domingo, 10 de abril de 2016

A lista do HSBC?

A lista do HSBC? Lava Jato é que tem pressa, o resto não interessa - TIJOLAÇO | 



A lista do HSBC? Lava Jato é que tem pressa, o resto não interessa

hsbc


A Agência Lupa atualizou ontem as informações sobre o andamento das “investigações” sobre o caso da lista do HSBC.


Para quem não se lembra, já que o assunto sumiu, um resumo feito pela autora da reportagem, Cristina Tardáguila:


“Em fevereiro e março do ano
passado, o jornal “O Globo” e oblog do jornalista Fernando Rodrigues, no
UOL, publicaram uma série de reportagens exclusivas sobre o caso
Swissleaks. Segundo planilhas internas vazadas por um ex-funcionário do
banco HSBC, 8.667 brasileiros mantinham contas secretas na
filial de Genebra, na Suíça.
As contas relacionadas aos
brasileiros, ativas entre 2006 e 2007, continham aproximadamente US$ 7
bilhões – cerca de R$ 25 bilhões (segundo o câmbio de hoje) ou quase dez
vezes a soma dos valores recuperados pela Operação Lava-Jato até agora,
em decorrência dos acordos de colaboração. De acordo com a legislação
brasileira, o cidadão pode manter dinheiro no exterior desde que declare
a existência dessa conta bancária à Receita Federal e ao Banco
Central.”
O relato feito pela Lupa, também de forma condensada:


O Ministério da Justiça mandou a PF abrir inquérito
 e no dia 7 de julho de 2015 ” entregou ao Ministério Público Federal e
ao Departamento de Polícia Federal” os dados obtidos de forma oficial
sobre o caso “junto às autoridades francesas.”


A Polícia Federal diz que “não comenta nem fornece
qualquer tipo de informação sobre investigações, estejam elas em
andamento ou não”. Não quis confirmar se investiga o Swissleaks hoje em
dia”.


Idem a Procuradoria Geral da República, do Dr.
Rodrigo Janot, diz queexiste “um procedimento para apurar o caso”, mas
que “não há como verificar o andamento do mesmo porque ele é sigiloso”.


Conselho de Controle de Atividades Financeiras
(Coaf) diz que. nas 8.667 contas, só achou 470 CPFs (5,4% do total) e
1o9 deles coom “fundados indícios de ilícito”. Ou 1,2% do total.


A Receita Federal recebeu os arquivos, mas nem se preocupou de responder á reportagem.


A CPI do HSBC no Senado, iniciada em 24 de março de
2015, fez sua última reunião em 1º de dezembro passado, mas até agora
não tem relatório. E, vejam só, o neomarinista Randolfe Rodrigues ainda
fala de colocá-la a investigar os Panamá Papers...


Repetindo o que a Lula disse, lá ao início: as contas tinha quase dez vezes a soma dos valores recuperados pela Operação Lava-Jato até agora, em decorrência dos acordos de colaboração.


Não há manchetes, não há indignação, não há vazamentos.


Nenhuma “Força Tarefa”, nenhum Moro, , nenhum “Japonês”.


Há, ao contrário, vários do que pretendem “moralizar” o país com a derrubada do Governo na lista.


Viva o Brasil!


A crise é mental — CartaCapital

A crise é mental — CartaCapital

 Mino Carta



O escândalo chamado Panama Papers cabe com encaixe perfeito entre os resultados da sujeição do mundo ao deus mercado que o papa Francisco mais propriamente definiria como demônio do dinheiro.
Antes de cogitarmos de uma reforma
política brasileira, de resto, por ora tão improvável quanto duvidosa,
seria altamente recomendável uma reforma do globo terráqueo. De sorte a
reverter o processo destinado a enriquecer cada vez mais uns poucos para
empobrecer e imbecilizar os demais. Aludo a bilhões de seres ditos
humanos.
Um jurista italiano em recente visita ao Brasil, ex-integrante da força-tarefa da Operazione Mani Pulite,
Gherardo Colombo, convidado com o transparente propósito de constatar
convenientes similitudes entre aquela ação justiceira e a Lava Jato,
cuidou de desencantar os anfitriões, de sorte a não merecer maior
repercussão na mídia nativa, a do pensamento único a favor do golpe.
A tese central de Colombo, exposta no debate promovido para favorecer Sergio Moro
e os promotores curitibanos, é a seguinte: em situações de corrupção
desenfreada, a magistratura terá de agir para prender e incriminar quem
quer que seja, mas não extirpará o mal se este for da cultura do país. O
pecado só será remido pela educação dos graúdos e dos miúdos. Dura
lição, que não se coaduna com as pretensões da Lava Jato.
A corrupção é global, como, por exemplo, os Panama Papers comprovam.
Nem por isso Moro e sua operação deixam de ser representativos de um
país a seu modo único. A Lava Jato presta-se a fornecer munição a uma
tentativa de golpe, vale-se de uma polícia disposta a desservir ao
Estado para favorecer a manobra em sintonia com a mídia compactamente
envolvida no processo.
Atenta contra a lei impavidamente e
tanto esquece a origem da corrupção e seus mais atilados praticantes,
bem como liquida em um piscar de olhos a possibilidade de qualquer envolvimento da Mossack.
Desponta a urgência de interrogar os
botões: por que será que Moro e cia. enterraram o assunto? Respondem:
talvez o peso de nomes graúdos detentores das offshore à margem
do canal, nomes retumbantes, tenha aconselhado o súbito recuo, mesmo
depois da prisão de cinco suspeitos da Mossack, logo postos em
liberdade.
Uma pergunta chama outra: e por quais
cargas-d’água as atividades do empresário Fernando Henrique Cardoso e do
seu endiabrado herdeiro Paulo Henrique
não mereceram eco da mídia nativa? Ora, ora, respondem os botões, FHC é
ainda mais invulnerável do que Aquiles, o herói grego de calcanhar
indefeso. Nem mesmo Páris, de excelente pontaria, conseguiria abater o
ex-presidente sem pontos fracos.
A incerteza do momento precipita mais
perguntas. Por que ressurge a proposta da renúncia da presidenta Dilma,
formulada tempos atrás pelo acima citado FHC? A Folha de S.Paulo ressuscita
a ideia como portadora da bandeira a abrir o desfile olímpico. Marcha
imponente, a convocar muitos dos titulares da casa-grande, seus
aspirantes e fâmulos.
E por que Dilma haveria de renunciar?
Nada empurra a tanto o vencedor de uma eleição, menos ainda a lei. Há
quem diga: antecipemos as eleições, outubro próximo seria uma boa data. A
presidenta reage com louvável ironia: pois então, renunciemos todos em
bloco, governo, governadores e congressistas.
A quem aproveita a
proposta? Panorama confuso, de névoa do Mar do Norte, na madrugada
invernal. Em meio à cerração, aparecem desentendimentos na tripulação do
barco golpista. Não vale a pena perder tempo em relação ao patético
comportamento de Marina Silva, crente ferrenha das pesquisas, incapaz de
perceber que a coisa pega somente nas cercanias do pleito.
Permito-me outros exemplos: eleições em outubro não comovem, por
motivos diversos, Michel Temer e Aécio Neves. Encantam, porém, por
razões insondáveis, Paulo Skaf, aquele que estimula imensa saudade de
Antonio Ermírio de Moraes e Olavo Setubal, dois empresários que
praticaram a política com outros méritos e válidos atributos. Tampouco
está claro se Skaf é empresário.
Algo é certo, soletram os botões: a proposta da renúncia nasce de uma forte dúvida a respeito do desfecho da manobra golpista do impeachment. A tigrada deu para temer, de uns dias para cá, que o complô soçobre no fracasso final.
Retomada a normalidade democrática, e
diante de uma crise iniciada no exterior que não tende a arrefecer, a
possibilidade de antecipar eleições gerais poderia ser levada em conta,
ao cabo de um amplo debate e de uma adequada emenda constitucional,
operada pelos poderes previstos em lei.
Antecipação de um ano, para outubro de 2017, quem sabe. Não é por acaso, de todo modo, que a Folha assuma
o papel de portador da proposta da renúncia, inequivocamente golpista
nas circunstâncias. Diz um caro amigo que o jornalão da família Frias é o
mais hipócrita da categoria.
Abriga textos que contradizem a linha do jornal, sem contar a pretensão do ombudsman faccioso, para alardear uma isenção desmentida na totalidade dos demais espaços. O Estadão é um vetusto fazendeiro que não consegue enxergar além da cancela das suas terras. O Globo é homem de negócios suspeitos, sem escrúpulos, entregue ao demônio do dinheiro.
Os jornalões, os revistões e os
programões abrigam o bestialógico mais grandioso da história do País. No
confronto, o Febeapá da Stanislaw Ponte Preta empalidece. O que se lê e
se ouve, imediatamente repetido por uma fatia conspícua da sociedade, é
algo que não tem similar mundo afora. Trata-se de um besteirol
clangoroso que exibe o estágio cultural primitivo de uma nação carente
de saúde mental.
Não falta quem escape ao desastre, mas o
conjunto da obra é apavorante. Fôssemos diferentes, nos riríamos dos
equívocos, dos mal-entendidos, das acusações pueris, e das pretensões
descabidas, das ambições idem, dos exibicionismos provincianos, da pompa
ridícula, da ostentação grosseira, da vulgaridade geral. O fenômeno
apresenta, contudo, uma imponência tão avassaladora a ponto de provocar
por parte de quem dispõe de bons olhos, vergonha e desalento.
Perguntam agora meus envergonhados botões: quem haverá, neste Brasil em apuros, capaz de entender que o impeachment não
resolve a crise, pelo contrário, a complicaria? E quem se dá conta de
que os Panama Papers desvendam o ninho do ovo da serpente da crise que,
sem isentar o País, transcende a economia?
Há outra discrepância, ainda mais
espantosa, a denunciar ausência de saúde mental, bem como política:
enquanto se discute se Dilma cometeu um crime inexistente, decide os
destinos do Brasil um notório criminoso chamado Eduardo Cunha.

O fracasso da mídia

Diário do Centro do Mundo



 O fracasso da mídia em exterminar Lula fica claro no Datafolha.

 Por Paulo Nogueira



O fracasso da mídia em exterminar Lula fica claro no Datafolha. Por Paulo Nogueira

Postado em 09 Apr 2016
A mídia quis matar Lula, mas …
Uma vez, numa conversa com Zé Dirceu já nem sei lá exatamente a
propósito de que, ele disse o seguinte: “Os políticos têm pavor de 30
segundos no Jornal Nacional.”


Lembrei. Eu falava do vigor florescente da mídia digital e Dirceu
retrucou com a força da mídia tradicional, mais especificamente a Globo.


Aquela conversa me veio à cabeça ao ver o Datafolha de hoje.


Lula nas últimas semanas sofreu massacres sucessivos do Jornal
Nacional que foram muito, mas muito além dos 30 segundos citados por
Dirceu.


Fernando Morais cronometrou 23 minutos num determinado dia.


Era para Lula estar carbonizado. Apartamento, sítio, ações
pirotécnicas da Polícia Federal e da Lava Jato, grampos supostamente
incriminadores em que conversas de Lula e Dilma foram interpretadas
pelos locutores do JN: nada faltou.


Ao assassinato de reputação de Lula pela Globo se somou ainda o
trabalho sujo de jornais e revistas como Veja, Época, IstoÉ, Folha,
Estadão, Globo, para não falar de inumeráveis colunistas patronais.


A plutocracia jogou bombas atômicas em Lula. Ou o que ela julgava serem bombas atômicas.


Mas.


Eis que Lula aparece na liderança das pesquisas de intenções de voto para 2018.


E Aécio, tão poupado pela Globo, despenca rumo ao cemitério político. Moro, tão bajulado, aparece na rabeira.


Isso quer dizer o seguinte.


Primeiro, e acima de tudo: Lula é muito mais forte do que a
plutocracia sonhava. A jararaca está aí. Sozinho, Lula comandou nas duas
últimas semanas um formidável movimento popular de reação ao golpe que a
direita imaginava ser coisa liquidada.


Segundo, está aí a prova cabal da perda de influência da Globo e da imprensa em geral.


Tanta perseguição do Jornal Nacional e coadjuvantes para Lula, em vez de estar morto, ser líder das intenções de voto?


É um fracasso espetacular.


Se tiver um mínimo de lucidez, a cúpula da Globo vai se reunir para tentar entender o fiasco miserável.


O antijornalismo que a Globo passou a adotar recentemente, claramente inspirado na Veja, já não funciona entre os brasileiros.


O JN parece, hoje, uma Veja eletrônica. A Globo como um todo, aliás.
Uma pequena demonstração disso reside num diretor da casa, Erick Bretas,
que conseguiu se fantasiar de Moro em sua conta no Facebook. Isso é um
acinte, um insulto ao jornalismo decente.


Ao contrário de outros tempos, a internet funciona como um
contraponto aos crimes jornalísticos das grandes corporações de mídia.


Quanto mais um veículo perde o pé no antipetismo radical, menos
influência tem. A Veja é o exemplo maior. Ninguém exceto seus leitores, e
eles mesmos em número sempre menor, a leva a sério.


A Globo tomou o mesmo caminho. Ficou aloprada.


Mas nem seus funcionários parecem acreditar nela mais. Estrelas de
suas novelas queixaram-se publicamente, nas últimas semanas, da
cobertura do Jornal Nacional, mesmo ao preço de arriscar o pescoço.


Do mar de lama em que se meteu a imprensa emergiu, paradoxalmente, Lula.


Quiseram exterminá-lo, e no entanto o que fizeram foi uma propaganda involuntária de Lula para 2018.


Não adianta tentar transformar Moro em herói. Não é. É um herói de
mentirinha. Lula é, ele sim, um herói do povo, quer a plutocracia goste
ou não.

Lula e Marina lideram corrida para 2018

Lula e Marina lideram corrida para 2018; tucanos despencam - 09/04/2016 - Poder - Folha de S.Paulo



Lula e Marina lideram corrida para 2018; tucanos despencam


Editoria de Arte/Folhapress
Intenção de voto 2016
















O ex-presidente Lula (PT) e a ex-senadora Marina Silva (Rede) lideram a corrida eleitoral para presidente da República em 2018.





Entre as opções do PSDB (o senador Aécio Neves, o governador Geraldo
Alckmin e o também senador José Serra), todas têm demonstrado tendência
de queda nas intenções de voto.





Segundo nova pesquisa Datafolha, em três dos quatro cenários eleitorais
pesquisados, Lula e Marina estão empatados dentro da margem de erro. Em
apenas um, o ex-presidente lidera.





Editoria de Arte/Folhapress
eleicoes data folha 2016
Na comparação com a pesquisa anterior, de março, a intenção de voto em
Lula cresceu em três cenários, voltando ao patamar observado em
fevereiro, enquanto Marina se manteve estável em todas as simulações.





No cenário de uma disputa entre Lula, Marina e Aécio Neves, por exemplo, o petista tem 21%, a ex-senadora, 19%, e o tucano, 17%.





Entre meados de dezembro e agora, Aécio perdeu dez pontos percentuais em
suas intenções de voto, enquanto Lula e Marina se mantiveram no mesmo
patamar. Já Geraldo Alckmin, em um cenário alternativo, encolheu cinco
pontos no mesmo período.





Na simulação com Lula, Marina e Aécio, o Datafolha também tem incluído o
nome do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que aparece com 8%
das intenções de voto. O percentual é o dobro do que o deputado
registrava em dezembro do ano passado.





No cenário em que o senador José Serra aparece como o candidato do PSDB,
Marina e Lula aparecem empatados com 22%, o dobro do tucano, que caiu 4
pontos percentuais desde fevereiro —quando registrava 15% de intenção
de voto.





Em todos os cenários testados para 2018, o vice-presidente Michel Temer,
que assumiria em caso de impeachment de Dilma Rousseff, aparece com
apenas 1% ou 2%.





Em relação a um eventual governo Temer no caso de Dilma ser afastada, a
pesquisa Datafolha mostra que apenas 16% acreditam que ele faria uma
gestão ótima ou boa, mesmo índice do levantamento realizado em março.





REJEIÇÃO ELEITORAL





O Datafolha também mediu a rejeição eleitoral dos candidatos. Assim como
nos últimos levantamentos, o ex-presidente Lula é o mais rejeitado. Não
votariam de jeito nenhum nele 53%.





Na comparação com os levantamentos anteriores, a taxa de rejeição recuou
em relação à de março (era 57%); porém, segue acima da fevereiro (49%).





Na sequência vêm Aécio e Temer, com taxas de rejeição em crescimento.





Não votariam no tucano 33% (eram 23% em fevereiro e 32% em março) e no
atual vice-presidente, 27% (eram 21%, em fevereiro, e 23%, em março). A
rejeição de Marina é de 20% (em março e em fevereiro, era de 15%).

Governo ainda pode recuperar confiança

Governo ainda pode recuperar confiança, diz presidente do Santander - 10/04/2016 - Mercado - Folha de S.Paulo







O presidente do Santander, Sérgio Rial, é voz destoante no empresariado.
Enquanto vários colegas passaram a dizer abertamente que não há saída
para a crise com Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, Rial afirma que a
presidente ainda é capaz de recuperar a confiança na economia.





"Não há nenhum ponto tão baixo que não possa melhorar, desde que se
encontre a agenda correta", afirma o banqueiro. "Não é a ruptura que vai
levar a uma solução."





Apesar da posição claramente favorável à presidente, Rial não diz se é a favor ou contra o impeachment.





E o vice Michel Temer, daria certo no lugar de Dilma?





"Sempre existe o risco de que só a mudança no Executivo não gere a concertação política" capaz de tirar o país do atoleiro.





No comando desde janeiro do terceiro maior banco privado do país,
Rial afirma que a crise econômica só não é pior porque os bancos estão
segurando as pontas das grandes empresas e renegociando suas dívidas.





De acordo com ele, se bancos e investidores exigissem hoje que as
empresas pagassem em dia, elas não teriam condições de honrar seus
compromissos.





"Os bancos estão envolvidos num esforço de prorrogar, refinanciar,
repensar, redesenhar tudo. Não interessa a ninguém que as empresas
quebrem, que mais gente fique desempregada."







FORA DO ROTEIRO





Carioca, 55 anos, filho de espanhóis, Rial chegou à presidência da
filial brasileira do espanhol Santander sem seguir o roteiro típico dos
ocupantes desse tipo de cargo.





Começou a carreira em bancos estrangeiros, mas deu uma escapada que o
levou a posições de destaque na multinacional americana Cargill e, antes
do Santander, à presidência do frigorífico Marfrig.





Apesar do cenário de terra arrasada que domina o país, ele diz que o setor privado já fez seu ajuste
e acha possível que os primeiros sinais de reação econômica comecem a
dar as caras a partir do segundo semestre. "Acho que a economia não vai
cair muito mais."





Na opinião do presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, a crise
econômica só não é pior porque os bancos estão renegociando as dívidas
de grandes empresas para tentar evitar que quebrem. "Isso não interessa a
ninguém."





Leia a seguir trechos da entrevista.





Folha - Até as maiores empresas do país estão com dificuldades para pagar dívidas. O sr. teme uma onda de quebradeira?





Sérgio Rial - A gravidade da crise é inquestionável. Se hoje
todos os bancos e investidores que compraram papéis de empresas
brasileiras exigissem pagamentos nos vencimentos previstos, teríamos
incapacidade de liquidez no país para isso.





Mas essa não é a proposta dos bancos. Os bancos estão envolvidos num
esforço de prorrogar, refinanciar, repensar, redesenhar tudo. Não é do
interesse de ninguém que empresas quebrem, que mais gente fique
desempregada.





E o impacto dos calotes na saúde financeira dos bancos?





O Brasil tem um sistema financeiro sólido. Minha preocupação não é a
quebradeira. É que haja um alinhamento claro dos bancos para ajudar, e
está havendo isso, e que as empresas façam seu trabalho de casa.





Que trabalho é esse?





Voltar para o negócio principal, deixar de fazer coisas que eram bacanas
e não dá mais para ter, e que os acionistas se comprometam em colocar
recursos.





Como as empresas estão reagindo a isso?





Muitas são familiares e se assustaram. Vinham de uma fase de bonança,
muitas foram pegas de surpresa pela parada abrupta da economia e não
conseguiram ler os sinais de que viria uma queda acentuada no preço das
commodities.





Algumas hesitaram em tomar decisões necessárias, como venda de ativos e
fechamento de operações negativas. Mas este é o momento de revalidar a
crença nas empresas que lideram e estamos vendo vários exemplos disso.





O Santander é um dos grandes financiadores da Petrobras. O sr. teme que a empresa dê calote?





A gente não fala sobre clientes, mas absolutamente não. Não estamos numa
situação de liquidez que levaria o país a deixar de pagar dívidas.





O governo Dilma Rousseff ainda tem condições de recuperar a confiança de empresários e consumidores na economia?





Acho que sim. Não há nenhum ponto tão baixo que não possa melhorar,
desde que se encontre a agenda correta. O governo que está aí foi eleito
democraticamente. Isso é superimportante.





Mas um número crescente de empresários passou a dizer abertamente
que, com Dilma no Planalto, não há saída possível para a crise
econômica...






São posições extremas. Tenho certeza de que a presidente tem as melhores
intenções. Vejo com tristeza a intolerância que se espalhou pelo país e
espero que a gente consiga encontrar um caminho.





Estamos num processo de maturidade política duro, mas necessário. Não é a
ruptura que vai levar a uma solução. Aliás, não há solução na ruptura.
Só há o caos.





O vice Michel Temer corre o risco de enfrentar processos iguais aos
de Dilma. Ele teria condições de formar o tal governo de transição?






O sistema presidencialista criou no imaginário do brasileiro a figura do
salvador, ou da salvadora. Não tenho visto movimentos de concertação
política no país. Sempre existe o risco de que só a mudança no Executivo
não gere essa concertação.





No caso de o vice assumir a Presidência da República, o Congresso estaria apto a ajudar? Não sou capaz de responder.





Acho que chegou a hora de exigir que todos [governo e oposição] resolvam
suas diferenças para termos pelos menos uma agenda mínima de
governabilidade do país, que implica melhores contas públicas e pelo
menos algumas reformas.





O discurso do governo não vai na direção de reformas...





Acho que agora não existe um discurso. Não existe uma agenda. Mas posso dizer que elas acontecerão. São necessárias.





O sr. é a favor do impeachment da presidente ou da renúncia dela?





Prefiro não responder.





Muitos bancos estão prevendo que, neste ano, a recessão será ainda
pior do que a de 2015. Que a queda do PIB talvez passe dos 4%. Qual é a
sua previsão?






Acho mais provável a repetição do que vimos em 2015. A projeção do banco
é inferior a 4%. E acredito que a partir do segundo semestre estejamos
num outro momento.





Já batemos no fundo do poço?





Sempre pode haver surpresas. Não havendo nada dramático além do que
sabemos hoje, acho que a atividade econômica tem tudo para voltar a
melhorar a partir de agora. O setor privado já fez seu ajuste. O
desemprego que a gente vê na rua é consequência do ajuste feito desde
2015.





As empresas estão refinanciando suas dívidas, vendendo coisas que não
são importantes, focando suas operações, trabalhando em produtividade.
Já vemos sinais de que o Brasil pode emergir dessa crise melhor.





Quais são os sinais?





A indústria de calçados começa uma retomada e o setor têxtil pode voltar
a ser forte, já que a importação da China ficou cara. O agronegócio vai
bem. Acho que a economia não vai cair muito mais do que já está dado.





Bancos estrangeiros como o HSBC e o Citibank estão saindo do Brasil. O
país deixou de ser interessante para as grandes instituições financeiras
internacionais?





Não se pode atribuir a saída desses bancos apenas à situação do Brasil. O país tem um mercado financeiro de grande potencial.





Agora, alguns se cansaram da complexidade de operar aqui e também não
conseguiram criar quadros de gestão locais para ter a relevância de que
precisavam.





Vocês conseguiram?





O Brasil representa de 20% a 25% do Santander. Isso é relevância. Nós
investimos aqui mais de US$ 30 bilhões nos últimos 20 anos. É preciso
esse nível de investimento para ter relevância.





O Santander perdeu o HSBC para o Bradesco. Vai tentar comprar as operações de varejo do Citi?





Vamos olhar o Citi. Temos obrigação. Mas vamos manter a disciplina
financeira que tivemos no caso do HSBC [o Santander acha que o Bradesco
pagou muito].





O Santander hoje é oriundo de mais de 20 aquisições. Compramos o Banespa
e o Banco Real, que por sua vez tinha comprado o Sudameris, o Bandepe, e
tem várias outras aquisições.





Hoje somos alternativa aos dois grandes locais [privados, Itaú e Bradesco]. Não há nada errado em ser um grande número dois.

Escândalo Andrade Gutierrez/PSDB:

Escândalo Andrade Gutierrez/PSDB: veja como a mídia golpista manipula a informação da Vaza Jato



Abaixo, leia a íntegra da da reportagem do Estadão de 7 de outubro de 2015 (só falta o jornal dizer “esqueça o que eu escrevi”):



Aécio Neves

WhatsApp de cúpula da Andrade revela torcida por Aécio nas eleições

POR MATEUS COUTINHO, RICARDO BRANDT, JULIA AFFONSO E FAUSTO MACEDO

07/10/2015, 10h13
Mensagens de celular de executivo da empreiteira foram resgatadas
pela PF na Lava Jato e mostram a preferência por candidato tucano




Aécio Neves. Foto: Dida Sampaio/Estadão


Aécio Neves. Foto: Dida Sampaio/Estadão
Troca de mensagens de WhatsApp de executivos da cúpula da Andrade
Gutierrez, a segunda maior empreiteira do País e que está na mira da
Lava Jato, durante as eleições no ano passado revelam a torcida dos
empreiteiros e até a decepção com a derrota do então candidato do PSDB à
Presidência, Aécio Neves. “Bora Brasil!! Bora Aécio!!!”, disse Ricardo
Sá, presidente global da AG Private, divisão da empresa que cuida de
clientes do setor privado em todo o mundo, quando a apuração dos votos
no segundo turno mostrava o tucano à frente.


As informações constam do iPhone de Elton Negrão de Azevedo Júnior,
que deixou a empresa após ser preso na 14ª fase da operação e ser
denunciado por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Em seu aparelho foi localizado um grupo de conversas no aplicativo
intitulado “presidentes AG”.


Deste grupo participavam presidentes de várias divisões do Grupo Andrade Gutierrez como:


Flávio David Barra, ex-presidente da AG Energia preso na Lava Jato;
Clorivaldo Bisinoto, presidente da AG Engenharia; Ricardo Sena,
presidente de Engenharia e Construção da AG Engenharia; Anuar Caram,
presidente da AG Público Brasil, que trata dos negócios com o setor
público; Ricardo Sá, presidente da AG Private; José Nicomedes,
presidente da AG AEA – África, Europa e Ásia- e João Martins, presidente
global da AG Negócios Estruturados. Do grupo, apenas Elton Negrão e
Flavio Barra são investigados pela Operação Lava Jato.


Em meio a notícias, piadas, correntes e petições online contra a
presidente e até boatos e informações falsas compartilhadas entre eles, o
grupo de executivos não poupava Dilma nem seu partido de críticas. Às
vésperas do segundo turno, os ânimos dos interlocutores ficaram mais
exaltados. No dia 25 de outubro, o sábado antes da votação, eles
comentaram o último debate entre os então candidatos Dilma Rousseff e
Aécio Neves transmitido pela TV Globo.


“É agora… O tema corrupção….A mulher está nervosa demais….Agora o
homem moeu a gorda de perna aberta”, disse Anuar Caram, que foi logo
respondido por Ricardo Sá: “Fora sapa com cara do satanás!!!”.


“Hahahaha”, respondeu Caram. Já Elton, atualmente preso e réu na Lava
Jato, observou: “Aqui em BH (Belo Horizonte), muita gente está gritando
dos aptos: Fora Dilma!!!”. “Aqui tb!!”, comentou Ricardo Sá.


msgandrade1


“Legal. Taca-lê pau Aécio”, segue Anuar Caram. As ofensas e piadas à
presidente seguem durante o debate transmitido pela TV Globo. No dia
seguinte, após a votação do segundo turno, o grupo começa a comentar as
expectativas e a torcer pelo candidato tucano, citando inclusive
informações que seriam da campanha dele.


msgandrade3


“Os números dos candidatos ligados ao Aécio estão muito bem. Goiás,
DF e RS estão fechando acima da média. Esperança”, diz Anuar Caram.
“Vamo que vamo”, responde João Martins.


Em outro momento, os executivos do grupo começam a comentar sobre o
boato de que o candidato tucano teria vencido e que seus aliados
estariam indo para Belo Horizonte. “Acho que vai dar. Acabei de saber
que FHC está indo a BH”, comenta Caram. Em seguida, ele diz que “está
todo mundo vindo para BH”. Na ocasião, Aécio acompanhou a apuração dos
votos na capital mineira.


msgandrade5


“Vamos lá, o momento é este!!”, torce Bisinoto. Pouco tempo depois,
Caram repassa uma mensagem que recebeu de outro grupo de que a vitória
do tucano estaria certa. “Salim Mattar, dono da localiza escreveu agora
no grupo dele. Está na mesma casa do Aécio em MG. Dono do Ibope ligou
para o Aécio para dar parabéns! FHC já foi de helicóptero para lá”.


Em seguida, Caram afirma ter sido informado por uma fonte de dentro
do comitê do PSDB. “Aécio acaba de receber telefone e gritaria foi geral
na casa da irmã. Notícia vinda do Rio (equipe do Aécio) tá eleito”. A
mensagem é seguida por fotos de dentro do comitê tucano com as
comemorações de Aécio.


msgandrade6


Os outros membros do grupo, então, seguem na torcida. “É Aécio!!!”,
diz Clorivaldo Bisinoto. “Bora Brasil!! Bora Aécio!!” responde Ricardo
Sá, por volta das 10h da noite. Neste momento, as apurações começavam a
mostrar a vitória da petista por uma pequena margem de diferença e, a
partir daí, a torcida dos executivos dá lugar ao desânimo.


“F….”, diz Bisinoto, seguido por Flávio Barra “vida vai ser dura…..”.
Menos de um ano depois, Barra foi preso na Lava Jato acusado de
participar do cartel de empreiteiras que teria pago propina nas obras da
usina de Angra 3. “Falta apurar o NE e N”, comenta Barra que é logo
respondido por João Martins “Vai piorar!”.


Os executivos comentam ainda a vitória da petista em Minas Gerais e o
bom desempenho de Aécio em São Paulo. “Vergonha de ser mineiro!”,
reclama Ricardo Sena. Flávio Barra, por sua vez, afirma “nem sou mais…
voto em SP, que me deu orgulho!”. “Aguentar essa dentuça por mais 4 anos
vai ser foda”, reclama Caram. “A miséria e a ignorância elegeu a
Dilma!(sic)”, segue João Martins.


msgandrade7





COM A PALAVRA A ANDRADE GUTIERREZ:


A empreiteira informou que não iria comentar o teor do material

Corte Interamericana diz que região olha com medo para o Brasil

Chefe de Corte Interamericana diz que região olha com medo para o Brasil - 05/04/2016 - Poder - Folha de S.Paulo



Chefe de Corte Interamericana diz que região olha com medo para o Brasil












Sem citar nomes ou fazer referência ao processo de impeachment da
presidente Dilma Rousseff, o presidente da Corte Interamericana de
Direitos Humanos (Corte IDH), juiz Roberto de Figueiredo Caldas, fez
severas críticas à divulgação de áudios de investigados e disse que o
continente está olhando para o Brasil, "alguns [povos] com medo".





"Está na carta democrática americana dispositivo que fala da democracia
representativa. Seu afastamento há de ser feito dentro da legalidade e
da estrita letra da lei [...] Esta é uma preocupação de todos os povos
do continente, que estão olhando para o Brasil com toda a atenção,
alguns com medo", afirmou Caldas.





Ele falou à imprensa nesta terça-feira (4), em uma cerimônia em
Brasília, na qual assinou um memorando de entendimento com o presidente
do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Ricardo Lewandowski. O
documento prevê que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) seja o guardião
da jurisprudência da Corte em língua portuguesa.





Quando questionado se estava mandando recados ao Congresso ou a
investigadores da Operação Lava Jato, Caldas lembrou que não pode opinar
sobre casos específicos e que a discussão sobre o impeachment da
presidente Dilma Rousseff pode chegar à corte que ele preside, caso a
defesa dela recorra em esfera internacional.





"Eu diria que não é um recado, é um pronunciamento, trazendo uma
preocupação que me chega todos os dias porque de fato dizem: se acontece
com o Brasil, quem será o próximo?", justificou, sem denominar o que
"acontece com o Brasil".








O presidente da Corte Interamericana falou a respeito do um episódio em
que o Brasil foi condenado internacionalmente por causa da divulgação de
áudios de uma investigação em curso na Justiça estadual do Paraná, o
chamado caso Escher.





Ele afirmou que apenas as transcrições de conversas podem,
eventualmente, ser compartilhadas pela Justiça, jamais as gravações.
Perguntado se em nenhuma hipótese os áudios podem vir a público, o juiz
foi taxativo.





"O precedente é neste sentido. Todas as leis do mundo que tratam de
escuta telefônica são restritivas. Há algo de extremamente pessoal, que é
a voz, a maneira de falar. Esse espaço deve ser preservado. A
transcrição das fitas é que é aportado ao processo e as fitas devem ser
lacradas para eventuais conferências", justificou.





O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na Justiça
Federal no Paraná, foi alvo de críticas ao determinar o fim do sigilo da
gravação de um telefonema em que a presidente Dilma informava o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que iria mandar entregar-lhe o
termo de posse de ministro da Casa Civil.





Na avaliação de Roberto Caldas, vazamentos de trechos de um inquérito
tendem a comprometer a independência do magistrado que venha a julgar
aquele caso.





"Em alguns países, quando se divulga elementos da investigação, esses
elementos se tornam nulos. Nulos. Por que? Porque ao levar ao escrutínio
público, antecipa a majestade do julgamento do juiz natural e
originário da causa", explicou.





Depois de abordar o temor de períodos de "exceção" e exemplificar os
casos de Honduras e Paraguai, ele foi perguntado se enxerga o risco
iminente de um golpe de Estado no Brasil. Caldas preferiu não ir adiante
do que já havia dito.





"Eu creio que já respondi, de alguma maneira, até onde devo. Não devo ir
além, peço a compreensão de vocês, porque a minha competência é também
restrita. Eu não posso me desbordar em competência dos juízes internos",
finalizou.



Os vazamentos da Lava Jato e a lição da escola Base

Os vazamentos da Lava Jato e a lição da escola Base, por Janio de Freitas | GGN



Janio de Freitas


Uma única certeza: seja qual for o
desfecho da crise, será muito ruim. Isto supondo-se que haja desfecho,
propriamente dito, e não a também possível continuidade da degradação
caótica como um estado permanente. A "Constituição Cidadã", as leis, a
reverência ao Direito, a ética jornalística, a administração pública, as
práticas políticas, a respeitabilidade mínima do Congresso, a
divergência com convivência –o que aí não está muito abalado é porque já
desmorona.
A meio da semana, um aspecto dessa
situação motivou observações que há poucos anos o Brasil não precisaria
ouvir, sobre o respeito a procedimentos judiciais. Vieram de ninguém
menos do que o próprio presidente da Corte Interamericana de Direitos
Humanos, Roberto Caldas, em solenidade no Supremo. Referia-se, não citando por delicadeza diplomática, aos "vazamentos" de delações e investigações:
"Em vários países, quando se divulgam
elementos da investigação, tais elementos se tornam nulos. Vejam o
quanto isso é grave: tornam-se nulos."
No Brasil, essas práticas já estão no
território da imoralidade. A começar da denominação ingênua de
"vazamento". São acusações pesadas, em deliberada confusão de dinheiro
sujo e doações legais. "O ex-ministro Delfim Netto participou da criação
do segundo consórcio; Delfim teria ganhado propina de R$ 15 milhões"
–disse um grande jornal, entre outros que apenas mudaram a forma. Se,
porém, Delfim trabalhou para o consórcio de Belo Monte, teve o seu preço
e o que recebeu não foi "propina" –que, no caso, é dinheiro
comprometedor e em geral criminoso.
Nos anais da imprensa brasileira estará
para sempre o "caso da Escola Base". Era 1994 quando as mães de duas
crianças denunciaram à polícia paulista que os donos da escola faziam
orgias sexuais com os pequenos alunos. O delegado Antonino Primante
revirou as casas dos acusados e a escola. Nada encontrou, nem em
depoimentos. Crianças passaram por exame pericial, que nada constatou.
Indignada, uma das mães repetiu a denúncia para a TV. Um escândalo
fenomenal tomou a imprensa. A escola e as casas dos seus donos foram
atacadas, eles estiveram presos. E mais dois delegados só puderam
concluir que não havia sequer um leve indício de veracidade da acusação.
Os donos da escola tiveram as vidas
arruinadas. Só a Folha se retratou. Nas Redações, houve uma onda de
"lição da Escola Base": não mais encampar acusações morais sem a
segurança necessária, comprovar a seriedade do informante e a qualidade
da informação, e por aí. Inúmeros artigos, debates, seminários ocorreram
durante anos. Os "vazamentos" da Lava Jato, da Zelotes (sobre o
Conselho da Receita Federal) e outros, seguem o mesmo padrão do caso
Escola Base: um policial/procurador diz, é o suficiente.
Agora, um agravante sobre o caso anterior: o direcionamento.
A seletividade dos "vazamentos"
originários da Lava Jato incorpora-se à crescente imoralidade política: a
Lava Jato é uma função do Estado, e não pode estar a serviço de
correntes políticas e ideológicas.
Por que o escarcéu só com alguns dos
apontados pelo ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques
Azevedo, como recebedores de dinheiro do consócio construtor da usina
Belo Monte? Por que embaralhar doações legais e ilegais, pagamentos e
caixa dois? Não é decente.
Em nada prejudicariam a Lava Jato e a
imprensa as práticas, de parte a parte, respeitosas das leis pela
primeira e da ética pela segunda. O procurador-geral Rodrigo Janot
emitiu, há duas semanas, recomendações de sobriedade e obediência às
normas. Falou ao vento, e, como em toda parte, a desordem ficou por isso
mesmo. E foi o próprio Janot a dar uma colaboração: inverteu parecer de
março para acusar Dilma Rousseff de "intenção (...) de tumultuar o
andamento das investigações criminais da Lava Jato". O Supremo, então, é
incapaz para investigar Lula? Mas Janot invocou-se também com "as
circunstâncias anormais da antecipação da posse" de Lula. É claro que se
tratava de proteger Lula de novas exorbitâncias. Mas, ao que se saiba,
presidente ainda decide data e hora das posses ministeriais e fazê-lo
não constitui delito. Ao que se saiba, não. Sabia-se.

Precatórios: pedaladas ocultas nos orçamentos de estados e municípios

Precatórios: pedaladas ocultas nos orçamentos de estados e municípios

sábado, 9 de abril de 2016

A República da cobra:

A República da cobra: somente tolos ridicularizam discurso de ódio



A República da cobra: somente tolos ridicularizam discurso de ódio

Salah H. Khaled Jr.




Em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo. Em nome do que é justo e correto. Em nome da família. Em nome da
liberdade. Em defesa da sociedade. Em defesa da autonomia da vontade.
Pela libertação do mal. Pela regeneração do corpo social.




Palavras de ordem. Lemas que agregam.
Causas que unem estandartes e que afastam – pelo menos temporariamente –
diferenças periféricas. Poucas coisas conseguem reunir um todo
heterogêneo como um inimigo comum. A eleição de um inimigo – bem como a
crença em um projeto que aponta para o eventual triunfo sobre ele –
capacita para o sacrifício em prol do objetivo perseguido. Eventuais
diferenças podem ser resolvidas no campo reorganizado de um tabuleiro no
qual foi exorcizada a principal causa de dissenso. Em outras palavras,
os vencedores podem decidir sobre a distribuição de espólios uma vez que
a resistência aos seus esforços tenha evaporado.




Que a guerra em nome do bem comum seja empreendida: paz na Terra aos homens de boa vontade.



Não são poucos os massacres que a
humanidade conheceu ao longo da história e que decorreram de ações de
pessoas que sinceramente acreditavam que lutavam pelo que é justo. É
incomum que alguém tenha uma imagem negativa de si mesmo: as pessoas
constroem suas próprias justificativas para as escolhas que adotam e os
inimigos que elegem. São heróis ou heroínas de suas próprias narrativas,
que – não raro – capacitam práticas de extermínio que resultam em
inomináveis tragédias.




Como o título indica, estou discutindo
aqui a fala proferida por Janaína Paschoal no evento em defesa do
impeachment que ocorreu na última segunda-feira, 4 de abril, na
Faculdade de Direito da USP. É pouco provável que o leitor não tenha
lido sobre o assunto, que foi retratado inúmeras vezes. Algumas análises
ultrapassaram o limite da civilidade: atribuíram coloridos pejorativos
com base na suposta "histeria" da professora e tentaram desacreditá-la
com base nos clientes que já defendeu. Trata-se de uma linha de
raciocínio que aposta em estereótipos machistas e que indiretamente
ataca a própria advocacia, como se o fato dela ter sido advogada de
acusados específicos a diminuísse enquanto pessoa. Não vejo como isso
possa servir a qualquer propósito louvável. São análises equivocadas e
estigmatizantes. Não tenho simpatia por elas e seguirei um caminho
completamente diferente, como inclusive outros já fizeram. A crítica não
deve sacrificar a dignidade acadêmica ou utilizar estratégias
desonrosas para diminuir eventuais adversários, que não devem ser tidos
como inimigos. Desnecessário dizer que a minha posição é de compromisso
com a legalidade democrática e repúdio ao impeachment, como já deixei
claro inúmeras vezes.




Não discutirei aqui a pessoa da
professora, sua trajetória política e acadêmica ou qualquer detalhe
nesse sentido, embora certamente mereça menção o fato dela ser uma das
subscritoras do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Não
irei me deter na teatralidade, ou seja, no aspecto performativo da fala e
na intensidade dos gestos que a acompanharam. Logicamente, a
manifestação se deu em moldes fundamentalmente distintos dos acadêmicos,
enquanto o evento – embora abertamente de caráter político – foi
estruturado como evento da academia e, logo, representativo do
engajamento de parcela significativa de professores da casa. Mas este
aspecto não é contemplado senão indiretamente nas breves linhas que
compartilho aqui.




O que me parece digno de apreciação é o
conteúdo do discurso e os sentidos que ele potencialmente funda. É sob
este aspecto que é preciso discutir – pelo menos brevemente – a fala
sobre a "República da cobra". Não porque com isso exista qualquer
intenção de diminuição ou redução de quem efetivamente fez o discurso em
questão, mas porque creio que ele merece atenção pelo que representou
dentro de um contexto específico, que é o de choque entre forças
favoráveis e desfavoráveis ao impeachment.




Parece óbvio que não é uma fala jurídica
ou sequer acadêmica. Não há qualquer respeito pelos cânones que
circunscrevem o espaço conceitual do pensamento jurídico, nem qualquer
intenção de reivindicação do suporte de cientificidade que é típico de
manifestações acadêmicas. Janaína Paschoal não fala como acadêmica
naquele momento. Não fala como jurista. Fala como ativista política,
para uma plateia que se mostra imensamente entusiasmada com o discurso. A
receptividade da fala é enorme, como pode se perceber pelos inúmeros
aplausos durante as pausas dramáticas que ocorrem entre um trecho e
outro. Quem assiste ao vídeo em casa pode não gostar. Mas para quem
estava lá, a sensação parece ter sido de que ela "ganhou o dia". E isso
certamente merece atenção.




Poderíamos dizer – e muitos inclusive
disseram – que a fala diminuiu a estatura acadêmica da professora em
questão. Reconheço minha condição de ignorante e confesso que não
conheço sua produção acadêmica. Mas sua trajetória como advogada é
amplamente conhecida, inclusive por quem não advoga, como é meu caso.
Com certeza é tentador para quem se encontra no espectro político oposto
– na questão específica do impeachment – "caricaturizar" Janaína Paschoal, ou seja, despi-la de sua humanidade e grosseiramente retratar sua "perda de controle".
Mas a fala não pode ser compreendida fora do contexto no qual foi
proferida, sob pena de que a eventual análise não seja mais do que um
exercício fútil de leviandade. Tentarei escapar dessa armadilha nos
parágrafos restantes desta coluna.




O discurso proferido por Janaína carrega
forte conotação moral e emotiva, complementada pelo emprego da bandeira
do Brasil e a utilização de uma camisa amarela. Em vários momentos, ela
fala como se não falasse por si mesma, mas pela nação: "nós somos muitos..."
é um expediente típico de discursos construídos como artifícios de
sedução. Eles visam o prazer do ouvinte: sua participação emocional e
engajamento profundo em uma cerimônia de louvor à causa. Um olhar atento
sobre o conteúdo da fala e a reação da plateia revela um ritual de
celebração voltado para o frenesi coletivo, construído sob o signo da
libertação da opressão: "eles derrubam um, levantam-se dez [...] dominando as nossas mentes, as almas dos nossos jovens".




Janaína exerce um efeito de aproximação
com o público presente que objetiva uma profunda identificação:
individualidades devem se diluir em um amálgama maior de emancipação
coletiva de consciências. Ela fala praticamente o tempo todo como quem
reivindica a condição de porta-voz de uma coletividade: "nós não vamos baixar a cabeça...", e este é um dos muitos exemplos que caracterizam a estratégia adotada e amplamente bem sucedida.




A linguagem produz subjetividades,
desqualificando não apenas os inimigos metaforicamente referidos, mas
também seus aliados circunstanciais: "os professores de verdade querem mentes e almas livres"
conforma um ardil particularmente performativo, por exemplo. O discurso
pode soar inicialmente superficial, mas há uma clara intenção de
conexão com um público-alvo específico, que consome uma dieta cultural
que consiste basicamente no pensamento charlatão que acusa a academia de
doutrinação marxista. A conexão produz filiação. Quem ouve se sente
tocado, mesmo que inconscientemente.




Janaína está entre aliados e potenciais
amigos com interesses comuns. Sabe para quem fala e o que muitos dos que
estão lá querem ouvir. A pregação é para convertidos. Não é para
consumo externo. Não há nenhuma necessidade de convencer opositores ou
eventuais indecisos: o momento é de celebração de uma vitória que é tida
como iminente, como é explicitado nos últimos instantes do discurso.




Despersonalizada discursivamente como
representante de uma coletividade insurgente, é somente no final da fala
que a própria Janaína "surge" referindo o pai, como heroína mítica que
promoverá a libertação da nação e supostamente comandará uma legião
enviada por Deus para "cortar as asas da cobra": "nós
queremos libertar o país do cativeiro de almas e mentes... não vamos
abaixar a cabeça pra essa gente que se acostumou com discurso único...
acabou a república da cobra!".




E assim ela encerra: a vitória está ao alcance da mão e com ela, o gozo: o equivalente político de um orgasmo anunciado.



Confesso que assisti várias vezes. Na
primeira delas, fiquei estarrecido. Na segunda, senti medo e náuseas.
Foi somente a partir da terceira vez que consegui analisar o conteúdo da
fala com alguma objetividade.




O discurso efetivamente comemora o
desfecho triunfal de uma verdadeira cruzada contra o mal. O oposto de
Deus só pode ser o Diabo e é contra ele que Janaína se insurge. Não
disponho de capacidade para intuir a subjetividade da professora. Mas se
fosse preciso dar um palpite, diria que tenho certeza quase que
absoluta de que ela realmente acredita no que diz. E precisamente por
isso seu discurso é tão perigoso. Os lugares explorados na fala em
questão remetem ao que de pior a história produziu em termos de
demagogias políticas absorvidas pelas massas. Um discurso assentado em
tais pilares tem um poder de mobilização social gigantesco. Ele apela
para estruturas profundas de compreensão e, logo, produz subjetivamente
um pronunciado efeito de adesão. E isso é particularmente perigoso
quando a fala em questão é um discurso de ódio que convoca para o
enfrentamento e sinaliza com a intensificação de conflitos sociais. O
fato da emissora da mensagem não ter ciência de que profere discurso de
ódio não atenua em nada seu conteúdo: apenas demonstra que o ódio pode
falar através de pessoas, como muitas vezes falam as próprias
estruturas, inclusive as míticas.




Nós nos acostumamos a desqualificar
discursos voltados para o convencimento emocional. Muitas vezes eles são
ridicularizados e não são percebidos como o que realmente representam:
ameaças para uma cultura de respeito à alteridade. Uma tradição
significativa do pensamento chega a considerar que discursos repletos de
efeitos de sedução são algo alienígena perante as virtudes da
racionalidade. Terrível engano. Discursos como o de Janaína transcendem
os limites formais de lugares e padrões preestabelecidos: são fala,
figura e gesto, dotados de uma racionalidade que lhes é muito própria e
que complementa sistemas "racionais" de compreensão do mundo com modos
afetivos de conhecimento. E é comum que modos afetivos tenham peso muito
maior nas decisões do que o que costumamos chamar de "racionalidade".
Não que a dicotomia moderna entre razão e emoção ainda mereça qualquer
credibilidade.




Tolos são aqueles que taxam efeitos de
sedução como simples irracionalidade e histeria. Tolos são aqueles que
empregam estereótipos de misoginia como se agissem em defesa da
democracia. Tolos são aqueles que subestimam a capacidade de discursos
de ódio para conclamar as massas para a destruição da liberdade.




Quem sabe um pouco mais procurará
compreender o adversário, que não deve ser visto como inimigo. A
República pode não ser da cobra, mas a serpente do fascismo ameaça
engolir a todos nós.




Bom fim de semana!



Salah H. Khaled Jr. é
Doutor e mestre em Ciências Criminais (PUCRS), mestre em História
(UFRGS). Professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).
Escritor de obras jurídicas. Autor de A Busca da Verdade no Processo
Penal: Para Além da Ambição Inquisitorial, editora Atlas, 2013 e Ordem e
Progresso: a Invenção do Brasil e a Gênese do Autoritarismo Nosso de
Cada Dia, editora Lumen Juris, 2014 e coordenador de Sistema Penal e
Poder Punitivo: Estudos em Homenagem ao Prof. Aury Lopes Jr., Empório do
Direito, 2015.








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