado ao PSDB-MG, foi Secretário de Estado do Governo de Minas Gerais e Deputado Federal, eleito por três vezes consecutivas.

Em tempo3: O Conversa Afiada
encaminhou este post ao Presidente do Tribunal Superior Eleitoral,
Ministro Dias Toffoli, com a pergunta: se for verdade, que Democracia e
que eleições são essas?

Em tempo4: atento amigo
navegante liga para observar que à cidade de Cláudio teriam sido
destinados R$ 300 mil , possivelmente ao Titio, e, talvez, antes de ele
manter a guarda da chave do aeroporto….




Paulo Henrique Amorim com Alisson Matos

As bases da nova direita, por Antônio Flávio Pierucci

As bases da nova direita, por Antônio Flávio Pierucci

As bases da nova direita, por Antônio Flávio Pierucci

Publicado pela revista Novos Estudos em 1987, As bases da nova direita
do professor Antônio Flávio Pierucci é um texto que captou muito bem, a
meu ver, um comportamento que talvez pela primeira vez na história
eleitoral do país tenha tomado dimensão tão expressiva.


A seguir, um trecho do texto (grifos meus).


Seus medos, seu dedo





Seu tique mais evidente é sentirem-se ameaçados pelos outros. Pelos
delinqüentes e criminosos, pelas crianças abandonadas, pelos migrantes
mais recentes, em especial os nordestinos (às vezes, dependendo do
bairro, por certos imigrados asiáticos também recentes, como é o caso
dos coreanos), pelas mulheres liberadas, pelos homossexuais
(particularmente os travestis), pela droga, pela indústria da
pornografia mas também pela permissividade "geral", pelos jovens, cujo
comportamento e estilo de pôr-se não estão suficientemente contidos nas
convenções nem são conformes com o seu lugar na hierarquia das idades,
pela legião de subproletários e mendigos que, tal como a revolução
socialista no imaginário de tempos idos, enfrenta-se a eles em cada
esquina da metrópole, e assim vai.





Eles têm medo. Abandonados e desorientados em meio a uma crise
complexa, geral, persistente, que além de econômica e política é
cultural, eles se crispam sobre o que resta de sua identidade em
perdição, e tudo se passa como



se tivessem decidido jogar todos os trunfos na autodefesa.
"Legítima defesa" é, assim, um termo-chave em seu vocabulário. Esta
autodefesa, que é prima facie a proteção de suas vidas, de suas casas e
bens, da vida e dahonra de seus filhos (suas filhas!), sua família, é
também a defesa de seus valores enquanto defesa de si. (Mas isto é ser
de direita?) Eles não apenas votaram nas candidaturas mais à direita nas
duas últimas eleições políticas realizadas no município de São Paulo;
eles trabalharam por essas candidaturas. São ativistas da direita; não
necessariamentemilitantes partidários, mas ativistas voluntários de pelo
menos uma das campanhas, a de Jânio Quadros em 1985 e a de Paulo Maluf
em 1986. A maioria deles o foi das duas. Não se trata, portanto, de
simples eleitores, nem chegam a ser militantes partidários propriamente
ditos. O nome ativistas sazonais, ou ativistas de campanha, denota com
mais precisão o grau de envolvimento político-eleitoral dos
entrevistados, assim como seu nível de informação política e de
estruturação ideológica.
  


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Brasil tem 5 milhões entre os 10% mais ricos

Brasil tem 5 milhões entre os 10% mais ricos - 15/10/2014 - Mercado - Folha de S.Paulo

Brasil tem 5 milhões entre os 10% mais ricos


















O Brasil tem 296 mil pessoas entre o 1% mais rico do mundo e mais de 5
milhões entre os 10% no topo, indica um relatório do banco Credit Suisse
lançado nesta terça (14). É mais do que os outros seis emergentes
citados no texto, exceto a China.





No mundo, afirma o Relatório de Riqueza Global,
o 1% mais rico detém mais de 48% da riqueza total. Esta, por sua vez,
subiu 8,3% desde o meados do ano passado, para US$ 263 trilhões, ou 16
vezes o PIB dos EUA –um recorde.





Apesar da crise global, o valor supera o dobro dos US$ 117 trilhões de
2000, graças à recuperação dos mercados imobiliário e de capitais.





No Brasil, porém, a riqueza média em dólar por indivíduo adulto avançou
menos de 0,5% do ano passado para este. Desde 2012, a primeira vez que o
país apareceu no relatório, ela caiu 19% (pesou o câmbio, mas também a
desaceleração da economia).





Ainda assim, nota o levantamento, a riqueza domiciliar média no país, em
dólar, triplicou de US$ 7.900 por adulto para US$ 23,4 mil por adulto
desde o ano 2000.





Há hoje no país 225 mil indivíduos com patrimônio acima de US$ 1 milhão
(R$ 2,39 milhões), mais do que os 221 mil que havia em 2013.





O índice de desigualdade, ressalta o texto, ainda é alto, devido à má
distribuição de renda resultante das disparidades educacionais e do
abismo entre os mercados formal e informal de trabalho.

mundo





A América do Norte foi a região que mais criou riqueza, com crescimento
de 11,4% desde meados de 2013, seguida pela Europa (10,6%). Nos dois
casos, o mercado de capitais foi o maior propulsor.





Já a Ásia puxou o avanço dos mercados emergentes, assim como em 2013,
com destaque para a China. O país tem hoje 1,2 milhão de milionários e
1,6 milhão de pessoas entre o 1% mais rico (os EUA, líderes, têm 18
milhões).





Segundo o relatório, uma pessoa precisa de um patrimônio de US$ 3.650
(R$ 8.720), descontadas dívidas, para estar na metade mais rica do
mundo. Para estar entre os 10%, são US$ 77 mil. Já para fazer parte do
1% mais rico, é preciso ter US$ 798 mil.



domingo, 12 de outubro de 2014

Por que as pessoas escrevem tão mal?

Por que as pessoas escrevem tão mal? 

Por que as pessoas escrevem tão mal?


07/09/2014 na edição 819
Tradução e edição: Fernanda Lizardo. Reprodução de artigo de Steven Pinker [“The Source of Bad Writing”, The Wall Street Journal, 25/9/2014]
















Por que tanta gente escreve tão mal? Por que é tão difícil entender uma
decisão de governo, ou um artigo acadêmico, ou as instruções para
configurar uma rede sem fio em casa?



A explicação mais popular é que a prosa opaca é uma escolha deliberada.
Burocratas insistem em fazer uso de jargões para cobrir sua anatomia.
Escritores de tecnologia de visual hispter se vingam dos
atletas que chutaram areia em seus rostos e das meninas que se recusaram
a namorá-los. Pseudointelectuais cheios de biquinhos usam de um
palavreado obscuro para esconder o fato de não terem nada a dizer, na
esperança de enganar seu público com jargões pretensiosos.



Mas esta teoria enganosa torna muito fácil demonizar as pessoas,
deixando-nos fora do gancho. Ao explicar qualquer falha humana, a
primeira ferramenta a qual recorro é a Navalha de Hanlon: nunca atribua à
malícia o que é adequadamente explicado pela estupidez. O tipo de
estupidez que tenho em mente não tem nada a ver com a ignorância ou o
baixo QI; na verdade, muitas vezes são os mais brilhantes e mais bem
informados que mais sofrem disso.



Frustrações diárias



Certa vez fui a uma palestra sobre biologia dirigida ao grande público
em uma conferência sobre tecnologia, entretenimento e design. A palestra
também estava sendo filmada para transmissão pela internet a milhões de
outros leigos. O orador era um biólogo ilustre que havia sido convidado
para explicar seu recente avanço nos estudos da estrutura do DNA. Ele
fez uma apresentação técnica repleta de jargões, adequada a seus colegas
biólogos moleculares, e logo ficou evidente para todos na sala que
ninguém entendia patavinas e ele estava perdendo o seu tempo. Evidente
para todos, isto é, exceto para o biólogo. Quando o anfitrião
interrompeu e pediu-lhe para explicar o trabalho de forma mais clara,
ele pareceu genuinamente surpreso e nem um pouco irritado. É desse tipo
de estupidez que estou falando.



É a chamada Maldição do Conhecimento: a dificuldade de imaginar como é
para alguém não saber algo que você sabe. O termo foi cunhado por
economistas para ajudar a explicar por que as pessoas não são tão
astutas na negociação quanto poderiam ser, sendo que muitas vezes
possuem informações que o seu adversário não tem. Os psicólogos às vezes
chamam isso de cegueira mental. Em um experimento didático para
comprová-la, uma criança vem ao laboratório, abre uma caixa de confeitos
de chocolate M&Ms e fica surpresa ao encontrar lápis ali. Não só a
criança pensa que outra criança que entrar no laboratório de alguma
forma saberá que a caixa está cheia de lápis, como vai dizer que ela
mesma sabia que havia lápis ali o tempo todo!



A Maldição do Conhecimento é a melhor explicação do porquê as pessoas
boas escrevem numa prosa ruim. Simplesmente não ocorre a elas que seus
leitores não sabem o que elas sabem – que não dominam o jargão de seu
meio, que não conseguem adivinhar os passos perdidos que parecem
demasiadamente óbvios para serem mencionados, que não têm como
visualizar uma cena que para elas é tão clara como o dia. E assim, o
escritor não se preocupa em explicar o jargão, ou em explicitar a
lógica, ou em fornecer os detalhes necessários.



Qualquer um que deseje acabar com a Maldição do Conhecimento primeiro
deve avaliar o quão diabólica é esta maldição. Tal como um bêbado que
está ébrio demais para perceber que não tem condições de dirigir, nós
não notamos a maldição porque ela mesma nos impede de perceber. Trinta
estudantes me mandaram arquivos de seus trabalhos com o nome
“trabalho.doc psicologia”. Se entro em um site de seguros de viagens,
devo decidir se clico em GOES, Nexus, GlobalEntry, Sentri, Flux ou FAST,
termos burocráticos que nada significam para mim. Meu apartamento está
cheio de gadgets dos quais nunca consigo me lembrar como utilizar por
causa de botões inescrutáveis que devem ser pressionados por um, dois ou
quatro segundos, às vezes dois de cada vez, e que muitas vezes fazem
coisas diferentes, dependendo de “modos” invisíveis acionados por outros
botões. Tenho certeza de que tudo estava perfeitamente claro para os
engenheiros que os projetaram.



Multiplique essas frustrações diárias por alguns bilhões de vezes, e
você começará a ver que a maldição do conhecimento é uma chatice
generalizada sobre os esforços da humanidade, a par com a corrupção,
doenças e entropia. Quadros de profissionais caríssimos – advogados,
contabilistas, gurus de computador, atendentes de suporte de empresas –
drenam enormes quantias de dinheiro da economia para esclarecer textos
mal redigidos.



Olhar para o outro



Há um velho ditado que diz: “Por falta de um prego a batalha foi
perdida”, e o mesmo vale para a falta de um adjetivo: a Carga da Brigada
Ligeira durante a Guerra da Crimeia é apenas o exemplo mais famoso de
um desastre militar causado por ordens vagas. O acidente nuclear de
Three Mile Island, em 1979, foi atribuído à má redação (operadores
interpretaram erroneamente o selo de uma luz de alerta), assim como
muitos acidentes aéreos fatais. O visual confuso da “cédula em
borboleta” entregue aos eleitores de Palm Beach na eleição presidencial
de 2000 levou muitos adeptos de Al Gore a votarem no candidato errado, o
que pode ter favorecido George W. Bush, mudando o curso da história.



Mas como podemos acabar com a Maldição do Conhecimento? O tradicional
conselho “sempre lembre-se do leitor sobre seu ombro” não é tão eficaz
quanto se poderia pensar. Nenhum de nós tem o poder de enxergar todos os
pensamentos alheios, de modo que se esforçar ao máximo para se colocar
no lugar de outra pessoa não faz de você muito mais preciso para
descobrir o que a pessoa sabe. Mas é um começo. Então é isso: “Ei, estou
falando com você. Seus leitores sabem muito menos sobre o assunto do
que você pensa, e a não ser que você rastreie o que você sabe e eles
não, certamente irá confundi-los”.



A melhor maneira de exorcizar a Maldição do Conhecimento é fechando o
ciclo, como os engenheiros dizem, e obter um retorno do universo dos
leitores, isto é, mostrar um projeto para pessoas semelhantes ao seu
público-alvo e descobrir se elas são capazes de acompanhá-lo. Os
psicólogos sociais descobriram que somos confiantes demais, às vezes ao
ponto da ilusão, a respeito de nossa capacidade de inferir o que as
outras pessoas pensam, até mesmo as pessoas mais próximas de nós.
Somente quando consultamos as pessoas é que descobrimos que o que é
óbvio para nós não é óbvio para elas.



O outro jeito de escapar da Maldição do Conhecimento é mostrando o
projeto para si, de preferência depois de ter se passado tempo
suficiente para o texto deixar de ser familiar. Se você é como eu, vai
se flagrar pensando: “O que eu quero dizer com isso?”, ou “Para onde
isso vai?”, ou muitas vezes “Quem escreveu esta porcaria?”. A forma pela
qual os pensamentos ocorrem a um escritor raramente é a mesma com que
são absorvidos por um leitor. Conselhos sobre a escrita não são
exatamente conselhos sobre como escrever, e sim como revisar.



Muitos dos conselhos aos escritores têm o tom de um conselho moral, de
como ser um bom escritor vai fazer de você uma pessoa melhor.
Infelizmente, para a justiça cósmica, muitos escritores talentosos são
canalhas, e muitos ineptos são o sal da terra. Mas o imperativo de
superar a Maldição do Conhecimento pode ser o pequeno conselho
profissional que mais se aproxima do conselho moral: sempre tente sair
de sua mentalidade provinciana e descubra como as outras pessoas pensam e
sentem. Pode não fazer de você uma pessoa melhor em todas as esferas da
vida, mas vai ser uma fonte de contínua bondade para com os seus
leitores.



[Steven Pinker é Professor de Psicologia na Universidade de Harvard
e presidente do Usage Panel of the American Heritage Dictionary.
Este artigo foi adaptado de seu livro “The Sense of Style: The Thinking Person's Guide to Writing in the 21st Century”.]



O chapeiro e o dono da padaria

O chapeiro e o dono da padaria

O chapeiro e o dono da padaria


Antonio Prata


O chapeiro e o dono da padaria


Não precisa ser marxista para concordar que as necessidades do chapeiro e do dono são diferentes
As vitórias da Dilma, no Nordeste, do Aécio, no Sudeste e a mesma
divisão mostrada pelo Datafolha para o segundo turno ressuscitaram o
velho preconceito de que pobre não sabe votar. Os mais ricos e
escolarizados escolheriam racionalmente e votariam no PSDB, enquanto os
mais pobres e com menos anos de estudo, iludidos pelas "esmolas" e
falsas promessas do governo, fechariam com o PT.
Essa ideia equivocada deriva de uma falsa premissa: a de que existiria o
voto certo e o errado. Candidaturas não representariam interesses
distintos de diferentes camadas da sociedade, mas sim a verdade ou a
mentira. Uma eleição não seria, portanto, uma escolha entre múltiplas
propostas, mas se assemelharia àquele golpe em que, sobre um tabuleiro,
uma pessoa vai rolando uma bolinha e a escondendo cada hora sob um de
três copos; no fim, você tem que descobrir qual copo esconde a bola,
quais estão vazios; qual candidatura é a certa, boa para todos, quais
são as vazias, querendo nos enganar.
Ora, bolas, o Nordeste não deu 60% dos votos à Dilma porque foi enganado
por ela. Deu porque, sob o PT, as condições de vida daqueles milhões de
eleitores melhoraram. E o mensalão? E o escândalo da Petrobras? E a
inflação? Nada disso conta? Não a ponto de escolherem outro candidato. É
um voto racional.
A mesma coisa vale para os 39,45% do Aécio no Sudeste. O sudeste é mais
rico, vê seus interesses representados pelo candidato, não precisa tanto
de programas sociais --só quer menos Estado, evidentemente, quem não
depende dele. E o mensalão mineiro? E o escândalo do metrô? E a compra
de votos pra reeleição? Nada disso conta? Não a ponto de escolherem
outro candidato. É um voto racional.
Na boa: você não precisa ser marxista-leninista pra concordar que as
necessidades do chapeiro são diferentes das do dono da padaria, vai?
Na quinta, Armínio Fraga e Guido Mantega foram entrevistados por Miriam
Leitão, na GloboNews. O que Armínio dizia era, numa livre tradução, que o
PT está quebrando a padaria e, caso isso aconteça, quem mais se
estrepará será o chapeiro. Mantega se defendia afirmando que a padaria
não está quebrando, só está com pouco movimento por conta da crise
mundial. E lembrava que, mesmo nesse período difícil, o Brasil manteve
contínuos aumentos de salário e seguiu contratando chapeiros. Armínio
rebatia que a crise já tinha passado e as outras padarias estão melhores
que a nossa e acusava o governo de só manter o emprego e o salário
nesses níveis na base da gambiarra. As planilhas estariam cheias de
araminho e fita isolante. É a crise!, se defendia Mantega, alegando que
na hora do dilúvio é mais importante botar a bacia embaixo da goteira
que consertar o buraco no teto. Uma hora o teto vai cair, vaticinava
Armínio. Com a gente, nunca caiu, se orgulhava Mantega, com vocês, caiu
três vezes! Era a crise, se defendia Armínio. O que importa é que as
pessoas estão bem, sorria Mantega. O que importa é que o balancete vai
mal, sorria Armínio.
E eu, que não sou chapeiro nem dono de padaria, fiquei com a sensação de
que os dois tinham razão e estavam errados, alternadamente.
ANTONIO PRATA, escritor e colunista

Dilma defende divulgação total da investigação da Operação Lava Jato -

Dilma defende divulgação total da investigação da Operação Lava Jato - Política - Estadão


Dilma defende divulgação total da investigação da Operação Lava Jato

Valmar Hupsel Filho, enviado especial a
Contagem (MG) - O Estado de S. Paulo
11 Outubro 2014 | 14h 39

Um dia depois de condenar os
"vazamentos seletivos" das investigações sobre os desvios de dinheiro na
Petrobrás, a presidente Dilma Rousseff (PT) defendeu neste sábado, 11, a
divulgação total de provas e depoimentos. "Para se divulgar, divulga-se
tudo", disse ela em Contagem, município da região metropolitana de Belo
Horizonte, onde desfilou em carro aberto e participou de ato político.


"Quero
saber todos os envolvidos e não vazamentos seletivos", completou,
argumentando que a divulgação seletiva durante a campanha eleitoral tem
intenções eleitoreiras e seriam "grande prejuízo para a democracia
brasileira".


Para Dilma, as provas e denuncias no bojo da Operação Lava
Jato "não estão sendo encaminhadas direito nessa fase". Ela afirmou que
já solicitou acesso a o que foi dito pelo ex-diretor de Abastecimento da
Petrobrás, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Yousseff, nas
delações premiadas para poder tomar providências. Segundo ela, o
presidente da República tem dever constitucional de apurar e só punir
quando tiver provas. "Sou a favor de, doa a quem doer, a pessoa tem que
responder o que faz sejam de qual partido sejam".


No estado de adversário político, Dilma provocou Aécio
questionando sua capacidade para ocupar cargos que ocupou no início da
carreira política. "Eu nunca virei vice-presidente da Caixa Econômica
Federal aos 25 anos. Todos os cargos que ocupei foram pelos meus méritos
e não por indicação", disse ela, diante de um discreto sorriso do
governador eleito Fernando Pimentel (PT).


Aécio foi nomeado vice-presidente da Caixa em maio de 1985
pelo então presidente José Sarney, que herdou a presidência da República
de Tancredo Neves, avô do hoje candidato tucano.


Ao citar o episódio, Dilma falava sobre aparelhamento da
máquina pública e havia dito que, durante governos tucanos, o
diretor-geral da Polícia Federal era um filiado ao PSDB. "Não há maior
aparelhamento da máquina do que colocar na direção-geral da Polícia
Federal um filiado a partido político", disse.





Dilma visitou o município de Contagem, um dos maiores colégios
eleitorais de Minas, na região metropolitana de Belo Horizonte. No
final da manhã, ela desfilou rapidamente em carro aberto pelo comércio
da cidade ao lado de Pimentel e do prefeito Carlin Moura (PcdoB).


Em seguida participou de um ato para a militância em um hotel
da cidade. No encontro, ela recebeu manifesto de apoio de dissidentes
PSB/Rede - o diretório nacional do partido apoia Aécio - da ala do PMDB
que apoiou Tarcísio Delgado, além de militantes do PRTB e PPL.


No primeiro turno, Dilma foi a candidata mais votada em Minas
com 43,45% contra 39,75% para Aécio. A petista venceu na maior parte do
estado, mas o tucano levou a melhor nas regiões mais populosas.

Antipetismo e ódio de classe | Brasil | EL PAÍS Brasil

Antipetismo e ódio de classe | Brasil | EL PAÍS Brasil

 Maria Eduarda Mota Rocha

Bastou o resultado do primeiro turno das eleições ser divulgado e,
mais uma vez, os insultos aos “nordestinos miseráveis analfabetos”
eleitores de Dilma Rousseff pipocaram nas redes sociais. Enquanto isso,
na grande imprensa, FHC reproduzia o preconceito em sua versão mais
douta e sutil, associando o voto ao PT aos “menos informados” que, por
“coincidência”, são os mais pobres.


Na raiz do problema, uma velha tradição brasileira: a ausência de um
arcabouço moral universalizado capaz de impor como dever o respeito a
todos os seres humanos, em sua dignidade fundamental. Os “nordestinos
miseráveis analfabetos” são a versão mais recente do que Jessé Souza
chamou de “ralé brasileira”. Ele mostra como, a partir das figuras do
escravo e do dependente, formou-se entre nós uma massa a quem se nega o
estatuto de “gente”.


No caso em questão, a dignidade desses tipos sociais é duplamente
negada. Primeiro, contesta-se o seu direito à manifestação mais
superficial de cidadania que é o voto. Eleitores tão desinformados não
deveriam votar, está implícito. Mas esta primeira recusa está
fundamentada em outra, muito mais profunda, que é a do direito ao
reconhecimento social já mencionado.


Ao fim e ao cabo, o que está em jogo é a grita contra a quebra do
monopólio de recursos vitais para a reprodução das elites e para a
manutenção do tipo obsceno de desigualdade que existe entre nós. Afinal,
os governos petistas empreenderam uma política de valorização do
salário mínimo e de distribuição de renda, o que fez cair a desigualdade
econômica de modo contínuo, embora em ritmo mais lento nos últimos
anos. A PEC das domésticas veio colocar mais lenha na fogueira porque,
ao regular este tipo de trabalho, atacou o mais claro resquício da
escravidão no país, uma relação que não tinha sequer uma jornada
estabelecida.


Mas foi sobretudo a democratização do acesso à universidade que feriu
os brios das elites nacionais, porque afetou diretamente um dos
mecanismos mais importantes para a sua reprodução: o acesso exclusivo ao
ensino superior. As novas universidades, a política de cotas, a
expansão das vagas convergiram para fazer muitas famílias verem um de
seus membros chegar pela primeira vez a este nível de escolaridade.


Para piorar a situação dos preconceituosos, já partir de 2006 as
políticas inclusivas do Governo provocaram uma mudança da base eleitoral
do PT, das classes médias mais escolarizadas para as classes populares,
como mostrou André Singer. Eles acertam quando identificam a composição
social do voto petista. Mas seu preconceito não os deixa ver que os
pobres tem boas razões para isso, mesmo que o Governo tenha deixado
intocados tantos outros monopólios, como o da própria mídia que agora o
ataca, e que tenha se paralisado no último mandato em áreas tão
importantes como a política cultural.


A corrupção é a cortina de fumaça para muitos – mas não para todos –
dos que repudiam o PT neste momento. A trajetória do partido faz os
escândalos que o envolvem soarem mais fétidos do que os demais, porque
ele começou a conquista do poder pelo legislativo, chamando para si a
função de fiscal do executivo, desde a redemocratização. Agora, a pecha
de “paladino da ética” é usada contra ele. Mas, todos sabemos (mesmo que
a grande mídia e os eleitores do PSDB façam questão de esquecer) que a
relação viciada entre o legislativo e o executivo é constitutiva da
política brasileira.


Tendo campanhas absurdamente caras, o Brasil vê chegar ao poder
partidos comprometidos com grandes empresas e congressistas que votam
por interesse, e não por convicção. Entretanto, por que os tantos
indignados com a corrupção não defendem a reforma política que podia
mudar esse estado de coisas? Porque a moralização do debate é uma forma
de evitar sua politização. Politização que, aliás, avançou muito pouco
durante o governo petista, o que agora pode lhe custar o Planalto. Os
jovens pobres parecem ver suas conquistas como meramente pessoais,
cedendo diante da ideia de meritocracia e esquecendo os fatores
estruturais e a ausência de políticas públicas que explicam porque as
gerações anteriores não tiveram as mesmas oportunidades. Por isso, a
onda conservadora pode crescer ainda mais.


Maria Eduarda Mota Rocha é pesquisadora e professora da Universidade Federal de Pernambuco

Comparando o Brasil de 2002 ao de 2013… segundo a OMS, a ONU, o Banco Mundial, o IBGE, o Unicef etc… |

Comparando o Brasil de 2002 ao de 2013… segundo a OMS, a ONU, o Banco Mundial, o IBGE, o Unicef etc… | Hildegard Angel


Comparando o Brasil de 2002 ao de 2013… segundo a OMS, a ONU, o Banco Mundial, o IBGE, o Unicef etc…




Leiam e tirem as suas próprias conclusões….


1. Produto Interno Bruto:


2002 – R$ 1,48 trilhões

2013 – R$ 4,84 trilhões



2. PIB per capita:

2002 – R$ 7,6 mil

2013 – R$ 24,1 mil



3. Dívida líquida do setor público:

2002 – 60% do PIB

2013 – 34% do PIB



4. Lucro do BNDES:


2002 – R$ 550 milhões

2013 – R$ 8,15 bilhões



5. Lucro do Banco do Brasil:

2002 – R$ 2 bilhões

2013 – R$ 15,8 bilhões



6. Lucro da Caixa Econômica Federal:

2002 – R$ 1,1 bilhões

2013 – R$ 6,7 bilhões



7. Produção de veículos:

2002 – 1,8 milhões

2013 – 3,7 milhões



8. Safra Agrícola:

2002 – 97 milhões de toneladas

2013 – 188 milhões de toneladas



9. Investimento Estrangeiro Direto:

2002 – 16,6 bilhões de dólares

2013 – 64 bilhões de dólares



10. Reservas Internacionais:

2002 – 37 bilhões de dólares

2013 – 375,8 bilhões de dólares



11. Índice Bovespa:

2002 – 11.268 pontos

2013 – 51.507 pontos



12. Empregos Gerados:

Governo FHC – 627 mil/ano

Governos Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano



13. Taxa de Desemprego:

2002 – 12,2%

2013 – 5,4%



14. Valor de Mercado da Petrobras:

2002 – R$ 15,5 bilhões

2014 – R$ 104,9 bilhões



15. Lucro médio da Petrobras:

Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano

Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano



16. Falências Requeridas em Média/ano:

Governo FHC – 25.587

Governos Lula e Dilma – 5.795



17. Salário Mínimo:

2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)

2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)



18. Dívida Externa em Relação às Reservas:

2002 – 557%

2014 – 81%



19. Posição entre as Economias do Mundo:

2002 – 13ª

2014 – 7ª



20. PROUNI – 1,2 milhões de bolsas


21. Salário Mínimo Convertido em Dólares:

2002 – 86,21

2014 – 305,00



22. Passagens Aéreas Vendidas:

2002 – 33 milhões

2013 – 100 milhões



23. Exportações:

2002 – 60,3 bilhões de dólares

2013 – 242 bilhões de dólares



24. Inflação Anual Média:

Governo FHC – 9,1%

Governos Lula e Dilma – 5,8%



25. PRONATEC – 6 Milhões de pessoas


26. Taxa Selic:

2002 – 18,9%

2012 – 8,5%



27. FIES – 1,3 milhões de pessoas com financiamento universitário


28. Minha Casa Minha Vida – 1,5 milhões de famílias beneficiadas


29. Luz Para Todos – 9,5 milhões de pessoas beneficiadas


30. Capacidade Energética:

2001 – 74.800 MW

2013 – 122.900 MW



31. Criação de 6.427 creches


32. Ciência Sem Fronteiras – 100 mil beneficiados


33. Mais Médicos (Aproximadamente 14 mil novos profissionais): 50 milhões de beneficiados


34. Brasil Sem Miséria – Retirou 22 milhões da extrema pobreza


35. Criação de Universidades Federais:

Governos Lula e Dilma – 18

Governo FHC - zero



36. Criação de Escolas Técnicas:

Governos Lula e Dilma – 214

Governo FHC - 0

De 1500 até 1994 – 140



37. Desigualdade Social:

Governo FHC - Queda de 2,2%

Governo PT – Queda de 11,4%



38. Produtividade:

Governo FHC - Aumento de 0,3%

Governos Lula e Dilma – Aumento de 13,2%



39. Taxa de Pobreza:

2002 – 34%

2012 – 15%



40. Taxa de Extrema Pobreza:

2003 – 15%

2012 – 5,2%



41. Índice de Desenvolvimento Humano:

2000 – 0,669

2005 – 0,699

2012 – 0,730



42. Mortalidade Infantil:

2002 – 25,3 em 1000 nascidos vivos

2012 – 12,9 em 1000 nascidos vivos



43. Gastos Públicos em Saúde:

2002 – R$ 28 bilhões

2013 – R$ 106 bilhões



44. Gastos Públicos em Educação:

2002 – R$ 17 bilhões

2013 – R$ 94 bilhões



45. Estudantes no Ensino Superior:

2003 – 583.800

2012 – 1.087.400



46. Risco Brasil (IPEA):

2002 – 1.446

2013 – 224



47. Operações da Polícia Federal:

Governo FHC - 48

Governo PT – 1.273 (15 mil presos)



48. Varas da Justiça Federal:

2003 – 100

2010 – 513



49. 38 milhões de pessoas ascenderam à Nova Classe Média (Classe C)


50. 42 milhões de pessoas saíram da miséria


FONTES:

47/48 - http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas

39/40 - http://www.washingtonpost.com

42 – OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU

37 – índice de GINI: www.ipeadata.gov.br

45 – Ministério da Educação

13 – IBGE

26 – Banco Mundial



Notícias, Informações e Debates sobre o Desenvolvimento do Brasil: www.desenvolvimentistas.com.br

DILMA MG

Dilma mostra a munição que pretende usar

Dilma mostra a munição que pretende usar contra Aécio nos debates; tucano se defende, mas pela metade « Viomundo - O que você não vê na mídia

Dilma mostra a munição que pretende usar contra Aécio nos debates; tucano se defende, mas pela metade

publicado em 12 de outubro de 2014 às 3:00
diretor


Acima, imagem reproduzida pelos Amigos do Presidente Lula; abaixo, do Tijolaço


radio


Da Redação


O tucano Aécio Neves defendeu-se neste sábado de acusação feita pela
petista Dilma Rousseff, de que foi nomeado aos 25 anos diretor da Caixa
Econômica Federal, durante o governo Sarney.


A nota oficial da Coligação Muda Brasil diz:


A candidata Dilma Rousseff deveria respeitar mais a inteligência dos brasileiros e o nível da campanha eleitoral.


Sem conseguir explicar porque nomeou e manteve Paulo Roberto
Costa e outros diretores suspeitos na Petrobras, tenta atacar os
adversários com denúncias infundadas, de 30 anos atrás.



O senador Aécio Neves foi nomeado para a diretoria da Caixa Econômica em 1985, de maneira transparente para todo o pais.


Desempenhou o cargo por cerca de um ano com a mesma competência e
integridade que marcaram sua passagem por outros cargos públicos. Ao
contrário dos indicados no governo Dilma.



E, ao contrário da candidata, que fez toda a sua vida através da
ocupação de cargos por indicação política, o senador possui 30 anos de
atividades exercidas sempre por delegação do povo.
Porém, em sua nota oficial, como notou o blog Amigos do Presidente Lula,
o candidato do PSDB omitiu que quando foi nomeado seu primo, Francisco
Dornelles, do PP, era ministro da Fazenda. Sarney herdou a presidência
com a morte do avô de Aécio, Tancredo Neves.


A nota também não tratou da emissora de rádio cuja concessão Aécio obteve por decisão de Sarney.


Abaixo, o discurso em que a candidata petista explicitou a munição
que pretende usar contra o adversário nos debates da reta final do
segundo turno.

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=lYD2FFFKvCk





Leia também:


Urariano Mota responde aos preconceituosos e racistas





Presidente do PSB apoia Dilma

Presidente do PSB apoia Dilma em nota e diz que partido trai luta de Campos - Notícias - UOL Eleições 2014

Leia abaixo a íntegra da carta aberta:

"Mensagem aos militantes do PSB e ao povo brasileiro

A
luta interna no PSB, latente há algum tempo e agora aberta, tem como
cerne a definição do país que queremos e, por consequência, do Partido
que queremos. A querela em torno da nova Executiva e o método patriarcal
de escolha de seu próximo presidente são pretextos para sombrear as
questões essenciais. Tampouco estão em jogo nossas críticas, seja ao
governo Dilma, seja ao PT, seja à atrasada dicotomia PT-PSDB –
denunciada, na campanha, por Eduardo e Marina como do puro e exclusivo
interesse das forças que de fato dominam o país e decidem o poder.


Ao
aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje
controla o partido, porém,  renega compromissos programáticos e
estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o
legado de seus fundadores – entre os quais me incluo – e menospreza o
árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e
democrática.


Esse caminhar tortuoso contradiz a
oposição que o Partido sustentou ao longo do período de políticas
neoliberais e desconhece sua própria contribuição nos últimos anos,
quando, sob os governos Lula dirigiu de forma renovadora a política de
ciência e tecnologia do Brasil e, na administração Dilma Rousseff,
ocupou o Ministério da Integração Nacional.      


Ao
aliar-se à candidatura Aécio Neves, o PSB traiu a luta de Eduardo
Campos, encampada após sua morte por Marina Silva, no sentido de
enriquecer o debate programático pondo em xeque a nociva e artificial
polarização entre PT e PSDB. A sociedade brasileira, ampla e
multifacetada, não cabe nestas duas agremiações. Por isso mesmo e,
coerentemente, votei, na companhia honrosa de Luiza Erundina, Lídice da
Mata, Antonio Carlos Valadares, Glauber Braga, Joilson Cardoso, Kátia
Born e Bruno da Mata, a favor da liberação dos militantes.     


Como
honrar o legado do PSB optando pelo polo mais atrasado? Em momento
crucial para o futuro do país, o debate interno do PSB restringiu-se à
disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e recompensas nos desvãos do
Estado. Nas ante-salas de nossa sede em Brasília já se escolhem os
ministros que o PSB ocuparia num eventual governo tucano. A tragédia do
PT e de outros partidos a caminho da descaracterização ideológica não
serviu de lição: nenhuma agremiação política pode prescindir da primazia
do debate programático sério e aprofundado. Quem não aprende com a
História condena-se a errar seguidamente.       


Estamos
em face de uma das fontes da crise brasileira: a visão pobre, míope,
curta, dos processos históricos, visão na qual o acessório toma a vez do
principal, o episódico substitui o estrutural, as miragens tomam o
lugar da realidade. Diante da floresta, o medíocre contempla uma ou
outra árvore. Perde a noção do rumo histórico.       


Ao
menosprezar seu próprio trajeto, ao ignorar as lições de seus
fundadores – entre eles João Mangabeira, Antônio Houaiss, Jamil Haddad e
Miguel Arraes –, o PSB renunciou à posição que lhe cabia na construção
do socialismo do século XXI, o socialismo democrático, optando pela
covarde rendição ao statu quo. Renunciou à luta pelas reformas que podem
conduzir a sociedade a um patamar condizente com suas legítimas
aspirações.


Qual o papel de um partido socialista no
Brasil de hoje? Não será o de promover a conciliação com o capital em
detrimento do trabalho; não será o de aceitar a pobreza e a exploração
do homem pelo homem como fenômeno natural e irrecorrível; não será o de
desaparelhar o Estado em favor do grande capital, nem renunciar à
soberania e subordinar-se ao capital financeiro que construiu a crise de
2008 e construirá tantas outras quantas sejam necessárias à expansão do
seu domínio, movendo mesmo guerras odientas para atender aos
insaciáveis interesses monopolísticos.       


O papel
de um partido socialista no Brasil de hoje é o de impulsionar a
redistribuição da riqueza, alargando as políticas sociais e promovendo a
reforma agrária em larga escala; é o de proteger o patrimônio natural e
cultural; é o de combater todas as formas de atentado à dignidade
humana; é o de extinguir as desigualdades espaciais do desenvolvimento; é
o de alargar as chances para uma juventude prenhe de aspirações; é o de
garantir a segurança do cidadão, em particular aquele em situação de
risco; é o de assegurar, através de tecnologias avançadas, a defesa
militar contra a ganância estrangeira; é o de promover a aproximação com
nossos vizinhos latino-americanos e africanos; é o de prover as
possibilidades de escolher soberanamente suas parcerias internacionais. É
o de aprofundar a democracia.      


Como presidente do
PSB, procurei manter-me equidistante das disputas, embora minha opção
fosse publicamente conhecida. Assumi a Presidência do Partido no grave
momento que se sucedeu à tragédia que nos levou Eduardo Campos; conduzi o
Partido durante a honrada campanha de Marina Silva. Anunciados os
números do primeiro turno, ouvi, como magistrado, todas as correntes e
dirigi até o final a reunião da Comissão Executiva que escolheu o
suicídio político-ideológico.


Recebi com bons modos a
visita do candidato escolhido pela nova maioria. Cumprido o papel a que
as circunstâncias me constrangeram, sinto-me livre para lutar pelo
Brasil com o qual os brasileiros sonhamos, convencido de que o apoio à
reeleição da presidente Dilma Rousseff é, neste momento, a única
alternativa para a esquerda socialista e democrática. Sem declinar das
nossas diferenças, que nos colocaram em campanhas distintas no primeiro
turno, o apoio a Dilma representa mais avanços e menos retrocessos, ou
seja, é, nas atuais circunstâncias, a que mais contribui na direção do
resgate de dívidas históricas com seu próprio povo, como também de sua
inserção tão autônoma quanto possível no cenário global.


Denunciamos
a estreiteza do maniqueísmo PT-PSBD, oferecemos nossa alternativa e
fomos derrotados: prevaleceu a dicotomia, e diante dela cumpre optar. E a
opção é clara para quem se mantém fiel aos princípios e à trajetória do
PSB.
O Brasil não pode retroagir.


Convido todos,
dentro e fora do PSB, a atuar comigo em defesa da sociedade brasileira,
para integrar esse histórico movimento em defesa de um país
desenvolvido, democrático e soberano. 


Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2014.

Roberto Amaral"

Uma eleição de muitos - 12/10/2014 - Janio de Freitas - Colunistas - Folha de S.Paulo

Uma eleição de muitos - 12/10/2014 - Janio de Freitas - Colunistas - Folha de S.Paulo

Uma eleição de muitos














As subidas e descidas da Bolsa e do dólar, a cada pesquisa ou a cada
boato da eleição presidencial, mostram bem o que é a chamada "elite
financeira" brasileira. E, por extensão, atingem a alardeada ética da
imprensa, da TV e das rádios.





As altas por euforia e as quedas por desalento eleitoral são reações
falsas. A Bolsa não espera mais do que um punhado de horas para provar a
falsidade. E o faz do modo mais objetivo e inequívoco. Já no dia
seguinte, a queda é sufocada por subidas, ou o inverso. Mas o motivo
alegado para a reação na véspera não cessou, sendo frequente que até
aumentasse, com resultados mais fortes do que o esperado das pesquisas e
pelos boatos.





A eleição presidencial é transformada em pretexto, pelos manipuladores
da Bolsa, para provocar os movimentos de alta e de baixa que alimentam o
jogo especulativo, com as valorizações e depreciações de papéis que não
precisam ser mais do que artificiosas. É o tal cassino, catedral do
capitalismo que gira em torno de lucros com juros e renda de ações, não
de produção. O capitalismo brasileiro.





Na imprensa, na TV e nas rádios, os movimentos da Bolsa a pretexto da
eleição ganham o seu papel de influência eleitoral. As quedas e as
subidas recebem destaque de fatos relevantes quando se prestam a
significar repulsa por determinado candidato. Se a subida ou queda não
trouxer tal possibilidade, a Bolsa terá o seu noticiário habitual.





Eleição presidencial no Brasil pós-ditadura não se decide entre
candidatos e respectivos partidos. Integram a disputa os candidatos, os
partidos, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e até a Bolsa
de Valores. Imprensa, TV e rádios também, claro, mas em outro diapasão,
porque participam das eleições como de tudo mais o tempo todo.





Registre-se a nota social, aliás, do Judiciário como debutante na
disputa eleitoral, em par com o Ministério Público (também chamado de
Procuradoria da República). Daí resultou a interessante coincidência, no
calendário, entre o primeiro turno eleitoral e a delação premiada sob
um novo sistema: o de sigilo judicial com alto-falante. E, ainda melhor,
esta outra obra do acaso, que foi o primeiro depoimento judicial de um
delator, com o previsível vazamento, logo no primeiro dia da disputa de
segundo turno.





Já que as coincidências estão aí, convém repor no seu lugar aquela com
que Fernando Henrique prova continuar querendo que se esqueça o que
disse, por escrito ou de viva voz. Em entrevista a Mário Magalhães e a
Josias de Souza, para o UOL, disse ele que "o PT está fincado nos menos
informados, que coincide de serem os mais pobres".





Não há como negar a interpretação de que a frase atribui o voto no PT a
inferioridades culturais e sociais, não existentes nos eleitores de
outros partidos. Ninguém, portanto, entre os muitos que viram na frase
uma divisão preconceituosa do eleitorado, mentiu sobre a autoria, a
própria frase e o seu sentido, como Fernando Henrique os acusa com
virulência. O blog do Mário Magalhães ainda remete para a entrevista.





Entre o Bolsa Família e a Bolsa de Valores, há mais do que uma disputa eleitoral entre os mal informados e os bem deformados.

sábado, 11 de outubro de 2014

Nada une tão fortemente como o ódio - nem o amor, nem a amizade, nem a admiração. (Anton Tchekhov)

Servidor público: segundo turno PT ou PSDB | Congresso em Foco

Servidor público: segundo turno PT ou PSDB | Congresso em Foco

Servidor público: segundo turno PT ou PSDB

Radiografia mostra, na visão de
Antonio Augusto de Queiroz, a forma que petistas e tucanos se
relacionaram com o serviço público de 1994 para cá















Antônio Augusto de Queiroz

Para possibilitar uma reflexão sobre as posturas do PT e do
PSDB em relação aos servidores públicos, tendo em vista a disputa no
segundo turno da eleição presidencial, levantamos alguns dados e
informações sobre a postura desses dois partidos no trato com o
funcionalismo federal no período em que governaram o País.


O primeiro aspecto a destacar diz respeito à forma de se relacionar com os servidores dos dois partidos.


Nos governos do PSDB no plano federal, a lógica foi “desregulamentar
direitos e regulamentar restrições”, e sem qualquer diálogo com as
entidades de servidores. Nos governos do PT houve uma mudança no padrão
de relação, saindo de uma relação autoritária para um sistema de
diálogo, ainda que com os conflitos próprios das negociações coletivas.


O segundo aspecto trata da reposição de pessoal, via concurso
público, para manter a máquina pública funcionando e atendendo à
população.


Nesse quesito parece evidente que enquanto os governos do PSDB
promoveram um verdadeiro desmonte, com extinção de órgãos e substituição
do concurso pela terceirização, o governo do PT fez o contrário, ou
seja, recompôs alguns órgãos e fez concursos regularmente para
praticamente todas as áreas de governo, embora tenha mantido um volume
bastante elevado de terceirizações e de cargos comissionados.


O terceiro aspecto se refere à comparação em termos de ganhos salariais nos dois governos.


Nos governos do PSDB, ao longo dos oito anos, não houve política
salarial, mas uma lógica de concessão de abonos e reajustes
diferenciados, e limitado a determinados grupos de servidores, que
resultaram em enorme arrocho salarial, a ponto de que nem mesmo os
setores contemplados tiveram reposta a inflação ou o poder de compra dos
salários.


Nos governos do PT, embora desde 2004 tenha sido deixada de lado a
revisão geral anual prevista no art. 37, X da Constituição, ocorreram de
forma sistemática reestruturações remuneratórias com aumento real para
todos os servidores, ainda que com disparidades de tratamento bastante
expressivas entre servidores em situações análogas. A mesa de negociação
permaneceu em funcionamento no Ministério do Planejamento, Orçamento e
Gestão, e mesas setoriais foram estabelecidas para debater questões
específicas relativas a ministérios, autarquias e fundações. Mesmo não
tendo havido aumento real ou mesmo a reposição da perda inflacionária no
período posterior à reestruturação, nenhum servidor recebeu abaixo da
inflação ao longo dos 12 anos. O governo Dilma não concedeu reajustes em
2011 e 2012, e os reajustes previstos para 2013, 2014 e 2015 são
inferiores à inflação acumulada em seu governo.


O quarto ponto cuida dos cortes de direitos dos servidores, aposentados e pensionistas nos dois governos.


Nos governos do PSDB, houve as reformas administrativa e
previdenciária, além da supressão ou redução de 50 direitos e vantagens
dos servidores, a desvinculação dos reajustes dos civis dos reajustes
dos militares e a burla ou quebra da paridade, com uma política de
gratificação salarial que prejudicou enormemente os aposentados e
pensionistas do serviço público. Veja no box (abaixo) a lista dos cortes anteriores às reformas.


Especificamente na reforma administrativa, a mudança tucana resultou:


1) no fim do Regime Jurídico Único;


2) na possibilidade de redução salarial, limitando a irredutibilidade ao vencimento básico;


3) na disponibilidade com remuneração proporcional;


4) no fim da estabilidade do servidor;


5) na desvinculação dos reajustes dos militares dos servidores civis;


6) na ampliação de dois para três anos do estágio probatório;


7) no fim da isonomia; e


8) na previsão de regulamentação da greve por lei ordinária.


No caso da reforma da previdência, as mudanças tucanas resultaram:


1) na transformação do tempo de serviço em tempo de contribuição;


2) na exigência de idade mínima de 60 anos para homens e 55 para
mulheres como requisito para aposentadoria de futuros servidores;


3) na exigência, para os servidores em exercício que estavam na regra
de transição, acréscimo (pedágio) de 20% ou 40% do tempo que faltava
para se aposentar com a idade mínima de 53 anos para homens e 48 para
mulheres, além do tempo de contribuição, respectivamente de 35 e 30 anos
para os sexos masculino e feminino;


4) na possibilidade de implantação do regime privado de previdência
complementar, com a conseqüente eliminação da aposentadoria integral
para os futuros servidores; e


5) no fim das aposentadorias especiais.


Nos governos do PT, também houve mudanças, porém limitadas aos
seguintes aspectos previdenciários, sem alcançar a reforma
administrativa:


1. instituição da cobrança de contribuição de inativos, de 11% sobre a
parcela que excede ao teto do INSS, lembrando que o PSDB já tinha
instituído isso e com percentual de até 25%, mas o STF havia declarado
inconstitucional;


2. instituição do redutor na pensão de 30% sobre a parcela que excede
ao teto do INSS, lembrando que a reforma proposta pelo PSDB, mas
rejeitada pela Câmara, propunha redução de 30% sobre a totalidade do
provento da aposentadoria e das pensões;


3. ampliação do tempo de contribuição como condição para fazer jus à aposentadoria integral;


4. instituição da previdência complementar por meio de lei ordinária,
que já estava prevista na reforma previdenciária do PSDB, porém
condicionada à aprovação de lei complementar. Diferencial importante,
porém, é a “natureza pública” da entidade fechada de previdência
complementar para servidores públicos, enquanto, na abordagem do PSDB,
seria permitida até mesmo a compra de planos de previdência privada em
seguradoras.


Paralelamente à votação da reforma da previdência do governo do PT
foi aprovada a chamada PEC paralela, que suavizou os efeitos perversos
da reforma original, e mais recentemente foi aprovada outra PEC
restabelecendo a integralidade no caso de aposentadoria por invalidez.


O quinto aspecto diz respeito ao que o governo do PT deixou de propor
ou de implementar e o governo do PSDB propôs que fosse feito em
prejuízo do servidor.


Nos governos do PSDB foi proposto o Projeto de Lei Complementar (PLP)
nº 248/98, já aprovado na Câmara e no Senado, aguardando apenas a
votação no plenário da Câmara de duas emendas do Senado, que disciplina a
perda de cargo público por insuficiência de desempenho do servidor
público estável, regulamentando o artigo  41, §1º, III, que prevê a
demissão em decorrência de desempenho insuficiente do servidor, e o
artigo 247 da Constituição, que determina o estabelecimento de critérios
e garantias especiais para a perda do cargo pelo servidor integrante de
carreira exclusiva de Estado.


Pelo projeto, que o governo do PT não teve interesse em aprovar, os
servidores poderiam ser demitidos se tivessem duas avaliações
insuficientes em dois anos consecutivos ou três ao longo de cinco anos.
Aprovou e implementou a Lei Rita Camata, incorporada na Lei de
Responsabilidade Fiscal, que limitou o gasto com pessoal a 50% da
receita líquida corrente, no caso da União, e a 60%, no caso dos estados
e municípios.


Os tucanos, por meio da Lei 9.801/99, previram e autorizaram a perda
de cargo público por excesso de despesa, regulamentando o § 4º do art.
169 da Constituição, mas no governo do PT não houve uma só demissão com
esse fundamento. Além disso, também aprovaram a Lei 9.962/00, prevendo
quebra do Regime Jurídico Único e autorizando a contratação na
administração pública pela CLT, mas o governo do PT não contratou
ninguém pelo novo sistema, embora tenha adotado, para a gestão de
hospitais públicos, o modelo da empresa pública (Ebserh), onde o regime é
celetista e não há estabilidade.


A contribuição previdenciária dos servidores, nas três gestões do PT
se manteve em 11%, enquanto a Lei 9.783/98, elaborada na gestão do PSDB,
declarada inconstitucional pelo STF, previa contribuição de até 25%.


O sexto e último ponto trata do que os servidores de suas entidades devem exigir dos candidatos à Presidência da República.


Nesse quesito, é importante registrar que a diferença de estilo e
método, que vigorou nos governos tucanos e petistas, podem ser alterada,
para uma direção ou para outra, daí a importância e a necessidade de
exigir compromisso dos candidatos no sentido de que:


a) Instituirá e cumprirá uma política salarial, que assegure a
preservação do poder de compra dos salários e atenda ao princípio da
isonomia (salário igual para trabalho igual);


b) Não desmontará o Aparelho de Estado, seja substituindo contratação
por terceirização, seja substituindo órgãos estatais por Organizações
Sociais, Serviços Sociais Autônomos ou ONGs na prestação de serviços
públicos;


c) Valorizará a meritocracia, priorizando o servidor de carreira para
a ocupação de cargos comissionados, inclusive regulamentando o art. 37,
V, da Constituição para limitar as situações de livre provimento;


d) Regulamentará a Convenção 151 da OIT e respeitará seus enunciados,
mantendo mesas permanentes de negociação com as entidades de
servidores;


e) Não insistirá na votação dos projetos de lei que limitam ainda
mais a despesa com pessoal em relação à despesa com pessoal da receita
corrente líquida nem reduzirá seus percentuais.


Todos sabemos que o próximo presidente, independentemente de quem
venha ser o eleito, fará um forte ajuste no gasto público, promovendo
reformas impopulares, como previdenciária e administrativa, e terá que
reajustar as tarifas públicas, especialmente de energia e combustíveis,
represadas em razão da política anticíclica adotada pelo atual governo
para amenizar os efeitos da crise sobre o país. A dúvida é sobre o
alcance e intensidade do ajuste e como será feito, se preservando os
programas sociais, os direitos dos trabalhadores, dos servidores, dos
aposentados e dos pensionistas, e sem vender patrimônio ou transferir
para os mais pobres a conta das crises internacionais.


Estes são os dados, informações e análises que gostaria de deixar
para a reflexão dos servidores e suas entidades. Embora a reprodução das
propostas e métodos não seja automática, os governos não costumam
abandonar suas ideias sobre o papel do Estado, especialmente quando a
equipe econômica mantém o mesmo perfil das gestões anteriores.


Levantamento do Diap sobre os mais de 50 direitos e vantagens dos servidores reduzidos ou suprimidos durante o Governo FHC





  1. Investidura – não havia previsão de provimento de
    quaisquer cargos com estrangeiros, exceto nas universidades e institutos
    de pesquisa. A partir de então admitiu-se a possibilidade de provimento
    de cargos por estrangeiro, desde que fora dessas áreas, de acordo com
    as normas e os procedimentos do RJU.
  2. Interinidade – o ocupante de cargo de confiança
    fica autorizado, interinamente, a exercer cumulativamente outro cargo de
    confiança vago, sem prejuízo das atribuições do que atualmente ocupa,
    devendo, entretanto, optar pela remuneração de um deles durante o
    período de interinidade.
  3. Ingresso e desenvolvimento de carreira – foram
    excluídas as formas de ascensão e acesso, em face de terem sido
    declaradas inconstitucionais. O governo retirou em 1995 o projeto de lei
    que fixava as diretrizes para os planos de carreira.
  4. Posse – fixou-se em trinta dias o prazo para posse,
    eliminando a possibilidade de prorrogação desse prazo, exceto para quem
    esteja impedido, cuja contagem se inicia a partir do término do
    impedimento.
  5. Exercício – foi reduzido de 30 para 15 dias o prazo
    para o servidor empossado entrar em exercício, contado da posse. A
    regra também valeu para cargo de confiança. O não cumprimento do prazo
    implica a exoneração do cargo ou, na hipótese de função de confiança, a
    anulação do ato de designação.
  6. Dedicação exclusiva – o servidor ocupante de cargo
    em comissão ou função de confiança que trabalhava em regime integral e
    dedicação exclusiva ficou sem direito a qualquer adicional ou vantagem
    quando convocado no interesse da Administração Pública.
  7. Cargo em comissão no estágio probatório – foi
    autorizado o exercício de cargo em comissão ou funções de direção,
    chefia ou assessoramento por servidor em estágio probatório,
    condicionando sua liberação para outro órgão ao exercício de cargo de
    Direção ou Assessoramento Superior (DAS), de níveis 6, 5 e 4 ou
    equivalente.
  8. Transferência – o artigo que previa o instituto de transferência foi revogado em razão da declaração de inconstitucionalidade.
  9. Readaptação – aumentou a exigência para readaptar,
    em cargo de atribuições afins, servidor que tenha sofrido limitação
    física ou mental. Foram acrescidos como requisitos: o nível de
    escolaridade e a equivalência de vencimentos. Na hipótese de
    inexistência de cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como
    excedente à lotação; até o surgimento de vaga.
10. Formas de exoneração e dispensa – as hipóteses
de exoneração de cargo e de dispensa de função poderiam ser previstas,
independentemente da aprovação do sistema de carreiras.


11. Remoção para acompanhar cônjuge – a remoção para
acompanhar o cônjuge ou companheiro no caso de deslocamento ficou
restrita à condição de ambos serem servidores públicos.


12. Substituição – o pagamento por substituição em função de direção e chefias passa a ocorrer quando a substituição for superior a trinta dias.


13. Reposição ao erário – ampliou-se de 10% para 25%
da remuneração os descontos em favor da União, ou integral, quando
constatado pagamento indevido no mês anterior. Retornou-se ao limite de
10% em 2000, por medida provisória.


14. Ajuda de custo – ficou vedado o pagamento duplo
de ajuda de custo, a qualquer tempo, no caso de o cônjuge ou
companheiro, que detenha também a condição de servidor, vier a ter
exercício na mesma localidade.


15. Servidor em débito – fixou-se em sessenta dias o
prazo para quitação de débito do servidor demitido, exonerado ou que
tiver sua aposentadoria ou disponibilidade cassada, ou para o servidor
cuja dívida seja superior cinco vezes sua remuneração.


16. Reposição de valor decorrente de liminar cassada
– foi fixado em 30 dias o prazo para devolução integral dos valores
percebidos pelo servidor em razão de decisão liminar que seja cassada ou
revista posteriormente.


17. Incorporação de gratificação – proibiu-se a
incorporação de gratificação – quintos e décimos – para os servidores
ativos e também aos proventos de aposentadoria, transformando as
vantagens já incorporadas em vantagem pessoal e desvinculando-a dos
cargos ativos.


18. Adicional por tempo de serviço – transformou-se o anuenio em quinquênio, limitando-o ao máximo de 35%, sendo logo em seguida extinto.


19. Conversão de 1/3 de férias – ficou proibida a venda de 1/3 de férias, vedando-se conversão de 10 dias em pecúnia.


20. Licença-prêmio – foi extinta a licença-prêmio de
três meses por cada cinco anos de exercício ininterrupto, como prêmio
de assiduidade. Em seu lugar, instituiu-se a licença para participar de
curso de capacitação, a critério da Administração Pública.


21. Licença para mandato classista – passam a ser
liberados, sem direito a remuneração, para exercício de mandato
classista em sindicato, federação ou confederação, um servidor por
entidade com até 5.000 associados, dois para entidades com entre 5.001 e
30.000 associados e três para entidade com mais de 30.000 filiados.


22. Contagem de tempo para aposentadoria
revogou-se o parágrafo único do art. 101 da Lei 8.112/90, que
arredondava para um ano o período superior a 180 dias para efeito de
aposentadoria, em decorrência de declaração de inconstitucionalidade
pelo STF.


23. Acúmulo de remuneração – proibiu-se o acúmulo de remuneração com proventos de aposentadoria.


24. Acúmulo de cargos – proibiu-se a acumulação de
cargos em comissão, exceto interinamente, vedando a remuneração pela
participação em órgãos de deliberação coletiva.


25. Rito sumário – foi instituído o rito sumário
para apuração e punição do servidor que acumular cargo ou emprego,
fixando em cinco dias o prazo para defesa a partir da citação.


26. Aposentadoria por invalidez – passou a ser
exigida junta médica oficial que deve caracterizar a incapacidade e a
impossibilidade de readaptação do servidor em outro cargo.


27. Acréscimo de remuneração na aposentadoria – foi
revogado o art. 192 da Lei º 8.112, que permitia ao servidor com tempo
para aposentadoria integral passar para a inatividade com a remuneração
do padrão da classe imediatamente superior àquela em que se encontra
posicionado.


28. Demissão de não-estáveis – ficou autorizada a
demissão dos servidores contratados sem concurso entre outubro de 1983 e
1998, mediante indenização de uma remuneração por ano de serviço.


29. Servidores do Banco Central – os funcionários do
Banco Central do Brasil foram enquadrados como servidores públicos
estatutários, em decorrência de decisão do STF.


30. Gratificações de localidade e de interinidade
foram extintas as gratificações especiais de localidade, devidas a
servidores em exercício em zonas inóspitas ou de precárias condições de
vida. Quem já recebia mantém o direito como vantagem pessoal
transitória.


31. Auxílio-alimentação – o tíquete refeição e alimentação foi transformado em pecúnia, sem garantia efetiva de correção.


32. Servidor candidato a cargo eletivo
restringiu-se para 90 dias o período de afastamento remunerado do
servidor que vier a concorrer a cargo eletivo, contrariando a Lei
Complementar nº 64/90.


33. Licença para acompanhar parente doente – o
direito à licença remunerada ficou restrito para prestar assistência a
familiares enfermos de 90 para 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias.
Limitou-se a licença sem remuneração para esta finalidade.


34. Limite máximo de remuneração (teto) – reduziu-se
o limite máximo de vencimentos de 90 para 80% da remuneração do
Ministro do Estado, estabelecendo-se a exclusão, para efeito do cálculo
do limite máximo de remuneração a que se refere o inciso II do artigo 37
da Constituição, das parcelas relativas à diferença de vencimentos
nominalmente identificada decorrente de enquadramentos e os décimos
incorporados.


35. Programa permanente de PDV, instituído como forma de pressionar o servidor a deixar o serviço público.


36. Disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço, criado como decisão unilateral dos governantes.


37. Incentivo à licença não remunerada superior a três anos.


38. Redução de jornada com redução proporcional de salário.


39. Regulamentação restritiva das chamadas carreiras exclusivas de Estado, que reúne no máximo 8% dos servidores por esfera de governo.


40. Adoção do contrato de emprego no serviço público, perdeu-se o direito à estabilidade e à aposentadoria integral.


41. Redução das despesas com pessoal, criada
mediante a Lei Rita Camata, e depois pela Lei de Responsabilidade
Fiscal, que fixou no máximo em 50% das receitas líquidas correntes para
gasto com servidores públicos federais.


42. Criação do limite prudencial de gastos com pessoal
(95% do limite permanente) com o fim de impedir a reestruturação de
carreiras, a concessão de vantagens e a contratação de pessoal quando
ultrapassado esse limite.


43. Adoção da previdência complementar no serviço público,
garantindo aposentadoria pelo Tesouro apenas até R$ 3.916,20, sendo
facultado ao servidor ingressar na previdência complementar na parcela
da remuneração que exceda a este valor.


44. Tentativa de elevar a contribuição previdenciária dos servidores para até 25%, com efeito confiscatório, a qual foi rejeitada pelo STF por meio de liminar na Adin 2010.


45. Desvinculação da remuneração de ativos e inativos
em cerca de 20 carreiras no serviço público, criando Gratificações de
Desempenho que não foram concedidas aos inativos e pensionistas daquelas
carreiras.


46. Condicionou a aposentadoria integral nas mesmas carreiras a 5 anos de exercício
com o recebimento da Gratificação de Desempenho e criou a figura da
reversão ao cargo antes ocupados para permitir que servidores
aposentados há menos de 5 anos voltem ao trabalho para poderem então
aposentar-se daqui a 5 anos com proventos integrais.


47. Limitação da despesa com aposentados e pensionistas a 12% da receita corrente líquida, a fim de reduzir os gastos com aposentados.


48. Proibição da concessão de liminares ao servidor público
sem garantias reais, ou seja, só obrigando o governo a pagar ganhos
judiciais de servidores após a decisão definitiva da Justiça.


49. Proibição da concessão de tutela antecipada em ações que envolvam remunerações e proventos de servidores públicos.


50. Restrição da substituição processual das entidades sindicais em ações contra o governo aos filiados residentes na área de jurisdição da vara ou tribunal.


51. Autorização do serviço voluntário, mediante contrato de adesão, sem qualquer remuneração por serviço prestado a entes governamentais.


52. Negação da data-base dos servidores, deixando-os sem o reajuste devido, inclusive por força de dispositivo constitucional.


53. Aumento do valor do imposto de renda sobre o rendimento assalariado, em função da não correção da tabela progressiva do IRPF, mesmo sem reajuste dos vencimentos.


54. Proibição da contagem de tempo rural para efeito de aposentadoria urbana, especialmente no serviço público.




Sobre o autor


Antônio Augusto de Queiroz
* Jornalista, analista
político, diretor de documentação do Departamento Intersindical de
Assessoria Parlamentar (Diap), idealizador e coordenador da publicação
Cabeças do Congresso. É autor dos livros
Por dentro do processo decisório – como se fazem as leis e Por dentro do governo – como funciona a máquina publica.