domingo, 23 de outubro de 2016

O jornalismo de guerra da Folha é o pai do delirante caso do Itaquerão

O jornalismo de guerra da Folha é o pai do delirante caso do Itaquerão. Por Paulo Nogueira



O jornalismo de guerra da Folha é o pai do delirante caso do Itaquerão. Por Paulo Nogueira




Postado em 23 Oct 2016
arena


As propriedades atribuídas a Lula uma hora avançariam mesmo para além
dos pedalinhos, dada a selvageria inescrupulosa com que a mídia o
persegue.


Mas o Itaquerão?


Aí já estamos no terreno do delírio, e não jornalístico. O episódio
lembra o da Friboi, que diziam ser de Lulinha. Uma hora a coisa virou
piada, e as redes sociais começaram a dizer que Lulinha era dono da Casa
Branca, da Torre Eiffel e coisas do gênero.


O “furo” — aspas — veio da Folha. E claro: na manchete. Contra Lula é
sempre assim: manchete. A frase, segundo o jornal, é do patriarca da
Odebrecht, Emílio.


Os demais jornais e revistas não vão investigar o assunto. Vão
repercutir brutalmente o que a Folha disse. É sempre assim. O que
importa não é a verdade: é exterminar Lula.


Ninguém mais tem o direito de se julgar surpreso com os procedimentos
da grande mídia. Mesmo assim, impressiona a leviandade com que um
jornal grande ao menos no tamanho publica uma manchete daquelas.


Você vai ler o texto e logo descobre algo bem menos bombástico. Odebrecht disse que teria sido uma espécie de presente, numa suposta retribuição ao bom relacionamento que Lula tivera com a construtora em seus anos de governo.


São coisas inteiramente diferentes: presente é presente. Você recebe
de graça. Espécie de presente é espécie de presente — algo muito mais
subjetivo. É algo que frequentemente está muito mais na cabeça de quem
alegadamente deu “uma espécie de presente” do que na de quem recebeu.


Mas a Folha, malevolamente, misturou tudo e puxou pelo mais danoso para Lula. É o mais puro jornalismo de guerra.


Também doi ver como este pseudojornalismo — banido há muitos das
sociedades avançadas — ainda é praticado com inteira liberdade de ação
pela mídia plutocrata no Brasil.


Provas para uma acusação de tamanha envergura? Quem se importa? Quem
cobra? Lula — como qualquer cidadão brasileiro — está praticamente
indefeso diante de uma violência de tal magnitude.


As grandes empresas jornalísticas insistem em rebaixar o país ao nível de república das bananas.


Estamos vendo mais um exemplo disso agora.

Como os franceses se livraram do jornalismo que assassina a reputação

Como os franceses se livraram do jornalismo que assassina a reputação. Por Paulo Nogueira



Como os franceses se livraram do jornalismo que assassina a reputação. Por Paulo Nogueira





Postado em 23 Oct 2016
O episódio, na ilustração de um jornal da época
O episódio, na ilustração de um jornal da época
Em 1914, o jornal conservador Figaro vinha massacrando o ministro da
Fazenda, Joseph Caillaux, de esquerda. Caillaux, para o jornal, era
pacifista demais um momento em que a Alemanha flexionava seus músculos.


O Figaro conseguira uma correspondência íntima de Caillaux dirigida a uma mulher da sociedade parisiense, Henriette.


Eram cartas em que se misturavam lascívia e inconfidências políticas e
datavam da época em que Caillaux e Henriette mantinham um caso
clandestino.


Quando o Figaro obteve as cartas, Caillaux e Henriette já eram marido
e mulher, depois de cada qual se divorciar para viver plenamente o seu
relacionamento.


O editor do Figaro, Gaston Colmette, era o jornalista mais poderoso
da França. Henriette queria que Joseph o desafiasse para um duelo para
preservar a honra e a carreira. Mas depois teve uma segunda ideia.


Dirigiu-se à sede do jornal e pediu para ser recebida por Calmette,
num final de dia. Um amigo de Calmette lhe recomendou que não a
recebesse, dadas as circunstâncias da campanha movida contra o marido
dela.


Mas Calmette era um francês, e respondeu que não poderia deixar de atender uma dama sozinha.


Henriette tinha um véu na mão.


“Você sabe para que eu vim aqui, não?”, disse ela, segundo
testemunhas. Sem perder um só minuto, Henriette mostrou o que carregava:
uma Browning automática. Descarregou-a em Calmette. Quatro tiros
acertaram seu peito, e o mataram em poucos minutos.


A polícia não tardou a aparecer. Os policiais iam levar Henriette a
uma delegacia na viatura que estava estacionada na frente da sede do
Figaro.


“Não toquem em mim”, disse ela. “Je suis une dame”.


Ela foi para a polícia em seu próprio carro.


Poucas semanas depois, num julgamento que chacoalhou a França e a
Europa, e obscureceu entre os franceses os acontecimentos que logo
levariam à Primeira Guerra Mundial, o caso foi examinado por um júri
composto apenas de homens.


Henriette acabou inocentada. Agira, o júri decidiu, em legítima defesa da honra, e sob intensa emoção.


A opinião pública, no julgamento, se inclinou por Madame Caillaux –
que na prisão era atendida por duas de suas empregadas – e não pelo
jornalista morto, ou pela causa deste.


Houve entre os franceses um consenso de que Calmette e o Figaro
tinham cometido um abuso intolerável de poder, e o veredito refletiu
isso.


Acabou assim espetacularmente, pelas mãos de Madame Caillaux, une damme, o jornalismo que assassinava reputações na França.


O Brasil viveu um caso de alguma similaridade depois. (Um irmão de
Nelson Rodrigues foi assassinado na redação por uma mulher que o jornal
da família chamara de adúltera. Mas essa morte não teve vínculo nenhum
com a política).


O Calmette brasileiro era o “Corvo”, o jornalista e político Carlos
Lacerda, que se lançou a uma campanha selvagem que levaria Getúlio
Vargas ao suicídio, em 1954.


É um exercício fascinante imaginar o que teria ocorrido se Vargas tivesse a seu lado uma Madame Caillaux.


Mas não tinha.


Lacerda foi vítima de um atentado em que saiu apenas com um pé
ferido. O mandante, segundo a polícia, foi o chefe da guarda pessoal de
Getúlio. Sob a pressão da imprensa, Getúlio poucos dias depois se
mataria.


Madame Caillaux, na Paris de 1914, acabou de uma só vez com Calmette e
com um tipo de jornalismo que os franceses julgaram destrutivo e nocivo
ao interesse público. Lacerda pôde seguir, revigorado, sua carreira
deletéria.


O Corvo seria o nome essencial para justificar, pela imprensa, a
instalação de uma ditadura militar que, sob o pretexto infame de impedir
“o triunfo do comunismo”, viria a matar milhares de brasileiros e faria
do Brasil um campeão mundial da desigualdade social.


Henriette, com seu gesto extremo e desesperado, forçou a França a avaliar o jornalismo que se fazia então.


O Brasil jamais passou por este tipo de avaliação, e isso explica em
grande parte o jornalismo se limites que vigora entre nós ainda hoje, um
século depois de os franceses terem imposto limites imprescindíveis ao
interesse público.

Palestra de Hillary a Itaú BBA se transforma em peça de campanha

Palestra de Hillary a Itaú BBA se transforma em peça de campanha - 22/10/2016 - Mundo - Folha de S.Paulo




As declarações da candidata democrata Hillary Clinton a favor do livre
comércio numa palestra para o banco Itaú BBA, que se tornaram um tema da campanha presidencial
americana, aconteceram em maio de 2013 diante de uma plateia de 500
pessoas no luxuoso Lotte New York Palace Hotel, em Nova York.





O evento, organizado anualmente pelo Itaú BBA, braço de compra de
participações em empresas do Itaú, reúne donos e principais executivos
das maiores companhias latino-americanas, além de representantes de
grandes investidores de Wall Street.





Fechada à imprensa, a conferência de CEOs latino-americanos apresenta um
"keynote speaker", uma personalidade do mundo político capaz de atrair
um público exigente. Neste ano, por exemplo, os palestrantes foram Jeb
Bush, ex-governador da Flórida, e Armínio Fraga, ex-presidente do Banco
Central do Brasil.





Segundo e-mails hackeados do chefe de campanha de Hillary, John Podesta,
e divulgados pelo site WikiLeaks, a democrata afirmou aos empresários e
banqueiros presentes ao encontro que "meu sonho é um mercado comum
hemisférico, com comércio aberto e fronteiras abertas, em algum momento
no futuro com energia que seja tão verde e sustentável quanto possamos
conseguir".









A declaração foi mencionada no terceiro e último debate
da campanha americana, na última quarta-feira (19). Questionada pelo
mediador Chris Wallace, se de fato sonhava com fronteiras abertas, como
disse "a um banco brasileiro", Hillary disse que na ocasião falava
apenas de energia sustentável –Trump aproveitou para criticá-la pelo
teor da palestra.





Segundo a Folha apurou, a apresentação de Hillary no evento do
Itaú foi uma defesa do livre comércio, da desregulamentação dos mercados
e da integração das Américas. De acordo com uma pessoa presente, que
pediu anonimato, a democrata não disse "nada demais num discurso para
aquele público".





Em nota, o Itaú BBA confirmou a contratação de Hillary, mas não fez
comentários sobre seu discurso nem sobre o contrato. Segundo a agência
Associated Press, ela recebeu pela palestra US$ 225 mil (R$ 711 mil,
pela cotação atual).





Para se defender dos ataques de Trump e não perder votos, a candidata
democrata vem dizendo que não trabalhará pela aprovação da Parceria
Transpacífico no Congresso, um acordo de livre comércio entre os países
banhados pelo Pacífico negociado por Barack Obama.





CONTRASTE





A promessa destoa do passado liberal de Hillary, que foi secretária de
Estado de Obama. Seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, aprovou o
Nafta, mercado comum entre EUA, México e Canadá, e lançou as negociações
da Alca, que criaria uma área de livre comércio nas Américas, mas não
prosperou.





Segundo os e-mails vazados pelo WikiLeaks, Hillary também teve três
encontros com executivos do Goldman Sachs. É comum os bancos e grandes
empresas contratarem ex-políticos e outros palestrantes importantes para
conversar com seus executivos e clientes.





Em uma das reuniões com o Goldman Sachs, Hillary teria dito que tem
"ótimas relações" com Wall Street e que culpar os grandes bancos pela
crise de 2008 foi uma "simplificação excessiva".





Thomas Friedman, colunista do "New York Times", elogiou o "pragmatismo"
de Hillary no discurso ao Itaú e disse que a candidata que aparecia nos
e-mails do WikiLeaks era mais preparada para a Presidência dos EUA do
que parecia na campanha. Resta saber qual Hillary prevalecerá após as
eleições: a protecionista ou a liberal?

Itau: feito para os EUA e para Hillary Clinton

Itau: feito para os EUA e para Hillary Clinton - TIJOLAÇO



Itau: feito para os EUA e para Hillary Clinton




Não sei se a palesta de Hillary  Clinton  paga pelo Banco Itaú, em
2013, vai interessar tanto aos nossos indômitos procuradores quando a
que Lula deu em Angola (embora eles digam que não tenha dado, há um
teimoso vídeo gravado no evento) paga pela Odebrecht.


Dois dias depois de divulgada pelo Wikileaks – e divulgada pelo site de notícias do Yahoo com informações da Agência France Presse, ficamos sabendo que o bando pagou US$ US$ 225 mil (R$ 711 mil, pela cotação atual), segundo a Folha publica agora.


Enquanto o brasileiro promovia nosso país e nossas empresas no
exterior – elas, certamente á procura de bons negócios – o Itaú promovia
os interesses defendidos por Hillary para os investidores: bons e
lucrativos negócios no Brasil.


A candidata do Partido Democrata disse, no festim, que seu ” sonho é
um mercado comum hemisférica, com o comércio aberto e fronteiras
abertas”.


Uma contradição com seu atual discurso protecionista mas, ainda pior,
e não é preciso ser nenhum gênio para perceber, a entrega do mescado
brasileiro, sem nenhum tipo de salvaguarda, aos interesses de empresas
norte-americanas, muito mais fortes e capitalizadas, uma vez que, para
elas, capital tem custo quase zero, enquanto os nossos aqui têm de
entregar algo mais do que os fundilhos das calças para levantar dinheiro
para investir num a escala exportadora.


Aqui, os nossos patos – que se julgam mais espertos que os deles –
acham “lindo” estarmos destruindo as poucas empresas brasileiras em
condições de competir no exterior. As multinacionais americanas, claro,
por provirem de gente que tem origem em colonos protestantes – e não em
degredados portugueses, segundo o procurador Deltan Dallagnol, tem
critérios morais muito mais elevados.


Tanto que provocaram guerras tão patrióticas quanto genocidas por
energia e mercados, enquanto as nossas, vejam que mimo, apenas
patrocinaram apenas golpes contra governos eleitos.


Ah, a propósito: a palestra de Lula em Angola teve nota fiscal e foi
declarada ao Imposto de Renda. A de Hillary para só se tornou conhecida
agora através dos vazamentos do Wikileaks.


God bless America.

A república das Marcelas, o reino das princesas e o sonho das meninas

A república das Marcelas, o reino das princesas e o sonho das meninas - 23/10/2016 - Angela Alonso - Colunistas - Folha de S.Paulo









A república das Marcelas, o reino das princesas e o sonho das meninas







"Marcela amou-me durante 15 meses e 11 contos de reis, nada menos." Esta
Marcela foi a paixão de juventude de Brás Cubas, o personagem-síntese
do Brasil. Mas o nome também evoca outra Marcela, contemporânea e em
tudo distinta da literária.





A de Machado de Assis era mulher livre, dona de seu nariz. Perigosa.
Tanto assim que o Cubas pai tratou de afastar o filho da moça. A Marcela
de carne e osso carrega menos risco e nenhuma ambiguidade. Compartilha
com a ficcional o enquadramento num certo ideal de mulher, regido pela
beleza. Mas aí se esgota o paralelo.





A primeira-dama reza por breviário mais simples e bem conhecido. Trafega
em zona ultrassegura, nada precisa prover ou provar. Tem as contas
pagas, as falas prontas, a vida decidida. Nem o nome do filho careceu
escolher: no menino se reproduziu o senhor seu pai.





Marcela não se exprime, comparece. No papel de compor a paisagem, talvez
visasse o estilo Jackie Kennedy, da simplicidade elegante. Mas acabou
em campo retrô, meio Barbie, meio Rapunzel, entre dois mundos, o da
boneca, boa moradia para ex-miss dedicada ao consumo, e o reino do faz
de conta, onde se encastela qual a mocinha do cabelão.





A senhora Temer pertence a uma linhagem, a das primeiras-damas
decorativas, afeitas ao serviço social –a caridade, a filantropia e
outras formas de generosidade talhadas para camuflar a desigualdade.





O que surpreende nela não é tanto a dedicação ao frívolo conjugada à
inocência sobre o país –nisso, sua versão municipal, dona Bia Doria, já
ocupa inconteste o pódio. O que espanta é que, sendo tão jovem, seja tão
tradicional. E que tome para si, no perfeito equilíbrio de orgulho e
timidez esperado das recatadas, o papel de submissa, de secundária.
Espanta que mulher de sua geração jogue o jogo de gênero de modo tão
apaziguado.





Excluído o zumbido dos que protestam à sua porta contra o marido, nada
parece perturbar seu prazer contido em habitar uma gaiola dourada.
Obviamente não espanta a todos. Um bom naco do país festeja o retorno
das coisas aos lugares de costume: os senhores no comando, as senhoras
em casa –ou no shopping.





Termos tido uma presidente inflou fantasia maior que a dos contos de
fada, a da igualdade de gênero, que se desmancha nos resultados
eleitorais. Em São Paulo, onde reinará dona Bia, elegeram-se 11
candidatas, 20% da vereança, embora as mulheres sejam 52% da população
municipal.





Dados que decerto pouco afligem a nova primeira-dama paulistana. Dela
pouco sobrou a dizer. Ela disse tudo em entrevista à Folha. Da cidade
nada sabe. Sua geografia ajunta o Minhocão à Etiópia e não separa a Vila
Nova Conceição da Park Avenue. Mas, afinal, quem vai gerir é o senhor
seu marido.





A questão ultrapassa pessoas. O estilo das duas primeiras-damas
exemplifica um modelo de comportamento feminino esperado. Recomendam às
meninas se distanciarem dos assuntos públicos em troca de um reinado
doméstico.





Mais perigosa que sua xará ficcional, a Marcela de verdade encarna um
ideal: o da princesa. É também o que orienta uma herdeira do reino
Abravanel. Como não falta à moça capital para pôr devaneio em prática,
tornou-se feliz proprietária de uma franquia da Escola de Princesas.





Segundo seu site, a escola visa meninas de 4 a 15 anos e promete
"resgatar a essência feminina que existe em seus corações". As páginas
são cor de rosa, com uma coroa em destaque. Na primeira, mini-Marcelas
loirinhas e sorridentes propagandeiam o que aprendem: etiqueta e moda,
casa e família, e todos os maneirismos das antigas sociedades
aristocráticas. Saberão entreter, decorar, vestir, andar, receber e
pensar como princesas.





E o que pensa uma princesa? O site
: "O passo mais importante na vida de uma mulher é sem dúvida nenhuma o
matrimônio. Nem mesmo a realização profissional supera as expectativas
do sonho de um bom casamento. Enfim, a ideia do 'felizes para sempre' é o
sonho de toda princesa".





A educação para o casamento avança com candura, como avançam pelo país
os profetas do reino de Deus e os arautos do Estado liberal. Aí se abre
amplo mercado para a herdeira de Silvio Santos. Se seguir a trilha dos
negócios paternos, sua franquia logo abastecerá o país com profusão de
princesinhas, prontas a seguirem em júbilo os passos de Marcela.





Neste universo, de circunferência cada vez mais dilatada, a
primeira-dama não destoa, reina. O lema da escola é o seu: "Todo sonho
de menina é tornar-se uma princesa". O sonho de toda menina devia ser se
tornar o que quiser.





A próxima presidente, se a tivermos, prestará grande serviço se
extinguir o cargo das senhoras Temer e Doria. O país não precisa de
primeiras-damas nem de princesinhas. Precisa de mulheres de nervo e
cérebro. As princesas podem ir morar lá no reino ao qual pertencem, o do
passado.



GABRIEL PRIOLLI: DENUNCISMO DESNOTICIOSO

GABRIEL PRIOLLI: DENUNCISMO DESNOTICIOSO - NOCAUTE



GABRIEL PRIOLLI: DENUNCISMO DESNOTICIOSO

A construção de narrativas jornalísticas
duvidosas está longe de ser um problema exclusivo do submundo da
internet. Ele também existe no mundo oficial da imprensa.









 
DENUNCISMO DESNOTICIOSO
A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmem Lúcia, alertou recentemente para os perigos da mentira na internet.
Falando a uma platéia de barões de mídia, a ministra disse o
seguinte: “Você pode hoje construir uma notícia, uma narrativa, dotá-la
de perfeita coerência, espalhar pelas redes sociais, colocar meio mundo a
favor daquilo, simplesmente sem que aquilo tenha acontecido”.
Sem dúvida, esse é um problema gravíssimo, mas a Sra. Ministra, se
percebeu, não acrescentou que a construção de narrativas jornalísticas
duvidosas está longe de ser um problema exclusivo do submundo da
internet.Ele também existe no mundo oficial da imprensa.
Veja-se, por exemplo, a série de reportagens que o portal UOL
publicou, com o objetivo de mostrar como os três maiores partidos do
país utilizam os recursos do Fundo Partidário.
“PSDB usou fundo partidário para pagar viagem de Aécio a Nova York”, diz uma das manchetes.
“De Cuba a França, PT usa fundo partidário para pagar viagens a dirigentes”, diz outra.
“PMDB pagou uísque para campanha de Cunha e churrasco com linguiça no PR”, afirma uma terceira.
Diante delas, o que pode pensar o leitor médio atual da imprensa?
Que opinião pode ter este cidadão que só lê os títulos das matérias e,
com base neles, acredita em Papai Noel, no Coelhinho da Páscoa e nas
virtudes da PEC 241?
A opinião de que o Fundo Partidário é uma tremenda maracutaia,
evidentemente… Mais uma maracutaia, no país mais corrupto do Universo.
O pequeno detalhe é que em nenhuma das matérias foi apontada qualquer ilegalidade. Os próprios textos esclarecem isso.
Custear viagens de parlamentares ao exterior, assim como a compra
de comida e bebida para eventos, é previsto pelo Fundo Partidário.
Bebida alcoólica não pode, mas a matéria não confirma se o PMDB pagou o
uísque com dinheiro público ou com receitas lícitas.
Assim sendo, se tudo foi legal, qual é a notícia? Qual o sentido de
publicar um informe sobre o nada, para que milhares de tolos acreditem
estar diante de uma grave irregularidade?
De fato, Ministra Carmem Lúcia, é possível construir narrativas
sobre fatos que não aconteceram. Hoje e sempre. O que parece impossível é
a grande imprensa desembarcar do denuncismo compulsivo, que a leva a
sugerir crime em tudo, até onde ele não existe.
O país já está suficientemente envenenado pelos fatos reais e pela
guerra cruenta das narrativas em torno deles. Não precisa de peçonha
adicional, inoculada pela desnotícia do que não é fato.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Janio de Freitas, o catálogo de Cunha e a agenda de Moro

Janio de Freitas, o catálogo de Cunha e a agenda de Moro - TIJOLAÇO 



Janio de Freitas, o catálogo de Cunha e a agenda de Moro

aroeirasavonarola


Janio de Freitas, um dos poucos colunistas políticos a não deixar de
lado a longa folha de Eduardo Cunha quando este era o “queridinho” da
mídia, por armar as suas bombas contra o Governo Dilma, analisa hoje a
falsa surpresa da prisão de Eduardo Cunha (daqui a pouco volto a este
“surpreendente”) .


O “catálogo” de negócios escusos do ex-deputado, a rigor, importa
menos que a agenda do juiz Sérgio Moro que, com muito mais crueza que se
disse ontem aqui, o colunista Roberto Dias, fez da prisão de Cunha  “um tapa na imagem do Supremo“.


Catálogo de nomes de Cunha

pode favorecer sua situação

Janio de Freitas, na Folha
A Lava Jato sabe pouco sobre Eduardo
Cunha. Há 26 anos no mercado das transações marginais, e reconhecido com
justiça como um dos seus mais prolíficos, versáteis e duros operadores
no setor público como no privado, não o honra a pequena lista de
motivações que Sergio Moro conseguiu para ordenar sua prisão. Sua longa e
destacada atividade no mercado é que faz de Eduardo Cunha um caso
especial, como mais um preso sujeito à coação da cadeia praticada na
Lava Jato.
A quantidade e a variedade de pessoas
e casos que o novo preso poderia expor não têm similar na Lava Jato. É
provável que parte dos casos esteja prescrita, para efeito judicial, mas
continua sugestiva de linhas de negócios ilegais e parceiros. Quem está
sujeito a citação não ficou temeroso agora, com a prisão de Cunha. Há
meses era antevista a possibilidade da ordem de Moro. Daí duas questões
que a prisão suscita.
Não é incomum a opinião de que o
catálogo de casos e nomes denunciáveis favoreça a situação de Cunha. Se
não por influências externas sobre o seu inquérito, para delimitá-lo,
poderia pelo modo de ação da própria Lava Jato. Tanto porque o grupo de
procuradores e policiais federais evita, até onde consegue, temas e
nomes alheios à sua prioridade absoluta, que são Lula e o PT; como por
ser ignorada e temida a dimensão do desarranjo que Eduardo Cunha pode
causar. A ventania tóxica se estenderia até para o hemisfério norte.
A questão transborda para outra.
Cunha tinha consciência do risco de prisão (dizia-se que tinha até uma
valise pronta, como se fazia na ditadura). Sabia das condenações que o
espreitam. Conhecia o método de coerção para obter delações, adotado na
Lava Jato e recomendado por instrutores dos Estados Unidos. Apesar
disso, não foi para o exterior, para um país sem tratado de extradição
com o Brasil.
Eduardo Cunha é um planejador
obsessivo dos próximos passos. E esperou meses pela decisão de Moro, sem
qualquer ato interpretável como desejo de fuga. Deixou em mistério os
motivos da atitude própria de uma pessoa despreocupada, com a vida em
ordem, entre os comuns. Mas que houve motivos para estar ou mostrar-se
assim, o mais adequado é não duvidar.
Moro, no entanto, incluiu risco de
fuga na relação de itens para a prisão. E também a possibilidade de
ruptura da ordem pública. Como e por que, nem sugeriu. No mais, só as
acusações e indícios que, ao longo de mais de um ano, não pareceram ao
juiz serem casos de prisão. O que de repente, sem fato novo, passaram a
ser. Mas não por causa de Eduardo Cunha. Ou do seu catálogo.

domingo, 16 de outubro de 2016

Como nos tornamos estúpidos

Como nos tornamos estúpidos. Por Patrick Mariano - TIJOLAÇO



Como nos tornamos estúpidos. Por Patrick Mariano

invol


A elite brasileira, que se incomodou tanto com a classe média baixa e
alguns pobres sentarem-se ao seu lado nas poltronas do avião não
percebe que ela é quem foi, afinal, sentar-se ao lado dele nas poltronas
dos programas “mundo-cão” que infestam nossos meios de comunicação e
tornou-se tão bárbara quanto aqueles homem para os quais a complexidade
da vida social deveria resolver-se com a tríade “prende, mata, esfola”.


Patrick Mariano, hoje, no “Justificando“,  nos dá um texto onde esta barbarização das relações fica evidente


Insônia

No dia 12 de outubro de 1995, o então
pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, Sergio Von Helder, em
programa de TV, chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. A imagem
chocou o país e virou símbolo de intolerância religiosa.
Passados vinte um anos do ocorrido,
no último dia 7, na cidade de São Paulo, um homem de paletó e gravata
desfere fortes chutes em alguém que dormia na calçada. A cena, gravada
por um cidadão, foi levada a Polícia Militar imediatamente. O policial
lhe disse que não poderia fazer nada. Ao se dirigir a outro posto da PM,
mostrou a gravação e obteve a mesma resposta: “não podemos fazer nada”.
O primeiro ato agride a fé de milhões
de pessoas. O segundo deveria nos fazer perder o sono porque destrói a
fé no próprio ser humano. Há um componente a se refletir neste caso,
pois o ato do motorista do Uber em gravar e repreender o agressor mostra
que a dignidade humana no tecido social não está toda corroída. A digna
e cidadã ação, no entanto, não encontrou no Estado qualquer eco, ao
contrário. À mercê de qualquer apoio, restou publicar o vídeo em uma
rede social e inclusive temer por ameaças.
Foi um ato parecido, de uma mulher no
Rio de Janeiro, que denunciou a ação de justiceiros no bairro do
Flamengo que agrediam crianças e adolescentes pobres, muitas vezes até a
morte. A inação do Estado também a deixou sobre toda sorte de ameaças.
Não são raros, felizmente, exemplos
de cidadania e alteridade, mas a inação estatal serve de desestimulo e
amedronta quem defende a dignidade da pessoa humana. Bem lembrou Marcelo Semer esses dias
que no julgamento do processo do massacre do Carandiru só ocorreu
absolvição quando o julgamento foi realizado por magistrados. Todas as
vezes que jurados escolhidos na sociedade julgaram aqueles fatos, o
resultado foi a condenação.
Em nossos dias vivemos e assistimos ao culto a falsos totens. Um deles é o culto da punição ou ao sentimento de sua ausência. Mas o Brasil já pune muito e seletivamente – os dados estão aí. No entanto, o nefasto desejo de quem cultua a punição traz em si um direcionamento seletivo estimulado para determinados grupos ou pessoas.
Em Curitiba não pode haver delação
premiada que não comece e termine com as palavras Lula e PT. O enviesado
uso da teoria do domínio do fato só vale para determinados grupos
políticos, mas não é usado contra uma juíza de direito
que manteve uma adolescente de 15 anos durante 26 dias em uma cela com
30 homens, a submetendo ao horror de agressões físicas e violências
sexuais.
O desejo ou a pulsão de punir é construído ideológica e subjetivamente
para recair sobre alguns. Daí porque a imensa maioria da população
carcerária é formada de pobres, jovens e negros. O ódio é construído com
requintes de seletividade. Bem por isso, para “combater a corrupção” é válido interceptar ilegalmente a comunicação de um cidadão ou prender outro no hospitalenquanto acompanhava a cirurgia da pessoa amada, desde que ele seja de determinado grupo político.
Ou seja, quebrar o sigilo telefônico de um petista sem qualquer fundamento legal e divulgar o conteúdo desse áudio não causa a mesma indignação que o de um jornalista.
São graus de cidadanias diferentes. Pior, os veículos de comunicação
que agora protestam contra o judiciário de forma veemente são os mesmos
que divulgaram incessantemente o ilegal áudio do ex-presidente Lula. Uns
mais cidadãos que os outros, apesar de a Constituição afirmar a
igualdade de todos perante a lei.
Para praticar arbitrariedades
incessantes sem ser incomodado é preciso rebaixar o outro a uma
sub-cidadania, torna-lo indesejável, estigmatizá-lo a ponto de não ter
mais direitos. Quando jovens de Brasília atearam fogo e assassinaram o
índio Galdino de Jesus, disseram que imaginavam se tratar de um mendigo.
Por essa lógica desumanizadora, pessoas em situação de rua podem ser
queimadas ou chutadas enquanto dormem.
A Polícia Militar de São Paulo não
faz nada quando a vítima é uma pessoa em situação de rua porque
histórica e ideologicamente foi concebida para exterminar os
indesejáveis do sistema capitalista. Tanto é assim, que as dezoito
estrelas que cada policial ostenta em sua farda são exaltações da
participação da corporação em fatos históricos como a Milícia
Bandeirante, Guerra dos Farrapos, Canudos, Greve Operária de 1917 e ao
golpe militar de 1964.
Pouco antes de encerrar esse texto,
soube da agressão ao ex-deputado Eduardo Cunha quando desembarcarva em
um aeroporto. Embora seja acusado da prática de inúmeros crimes e tenha
se comportado como um canalha enquanto esteve na presidência da câmara,
não deveria soar estranho a afirmação de que não é ético sair batendo
nas pessoas que praticam crimes ou agem politicamente de modo contrário
ao nosso gosto ou interesse. Na calçada da ética, o espaço ocupado por
quem se comportou como um pulha é o mesmo daquele de quem deita o corpo
para dormir ao relento com uns poucos trapos.
E assim seguimos, com perversas
pulsões punitivas construídas subjetivamente para recair sobre
determinados grupos. Desumanizando pessoas e grupos e nos tornando cada
dia menos humanos ao naturalizar a barbárie, pois cada chute daqueles
dados por um “cidadão de bem” contra alguém que dormia inofensivamente
deveria quebrar a nossa própria costela, mas termina por sequer tirar
nosso próprio sono.

Gasolina cai R$ 0,03 e salva a Pátria

Gasolina cai R$ 0,03 e salva a Pátria — Conversa Afiada



Gasolina cai R$ 0,03 e salva a Pátria

Me engana que eu gosto!

As capas do PiG.jpg

A Cegonhóloga, ex-Urubóloga, acusa a Dilma de ter cometido o pecado capital de segurar o preço da gasolina para segurar a inflação - e ajudar o povo.
Pecado capital, claro!
Preços livres, dizem os açougueiros do neolibelismo.
Aí, o Pedro Malan Parente reúne os sacerdotes da Petrobrax e decide que vai reduzir o preço da gasolina!
Claro!
Pra que a Petrobrax precisa de dinheiro?
É melhor canibalizá-la para vender barato, em pedaços, à Chevron.
Agora, o Malan Parente reduz o preço da gasolina em R$ 0,03 !
Um prodíjio! (ver no ABC do C Af: Jestão e prodíjio com ‘j’)
Com isso, os cegonheiros do PiG
anunciam que a inflação desabará precipitadamente, vai para o centro (da
meta), e o Banco Central, disciplinadamente, cortará os juros para
taxas americanas!
Me engana que eu gosto!
Temos aí um espetáculo vulgar de manipulação da taxa de inflação e dos juros!
PHA

'Bolsa Empresário' resiste a ajuste no governo

'Bolsa Empresário' resiste a ajuste no governo Temer e deve custar R$ 224 bi - 16/10/2016 - Mercado - Folha de S.Paulo




Programas que oferecem subsídios financeiros e desonerações tributárias
para o setor produtivo, conhecidos como Bolsa Empresário, foram
preservados das medidas tomadas pelo presidente Michel Temer para
ajustar as contas do governo e devem custar R$ 224 bilhões no próximo
ano, ou 3,4% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.





Análise feita pela Folha na proposta de Orçamento para 2017 que o
governo encaminhou ao Congresso mostra que os principais programas de
apoio à indústria devem consumir recursos equivalentes aos gastos
efetuados pela ex-presidente Dilma Rousseff, mais a correção pela
inflação.





Esses programas foram criticados duramente no passado pelos partidos que
hoje sustentam o governo Temer, que apontavam o apoio bilionário ao
setor produtivo como uma das origens do descontrole nas contas públicas.




Agora, com os esforços de Temer para aprovar a emenda constitucional que
limita o crescimento dos gastos públicos e ameaça tirar recursos em
áreas como saúde e educação, programas como os que beneficiam os
empresários voltam a chamar atenção.





O custo previsto para os principais programas da Bolsa Empresário,
incluindo benefícios para pequenas empresas, desonerações da folha de
pagamento e empréstimos do Tesouro para o BNDES, equivale a mais de sete
vezes o valor destinado no próximo ano para o Bolsa Família (R$ 29,7
bilhões) e supera os investimentos previstos em saúde (R$ 94,9 bilhões) e
educação (R$ 33,7 bilhões), sem considerar o gasto com pessoal nessas
áreas.





Se o governo conseguir aprovação do Congresso para o teto, que na semana
passada superou a primeira votação na Câmara, será preciso reduzir
programas como esses para gastar mais em saúde e educação sem descumprir
o teto, que limita o crescimento das despesas à correção pela inflação
por 20 anos.





Para o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda,
Mansueto Almeida, o governo Temer optou pela cautela na análise dos
incentivos, porque não quer romper contratos e teme agravar a recessão.





"Temos uma pesada herança maldita, porque o volume de empréstimos subsidiados é muito grande e se estende pelos próximos anos."





DESMONTE




TETO DE GASTOS PÚBLICOS
 
O Ministério da Fazenda começou a tentar desmontar a rede de proteção à
indústria antes mesmo do impeachment de Dilma. O ex-ministro Joaquim
Levy fez mudanças em vários programas, aumentando os custos de alguns
empréstimos e interrompendo os repasses para o BNDES.



Mas esses programas continuam pesando no Orçamento, porque envolvem
contratos de longo prazo. As regras da desoneração da folha de pagamento
também mudaram, o que levou muitas empresas a trocar o benefício pelo
regime tributário antigo. Ainda assim, o Orçamento reserva R$ 17 bilhões
para financiar o programa em 2017.





A retirada total dos subsídios à indústria seria politicamente delicada,
já que entidades empresariais apoiaram o impeachment e têm dado
sustentação ao governo Temer, inclusive pedindo votos para o teto dos
gastos.





"A carga tributária imposta à indústria já é muito superior a sua
participação na economia", afirmou José Ricardo Roriz Coelho, diretor do
departamento de competitividade da Fiesp (Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo). "Sem a recuperação da produção, não teremos mais
investimentos e criação de empregos."

Teto generalizado ou indiscriminado de gastos é uma brutalidade

Teto generalizado ou indiscriminado de gastos é uma brutalidade - 16/10/2016 - Janio de Freitas - Colunistas - Folha de S.Paulo





Teto generalizado ou indiscriminado de gastos é uma brutalidade












Henrique Meirelles e o grupo de Michel Temer reproduzem, combinadas em
seu comportamento, as mirabolâncias de Collor que salvariam a economia
do país e as criações do caos que ressuscitariam o Plano Cruzado, no
governo Sarney.





O projeto que fixa um teto estrangulante para os gastos de governo
durante 20 anos, cortando todo o necessário para a retomada do
crescimento econômico, equivale à extorsão de 50% dos recursos
financeiros de pessoas e de empresas, executado por Collor a pretexto de
sustar gastos inflacionários. A incapacidade de Meirelles, Temer &
cia. de apresentar ideias convincentes, ou de ao menos fazer uma
demonstração respeitável das suas hipóteses, repete o blablablá e o
gasto em propaganda no governo Sarney contra igual carência.





A campanha defensiva do tal teto, por parte do governismo, recorre a
argumentos patéticos. Meirelles: "Sem o teto, a alternativa será muito
pior". Onde está um mínimo de demonstração disso? A alternativa pode ser
ótima, a depender da criatividade e da competência técnica já vistas,
por exemplo, no Plano Real, de André Lara Resende. E ausentes agora.





Rodrigo Maia, presidente da Câmara, avisa que só o teto salvará o Brasil
de ficar "como o Haiti". Se fosse exagero, seria ridículo. É, porém, um
ato de propósito enganador e nenhuma inteligência. Michel Temer: "Se as
medidas fossem tomadas antes, agora não se precisaria disso". Foi o que
Joaquim Levy, com os mesmos princípios conservadores e sem
aventureirismo, tentou durante todo o 2015, em negociações com as
lideranças do Congresso. Sempre bloqueado por PSDB e PMDB. Sozinho, o
primeiro nada poderia. Decisivo foi o outro: o PMDB então presidido por
Michel Temer. Já era a conspiração.





É dessa maneira que o governismo defende seu projeto milagroso. Nesta
ocasião, também, em que uma pesquisa internacional faz oportuna
constatação (editorial da Folha,
14.out). Apesar de incluir-se nos países de maior violência interna, o
Brasil continua mais preocupado com o sistema de saúde (50%) do que com
os problemas de violência (48%). O que lhes reserva a respeito o projeto
governamental do teto?





Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima perda
até de R$ 743 bilhões no sistema de saúde, durante a vigência do teto. O
presidente do instituto, Ernesto Lozardo, tratou de emitir uma nota
antiética para dizer aos de cima que o Ipea é a favor do teto. Mas não
é, nem contra, por ser instituição apenas de pesquisa, não de política
econômica. Ainda assim, Fabíola Sulpino Vieira, economista co-autora da
pesquisa, deixa seu cargo no Ipea.





Se a violência não tem estudo, outra preocupação nacional aumenta o
alarme: a Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara
–a Conof dos melhores técnicos da Casa em questões orçamentárias–
concluiu que a educação perderá R$ 20 bilhões por ano, R$ 480 bilhões na
pretendida vigência do teto.





Mas a solidez do plano e o critério que determinou sua duração estão
expostos pelo próprio Temer, segundo o qual, na GloboNews, a duração
pode ficar em "uns quatro, cinco, seis anos". O fato, simples e
incontestável, é que teto generalizado ou indiscriminado de gastos é uma
brutalidade. E nega a razão de ser dos governos, que é administrar
circunstâncias a cada dia, a cada hora, e seu provável futuro.





O Brasil necessita é de racionalização de gastos. E isso não requer
alterações constitucionais. Só precisa de critérios competentemente
honestos e de um presidente firme e íntegro, que não se caracterize por
oscilações e recuos.

sábado, 15 de outubro de 2016

Convite à desconstrução da PEC 241 — CartaCapital

Convite à desconstrução da PEC 241 — CartaCapital



Convite à desconstrução da PEC 241


por Antonio Martins 
 

Se a PEC 241 fosse aplicada a uma família, significaria congelar a
compra de livros do filho e os exames médicos da mãe para preservar a
jogatina do pai
Vamos debater a PEC 241, aprovada em primeiro turno na segunda-feira 10
na Câmara dos Deputados. Mas para fazê-lo convidamos você a examinar
conosco um documento de extrema importância, nunca debatido claramente
pela velha mídia. Trata-se do Orçamento da República. Ele é uma espécie de radiografia das políticas públicas e das ações do Estado brasileiro.


Em uma democracia verdadeira, sua análise deveria ser matéria básica
nas escolas de Ensino Médio. No entanto, ele é tratado ou como um
segredo ou como um saber hermético, acessível apenas para notórios
especialistas. É o que está acontecendo neste exato momento.


Aprovar a PEC 241 é o grande objetivo do governo Temer em 2016. Em alguns aspectos, este governo é mais frágil do que às vezes pensamos. Ele já adiou para 2017 a tramitação do aumento da idade mínima para aposentadoria,
a contrarreforma da Previdência. Ele não sabe ainda por quais meios
atacar os direitos trabalhistas e a CLT. Ele preferiu concentrar-se na
PEC 241. Por dois motivos:


Primeiro, tratar de um tema menos conhecido pela sociedade. Segundo,
porque por trás dessa proposta está embutida uma narrativa tenebrosa – e
manipuladora – sobre a situação do País.


Fala-se que estamos quebrados. Argumenta-se que a causa do desastre
foram as políticas praticadas a partir de 2003, quando houve uma pequena
melhora nas condições de vida da maioria. Conclui-se que, para nos
livrarmos do pior, será necessário um período de sacrifícios, no qual as
políticas anteriores serão revertidas. Ao final, garante-se, o País
estará saneado e novamente pronto para crescer e gerar empregos. Todos
esses argumentos são falsos, como você verá, com base nos próprios
números oficiais e em um conjunto de gráficos e tabelas.


O argumento central do governo Temer e dos economistas conservadores que o apoiam é o aumento da dívida pública.
“Um país é como uma família”, disse o ministro Henrique Meirelles, em
cadeia nacional de TV: “Não pode gastar mais do que ganha”. De tanto
viver acima de suas possibilidades, o Brasil estaria hoje muito
endividado, a ponto de quebrar". Vamos examinar concretamente essa
afirmação.


O gráfico a seguir mostra a evolução da dívida pública brasileira nos
dois últimos anos. Ela realmente cresceu, chegando hoje a 4,2 trilhões
de reais. Esse número, por si mesmo, diz pouco. A dívida é alta? É
baixa? Para mensurar melhor seu significado, os economistas normalmente
preferem outro indicador: a relação entre a dívida e o PIB.


É, de fato, um dado melhor. Usando a analogia do ministro Meirelles, o
que importa, para uma família ou um país, não é o valor absoluto da
dívida, mas quanto ela representa em relação aos rendimentos do
endividado.


Grafico01.png


Segundo esse critério mais relevante, verificamos que a dívida se
manteve praticamente estável, de 2006 a 2014. Ficava em torno dos 55% do
PIB, com pequenas oscilações para cima ou para baixo. A piora começa no
segundo mandato de Dilma Rousseff, em 2015. A dívida, que havia se
mantido estável por oito anos, sobe para 68,8% do PIB menos de um ano e
meio depois, quando a presidenta foi derrubada. Com Temer, continuou
crescendo: está hoje em 70,1% do PIB.


Significa que o País está quebrado? É duvidoso. O gráfico seguinte
compara nossa dívida atual com o que ela representava no final do
governo Fernando Henrique Cardoso: 81% do PIB, em setembro de 2017.


Comparemos também com outros países. Nos Estados Unidos, a dívida é
de 101% do PIB. Na Itália, 132,7%. Na Zona do Euro, em seu conjunto,
90,7%. No Japão, 229,2%. Você ouviu falar que algum desses países –
todos com dívidas muito maiores do que a brasileira – está em situação
catastrófica? Algum jornal ou tevê já acusou o ex-presidente FHC de
irresponsabilidade fiscal?


 Grafico04.png


* * *
Os reais interesses por trás do discurso do País quebrado vão começar a aparecer agora.
Qual a receita do governo Temer para reduzir a dívida brasileira? Cortar despesas sociais, como saúde, educação,
transportes públicos, direitos previdenciários e em infraestrutura:
redes de esgoto, despoluição de rios, geração de energia, rodovias,
ferrovias, portos, aeroportos.
A PEC 241 estabelece uma medida drástica, nunca antes
adotada pelo País. Se for aprovada, tais gastos ficarão congelados por
20 anos. Poderão ser reajustados – se tanto – apenas conforme a
inflação. Não importa se a população crescer, ou se futuros governos
quiserem investir mais no social. Os cinco próximos presidentes da
República estarão condenados a viver sob congelamento. O deputado Elvino
Bohn Gass calculou, num outro vídeo didático: as perdas poderão ser de
703 bilhões de reais só em três áreas: saúde, educação e agricultura
familiar.
Mas vamos checar se há lógica no argumento do governo,
de que o corte de gastos sociais poderá reequilibrar as finanças
públicas. Examinemos, primeiro, a evolução desses gastos.
O estudo mais completo a esse respeito é, provavelmente,
um trabalho da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda,
elaborado por uma equipe de 11 especialistas e concluído este ano. Está
disponível aqui.
O trabalho da Secretaria do Tesouro Nacional classificou
sete destinações do gasto social: Assistência Social, Educação e
Cultura, Organização Agrária, Previdência Social, Saneamento Básico e
Habitação, Saúde e Trabalho e Emprego. Analisou a evolução dos gastos em
cada uma destas rubricas, entre 2002 e 2015. E concluiu que houve, de
fato, elevação real.
Grafico02.png

Veja no gráfico. Em conjunto, o gasto social da
República avançou, no período, de 12,8% do PIB para 17,5% – um aumento
de 4,7 pontos porcentuais. Essa evolução reflete as políticas sociais
dos governos Lula e Dilma: Criou-se o Bolsa Família; houve aumento real
do salário mínimo, que melhorou as aposentadorias e pensões; foram
criadas 18 universidades públicas; centenas de milhares de famílias
colocaram, pela primeira vez, um filho no ensino superior.
O SUS continuou a executar programas pioneiros, como a
distribuição gratuita de medicamentos a todos os portadores de HIV e a
realizar as cirurgias e procedimentos complexos – inclusive transplantes
– que os planos de saúde privados não fazem.
Tudo isso custa dinheiro e o Brasil está ainda muito distante de outros países. Na França, por exemplo, o equivalente ao Bolsa Família
paga a cada pessoa ou família, por mês, entre 514 e 1.079 euros – de
1.850 a 3.890 reais – a depender do número de filhos. Na maioria dos
países europeus, e no Japão, o ensino da melhor qualidade é público e
gratuito: os filhos dos pobres frequentam o mesmo tipo de escola dos
filhos dos seus patrões.
Vamos comparar agora o gasto social – que será atingido pela PEC 241 – com outra despesa, não tocada pela proposta. Estamos falando do pagamento de juros, pela República.
Esse gasto tem natureza diferente. Ele não coloca uma
única carteira a mais, em sala de aula, ou um leito em hospital público.
Não alivia o drama dos desempregados. Não ajuda o pequeno agricultor a
alimentar os brasileiros. Não corrige o valor do Bolsa Família nem das
aposentadorias. Não ergue uma ponte, não instala um cano de esgoto.
Ele se destina unicamente a engordar a riqueza de quem
(menos de 1% da população) já tem tanto dinheiro que aplica o que sobra
em papéis do governo – e ganha muito com isso.
Faça as contas, na ponta do lápis: se a dívida pública
chegou a 70,1% do PIB e se a taxa de juros paga pelo governo federal é
de 14,25%, isso significa que pagamos à aristocracia financeira 10,11%
do PIB. É mais do que o dobro de todo o aumento do gasto social (4,7% do
PIB) ocorrido em 13 anos.
São 3,7 vezes o que investimos em educação e cultura, 50
vezes mais do que os gastos em reforma agrária, 20 vezes mais do que em
saneamento, cinco vezes a saúde, oito vezes a promoção de trabalho e
emprego.
Grafico03.png
Num dos próximos programas do Outras Palavras,
você verá que a analogia do ministro da Fazenda é simplória. As contas
públicas de um país não podem ser comparadas às de uma família.
Mas, por enquanto, vamos aceitar o argumento de Henrique Meirelles. Se a PEC 241 fosse aplicada a uma família,
significaria congelar a compra de livros, a reforma ou o puxadinho na
casa, os exames médicos da mãe e a compra de ferramentas para a oficina
mecânica que o filho está abrindo. Tudo isso, para preservar a jogatina
do pai. Ou, na verdade, para preservar aqueles que ganham com a jogatina
do pai.

 <iframe width="654" height="380" src="https://www.youtube.com/embed/cG3qN1Ln7ck" frameborder="0" allowfullscreen></iframe>


No Brasil não basta ser idiota, é preciso ser idiota de verde e amarelo

No Brasil não basta ser idiota, é preciso ser idiota de verde e amarelo





No Brasil não basta ser idiota, é preciso ser idiota de verde e amarelo

humans-of-protest

O Brasil vive uma revolução, uma revolução da ignorância, uma revolução ao avesso.


Na verdade, vivemos o ódio ao conhecimento e ao saber, como bem nos alerta Márcia Tilburi e Rubens Casara no artigo ‘Ódio à inteligência: sobre o anti-intelectualismo’.


O ódio ao PT (Partido dos Trabalhadores) foi só um pretexto. O que se
odeia é a razão. Não é por acaso que alguns dos líderes dessa revolução
são pastores fundamentalistas.


E fez sentido usar o ódio ao PT porque é um partido que disputa o
poder. E mais, na origem, o PT se consolidou com uma união entre
intelectuais e trabalhadores. Essa foi sua força inicial que aos poucos
foi se perdendo pelo caminho.


Mas no plano mais abaixo da superfície, tudo que está relacionado ao
conhecimento, ao saber, à reflexão, ao pensamento crítico deve ser
odiado. Então, todos que usam a racionalidade para criticar os absurdos
atuais do Brasil, o golpe, as rupturas constitucionais, são
classificados como ‘petistas’. O ódio ao PT é a máscara para esconder o
ódio à inteligência.


Para Tilburi e Casara, diversos exemplos de anti-intelectualismo
podem ser observados na sociedade brasileira. “Desde a caricata presença
do ator Alexandre Frota (menos pelo que ele é, mas sobretudo pelo que
ele representa) como formulador de políticas públicas do Ministério da
Educação ao projeto repleto de ideologia (e mais precisamente: da
ideologia, de viés autoritário, da “negação do saber”) da “Escola sem
partido”. Do silêncio em torno da exclusão de disciplinas (filosofia,
sociologia, artes, etc.) do ensino médio (MP 746) à expressiva votação
de candidatos que apostam no uso da força, em detrimento do
conhecimento, como resposta aos mais variados problemas sociais. Do
descaso com a educação (consagrado na PEC 241) ao tratamento conferido
aos professores em todo Brasil”, relembram os autores do texto.


É uma revolução histórica. Queremos ser ignorantes, não queremos educação nem saúde.


Veja algumas peças recentes do Ministério Público e da própria polícia. Queriam investigar um tal ‘Mikhail Bakunin’ nas manifestações. Depois o MP queria prender Lula e citaram a dupla ‘Marx e Hegel’.


Mas toda essa loucura revolucionária só foi possível com o papel
fundamental da grande mídia para alavancar o ódio à inteligência. Veja,
Folha, Estadão, Época, Globo etc. Todos esses veículos contrataram, nos
últimos anos, sempre um idiota para destilar o ódio e fomentar a
ignorância. Em nome da ‘pluralidade’, insuflaram a estultice.


Eles ganharam força, viram que não estavam sozinhos, então o idiota saiu do armário.


O idiota gritou contra Paulo Freire sem nunca ter lido um livro do autor.


O idiota vestiu a camisa amarela de uma das organizações mais envolvidas em corrupção do planeta para bradar contra a corrupção.


O idiota pediu escola e saúde em nome de políticos que iriam destruir o que havia sido construído de educação e saúde.


Os idiotas pediram democraticamente uma ditadura.


No Brasil do ódio à inteligência, não basta ser idiota. É preciso ser um idiota de verde e amarelo.

DR. MORO EXPLICA COMO PRENDER LULA

DR. MORO EXPLICA COMO PRENDER LULA

https://youtu.be/4sJffYdxW5I

Assistência social perderia bilhões com teto de gastos, diz estudo

Assistência social perderia bilhões com teto de gastos, diz estudo - 15/10/2016 - Mercado - Folha de S.Paulo



Assistência social perderia bilhões com teto de gastos, diz estudo






MARIANA CARNEIRO











Mais um estudo de pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada) mostra perdas que as políticas sociais do governo federal
teriam caso seja aprovado o limite para a expansão dos gastos públicos. O teto foi aprovado em primeiro turno na Câmara e ainda tramita no Congresso.





No estudo "O Novo Regime Fiscal e suas Implicações para a Política de
Assistência Social no Brasil", os autores Andrea Barreto de Paiva, Ana
Claudia Cleusa Serra Mesquita, Luciana Jaccoud e Luana Passos fazem
projeções negativas para a destinação de recursos a programas como o
Bolsa Família, BPC (previdência para pessoas de baixa renda que não
contribuíram ao longo da vida ativa), serviços da Proteção Social Básica
(PSB) e o Programa de Segurança Alimentar (aquisição de alimentos,
cisternas e inclusão produtiva).





Juntos, eles consumiram 1,26% do PIB em 2015. Pela projeção, ao fim dos
próximos 20 anos sob o teto, eles encolheriam a 0,7% do PIB.





O estudo conclui que, em 2036, "a assistência social contaria com menos
da metade dos recursos que seriam necessários para manter a oferta de
serviços nos padrões atuais". Em números, a perda seria de R$ 868
bilhões.





Diferentemente da saúde e da educação, as áreas da assistência social e Previdência não teriam um mínimo de repasses garantido.





O governo já informou que o próximo alvo das reformas é a Previdência,
cujos critérios de acesso deverão ser endurecidos para moderar o
crescimento das despesas ante o esperado envelhecimento da população. Um
dos pontos em estudo, conforme noticiou a Folha no domingo (9), é elevar a idade de acesso à previdência assistencial dos atuais 65 anos para 70 anos.





O cálculo dos pesquisadores do Ipea, porém, leva em consideração que as
atuais regras de acesso ao BPC seriam mantidas. Com isso, o número de
beneficiários da previdência assistencial saltaria de 4,5 milhões para
8,4 milhões em 2036. Esse seria o principal fator que explicaria a perda
prevista na área social.





EXTINÇÃO





Em outras palavras, com mais beneficiários e um Orçamento limitado, o
governo seria levado inevitavelmente a rever programas sociais e, no
limite, extinguir políticas, alertam os pesquisadores. Se quisesse
mantê-los, sob as atuais condições, o governo teria que gastar os R$ 868
bilhões nos próximos 20 anos.





A nota é crítica à proposta do governo,
diz que o teto "impactará de forma irreparável as redes protetivas" e
questiona se ele seria "realmente o único caminho para o retorno do
crescimento".





As projeções do estudo do Ipea levam em consideração um crescimento
econômico acima de 3% entre 2019 e 2028 e acima de 2% entre 2029 e 2036.
E uma inflação média de 3,5% ao ano entre 2020 e 2036.





Economistas do governo e do setor privado vêm sustentando que só o
ordenamento das contas do governo permitirá que a economia volte a
crescer. O diagnóstico é que o descontrole fiscal rompeu a confiança de
investidores ao indicar que o país rumar para a insolvência.





Procurada, a assessoria do Ipea informou que as conclusões do estudo são
dos pesquisadores e que a presidência apoia o teto de gastos do
governo. Os pesquisadores não quiseram conceder entrevista.





A direção do Ipea, vinculado ao Ministério do Planejamento, é alvo de
protesto de funcionários após contestar publicamente um estudo de seus
pesquisadores com críticas à proposta do governo.









REPÚDIO





Nesta sexta (14), a Associação de Funcionários do Ipea
divulgou uma nota de repúdio à ação do presidente do órgão, Ernesto
Lozardo. Para ela, a presidência "impôs constrangimentos à atuação dos
pesquisadores", tarefa que exige "produção de conhecimento
independente".





A nota diz ainda que, antes de ser publicado, o estudo foi debatido
internamente, com conhecimento da direção do Ipea e do próprio Lozardo.





Procurados pela reportagem, os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento Social não se pronunciaram.