quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
GOLPISMO, "COMUNISMO", HIPOCRISIA E REFORMA POLÍTICA.
GOLPISMO, "COMUNISMO", HIPOCRISIA E REFORMA POLÍTICA.
GOLPISMO, "COMUNISMO", HIPOCRISIA E REFORMA POLÍTICA.
(Revista
Para
Apelam
Dizer
À
O
Quando
O
No
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Lava Jato: o crime é cartel
ContrapontoPIG
Lava Jato: o crime é cartel.
A Economia privada
é um cartel!
Empresas privadas usurparam o orgulho do povo brasileiro !
Conversa Afiada - 15/12/2014
“… é que se tratou de um caso clássico
em que o “principal”, ou seja, os acionistas, foi miseravelmente traído
por seus “agentes” (alguns administradores), o que ocorre com alguma
frequencia no setor privado”.
Delfim Netto, em “A verdadeira Petrobras”, na Carta Capital dessa semana.
É preciso esperar, toda semana, as reportagens de Fabio Serapião na Carta Capital para entender o que, de fato, resulta da Operação Lava Jato.
Essa
semana, a reportagem tem o título “o rio de lama corre para o mar” – “a
força-tarefa denuncia Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa e executivos
das empreiteiras. É só o início.”
É muito provável que o cartel
que se montou para explorar obras da Petrobras tenha também atuado na
refinaria Abreu e Lima e outras dez refinarias, no Comperj, na
Transpetro, no setor elétrico, em fundações de empresas estatais, na
construção e modernização de aeroportos, na Copasa de Minas, na Cedae do
Rio, e em contratos milionárias na Sabesp, dos tucanos paulistas.
Etc, etc, etc.
“Cartel”, como se sabe, é crime em todo lugar do mundo: empresas se reúnem para fixar preços.
Só
não é crime na São Paulo imaculada dos tucanos: o governador Padim Pade
Cerra considerou que “cartel” em São Paulo é imaculado: casa virgem.
É clube de bingo …
Mas, tucano, sabe como é, amigo navegante: é indígena, menor de idade e tem Alzheimer – é inimputável.
De volta ao bravo Serapião.
Ele
demonstra que o cartel funcionava com um núcleo duro das mesmas
empresas privadas, com cúmplices dentro da Petrobras, e um operador
financeiro, o Youssef.
As empresas privadas se reuniam, fixavam
os preços das concorrências de obras dentro de um pedaço de inúmeras
obras da Petrobras.
(Não há notícia de roubalheira na
exploração do pré-sal, sob a batuta do grande brasileiro Guilherme
Estrela, nem de conluio de bancos privados com a diretoria financeira do
Almir Barbassa).
Paulo Roberto Costa, registre-se, não era o presidente nem o dono da Petrobras.
Assim como Sérgio Machado, da Transpetro, não era presidente nem dono da Petrobras.
Eram executivos provavelmente cúmplices do cartel.
Paulo Roberto, instrumento do PP.
E Machado, do PMDB.
E através deles se consumava o crime contra a empresa e o povo brasileiro, acionista majoritário da Petrobras.
O cartel ganhava a concorrência fraudada.
O dinheiro precisava ser lavado e, em parte, enviado ao exterior.
Aí, entram os serviços do doleiro, que, por singularidade bem tupiniquim, só lavava dinheiro que prejudicasse o PT.
Nunca se viu doleiro com inclinação ideológica, mas, para o PiG, o Youssef só trapaceava se fosse para ferrar a Dilma.
Jamais lavou dinheiro de tucano gordo !
Quá, quá, quá !
Tantas fez o Youssef, mentiroso contumaz, que se tornou parte central do crime.
Não
só lavava dinheiro, como agenciava, ele próprio, a ação criminosa do
cartel de empresas privadas para vencer concorrências em outros campos
fora das diretorias do Paulo Roberto e do Sérgio Machado – e da
Petrobras.
Saiu por aí e foi a Pernambuco, onde manteve cordialíssimas relações com o governo de Eduardo Campos.
(Quem sabe o Youssef não identifica o dono do jatinho, aquele em que Blablarina viajou seis vezes ?)
O
esquema era assim: as empresas privadas se reúnem, fixam o preço,
subornam dois diretores da Petrobras, lavam o dinheiro com o Youssef, e o
Youssef monta crimes semelhantes em outras organizações estatais,
igualmente providas de cúmplices.
Youssef se torna banqueiro e empreendedor.
Claro que uma parte do dinheiro criminoso foi parar em partidos políticos e no bolso de políticos.
Não existe crime organizado que não se organize também na política.
(E no Judiciário, no Ministério Publico e na Polícia – Federal …)
Seria ingênuo supor que carteis de empresas privadas se formassem sem abastecer partidos políticos e políticos.
Com
a liberdade de empresas financiarem campanhas eleitorais, é óbvio: quem
monta carteis monta também uma estrutura de poder conivente.
Para subornar hoje, amanhã e depois.
Como subornou ontem e ante-ontem …
E
talvez por isso o Supremo ainda não tenha referendado a decisão da
maioria de 6 a 1 que proíbe dinheiro de empresas em campanha eleitoral.
Deve ser para estimular a roubalheira desenfreada que, institucionalmente, só pune pobre, preto, p … e petista !
O
que há de singular nesse episódio, amigo navegante, que, segundo a
Presidenta Dilma, permitiria que não ficasse pedra sobre pedra ?
(O Juiz Moro deixa antever alguma dúvida, porque, até agora, não meteu a mão em nenhum dono de empreiteira… Só pegou diretores, bagrinhos)
Nada de singular !
Nada !
É mais velho que a Sé de Braga, diria minha santa mãe.
São os mesmos e as mesmas práticas da Castelo de Areia, da Satiagraha, com a repetição dos rostos cansados, como nas novelas da Globo.
São sempre os mesmos.
A começar pelo Youssef, o doleiro de inclinação ideológica.
Qual a diferença entre essa patifaria em torno da Petrobras e no trensalão tucano ?
Nenhuma.
É um cartel, que contou com cúmplices no aparelho de Estado.
Com diferenças.
No caso do trensalão, um esquecido Procurador da República
trancou-o na gaveta por três anos e, depois, no Supremo, foi absolvido
com a rapidez e a eficiência com que se conferiu dois HCs Canguru a um
condenado a dez anos por crimes que fariam corar o Juiz Moro !
Com a Lava Jato do PT, o Juiz Moro foi veloz como um tigre.
No caso do trensalão tucano de São Paulo, a Justiça tem a rapidez da anta.
(O zé da Justiça também foi gentil com os tucanos: marcou a audiência do Cerra para DEPOIS da eleição)
A Lava Jato foi acompanhada de delações seletivas para o PiG ferrar a Dilma, o Lula e o PT.
Até aí, nada de novo.
A Lava Jato vai pegar algum político ?
O Janot vai se esquecer do Sérgio Guerra, do Cerra, do Álvaro Dias ?
É uma dúvida cruel.
Como
é uma dúvida cruel entender por que Casa Civil do Ministro Mercadante
ainda não publicou a regulamentação da lei que pune com 20% do
faturamento bruto a empresa que cometer crime.
Como diz o Serapião, o rio de lama corre para o mar.
O mar dos negócios privados no Brasil.
A cartelização da Economia privada brasileira é um escândalo.
Basta
ver o que acontece na Indústria da TV Aberta – oh ! Ley de Médios ! -,
onde se explora a céu aberto a Bonificação por Volume que o
SupremoTribunal Federal considerou crime !
E no setor de telefonia, o mais caro do mundo ?
Quem são os agentes estatais que permitem a cobrança de BV pela Globo ?
Quem foram os agentes estatais que permitiram a cartelização do setor de telefonia ?
(Na gestão do Príncipe da Privataria eles eram heróis “brilhantes” da Pátria !)
A
cartelização da Economia privada é um crime, como é um crime a
proliferação de agentes – como diz o Delfim – cúmplices nas empresas
estatais e nos partidos políticos.
Agora, de volta à Carta Capital, a notável artigo de Wanderley Guilherme dos Santos: “…
urge uma revisão estrutural no modo de operação do Estado brasileiro,
em seus órgãos de controle, não só a posteriori, mas de acompanhamento”.
Bingo, Wanderley !
O mesmo sistema institucional de acompanhamento da roubalheira na empresa privada brasileira precisa ser montado !
Não há corrupto sem corruptor.
Se
roubaram o orgulho do povo brasileiro, como disse o Dr Janot, há de ter
sido, também pela revelação de como a Economia privada brasileira,
cartelizada, opera !
O Dr Janot, Republicano, saberá tratar disso, com imparcialidade !
Assim como responsabilizará os políticos – de qualquer partido ! – cúmplices !
Não deixe de ler : “Lava Jato: o problema não é a Graça, mas o Governo !”
Paulo Henrique Amorim
domingo, 14 de dezembro de 2014
Ué, mas não são os cubanos que se infiltram clandestinamente?
Ué, mas não são os cubanos que se infiltram clandestinamente? | TIJOLAÇO |
Para os coxinhas que vivem falando em infiltração de Cuba e até aos
médicos cubanos quiseram chamar de “agentes de Fidel” recomenda-se a
leitura da matéria de hoje do insuspeito O Globo sobre as ações de sabotagem do governo americano na ilha:
“Por mais de dois anos, a Agência dos Estados Unidos para o
Desenvolvimento Internacional (Usaid) infiltrou-se secretamente no
movimento de hip-hop em Cuba e recrutou vários músicos para formar um
grupo de jovens contra o governo dos irmãos Castro, segundo documentos
obtidos pela agência Associated Press (AP). A ideia era usar os músicos
cubanos para romper o bloqueio informativo da ilha e criar uma rede de
jovens em busca de mudança social. A operação, no entanto, foi executada
com pouco profissionalismo e acabou fracassando, segundo a AP. A Usaid
nega que tenha havido ingerência secreta em Cuba.”
“(…)O programa também acabou prejudicando a ativa comunidade
hip-hop da ilha, cujas letras populares criticavam abertamente o governo
de Cuba. Alguns dos artistas promovidos pela agência americana saíram
do país ou deixaram de se apresentar por pressões do governo. Além
disso, um dos festivais mais populares de música independente da ilha
foi interrompido logo depois que as autoridades descobriram que o evento
estava vinculado, sem o seu consentimento, à Usaid.”
‘O programa foi concebido e desenhado (pela)empresa
Creative Associates International, que pagou milhões de dólares a várias
pessoas contratadas para minar o governo comunista de Cuba. Entre as
tarefas atribuídas aos funcionários estavam a criação de uma rede social chamada ZunZuneo, conhecida como o “Twitter cubano”, e o envio de jovens de alguns países latino-americanos à ilha para recrutar ativistas.
“A infiltração de artistas de hip-hop em Cuba foi executada pelo
sérvio Rajko Bozic, que se inspirou em uma série de concertos de
protesto do movimento estudantil que ajudou a derrubar o ex-presidente
sérvio Slobodan Milosevic, em 2000. A missão era recrutar dezenas de
músicos cubanos para projetos, disfarçados de atividades culturais, mas
que, na realidade, tinham como propósito dar visibilidade aos artistas e
estimular seus fãs a desafiarem o governo cubano”.
Ah, para não deixar de registrar: para O Globo, a infiltração a dinheir era para “promover mudanças em Cuba”. Esse é o nome, agora, de derrubada de governo.
Para os coxinhas que vivem falando em infiltração de Cuba e até aos
médicos cubanos quiseram chamar de “agentes de Fidel” recomenda-se a
leitura da matéria de hoje do insuspeito O Globo sobre as ações de sabotagem do governo americano na ilha:
“Por mais de dois anos, a Agência dos Estados Unidos para o
Desenvolvimento Internacional (Usaid) infiltrou-se secretamente no
movimento de hip-hop em Cuba e recrutou vários músicos para formar um
grupo de jovens contra o governo dos irmãos Castro, segundo documentos
obtidos pela agência Associated Press (AP). A ideia era usar os músicos
cubanos para romper o bloqueio informativo da ilha e criar uma rede de
jovens em busca de mudança social. A operação, no entanto, foi executada
com pouco profissionalismo e acabou fracassando, segundo a AP. A Usaid
nega que tenha havido ingerência secreta em Cuba.”
“(…)O programa também acabou prejudicando a ativa comunidade
hip-hop da ilha, cujas letras populares criticavam abertamente o governo
de Cuba. Alguns dos artistas promovidos pela agência americana saíram
do país ou deixaram de se apresentar por pressões do governo. Além
disso, um dos festivais mais populares de música independente da ilha
foi interrompido logo depois que as autoridades descobriram que o evento
estava vinculado, sem o seu consentimento, à Usaid.”
‘O programa foi concebido e desenhado (pela)empresa
Creative Associates International, que pagou milhões de dólares a várias
pessoas contratadas para minar o governo comunista de Cuba. Entre as
tarefas atribuídas aos funcionários estavam a criação de uma rede social chamada ZunZuneo, conhecida como o “Twitter cubano”, e o envio de jovens de alguns países latino-americanos à ilha para recrutar ativistas.
“A infiltração de artistas de hip-hop em Cuba foi executada pelo
sérvio Rajko Bozic, que se inspirou em uma série de concertos de
protesto do movimento estudantil que ajudou a derrubar o ex-presidente
sérvio Slobodan Milosevic, em 2000. A missão era recrutar dezenas de
músicos cubanos para projetos, disfarçados de atividades culturais, mas
que, na realidade, tinham como propósito dar visibilidade aos artistas e
estimular seus fãs a desafiarem o governo cubano”.
Ah, para não deixar de registrar: para O Globo, a infiltração a dinheir era para “promover mudanças em Cuba”. Esse é o nome, agora, de derrubada de governo.
Diário do Centro do Mundo
Diário do Centro do Mundo » ‘Exigir’ a saída de Graça Foster é uma manobra cínica e oportunista
A oposição exige que Dilma mande embora Graça Foster.
Um momento: exige?
Quantos votos a oposição teve? Bastaria que vencesse a eleição para que Graça fosse tirada da Petrobras.
Mas perdeu.
Então, não há o menor sentido em exigir nada.
O que a oposição está querendo, com a contribuição milionária da
imprensa, é fingir que os problemas na Petrobras se iniciaram com o PT.
Não adianta o delator Paulo Roberto Costa haver dito que a coisa vem
lá de trás, desde que ele se conhece como funcionário da Petrobras,
coisa da época de Sarney.
Não adianta também, nas evocações que são feitas hoje a Paulo
Francis, recordar que as denúncias dele diziam respeito à Petrobras de
FHC.
Mas eram outros tempos, aqueles de Francis.
Quando Francis falava – com sua costumeira leviandade – de corrupção na Petrobras, ninguém conectava a empresa a FHC.
Agora, qualquer coisa ruim na Petrobras é logo vinculada a Dilma, a Lula e ao PT.
É muita cara de pau da oposição exigir a cabeça de Graça antes que se comprove qualquer envolvimento dela com as delinquências.
Pela mesma lógica, Alckmin já deveria ter demitido o presidente do Metrô, indiciado na roubalheira.
Para não falar no conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Robson
Marinho, que continuou “fiscalizando” as despesas do governador de São
Paulo quando a Suíça já avisara fazia tempo que bloqueara uma conta
milionária dele por ter sido abastecida com propinas.
Alguém exigiu de Alckmin que fizesse alguma coisa? Jabor, Dora Kramer, Merval – qualquer um deles fez perorações moralistas sobre tais casos?
Entregar a cabeça de Graça apenas porque a oposição “exige” seria um sinal de extrema fraqueza de Dilma.
Se houver fatos concretos que a desabonem, que se faça o que tiver que ser feito.
Se não, que sejam criadas barreiras para que a Petrobras não seja
abjetamente usada por interesses políticos – algo que a rigor acontece
desde que ela foi fundada.
Antes de exigir qualquer coisa, a oposição – especificamente o PSDB –
deve à sociedade uma explicação sobre a denúncia de que um
ex-presidente seu, Sérgio Guerra, teria embolsado 10 milhões de reais em
troca de inviabilizar uma CPI.
Dias atrás, vazaram informações de que Aécio teria sofrido pressões
da Odebrecht para maneirar no caso Petrobras. Anotações vazadas pela
Polícia Federal sugerem que Aécio, sob pressão, teria escalado os
senadores Álvaro Dias e Mario Couto para “fazer circo”.
Com tudo isso ainda por ser esclarecido, é Graça quem tem que pagar a conta?
É muito cinismo.
Ou, para usar uma palavra tão usada por Aécio na sua fracassada campanha, muita leviandade.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
A oposição exige que Dilma mande embora Graça Foster.
Um momento: exige?
Quantos votos a oposição teve? Bastaria que vencesse a eleição para que Graça fosse tirada da Petrobras.
Mas perdeu.
Então, não há o menor sentido em exigir nada.
O que a oposição está querendo, com a contribuição milionária da
imprensa, é fingir que os problemas na Petrobras se iniciaram com o PT.
Não adianta o delator Paulo Roberto Costa haver dito que a coisa vem
lá de trás, desde que ele se conhece como funcionário da Petrobras,
coisa da época de Sarney.
Não adianta também, nas evocações que são feitas hoje a Paulo
Francis, recordar que as denúncias dele diziam respeito à Petrobras de
FHC.
Mas eram outros tempos, aqueles de Francis.
Quando Francis falava – com sua costumeira leviandade – de corrupção na Petrobras, ninguém conectava a empresa a FHC.
Agora, qualquer coisa ruim na Petrobras é logo vinculada a Dilma, a Lula e ao PT.
É muita cara de pau da oposição exigir a cabeça de Graça antes que se comprove qualquer envolvimento dela com as delinquências.
Pela mesma lógica, Alckmin já deveria ter demitido o presidente do Metrô, indiciado na roubalheira.
Para não falar no conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Robson
Marinho, que continuou “fiscalizando” as despesas do governador de São
Paulo quando a Suíça já avisara fazia tempo que bloqueara uma conta
milionária dele por ter sido abastecida com propinas.
Alguém exigiu de Alckmin que fizesse alguma coisa? Jabor, Dora Kramer, Merval – qualquer um deles fez perorações moralistas sobre tais casos?
Entregar a cabeça de Graça apenas porque a oposição “exige” seria um sinal de extrema fraqueza de Dilma.
Se houver fatos concretos que a desabonem, que se faça o que tiver que ser feito.
Se não, que sejam criadas barreiras para que a Petrobras não seja
abjetamente usada por interesses políticos – algo que a rigor acontece
desde que ela foi fundada.
Antes de exigir qualquer coisa, a oposição – especificamente o PSDB –
deve à sociedade uma explicação sobre a denúncia de que um
ex-presidente seu, Sérgio Guerra, teria embolsado 10 milhões de reais em
troca de inviabilizar uma CPI.
Dias atrás, vazaram informações de que Aécio teria sofrido pressões
da Odebrecht para maneirar no caso Petrobras. Anotações vazadas pela
Polícia Federal sugerem que Aécio, sob pressão, teria escalado os
senadores Álvaro Dias e Mario Couto para “fazer circo”.
Com tudo isso ainda por ser esclarecido, é Graça quem tem que pagar a conta?
É muito cinismo.
Ou, para usar uma palavra tão usada por Aécio na sua fracassada campanha, muita leviandade.
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Empreiteira associa valor de obra a doação
Empreiteira associa valor de obra a doação - 14/12/2014 - Poder - Folha de S.Paulo
DE BRASÍLIA
Planilhas apreendidas pela Polícia Federal na sede da Queiroz Galvão, em
São Paulo, indicam que a empreiteira vincula valores recebidos por
obras públicas a doações eleitorais a políticos e partidos.
O material foi recolhido em 14 de novembro, na sétima fase da Operação
Lava Jato, que investiga esquema de desvio de recursos na Petrobras.
Procurada pela Folha, a Queiroz Galvão confirmou que a planilha
"representa estudos preliminares de disponibilidade de recursos em cada
obra [...] e que poderiam ser utilizados para doações, segundo
avaliações ainda a serem realizadas".
A empresa disse que os números "não necessariamente se converteram em
doações" e que todas as feitas por ela "atenderam, estritamente, aos
limites permitidos pela lei".
Segundo a planilha, datada de 2014, para chegar ao valor da doação a
empresa fazia um cálculo sobre o valor recebido por determinada obra.
No caso do "VLT", uma provável referência ao Veículo Leve sobre Trilhos
da Baixada Santista, obra do governo de São Paulo, foi aplicada uma
fórmula sobre o "recebimento acumulado até med [medição]" de junho de
2014.
Após descontos, o valor chegava a "117.500", possivelmente R$ 117,5
milhões, sobre o qual incidia o cálculo de "1,5%" vezes "66%",
resultando numa doação de R$ 1,16 milhão. Esse valor constituía uma
"ProfPart", que a Queiroz Galvão reconheceu ser uma "Provisão Financeira
para o PSDB", partido do governador Geraldo Alckmin.
Assim, segundo o cálculo, dois terços do valor destinado a doações (1,5% do recebido líquido) foi para o PSDB.
Em outra planilha apreendida ao lado da primeira, esse exato valor é
atribuído ao "PSDB Nac. [nacional]". Outros políticos destinatários de
possíveis doações aparecem na planilha, com iniciais.
Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a empreiteira doou
R$ 3,7 milhões ao diretório nacional do PSDB nas eleições de 2014.
Outro valor anotado na planilha, associado a "LV1", possível referência a
obras do Metrô, associa R$ 2,75 milhões em doações a "GOR". A Queiroz
disse à Folha que se trata de referência ao candidato derrotado do PT no Estado, Alexandre Padilha.
A Queiroz Galvão doou R$ 3,5 milhões à campanha da presidente Dilma
Rousseff, mais R$ 11,1 milhões ao diretório nacional do PT, segundo os
dados na Justiça Eleitoral.
A empresa explicou outras iniciais: "J.S." é o senador eleito José Serra
(PSDB-SP), "P.S." é segundo colocado na eleição ao governo paulista,
Paulo Skaf (PMDB), e "E.A." é o presidente da Câmara, Henrique Eduardo
Alves (PMDB), derrotado na disputa estadual no Rio Grande do Norte.
Há outros valores associados a obras em São Paulo, como o CSS (Contorno
de São Sebastião) e CEML (Consórcio Monotrilho Leste), realizados pelo
governo estadual, e a ETGUA, uma referência à Estação de Tratamento de
Água de Guarulhos, na Grande São Paulo, esta executada pela Prefeitura
de Guarulhos.
O PSDB paulista disse, em nota, não existir "qualquer relação entre
doações, todas elas contabilizadas e declaradas, e contratos públicos".
Segundo a sigla, "o que existe é uma ginástica de blogs sujos pagos pelo
governo federal para tirar o foco das investigações que desnudam a
gestão petista na Petrobras".
O partido concluiu dizendo que "investigação séria envolve delações
premiadas e provas efetivas de corrupção --não o jornalismo de
planilha."
A assessoria da Prefeitura de Guarulhos não foi localizada para comentar.
A Queiroz Galvão ressaltou que "todos os anos" recebe "diversas
solicitações originárias de vários departamentos da empresa para
diferentes partidos e candidatos. As solicitações são avaliadas, não
sendo aprovadas até decisão final da companhia".
Escândalo na Petrobrás
Empreiteira associa valor de obra a doação
Planilha apreendida indica que Queiroz Galvão calcula repasses a siglas e candidatos com base em contratos públicos
Empresa confirma que anotações se referem a políticos do PSDB, PT e PMDB e diz que cifras são doações em estudo
RUBENS VALENTE GABRIEL MASCARENHASEmpresa confirma que anotações se referem a políticos do PSDB, PT e PMDB e diz que cifras são doações em estudo
DE BRASÍLIA
Planilhas apreendidas pela Polícia Federal na sede da Queiroz Galvão, em
São Paulo, indicam que a empreiteira vincula valores recebidos por
obras públicas a doações eleitorais a políticos e partidos.
O material foi recolhido em 14 de novembro, na sétima fase da Operação
Lava Jato, que investiga esquema de desvio de recursos na Petrobras.
Procurada pela Folha, a Queiroz Galvão confirmou que a planilha
"representa estudos preliminares de disponibilidade de recursos em cada
obra [...] e que poderiam ser utilizados para doações, segundo
avaliações ainda a serem realizadas".
A empresa disse que os números "não necessariamente se converteram em
doações" e que todas as feitas por ela "atenderam, estritamente, aos
limites permitidos pela lei".
Segundo a planilha, datada de 2014, para chegar ao valor da doação a
empresa fazia um cálculo sobre o valor recebido por determinada obra.
No caso do "VLT", uma provável referência ao Veículo Leve sobre Trilhos
da Baixada Santista, obra do governo de São Paulo, foi aplicada uma
fórmula sobre o "recebimento acumulado até med [medição]" de junho de
2014.
Após descontos, o valor chegava a "117.500", possivelmente R$ 117,5
milhões, sobre o qual incidia o cálculo de "1,5%" vezes "66%",
resultando numa doação de R$ 1,16 milhão. Esse valor constituía uma
"ProfPart", que a Queiroz Galvão reconheceu ser uma "Provisão Financeira
para o PSDB", partido do governador Geraldo Alckmin.
Assim, segundo o cálculo, dois terços do valor destinado a doações (1,5% do recebido líquido) foi para o PSDB.
Em outra planilha apreendida ao lado da primeira, esse exato valor é
atribuído ao "PSDB Nac. [nacional]". Outros políticos destinatários de
possíveis doações aparecem na planilha, com iniciais.
Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a empreiteira doou
R$ 3,7 milhões ao diretório nacional do PSDB nas eleições de 2014.
Outro valor anotado na planilha, associado a "LV1", possível referência a
obras do Metrô, associa R$ 2,75 milhões em doações a "GOR". A Queiroz
disse à Folha que se trata de referência ao candidato derrotado do PT no Estado, Alexandre Padilha.
A Queiroz Galvão doou R$ 3,5 milhões à campanha da presidente Dilma
Rousseff, mais R$ 11,1 milhões ao diretório nacional do PT, segundo os
dados na Justiça Eleitoral.
A empresa explicou outras iniciais: "J.S." é o senador eleito José Serra
(PSDB-SP), "P.S." é segundo colocado na eleição ao governo paulista,
Paulo Skaf (PMDB), e "E.A." é o presidente da Câmara, Henrique Eduardo
Alves (PMDB), derrotado na disputa estadual no Rio Grande do Norte.
Há outros valores associados a obras em São Paulo, como o CSS (Contorno
de São Sebastião) e CEML (Consórcio Monotrilho Leste), realizados pelo
governo estadual, e a ETGUA, uma referência à Estação de Tratamento de
Água de Guarulhos, na Grande São Paulo, esta executada pela Prefeitura
de Guarulhos.
O PSDB paulista disse, em nota, não existir "qualquer relação entre
doações, todas elas contabilizadas e declaradas, e contratos públicos".
Segundo a sigla, "o que existe é uma ginástica de blogs sujos pagos pelo
governo federal para tirar o foco das investigações que desnudam a
gestão petista na Petrobras".
O partido concluiu dizendo que "investigação séria envolve delações
premiadas e provas efetivas de corrupção --não o jornalismo de
planilha."
A assessoria da Prefeitura de Guarulhos não foi localizada para comentar.
A Queiroz Galvão ressaltou que "todos os anos" recebe "diversas
solicitações originárias de vários departamentos da empresa para
diferentes partidos e candidatos. As solicitações são avaliadas, não
sendo aprovadas até decisão final da companhia".
Bombardeio tira R$ 100 bi das ações da Petrobras
Bombardeio tira R$ 100 bi das ações da Petrobras | Brasil 24/7
Bombardeio tira R$ 100 bi das ações da Petrobras
O massacre a que vem sendo submetida a Petrobras,
seja na Operação Lava Jato ou nas denúncias diárias na imprensa, como a
mais recente, da ex-funcionária Venina Velosa, já fizeram uma vítima: o
investidor em ações da companhia; em apenas três meses, a empresa
comandada por Graça Foster perdeu 45% de seu valor e a estatal, antes
avaliada em R$ 229 bilhões, hoje vale R$ 127 bilhões; na vida real, no
entanto, a realidade é outra; embora não tenha divulgado seu balanço, a
empresa revelou que suas vendas cresceram 13,7% no trimestre e atingiram
R$ 88,3 bilhões; a Petrobras nunca esteve tão barata, mas ninguém sabe
até onde irá o bombardeio – e a queda nas ações
247 - Em
apenas três meses, mais de R$ 100 bilhões evaporaram das ações da
Petrobras. Em setembro deste ano, antes da fase mais aguda da Operação
Lava Jato, a Petrobras tinha um valor de mercado de R$ 229 bilhões.
Ontem, após mais um tombo, de 5,82%, o valor era de R$ 127 bilhões. Na
prática, em 90 dias, a queda foi de 45%.
Nesse período, houve uma queda
acentuada nos preços do barril do petróleo, que recuaram de US$ 100 para
US$ 60, mas o bombardeio diário a que a Petrobras vem sendo submetida
tem peso significativo na explicação para a queda dos papéis. Ontem, a
empresa adiou, pela segunda vez, a divulgação do seu balanço. O motivo
foi a divergência, entre os membros do conselho de administração, sobre
os valores que deveriam ser cortados dos ativos, diante das denúncias de
corrupção que atingem a companhia.
A tempestade contra a Petrobras vem
de várias frentes. No Paraná, procuradores da Lava Jato mantêm presos
fornecedores da estatal, num movimento que gera consequências em todas a
cadeia produtiva. Tanto a Engevix quanto a OAS já anunciaram mais de
mil demissões, cada uma, em seus estaleiros. Nos Estados Unidos, bancas
de advocacia aproveitam o momento negativo para ingressar com ações
judiciais contra empresa. E, na imprensa, a maré diária de denúncias foi
reforçada por uma nova personagem, a geóloga Venina Velosa, que, agora,
é vista pela oposição como um instrumento capaz de derrubar a
presidente Graça Foster e, assim, abrir o caminho para tentar atingir a
própria presidente Dilma Rousseff.
O bombardeio é intenso, mas o fato é
que, na vida real, a realidade da Petrobras é menos negativa do que
parecem. Embora não tenha divulgado seu lucro, que era estimado por
analistas em cerca de R$ 5 bilhões para o trimestre, a Petrobras soltou
um número: o crescimento de 13,7% nas vendas, que foram a R$ 88,3
bilhões. Além disso, a queda no barril do petróleo eliminou o discurso
dos críticos, que, até recentemente, apontavam 'defasagem' nos preços da
gasolina. Na prática, a estatal melhorou suas margens de lucro. Para
completar, numa entrevista recente, o principal executivo da francesa
Total, sócia da Petrobras no campo de Libra, afirmou que o barril a US$
60 não ameaça a rentabilidade dos investimentos no pré-sal.
A Petrobras nunca esteve tão barata,
mas isso não significa, no entanto, que o investimento na empresa
esteja imune a mais trovoadas. Como não divulgou seu balanço, a empresa
terá dificuldades para acessar o mercado de capitais em 2015. Por isso
mesmo, a empresa deve cortar gastos e investimentos em 2015 para, assim,
preservar seu caixa, de mais de R$ 62 bilhões. E quanto mais tempo
durar a crise, pior será para a empresa.
Graça Foster mantida
Apesar de todas as pressões, a
presidente já deu vários sinais de que pretende manter a presidente da
companhia, Graça Foster. O mais contundente quando o procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, numa declaração que extrapola suas funções,
cobrou a demissão de toda a diretoria. Imediatamente, Dilma cobrou do
ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que questionasse Janot sobre
eventuais indícios contra Graça e os atuais diretores. Janot disse que
não e Cardozo, em seguida, chamou uma coletiva para tornar pública essa
posição.
Embora a oposição pretenda
transformar Venina Velosa num instrumento para a queda de Graça, por
prevaricação, dificilmente será bem-sucedida nessa nova empreitada.
Venina foi demitida da Petrobras após ser responsabilizada por
sobrepreços na área de Abastecimento, do ex-diretor Paulo Roberto Costa,
a quem assessorou. E só tornou públicas suas acusações após a demissão.
Resta, agora, a pressão para que
Graça saia com o argumento de que, assim, será possível abrir caminho
para uma retomada da confiança na empresa. Nada indica, no entanto, que
Dilma esteja disposta a abrir mão de uma de suas mais importantes
auxiliares.
Bombardeio tira R$ 100 bi das ações da Petrobras
O massacre a que vem sendo submetida a Petrobras, seja na Operação Lava Jato ou nas denúncias diárias na imprensa, como a
mais recente, da ex-funcionária Venina Velosa, já fizeram uma vítima: o
investidor em ações da companhia; em apenas três meses, a empresa
comandada por Graça Foster perdeu 45% de seu valor e a estatal, antes
avaliada em R$ 229 bilhões, hoje vale R$ 127 bilhões; na vida real, no
entanto, a realidade é outra; embora não tenha divulgado seu balanço, a
empresa revelou que suas vendas cresceram 13,7% no trimestre e atingiram
R$ 88,3 bilhões; a Petrobras nunca esteve tão barata, mas ninguém sabe
até onde irá o bombardeio – e a queda nas ações
13 de Dezembro de 2014 às 17:10
apenas três meses, mais de R$ 100 bilhões evaporaram das ações da
Petrobras. Em setembro deste ano, antes da fase mais aguda da Operação
Lava Jato, a Petrobras tinha um valor de mercado de R$ 229 bilhões.
Ontem, após mais um tombo, de 5,82%, o valor era de R$ 127 bilhões. Na
prática, em 90 dias, a queda foi de 45%.
Nesse período, houve uma queda
acentuada nos preços do barril do petróleo, que recuaram de US$ 100 para
US$ 60, mas o bombardeio diário a que a Petrobras vem sendo submetida
tem peso significativo na explicação para a queda dos papéis. Ontem, a
empresa adiou, pela segunda vez, a divulgação do seu balanço. O motivo
foi a divergência, entre os membros do conselho de administração, sobre
os valores que deveriam ser cortados dos ativos, diante das denúncias de
corrupção que atingem a companhia.
A tempestade contra a Petrobras vem
de várias frentes. No Paraná, procuradores da Lava Jato mantêm presos
fornecedores da estatal, num movimento que gera consequências em todas a
cadeia produtiva. Tanto a Engevix quanto a OAS já anunciaram mais de
mil demissões, cada uma, em seus estaleiros. Nos Estados Unidos, bancas
de advocacia aproveitam o momento negativo para ingressar com ações
judiciais contra empresa. E, na imprensa, a maré diária de denúncias foi
reforçada por uma nova personagem, a geóloga Venina Velosa, que, agora,
é vista pela oposição como um instrumento capaz de derrubar a
presidente Graça Foster e, assim, abrir o caminho para tentar atingir a
própria presidente Dilma Rousseff.
O bombardeio é intenso, mas o fato é
que, na vida real, a realidade da Petrobras é menos negativa do que
parecem. Embora não tenha divulgado seu lucro, que era estimado por
analistas em cerca de R$ 5 bilhões para o trimestre, a Petrobras soltou
um número: o crescimento de 13,7% nas vendas, que foram a R$ 88,3
bilhões. Além disso, a queda no barril do petróleo eliminou o discurso
dos críticos, que, até recentemente, apontavam 'defasagem' nos preços da
gasolina. Na prática, a estatal melhorou suas margens de lucro. Para
completar, numa entrevista recente, o principal executivo da francesa
Total, sócia da Petrobras no campo de Libra, afirmou que o barril a US$
60 não ameaça a rentabilidade dos investimentos no pré-sal.
A Petrobras nunca esteve tão barata,
mas isso não significa, no entanto, que o investimento na empresa
esteja imune a mais trovoadas. Como não divulgou seu balanço, a empresa
terá dificuldades para acessar o mercado de capitais em 2015. Por isso
mesmo, a empresa deve cortar gastos e investimentos em 2015 para, assim,
preservar seu caixa, de mais de R$ 62 bilhões. E quanto mais tempo
durar a crise, pior será para a empresa.
Graça Foster mantida
Apesar de todas as pressões, a
presidente já deu vários sinais de que pretende manter a presidente da
companhia, Graça Foster. O mais contundente quando o procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, numa declaração que extrapola suas funções,
cobrou a demissão de toda a diretoria. Imediatamente, Dilma cobrou do
ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que questionasse Janot sobre
eventuais indícios contra Graça e os atuais diretores. Janot disse que
não e Cardozo, em seguida, chamou uma coletiva para tornar pública essa
posição.
Embora a oposição pretenda
transformar Venina Velosa num instrumento para a queda de Graça, por
prevaricação, dificilmente será bem-sucedida nessa nova empreitada.
Venina foi demitida da Petrobras após ser responsabilizada por
sobrepreços na área de Abastecimento, do ex-diretor Paulo Roberto Costa,
a quem assessorou. E só tornou públicas suas acusações após a demissão.
Resta, agora, a pressão para que
Graça saia com o argumento de que, assim, será possível abrir caminho
para uma retomada da confiança na empresa. Nada indica, no entanto, que
Dilma esteja disposta a abrir mão de uma de suas mais importantes
auxiliares.
Comentários
Indio Tupi 14.12.2014 às 15:52
Aqui do Alto Xingu, os índios avisam,
pela enézima vez, que ação não tem valor, tem preço, coisa completamente
diferente. Valor é dado pelo custo de algo produzido, que contem
parcela do custo fixo, dos insumos utilizados, da força de trabalho e do
mais-valor por ela criado, ajustado pelo preço médio de mercado e pela
conjuntura da oferta e da demanda. Preço de ação, que não constitui
valor, é apenas uma expectativa acerca dos futuros dividendos -- se
houverem -- e eventuais ganhos de capital -- se também houverem.
Fluxo de petrodólares da Opep deve secar
Fluxo de petrodólares da Opep deve secar - 14/12/2014 - Mercado - Folha de S.Paulo
O fluxo de petrodólares da Opep (Organização dos Países Exportadores de
Petróleo) para os mercados financeiros deve secar, já que o colapso dos
preços do produto produzirá um recuo de US$ 316 bilhões na receita do
cartel.
Os grandes produtores de petróleo injetaram os lucros oferecidos pela
disparada nos preços do petróleo dos últimos dez anos em uma ampla gama
de ativos mundiais, de títulos do Tesouro dos EUA a ações e imóveis.
O fluxo de petrodólares para o sistema financeiro mundial estimulava a
liquidez, elevava os preços dos ativos e ajudava a manter baixos os
custos de captação.
O Qatar, por exemplo, adquiriu a loja de departamentos Harrods, em
Londres, e o Paris Saint-Germain, o maior time de futebol da França,
enquanto o fundo de investimento nacional de Abu Dhabi adquiriu
participação no elegante edifício Time Warner em Nova York.
Mas a queda superior a 40% no preço do petróleo cru Brent da metade de
junho para cá reverterá essa tendência, já que a redução do caixa
disponível para os produtores de petróleo removerá um dos pilares de
sustentação dos mercados mundiais.
"Essa é a primeira vez em 20 anos que os países da Opep estarão tirando
liquidez do mercado em lugar de reforçá-la por meio de seus
investimentos", disse David Spegel, diretor mundial de pesquisa de
mercados emergentes no BNP Paribas.
O BNP estima que, se a produção de petróleo se mantiver estável e os
preços ficarem em cerca de US$ 70 por barril em 2015, os países da Opep
registrarão US$ 316 bilhões a menos em receitas de exportação do que se o
preço do petróleo mantivesse sua média trienal de US$ 105.
Na sexta (12), o Brent já estava em US$ 61,85 o barril.
George Abed, diretor de África e Oriente Médio no Instituto de Finanças
Internacionais, afirmou que em seu pico, em 2012, o fluxo de
petrodólares para investimentos líquidos, como títulos do Tesouro
norte-americano, papéis empresariais de primeira linha e ações atingiu
os US$ 500 bilhões. No ano que vem, ele pode cair a menos de US$ 100
bilhões se o preço médio do petróleo ficar abaixo de US$ 78 por barril.
Isso "vem se somar a outras tendências que parecem estar sugando a liquidez do sistema mundial", diz Abed.
O cálculo de US$ 316 bilhões poderia ser muito mais alto se outros
grandes exportadores de petróleo como Rússia, Noruega, México,
Cazaquistão e Omã fossem levados em consideração.
Um dos principais fatores na redução do fluxo de petrodólares é a
disparada na produção norte-americana de petróleo. Os EUA estão
importando menos petróleo, o que significa que menos dólares saem para o
exterior.
Fluxo de petrodólares da Opep deve secar
Investimento em ativos como a loja Harrods e o clube Paris Saint-Germain tende a cair
DO "FINANCIAL TIMES"O fluxo de petrodólares da Opep (Organização dos Países Exportadores de
Petróleo) para os mercados financeiros deve secar, já que o colapso dos
preços do produto produzirá um recuo de US$ 316 bilhões na receita do
cartel.
Os grandes produtores de petróleo injetaram os lucros oferecidos pela
disparada nos preços do petróleo dos últimos dez anos em uma ampla gama
de ativos mundiais, de títulos do Tesouro dos EUA a ações e imóveis.
O fluxo de petrodólares para o sistema financeiro mundial estimulava a
liquidez, elevava os preços dos ativos e ajudava a manter baixos os
custos de captação.
O Qatar, por exemplo, adquiriu a loja de departamentos Harrods, em
Londres, e o Paris Saint-Germain, o maior time de futebol da França,
enquanto o fundo de investimento nacional de Abu Dhabi adquiriu
participação no elegante edifício Time Warner em Nova York.
Mas a queda superior a 40% no preço do petróleo cru Brent da metade de
junho para cá reverterá essa tendência, já que a redução do caixa
disponível para os produtores de petróleo removerá um dos pilares de
sustentação dos mercados mundiais.
"Essa é a primeira vez em 20 anos que os países da Opep estarão tirando
liquidez do mercado em lugar de reforçá-la por meio de seus
investimentos", disse David Spegel, diretor mundial de pesquisa de
mercados emergentes no BNP Paribas.
O BNP estima que, se a produção de petróleo se mantiver estável e os
preços ficarem em cerca de US$ 70 por barril em 2015, os países da Opep
registrarão US$ 316 bilhões a menos em receitas de exportação do que se o
preço do petróleo mantivesse sua média trienal de US$ 105.
Na sexta (12), o Brent já estava em US$ 61,85 o barril.
George Abed, diretor de África e Oriente Médio no Instituto de Finanças
Internacionais, afirmou que em seu pico, em 2012, o fluxo de
petrodólares para investimentos líquidos, como títulos do Tesouro
norte-americano, papéis empresariais de primeira linha e ações atingiu
os US$ 500 bilhões. No ano que vem, ele pode cair a menos de US$ 100
bilhões se o preço médio do petróleo ficar abaixo de US$ 78 por barril.
Isso "vem se somar a outras tendências que parecem estar sugando a liquidez do sistema mundial", diz Abed.
O cálculo de US$ 316 bilhões poderia ser muito mais alto se outros
grandes exportadores de petróleo como Rússia, Noruega, México,
Cazaquistão e Omã fossem levados em consideração.
Um dos principais fatores na redução do fluxo de petrodólares é a
disparada na produção norte-americana de petróleo. Os EUA estão
importando menos petróleo, o que significa que menos dólares saem para o
exterior.
Queiroz associa doações a contratos e cita Serra | Brasil 24/7
Queiroz associa doações a contratos e cita Serra | Brasil 24/7
Planilha da empreiteira
Queiroz Galvão, que teve o diretor-executivo Othon Zanoide preso,
associa obras em São Paulo a doações a políticos tucanos; um dos nomes
citados na planilha, segundo esclareceu a própria empreiteira, é o do
ex-governador e senador eleitor José Serra; em nota, o PSDB reagiu,
afirmando não existir "qualquer relação entre doações, todas elas
contabilizadas e declaradas, e contratos públicos"; segundo o PSDB, as
empreiteiras só vinculam doações de campanha a contratos públicos quando
se trata do PT – neste caso, o caixa 1 vira propina; "o que existe é
uma ginástica de blogs sujos pagos pelo governo federal para tirar o
foco das investigações que desnudam a gestão petista na Petrobras", diz a
nota; tucanos, quando atingidos, tratam a Folha, autora da denúncia,
como 'blog sujo'
SP 247 - Uma
reportagem deste domingo dos jornalistas Rubens Valente e Gabriel
Mascarenhas, publicada sem o devido destaque pela Folha de S. Paulo
(está escondida num pé de página), revela que a empreiteira Queiroz
Galvão, uma das maiores do País, associa doações de campanha ao PSDB a
contratos de obras públicas em São Paulo (leia mais em Empreiteira associa valor de obra a doação).
As informações foram confirmadas
pelos repórteres junto à própria empreiteira, a partir de uma planilha
apreendida na Operação Lava Jato. Nela, constam obras no estado de São
Paulo e nomes de políticos que deveriam receber doações.
Segundo a reportagem, "a
Queiroz Galvão confirmou que a planilha 'representa estudos
preliminares de disponibilidade de recursos em cada obra [...] e que
poderiam ser utilizados para doações, segundo avaliações ainda a serem
realizadas.'"
Numa obra de R$ 117,5 milhões, por
exemplo, que foi a do VLT na Baixada Santista, o valor estimado da
doação de campanha seria de R$ 1,16 milhão, que a empreiteira classifica
como "ProfPart". Segundo a construtora, a expressão significa "Provisão
Financeira para o PSDB".
A mesma planilha tem anotações como
"J.S". Ao ser questionada, a Queiroz Galvão, que teve o
diretor-executivo Othon Zanoide preso na Lava Jato, disse a quem se
refere a anotação: o senador eleito José Serra (PSDB-SP).
Em nota, o PSDB reagiu, usando
argumento semelhante ao PT, quando questionado sobre doações de empresas
ligadas à Lava Jato. Os tucanos afirmam não existir "qualquer relação
entre doações, todas elas contabilizadas e declaradas, e contratos
públicos".
Na mesma nota, o PSDB critica ainda o
que chama de 'blogs sujos', ainda que a reportagem estivesse sendo
produzida pela Folha de S. Paulo. "O que existe é uma ginástica de blogs
sujos pagos pelo governo federal para tirar o foco das investigações
que desnudam a gestão petista na Petrobras", diz o texto.
No fim, mais um ataque –
bolivariano???? – do PSDB ao jornalismo. "Investigação séria envolve
delações premiadas e provas efetivas de corrupção – não o jornalismo de
planilha".
No entanto, a planilha foi
apreendida no âmbito da Operação Lava Jato e as informações nela
contidas foram confirmadas pelos repórteres junto à própria empreiteira.
É a Queiroz Galvão quem vincula doações ao PSDB, especificamente a José
Serra, a um percentual de obras públicas realizadas em São Paulo.
Planilha da empreiteira
Queiroz Galvão, que teve o diretor-executivo Othon Zanoide preso,
associa obras em São Paulo a doações a políticos tucanos; um dos nomes
citados na planilha, segundo esclareceu a própria empreiteira, é o do
ex-governador e senador eleitor José Serra; em nota, o PSDB reagiu,
afirmando não existir "qualquer relação entre doações, todas elas
contabilizadas e declaradas, e contratos públicos"; segundo o PSDB, as
empreiteiras só vinculam doações de campanha a contratos públicos quando
se trata do PT – neste caso, o caixa 1 vira propina; "o que existe é
uma ginástica de blogs sujos pagos pelo governo federal para tirar o
foco das investigações que desnudam a gestão petista na Petrobras", diz a
nota; tucanos, quando atingidos, tratam a Folha, autora da denúncia,
como 'blog sujo'
14 de Dezembro de 2014 às 07:25
reportagem deste domingo dos jornalistas Rubens Valente e Gabriel
Mascarenhas, publicada sem o devido destaque pela Folha de S. Paulo
(está escondida num pé de página), revela que a empreiteira Queiroz
Galvão, uma das maiores do País, associa doações de campanha ao PSDB a
contratos de obras públicas em São Paulo (leia mais em Empreiteira associa valor de obra a doação).
As informações foram confirmadas
pelos repórteres junto à própria empreiteira, a partir de uma planilha
apreendida na Operação Lava Jato. Nela, constam obras no estado de São
Paulo e nomes de políticos que deveriam receber doações.
Segundo a reportagem, "a
Queiroz Galvão confirmou que a planilha 'representa estudos
preliminares de disponibilidade de recursos em cada obra [...] e que
poderiam ser utilizados para doações, segundo avaliações ainda a serem
realizadas.'"
Numa obra de R$ 117,5 milhões, por
exemplo, que foi a do VLT na Baixada Santista, o valor estimado da
doação de campanha seria de R$ 1,16 milhão, que a empreiteira classifica
como "ProfPart". Segundo a construtora, a expressão significa "Provisão
Financeira para o PSDB".
A mesma planilha tem anotações como
"J.S". Ao ser questionada, a Queiroz Galvão, que teve o
diretor-executivo Othon Zanoide preso na Lava Jato, disse a quem se
refere a anotação: o senador eleito José Serra (PSDB-SP).
Em nota, o PSDB reagiu, usando
argumento semelhante ao PT, quando questionado sobre doações de empresas
ligadas à Lava Jato. Os tucanos afirmam não existir "qualquer relação
entre doações, todas elas contabilizadas e declaradas, e contratos
públicos".
Na mesma nota, o PSDB critica ainda o
que chama de 'blogs sujos', ainda que a reportagem estivesse sendo
produzida pela Folha de S. Paulo. "O que existe é uma ginástica de blogs
sujos pagos pelo governo federal para tirar o foco das investigações
que desnudam a gestão petista na Petrobras", diz o texto.
No fim, mais um ataque –
bolivariano???? – do PSDB ao jornalismo. "Investigação séria envolve
delações premiadas e provas efetivas de corrupção – não o jornalismo de
planilha".
No entanto, a planilha foi
apreendida no âmbito da Operação Lava Jato e as informações nela
contidas foram confirmadas pelos repórteres junto à própria empreiteira.
É a Queiroz Galvão quem vincula doações ao PSDB, especificamente a José
Serra, a um percentual de obras públicas realizadas em São Paulo.
"Eu não vim para explicar" - 14/12/2014 - Ombudsman - Folha de S.Paulo
"Eu não vim para explicar" - 14/12/2014 - Ombudsman - Folha de S.Paulo
"Valha-me Deus! Está me parecendo que o título de eleitor deveria ser
substituído por um título de habilitação eleitoral, que só seria
concedido a quem passasse no teste anticabeça de bagre", brincou o
leitor Carlos de Marchi, ao comentar o resultado do Datafolha publicado
no domingo, 7 ("Brasileiro responsabiliza Dilma por caso Petrobras").
Marchi não estranhava a revelação principal, alçada à manchete, de que
sete em cada dez brasileiros atribuíam à presidente Dilma Rousseff
alguma responsabilidade no esquema de corrupção da Petrobras.
Nem acho que era para estranhar. A maior estatal do país está mergulhada
num escândalo de delações e fraudes e jorram novas denúncias a cada
dia. Estranho seria se esse noticiário onipresente não respingasse no
governo federal, umbilicalmente ligado à petroleira.
O surpreendente, e não apenas para ele, era a aparente contradição desse
número com outros revelados na pesquisa. Se 68% responsabilizam de
alguma forma a presidente pelas irregularidades na empresa, como é
possível que 42% tenham concedido a seu governo a avaliação de
ótimo/bom, mesmo índice de outubro, no auge da campanha eleitoral? Dilma
também não aparece na lista de beneficiários do esquema de corrupção, e
40% disseram que os corruptos foram mais punidos em sua gestão.
Não é incomum haver algo de errático na percepção coletiva, mas
desconfio que o problema nesse caso não seja dos bagres, mas da pergunta
genérica concebida pelo jornal. O termo "responsabilidade" é um
guarda-chuva amplo demais para ser usado como foi, sem questões
complementares que ajudassem não só o entrevistado, mas também o leitor,
a entender o que o conceito poderia significar para cada um.
Ressalve-se que essa falta de parâmetros mais claros não é novidade
desse questionário. A pergunta é padrão, idêntica às que foram aplicadas
em pesquisas de governos anteriores, também atingidos por denúncias de
corrupção.
O problema é que repetição de um modelo criado há décadas tem o mérito
de respeitar o histórico, mas reprisa e repisa o seu defeito, no caso, a
ambiguidade. Na época, como agora, em vez de iluminar o cenário, ele
desperta mais dúvidas.
Por exemplo: o que pensam os 43% de entrevistados que imputaram à
presidente da República muita responsabilidade no caso? Julgam que ela
sabia das irregularidades e nada fez? Que tem alguma participação ativa
no esquema montado ou dele tirou benefícios?
Que é copartícipe por tabela, porque escolheu e/ou aprovou os gestores
da petroleira e fez/referendou os acordos partidários que colocaram
gatunos cuidando do cofre? E se a responsabilidade veio apenas por
derivação, em virtude do cargo que exerce, ela seria "muito" ou "um
pouco" responsável? (Para situar quem não leu: "um pouco" foi a opção
escolhida por 25%; outros 20% disseram que Dilma Rousseff não tem
nenhuma responsabilidade e 12% não souberam responder.)
A Secretaria de Redação concorda que questões adicionais poderiam
qualificar a percepção manifestada, mas afirma que não há razão para
crer que elas mudassem o resultado principal. Também acho que não, e não
coloco isso em dúvida. Meu ponto é que o levantamento poderia ir além
do quanto e tentar esclarecer os porquês.
Pesquisas são instrumentos valiosos para tentar apreender o humor da
sociedade e, quanto mais puder ser feito para reduzir suas limitações e
apurar suas revelações, melhor. Se não, como definiu o leitor, o
resultado fica difuso, vago e vira material para bate-boca.
VERA GUIMARÃES MARTINS
"Eu não vim para explicar"
Pergunta genérica sobre a responsabilidade de Dilma no caso Petrobras traz mais dúvidas do que revelações
substituído por um título de habilitação eleitoral, que só seria
concedido a quem passasse no teste anticabeça de bagre", brincou o
leitor Carlos de Marchi, ao comentar o resultado do Datafolha publicado
no domingo, 7 ("Brasileiro responsabiliza Dilma por caso Petrobras").
Marchi não estranhava a revelação principal, alçada à manchete, de que
sete em cada dez brasileiros atribuíam à presidente Dilma Rousseff
alguma responsabilidade no esquema de corrupção da Petrobras.
Nem acho que era para estranhar. A maior estatal do país está mergulhada
num escândalo de delações e fraudes e jorram novas denúncias a cada
dia. Estranho seria se esse noticiário onipresente não respingasse no
governo federal, umbilicalmente ligado à petroleira.
O surpreendente, e não apenas para ele, era a aparente contradição desse
número com outros revelados na pesquisa. Se 68% responsabilizam de
alguma forma a presidente pelas irregularidades na empresa, como é
possível que 42% tenham concedido a seu governo a avaliação de
ótimo/bom, mesmo índice de outubro, no auge da campanha eleitoral? Dilma
também não aparece na lista de beneficiários do esquema de corrupção, e
40% disseram que os corruptos foram mais punidos em sua gestão.
Não é incomum haver algo de errático na percepção coletiva, mas
desconfio que o problema nesse caso não seja dos bagres, mas da pergunta
genérica concebida pelo jornal. O termo "responsabilidade" é um
guarda-chuva amplo demais para ser usado como foi, sem questões
complementares que ajudassem não só o entrevistado, mas também o leitor,
a entender o que o conceito poderia significar para cada um.
Ressalve-se que essa falta de parâmetros mais claros não é novidade
desse questionário. A pergunta é padrão, idêntica às que foram aplicadas
em pesquisas de governos anteriores, também atingidos por denúncias de
corrupção.
O problema é que repetição de um modelo criado há décadas tem o mérito
de respeitar o histórico, mas reprisa e repisa o seu defeito, no caso, a
ambiguidade. Na época, como agora, em vez de iluminar o cenário, ele
desperta mais dúvidas.
Por exemplo: o que pensam os 43% de entrevistados que imputaram à
presidente da República muita responsabilidade no caso? Julgam que ela
sabia das irregularidades e nada fez? Que tem alguma participação ativa
no esquema montado ou dele tirou benefícios?
Que é copartícipe por tabela, porque escolheu e/ou aprovou os gestores
da petroleira e fez/referendou os acordos partidários que colocaram
gatunos cuidando do cofre? E se a responsabilidade veio apenas por
derivação, em virtude do cargo que exerce, ela seria "muito" ou "um
pouco" responsável? (Para situar quem não leu: "um pouco" foi a opção
escolhida por 25%; outros 20% disseram que Dilma Rousseff não tem
nenhuma responsabilidade e 12% não souberam responder.)
A Secretaria de Redação concorda que questões adicionais poderiam
qualificar a percepção manifestada, mas afirma que não há razão para
crer que elas mudassem o resultado principal. Também acho que não, e não
coloco isso em dúvida. Meu ponto é que o levantamento poderia ir além
do quanto e tentar esclarecer os porquês.
Pesquisas são instrumentos valiosos para tentar apreender o humor da
sociedade e, quanto mais puder ser feito para reduzir suas limitações e
apurar suas revelações, melhor. Se não, como definiu o leitor, o
resultado fica difuso, vago e vira material para bate-boca.
Decálogo sobre censura e regulação - Carta Maior
Decálogo sobre censura e regulação - Carta Maior
Apresentamos 10 pontos para acabar de uma vez por todas com a
Marcos Dantas

10.
Todos os artigos constitucionais acima citados se referem, de um modo
ou de outro, a alguma lei que deverá melhor especificar ou esclarecer os
princípios neles contidos: o direito de resposta, por exemplo; o que
seja "preferência a finalidades educativas" ou "respeito a valores
éticos ou sociais da pessoa", inclusive a garantia à pessoa para se
defender do que sejam possíveis abusos; os percentuais de regionalização
ou o estímulo à produção independente; etc. É vedada a censura de
natureza política, ideológica ou artística, bem como criar embaraços à
plena liberdade de informação jornalística. É vedada também a censura,
além da classificação indicativa e do respeito devido à intimidade e à
honra das pessoas, a espetáculos em geral nas salas de teatro ou cinema,
nos estádios ou "arenas". Mas quando se trata de meios de comunicação
social eletrônica, ou "mídia", a Constituição impõe regras um pouco mais
restritivas, ou melhor, define-lhes finalidades,
em nome da União, logo em nome da sociedade. É da regulação destes
meios que estamos tratando, não da imprensa. Conforme aliás determina a
própria Constituição Cidadã. Marcos Dantas é Professor Titular da Escola de Comunicação da UFRJ
Apresentamos 10 pontos para acabar de uma vez por todas com a
confusão entre regulação dos meios de comunicação e censura à imprensa.
Marcos Dantas
1. Uma coisa é imprensa ou jornalismo. Outra coisa é mídia
em geral: barbarismo anglicista que engloba o conjunto de atividades e
tecnologias relacionadas à produção e, principalmente, reprodução e
distribuição de espetáculos audiovisuais
dos mais variados, a exemplo de programas de auditório ou de
entrevistas, coberturas esportivas, shows musicais, novelas e séries
dramatúrgicas de televisão, documentários produzidos ou não diretamente
para a televisão, filmes produzidos ou não diretamente para distribuição
via TV, reality shows,
pregações religiosas, inclusive também boa parte do que hoje é gerado e
distribuído via internet, sem ignorar, nisso tudo, a publicidade que
sustenta a economia da mídia.
em geral: barbarismo anglicista que engloba o conjunto de atividades e
tecnologias relacionadas à produção e, principalmente, reprodução e
distribuição de espetáculos audiovisuais
dos mais variados, a exemplo de programas de auditório ou de
entrevistas, coberturas esportivas, shows musicais, novelas e séries
dramatúrgicas de televisão, documentários produzidos ou não diretamente
para a televisão, filmes produzidos ou não diretamente para distribuição
via TV, reality shows,
pregações religiosas, inclusive também boa parte do que hoje é gerado e
distribuído via internet, sem ignorar, nisso tudo, a publicidade que
sustenta a economia da mídia.
2. Imprensa
ou jornalismo ainda são, em boa parte, produzidos para veiculação e
distribuição por meios impressos em papel (jornais e revistas). Não há
dúvida de que no Brasil como em todo o mundo, alguns desses veículos
possuem grande e decisiva influência política e cultural. São formadores
de opinião. Não é de hoje, porém, que jornalismo também é produzido
para veiculação e distribuição por meios eletrônicos como o rádio, a
televisão e, mais recentemente, a internet.
ou jornalismo ainda são, em boa parte, produzidos para veiculação e
distribuição por meios impressos em papel (jornais e revistas). Não há
dúvida de que no Brasil como em todo o mundo, alguns desses veículos
possuem grande e decisiva influência política e cultural. São formadores
de opinião. Não é de hoje, porém, que jornalismo também é produzido
para veiculação e distribuição por meios eletrônicos como o rádio, a
televisão e, mais recentemente, a internet.
3. A
"mídia" em geral é função da invenção, desenvolvimento e expansão
(econômica e social) dos meios eletrônicos de comunicação: rádio e
televisão, além do cinema e do disco musical. É verdade que os meios
impressos também veiculam e distribuem informações do mundo do
espetáculo, mas o espetáculo, por sua própria natureza, está
umbilicalmente relacionado aos meios eletrônicos e não poderia se
desenvolver, nas suas dimensões atuais, sem essa estreita relação. Basta
observar o futebol: hoje em dia, um espetáculo muito mais para a
televisão do que para os estádios (ou "arenas").
"mídia" em geral é função da invenção, desenvolvimento e expansão
(econômica e social) dos meios eletrônicos de comunicação: rádio e
televisão, além do cinema e do disco musical. É verdade que os meios
impressos também veiculam e distribuem informações do mundo do
espetáculo, mas o espetáculo, por sua própria natureza, está
umbilicalmente relacionado aos meios eletrônicos e não poderia se
desenvolver, nas suas dimensões atuais, sem essa estreita relação. Basta
observar o futebol: hoje em dia, um espetáculo muito mais para a
televisão do que para os estádios (ou "arenas").
4.
Desde que surgiram, nas primeiras décadas do século XX, os meios
eletrônicos de comunicação, a exemplo da telefonia ou da radiodifusão,
são controlados e regulados pelo Estado. Nos Estados Unidos, sua
primeira Lei do Rádio data de 1927. Na maioria dos demais países,
inclusive os democratas liberais como o Reino Unido, a França ou a
Suécia, a telefonia e a radiodifusão tornaram-se monopólios do Estado,
mais ou menos na mesma época. Ou seja, ao contrário da imprensa
(escrita), a exploração dos meios eletrônicos sempre foi entendida como
um serviço público,
similar, por exemplo, à educação ou saúde. Logo, o espetáculo veiculado
por esses meios sempre esteve, em todo o mundo, condicionado às
demandas ou objetivos sociais, representados pelo Estado, em suas
diferentes épocas ou lugares. É verdade que, na última década do século
XX, em todos os principais países, a regulação dos meios (ou "mídia")
passou por ampla revisão e reformulação. Muita coisa mudou, menos uma:
continuaram regulados pelo Estado, inclusive com importante
interferência pública na veiculação de conteúdos ofensivos aos direitos
de minorias, da infância, de outros segmentos fragilizados.
Desde que surgiram, nas primeiras décadas do século XX, os meios
eletrônicos de comunicação, a exemplo da telefonia ou da radiodifusão,
são controlados e regulados pelo Estado. Nos Estados Unidos, sua
primeira Lei do Rádio data de 1927. Na maioria dos demais países,
inclusive os democratas liberais como o Reino Unido, a França ou a
Suécia, a telefonia e a radiodifusão tornaram-se monopólios do Estado,
mais ou menos na mesma época. Ou seja, ao contrário da imprensa
(escrita), a exploração dos meios eletrônicos sempre foi entendida como
um serviço público,
similar, por exemplo, à educação ou saúde. Logo, o espetáculo veiculado
por esses meios sempre esteve, em todo o mundo, condicionado às
demandas ou objetivos sociais, representados pelo Estado, em suas
diferentes épocas ou lugares. É verdade que, na última década do século
XX, em todos os principais países, a regulação dos meios (ou "mídia")
passou por ampla revisão e reformulação. Muita coisa mudou, menos uma:
continuaram regulados pelo Estado, inclusive com importante
interferência pública na veiculação de conteúdos ofensivos aos direitos
de minorias, da infância, de outros segmentos fragilizados.
5. A
Constituição brasileira reconhece e reafirma essa construção histórica
ao abrigar, entre outros pontos, todo um capítulo específico sobre
Comunicação Social (Título VII, Seção III, Cap. V), além do disposto
também em seus artigos 5 e 21. No artigo 5º, a Constituição diz que é
livre a manifestação do pensamento, proibido o anonimato; é assegurado o
direito de resposta; é inviolável a intimidade, a honra e a imagem das
pessoas. Perceba-se que, só por aí, a livre manifestação do pensamento
já não é um direito absoluto. No Cap. V, "Da Comunicação Social", artigo
220, é, mais uma vez, assegurada a livre manifestação do pensamento,
"observado o disposto nesta Constituição". A Constituição veda toda
censura de natureza política, ideológica ou artística (art. 220, § 2º),
mas determina que haja lei federal para "regular as diversões e
espetáculos públicos" inclusive sobre faixas etárias para as quais, ou
sobre locais onde sejam, ou não, recomendáveis (isto é, "classificação
indicativa"). Aliás, parece que, neste específico ponto, a Constituição
está em vias de vir a ser derrocada, não por uma PEC, mas pelo próprio
Tribunal Superior que deveria ser o primeiro a zelar por ela...
Constituição brasileira reconhece e reafirma essa construção histórica
ao abrigar, entre outros pontos, todo um capítulo específico sobre
Comunicação Social (Título VII, Seção III, Cap. V), além do disposto
também em seus artigos 5 e 21. No artigo 5º, a Constituição diz que é
livre a manifestação do pensamento, proibido o anonimato; é assegurado o
direito de resposta; é inviolável a intimidade, a honra e a imagem das
pessoas. Perceba-se que, só por aí, a livre manifestação do pensamento
já não é um direito absoluto. No Cap. V, "Da Comunicação Social", artigo
220, é, mais uma vez, assegurada a livre manifestação do pensamento,
"observado o disposto nesta Constituição". A Constituição veda toda
censura de natureza política, ideológica ou artística (art. 220, § 2º),
mas determina que haja lei federal para "regular as diversões e
espetáculos públicos" inclusive sobre faixas etárias para as quais, ou
sobre locais onde sejam, ou não, recomendáveis (isto é, "classificação
indicativa"). Aliás, parece que, neste específico ponto, a Constituição
está em vias de vir a ser derrocada, não por uma PEC, mas pelo próprio
Tribunal Superior que deveria ser o primeiro a zelar por ela...
6. A
Constituição também estabelece outras limitações à absoluta liberdade
de expressão: ela determina que haja lei federal para garantir às
pessoas ou famílias "meios legais" para "se defenderem de programas ou
programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221,
bem como da propaganda de produtos, práticas ou serviços que possam ser
nocivos à saúde e ao meio ambiente" (art. 220, § 3º-II). Nos termos
deste mesmo inciso, as propagandas de tabaco, bebidas alcoólicas,
agrotóxicos e medicamentos devem sofrer "restrições legais".
Constituição também estabelece outras limitações à absoluta liberdade
de expressão: ela determina que haja lei federal para garantir às
pessoas ou famílias "meios legais" para "se defenderem de programas ou
programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221,
bem como da propaganda de produtos, práticas ou serviços que possam ser
nocivos à saúde e ao meio ambiente" (art. 220, § 3º-II). Nos termos
deste mesmo inciso, as propagandas de tabaco, bebidas alcoólicas,
agrotóxicos e medicamentos devem sofrer "restrições legais".
7.
O artigo 221 deixa clara a distinção que deve existir entre imprensa ou
"informação jornalística", de um lado, e "produção e programação das
emissoras de rádio e televisão", do outro lado – isto é, "mídia" em
geral. Rádio e televisão devem obedecer aos seguintes princípios: a)
preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais,
informativas; b) promoção da cultura nacional e regional, e estímulo à
produção independente que objetiva sua divulgação; c) regionalização da
produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais
estabelecidos em lei; d) respeito aos valores éticos e sociais da pessoa
e da família. Ou seja, se mesmo para a imprensa e para os espetáculos
em geral, a Constituição já estabelece limites à absoluta liberdade de
expressão do pensamento; para o rádio e a televisão, a Constituição
determina expressamente, um conjunto de princípios normativos a serem
obedecidos.
O artigo 221 deixa clara a distinção que deve existir entre imprensa ou
"informação jornalística", de um lado, e "produção e programação das
emissoras de rádio e televisão", do outro lado – isto é, "mídia" em
geral. Rádio e televisão devem obedecer aos seguintes princípios: a)
preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais,
informativas; b) promoção da cultura nacional e regional, e estímulo à
produção independente que objetiva sua divulgação; c) regionalização da
produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais
estabelecidos em lei; d) respeito aos valores éticos e sociais da pessoa
e da família. Ou seja, se mesmo para a imprensa e para os espetáculos
em geral, a Constituição já estabelece limites à absoluta liberdade de
expressão do pensamento; para o rádio e a televisão, a Constituição
determina expressamente, um conjunto de princípios normativos a serem
obedecidos.
8.
O artigo 220, § 6º, diz que a "publicação de veículo impresso de
comunicação independe de licença de autoridade". Já o artigo 21, em seu
item XII, estabelece que "compete à União [...] explorar diretamente ou
mediante autorização, concessão ou permissão:... [a]
os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens". Ou seja, a
Constituição consagra aquilo que é mundialmente reconhecido desde quando
se desenvolveram as tecnologias de rádio e televisão: uma coisa é a
imprensa escrita ou jornalismo, para a qual está assegurada ampla
liberdade de expressão do pensamento e difusão de informação, embora,
vimos, não absoluta. Outra coisa, são os serviços de rádio e televisão,
definidos como atividades da competência da União, logo serviços públicos, cabendo à União decidir se quer exercê-las diretamente ou mediante delegação
para agentes privados. De qualquer modo, estes terão que se comprometer
com normas de serviços públicos, conforme claramente expressas no
artigo 221.
O artigo 220, § 6º, diz que a "publicação de veículo impresso de
comunicação independe de licença de autoridade". Já o artigo 21, em seu
item XII, estabelece que "compete à União [...] explorar diretamente ou
mediante autorização, concessão ou permissão:... [a]
os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens". Ou seja, a
Constituição consagra aquilo que é mundialmente reconhecido desde quando
se desenvolveram as tecnologias de rádio e televisão: uma coisa é a
imprensa escrita ou jornalismo, para a qual está assegurada ampla
liberdade de expressão do pensamento e difusão de informação, embora,
vimos, não absoluta. Outra coisa, são os serviços de rádio e televisão,
definidos como atividades da competência da União, logo serviços públicos, cabendo à União decidir se quer exercê-las diretamente ou mediante delegação
para agentes privados. De qualquer modo, estes terão que se comprometer
com normas de serviços públicos, conforme claramente expressas no
artigo 221.
9.
Numa das reformas constitucionais realizadas pelo governo Fernando
Henrique Cardoso, a Constituição ganhou nova redação para o seu artigo
222, nele sendo inserido o seguinte parágrafo terceiro: "Os meios de
comunicação social eletrônica, independentemente da tecnologia utilizada
para a prestação do serviço, deverão observar os princípios enunciados
no art. 221, na forma de lei específica, que também garantirá a
prioridade de profissionais brasileiros na execução de produções
nacionais". Ou seja, o artigo 221 não trata apenas de rádio e televisão abertos,
veiculados pelas frequências atmosféricas; seus princípios se estendem
também à televisão fechada, veiculada por cabo ou satélite, bem como a
toda comunicação de natureza pública veiculada pela internet.
Numa das reformas constitucionais realizadas pelo governo Fernando
Henrique Cardoso, a Constituição ganhou nova redação para o seu artigo
222, nele sendo inserido o seguinte parágrafo terceiro: "Os meios de
comunicação social eletrônica, independentemente da tecnologia utilizada
para a prestação do serviço, deverão observar os princípios enunciados
no art. 221, na forma de lei específica, que também garantirá a
prioridade de profissionais brasileiros na execução de produções
nacionais". Ou seja, o artigo 221 não trata apenas de rádio e televisão abertos,
veiculados pelas frequências atmosféricas; seus princípios se estendem
também à televisão fechada, veiculada por cabo ou satélite, bem como a
toda comunicação de natureza pública veiculada pela internet.
10.
Todos os artigos constitucionais acima citados se referem, de um modo
ou de outro, a alguma lei que deverá melhor especificar ou esclarecer os
princípios neles contidos: o direito de resposta, por exemplo; o que
seja "preferência a finalidades educativas" ou "respeito a valores
éticos ou sociais da pessoa", inclusive a garantia à pessoa para se
defender do que sejam possíveis abusos; os percentuais de regionalização
ou o estímulo à produção independente; etc. É vedada a censura de
natureza política, ideológica ou artística, bem como criar embaraços à
plena liberdade de informação jornalística. É vedada também a censura,
além da classificação indicativa e do respeito devido à intimidade e à
honra das pessoas, a espetáculos em geral nas salas de teatro ou cinema,
nos estádios ou "arenas". Mas quando se trata de meios de comunicação
social eletrônica, ou "mídia", a Constituição impõe regras um pouco mais
restritivas, ou melhor, define-lhes finalidades,
em nome da União, logo em nome da sociedade. É da regulação destes
meios que estamos tratando, não da imprensa. Conforme aliás determina a
própria Constituição Cidadã.
Aepet sugere que governo recompre ações da Petrobras | Brasil 24/7
Aepet sugere que governo recompre ações da Petrobras | Brasil 24/7
Associação dos
Engenheiros da Petrobras, a Aepet, recomenda que o governo federal
aproveite o preço baixo das ações da companhia e a fuga de investidores
estrangeiros para recomprar os papéis; "já que os estrangeiros querem
vender, o governo deveria aproveitar as ações em baixa para recuperar o
máximo possível da maior empresa do País para o controle do povo
brasileiro", diz a nota
247 - A Associação
dos Engenheiros da Petrobras, a Aepet, recomenda que o governo federal
aproveite o preço baixo das ações da companhia e a fuga de investidores
estrangeiros para recomprar os papéis. "Já que os estrangeiros querem
vender, o governo deveria aproveitar as ações em baixa para recuperar o
máximo possível da maior empresa do País para o controle do povo
brasileiro", diz a nota. Leia abaixo:
Governo deveria aproveitar para recomprar ações da Petrobrás
Sem querer, o jornal O Globo desta
quarta-feira (10) deu uma excelente ideia ao governo em relação à
Petrobrás: na página 25, no quadro “perguntas e respostas”, traz a
opinião de um especialista da FGV para quem o governo "pode injetar mais
dinheiro e chegar a estatizar totalmente a empresa".
Na verdade, "injetar mais dinheiro"
deve ser substituído por “recomprar ações”, principalmente aquelas
negociadas em Nova Iorque, já que outro jornal, o Brasil Econômico,
destaca que "Risco faz estrangeiros venderem Petrobrás". Ou seja, já que
os estrangeiros querem vender, o governo deveria aproveitar as ações em
baixa para recuperar o máximo possível da maior empresa do País para o
controle do povo brasileiro.
A AEPET há muito vem sugerindo que
caminhemos nessa direção, que reforçaria o papel da Petrobrás no
desenvolvimento do Brasil. Ainda no mandato de Lula, contatamos o então
presidente do BNDES, Carlos Lessa, pedindo que iniciasse movimento de
recompra de ações da Petrobrás. Lessa, que já tinha feito o mesmo com a
Vale, impedindo que a Mitsubishi passasse a controlar a mineradora,
gostou da ideia, mas logo em seguida foi substituído na presidência do
banco de desenvolvimento.
Associação dos
Engenheiros da Petrobras, a Aepet, recomenda que o governo federal
aproveite o preço baixo das ações da companhia e a fuga de investidores
estrangeiros para recomprar os papéis; "já que os estrangeiros querem
vender, o governo deveria aproveitar as ações em baixa para recuperar o
máximo possível da maior empresa do País para o controle do povo
brasileiro", diz a nota
14 de Dezembro de 2014 às 12:22
dos Engenheiros da Petrobras, a Aepet, recomenda que o governo federal
aproveite o preço baixo das ações da companhia e a fuga de investidores
estrangeiros para recomprar os papéis. "Já que os estrangeiros querem
vender, o governo deveria aproveitar as ações em baixa para recuperar o
máximo possível da maior empresa do País para o controle do povo
brasileiro", diz a nota. Leia abaixo:
Governo deveria aproveitar para recomprar ações da Petrobrás
Sem querer, o jornal O Globo desta
quarta-feira (10) deu uma excelente ideia ao governo em relação à
Petrobrás: na página 25, no quadro “perguntas e respostas”, traz a
opinião de um especialista da FGV para quem o governo "pode injetar mais
dinheiro e chegar a estatizar totalmente a empresa".
Na verdade, "injetar mais dinheiro"
deve ser substituído por “recomprar ações”, principalmente aquelas
negociadas em Nova Iorque, já que outro jornal, o Brasil Econômico,
destaca que "Risco faz estrangeiros venderem Petrobrás". Ou seja, já que
os estrangeiros querem vender, o governo deveria aproveitar as ações em
baixa para recuperar o máximo possível da maior empresa do País para o
controle do povo brasileiro.
A AEPET há muito vem sugerindo que
caminhemos nessa direção, que reforçaria o papel da Petrobrás no
desenvolvimento do Brasil. Ainda no mandato de Lula, contatamos o então
presidente do BNDES, Carlos Lessa, pedindo que iniciasse movimento de
recompra de ações da Petrobrás. Lessa, que já tinha feito o mesmo com a
Vale, impedindo que a Mitsubishi passasse a controlar a mineradora,
gostou da ideia, mas logo em seguida foi substituído na presidência do
banco de desenvolvimento.
PSDB e Serra tomam um banho de Lava Jato
PSDB e Serra tomam um banho de Lava Jato | TIJOLAÇO |
Está cada vez mais difícil para o PSDB fingir que não tem nada a ver com o escândalo das empreiteiras.
Governando o estado mais rico do país há mais de 20 anos, onde estão
sediadas a maioria das empreiteiras investigadas na operação Lava Jato,
os tucanos construíram relações políticas nada republicanas com estas
empresas.
Igualmente está cada vez mais difícil, para a mídia, recortar a
corrupção que envolve Petrobras e empreiteiras a um caso isolado.
Não é. As empreiteiras capturadas nos esquemas da Lava Jato são responsáveis por todas as obras públicas no país.
E provavelmente há corrupção em toda parte.
O país tem agora a oportunidade de combater, pela raiz, a cultura de
corrupção, mas somente se não quiser manipular politicamente uma
investigação criminal dessa magnitude.
Ninguém acusa o PSDB de ter inventado a corrupção no país.
Ninguém quer a “eliminação” do PSDB.
Já a Globo, em editorial publicado hoje, em que tenta usar a Lava
Jato para defender a cessão do pré-sal para petrolíferas estrangeiras,
fala em “esquema de corrupção montado pelo lulopetismo na estatal”.
Ora, a primeira declaração pública dos promotores públicos
responsáveis pela operação dizia que o esquema foi iniciado há 15 anos,
portanto em plena era FHC.
É simplesmente desonestidade da Globo falar em “esquema montado pelo lulopetismo”.
Hoje, na Folha, há uma matéria reveladora de que a corrupção no setor de construção civil está diretamente ligado ao sistema de financiamento eleitoral.
Em meio a uma das vistorias da PF na Operação Lava Jato, numa das
empreiteiras envolvidas, a Queiroz Galvão, encontrou-se uma planilha em
que a empresa calcula doações a políticos tucanos de São Paulo de acordo
com o preço da obra pública que será realizada pelo governo tucano.
José Serra é citado nominalmente, e a empreiteira confirmou tudo: de
fato, o cálculo era assim. O governo entrega uma obra com valor x para
uma empreiteira, e ela doa um percentual de x ao partido político que
controla o governo.
Simples como um poema da Cecília Meirelles.
E como o PSDB reage?
Dizendo que isso é coisa dos “blogs sujos, financiados pelo governo federal”.
A matéria nem foi apurada pelos blogs, e sim pela imprensa familiar.
A reação do PSDB, atacando os meios de mídia mais frágeis e mais
vulneráveis (apesar da influência crescente), mostra de onde vem a
ameaça real à liberdade de expressão no país.
E os jornalistas da grande mídia ainda se prestam ao papel ridículo de falar em ameaça bolivariana à “imprensa livre”.
Ora, se há ameaça, ela vem, como sempre aconteceu na história do Brasil, da direita golpista.
É também um alerta ao governo federal: a falta de um sistema de
financiamento mais democrático nos joga no pior dos mundos. Só a grande
mídia tucana ganha dinheiro do governo, fortalecendo-se dia a dia, ao
mesmo tempo em que os tucanos e a mídia trabalham diuturnamente para
marginalizar os blogs, tentando lhes bloquear acesso à qualquer
publicidade pública ou privada.
Afinal, que empresário anunciará “um blog sujo patrocinado pelo governo federal”?
Posso até imaginar uma charge de humor, mas com fundo realista: um
blogueiro sujo, esquelético, vestindo trapos e postando embaixo de uma
ponte, enquanto passa um ricaço dirigindo seu carrão, ao lado do filho:
“olha ali, filho, este é um blogueiro sujo financiado pelo governo
federal”.
Está cada vez mais difícil para o PSDB fingir que não tem nada a ver com o escândalo das empreiteiras.
Governando o estado mais rico do país há mais de 20 anos, onde estão
sediadas a maioria das empreiteiras investigadas na operação Lava Jato,
os tucanos construíram relações políticas nada republicanas com estas
empresas.
Igualmente está cada vez mais difícil, para a mídia, recortar a
corrupção que envolve Petrobras e empreiteiras a um caso isolado.
Não é. As empreiteiras capturadas nos esquemas da Lava Jato são responsáveis por todas as obras públicas no país.
E provavelmente há corrupção em toda parte.
O país tem agora a oportunidade de combater, pela raiz, a cultura de
corrupção, mas somente se não quiser manipular politicamente uma
investigação criminal dessa magnitude.
Ninguém acusa o PSDB de ter inventado a corrupção no país.
Ninguém quer a “eliminação” do PSDB.
Já a Globo, em editorial publicado hoje, em que tenta usar a Lava
Jato para defender a cessão do pré-sal para petrolíferas estrangeiras,
fala em “esquema de corrupção montado pelo lulopetismo na estatal”.
Ora, a primeira declaração pública dos promotores públicos
responsáveis pela operação dizia que o esquema foi iniciado há 15 anos,
portanto em plena era FHC.
É simplesmente desonestidade da Globo falar em “esquema montado pelo lulopetismo”.
Hoje, na Folha, há uma matéria reveladora de que a corrupção no setor de construção civil está diretamente ligado ao sistema de financiamento eleitoral.
Em meio a uma das vistorias da PF na Operação Lava Jato, numa das
empreiteiras envolvidas, a Queiroz Galvão, encontrou-se uma planilha em
que a empresa calcula doações a políticos tucanos de São Paulo de acordo
com o preço da obra pública que será realizada pelo governo tucano.
José Serra é citado nominalmente, e a empreiteira confirmou tudo: de
fato, o cálculo era assim. O governo entrega uma obra com valor x para
uma empreiteira, e ela doa um percentual de x ao partido político que
controla o governo.
Simples como um poema da Cecília Meirelles.
E como o PSDB reage?
Dizendo que isso é coisa dos “blogs sujos, financiados pelo governo federal”.
A matéria nem foi apurada pelos blogs, e sim pela imprensa familiar.
A reação do PSDB, atacando os meios de mídia mais frágeis e mais
vulneráveis (apesar da influência crescente), mostra de onde vem a
ameaça real à liberdade de expressão no país.
E os jornalistas da grande mídia ainda se prestam ao papel ridículo de falar em ameaça bolivariana à “imprensa livre”.
Ora, se há ameaça, ela vem, como sempre aconteceu na história do Brasil, da direita golpista.
É também um alerta ao governo federal: a falta de um sistema de
financiamento mais democrático nos joga no pior dos mundos. Só a grande
mídia tucana ganha dinheiro do governo, fortalecendo-se dia a dia, ao
mesmo tempo em que os tucanos e a mídia trabalham diuturnamente para
marginalizar os blogs, tentando lhes bloquear acesso à qualquer
publicidade pública ou privada.
Afinal, que empresário anunciará “um blog sujo patrocinado pelo governo federal”?
Posso até imaginar uma charge de humor, mas com fundo realista: um
blogueiro sujo, esquelético, vestindo trapos e postando embaixo de uma
ponte, enquanto passa um ricaço dirigindo seu carrão, ao lado do filho:
“olha ali, filho, este é um blogueiro sujo financiado pelo governo
federal”.
Uma análise calma e otimista da conjuntura política | O Cafezinho
Uma análise calma e otimista da conjuntura política | O Cafezinho
Miguel do Rosario
Miguel do Rosario
Há tempos que eu queria escrever um texto calmo.
Calmo e otimista.
Nem que seja uma calma e um otimismo um pouco fingidos,
apenas para apaziguar o espírito.
apenas para apaziguar o espírito.
Acho que todos, no fundo, ansiamos desesperadamente por
isso: paz.
isso: paz.
Então vou escrever um texto calmo e otimista.
A mídia não nos deixou descansar.
Pulamos de um primeiro turno frenético para um segundo turno
sombrio, cheio de aves de mau agouros cruzando o céu, prenunciando o início de
uma era de retrocessos.
sombrio, cheio de aves de mau agouros cruzando o céu, prenunciando o início de
uma era de retrocessos.
Uma era de investigações abafadas e perseguição aos críticos
do governo.
do governo.
Felizmente, os agouros não se realizaram e Dilma ganhou.
À vitória de Dilma, porém, seguiu-se um terceiro turno
paranoico, fértil em teorias de conspiração, algumas embasadas em fatos
realmente estranhos.
paranoico, fértil em teorias de conspiração, algumas embasadas em fatos
realmente estranhos.
Vencida todas estas etapas, zarpamos enfim para o alto
mar.
mar.
Sim, o golpismo continua vivo e atuante. Todos os dias
teremos uma novidade.
teremos uma novidade.
Entretanto, gostaria de citar nosso amigo Merval, que outro
dia disse que havia dois tipos de corrupção.
dia disse que havia dois tipos de corrupção.
Uma boa, tucana, que seria “tradicional, por assim dizer”.
E uma outra maligna, petista, que visa o poder pelo
poder (outra citação, desta vez de Osmarina).
poder (outra citação, desta vez de Osmarina).
A mesma coisa vale para o golpismo. Há um golpismo do mal,
que vislumbramos neste terceiro turno.
que vislumbramos neste terceiro turno.
Não sabemos até que ponto esse golpismo do mal foi paranoia
nossa.
nossa.
Mas havia alguma coisa, efetivamente, cheirando mal.
O discurso raivoso do presidente do TSE, José Antonio Dias
Toffoli, contra Dilma, não ajudou em nada a afastar as suspeitas de
conspiração.
Toffoli, contra Dilma, não ajudou em nada a afastar as suspeitas de
conspiração.
Os xingamentos de Gilmar Dantas aos “blogs sujos”, idem.
Mas além desse golpismo do mal, que foi vencido, há o
golpismo “tradicional, por assim dizer”, que é a nossa cruz de cada dia.
golpismo “tradicional, por assim dizer”, que é a nossa cruz de cada dia.
Então vamos a ele e passemos à agenda de hoje, à Operação
Lava Jato.
Lava Jato.
Este sábado foi particularmente pesado.
Já temos até um novo apelido para a Lava Jato: Vaza Jato.
Os portais de notícia da grande mídia inundaram-se de
depoimentos feitos por uma bandidagem subitamente arrependida.
depoimentos feitos por uma bandidagem subitamente arrependida.
A Constituição diz que delação premiada tem de ser feita em
sigilo, pelo bem da investigação.
sigilo, pelo bem da investigação.
Porque senão teremos a repetição aqui do caso do italiano
Enzo Tortora. Os bandidos ouvem a delação de um comparsa, na mídia, e seguem a
mesma história.
Enzo Tortora. Os bandidos ouvem a delação de um comparsa, na mídia, e seguem a
mesma história.
Falam o que a mídia quer ouvir. Combinam narrativas.
Não quero, contudo, falar mal da Lava Jato.
A Lava Jato é uma investigação importante, que vai
proporcionar avanços para uma cultura corporativa mais hígida na Petrobrás, nas
estatais e em todas as grandes empresas que fazem negócios com o Estado.
proporcionar avanços para uma cultura corporativa mais hígida na Petrobrás, nas
estatais e em todas as grandes empresas que fazem negócios com o Estado.
Os excessos cometidos agora, contanto que não estraguem a
investigação, poderão ser moderados no Supremo Tribunal Federal, onde o
processo inevitavelmente irá terminar, porque envolve políticos.
investigação, poderão ser moderados no Supremo Tribunal Federal, onde o
processo inevitavelmente irá terminar, porque envolve políticos.
Realmente, é algo novo.
Não se pode mais falar de impunidade, porque apenas a prisão
e o marketing negativo já produziram danos incalculáveis às reputações de
executivos, empresas e servidores envolvidos.
e o marketing negativo já produziram danos incalculáveis às reputações de
executivos, empresas e servidores envolvidos.
Claro que ainda há enormes riscos de manipulação política,
mas a correlação de forças na sociedade, hoje, está um pouco mais equilibrada.
mas a correlação de forças na sociedade, hoje, está um pouco mais equilibrada.
Será muito mais custoso para a mídia, ou quase impossível,
construir uma narrativa tão fantasiosa, para o escândalo da Petrobrás, como
foi o mensalão.
construir uma narrativa tão fantasiosa, para o escândalo da Petrobrás, como
foi o mensalão.
Eles vão tentar, e talvez até consigam. Mas não por muito
tempo. E dará muito trabalho, e lhes tomará tempo e reputação.
tempo. E dará muito trabalho, e lhes tomará tempo e reputação.
Neste ponto, a nossa fraqueza, a nossa pequenez diante da
grande mídia, é a nossa maior força, porque é nosso atestado de honestidade:
não fomos criados no mesmo berçário que as empreiteiras.
grande mídia, é a nossa maior força, porque é nosso atestado de honestidade:
não fomos criados no mesmo berçário que as empreiteiras.
A mídia foi.
São todos filhotes da ditadura.
As redes sociais, a blogosfera, por sua vez, não tem
interesse em proteger ninguém.
interesse em proteger ninguém.
O campo progressista não é tolerante com a corrupção.
Se há gente do governo ou da base aliada envolvida, que
todos sintam o peso da lei.
todos sintam o peso da lei.
Há uma justiça poética que nos tranquiliza, ou deveria nos
tranquilizar.
tranquilizar.
Temos um governo que se deixa investigar.
Temos um governo que não construiu um sistema autoritário
que pudesse tolher o trabalho das instituições, de investigarem o próprio
governo.
que pudesse tolher o trabalho das instituições, de investigarem o próprio
governo.
A família inteira de Lula sofreu devassa pela Polícia
Federal.
Federal.
O irmão de Lula chegou a ter a sua casa revistada pela PF,
ainda no governo Lula.
ainda no governo Lula.
Isso é um sinal de transparência e vigor democráticos.
Lendo sobre a corrupção no Iraque, ou no México, o principal
problema apontados por analistas é que esses governos não permitem que nenhuma
investigação atinja pessoas influentes, próximas ao poder.
problema apontados por analistas é que esses governos não permitem que nenhuma
investigação atinja pessoas influentes, próximas ao poder.
Claro, temos que cuidar para evitar uma nova farsa judicial,
como foi a Ação Penal 470, na qual se usava justamente esse argumento, que é
uma teoria de linchamento.
como foi a Ação Penal 470, na qual se usava justamente esse argumento, que é
uma teoria de linchamento.
Na falta de elementos probatórios, defendia-se a condenação
dos réus com base no “sentimento das massas” e na necessidade de mostrar ao
populacho que, pela primeira vez na história, políticos graúdos eram presos.
dos réus com base no “sentimento das massas” e na necessidade de mostrar ao
populacho que, pela primeira vez na história, políticos graúdos eram presos.
Pois bem, foram presos.
Injusta ou justamente, a lei foi cumprida, e a mídia pôde
mostrar ao populacho que “poderosos” foram condenados e presos.
mostrar ao populacho que “poderosos” foram condenados e presos.
Santo Agostinho explica que uma república e um povo só podem
existir se há justiça, e justiça boa.
existir se há justiça, e justiça boa.
A injustiça, ou uma justiça mal feita, aniquilam a essência
da república, que é promover a felicidade do povo.
da república, que é promover a felicidade do povo.
Sem promoção da felicidade, não há justiça, nem república,
nem povo, apenas um amontoado caótico de seres humanos.
nem povo, apenas um amontoado caótico de seres humanos.
Esta é a justiça poética: quanto mais a Polícia Federal
investigar corrupção dentro de uma estatal e quanto mais ela se aproximar de
algum figurão da base aliada, ou mesmo do PT, mais estará demonstrado que a
democracia avançou no atual governo, e que Dilma falou a verdade quando
prometeu que não ficaria pedra sobre pedra.
investigar corrupção dentro de uma estatal e quanto mais ela se aproximar de
algum figurão da base aliada, ou mesmo do PT, mais estará demonstrado que a
democracia avançou no atual governo, e que Dilma falou a verdade quando
prometeu que não ficaria pedra sobre pedra.
O clima, enfim, melhorou sensivelmente, mesmo diante da
avalanche histérica de vazamentos da Lava Jato, alguns deles com histórias
mirabolantes, que ainda precisam ser analisadas por uma investigação mais
objetiva.
avalanche histérica de vazamentos da Lava Jato, alguns deles com histórias
mirabolantes, que ainda precisam ser analisadas por uma investigação mais
objetiva.
Investigação esta que não será feita pela imprensa familiar,
cujo interesse pelos escândalos sempre parece evaporar quando aparece um tucano
na história.
cujo interesse pelos escândalos sempre parece evaporar quando aparece um tucano
na história.
A mídia tem se enrolado cada vez mais em suas contradições.
A própria comparação de Merval, separando uma corrupção boa,
tucana, e uma corrupção ruim, petista, mostra que a mídia quer vender a teoria
que o PT praticava corrupção com fins “revolucionários”.
tucana, e uma corrupção ruim, petista, mostra que a mídia quer vender a teoria
que o PT praticava corrupção com fins “revolucionários”.
Só que entre corruptos e corruptores presos na Lava Jato não
havia ninguém interessado em implantar um regime “bolivariano” no país.
havia ninguém interessado em implantar um regime “bolivariano” no país.
Os empreiteiros presos não são petistas, nem de esquerda,
nem comunistas. Os servidores corruptos da Petrobrás, idem.
nem comunistas. Os servidores corruptos da Petrobrás, idem.
A corrupção na Petrobrás é uma corrupção “tradicional, por
assim dizer”.
assim dizer”.
Há mais de dez anos que o PT é o partido que mais ganha
dinheiro do fundo partidário e recebe mais doações legais de grandes empresas.
dinheiro do fundo partidário e recebe mais doações legais de grandes empresas.
Mesmo recebendo doações de empresas, o partido defende uma
reforma política que imponha o financiamento público, exclusivo, de campanha
eleitoral.
reforma política que imponha o financiamento público, exclusivo, de campanha
eleitoral.
Não teria sentido, portanto, o PT, enquanto partido, receber
dinheiro de propina de empreiteira.
dinheiro de propina de empreiteira.
Se há petista envolvido, era “corrupção tradicional, por
assim dizer”.
assim dizer”.
Além do mais, a troco de que o PT investiria tanto na
renovação da Polícia Federal, contratando milhares de novos delegados e
agentes, estabelecendo autonomia de investigação e se recusando a realizar
qualquer interferência na instituição?
renovação da Polícia Federal, contratando milhares de novos delegados e
agentes, estabelecendo autonomia de investigação e se recusando a realizar
qualquer interferência na instituição?
Os “petralhas” seriam então os corruptos mais burros do
mundo. Não, peraí, seriam inteligentes para roubar sem serem pegos e burros
para dar autonomia a PF?
mundo. Não, peraí, seriam inteligentes para roubar sem serem pegos e burros
para dar autonomia a PF?
Se a intenção fosse roubar para o partido, o PT teria feito
o que fez FHC: reduzir a PF, asfixiá-la, convertê-la numa instituição de
araque, que só aparecia no Jornal Nacional, de vez em quando, para queimar
algumas toneladas de maconha. E devia ser maconha já vencida, que os
traficantes entregavam à polícia para montar um teatrinho
junto à opinião pública.
o que fez FHC: reduzir a PF, asfixiá-la, convertê-la numa instituição de
araque, que só aparecia no Jornal Nacional, de vez em quando, para queimar
algumas toneladas de maconha. E devia ser maconha já vencida, que os
traficantes entregavam à polícia para montar um teatrinho
junto à opinião pública.
Todos os elementos, portanto, concorrem para dar mérito ao
PT, a Lula e à Dilma pelo combate à corrupção no país.
PT, a Lula e à Dilma pelo combate à corrupção no país.
Há corrupção no PT, no governo e nas estatais?
Sim.
Mas há também investigação e punição.
O próprio fato dos delegados e agentes da PF responsáveis
pela Lava Jato serem tucanos assumidos, que xingam Lula e Dilma nas redes
sociais, me parece, à parte a falta de educação com seus superiores ou
ex-superiores hierárquicos, uma mostra da extraordinária liberdade democrática
vigente em nossas instituições.
pela Lava Jato serem tucanos assumidos, que xingam Lula e Dilma nas redes
sociais, me parece, à parte a falta de educação com seus superiores ou
ex-superiores hierárquicos, uma mostra da extraordinária liberdade democrática
vigente em nossas instituições.
É exatamente o contrário do que eles dizem ser o “chavismo”
ou “bolivarianismo”.
ou “bolivarianismo”.
Quem aparelha as instituições, quem criminaliza a opinião
adversária, quem censura imprensa, até onde sabemos, são os tucanos.
adversária, quem censura imprensa, até onde sabemos, são os tucanos.
Para finalizar, eu acho que algumas coisas vão mudar para
melhor no governo, na comunicação e na política, até porque ele será forçado a
isso.
melhor no governo, na comunicação e na política, até porque ele será forçado a
isso.
A pressão e a crítica, todavia, são necessárias,
naturalmente, para que o jogo de forças dentro do governo seja vencido pelo
campo popular.
naturalmente, para que o jogo de forças dentro do governo seja vencido pelo
campo popular.
Não é só o governo Dilma que tem de aprimorar a sua atuação
política.
política.
A sociedade precisa se mobilizar mais, nos sindicatos, nos
movimentos sociais, em toda parte.
movimentos sociais, em toda parte.
De qualquer forma, Dilma está mais experiente, e convencida
de que precisa estabelecer um diálogo mais frequente e mais profundo com suas
bases, no congresso e na sociedade.
de que precisa estabelecer um diálogo mais frequente e mais profundo com suas
bases, no congresso e na sociedade.
Ela já reiterou essa disposição. E se realmente for assim,
mudanças virão.
mudanças virão.
E mesmo que ela traia as suas promessas de diálogo, o que
não acredito que vá acontecer, as mudanças virão de qualquer jeito, porque nem
a inércia do governo tem o poder de parar as rodas da história.
não acredito que vá acontecer, as mudanças virão de qualquer jeito, porque nem
a inércia do governo tem o poder de parar as rodas da história.
O debate sobre a democracia da mídia, por exemplo, ganhou
força. Nunca esteve tão presente na ordem do dia.
força. Nunca esteve tão presente na ordem do dia.
A mídia ampliou seu exército de zumbis, mas o campo popular
também se tornou mais consciente do papel da comunicação na luta política.
também se tornou mais consciente do papel da comunicação na luta política.
Tudo isso reflete um processo de mudança na correlação de
forças, um processo que dificilmente podemos enxergar ou entender
completamente, porque estamos mergulhados nele.
forças, um processo que dificilmente podemos enxergar ou entender
completamente, porque estamos mergulhados nele.
Há um processo histórico em curso que nos ultrapassa, e a
vitória será dada a quem estiver do lado certo.
vitória será dada a quem estiver do lado certo.
Não creio que o lado certo, numa democracia, seja o
monopólio da informação e das empresas que se enriqueceram na ditadura.
monopólio da informação e das empresas que se enriqueceram na ditadura.
Resta apenas saber se os próximos momentos da nossa história
estarão ou não ao lado da democracia.
estarão ou não ao lado da democracia.
Eu acho que sim.
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Curiosidades a jato
Curiosidades a jato - 14/12/2014 - Poder - Folha de S.Paulo
Nenhum dos cabeças do sistema de contratação de obras públicas por meio
de corrupção foi alcançado pela operação Lava Jato. Se pode ser o caso
de dizer "ainda não foi", ou se o não é definitivo, fica para
esclarecimento futuro. Mas a exclusão não se deve a que o jato lançado
pelos investigadores tenha orientação seletiva.
"Executivos" profissionais são postos nos altos cargos, até nas
presidências das empreiteiras, também ou sobretudo para arcar com os
riscos de complicação pessoal e, no dia a dia, entrar com o rosto nas
ações indecentes. É para dar essa fachada aos donos e acionistas
majoritários, detentores do verdadeiro comando, que os "executivos" têm
as elevadas remunerações que os levam a ser audaciosos e arrogantes.
Dos 36 denunciados na Lava Jato, os mais próximos da zona protegida nas
empreiteiras são Sérgio Cunha Mendes, como o sobrenome indica, um dos
vice-presidentes da Mendes Júnior; Dario Queiroz Galvão Filho,
presidente do conselho de administração, e Eduardo Galvão, vice de
gestão corporativa da Galvão Engenharia, empresa desdobrada da
empreiteira Queiroz Galvão. Os demais são acionistas ou não, mas nunca
detentores da decisão nos grandes negócios com estatais e com governos,
por intermédio dos incontáveis Paulos Robertos Costas.
Até que altura o jato alcançará as empreiteiras é uma boa curiosidade.
Mas, no mesmo capítulo, há pelo menos outra de igual gabarito: a
Odebrecht e a Andrade Gutierrez, que formam com a Camargo Corrêa o trio
das maiores, dominadoras das obras públicas e das privatizações e
concessões, não são molhadas nem por um jatinho? Então temos que mudar a
história econômica do Brasil desde os primórdios da ditadura.
Uma curiosidade novinha e de tipo pouco frequente. Talvez em atenção à
moda em que estão aqui os militares e a corrupção, a americana Dallas
Airmotive International reconheceu na Justiça dos EUA que pagou suborno
na FAB, de 2008 a 2012, para assegurar contratos de manutenção de
motores. Não foi notícia que interessasse a muitos jornais, para
publicação ainda na semana passada. Tanto mais que o ex-governador José
Anchieta Jr., de Roraima, foi citado na mesma admissão da Dallas. E
Anchieta é do PSDB.
Os mensalões e a corrupção no metrô e nos trens paulistas já mostraram
que corrupção não é a mesma coisa quando se trata de PT ou de PSDB. Os
militares, por sua vez, há muito tempo resolvem essas e outras coisas
desagradáveis lá entre eles, nos silêncios da Justiça Militar
--silêncios tão preferidos lá como resguardados pela imprensa, a menos
que os réus sejam soldados da PM.
Assim se explica a curiosidade por saber se corrupção na Petrobras e
entre militares são a mesma ou coisas diferentes. Se depender do nome,
tratando-se de aviões Lava Jato caiu do céu.
E uma falsa curiosidade. A Secretaria de Aviação Civil, a Polícia
Federal e a Aeronáutica, pelo que foi noticiado ao completar-se o quarto
mês da morte de Eduardo Campos, ainda não sabem quem "era o
responsável" pelo avião. A enrolação sugere ilegalidade. Antes da mal
alegada venda, para mal identificados compradores, o avião tinha
proprietário registrado. E esse proprietário, se vendeu o avião, sabe
quem e como pagou. O fato de Eduardo Campos estar morto não justifica
que o esclarecimento seja dispensado. Ou evitado. Inclusive porque há
envolvidos vivos. Lava Jato aí também.
Janio de Freitas
Curiosidades a jato
Dos 36 denunciados na Lava Jato, boa parte não detém a decisão nos grandes negócios com estatais
de corrupção foi alcançado pela operação Lava Jato. Se pode ser o caso
de dizer "ainda não foi", ou se o não é definitivo, fica para
esclarecimento futuro. Mas a exclusão não se deve a que o jato lançado
pelos investigadores tenha orientação seletiva.
"Executivos" profissionais são postos nos altos cargos, até nas
presidências das empreiteiras, também ou sobretudo para arcar com os
riscos de complicação pessoal e, no dia a dia, entrar com o rosto nas
ações indecentes. É para dar essa fachada aos donos e acionistas
majoritários, detentores do verdadeiro comando, que os "executivos" têm
as elevadas remunerações que os levam a ser audaciosos e arrogantes.
Dos 36 denunciados na Lava Jato, os mais próximos da zona protegida nas
empreiteiras são Sérgio Cunha Mendes, como o sobrenome indica, um dos
vice-presidentes da Mendes Júnior; Dario Queiroz Galvão Filho,
presidente do conselho de administração, e Eduardo Galvão, vice de
gestão corporativa da Galvão Engenharia, empresa desdobrada da
empreiteira Queiroz Galvão. Os demais são acionistas ou não, mas nunca
detentores da decisão nos grandes negócios com estatais e com governos,
por intermédio dos incontáveis Paulos Robertos Costas.
Até que altura o jato alcançará as empreiteiras é uma boa curiosidade.
Mas, no mesmo capítulo, há pelo menos outra de igual gabarito: a
Odebrecht e a Andrade Gutierrez, que formam com a Camargo Corrêa o trio
das maiores, dominadoras das obras públicas e das privatizações e
concessões, não são molhadas nem por um jatinho? Então temos que mudar a
história econômica do Brasil desde os primórdios da ditadura.
Uma curiosidade novinha e de tipo pouco frequente. Talvez em atenção à
moda em que estão aqui os militares e a corrupção, a americana Dallas
Airmotive International reconheceu na Justiça dos EUA que pagou suborno
na FAB, de 2008 a 2012, para assegurar contratos de manutenção de
motores. Não foi notícia que interessasse a muitos jornais, para
publicação ainda na semana passada. Tanto mais que o ex-governador José
Anchieta Jr., de Roraima, foi citado na mesma admissão da Dallas. E
Anchieta é do PSDB.
Os mensalões e a corrupção no metrô e nos trens paulistas já mostraram
que corrupção não é a mesma coisa quando se trata de PT ou de PSDB. Os
militares, por sua vez, há muito tempo resolvem essas e outras coisas
desagradáveis lá entre eles, nos silêncios da Justiça Militar
--silêncios tão preferidos lá como resguardados pela imprensa, a menos
que os réus sejam soldados da PM.
Assim se explica a curiosidade por saber se corrupção na Petrobras e
entre militares são a mesma ou coisas diferentes. Se depender do nome,
tratando-se de aviões Lava Jato caiu do céu.
E uma falsa curiosidade. A Secretaria de Aviação Civil, a Polícia
Federal e a Aeronáutica, pelo que foi noticiado ao completar-se o quarto
mês da morte de Eduardo Campos, ainda não sabem quem "era o
responsável" pelo avião. A enrolação sugere ilegalidade. Antes da mal
alegada venda, para mal identificados compradores, o avião tinha
proprietário registrado. E esse proprietário, se vendeu o avião, sabe
quem e como pagou. O fato de Eduardo Campos estar morto não justifica
que o esclarecimento seja dispensado. Ou evitado. Inclusive porque há
envolvidos vivos. Lava Jato aí também.
domingo, 7 de dezembro de 2014
Esconderam as informações
Esconderam as informações mais importantes do Datafolha sobre corrupção

Esconderam as informações mais importantes que o Datafolha sobre corrupção divulgado hoje traz.
Não por inépcia, ou não só por inépcia, mas sobretudo pela má fé.
Duas coisas merecem consideração. Primeiro, que apenas 9% dos entrevistados consideram a corrupção o maior problema do país.
Clap, clap, clap. Aplausos de pé. Nada, no Brasil, se compara em dimensões trágicas à desigualdade social.
Mas os beneficiários dela, entre os quais os donos das grandes
empresas jornalísticas, tentam fingir que este é o maior drama nacional.
Quer dizer, fazem isso quando um governo do qual não gostam está no
poder, como foi o caso de Getúlio, Jango, Lula e agora Dilma.
Quando é um governo amigo, a corrupção não é assunto. O direito à
reeleição de FHC foi comprado com malas de reais, tudo devidamente
documentado, mas isso não era corrupção.
Caso ainda se interesse por ciência política, FHC tem oportunidade,
diante da esqualidez dos 9%, de entender por que com tudo a favor –
mídia, Marina, economia em situação complicada – Aécio conseguiu perder a
eleição com seu samba de uma nota só, a corrupção.
Logo ele, o homem do aeroporto de Cláudio, da irmã que colocava
dinheiro público nas rádios da família, logo ele se punha a falar em
corrupção como se fosse um Gandhi.
Não surpreende que, com esta ladainha manipuladora da corrupção,
protestos contra Dilma arregimentem escassas almas, que se dispersam aos
primeiros sinais de chuva, como se viu outro dia em Belo Horizonte.
A segunda conclusão importante do Datafolha é que, para 46% dos
entrevistados, governo nenhum investigou tanto a corrupção quanto Dilma.
Vê-se, aí, o acerto dos responsáveis pela campanha de Dilma ao
colocar foco nisso e sair da defesa para o ataque nas semanas anteriores
ao segundo turno.
O exemplo mais dramático da criminosa falta de empenho do PSDB em combater a corrupção está estampado no escândalo do Metrô.
Três administrações tucanas – Covas, Alckmin, Serra – não foram
capazes de pôr fim à roubalheira do Metrô. Não fosse a Suíça, que
denunciou contas milionárias abastecidas por propinas ligadas ao Metrô
de São Paulo, estaríamos ainda no escuro em relação ao assunto.
Merece um capítulo especial, aí, o caso de um discípulo dileto de
Covas, Robson Marinho. Covas o colocou no Tribunal de Contas, cuja
missão, pausas para rir, é fiscalizar as despesas do governador de São
Paulo.
Mesmo com evidências esmagadoras de alta corrupção, e de brutal
enriquecimento pessoal por causa dela, Robson Marinho foi mantido no TCE
até recentemente.
São estes os dois dados mais importantes do Datafolha: o baixo número
de brasileiros que acham que o maior problema nacional é a corrupção, e
o alto contingente que considera que nunca ela foi tão combatida como
agora com Dilma.
Mas o noticiário das grandes empresas de jornalismo, como era previsível, destacou outra coisa.
A Folha, por exemplo, tomou a primeira página hoje com a “informação”
de que a maior parte dos entrevistados atribuiu a Dilma “alguma
responsabilidade” no episódio Petrobras.
A pergunta em si, sobre se Dilma é responsável e em que grau, já é
falaciosa. Bombardeado por uma mídia que o tempo todo associa
sofregamente o caso Petrobras a Dilma, que o entrevistado poderia
responder?
Como sempre, o noticiário das grandes companhias de comunicação jogou
sombra onde havia luz, numa inversão colossal de um sagrado princípio
do jornalismo.
Mas a voz rouca das ruas, como mostra o Datafolha sem a edição
malandra de quem manipula as informações, consegue enxergar a luz por
conta própria, a despeito dos que tentam mantê-la no breu.
Esconderam as informações mais importantes do Datafolha sobre corrupção
Postado em 07 dez 2014
por : Paulo Nogueira
Esconderam as informações mais importantes que o Datafolha sobre corrupção divulgado hoje traz.
Não por inépcia, ou não só por inépcia, mas sobretudo pela má fé.
Duas coisas merecem consideração. Primeiro, que apenas 9% dos entrevistados consideram a corrupção o maior problema do país.
Clap, clap, clap. Aplausos de pé. Nada, no Brasil, se compara em dimensões trágicas à desigualdade social.
Mas os beneficiários dela, entre os quais os donos das grandes
empresas jornalísticas, tentam fingir que este é o maior drama nacional.
Quer dizer, fazem isso quando um governo do qual não gostam está no
poder, como foi o caso de Getúlio, Jango, Lula e agora Dilma.
Quando é um governo amigo, a corrupção não é assunto. O direito à
reeleição de FHC foi comprado com malas de reais, tudo devidamente
documentado, mas isso não era corrupção.
Caso ainda se interesse por ciência política, FHC tem oportunidade,
diante da esqualidez dos 9%, de entender por que com tudo a favor –
mídia, Marina, economia em situação complicada – Aécio conseguiu perder a
eleição com seu samba de uma nota só, a corrupção.
Logo ele, o homem do aeroporto de Cláudio, da irmã que colocava
dinheiro público nas rádios da família, logo ele se punha a falar em
corrupção como se fosse um Gandhi.
Não surpreende que, com esta ladainha manipuladora da corrupção,
protestos contra Dilma arregimentem escassas almas, que se dispersam aos
primeiros sinais de chuva, como se viu outro dia em Belo Horizonte.
A segunda conclusão importante do Datafolha é que, para 46% dos
entrevistados, governo nenhum investigou tanto a corrupção quanto Dilma.
Vê-se, aí, o acerto dos responsáveis pela campanha de Dilma ao
colocar foco nisso e sair da defesa para o ataque nas semanas anteriores
ao segundo turno.
O exemplo mais dramático da criminosa falta de empenho do PSDB em combater a corrupção está estampado no escândalo do Metrô.
Três administrações tucanas – Covas, Alckmin, Serra – não foram
capazes de pôr fim à roubalheira do Metrô. Não fosse a Suíça, que
denunciou contas milionárias abastecidas por propinas ligadas ao Metrô
de São Paulo, estaríamos ainda no escuro em relação ao assunto.
Merece um capítulo especial, aí, o caso de um discípulo dileto de
Covas, Robson Marinho. Covas o colocou no Tribunal de Contas, cuja
missão, pausas para rir, é fiscalizar as despesas do governador de São
Paulo.
Mesmo com evidências esmagadoras de alta corrupção, e de brutal
enriquecimento pessoal por causa dela, Robson Marinho foi mantido no TCE
até recentemente.
São estes os dois dados mais importantes do Datafolha: o baixo número
de brasileiros que acham que o maior problema nacional é a corrupção, e
o alto contingente que considera que nunca ela foi tão combatida como
agora com Dilma.
Mas o noticiário das grandes empresas de jornalismo, como era previsível, destacou outra coisa.
A Folha, por exemplo, tomou a primeira página hoje com a “informação”
de que a maior parte dos entrevistados atribuiu a Dilma “alguma
responsabilidade” no episódio Petrobras.
A pergunta em si, sobre se Dilma é responsável e em que grau, já é
falaciosa. Bombardeado por uma mídia que o tempo todo associa
sofregamente o caso Petrobras a Dilma, que o entrevistado poderia
responder?
Como sempre, o noticiário das grandes companhias de comunicação jogou
sombra onde havia luz, numa inversão colossal de um sagrado princípio
do jornalismo.
Mas a voz rouca das ruas, como mostra o Datafolha sem a edição
malandra de quem manipula as informações, consegue enxergar a luz por
conta própria, a despeito dos que tentam mantê-la no breu.
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