quarta-feira, 19 de agosto de 2015

copacoxa

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A negra da Atlântica era a babá…

copacoxa


O termo reportagem, que não se confunde com a mera notícia. a
qual querem circunscrever o jornalismo sob a alegação de “neutralidade”
(naturalmente, uma neutralidade sempre acorde ao senso comum que a
própria comunicação de massas constrói), vem do latim “reportare”, que é
“levar de volta” o leitor a algum lugar ou situação onde aquele que
reporta esteve ou viveu.


O repórter Bernardo Mello Franco, da Folha, que já nos havia brindado
com o clima de “oh, glória” do promotor Deltan Dallagnol, da Lava Jato,
dizendo algo como “Deus está com Moro e não abre”, desta vez passeia,
de alma leve e olhos abertos pela manifestação “pro-impeachment” de
domingo, em Copacabana.


É texto que vale a pena ler, para que a gente relembre  como é inevitavelmente vasta, insana e hipócrita a fauna humana:


Domingo em Copacabana

Bernardo Mello Franco, na Folha
Vi uma multidão de verde e amarelo em Copacabana, com bandeiras
do Brasil e cartazes contra o PT. Ouvi palavras de ordem e palavrões
contra Dilma e Lula. Não ouvi os nomes de Aécio, Marina, Serra ou
Alckmin, que Dilma e Lula derrotaram nas últimas quatro eleições.



Vi faixas contra os senadores Renan Calheiros e Fernando Collor,
investigados no petrolão. Não vi nenhuma menção ao deputado Eduardo
Cunha, o articulador do impeachment, que é acusado de embolsar US$ 5
milhões no mesmo escândalo.



Vi um desfile de camisas oficiais da seleção. Não vi ninguém
citar os cartolas da CBF sob suspeita de corrupção, como Ricardo
Teixeira e José Maria Marin, preso na Suíça.



Vi mais de uma centena de manifestantes pedindo a volta dos
militares. Vi homens de boina do Exército a bordo de um jipe camuflado.
Não vi nada que lembrasse os crimes da ditadura fardada de 1964.



Vi cartazes com a foto do juiz Sergio Moro, que prendeu José
Dirceu há duas semanas. Não ouvi o nome de Joaquim Barbosa, que prendeu o
petista há menos de dois anos.



Vi faixas contra o comunismo, ouvi que “a nossa bandeira jamais
será vermelha”. Vi uma celebridade sumida da TV, o ex-casseta Marcelo
Madureira, atacando o PT em um trio elétrico. Não vi a atriz Regina
Duarte. Depois soube que ela perdeu o medo e escalou uma árvore para
tirar “selfies” com a passeata ao fundo.



Vi manifestantes confraternizando com PMs. Também vi uma faixa a
favor da PEC 300, que aumenta o salário dos PMs. Não vi atos de
vandalismo e ninguém ameaçou “pegar em armas”, como fez o presidente da
CUT em solenidade no Planalto.



Na volta, vi um deputado de blusa amarela na porta de um bar
lotado de gente que chegava da manifestação. Ele andou até uma
camionete, parada em local proibido, e buscou a filha com uma mulher
negra. A mulher não parecia vir do protesto nem usava camisa da seleção.
Vestia um uniforme branco de babá.



A tentação golpista

A tentação golpista - Carta Maior



A tentação golpista

O que o sr. Fernando Henrique Cardoso propõe é o golpe de
Estado, a violação da ordem jurídico-política, movido apenas pela
ambição de poder.


Fabio de Sá e Silva (*)







O sr. Fernando Henrique Cardoso
demonstra ser uma pessoa extremamente impaciente. Decorridos apenas
alguns meses do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, clama por
renúncia e novas eleições presidenciais. Mau perdedor, não tem
maturidade política para aguardar o período constitucional de quatro
anos para, novamente, submeter suas ideias e programas à população
brasileira, a única juíza do bom ou mau desempenho de seus mandatários.
Deseja, ilegalmente, o terceiro turno.

Recorre, em sua
declaração destemperada e superficial, a duas linhas de argumentação. A
primeira, baseada vaga e frouxamente em considerações sobre corrupção, é
desinformada e juvenil.

Trata o andamento das investigações no
âmbito da operação lava jato como sinal de corrosão do poder político,
quando na verdade este fato sinaliza para maturidade da democracia
brasileira, que agora caminha sem a proteção seletiva de arquivadores
gerais e de polícias políticas.

O segundo fio de raciocínio,
mais grave, porque eivado de inconstitucionalidade e autocontradição,
aponta para suposto “sentimento popular de que o governo, embora legal, é
ilegítimo”. E se dedica a especular sobre as condições nas quais seja
possível ao governo “a aceitação de seu direito de mandar, de conduzir”

Para
isso, o sr. Fernando Henrique Cardoso propõe violar a vontade popular
expressa democraticamente nas urnas em novembro último, destruir o
Estado de Direito duramente reconstruído após 22 anos de ditadura e
rasgar a Constituição. Parece óbvio que o sr. Cardoso desconhece a
lógica e seu princípio básico, o da não-contradição.

Não se
trata aqui, entretanto, de uma questão acadêmico-filosófica. Trata-se de
uma questão antes de tudo ética, jurídica e política. O que o sr.
Fernando Henrique Cardoso propõe é o golpe de Estado, a violação da
ordem jurídico-política, movido apenas pela ambição de poder.

Constitui
uma trágica ironia o fato de o autor recorrer em suas declarações aos
espectros da degradação nacional, da desagregação social e da anomia.
Que melhor sintoma dessas ameaças que sua conclamação irresponsável e
inconstitucional à ruptura da ordem democrática vigente?

O sr.
Fernando Henrique Cardoso abunda nas contradições. Segundo ele, a menos
que haja “gesto de grandeza” da presidenta, como renúncia, "assistiremos
à desarticulação crescente do governo e do Congresso, a golpes de
lavajato”.

Perante uma crise institucional por ele inventada e
uma alternativa autoritária que só existe em sua fantasia, o sr.
Fernando Henrique Cardoso propõe uma solução "brilhante": a criação, na
prática, de uma crise institucional, e a adoção, com entusiasmo, de uma
solução autoritária e antidemocrática.

O sr. Fernando Henrique
Cardoso, além de óbvias dificuldades com a lógica e com a ética, tem
parcos conhecimentos de filosofia política. Parece pensar que o termo
"contrato social" designa uma realidade histórica e que, portanto, seria
possível negociá-lo, como em uma reunião de acionistas ou condôminos.
Se lesse os clássicos, entenderia que o conceito designa algo que se
postula como hipótese filosófica, com vocação explicativa, nunca como um
fato concreto.

Na verdade, "contrato social" é aquele que foi
firmado pelo povo brasileiro, nas últimas eleições, com a presidente
Dilma Rousseff, com o novo Congresso Nacional, e com as diversas
autoridades nos níveis estadual e municipal. Não há, numa democracia,
outro "contrato social" que não aquele consagrado nas urnas. A
alternativa é o golpismo e a baderna, sob o nome anódino de
"mobilização".

As declarações do sr. Fernando Henrique Cardoso
prestam um grande desserviço ao Brasil. Fazem pouco caso de nossa
democracia, de nosso Congresso e da maturidade política de nosso povo.
Tentam, sem dúvida inutilmente, erodir a credibilidade de nosso país no
exterior. Pregam, por fim, a ruptura do Estado de Direito e o
divisionismo, agora que as maiores lideranças do país buscam, dentro do
respeito à legalidade, a união para o enfrentamento das dificuldades
comuns.
*
O texto acima é uma adaptação livre, mas com
relativamente poucas modificações, de artigo de mesmo título, de autoria
do então Senador Teotônio Villela Filho (PSDB–AL).

O original
foi escrito em resposta a artigo em que Tarso Genro (PT–RS) pedia a
renúncia de FHC, em 1999. Tarso alegava que o governo de FHC perdeu a
“respeitabilidade e a governabilidade” com a desvalorização do real. A
moeda forte, disse Tarso, foi o pilar da reeleição de FHC.

Tivesse
feito referências às denúncias de compra de votos para a aprovação da
emenda da reeleição e teríamos um quadro muito parecido com o atual, no
qual FHC vê a “perda de condições de governar”.

Na ocasião, como
reportou a Folha, FHC respondeu “com ironia à proposta de renúncia de
Tarso Genro”: “O presidente já esperava que Tarso Genro tivesse se
convertido à democracia”, disse FHC, por seu porta-voz.

Lula, vale lembrar, divergiu de Tarso.

“Eu
não acho que o problema do Brasil será resolvido com a antecipação do
processo eleitoral. O problema poderia ter sido resolvido em 4 de
outubro. Não foi. A população fez uma opção, certa ou errada, foi uma
opção da maioria do povo”, declarou Lula, na época.

(**) PhD em direito, política e sociedade (Northeastern University, EUA)

domingo, 16 de agosto de 2015

Fora das instituições, o mundo fica muito pior

Fora das instituições, o mundo fica muito pior - 16/08/2015 - Poder - Folha de S.Paulo



Fora das instituições, o mundo fica muito pior

CONRADO HÜBNER MENDES 




Protestos foram motor de mudanças marcantes na história política, para o
bem e para o mal. Com muito custo tornaram-se uma liberdade
constitucional. Por certo, uma das mais incômodas liberdades, pois
mantêm autoridades sob estresse, desestabilizam consensos, escancaram
dissensos e produzem a energia vital sem a qual a democracia não se
critica nem se reinventa.




Seus limites, por essa mesma razão, estão em permanente renegociação.
Numa sociedade formada por experiências oligárquicas e autoritárias como
a nossa, é uma liberdade distribuída desigualmente, uma verdade
extraoficial que políticos evitam reconhecer. De Dilma a Alckmin, de
Aécio a Lula, de Cunha a Renan, dentro das atribuições que têm ou
tiveram, pouco foi feito para transformar essa realidade.




O protesto de hoje é seguro, pois tem o privilégio de não contar com a
antipatia policial. Não haverá, salvo imprevisto, bala de borracha, gás
lacrimogêneo ou detenção para averiguação, velhas rotinas da cultura
policial (como em tantas cidades do país nos últimos anos). Rotinas
ilegais toleradas por crônica indiferença governamental e social.




As condições privilegiadas, por si sós, não tornam o protesto menos
legítimo. Entretanto, ter e praticar um direito não isenta ninguém de
responsabilidade. Quem protesta (ou não protesta) tem contas a prestar
ao menos com sua consciência.




Ainda que, do ponto de vista jurídico, não precisemos explicar por que
exercemos um dado direito numa dada conjuntura, cidadãos têm o ônus de
justificar suas escolhas cívicas. Poderão ser interpelados moralmente
por sua ação ou omissão. Democracias funcionam melhor quando se
compreende a sutil relação entre liberdade e responsabilidade.




Os grupos que prometem ir hoje às ruas têm propostas razoavelmente
diversas para um Brasil em crise. Compartilham, porém, um objetivo: a
saída imediata da presidente da República, seja pelo impeachment, pela
renúncia, ou, na versão mais extravagante, pela convocação de novas
eleições. Aos que se consideram politicamente sensatos e que ainda se
dão o benefício da dúvida, é sobre isso que devemos conversar -crises,
instituições e ritos constitucionais.




Crises, conforme a sabedoria convencional, têm uma ambiguidade
fundamental: insinuam-se, ao mesmo tempo, como ameaça e oportunidade;
podem deteriorar relações sociais e desacreditar instituições em bom
funcionamento, mas oferecem uma chance para mexer em estruturas
profundas que os tempos de normalidade não conseguem.




Agravar a crise é estratégico para os que almejam assumir o poder por
vias extra-institucionais. Mas equacioná-la pode dar continuidade ao
fato institucional mais promissor da democracia brasileira em muitos
anos: o combate à corrupção pela ação independente e coordenada de
instituições como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder
Judiciário.




Instituições servem para amortecer conflitos e facilitar decisões. O
respeito a elas não é fetiche, mas uma apólice de seguro político que
permite a convivência não violenta entre adversários. Fora delas, o
mundo fica muito pior. Defender a saída de Dilma neste momento, com
raiva e convicção, mas sem evidências jurídicas, é, no mínimo, queimar a
largada. Propor novas eleições, então, é pura tentação de poder à
margem da legalidade.




O compromisso com a ética do protesto supõe alguns deveres, entre eles o
de informar-se sobre fatos, normas e interesses, com clareza do alvo,
dos riscos e das consequências dos seus atos. Tão importante quanto se
perguntar quem eventualmente perde com o aprofundamento da crise, é
saber quem ganha. Quem não se faz seriamente essa pergunta pode acordar e
descobrir que dormiu com o inimigo.





Em nome da democracia

Em nome da democracia - 16/08/2015 - Poder - Folha de S.Paulo



Janio de Freitas

Em nome da democracia



As regras existem, precisas e claras na Constituição, mas o respeito é negado por quem mais deveria fortalecê-las
"Isso é democracia". Não é, não. Um dos componentes essenciais e
inflexíveis da democracia é o respeito às regras que a instituem. As
regras existem no Brasil, precisas e claras na Constituição, mas o
respeito é negado onde e por quem mais deveria fortalecê-las. O que está
sob ataque não é mandato algum, são as regras da democracia e,
portanto, a própria democracia que se vinha construindo.





Não há disfarce capaz de encobrir o propósito difundido por falsos
democratas instalados no Congresso e em meios de comunicação: reverter a
decisão eleitoral para a Presidência sem respeitar as exigências e
regras para tanto fixadas pela Constituição e pela democracia. Há mais
de nove meses, a cada dia surge novo pretexto em busca de uma brecha –no
Congresso, em um dos diferentes tribunais, nas ruas– na qual enfim
prospere o intuito de derrubar o resultado eleitoral.





O regime democrático é tratado na Constituição como "cláusula pétrea",
que se pretende com solidez granítica. O que não significa ser
impossível transgredi-lo. Mas significa que quem o faça ou tente fazê-lo
comete crime. E quem o comete criminoso é de fato, haja ou não a
condenação que assim o defina. Tal é a condição que muitos ostentam e
outros tantos elaboram para si.





A pregação de parlamentares identificáveis como um núcleo de agitação e
provocação atenta contra a democracia. A excitação de hostilidades que
esses parlamentares propagam pelo país é indução de animosidade
antidemocrática –sem que isso suscite reação alguma, o que é, por si
mesmo, indício da precária condição da democracia e da Constituição.





O que se passa hoje na Câmara, como método e objetivos da atividade, não
é próprio de Congresso de regime democrático. Em muitos sentidos,
restaura a Câmara controlada e subserviente da ditadura. Em outros
aspectos, assume presunções autoritárias, de típico teor
antidemocrático, ao ameaçar até aprovações do Senado de punitivas
suspensões da sua tramitação.





Afinal, um dos focos da corrupção é arrombado. Os procuradores e juízes
do caso receberam tarefa de importância extraordinária. Mas não é
garantido que estejam plenamente respeitados nessa tarefa os limites das
regras democráticas. À parte condutas funcionais que não cabe
considerar neste sobrevoo do momento do país, é notória no grupo, e dele
difundida, uma incitação a ânimos não condizentes com investigações e
justiça na democracia. Pôr-se como salvadores da pátria, a partir dos
quais "o Brasil agora será outro", não é só um equívoco da ingenuidade. É
uma ameaça, senão já algumas práticas, de poderes e atitudes
exacerbados que fogem às regras.





Um exemplo que recebeu tolerância incompatível com sua importância:
difundir informações inverídicas e sensacionalistas à imprensa, e ao
país, "para estimular mais informantes" –como feito e dito por um
procurador–, não é ético nem democrático. É autopermissão abusiva. E
incitação a ânimos públicos que já recebem das realidades circundantes o
bastante para serem exaltados.





O espírito antidemocrático não é alheio nem ao Supremo Tribunal Federal.
É nele que um juiz pode impedir a conclusão de um julgamento tão
significativo como o financiamento das eleições dos governantes e
congressistas. Ou seja, dos que determinam os destinos do país e de seus
mais de 200 milhões habitantes. Se alguém achar que é deboche, não vale
a pena contestar. Mas convém lembrar que é uma evidência perfeita da
prepotência primária, apenas ilusoriamente culta, que sobreviveu muito
bem à ruína do seu sistema escravocrata.





Movimentos de ocupações urbanas e rurais são acusados de violar a
democracia. É engano. Ilegais, sim, mas não são democráticos nem
antidemocráticos. Sequer estão incluídos na democracia, desprovidos que
são, todos os padecentes de grandes desigualdades econômicas sociais, de
meios democráticos para obter os direitos que a Constituição lhes
destina.





E os jornais, a TV, as revistas, o rádio –na verdade, os jornalistas que
os fazem– nesse país que concebe a democracia como uma bola, tanto a
ser chutada sempre, como a oferecer grandes e efêmeras euforias?
Agradeço à sogra de um jogador de futebol, Rosangela Lyra, que me
dispensa de alguns desagrados. Disse ela, à Folha, das pequenas e
iradas manifestações que organiza pela derrubada do resultado da
eleição presidencial: "As redes sociais amplificam e a mídia
quintuplica". Entregou. Delação de dar inveja aos gatunos da Petrobras.





"Isso é democracia" como slogan de antidemocracia só indica que o Brasil ainda não é ou já não é democracia.

sábado, 15 de agosto de 2015

Economista lista 15 propostas para diminuir a desigualdade

Economista lista 15 propostas para diminuir a desigualdade - 15/08/2015 - Mercado - Folha de S.Paulo



Crítica Economia Internacional

Economista lista 15 propostas para diminuir a desigualdade



Livro traz ideias como herança para todos e políticas antidesemprego
ELEONORA DE LUCENA 




Por que investir em estudos para carros sem motorista? Essa decisão,
motivada por razões comerciais privadas, pode não estar alinhada ao
interesse público. O Estado deveria se preocupar com os rumos das
pesquisas, incentivando inovações que considerem o aumento de emprego e a
dimensão humana do trabalho.





O papel do Estado no desenvolvimento científico é o primeiro ponto do
plano de 15 medidas do economista britânico Anthony Atkinson para
enfrentar a crescente desigualdade econômica. Suas ideias estão
descritas em detalhes em "Inequality - What Can Be Done" [desigualdade, o
que pode ser feito].





É um projeto audacioso. Propõe taxar, de forma progressiva, muito mais
os mais ricos (alíquotas de 65%), as propriedades, as heranças, as
transmissões de bens intervivos. Quer mais recursos públicos para os
mais pobres, aumentando benefícios de seguridade social e fazendo
transferências de renda.





Advoga uma política antidesemprego, com o Estado garantindo vagas a
salário mínimo para quem não tem trabalho. O governo também deveria
interferir em remunerações, não deixando que salários fossem definidos
apenas pelas leis de mercado.





Atkinson, 70, lembra os versos da balada "My Back Pages", de Bob Dylan,
para defender que jovens pobres, ao entrar na vida adulta, recebam uma
quantia. A proposta, originalmente apresentada pelo revolucionário
Thomas Paine (1737-1809), seria uma espécie de herança generalizada.





"Se todo o mundo herdasse a mesma quantia, o campo de jogo estaria
nivelado. Um passo nessa direção é garantir que todo o mundo receba uma
herança mínima", diz o autor, professor da London School of Economics.





Aos que argumentam que não há dinheiro para essas medidas, Atkinson
rebate com números e questionamentos sobre os parâmetros da teoria
neoliberal. Dá exemplos para a viabilidade de algumas de suas ideias -ao
menos na economia do Reino Unido.





POLÍTICAS NACIONAIS





O cerne do trabalho é atacar a visão de que "não há alternativa" às
atuais políticas concentradoras de renda e que a desigualdade crescente é
inevitável. Para ele, apesar de uma economia cada vez mais globalizada,
cabe aos governos decidir que rumo tomar -e há espaço para mudança:





"O impacto na extensão da desigualdade depende da política doméstica, e
essa é uma das razões pelas quais há mais avanços na desigualdade em
alguns países do que em outros, apesar de enfrentarem desafios externos
similares".





Centrado na Europa e nos EUA, o livro cita a redução de desigualdade na
América Latina no início deste século, elogiando o Bolsa Família e a
valorização do salário mínimo no Brasil. Segundo ele, bons exemplos da
eficácia das políticas nacionais no combate à desigualdade.





Na história, Atkinson vai buscar no entreguerras e no pós-guerra ações que explicam a queda na desigualdade no período.





Naqueles tempos, os impostos para os ricos eram elevados e cresceram os
gastos com programas sociais, transferências de renda, serviços de saúde
e previdência. Na Europa, consolidou-se o Estado do Bem-Estar; nos EUA,
avançou o New Deal.





Se Thomas Piketty esmiuçou a evolução dos números da desigualdade no
mundo rico em seu "Capital do Século 21", Atkinson se esmerou nas
propostas de mudança. Para quem se frustrou com as sugestões vagas e
utópicas expostas nas conclusões do best-seller francês, o livro do
veterano estudioso britânico é um roteiro provocativo.





Falha ao não aprofundar a discussão política de seu projeto. Afinal,
como afirma o autor, o balanço de poder atual prejudica trabalhadores e
consumidores.





Atkinson também pouco explora questões como o papel das megacorporações e
dos paraísos fiscais. Ressalta que seu livro não é um exercício de
utopia. E acerta ao apontar que os atuais níveis de desigualdade são
incoerentes com a concepção de uma sociedade boa e ameaçam a democracia.

domingo, 9 de agosto de 2015

Blog do Miro

Não dá para confiar na famiglia Marinho


Por Altamiro Borges



A famiglia Marinho, que utilizou todos os veículos que compõe a sua
propriedade cruzada na mídia para desgastar o governo Dilma e para
insuflar as marchas golpistas de março e abril, parece que desembarcou
da aventura dos que propõem o impeachment da presidenta. Em editorial
nesta sexta-feira (7), a jornal O Globo criticou o oportunismo do
presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, e a “marcha da insensatez”
da oposição. Também circula a informação de que um dos chefões da
corporação, João Roberto Marinho, teria se reunido com nove dos 13
senadores do PT para defender “que Dilma seja sucedida por quem ganhar
as eleições de 2018. Ou seja, impeachment, não”.



No editorial, intitulado “Manipulação do Congresso
ultrapassa limites”, o jornalão anuncia o seu rompimento com Eduardo
Cunha, a quem sempre protegeu. “Ele age de forma assumida como oposição
ao governo Dilma na tentativa de demonstrar força para escapar de ser
denunciado ao Supremo, condenado e perder o mandato, por envolvimento
nas traficâncias financeiras desvendadas pela Lava-Jato. Daí, trabalhar
pela aprovação de ‘pautas-bomba’, destinadas a explodir o Orçamento e,
em consequência, queira ou não, desestabilizar de vez a própria economia
brasileira... Se a conjuntura já é muito ruim, a situação piora com o
deputado manipulando com habilidade o Legislativo na sua guerra
particular contra Dilma e petistas. Equivale ao uso de arma nuclear em
briga de rua, e com a conivência de todos os partidos, inclusive os da
oposição”.



Ao final, a famiglia Marinho faz um apelo à paz: “É preciso entender que
a crise política, enquanto corrói a capacidade de governar do Planalto,
turbina a crise econômica, por degradar as expectativas e paralisar o
Executivo. Dessa forma, a nota de risco do Brasil irá mesmo para abaixo
do ‘grau de investimento’, com todas as implicações previsíveis: redução
de investimentos externos, diretos e para aplicações financeiras;
portanto, maiores desvalorizações cambiais, cujo resultado será novo
choque de inflação. Logo, a recessão tenderá a ser mais longa, bem como,
em decorrência, o ciclo de desemprego e queda de renda. Tudo isso
deveria aproximar os políticos responsáveis de todos os partidos para
dar condições de governabilidade ao Planalto”.



Se o editorial já havia surpreendido os que conhecem a história sinistra
e golpista da Globo, o texto postado por um “anônimo” do blog Diário do
Centro do Mundo gerou ainda maiores questionamentos sobre as
movimentações recentes da famiglia Marinho. Vale conferir:



*****



Dilma deve ser sucedida por quem ganhar em 2018, disse João Roberto Marinho a senadores do PT

Postado em 8 de agosto de 2015

Por Anônimo

João Roberto Marinho pediu encontro com os senadores do PT, na última quarta-feira.

Dos 13, nove aceitaram.

Durou
quase duas horas. Ele abriu, dizendo-se muito preocupado com as
“maluquices” de Eduardo Cunha na Câmara, que não comprometem apenas o
próximo governo, mas o futuro do País;

Durante todo o tempo,
escutou as queixas dos senadores, um por um, sobre a parcialidade, os
dois pesos, duas medidas, as abordagens dos repórteres querendo
declarações que apenas preencham a verdade que já está pré-estabelecida,
a repercussão nula do que os governos Lula e Dilma fizeram pelo Brasil.

Recados
que foram dados a ele: 1) não mexam com Lula – todos estavam ainda
muito mordidos com a charge do Chico [Caruso] do dia anterior (“agora só
falta você”), pois o Brasil pode pegar fogo e eles não vão ser
bombeiros; 2) na mesma direção, não temos controle sobre nossa base
social e é imprevisível a reação que se virá ante uma hipotética prisão
de Lula.

Ele pediu desculpas, “ou os senhores estão enganados, ou
nós estamos errando feio”, comprometendo-se a levar a avaliação geral
dos senadores para os editores.

Disse ainda que, realmente, a
cumplicidade entre jornalistas e procuradores de Curitiba, hoje,
representa um fator de instabilidade, mas jogou a culpa no PT, “que deu
início a essa parceria”. Ao final, pediu para o governo controlar sua
base na Câmara.




*****



Três hipóteses sobre o “recuo tático”



O que teria levado o poderoso império global a, aparentemente, abandonar
a “marcha da insensatez” dos golpistas e a rifar o lobista Eduardo
Cunha? Há pelos menos três hipóteses consistentes:



1- A crise política, insuflada pela oposição demotucana, os grupelhos
fascistas e a própria mídia privada, agravou o cenário econômico.
Setores empresariais, inclusive do ramo financeiro, temem pela
deterioração dos seus negócios, dos seus lucros. A aposta no impeachment
e na instabilidade permanente poderia contagiar ainda mais a economia.
Em entrevista ao Jornal do Brasil, Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda
da ditadura e influente interlocutor das elites, já alertou que “esse
impasse não pode continuar por muito tempo, porque quem vai pagar um
preço muito alto é a sociedade brasileira”. No mesmo rumo, o presidente
do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, em entrevista à Folha, apontou que “a
crise política é mais forte que a econômica. Isso abala a confiança no
país e retarda a retomada do crescimento”. O Grupo Globo, que também
sente os impactos da crise econômica, estaria tentando evitar o
descarrilamento.



2- A famiglia Marinho, que historicamente sempre incentivou golpes e
apostou na desestabilização de governos que não rezam da sua cartilha,
teme que a crise atual gere convulsões sociais, acirrando ainda mais a
luta de classes no país. Ela sabe que o Brasil não é o Paraguai ou
Honduras, onde recentes golpes judiciais-midiáticos obtiveram êxito.
Nestes países, a esquerda social e política era muito frágil. No Brasil,
apesar das debilidades, as organizações populares e os partidos de
esquerda ainda têm força e representatividade. A capacidade de reação é
muito maior, o que tornaria infernal a adoção de um impeachment. O
império global pode até saber como orquestrar e iniciar um golpe, mas
não sabe como ele terminará. As consequências poderão ser trágicas, com
alguns dias valendo anos em termos de politização e mobilização da
sociedade contra as elites golpistas.



3- Por último, a famiglia Marinho não confia totalmente nas peças que
estão em jogo para suceder a presidenta num possível impeachment. Michel
Temer, o vice-presidente, tem telhado de vidro. Seu partido, o PMDB, é
um dos principais focos da midiática Operação Lava-Jato. No caso da
impugnação da chapa que venceu democraticamente as eleições do ano
passado, quem assume é Eduardo Cunha. A Rede Globo até tentou se
apresentar como porta-voz do lobista, escondendo sua história de
achacador. Hoje, porém, parece que já rifou o aventureiro. No campo da
oposição demotucana, o império global sabe que não há unidade entre os
seus caciques. As bicadas são cada vez mais sangrentas no ninho entre o
cambaleante Aécio Neves, o calculista José Serra e o pragmático Geraldo
Alckmin. Uma nova eleição poderia ainda causar péssimas surpresas. “Se
Dilma renunciar ou se sofrer impeachment, Lula é quem mais ganhará”,
alertou nesta sexta-feira (7) a colunista Ruth de Aquino na revista
Época, uma das preferidas da famiglia Marinho.



Dinheiro, dinheiro e dinheiro



Há ainda outras hipóteses sobre o “recuo tático” do império global. O jornalista Paulo Nogueira bate na tecla:



*****



A Globo não é exatamente original quando procura argumentos para suas
atitudes. O que a move é sempre um desses três fatores: dinheiro,
dinheiro e dinheiro. É dentro dessa premissa imutável que se deve buscar
a grande questão que emergiu depois do editorial em que a empresa rompe
com o golpe. Em 1964, a adesão aos golpistas foi motivada por dinheiro.
E isso veio em proporções monumentais. Uma editora medíocre, com um
jornal de segunda linha, virou o que virou com as mamatas dadas pelos
militares em troca do apoio à ditadura. Agora, a Globo perderia muito
dinheiro – e provavelmente o futuro – se alinhando com os golpistas. Não
dando certo o golpe - e não daria - o risco era ver secar a verba
multimilionária da propaganda federal”.

O gesto da Globo se
explica e se encerra no dinheiro. Muito se especulará sobre os detalhes
que se traduzirão nisso – dinheiro. Mas uma coisa é batata. Os aloprados
da Globo entenderam perfeitamente o editorial. Assim como elevaram
brutalmente o tom nos últimos meses, agora diminuirão na mesma
proporção. Roberto Marinho sabidamente gostava de papistas, gente que
obedece sem restrições ao Papa. Evandro de Andrade, chefe de jornalismo
do Globo e depois da TV Globo, convenceu RM a dar-lhe o cargo com uma
carta em que garantia ser papista. Os irmãos Marinhos, como o pai,
também gostam de papistas. Dada a ordem contida no editorial, esperarão
de seus aloprados, de Kamel a Merval, uma resposta imediata. E eles
sabem disso.




*****



De fato, a hipótese da razão monetária tem consistência. Basta lembrar o
balanço publicado pelo repórter Fernando Rodrigues, do site UOL, no
final de junho passado. O estudo revelou que a Rede Globo e as cinco
emissoras do grupo (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília e
Recife) receberam um total de R$ 6,2 bilhões em publicidade estatal
federal durante os 12 anos dos governos Lula (2003 a 2010) e Dilma (2011
a 2014). O montante é ainda maior se somado aos valores pagos às
afiliadas. A RBS, afiliada da Globo no Rio Grande do Sul e em Santa
Catarina, recebeu R$ 63,7 milhões de publicidade estatal federal de 2003
a 2014; a Rede Bahia teve um faturamento de R$ 50,9 milhões no mesmo
período. Já a TV Tem, maior afiliada da TV Globo no país, de propriedade
de J. Hawilla, empresário metido nos escândalos de corrupção na Fifa,
faturou R$ 8,5 milhões de publicidade estatal federal somente em 2014.



Somada todas estas possíveis explicações para o “recuo tático”, mesmo
assim fica a pergunta: dá para confiar? A história do Brasil – com o
suicídio de Vargas, a desestabilização de Kubitschek, o golpe contra
Jango, o boicote às Diretas-Já, a farsa do “caçador de marajás”, a
blindagem ao “príncipe da privataria” e outras ações golpistas –
desaconselha qualquer tipo de ilusão no que se refere à famiglia
Marinho. A conferir como será a “cobertura jornalística” dos seus vários
veículos nos próximos dias. Nas marchas golpistas de março e abril, a
TV Globo chegou a mudar a sua grade de programação para apoiar os
grupelhos fascistas. Celebridades globais produziram vídeos conclamando
os protestos. “Calunistas” ficaram excitados com o “Fora Dilma”. E
agora? Como a Rede Globo se comportará? O editorial e a confissão de
João Roberto Marinho são para valer ou só para enganar os ingênuos?

Frei Betto

'Eu temo que a presidente Dilma renuncie', diz frei Betto - 09/08/2015 - Poder - Folha de S.Paulo



'Eu temo que a presidente Dilma renuncie', diz frei Betto


Ricardo Mendonça













Amigo da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, de quem foi
assessor especial no início do mandato, Carlos Alberto Libânio Christo, o
frei Betto, já admite temer pela renúncia da mandatária, hoje com o recorde de 71% de reprovação no Datafolha.





"A minha pergunta íntima hoje não é o impeachment [...] É se a Dilma,
pessoalmente, aguenta três anos pela frente", afirma ele. "Ou ela dá uma
mudança de rota [...] ou ela pega a caneta e fala 'vou pra casa, não
dou conta'. Eu tenho esse temor", completa.





Embora avalie o período petista como "o melhor da história republicana",
o frei dominicano faz severas críticas ao partido –"trocou um projeto
de Brasil por um projeto de poder"– e uma distinção especial ao atual
mandato de Dilma: "Eu não sei o que de positivo a Dilma fez de janeiro
para cá".





Frei Betto diz que está esperando até hoje o PT se manifestar sobre a existência ou inexistência do mensalão.





Com reparos, elogia a Operação Lava Jato,
"extremamente positiva", e diz que se sentiu "indignado" com a notícia
de que o ex-ministro José Dirceu faturou R$ 39 milhões ao mesmo tempo em
que promovia uma vaquinha para pagar a multa da condenação do mensalão.




*
Folha - Estão convocando mais uma manifestação contra Dilma para o
dia 16. A principal pauta, ou uma das principais, é o impeachment de
Dilma. O que acha?


Frei Betto - Eu acho que manifestação é sinal da democracia. Pena
que a esquerda aprenda com a direita algumas coisas ruins que a direita
faz. Deveria aprender as coisas boas –as poucas coisas boas– que a
direita faz. Como convocar manifestações para domingo, não para o dia de
semana, o que a esquerda tem feito [uma outra manifestação, com apoio
do PT, deve ocorrer no dia 20, uma quinta]. Dia de semana? Uma burrice.
Atrapalhando o trânsito, como naquela música do Chico Buarque. Não tem
sentido, né? Faz no domingo, não tem escola, as pessoas podem sair de
casa, estão disponíveis. Pena que a esquerda não aprenda com a direita
as coisas boas.





E o impeachment?

Olha, a minha pergunta íntima hoje não é o impeachment. Eu acho que
democracia brasileira está consolidada, não há motivo para impeachment. A
minha pergunta é outra. É se a Dilma, pessoalmente, aguenta três anos
pela frente. Eu temo que ela renuncie.





O senhor tem algum sinal disso?

Não. É puramente subjetivo. Mas temo que ela renuncie. Ou ela tem uma
mudança de rota ou eu me pergunto se ela vai aguentar o baque
psicológico de três anos e meio [pela frente] com menos de 10% de
aprovação, com 71% dizendo que o governo é ruim ou péssimo. Isso é um
sinal de que você não está agradando nada. Não adianta fazer cara de
paisagem. Alguma coisa tem de ser feita. Ou ela dá uma mudança de rota,
muda a receita do ajuste etc., ou ela pega a caneta e fala "vou pra
casa, não dou conta". Eu tenho esse temor.





Há um relato, publicado anos atrás pelo jornal "Valor", de que no
auge da crise do mensalão, em 2005, a Dilma, ministra da Casa Civil,
teria sugerido ao Lula que renunciasse.


Eu não acredito nisso. Até porque o Lula saiu com 87% de aprovação.





Depois, né? Naquele instante, quando Duda Mendonça foi à CPI dizer
que tinha sido remunerado no exterior com dinheiro de caixa dois do PT,
ninguém imaginava que o Lula iria recuperar a popularidade do jeito que
recuperou.


É... Se isso é verdade [a sugestão de Dilma para Lula renunciar], reforça o meu receio.





No cenário atual, que combina crise política com estagnação
econômica, denúncias de corrupção e baixa popularidade de Dilma, o que
mais atormenta o senhor?


O Brasil está vivendo uma notória insatisfação, não só com o governo.
Insatisfação com a falta de utopias, de perspectivas históricas, de
ideologias libertárias. Desde 2013, quando houve aquela grande
manifestação atípica. Porque não houve nenhum partido, nenhuma
liderança, nenhum discurso [em junho de 2013]. E foi uma enorme
manifestação em que as pessoas protestavam, havia protesto, mas não
havia proposta. Isso chamou muito a minha atenção. E quando –isso é até
terapêutico– a gente entra em amargura e não vê solução, não vê saída, a
gente não consegue equacionar racionalmente o que está vivendo. Não
consegue buscar as causas e as perspectivas. Fica tudo no emocional. Eu
tenho dito a amigos que a minha geração viveu grandes divergências
políticas na ditadura, mesmo entre a esquerda, divisão se siglas de A a
Z. Mas o debate era racional. Debatia-se em cima de projetos, programas,
perspectivas históricas. Hoje, o debate é emocional. É como briga de
casal em que o amor acabou. Equivale a acelerar o carro no atoleiro de
lama: quanto mais acelera, mais se afunda na lama. Estamos vivendo isso.





E o governo?

O governo, que eu considero o melhor de nossa história republicana –os
dois do Lula e o primeiro da Dilma– teve grandes méritos, como a
inclusão econômica de 45 milhões de brasileiros; e teve grandes
equívocos, como a não inclusão política. Ao contrário do que a Europa
fez no começo do século 20, o governo do PT propiciou, ao conjunto da
população brasileira, acesso aos bens pessoais, quando deveria ter
iniciado pelo acesso aos bens sociais. A metáfora que utilizo é o
barraco da favela. Ali dentro a família tem computador, celular, toda a
linha branca, fogão, geladeira, micro-ondas, e, no pé do morro, tem um
carrinho, devido à facilidade do crédito. Mas a família está na favela.
Não tem saneamento, não tem moradia, não tem transporte, não tem saúde,
não tem educação, não tem segurança. Resultado: criou-se uma nação de
consumistas, não de cidadãos.





O senhor falou em melhor governo da história republicana e mencionou
os dois mandatos do Lula e o primeiro da Dilma. E o segundo da Dilma?


Esse segundo, até agora, eu não tenho nenhuma notícia boa para dar. Eu
não sei o que de positivo a Dilma fez de janeiro para cá. Gostaria que
alguém dissesse. O ajuste é necessário? É necessário. Mas o ônus é só
sobre o trabalhador. E fica a dúvida se vai dar certo. É um país com um
mercado interno fantástico, mas que mantém a síndrome colonial de que a
gente tem de ser exportador de matéria prima, que deram o nome agora de
commodities. Equívocos. E o governo terceirizou a política para a troica
do PMDB –Temer, Cunha e Renan– e terceirizou a economia nas mãos de um
economista, o Joaquim Levy, notoriamente um eleitor do Aécio Neves.
Realmente fica difícil de acreditar que esse é um projeto do PT. Nunca
fui militante do partido, devo dizer isso. Também não sou fundador, como
alguns dizem por aí. Sempre fui eleitor. Mas nas últimas eleições eu
tenho dividido meu voto entre PT e PSOL.





O governo Lula foi um dos mais populares da história, e Dilma foi reeleita há menos de um ano. Por que o humor mudou?

Agora as pessoas estão com muita raiva porque não podem mais viajar de
avião como estavam viajando; comprar ou alugar um melhor domicílio, como
estavam fazendo; adquirir crédito sem juros altos; ir à feira com R$ 20
e voltar com a sacola cheia. Então a falha foi de quem? Na minha
opinião, a falha foi do governo que tinha a faca e o queijo na mão para
poder realizar aquele projeto mais original do PT, que era organizar a
classe trabalhadora. Leia-se: dar uma consistência política à nação
brasileira, principalmente às novas gerações. Isso não aconteceu.





Por que, na sua interpretação, as coisas sob o PT se desenvolveram
dessa forma, a opção pela promoção do consumo, e não da outra?


Porque o PT perdeu o horizonte histórico. O horizonte que ele tinha nos
seus documentos originários. De transformação, de realizar as reformas
relevantes.





Mas em que instante isso se perdeu?

Ah, no momento em que chegou ao poder. Foi quando ele trocou um projeto
de Brasil por um projeto de poder. Manter-se no poder passou a ser mais
importante do que realizar as reformas importantes e necessárias para o
país. Como a reforma agrária, a tributária, a educacional, a sanitária
etc. Em 12 anos, a única reforma que nós temos é a anti-reforma política
do Eduardo Cunha (atual presidente da Câmara).





Por quê o PT não fez essas reformas?

É porque tinha medo de perder aliados, não soube assegurar a
governabilidade pelo andar de baixo. Procurou assegurar pelo andar de
cima. Se tivesse seguido o exemplo do Evo Morales (presidente da
Bolívia), que hoje tem 80% de aprovação, é o segundo presidente mais
aprovado da América Latina, depois do presidente da República
Dominicana. No início ele não tinha apoio nem do mercado nem do
Congresso; buscou assegurar a governabilidade por meio dos movimentos
sociais. Hoje ele tem apoio dos três.





Teve medo de adotar esse caminho?

Foi uma estratégia equivocada de se manter no poder. "Vamos fazer
aliança com quem tem poder, nós estamos no governo". Uma coisa é estar
no governo, outra é estar no poder. Isso deu certo por um tempo. Só que
há uma questão aí de classe que é arraigada na estrutura social
brasileira. E de repente os setores conservadores, vendo que não há
proposta, vendo que não há perspectiva histórica, resolveram avanças. É
este instante. Até o Lula foi vítima agora. Não de um atentado político.
Mas de um atentado terrorista. Isso [uma bomba lançada no Instituto
Lula dias atrás] é um atentado terrorista. Jogar uma bomba em cima de um
domicílio que está carregado de simbolismo político é um atentado
terrorista. Se isso estivesse acontecido na sede do partido Democrata
dos Estados Unidos –ou no escritório do Bill Clinton (ex-presidente dos
EUA), uma boa comparação– no dia seguinte o mundo inteiro estaria
dizendo: "Bill Clinton sofre atentado terrorista". Evidente que a
imprensa brasileira não quis dar destaque, uma certa imprensa. Por um
lado alguns chegaram a insinuar que o próprio PT teria feito essa bomba
para tentar vitimizar o Lula e o partido. O mais grave é isso. Não se
deu o devido destaque talvez porque não interessa. Só interessa que o
Lula venha a aparecer como o acusado da Lava Jato, não como vítima de um
atentado terrorista.





O senhor é amigo do Lula, tem essa relação histórica. Virou alvo de hostilidades?

Uma coincidência. Eu fiz dois lançamento de livro na última semana, um
no Rio, na segunda, e outro em Belo Horizonte, na terça. Nos dois o
pessoal da direita foi lá para perturbar.





O que fizeram?

No Rio foi um oficial de corveta da Marinha, segundo ele, dizer que
estava me levando um abraço do Olavo de Carvalho. Eu disse: "Abraço de
urso, pode devolver". Olavo de Carvalho considera a Rede Globo
comunista; o papa Francisco, então, não é nem comunista para ele, é a
encarnação do diabo. E no fim o cara já estava dizendo "ah, você é um
frade de araque". Aí eu falei que não admitia, falei "ponha-se para fora
daqui". Então os amigos, as amigas principalmente, enxotaram o cara. Em
Belo Horizonte foi o pessoal do movimento patriota, com cartazes
anti-comunistas e um livro pesadão chamado "O livro negro do comunismo".
Foram para aprontar, mas ali também a turma, meus amigos de lá,
intervieram e eles não conseguiram fazer.





Ex-ministros foram xingados em restaurantes também...

Exatamente. Estamos vivendo uma onda raivosa. É por falta de consciência
política da nação, de conscientização. Os partidos viraram partidos de
aluguel, a política se mediocrizou e a Lava Jato está expondo os poderes
de como se move o poder no Brasil, entre as benesses políticas e as
conquistas econômicas.





O senhor disse que o PT, ao chegar ao poder, não seguiu o que diziam
seus textos originais. O senhor classifica isso como uma traição?


Não. Não é traição.





Não?

Não. Eu considero isso um desvio de rota.





O senhor disse que não aplicou os textos originais.

Sim, é isso que eu falei. Mas traição, para mim, é outra coisa, é uma
palavra que tem um peso muito grande, não se adequa ao que estou
dizendo, ao meu discurso. O que considero é que houve um desvio de rota.
Trocou-se o projeto de Brasil, uma mudança de estrutura. Trocou-se a
reforma agrária e outras, que eram consideradas prioritárias, por um
projeto de preservação no poder. Aquilo que o próprio Lula chegou a
dizer na reunião com religiosos. Eu não estava nesse reunião. Ele disse:
"o PT só pensa em cargos". Ele disse a mesma coisa, mas em outras
palavras. Isso eu analisei em dois livros, "A mosca azul" e "O
calendário do poder". Foi o meu balanço.





E o que seria uma traição?

Eu não sei porque você está falando em traição.





Ué, o senhor disse que não considera uma traição. No seu entender, o que configuraria uma traição?

Traição seria se o PT tivesse... chamado o FMI para administrar o
Brasil. Sei lá. Se tivesse priorizado as relações com os Estados Unidos.
Se tivesse deixado de fazer a Comissão da Verdade.





Eu li recentemente que o senhor teve uma conversa longa com o Lula...

Sou amigo do Lula, sou amigo da Dilma.





Sim, mas o senhor colocou para eles desse jeito?

Claro, desse jeito. Eu coloco publicamente. Eu fui lá conversar com a
Dilma em 26 de novembro, com Leonardo Boff e outros. Entregamos um texto
nas mãos dela. Ficamos 1 hora e 10 minutos. Estava ela e [Aloizio]
Mercadante (ministro da Casa Civil).





E como eles reagem a esse tipo de crítica?

Eles aceitam. Agradecem: "obrigado por vocês terem vindo aqui, vamos ver
se podem voltar em seis meses para conversar". Mas fica nisso. E depois
fazem tudo diferente. Sabe? O que você quer que eu faça? Deite e chore?
Foi uma conversa ótima. Aí ela aceitou tudo aquilo, a gente falando da
importância de reforma agrária, de quilombos, de povos indígenas, o
papel da mulher, programas sociais, não poder fazer cortes em setores
como educação e saúde. Aí respondem tudo: "é, é isso mesmo, também estou
pensando..." E está lá. O texto está lá, tenho decorado na minha
cabeça. Eu tenho uma boa relação com os dois [Dilma e Lula]. Eu falo
tudo. Eles aceitam. O Lula também. Às vezes fala que a culpa de não é
dele, a culpa é não seu de quem, é do partido, é da Dilma, é da
conjuntura; e aí também fala "mas a gente também fez...".





E continua tudo igual?

Eu tenho uma vantagem que é seguinte: eu sou um um sujeito que tem
poucas vaidades. Uma delas é ambição zero. Aliás eu lembrei isso pro
Lula. Eu falei: "Lula, você me conheceu em 1979, o padrão de vida que eu
tinha é o padrão de vida que eu tenho. Eu moro no mesmo quartinho no
convento, se você quiser eu te mostro, moro no mesmo lugar, tenho o
mesmo carro Volkswagem, enfim, não mudei nada. Agora, eu fico espantado
com companheiros que a gente conheceu lá atrás e que hoje tem um...
sabe?". Então teve um descolamento da base. O PT perdeu os três grandes
capitais que ele tinha. Que eram ser o partido dos pobres organizados
–porque hoje ele tem eleitores, não tem militantes, ele tem de pagar
rapazes e moças desocupadas para segurar bandeirinha na esquina, quando
tinha uma militância aguerrida voluntária. Perdeu esse capital. O
segundo capital que ele perdeu é o de ser o partido da ética. Não é? A
ideia do "não seremos como os demais". E o terceiro capital era o de ser
o partido da mudança da estrutura do Brasil. Não fez nenhuma mudança
estrutural. Fez muita coisa? Fez. Programas sociais; Bolsa Família,
embora eu discorde –o Fome Zero era emancipatório, foi trocado pelo
Bolsa Família, compensatório–; programas da educação; cota; Fies; uma
série de coisas excelentes. Política externa nota 10, na minha opinião,
mas sem sustentabilidade.





E meio ambiente?

Ah, aí faltou muito. Aí eu dou nota... seis. Defesa da Amazônia, não trabalhou suficientemente na questão do meio ambiente.





O senhor falou desse espanto da mudança dos ex-companheiros. Como vê, especificamente, o caso do ex-ministro José Dirceu?

Eu acho um abuso você prender um preso. O cara estava preso, mandaram
prender novamente. Não precisava. Aquela coisa: transfere, Polícia
Federal, televisão. Eu acho isso um abuso de autoridade. Embora eu ache a
Lava Jato extremamente positiva –era preciso vir uma apuração da
corrupção no Brasil séria como tem sido feita–, tem coisas que me
desagradam. O partido mais envolvido é o PP. Mas parece, na opinião
pública, que é só o PT. Segundo: por que é que vazam todos os conteúdos
em relação ao PT e porque é que vazam exclusivamente para a revista
"Veja"? É chamar a gente de idiota. Ou seja: há uma operação política
por trás, de abuso desse processo. Que é um processo sério de apuração
da corrupção no Brasil.





Mas e o caso específico do José Dirceu?

Eu nunca me pronunciei, você não vai encontrar uma palavra minha em
entrevistas, nos artigos, dizendo se houve ou se não houve mensalão. Eu
estou esperando o PT se posicionar. Se houve ou se não houve. E fico
indignado pelo fato de o partido não se posicionar. E não se posicionar
diante de uma figura tão importante do partido como ele [Dirceu]. Então
não tenho meios de julgamento. Que eu sei que há corrupção na política
brasileira, sei. Mas eu não tenho provas. Eu saí do governo sem perceber
se havia mensalão. Saí em dezembro de 2004, o mensalão apareceu em maio
de 2005. Várias pessoas me perguntaram: "você tinha algum indício?"
Nenhum. Não vi nenhum indício.





Um aspecto que chamou a atenção é que o José Dirceu faturou R$ 39
milhões com a sua consultoria, parte disso no instante em que estava
preso, foi um argumento para essa nova prisão, mas coincide também com
aquela vaquinha para pagar a multa do mensalão.


Pois é. Eu fico indignado. Se é verdade que ele tem tantos milhões na
conta, eu não posso entender como é que ele promoveu a vaquinha. Aliás,
tenho amigos que contribuíram com a vaquinha. Estão sumamente
indignados. Eles se sentem lesados.





O ex-presidente Lula já falou criticamente sobre o afastamento entre o PT e os movimentos sociais. Por que ocorreu isso?

Ocorre no momento em que o PT faz a opção da "Carta ao Povo Brasileiro",
no primeiro governo do Lula. Era uma carta aos banqueiros e
empresários. Ali ficou sinalizado: "queremos assegurar a governabilidade
via elite, não via a nossas origens, que são os movimentos sociais". Aí
cria-se o Conselhão, para o qual são chamados líderes dos movimentos
sociais. Acontece que só o empresariado tinha voz e vez ali dentro. E
aos poucos esses líderes [dos movimento sociais] foram todos deixando. E
depois o Conselhão, que era um conselho de consulta e debate, passou a
ser um mero auditório de anuência dos anúncios da Presidência. E hoje
ele sequer existe. Ou seja, esse diálogo mínimo com a sociedade civil...
É o que a Dilma deveria fazer. Ela deveria criar um conselho político.
Porque isso não é um gesto de extrapolação. Está previsto na
Constituição de 1988, está normalizado isso. O Lula fez. Não como
deveria. Deveria ter sido mais democrático, o pessoal dos movimentos
sociais deveria ter mais espaço, mas ele fez. Nessa crise, não adianta a
Dilma passar a mão na cabeça do Temer. Ela tinha que ouvir a sociedade.
Tem de sair do palácio, sair da toca.





Perde contato com a realidade?

Outro dia eu fui para Irati, no Paraná, 14º encontro de agroecologia.
Eram 4.000 pequenos agricultores do Brasil. A Dilma ia. A Dilma não foi.
Ela não tem ideia do que ela perdeu ali. Lá, quando eu cheguei,
dizia-se que era o mau tempo. Não é verdade porque o Patrus (Ananias)
foi. Então se o jatinho da FAB do ministro desceu, o jatão da presidenta
poderia descer. Mas não importa. Não foi. Então ela tem de sair da
toca, dar a volta por cima. Ela está acuada. Não encara a nação, não vai
nos movimentos sociais.





Medo de ser vaiada?

Não pode ter medo. Uma figura pública, medo de nada. Tem de ir, se
expor. Não tem como. Você é uma pessoa pública. O Lula promoveu não sei
quantos daqueles conselhos nacionais de saúde, de educação. Era hora da
Dilma fazer isso. Está aí o PNE, o Plano Nacional de Educação. Era para
ter um debate sobre a implantação do PNE. No entanto, a notícia que a
gente recebe é de cortes na educação. Ainda mais usando o lema que ela
achou, "pátria educadora". Isso tudo explica porque é tão baixa a
aprovação dela.





O senhor é religioso. Que avaliação faz do avanço eleitoral e,
principalmente, do comportamento da bancada evangélica no Congresso?


Penso que está sendo chocado o ovo da serpente. Uma das conquistas da
modernidade, importantíssima, é a laicização do Estado e dos partidos.
Essa bancada está querendo confessionalizar a política. Explico: eu sou
padre ou pastor de uma igreja que considera pecado o cigarro e a bebida
alcoólica; e tenho a veleidade que toda a população nem tome bebida
alcoólica nem fume. Eu só tenho dois caminhos. O primeiro é converter
toda a população à minha igreja; isso é impossível. Mas o segundo é
possível: eu chegar ao poder e transformar o preceito da minha igreja em
lei civil. Como aconteceu nos EUA nos anos 20. E eu temo que o projeto
deles seja esse, de confessionalização da política. Uma forma de
fundamentalismo tupiniquim, altamente perigoso.





Exemplo?

Isso vai se manifestar agora no debate sobre ensino religioso. Minha
postura é simples: colégio religioso tem de ensinar religião da entidade
mantenedora, se é católico, judeu ou protestante. Bom, tem muito
colégio religioso que é mera empresa escolar. Aliás, os políticos mais
corruptos do Brasil saíram todos de colégios religiosos. É de se pensar:
que diabo andaram fazendo, que evangelização era essa? Mas, voltando,
no ensino público ou no particular laico, tem de ter o ensino das
religiões. Ou você pega o professor de história, que é qualificado para
isso, ou você chama o padre para falar do catolicismo, o pastor para
falar do protestantismo, o médium para falar do espiritismo, o pai de
santo para falar do candomblé. Mas não dá para pedir para o padre contar
o que é o espiritismo, porque aí vai ter preconceito. O que eles estão
propondo aí é transformar os colégios em caixa de ressonância de
pregações fundamentalistas, tipo criacionismo contra o evolucionismo.
Isso é danoso à nossa cultura, à nossa história, à nossa religiosidade.





E, na sua avaliação, porque os evangélicos cresceram eleitoralmente?

Para entender isso é preciso recorrer a um livro do início da
modernidade, fim da Idade Média, chamado "Discurso da Servidão
Voluntária" (Etienne de la Boëtie, 1530-1536). Mostra como é que a
cabeça de associação de pessoas é feita, de maneira que elas perdem
totalmente a consciência, o livre arbítrio, e se tornam cordeirinhos de
qualquer um que queira manipulá-las. É isso. Muitas igrejas transformam
seus fieis em cordeirinhos que, ameaçados pela teologia do medo, acabam
seguindo a voz do pastor naquilo que ele dita.





Nas últimas décadas, igrejas evangélicas tiraram, efetivamente,
muitos seguidores da Igreja Católica. Basta ver o Censo. É notável
também que, de maneira geral, o evangélico parece hoje bem mais
militante que o católico. É praticante. Qual é a sua explicação para
esse fenômeno?


Aí são dois fatores. Estudos estão mostrando isso: quando havia
Comunidades Eclesiais de Base havia menos evasão para as igrejas
evangélicas. Acontece que o papa João Paulo 2º e depois o papa Bento 16
fragilizaram as CEBs. Então hoje, o porteiro do prédio daqui da esquina,
a cozinheira da vizinha, a faxineira, elas não se sentem bem na Igreja
Católica. Se sentiriam nas Comunidades Eclesiais de Base, mas elas foram
desmobilizadas pela própria igreja, com medo se ser Teologia da
Libertação, influência marxista, progressista. Agora, com o papa
Francisco, elas estão renascendo.





Estão mesmo? Há sinais disso?

Estão. Teve um sinal bom em 2014, em janeiro, quando teve o 14º encontro
das CEBs em Juazeiro do Norte, eu estava lá, e o papa mandou um
documento saudando, foi muito importante. E apareceram 73 bispos. Há
muito tempo não apareciam tantos. Porque aí elas estavam no sinal
amarelo –elas nunca foram condenadas–, mas estavam no sinal amarelo e
agora passou para o verde. Agora, ainda você não tem o corpo, como tinha
nos anos 70 e 80, de bispos que invistam nisso. Ainda não tem. Os
bispos que temos aí ainda são todos os pontificado anterior: 36 anos de
João Paulo 2º e Ratzinger. A segunda razão é aquilo que o papa Francisco
denunciou na Jornada Mundial da Juventude. Houve uma burocratização da
fé. Uso a seguinte imagem: Se você for às 3h da madrugada numa igreja
evangélica, você é acolhido, tem alguém lá para te atender. Se você for
às 3h da tarde numa católica, está fechada, tem uma grade, o padre não
se encontra e não tem nenhum leigo autorizado, como tem nas evangélicas,
para te orientar e te acolher. Não dá para competir. Eles sabem fazer
um trabalho personalizado. Olha os cinemas que se transformam em
templos. Sabe como eu chamo isso? A boca canibal de Deus. Né? Está ali
na calçada; é só passar e ser sugado (risos). Na igreja Católica, não.
São distantes. Como é que uma igreja evangélica começa? O pastor vai lá e
aluga uma salinha de escritório. Põe lá uma dúzia de cadeiras, uma mesa
e pronto, vira um mini-templo. E aí vai crescendo, porque o dinheiro
entra. A igreja Católica deveria aprender muita coisa boa com as
evangélicas.

domingo, 2 de agosto de 2015

FHC embolsa uma Lei do FMI | Conversa Afiada

FHC embolsa uma Lei do FMI | Conversa Afiada



Paulo Henrique Amorim



Saiu no Globo, que foi à concordata porque acreditou que o Real não ia se desvalorizar (quem manda levar a  Urubóloga a sério?):



Lobo ou cordeiro?


(…)

Naquela ocasião, como em outras, a
resposta do dirigente máximo do PT foi, ora de descaso, ora de
reiteração do confronto, pela repetição do refrão autorreferente de que
antes dele tudo era pior. Para embasar tal despautério, o mesmo senhor,
no afã de iludir, usou e abusou de comparações indevidas.

(…)

Para dialogar, não adianta se vestir em pele de cordeiro. Fica a impressão de que o lobo quer apenas salvar a própria pele.

Mais
ainda, passou da hora de o lulopetismo reconhecer que controlar a
inflação e respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal nada têm a ver com
neoliberalismo …

(…)




Navalha


O Príncipe da Privataria, que comprou a reeleição em dinheiro vivo,
comprou uma fazendola em Minas com o salário de Presidente da República
e professor aposentado, e um apartamento na CIDADE de São Paulo de dar
inveja ao do Jovelino na Av Foch esse mesmo Varão de Plutarco expele o ódio incontido que nutre pelo Lula.
É porque, nos livros de História, Lula vai dar nele de 10 a zero.


Em artigos simultâneos no Globo e no Estadão – como se sabe, ele só existe no PiG -, de título “Lobo ou cordeiro”, ele mente – como mostrou o Mino Carta em editorial desta semana – sobre um encontro com o Lula, que o Conversa Afiada foi o primeiro a desmentir categoricamente.


(Vote aqui na enquete trepidante por que o Lula não quer encontrar o Príncipe da Privataria.)


E ele volta a mentir desinibidamente sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal.


Vamos botar um pouco de ordem nessa orgia histórica.


O Presidente Fernando Henrique tinha comprado a reeleição.


Em dinheiro vivo, que o Serjão entregava em envelopes pardos.


O deputado do Acre valia R$ 200 mil.


Quanto valeu um deputado de São Paulo ou Minas?


Quantas rádios o Serjão distribuiu para assegurar a reeleição? – pergunta-se o valente deputado Silvio Costa.


A reeleição se sustentava na fraude do Real forte!


Foi a maior de todas as pedaladas da Historia do TCU!


Aí, o amigão Bill Clinton empurrou pela goela abaixo do FMI – contra
os europeus e os japoneses – uma injeção de US$ 60 bilhões para segurar o
Real até a reeleição (comprada).


FHC deve a reeleição à grana do Serjão e do Clinton ! – vamos combinar, como diria o Paulo Moreira Leite.


Ele ganhou a reeleição comprada e dias depois desvalorizou o Real, após demitir DOIS presidentes do Banco Central!


Feita a pedalada, era preciso governar o caos instalado na economia do país.


A maior crise de todas as crises!


Aí, o FMI exigiu uma Lei de Responsabilidade Fiscal.


Essa Lei de Responsabilidade Fiscal que ele diz que é dele e que salvou o Brasil.


Uma impostura.


É a lei que o FMI exigiu em troca de mais dinheiro, para chegar ao fim do mandato.


E o Lula se eleger contra ele e o Cerra, seu sucessor designado.


E, suprema gloria do cordeirinho do FHC: o Brasil iria três vezes ao
Fundo Monetário, de pires na mão, depois de tirar o sapato no aeroporto.


Não fosse o PiG, esses cordeirinhos de São Paulo não passavam do cadeião de São José dos Campos.


Pergunta ao Fujimori !








Em tempo: o artigo do Príncipe começa com comovente narrativa de viagem. Ele foi à Sardenha e à Corsega. Deve estar em busca do Napoleão.

FHC embolsa uma Lei do FMI | Conversa Afiada

FHC embolsa uma Lei do FMI | Conversa Afiada



Paulo Henrique Amorim



Saiu no Globo, que foi à concordata porque acreditou que o Real não ia se desvalorizar (quem manda levar a  Urubóloga a sério?):



Lobo ou cordeiro?


(…)

Naquela ocasião, como em outras, a
resposta do dirigente máximo do PT foi, ora de descaso, ora de
reiteração do confronto, pela repetição do refrão autorreferente de que
antes dele tudo era pior. Para embasar tal despautério, o mesmo senhor,
no afã de iludir, usou e abusou de comparações indevidas.

(…)

Para dialogar, não adianta se vestir em pele de cordeiro. Fica a impressão de que o lobo quer apenas salvar a própria pele.

Mais
ainda, passou da hora de o lulopetismo reconhecer que controlar a
inflação e respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal nada têm a ver com
neoliberalismo …

(…)




Navalha


O Príncipe da Privataria, que comprou a reeleição em dinheiro vivo,
comprou uma fazendola em Minas com o salário de Presidente da República
e professor aposentado, e um apartamento na CIDADE de São Paulo de dar
inveja ao do Jovelino na Av Foch esse mesmo Varão de Plutarco expele o ódio incontido que nutre pelo Lula.
É porque, nos livros de História, Lula vai dar nele de 10 a zero.


Em artigos simultâneos no Globo e no Estadão – como se sabe, ele só existe no PiG -, de título “Lobo ou cordeiro”, ele mente – como mostrou o Mino Carta em editorial desta semana – sobre um encontro com o Lula, que o Conversa Afiada foi o primeiro a desmentir categoricamente.


(Vote aqui na enquete trepidante por que o Lula não quer encontrar o Príncipe da Privataria.)


E ele volta a mentir desinibidamente sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal.


Vamos botar um pouco de ordem nessa orgia histórica.


O Presidente Fernando Henrique tinha comprado a reeleição.


Em dinheiro vivo, que o Serjão entregava em envelopes pardos.


O deputado do Acre valia R$ 200 mil.


Quanto valeu um deputado de São Paulo ou Minas?


Quantas rádios o Serjão distribuiu para assegurar a reeleição? – pergunta-se o valente deputado Silvio Costa.


A reeleição se sustentava na fraude do Real forte!


Foi a maior de todas as pedaladas da Historia do TCU!


Aí, o amigão Bill Clinton empurrou pela goela abaixo do FMI – contra
os europeus e os japoneses – uma injeção de US$ 60 bilhões para segurar o
Real até a reeleição (comprada).


FHC deve a reeleição à grana do Serjão e do Clinton ! – vamos combinar, como diria o Paulo Moreira Leite.


Ele ganhou a reeleição comprada e dias depois desvalorizou o Real, após demitir DOIS presidentes do Banco Central!


Feita a pedalada, era preciso governar o caos instalado na economia do país.


A maior crise de todas as crises!


Aí, o FMI exigiu uma Lei de Responsabilidade Fiscal.


Essa Lei de Responsabilidade Fiscal que ele diz que é dele e que salvou o Brasil.


Uma impostura.


É a lei que o FMI exigiu em troca de mais dinheiro, para chegar ao fim do mandato.


E o Lula se eleger contra ele e o Cerra, seu sucessor designado.


E, suprema gloria do cordeirinho do FHC: o Brasil iria três vezes ao
Fundo Monetário, de pires na mão, depois de tirar o sapato no aeroporto.


Não fosse o PiG, esses cordeirinhos de São Paulo não passavam do cadeião de São José dos Campos.


Pergunta ao Fujimori !








Em tempo: o artigo do Príncipe começa com comovente narrativa de viagem. Ele foi à Sardenha e à Corsega. Deve estar em busca do Napoleão.

Alguém aí é a favor da corrupção?

Alguém aí é a favor da corrupção? | Casa de Cinema de Porto Alegre



Alguém aí é a favor da corrupção?







Eu imagino que todos queiram o melhor para o Brasil, que todos
sejam contra a corrupção (menos quem suborna fiscais da receita ou
esconde dinheiro na Suíça), todos queiram menos violência (menos quem
vende armas e sistemas de segurança), melhor saúde pública (menos os
serviços privados de saúde), melhor educação pública (menos os donos de
escolas privadas), querem sanear a Petrobras (menos quem quer entregar o
pré-sal às petroleiras americanas), enfim, todos desejam o que é melhor
para o bem comum. A questão é: como conseguir isso? Não é com adjetivos
e pontos de exclamação, nem com falácias, hipocrisia e falsas
polêmicas.

O combate à corrupção – samba de uma nota só de uma oposição sem
qualquer proposta para o país – deve ser permanente e impiedoso, o
ladrão de dinheiro público é o pior dos bandidos, tira dinheiro dos
hospitais, da educação e da segurança pública, prisão para eles é pouco,
deve ter seus bens confiscados, deve ser impedido a todo custo de
voltar a praticar seus crimes. Há muita corrupção em todos os governos, e
não me parece que qualquer outro governo que já tivemos combateu mais a
corrupção do que este. Quem tem boa memória lembra da compra de votos
para a reeleição de FHC, da roubalheira que foi a privataria, do
engavetador da república, que impedia qualquer investigação, com a
cumplicidade de uma imprensa dócil e governista, com raríssimas
exceções.

Imagino que os meus amigos que ignoram ou menosprezam os avanços dos
governos populares para a maioria da população (ver lista no final do
texto) estejam mal informados, o que não é difícil, já que a cobertura
política da grande imprensa brasileira se tornou quase totalmente inútil
quando abandonou o jornalismo para fazer oposição (ela, que sempre foi
ferozmente governista, apoiou a ditadura, apoiou Sarney, inventou
Collor, apoiou incondicionalmente FHC), e muitos jornalistas que
sobraram por lá, com honrosas exceções, defendem os interesses e os
pontos de vista dos seus patrões.

Sugiro a estes meus amigos que procurem diversificar suas fontes de
informação, para não se tornarem cúmplices de um golpe contra a
democracia brasileira, mais um, tramado pela elite de sempre com o apoio
dos jornais de sempre. Ia ser engraçado (na verdade, trágico para o
país) se a Dilma, uma pessoa evidentemente honesta, sobre a qual não há
qualquer acusação razoável, fosse empichada por um congresso corrupto,
presidido por Renan Calheiros (que era o Ministro da Justiça e,
portanto, chefe da Polícia Federal no governo FHC) e Eduardo Cunha (nada
pode ser pior), ambos acusados há décadas por dúzias de falcatruas, e
por juízes do TCU, também acusados por receber suborno, isto sob o
clamor de uma imprensa cujos proprietários escondem dinheiro em contas
na Suíça (ver HSBC) e subornam fiscais para não pagar impostos ( ver
Zelotes).

É a mesma imprensa que dá manchetes mentirosas, sem qualquer
verificação, contra o governo e seus aliados, e cobre de tarjas pretas o
nome de José Serra, citado nas investigações da Lava Jato. (Imagino o
que esta imprensa diria de Dilma se ela construísse um aeroporto privado
na fazenda de um tio ou financiasse, com dinheiro público, veículos de
comunicação de propriedade de seus parentes, como fez Aécio Neves.)
Enfim, aos mal informados, que repetem as manchetes que escutam, sugiro
que se informem melhor.

Aos que sabem o que se passa mas fingem que não sabem, a oposição, que
recebeu as mesmas doações suspeitas dos mesmos empresários presos,
sugiro que tentem ganhar uma eleição. Nas últimas quatro eleições, em
dois turnos, o PT ganhou todas, está oito a zero, um vareio maior que
Alemanha e Brasil. Para ganhar uma eleição a oposição precisa ter alguma
proposta para o país, o que parece não ser o caso.

Não sou filiado a nenhum partido, já votei em vários, e tenho muitas
críticas ao PT, em quem voto (e provavelmente votarei outra vez) porque
as opções a ele são bem piores. (O dr. Dráuzio Varela não é candidato,
infelizmente). O PT cometeu toneladas de erros, tem muita corrupção no
governo (sempre teve), mas é bizarro, trágico, que aqueles que sempre
governaram o país e o transformaram na sociedade mais injusta do
planeta, queiram dar um golpe contra um governo recém eleito pela
maioria da população, um governo que não engaveta investigações, onde
corruptores vão para a cadeia (graças a uma lei promulgada pela Dilma em
2013, que pune também os corruptores), um governo cuja Polícia Federal
desbaratou uma quadrilha que sangrava a Petrobrás, segundo o Ministério
Público e vários delatores, desde 1997 (ainda no primeiro governo de
FHC).

Acho que as pessoas que defendem um golpe contra o governo eleito se
dividem em duas: as mal informadas e as mal intencionadas. Espero que os
meus amigos, alguns que estão embarcando nesta corrente golpista,
estejam entre os mal informados.

X

Afinal, o PT fracassou em que mesmo?

1. Produto Interno Bruto:

2002 – R$ 1,48 trilhões

2013 – R$ 4,84 trilhões

2. PIB per capita:

2002 – R$ 7,6 mil

2013 – R$ 24,1 mil

3. Dívida líquida do setor público:

2002 – 60% do PIB

2013 – 34% do PIB

4. Lucro do BNDES:

2002 – R$ 550 milhões

2013 – R$ 8,15 bilhões

5. Lucro do Banco do Brasil:

2002 – R$ 2 bilhões

2013 – R$ 15,8 bilhões

6. Lucro da Caixa Econômica Federal:

2002 – R$ 1,1 bilhões

2013 – R$ 6,7 bilhões

7. Produção de veículos:

2002 – 1,8 milhões

2013 – 3,7 milhões

8. Safra Agrícola:

002 – 97 milhões de toneladas

2013 – 188 milhões de toneladas

9. Investimento Estrangeiro Direto:

2002 – 16,6 bilhões de dólares

2013 – 64 bilhões de dólares

10. Reservas Internacionais:

2002 – 37 bilhões de dólares

2013 – 375,8 bilhões de dólares

11. Índice Bovespa:

2002 – 11.268 pontos

2013 – 51.507 pontos

12. Empregos Gerados:

Governo FHC – 627 mil/anoGovernos

Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano

13. Taxa de Desemprego:

2002 – 12,2%

2013 – 5,4%

14. Valor de Mercado da Petrobras:

2002 – R$ 15,5 bilhões

2014 – R$ 104,9 bilhões

15. Lucro médio da Petrobras:

Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano

Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano

16. Falências Requeridas em Média/ano:

Governo FHC – 25.587

Governos Lula e Dilma – 5.795

17. Salário Mínimo:

2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)

2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)

18. Dívida Externa em Relação às Reservas:

2002 – 557%

2014 – 81%

19. Posição entre as Economias do Mundo:

2002 – 13ª

2014 – 7ª

20. PROUNI – 1,2 milhões de bolsas

21. Salário Mínimo Convertido em Dólares:

2002 – 86,21

2014 – 305,00

22. Passagens Aéreas Vendidas:

2002 – 33 milhões

2013 – 100 milhões

23. Exportações:

2002 – 60,3 bilhões de dólares

2013 – 242 bilhões de dólares

24. Inflação Anual Média:

Governo FHC – 9,1%

Governos Lula e Dilma – 5,8%

25. PRONATEC – 6 Milhões de pessoas

26. Taxa Selic:

2002 – 18,9%

2015 – 14,25%

27. FIES – 1,3 milhões de pessoas com financiamento universitário

28. Minha Casa Minha Vida – 1,5 milhões de famílias beneficiadas

29. Luz Para Todos – 9,5 milhões de pessoas beneficiadas

30. Capacidade Energética:

2001 – 74.800 MW

2013 – 122.900 MW

31. Criação de 6.427 creches

32. Ciência Sem Fronteiras – 100 mil beneficiados

33. Mais Médicos (Aproximadamente 14 mil novos profissionais): 50 milhões de beneficiados

34. Brasil Sem Miséria – Retirou 22 milhões da extrema pobreza

35. Criação de Universidades Federais:

Governos Lula e Dilma – 18

Governo FHC – zero

36. Criação de Escolas Técnicas:

Governos Lula e Dilma – 214

Governo FHC – 0

De 1500 até 1994 – 140

37. Desigualdade Social:

Governo FHC – Queda de 2,2%

Governo PT – Queda de 11,4%

38. Produtividade:

Governo FHC – Aumento de 0,3%

Governos Lula e Dilma – Aumento de 13,2%

39. Taxa de Pobreza:

2002 – 34%

2012 – 15%

40. Taxa de Extrema Pobreza:

2003 – 15%

2012 – 5,2%

41. Índice de Desenvolvimento Humano:

2000 – 0,669

2005 – 0,699

2012 – 0,730

42. Mortalidade Infantil:

2002 – 25,3 em 1000 nascidos vivos

2012 – 12,9 em 1000 nascidos vivos

43. Gastos Públicos em Saúde:

2002 – R$ 28 bilhões

2013 – R$ 106 bilhões

44. Gastos Públicos em Educação:

2002 – R$ 17 bilhões

2013 – R$ 94 bilhões

45. Estudantes no Ensino Superior:

2003 – 583.800

2012 – 1.087.400

46. Risco Brasil (IPEA):

2002 – 1.446

2013 – 224

47. Operações da Polícia Federal:

Governo FHC – 48

Governo PT – 1.273 (15 mil presos)

48. Varas da Justiça Federal:

2003 – 100

2010 – 513

9. 38 milhões de pessoas ascenderam à Nova Classe Média (Classe C)

50. 42 milhões de pessoas saíram da miséria

FONTES:

47/48 – http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas

39/40 – http://www.washingtonpost.com

42 – OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU

37 – índice de GINI: http://www.ipeadata.gov.br

45 – Ministério da Educação

13 – IBGE26 – Banco Mundial


Mauro Santayana:

Mauro Santayana: A NOVA MARCHA DOS INSENSATOS E A SUA PRIMEIRA VÍTIMA - Texto integral

 Esperam-se, para o próximo dia 16 de agosto -
mês do suicídio de Vargas e de tantas desgraças que já se abateram
sobre o Brasil - novas
manifestações pelo impeachment da Presidente da República, por parte de
pessoas que acusam o governo de ser corrupto e comunista e de estar
quebrando o país.




Se esses brasileiros, antes de ficar repetindo
sempre os mesmos comentários dos portais e redes sociais, procurassem
fontes internacionais em que o mercado financeiro normalmente confia
para tomar suas decisões, como o FMI - Fundo Monetário Internacional e o
Banco Mundial, veriam que a história é bem diferente, e que se o PIB e a
renda per capita caíram, e a dívida pública líquida praticamente
dobrou, foi no governo Fernando Henrique Cardoso.



Segundo o Banco Mundial, (worldbank1)
o PIB do Brasil, que era de 534 bilhões de dólares, em 1994, caiu para
504 bilhões de dólares, quando Fernando Henrique Cardoso deixou o
governo, oito anos depois.



Para subir, extraordinariamente,
destes 504 bilhões de dólares, em 2002, para 2 trilhões, 346 bilhões de
dólares, em 2014, último dado oficial levantado pelo Banco Mundial,
crescendo mais de 400% em dólares, em apenas 11 anos, depois que o PT
chegou ao poder.



E isso, apesar de o senhor Fernando Henrique
Cardoso ter vendido mais de 100 bilhões de dólares em empresas
brasileiras, muitas delas estratégicas, como a Telebras, a Vale do Rio
Doce e parte da Petrobras, com financiamento do BNDES e uso de “moedas
podres”, com o pretexto de sanear as finanças e aumentar o crescimento
do país.



Com a renda per capita ocorreu a mesma coisa. No lugar
de crescer em oito anos, a renda per capita da população brasileira,
também segundo o Banco Mundial - (worldbank2)
- caiu de 3.426 dólares, em 1994, no início do governo, para 2.810
dólares, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. E
aumentou, também, em mais de 400%, de 2.810 dólares, para 11.208
dólares, também segundo o World Bank, depois que o PT chegou ao poder.



O
salário mínimo, que em 1994, no final do governo Itamar Franco, valia
108 dólares, caiu 23%, para 81 dólares, no final do governo FHC e
aumentou em três vezes, para mais de 250 dólares, agora.



As
reservas monetárias internacionais - o dinheiro que o país possui em
moeda forte - que eram de 31,746 bilhões de dólares, no final do governo
Itamar Franco, cresceram em apenas algumas centenas de milhões de
dólares por ano, para 37.832 bilhões de dólares - (worldbank3) nos oito anos do governo FHC.



Nessa
época, elas eram de fato, negativas, já que o Brasil, para chegar a
esse montante, teve que fazer uma dívida de 40 bilhões de dólares com o
FMI.



Depois, elas se multiplicaram para 358,816 bilhões de dólares em 2013, e para 370,803 bilhões de dólares, em dados de ontem (Bacen),
transformando o Brasil de devedor em credor do FMI, depois do
pagamento total da dívida com essa instituição em 2005, e de
emprestarmos dinheiro para o Fundo Monetário Internacional, quando do
pacote de ajuda à Grécia em 2008.



E, também, no terceiro maior
credor individual externo dos EUA, segundo consta, para quem quiser
conferir, do próprio site oficial do tesouro norte-americano -(usa treasury).



O
IED - Investimento Estrangeiro Direto, que foi de 16,590 bilhões de
dólares, em 2002, no último ano do Governo Fernando Henrique Cardoso,
também subiu mais de quase 400%, para 80,842 bilhões de dólares, em
2013, depois que o PT chegou ao poder, ainda segundo dados do Banco
Mundial: (worldbank4),
passando de aproximadamente 175 bilhões de dólares nos anos FHC (mais
ou menos 100 bilhões em venda de empresas nacionais) para 440 bilhões de
dólares entre 2002 e 2014.



A dívida pública líquida (o que o
país deve, fora o que tem guardado no banco), que, apesar das
privatizações, dobrou no Governo Fernando Henrique, para quase 60%, caiu
para 35%, agora, 11 anos depois do PT chegar ao poder.



Quanto
à questão fiscal, não custa nada lembrar que a média de déficit
público, sem desvalorização cambial, dos anos FHC, foi de 5,53%, e com
desvalorização cambial, de 6,59%, bem maior que os 3,13% da média dos
anos que se seguiram à sua saída do poder; e que o superavit primário
entre 1995 e 2002 foi de 1,5%, muito menor que os 2,98% da média de 2003
e 2013 - segundo Ipeadata e o Banco Central.



E, ao contrário do
que muita gente pensa, o Brasil ocupa, hoje, apenas o quinquagésimo
lugar do mundo, em dívida pública, em situação muito melhor do que os
EUA, o Japão, a Zona do Euro, ou países como a Alemanha, a França, a Grã
Bretanha - cujos jornais adoram ficar nos ditando regras e “conselhos” -
ou o Canadá (economichelp).



Também
ao contrário do que muita gente pensa, a carga tributária no Brasil
caiu ligeiramente, segundo Banco Mundial, de 2002, no final do governo
FHC, para o último dado disponível, de dez anos depois (worldbank5),
e não está entre a primeiras do mundo, assim como a dívida externa, que
caiu mais de 10 pontos percentuais nos últimos dez anos, e é a segunda
mais baixa, depois da China, entre os países do G20 (quandl).



Não
dá, para, em perfeito juízo, acreditar que os advogados, economistas,
empresários, jornalistas, empreendedores, funcionários públicos,
majoritariamente formados na universidade, que bateram panelas contra
Dilma em suas varandas, no início do ano, acreditem mais nos boatos das
redes sociais, do que no FMI e no Banco Mundial, organizações que podem
ser taxadas de tudo, menos de terem sido “aparelhadas” pelo governo
brasileiro e seus seguidores.



Considerando-se estas informações,
que estão, há muito tempo, publicamente disponíveis na internet, o
grande mistério da economia brasileira, nos últimos 12 anos, é saber em
que dados tantos jornalistas, economistas, e “analistas”, ouvidos a todo
momento, por jornais, emissoras de rádio e televisão, se basearam,
antes e agora, para tirar, como se extrai um coelho da cartola - ou da
"cachola" - o absurdo paradigma, que vêm defendendo há anos, de que o
Governo Fernando Henrique foi um tremendo sucesso econômico, e de que
deixou “de presente” para a administração seguinte, um país econômica e
financeiramente bem sucedido.



Nefasto paradigma, este, que abriu
caminho, pela repetição, para outra teoria tão frágil quanto mentirosa,
na qual acreditam piamente muitos dos cidadãos que vão sair às ruas no
próximo dia seis: a de que o PT estaria, agora, jogando pela janela,
essa - supostamente maravilhosa - “herança” de Fernando Henrique
Cardoso.

O pior cego é o que não quer ver, o pior surdo, o que não quer ouvir.




Está
certo que não podemos ficar apenas olhando para o passado, que temos de
enfrentar os desafios do presente, fruto de uma crise que é
internacional, e que é constantemente alimentada e realimentada por
medidas de caráter jurídico que afetam a credibilidade e a estabilidade
de empresas e por uma intensa campanha antinacional, que fazem com que
estejamos crescendo pouco, neste ano, embora haja diversos países ditos
“desenvolvidos” que estejam muito mais endividados e crescendo menos
ainda do que nós.



Assim como também é verdade que esse governo
não é perfeito, e que se cometeram vários erros na economia, que
poderiam ter sido evitados, principalmente nos últimos anos, como
desonerações desnecessárias e um tremendo incentivo ao consumo que
prejudicou - entre outras razões, também pelo aumento da importação de
supérfluos e de viagens ao exterior - a balança comercial.



Mas,
pelo amor de Deus, não venham nos impingir nenhuma dessas duas
fantasias, que estão empurrando muita gente a sair às ruas para se
manifestar: nem Fernando Henrique salvou o Brasil, nem o PT está
quebrando um país que em 2002, era a décima-quarta maior economia do
mundo, e que hoje já ocupa o sétimo lugar.



Muitos brasileiros
também vão sair às ruas, mais esta vez, por acreditar - assim como fazem
com relação à afirmação de que o PT quebrou o país - que o governo
Dilma é comunista e que ele quer implantar uma ditadura esquerdista no
Brasil.



Quais são os pressupostos e características de um país
democrático, ao menos do ponto de vista de quem "acredita" e defende o
capitalismo?



a) a liberdade de expressão - o que não é verdade
para a maioria dos países ocidentais - dominados por grandes grupos de
mídia pertencentes a meia dúzia de famílias, mas que, do ponto de vista
formal, existe plenamente por aqui;



b) a liberdade de
empreender, ou de livre iniciativa, por meio da qual um indivíduo
qualquer pode abrir ou encerrar uma empresa de qualquer tipo, quando
quiser;



c) a liberdade de investimento, inclusive para capitais estrangeiros;



d) um sistema financeiro particular independente e forte;



e) apoio do governo à atividade comercial e produtiva;



f) a independência dos poderes;



g)
um sistema que permita a participação da população no processo
político, na expressão da vontade da maioria, por meio de eleições
livres e periódicas, para a escolha, a intervalos regulares e definidos,
de representantes para o Executivo e o Legislativo, nos municípios,
Estados e União.



Todas essas premissas e direitos estão presentes e vigentes no Brasil.



Não
é o fato de ter como símbolo uma estrela solitária ou vestir uma roupa
vermelha - hábito que deveria ter sido abandonado pelo PT há muito
tempo, justamente para não justificar o discurso adversário de que o PT
não é um partido "brasileiro" ou "patriótico" - que transformam alguém
em comunista - e aí estão botafoguenses e colorados que não me deixam
mentir, assim como o Papai Noel, que se saísse inadvertidamente às ruas,
no dia 6, provavelmente seria espancado brutalmente, depois de ter o
conteúdo de seu saco de brinquedos revistado e provavelmente
“apreendido” à procura de dinheiro de corrupção.



Da mesma forma
que usar uma bandeira do Brasil não transforma, automaticamente, ninguém
em patriota, como mostrou a foto do Rocco Ritchie, o filho da Madonna,
no Instagram, e os pavilhões nacionais pendurados na entrada do prédio
da Bolsa de Nova Iorque, quando da venda de ações de empresas
estratégicas brasileiras, na época da privataria.



Qualquer pessoa
de bom senso prefere um brasileiro vestido de vermelho - mesmo que seja
flamenguista ou sãopaulino, que não são, por acaso, times do meu
coração - do que um que vai para a rua, vestido de verde e amarelo, para
defender a privatização e a entrega, para os EUA, de empresas como a
Petrobras.




O PT é um partido tão comunista, que o lucro dos
bancos, que foi de aproximadamente 40 bilhões de dólares no governo
Fernando Henrique Cardoso, aumentou para 280 bilhões de dólares nos oito
anos do governo Lula.



É claro que isso ocorreu também por causa
do crescimento da economia, que foi de mais de 400% nos últimos 12 anos,
mas só o fato de não aumentar a taxação sobre os ganhos dos mais ricos e
dos bancos - que, aliás, teria pouquíssima chance de passar no
Congresso Nacional - já mostra como é exagerado o medo que alguns sentem
do “marxismo” do Partido dos Trabalhadores.



O PT é um partido
tão comunista, que grandes bancos privados deram mais dinheiro para a
campanha de Dilma e do PT do que para os seus adversários nas eleições
de 2014.



Será que os maiores bancos do país teriam feito isso, se
dessem ouvidos aos radicais que povoam a internet, que juram, de pés
juntos, que Dilma era assaltante de banco na década de 1970, ou se
desconfiassem que ela é uma perigosa terrorista, que está em vias de dar
um golpe comunista no Brasil ?



O PT é um partido tão comunista que nenhum governo apoiou, como ele, o capitalismo e a livre iniciativa em nosso país.



Foi
o governo do PT que criou o Construcard, que já emprestou mais de 20
bilhões de reais em financiamento, para compra de material de
construção, beneficiando milhares de famílias e trabalhadores como
pedreiros, pintores, construtores; que criou o Cartão BNDES, que atende,
com juros subsidiados, milhares de pequenas e médias empresas e quase
um milhão de empreendedores; que aumentou, por mais de quatro, a
disponibilidade de financiamento para crédito imobiliário - no governo
FHC foram financiados 1,5 milhão de unidades, nos do PT mais de 7
milhões - e o crédito para o agronegócio (no último Plano Safra de
Fernando Henrique, em 2002, foram aplicados 21 bilhões de reais, em
2014/2015, 180 bilhões de reais, 700% a mais) e a agricultura familiar
(só o governo Dilma financiou mais de 50 bilhões de reais contra 12
bilhões dos oito anos de FHC).



Aumentando a relação crédito-PIB,
que era de 23%, em dezembro de 2002, para 55%, em dezembro de 2014,
gerando renda e empregos e fazendo o dinheiro circular.



As
pessoas reclamam, na internet, porque o governo federal financiou, por
meio do BNDES, empresas brasileiras como a Braskem, a Vale e a JBS.



Mas,
estranhamente, não fazem a mesma coisa para protestar pelo fato do
governo do PT, altamente “comunista”, ter emprestado - equivocadamente a
nosso ver - bilhões de reais para multinacionais estrangeiras, como a
Fiat e a Telefónica (Vivo), ao mesmo tempo em que centenas de milhões
de euros, seguem para a Europa, como andorinhas, todos os anos, em
remessa de lucro, para nunca mais voltar.



A questão militar



Outro mito sobre o suposto comunismo do PT, é que Dilma e Lula, por
revanchismo, sejam contra as Forças Armadas, quando suas administrações,
à frente do país, começaram e estão tocando o maior programa militar e
de defesa da história brasileira.



Lula nunca pegou em armas
contra a ditadura. No início de sua carreira como líder de sindicato,
tinha medo “desse negócio de comunismo” - como já declarou uma vez -
surgiu e subiu como uma liderança focada na defesa de empregos, aumentos
salariais e melhoria das condições de classe de seus companheiros de
trabalho, operários da indústria automobilística de São Paulo, e há quem
diga que teria sido indiretamente fortalecido pelo próprio regime
militar para impedir o crescimento político dos comunistas em São Paulo.



Dilma,
sim, foi militante de esquerda na juventude, embora nunca tenha pego em
armas, a ponto de não ter sido acusada disso sequer pela Justiça
Militar.



Mas se, por esta razão, ela é comunista, seria possível
acusar desse mesmo “crime” também José Serra, Aloísio Nunes Ferreira, e
muitos outros que antes eram contra a ditadura e estão, hoje, contra o
PT.



Se o PT tivesse alguma coisa contra a Marinha, ele teria
financiado, por meio do PROSUB, a construção do estaleiro e da Base de
Submarinos de Itaguaí, e investido 7 bilhões de dólares no
desenvolvimento conjunto com a França, de vários submersíveis
convencionais e do primeiro submarino nuclear brasileiro, cujo projeto
se encontra hoje ameaçado, porque suas duas figuras-chave, o Presidente
do Grupo Odebrecht, e o Vice-Almirante Othon Pinheiro da Silva, figuras
públicas, com endereço conhecido, estão desnecessária e arbitrariamente
detidos, no âmbito da "Operação Lava-Jato"?



Teria, da mesma
forma, o governo do PT, comprado novas fragatas na Inglaterra, voltado a
fabricar navios patrulha em nossos estaleiros, até para exportação para
países africanos, investido na remotorização totalmente nacional de
mísseis tipo Exocet, na modernização do navio aeródromo (porta-aviões)
São Paulo, na compra de um novo navio científico oceanográfico na China,
na participação e no comando por marinheiros brasileiros das Forças de
Paz da ONU no Líbano ?



Se fosse comunista, o governo do PT
estaria, para a Aeronáutica, investido bilhões de dólares no
desenvolvimento conjunto com a Suécia, de mais de 30 novos
caças-bombardeio Gripen NG-BR, que serão fabricados dentro do país, com a
participação de empresas brasileiras e da SAAB, com licença de
exportação para outras nações, depois de uma novela de mais de duas
décadas sem avanço nem solução, que começou no governo FHC ?



Se
fosse comunista - e contra as forças armadas - teria o governo do PT
encomendado à Aeronáutica e à Embraer, com investimento de um bilhão de
reais, do governo federal, o projeto do novo avião cargueiro militar
multipropósito KC-390, desenvolvido com a cooperação da Argentina, do
Chile, de Portugal e da República Tcheca, capaz de carregar até
blindados, que já começou a voar neste ano - a maior aeronave já
fabricada no Brasil ?



Teria comprado, para os Grupos de
Artilharia Aérea de Auto-defesa da FAB, novas baterias de mísseis
IGLA-S; ou feito um acordo com a África do Sul, para o desenvolvimento
conjunto - em um projeto que também participa a Odebrecht - com a DENEL
Sul-africana, do novo míssil ar-ar A-Darter, que ocupará os nossos novos
caças Gripen NG BR?



Se fosse um governo comunista, o governo do
PT teria financiado o desenvolvimento, para o Exército, do novo Sistema
Astros 2020, e recuperado financeiramente a AVIBRAS ?



Se fosse
um governo comunista, que odiasse o Exército, o governo do PT teria
financiado e encomendado a engenheiros dessa força, o desenvolvimento e a
fabricação, com uma empresa privada, de 2.050 blindados da nova família
de tanques Guarani, que estão sendo construídos na cidade de Sete
Lagoas, em Minas Gerais?



Ou o desenvolvimento e a fabricação da
nova família de radares SABER, e, pelo IME e a IMBEL, para as três
armas, da nova família de Fuzis de Assalto IA-2, com capacidade para
disparar 600 tiros por minuto, a primeira totalmente projetada no Brasil
?



Ou encomendado e investido na compra de helicópteros russos e
na nacionalização de novos helicópteros de guerra da Helibras e mantido
nossas tropas - em benefício da experiência e do prestígio de nossas
forças armadas - no Haiti e no Líbano?



Em 2012, o novo
Comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas, então Comandante
Militar da Amazônia, respondeu da seguinte forma a uma pergunta, em
entrevista à Folha de São Paulo:



Lucas Reis:



“Em 2005, o
então Comandante do Exército, general Albuquerque, disse “o homem tem
direito a tomar café, almoçar e jantar, mas isso não está acontecendo
(no Exército). A realidade atual mudou?



General Eduardo Villas Bôas:



“Mudou
muito. O problema é que o passivo do Exército era muito grande, foram
décadas de carência. Desde 2005, estamos recebendo muito material, e
agora é que estamos chegando a um nível de normalidade e começamos a ter
visibilidade. Não discutimos mais se vai faltar comida, combustível,
não temos mais essas preocupações.”



Deve ter sido, também, por
isso, que o General Villas Bôas, já desmentiu, como Comandante do
Exército, neste ano, qualquer possibilidade de "intervenção militar" no
país, como se pode ver aqui (O recado das armas).



A questão externa



A outra razão que contribui para que o governo do PT seja tachado de
comunista, e muita gente saía às ruas, no domingo, é a política externa,
e a lenda do “bolivarianismo” que teria adotado em suas relações com o
continente sul-americano.



Não é possível, em pleno século XXI,
que os brasileiros não percebam que, em matéria de política externa e
economia, ou o Brasil se alia estrategicamente com os BRICS (Rússia,
Índia, China e África do Sul), potências ascendentes como ele; e estende
sua influência sobre suas áreas naturais de projeção, a África e a
América Latina - incluídos países como Cuba e Venezuela, porque não
temos como ficar escolhendo por simpatia ou tipo de regime - ou só nos
restará nos inserir, de forma subalterna, no projeto de dominação
europeu e anglo-americano?



Ou nos transformarmos, como o México, em uma nação de escravos, como se pode ver aqui (O México e a América do Sul) que monta peças alheias, para mercados alheios, pelo módico preço de 12 reais por dia o salário mínimo ?



Jogando,
assim, no lixo, nossa condição de quinto maior país do mundo em
território e população e sétima maior economia, e nos transformando,
definitivamente, em mais uma colônia-capacho dos norte-americanos?



Ou
alguém acha que os Estados Unidos e a União Europeia vão abrir,
graciosamente, seus territórios e áreas sob seu controle, à nossa
influência, política e econômica, quando eles já competem,
descaradamente, conosco, nos países que estão em nossas fronteiras?



Do
ponto de vista dessa direita maluca, que acusa o governo Dilma de
financiar, para uma empresa brasileira, a compra de máquinas, insumos e
serviços no Brasil, para fazer um porto em Cuba - a mesma empresa
brasileira está fazendo o novo aeroporto de Miami, mas ninguém toca no
assunto, como se pode ver aqui (A Odebrecht e o BNDES)- muito mais grave, então, deve ter sido a decisão tomada pelo Regime Militar no Governo do General Ernesto Geisel.



Naquele momento, em 1975, no bojo da política de aproximação com a
África inaugurada, no Governo Médici, pelo embaixador Mario Gibson
Barbosa, o Brasil dos generais foi a primeira nação do mundo a
reconhecer a independência de Angola.



Isso, quando estava no
poder a guerrilha esquerdista do MPLA - Movimento Popular para a
Libertação de Angola, comandado por Agostinho Neto, e já havia no país
observadores militares cubanos, que, com uma tropa de 25.000 homens,
lutariam e expulsariam, mais tarde, no final da década de 1980, o
exército racista sul-africano, militarmente apoiado por mercenários
norte-americanos, do território angolano depois da vitoriosa batalha de
Cuito-Cuanavale.



Ao negar-se a meter-se em assuntos de outros
países, como Cuba e Venezuela, em áreas como a dos “direitos humanos”,
Dilma não faz mais do fez o Regime Militar brasileiro, com uma política
externa pautada primeiro, pelo “interesse nacional”, ou do “Brasil
Potência”, que estava voltada, como a do governo do PT,
prioritariamente para a América do Sul, a África e a aproximação com os
países árabes, que foi fundamental para que vencêssemos a crise do
petróleo.



Também naquela época, o Brasil recusou-se a assinar
qualquer tipo de Tratado de Não Proliferação Nuclear, preservando nosso
direito a desenvolver armamento atômico, possibilidade essa que nos foi
retirada definitivamente, com a assinatura de um acordo desse tipo no
governo de Fernando Henrique Cardoso.



Se houvesse, hoje, um
Golpe Militar no Brasil, a primeira consequência seria um boicote
econômico por parte do BRICS e de toda a América Latina, reunida na
UNASUL e na CELAC, com a perda da China, nosso maior parceiro comercial,
da Rússia, que é um importantíssimo mercado para o agronegócio
brasileiro, da Índia, que nos compra até mesmo aviões radares da
Embraer, e da Àfrica do Sul, com quem estamos também intimamente ligados
na área de defesa.



O mesmo ocorreria com relação à Europa e
aos EUA, de quem receberíamos apenas apoio extra-oficial, e isso se
houvesse um radical do partido republicano na Casa Branca.



Os
neo-anticomunistas brasileiros reclamam todos os dias de Cuba, um país
com quem os EUA acabam de reatar relações diplomáticas, visitado por
três milhões de turistas ocidentais todos os anos, em que qualquer
visitante entra livremente e no qual opositores como Yoani Sanchez
atacam, também, livremente, o governo, ganhando dinheiro com isso, sem
ser incomodados.



Mas não deixam de comprar, hipocritamente,
celulares e gadgets fabricados em Shenzen ou em Xangai, por empresas que
contam, entre seus acionistas, com o próprio Partido Comunista.



Serão os "comunistas" chineses - para a neo-extrema-direita nacional - melhores que os "comunistas" cubanos ?



A questão política



A atividade política, no Brasil, sempre funcionou na base do “jeitinho” e da “negociação”.



Mesmo
quando interrompido o processo democrático, com a instalação de
ditaduras - o que ocorreu algumas vezes em nossa história - a política
sempre foi feita por meio da troca de favores entre membros dos Três
Poderes, e, principalmente, de membros do Executivo e do Legislativo, já
que, sem aprovação - mesmo que aparente - do Congresso, ninguém
consegue administrar este país nem mudar a lei a seu favor, como foi
feito com a aprovação da reeleição para prefeitos, governadores e
Presidentes da República, obtida pelo Presidente Fernando Henrique
Cardoso.



Toda estrutura coletiva, seja ela uma jaula de zoológico, ou o Parlamento da Grã Bretanha, funciona na base da negociação.



Fora
disso, só existe o recurso à violência, ou à bala, que coloca
qualquer machão, por mais alto, feio e forte seja, na mesma posição de
vulnerabilidade de qualquer outro ser humano.



O “toma-lá-dá-cá”
nos acompanha há milhares de anos e qualquer um pode perceber isto, se
parar para observar um grupo de primatas.



Ai daquele, entre os
macacos, que se recusa a catar carrapatos nas costas alheias, a dividir o
alimento, ou a participar das tarefas de caça, coleta ou vigilância.



Em
seu longo e sábio aprendizado com a natureza, já entenderam eles, uma
lição que, parece, há muito, esquecemos: a de que a sobrevivência do
grupo depende da colaboração e do comportamento de cada um.



O
problema ocorre quando nesse jogo, a cooperação e a solidariedade, são
substituídas pelo egoísmo e o interesse de um indivíduo ou de um
determinado grupo, e a negociação, dentro das regras usuais, é trocada
por pura pilantragem ou o mero uso da ameaça e da pressão.



O
corrupto, entre os primatas, é aquele que quer receber mais cafuné do
que faz nos outros, o que rouba e esconde comida, quem, ao ver alguma
coisa no solo da floresta ou da savana, olha para um lado e para o
outro, e ao ter certeza de que não está sendo observado, engole, quase
engasgando, o que foi encontrado.



O fascista é aquele que faz a
mesma coisa, mas que se apropria do que pertence aos outros, pela
imposição extremada do medo e da violência mais injusta.



Se não há futuro para os egoístas nos grupos de primatas, também não o há para os fascistas.



Uns e outros terminam sendo derrotados e expulsos, de bandos de
chimpanzés, babuínos e gorilas, ou da sociedade humana, a dos "macacos
nus", quando contra eles se une a maioria.



Já que a negociação é
inerente à natureza humana, e que ela é sempre melhor do que a força, o
que é preciso fazer para diminuir a corrupção, que não acabará nem com
golpe nem por decreto ?



Mudar o que for possível, para que, no
processo de negociação, haja maior transparência, menos espaço para
corruptos e corruptores, e um pouco mais de interesse pelo bem comum do
que pelo de grupos e corporações, como ocorre hoje no Congresso.



O
caminho para isso não é o impeachment, nem golpe, mas uma Reforma
Política, que mude as coisas de fato e o faça permanentemente, e não
apenas até as próximas eleições, quando, certamente, partidos e
candidatos procurarão empresas para financiar suas campanhas, se elas
estiverem dispostas ainda a financiá-los, como se pode ver aqui (A memória, os elefantes e o financiamento empresarial de campanha)
- e espertalhões da índole de um Paulo Roberto Costa, de um Pedro
Barusco, de um Alberto Youssef, voltarão a meter a mão em fortunas, não
para fazer “política” mas em benefício próprio, e as mandarão para
bancos como o HSBC e paraísos fiscais como os citados no livro "A
Privataria Tucana".



O que é preciso saber, é se essa Reforma
Política será efetivamente feita, já que é fundamental e inadiável, ou
se a Nação continuará suspensa, com toda a sua atenção atrelada a um
processo criminal, que tem beneficiado principalmente bandidos
identificados até agora, que, em sua maioria, devido a distorcidas
"delações", que não se sustentam, na maioria dos casos, em mais provas
que a sua palavra, sairão dessa impunes, para gastar o dinheiro, que,
quase certamente, colocaram fora do alcance da lei, da compra de bens e
de contas bancárias.



Pessoas falam e agem, e sairão no dia seis
de agosto às ruas também por causa disso, como se o Brasil tivesse sido
descoberto ontem e o caso de corrupção da Petrobras, não fosse mais um
de uma longa série de escândalos, a maioria deles sequer investigados
antes de 2002.



Se a intenção é passar o país a limpo e punir de
forma exemplar toda essa bandalheira, era preciso obedecer à fila e à
ordem de chegada, e ao menos reabrir, mesmo que fosse simultaneamente,
mas com a mesma atenção e "empenho", casos como o do Banestado - que
envolveu cerca de 60 bilhões - do Mensalão Mineiro, o do Trensalão de
São Paulo, para que estes, que nunca mereceram o mesmo tratamento da
nossa justiça nem da sociedade, fossem investigados e punidos, em nome
da verdade e da isonomia, na grande faxina "moral" que se pretende estar
fazendo agora.




Ora, em um país livre e democrático - no qual,
estranhamente, o governo está sendo acusado de promover uma ditadura -
qualquer um tem o direito de ir às ruas para protestar contra o que
quiser, mesmo que o esteja fazendo por falta de informação, por estar
sendo descaradamente enganado e manipulado, ou por pensar e agir mais
com o ódio e com o fígado do que com a cabeça e a razão.



Esse
tipo de circunstância facilita, infelizmente, a possibilidade de
ocorrência dos mais variados - e perigosos - incidentes, e o seu
aproveitamento por quem gostaria, dentro e fora do país, de ver o circo
pegar fogo.



Para os que estão indo às ruas por achar que vivem
sob uma ditadura comunista, é sempre bom lembrar que em nome do
anticomunismo, se instalaram - de Hitler a Pinochet - alguns dos mais
terríveis e brutais regimes da História.



E que nos discursos e
livros do líder nazista podem ser encontradas, sobre o comunismo as
mesmas teses, e as mesmas acusações falsas e esfarrapadas que se
encontram hoje disseminadas na internet brasileira, e que seus
seguidores também pregavam matar a pau judeus, socialistas e comunistas,
como fazem muitos fascistas hoje na internet, com relação aos petistas.




A questão não é a de defender ou não o comunismo - que, aliás,
como "bicho-papão" institucional, só sobrevive, hoje, em estado "puro",
na Coréia do Norte - mas evitar que, em nome da crescente e absurda
paranoia anticomunista, se destrua, em nosso país, a democracia.



Esperemos
que os protestos do dia 16 de agosto transcorram pacificamente -
considerando-se a forma como estão sendo convocados e os apelos ao uso
da violência que já estão sendo feitos por alguns grupos nas redes
sociais - e que não sejam utilizados por inimigos internos e externos,
por meio de algum "incidente", para antagonizar e dividir ainda mais os
brasileiros, e nem tragam como consequência, no limite, a morte de
ninguém, além da Verdade - que já se transformou, há muito tempo, na
primeira e mais emblemática vítima desse tipo de manifestação.




muitos anos, deixamos de nos filiar a organizações políticas, até por
termos consciência de que não há melhor partido que o da Pátria, o da
Democracia e o da Liberdade.



O rápido fortalecimento da
radicalização direitista no Brasil - apesar dos alertas que tem sido
feitos, nos últimos três ou quatro anos, por muitos observadores - só
beneficia a um grupo: à própria extrema direita, cada vez mais
descontrolada, odienta e divorciada da realidade.



Na longa
travessia, pelo tempo e pelo mundo, que nos coube fazer nas últimas
décadas, entre tudo o que aprendemos nas mais variadas circunstâncias
políticas e históricas, aqui e fora do país, está uma lição que
reverbera, de Weimar a Auschwitz, profunda como um corte:



Com a extrema-direita não se brinca, não se alivia, não se tergiversa, não se compactua.



Quem
não perceber isso - e esse erro - por omissão ou interesse - tem sido
cometido tanto por gente do governo quanto da oposição - ou está sendo
ingênuo está sendo fraco, ou irresponsável, ou mal intencionado.