Está na edição de O Globo, estampado e confesso, um dos maiores crimes de lesa-pátria já cometido neste país.
Correta reportagem de Ramona Ordoñez e Bruno Rosa informa que por conta da “redução de custos proporcionada pelos avanços tecnológicos empreendidos pela indústria no país” – leia-se Petrobras – e dos “elevados índices de produtividade”, 12 anos depois de sua descoberta, “o pré-sal brasileiro se tornou a fronteira petrolífera mais atraente do mundo.” Os custos baixos tornam, informa-se, a produção no pré-sal “economicamente viável mesmo se o preço do petróleo cair a US$ 35”, perto da metade do que precisa o “shale oil” norte-americano precisa para ter viabilidade comercial.
Mas nem dois anos nos separam do editorial do mesmo jornal que afirmava ser o pré-sal “um patrimônio inútil”, poque seus custos eram altos e que, como as cotações haviam chegado a US$ 37, “não há mais interesse no pré-sal brasileiro”.
É evidente que isso era mentira, porque os padrões tecnológicos não evoluíram em 20 meses e a escala de produção- assim como a elevação do preço – já eram conhecidas, então. E a tecnologia, detalhada na matéria, é criação nossa, nacional, não obra de gênios estrangeiros, de cuja ajuda precisemos.
Os custos operacionais da exploração naquela época andavam por volta de US$ 8 dólares o barril e, agora, apontam na direção dos US$ 5, valor igual ao dos poços da Arábia Saudita.
É mais mentira ainda que – e o editorial de O Globo era parte integrante disso – o golpe de Temer, sob a batuta do PSDB, se apressava em revogar a reserva de 30% dos poços, no mínimo, para a Petrobras e a vender, criminosamente, depósitos imensos de óleo já descobertos e com a exploração iniciada pela empresa estatal, alvejada como sendo “inviável” pelos desvios criminosos de alguns de seus ex-dirigentes.
A defesado pré-sal era, para o jornal, um “erro crasso do lulopetismo, movido a ideologia”.
O Globo cola em sua própria testa que é – o termo não pode ser mais leve – um vendilhão da pátria, disposto a entregar um tesouro que a Natureza deu ao povo brasileiro, para que seja saqueado em troca de alguns dólares que, por sua vez, vão pagar o saque do rentismo sobre as finanças públicas.
Só falta agora, nas mãos de um ex-capitão que bate continência à bandeira norte-americana, transformar o Exército Brasileiro em fiador deste saque ao país.
“Acho que Willliam Bonner já está satisfeito. O senhor já respondeu à pergunta dele.”
Esta frase, dita pela apresentadora do Jornal Nacional, Renata Vasconcellos, deve entrar para a antologia dos momentos mais vergonhosos da imprensa brasileira.
Fernando Haddad, com seu tom professoral, tentava explicar em detalhes por que não faziam sentido algumas colocações dos jornalistas.
Nesse caso, refutava uma acusação grave, a de que teria beneficiado construtoras quando foi prefeito de São Paulo.
Bonner havia dito que Haddad “deu” uma obra ao grupo UTC, que, mais tarde, alegaria ter contribuído para sua campanha via caixa 2.
Nem o delator, nem o Jornal Nacional apresentaram provas. Mas a lama estava jogada no ar. Em outras palavras, Bonner disse que Haddad recebeu propina.
O ex-prefeito, diante da insinuação de corrupção, detalhou uma resposta para dizer que a acusação era inconsistente, e explicava o que havia feito para proteger o dinheiro público na Prefeitura.
Foi quando Renata, demonstrando impaciência, soltou a pérola:
“Acho que William Bonner já está satisfeito”.
Na verdade, como mostra essa resposta, a entrevista não era propriamente jornalística.
Era um debate, em que a dupla de jornalistas tentava extrair de Fernando Haddad uma “mea culpa”, uma “autocrítica”, um “pedido de desculpas do PT”.
A revista Fórum somou o número de interrupções feitas por Renata e Bonner durante a entrevista — 62 — contra 17 na entrevista de Geraldo Alckmin.
Quando não interrompia, William Bonner parecia debochar, fazia uma provocação. Chegou a desafiar Haddad em um momento. “O senhor fez uma pergunta e eu vou lhe responder”, disse o apresentador.
E citou números da economia na época de Dilma Rousseff.
Haddad poderia ter sido mais incisivo, na mesma medida em que era atacado. Mas Haddad é um lord — o que justifica o apelido “Tranquilão”.
Parece ser incapaz de se comportar de modo que pareça agressivo.
Num momento, Haddad chegou a esboçar uma reação incisiva, ao lembrar que a Globo é investigada.
Foi interrompido e só voltou ao assunto pouco depois, ao falar que a Receita Federal investigou a Globo.
Tudo muito rápido, como se quisessem encerrar logo o assunto, nesse caso incômodo para a Globo, mas não para Haddad.
Ele poderia dar detalhes do esquema de sonegação da Globo, radiografado por uma investigação da Receita, com um desfecho escandaloso: o processo desapareceu da Receita Federal.
Eu estive em Road Town, Ilhas Virgens Britânicas, e mostrei que nunca funcionou uma empresa que a Globo manteve naquele paraíso fiscal apenas com o objetivo de não pagar impostos no Brasil.
Haddad poderia lembrar que a sonegação é tão grave quanto a corrupção, mas, no caso da Globo e de outros sonegadores, vence a impunidade.
Os partidos têm pesquisas que mostram que atacar a Globo não tira de votos de ninguém.
O público consome a Globo, mas a esmagadora maioria sabe que ela tem interesses e lhe falta isenção.
Haddad poderia ter aproveitado o resultado dessas pesquisas, que lhe foi apresentado, e dizer que grande parte da responsabilidade pela crise no Brasil cabe à Globo.
A emissora faz um jornalismo de guerra, para destruir o PT, atribuindo todos os males do país a Lula e ao partido do ex-presidente.
Esse padrão de cobertura está descrito no processo que Lula move na ONU, em que denuncia a perseguição judicial, que só se tornou possível em razão da aliança com a mídia.
Já há no mundo uma percepção de que o Brasil, em razão da concentração de propriedade dos veículos de comunicação, não vive um período de normalidade democrática.
Por que Haddad não insistiu nisso?
Haddad, por outro lado, foi bem quando lembrou que o ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissati, admitiu que o partido errou ao sabotar o governo de Dilma Rousseff.
Jereissati fez esta avaliação certamente porque, no Estado que representa como senador, Lula é praticamente unanimidade positiva.
Se Jereissati sabe disso, Haddad também sabe.
Tem que lembrar sempre que atribuir a Lula e ao PT responsabilidade pela crise é injusto, principalmente partindo de uma emissora sem moral para cobrar moralidade.
A Globo se comporta como se fosse o poder moderador, ao sabatinar os candidatos como se Bonner e Renata Vasconcellos tivessem mandato para decidir quem pode ou não assumir a presidência.
Podem fazer perguntas, obviamente, mas devem ser lembrados da falta de isenção da emissora.
Todos os candidatos se submetem à sabatina porque querem a audiência da TV, conquistada com dinheiro ilícito desde a sua fundação — e há abundância de provas nesse sentido.
Mas, se não querem espinafrar a Globo numa entrevista ao vivo, o mínimo que se deve esperar deles é que não abaixem a cabeça.
E Haddad não abaixou, mas poderia (e deveria) ter sido mais incisivo e apontar, sem meias palavras, a responsabilidade que a Globo tem pela crise.
Ela criou o ambiente em que as batidas de panela deram o ritmo das condenações sem provas, e tornou possível a criação do bordão “Somos todos Cunha”, quando o ex-presidente conspirou para derrubar Dilma Rousseff.
Haddad pode fazer isso de maneira tranquila, mas é melhor para o eleitor (e para ele também) que não deixe de fazê-lo.
A Globo se comporta como partido político e deve ser tratada como partido político.
Assim ela deve ser vista. É assim que a Globo já é vista por grande parte dos eleitores.
Nesta sexta-feira, seus representantes tentaram constranger Haddad, arrancar um pedido de desculpas descabido, mas o que conseguiram foi demonstrar que são apenas provocadores
A sorte deles é que o candidato a presidente pelo PT é tranquilão.
Ricardo Miranda https://gilbertopaodoce.com/2018/09/15/o-candidato-bonner/
Não sei qual é o Brasil que William Bonner quer ver, mas certamente não é um em que Fernando Haddad possa responder às suas perguntas. A última da série de entrevistas com presidenciáveis feitas pelo Jornal Nacional (Assista aqui) – abrindo o telejornal e antes que fosse mostrada a pesquisa Datafolha que confirmou o candidato do PT em forte ascensão, já empatado em segundo lugar com Ciro Gomes (mais que triplicando suas intenções de voto de 4% em 22/08 para 13% em 14/09) -, teve jeito de interrogatório. Pior. Dos 27 minutos de entrevista – assisti diversas vezes para cronometrar -, 16 minutos foram com perguntas e interrupções de William e Renata Vasconcellos, sua parceira de palco. 16 minutos! Ou seja, Haddad teve 11 minutos. Em outras palavras, as perguntas e interrupções tomaram 60% do tempo. William Bonner fez 53 interrupções. Renata outras 19. Em diversos momentos falaram ao mesmo tempo que o candidato, impedindo seu raciocínio.
Mas não eram só perguntas. Bonner e sua coadjuvante de bancada no JN fizeram ilações, deram opiniões, citaram números contestáveis, ocuparam o tempo que podiam. Sempre com ar de deboche e colocando-se como porta-voz da verdade, Bonner indignou-se quando, quase perdendo a paciência, Haddad tentou diferenciar denunciado de réu, citando as Organizações Globo e, por exemplo, seus problemas com a Receita Federal.
Mas a palavra, definitivamente, estava com Bonner, que usava frases como “candidato, isso não se sustenta”, desqualificando suas respostas. Renata, por sua vez, interrompeu uma resposta de Haddad, que foi perguntado, de forma grave, sobre uma acusação intempestiva do Ministério Público sobre obras em sua gestão na Prefeitura de São Paulo, afirmando “Acho que o Bonner já está satisfeito com sua resposta”. No que Haddad respondeu: “Mas eu não estou. Quando é sua honra que está em jogo, você decide, quando é a minha, eu decido”. Bonner não se deu por satisfeito. “Essa situação não é criada pela Rede Globo, pela mídia, pela imprensa. Estou oferecendo uma oportunidade para se contrapor a essa evidência”, disse Bonner, sem explicar como “contrapor uma evidência”.
Haddad ainda tentou argumentar. Golpe parlamentar. Pauta bomba. Citou, mais de uma vez, para um Bonner impaciente, a entrevista do ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissati, ao Estado de S.Paulo (Leia aqui), reconhecendo que os tucanos cometeram um “conjunto de erros memoráveis” após a eleição de Dilma Rousseff, com reflexos para o próprio PSDB nas eleições deste ano. Entre eles, questionar o resultado eleitoral, votar contra “princípios básicos” na economia, servindo aos interesses do PMDB, e entrar no governo Temer. “Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio (Neves). Fomos engolidos pela tentação do poder”, disse Tasso.
Bonner, que abanava a cabeça e franzia o semblante a cada resposta, fez as duas perguntas mais longas, que tomaram mais de 3 minutos. Uma para listar o número de ministros do STF, STJ, juizes e desembargadores nomeados por “governos petistas” – como forma de provar sua tese de que a Justiça é isenta. Mais tarde listou as “promessas não cumpridas” de Haddad, uma a uma, número a número. Em determinado momento, Bonner inverteu, literalmente, os papéis, quando falavam de recessão. “Candidato, o sr me fez uma pergunta eu vou responder”, disse o entrevistador, para, mais uma vez, listar dados que, segundo ele, provariam que a recessão começou e se agravou com Dilma – e não nos últimos dois anos de governo Temer-PSDB. “A presidente Dilma deixou o Brasil na crise onde estamos todos hoje mergulhados”, afirmou Renata. “É fato”, afirmou a dupla, quase em coro.
Mas a obsessão era ouvir de Haddad, em nome do PT, o que chamaram de “autocrítica”, “pedido de desculpas ao povo brasileiro pelos bilhões desviados pela corrupção” e “mea culpa”. Bonner, sem power point para ajudar, defendeu a posição dos procuradores de “corrupção sistêmica” engendrada nos “governos petistas”, o que chamou de “evidências”. “Vamos colocar as coisas nos seus devidos lugares”, repetiu. A insistência dos entrevistadores em que Haddad “pedisse perdão” pelos pecados do PT em duas administrações mostrou bem a importância que parecia ter para a Globo qualquer tipo de admissão de culpa genérica às vésperas da eleição. Devem ignorar, por exemplo, que isso poderia ser reproduzido no horário eleitoral dos adversários de campanha.
A justificativa – que ouvi aqui e ali de gente respeitável – de que os apresentadores do Jornal Nacional usaram estilo semelhante com os demais presidenciáveis, usando e abusando da ênfase e das interrupções, não é justificativa, é defesa de um erro. Sem falar na parcialidade. Como jornalista há três décadas, acho um desrespeito perguntar e não deixar o entrevistado responder, como se só valesse o que você quer ouvir, interrompê-lo a todo instante, e fazer, ao vivo, caras e bocas para as respostas. Não foi feita uma única pergunta sobre planos de governo e soluções para a crise. Preferiram insinuar que Haddad era mais um poste de Lula. Podem se surpreender.
Em tempo. Ao apresentar a pesquisa Datafolha, William Bonner cometeu um ato falho. Que corrigiu, constrangidamente, no bloco seguinte: “Deixa eu fazer uma correção. Agora há pouco ao divulgar a pesquisa Datafolha nós dissemos que o candidato Fernando Haddad, do PT, OSCILOU de 9% para 13%. Segundo o Datafolha, como o crescimento se deu fora da margem de erro, a frase correta é: o candidato Fernando Haddad CRESCEU de 9% para 13%. Pelo erro nós pedimos desculpas”. Podia ter aproveitado e pedido desculpas pela entrevista nada jornalística e muito pouco democrática que protagonizou, tão ensaiada que, dessa vez, dispensou até ponto eletrônico.
JEAN WYLLYS: GLOBO TRATOU HADDAD COMO INIMIGO, NÃO ENTREVISTADO
Deputado federal pelo PSOL do Rio, Jean Wyllys enumera algumas regras de como se faz uma entrevista, lembrando o tempo em que era jornalista e trabalhou "durante quase dez anos em jornal impresso"; "A TV Globo não tratou Haddad como entrevistado, mas como inimigo a ser derrotado. É uma vergonha que isso seja o melhor que o principal telejornal do país possa oferecer à sua audiência. E faz muito mal à democracia", critica
Por Jean Wyllys, em seu Facebook- Eu sou jornalista e trabalhei durante quase dez anos em jornal impresso, de modo que já realizei muitas entrevistas na minha vida. Posso explicar a vocês algumas noções básicas do ofício?
Numa entrevista, você, jornalista, começa fazendo uma pergunta — e a palavra "pergunta" significa aqui pergunta mesmo, e não uma longa exposição da sua opinião, porque numa entrevista, a opinião que interessa e a do entrevistado, não a do jornalista. Depois de fazer a pergunta, você deixa o entrevistado responder.
Se você considerar que a resposta foi insuficiente, não respondeu ou incorreu em falsidade ou contradição, voce faz uma re-pergunta, ou duas, ou mais, podendo confrontar o entrevistado com informações e dados verificáveis, mas sempre, depois, deixa ele responder. A proporção do tempo de fala numa entrevista é um elemento fundamental e fica muito evidente numa revista ou jornal impresso. Peguem algum jornal e confiram: as perguntas, geralmente em negrito ou itálico, são MUITO mais breves que as respostas. Se essa proporção ficar invertida, isso não foi uma entrevista!
A entrevista não é um debate de opinião entre dois adversários, entrevistador e entrevistado. Se você tem muita vontade de debater com o candidato, então deixe o jornalismo e entre na política. Aí você pode ser candidato também. Aliás, entre candidatos, num debate, não há tantas interrupções.
O que o Jornal Nacional fez hoje com Fernando Haddad deveria ser estudado nas faculdades de jornalismo para ensinar como não se faz uma entrevista:
1) As perguntas não eram perguntas, mas longas afirmações que expressavam a opinião política dos entrevistadores, e o que se pedia ao entrevistado, mais do que responder sobre algum assunto, era algo que poderia se resumir na frase: "Depois de ouvir tudo o que eu expliquei, candidato, o senhor não acha que eu estou absolutamente certo?".
2) Os entrevistadores não permitiam que Haddad respondesse ou falasse nada. Segundo levantamento feito pela Revista Fórum, ele foi interrompido 62 vezes em 27 minutos de entrevista, durante os quais conseguiu falar por apenas 16:05. Isso dá uma média de uma interrupção a cada 15 segundos e meio. Imaginem vocês mesmos tentando responder a alguma coisa dessa forma. Mesmo assim, Haddad se saiu muito bem!
3) Cada vez que o candidato não respondia o que eles queriam (ou seja, todas as vezes), além de interrompê-lo, os entrevistadores usavam "perguntas" do tipo: "Então o senhor não vai pedir desculpas ao povo brasileiro?", ou "Então o senhor subestima os eleitores e acha que não sabem votar?". Outra vez, isso não é uma pergunta!
4) Em nenhum momento da entrevista foi feita uma única pergunta sobre o programa de governo e as propostas do candidato; afinal, o que mais interessa! E todas as vezes que Haddad tentou falar de propostas, a interrupção era mais agressiva e insistente, até ele se calar. Dava a impressão que a única forma que Haddad teria de dizer algo seria gritando.
Isso não é jornalismo.
Agora procurem a entrevista de Geraldo Alckmin ao JN; está no YouTube. Assistam e comparem. Houve perguntas difíceis? Claro, mas ele teve tempo para responder a todas elas e foi tratado com respeito. Procurem entrevistas a candidatos em outros países e percebam a diferença.
A TV Globo não tratou Haddad como entrevistado, mas como inimigo a ser derrotado. É uma vergonha que isso seja o melhor que o principal telejornal do país possa oferecer à sua audiência. E faz muito mal à democracia.
O que mais impressiona na entrevista de Fernando Haddad ao Jornal Nacional é a ausência de qualquer regra básica para o desenrolar das perguntas e respostas. O jornalismo da Globo erra no conceito: entrevista não é debate que, por sua vez, demanda outro regime de regulamentos, tanto tácitos quando técnicos.
O jornalismo da Globo deve achar que está cumprindo seu papel de ‘emparedar’ o entrevistado, o que seria correto, do ponto de vista da ‘produção de contraditório’. Talvez – e sendo muito benevolente –, eles tenham se espelhado no programa ‘Upfront’ da TV Al Jazeera, apresentado pelo jornalista Mehdi Hasan.
Hasan costuma ser mesmo agressivo e inconveniente com seus entrevistados, cortando suas respostas e perturbando o ‘sentido’ geral das teses que eles lhe apresentam, fazendo o papel de ‘inocente retórico’ e de advogado do diabo.
Hasan, no entanto, não tem fobias e nem demonstra defender uma posição política a priori. Seu rabo é preso a sua própria inconveniência cênica e suas perguntas estão a serviço de uma prospecção legítima. Em suma, o que ele faz é jornalismo.
O caso de William Bonner e de Renata Vasconcellos é diferente. Eles acusam predisposição ideológica e má vontade. Censuram as respostas de maneira violenta. Lembram um pouco Sergio Moro em seus interrogatórios. Como Moro não entende as complexidades no funcionamento de todo e qualquer governo, ele fantasia e flana nas próprias elucubrações subjetivas a respeito do que ali se discute. Como ele é juiz e tem o poder da decisão, prevalece o simulacro (a mentira).
A fragilidade de Bonner e Vasconcellos chega a assustar. A insistência no discurso monotemático (só falaram de corrupção), o tom pesado de indignação – muito semelhante ao tom de ódio que devastou o tecido social brasileiro; afinal foram eles a matriz de todo esse fenômeno – e a absoluta ausência de um procedimento ritual que é respeitar a presença e a pessoa do entrevistado, ainda que ele represente uma ameaça real à operação desvirtuada de uma emissora de televisão.
Tecnicamente, portanto, os apresentadores continuam sendo o que são: apresentadores. Eles não têm lastro nem inteligência nem educação nem estatura para levar adiante uma entrevista com qualquer personagem minimamente densa da cena política. Essa percepção é quase unanimidade até entre jornalistas experientes que já publicaram resenhas desfavoráveis aos predicados do ‘casal’.
Não custa lembrar a performance sofrível de Renata Vasconcellos diante do próprio Bolsonaro, um candidato que não é conhecido por sua cancha intelectual. Bolsonaro fez a jornalista expor todo a sua subserviência quando a obrigou a comentar a discrepância entre o salário dela e o salário de seu companheiro de bancada. A apresentadora ignorou deliberadamente o tema, o que tornou toda a cena constrangedora.
Esse e um ponto fraquíssimo daquele duo de apresentadores. Eles têm déficits de ordem linguístico-pragmática, para além da incompetência jornalística. São só apresentadores que leem teleprompter.
Mal conseguem dominar regras básicas de ‘etiqueta’ conversacional, como permitir a seu interlocutor a finalização das sentenças gramaticais. Em português claro, trata-se não mais não menos do que ‘grosseria’.
A linguística tem várias teses a respeito da competência conversacional dos falantes de uma língua. A mais célebre delas vem da teoria pragmática da linguagem, que tem nos filósofos John Searle, John Austin e Paul Grice suas inspirações mais notórias.
O “Princípio da Cooperação Conversacional” de Grice deveria ser estudado em todas as faculdades de jornalismo. Muito mais avançado que o esquema comunicacional de Roman Jakobson, o Princípio da Cooperação visa compreender e garantir que uma sucessão de atos de fala tenha a mínima chance de ser interpretado por ambos os partícipes de uma conversação (ou de uma entrevista).
Muito simples e elegante, a proposição teórica é composta por quatro ‘máximas’:
1) Máxima da quantidade: dê exatamente a quantia de informação necessária;
2) Máxima da qualidade: diga apenas o que você acredita ser a verdade;
3) Máxima da relação: seja relevante
4) Máxima do modo: seja sucinto (Grice, 1975: 45 – tradução minha).
Nenhum desses princípios foi seguido por Bonner ou por Vasconcellos. Mais do que isso, eles foram flagrantemente violados: eles 1) estenderam-se abusivamente nas formulações, misturando premissas temáticas 2) apresentaram pressupostos largamente discutíveis e partidarizados, 3) produziram muita irrelevância ao concentrar em apenas um tema todo o protocolo de arguição e 4) foram excessivamente prolixos, com perguntas extensas e mal organizadas (tomando 60% do tempo total da entrevista).
Note-se que o filósofo Paul Grice nem elenca uma ‘quinta máxima’ que poderia muito bem ser representada pela competência de um ‘falante’ em ter o ‘bom senso’ de não interromper a fala d – provavelmente – pelo simples fato de que se trata de uma premissa básica demais para que seja tecnicamente arrolada. É um caso, a rigor, mais pertencente ao campo da ‘educação’ formal básica do que da ciência cognitiva.
De sorte que a relevância da entrevista migrou da esfera do debate de ideias para a esfera da resistência mental do entrevistado. Haddad teve que, basicamente – e diante da incompetência meridiana de seus entrevistadores –, reformular todas as questões e respondê-las em seguida em tempo exíguo e sendo interrompido a todo instante. E isso por uma questão muito simples: por respeito ao espectador.
A força ‘conversacional’ de Fernando Haddad foi, portanto, apresentada ao público e ao eleitor de maneira bastante bem sucedida. Aliás, essa dimensão da linguagem – que é mais sutil e inconsciente – tem muito mais apelo e poder diante de um espectador saturado de promessas vazias e contemporizações partidarizadas de entrevistadores pouco competentes.
O eleitor viu um Fernando Haddad que lhe dedica profundo respeito pragmático, além de ser exposto a dois apresentadores que lhe relegam profundo indiferença quando negam o direito de resposta de alguém que, afinal, é o convidado do programa – e merecia ser tratado com a mínima deferência.
Renata Vasconcellos e William Bonner agiram como interrogadores policiais (não admira que o tema e o tom tenham sido policialescos), inquisidores amorais, torturadores intelectuais. O que o espectador testemunhou foi a hiper exposição de um candidato à violência discursiva de uma emissora de televisão, tão bem encarnada na pele de dois apresentadores.
Pragmaticamente, não poderia ter sido melhor para Haddad, que se manteve extraordinariamente respeitoso, técnico e firme em suas posições, atendendo, de maneira solitária, as quatro máximas consagradas da conversação.
A Globo, em seu desespero de continuar destruindo um partido político, vai afundando cada vez mais, não apenas na insolvência de sua operação jornalística (que tem um custo muito alto em um momento de transição de plataformas tecnológicas), mas também na desconexão com a realidade discursiva de um país. A Globo não representa mais nenhum segmento relevante da população brasileira. Ela vai, naturalmente, sendo empurrada para a posição de pária, dada sua negação dos protocolos técnico-linguísticos de construção da realidade, como sua negação da própria realidade.
Promover a manutenção de um golpe de estado não é tarefa trivial, ainda mais com zonas de informação que escapam ao controle institucional – a internet.
É importante avisar a Globo e seus jornalistas: nós não estamos mais em 1989.
Vivemos a Era da Pós-verdade, que consiste na disseminação de mentiras suportadas por argumentos forjados e interpretação equivocada ou propositalmente distorcida de contextos históricos e sociais. Aqueles que as disseminam o fazem por profunda ignorância sobre o assunto abordado ou por desonestidade intelectual crua.
Nas esteira das mentiras inconsistentes e absurdas - largamente difundidas por aqueles que querem crer em despautérios -, está a categorização das ideologias fascista e nazista como pensamento e prática das esquerdas. Esta afirmação parte de profundo desconhecimento sobre o tema ou mera má-fé?
Bem, como acredito na educação crítica, cidadã, como meio de transformação e desenvolvimento humano das pessoas, penso ser importante tocar neste tema. Para se compreender a origem do fascismo e do nazismo, é preciso conhecer contextos históricos, sociais e econômicos que permitiram que estas ideologias brotassem e se consolidassem nas primeiras décadas do século passado.
Durante a Primeira Grande Guerra, houve maior intervenção e controle do Estado em praticamente todas as áreas em muitos países, com grande relevância na economia. A este processo, que recrudesceu especialmente na Europa, denominamos Ordenação Estatal, resultado da necessidade de reconstrução de alguns países e da recuperação de suas economias.
As recorrentes crises econômicas acentuaram as pressões sociais e produziram transformações na conjuntura política. Neste período, o anarco-sindicalismo se tornou muito forte na Itália, especialmente por representar as reivindicações dos trabalhadores. O Partido Comunista Italiano também havia se organizado no país e tinha, por sua vez, fortes ligações com o socialismo da Revolução Bolchevique de 1917.
A monarquia parlamentar italiana era liderada pelo Primeiro-Ministro, de matriz liberal, Giolitti. O principal partido que fazia oposição a Giolitti era o Partido Socialista Italiano (PSI), do qual Benito Mussolini foi membro até o momento em que apoiou a entrada da Itália na Primeira Guerra. Tal gesto contrariou as decisões do PSI, e Mussolini foi expulso da organização.
Em 1919, Benito Mussolini articulou uma nova organização de caráter paramilitar, formada por muitos ex-combatentes. Inicialmente, a batizaram de Fascio de combatimento, que remetia ao feixe de lictor (fascio de littorio), símbolo do poder do antigo Império Romano.
Os integrantes do Fascio vestiam uniformes paramilitares, com destaque para as camisas negras. Em 1920, Mussolini transformou essa organização em partido político, o Partido Nacional Fascista, que disputou as eleições no ano seguinte, ocupando 20 cargos para deputados. Em 1922, os fascistas promoveram a famosa Marcha sobre Roma, nos dias 26 e 27 de outubro, cujo objetivo era forçar o rei Vitor Emanuel III a nomear Mussolini Primeiro-Ministro. O rei, cedendo às pressões, o encarregou de formar um novo governo para Itália.
À época, Mussolini foi uma uma espécie de terceira via, que divergiu do fracassado liberalismo italiano e se contrapôs violentamente ao socialismo e ao anarco-sindicalismo.
Fraudou as eleições para controlar o Parlamento, mandou eliminar os adversários - entre eles o deputado comunista Giácomo Matteotti -, suprimiu a liberdade de imprensa e proibiu os partidos políticos, exceto o Partido Fascista, tornando-se o Duce (O Guia) de uma sórdida ditadura.
O Estado fascista se construiu forte e centralizado, totalitário, corporativista, de caráter nacionalista, anticomunista e militarmente expansionista. Uma das muitas contradições é que, apesar de antiliberal, o fascismo se aliou a alguns empresários e banqueiros italianos e recuperou a economia investindo em grandes obras públicas.
Segundo De Felice, a consolidação da ideologia fascista se deu por intermédio de uma concepção mística da política e da vida em geral; da exaltação da coletividade nacional - ao contrário do marxismo, que pregava o internacionalismo -, e do indivíduo incomum (o mito do chefe); de um regime político de massa, baseado no sistema de partido único, da milícia partidária e do controle das fontes de informação e propaganda; de um revolucionarismo verbal e conservadorismo de fundo; da ascensão da pequena e média burguesia às classes dirigentes; da criação e valorização de forte aparato militar, e do controle da economia pelo Estado, porém, com objetivo de concentrar as riquezas nas classes dirigentes e não de distribuí-la.
Com relação à Alemanha, a derrota na Primeira Guerra Mundial conduziu à extinção da monarquia e a instalação de uma República Federativa Parlamentarista, a República de Weimar. O caos do pós-guerra, gerado principalmente pelas rigorosas condições impostas pelo Tratado de Versalhes, que submeteu o país à desmilitarização, à perda de territórios e a altas indenizações aos países vencedores, se intensificou após 1919.
O momento crítico da República de Weimar ocorreu em 1923, quando a inflação assumiu proporções dramáticas. Apesar de os grandes industriais e proprietários de terra a tolerarem, pois se favoreciam com a desvalorização monetária que permitia liquidarem suas dívidas com o Estado, a hiperinflação solapou as classes trabalhadoras.
Não obstante, França e Bélgica ocuparam a região industrial do rio Ruhr, com o pretexto de garantir a extração e o fornecimento de matérias-primas como parte do pagamento da dívida de indenização de guerra, aprofundando ainda mais a crise alemã.
A miséria e o clima de convulsão levaram a greves gerais, manifestações de rua e até sabotagens, visando à queda do governo. Neste cenário, Adolf Hitler, um ex-combatente condecorado do exército alemão, de ideias nacionalistas, antissemitas, anticomunistas e revanchistas, bem como dono de excelente oratória, toma para si o Partido dos Trabalhadores Alemães, fundado por Anton Drexler. Apesar do nome, o partido tinha postura antissemita e anticomunista, mas com o objetivo de angariar massas o rebatizaram com o nome de Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, conhecido pela sigla NAZI.
Aproveitando-se do ambiente conturbado, Hitler tentou um golpe de estado (o Putsche de Munique, em 1923) e foi preso. Na prisão, escreveu o primeiro volume de Mein kämpf (Minha luta). Nesta obra, salta aos olhos o antissemitismo e o anticomunismo de Hitler. A ideologia nazista preconizava a supremacia racial ariana. Portanto, tinha por objetivo a construção de uma sociedade fortemente hierarquizada, em que os privilégios dos arianos deveriam ser garantidos por sua superioridade racial (embasaram-se no darwinismo social).
Em Mein kämpf, Hitler desonestamente caracteriza o marxismo como uma ideologia judaica - a família de Karl Marx era de origem judaica -, sendo assim, seria imprescindível combatê-la.
Separei alguns trechos do livro para ilustrar melhor suas ideias:
“Nesse tempo, abriram-se-me os olhos para dois perigos que eu mal conhecia pelos nomes e que, de nenhum modo, se me apresentavam nitidamente na sua horrível significação para a existência do povo germânico: marxismo e judaísmo.”
"No pequeno círculo em que agia, esforçava-me, por todos os meios ao meu alcance, por convencê-los da perniciosidade dos erros do marxismo e pensava atingir esse objetivo, mas o contrário é o que acontecia sempre.”
“A doutrina judaica do marxismo repele o princípio aristocrático na natureza. Contra o privilégio eterno do poder e da força do indivíduo levanta o poder das massas e o peso-morto do número. Nega o valor do indivíduo, combate a importância das nacionalidades e das raças, anulando assim na humanidade a razão de sua existência e de sua cultura. Por essa maneira de encarar o universo, conduziria a humanidade a abandonar qualquer noção de ordem. E como nesse grande organismo, só o caos poderia resultar da aplicação desses princípios, a ruína seria o desfecho final para todos os habitantes da terra.”
"Se o judeu, com o auxílio do seu credo marxista, conquistar as nações do mundo, a sua coroa de vitórias será a coroa mortuária da raça humana e, então, o planeta vazio de homens, mais uma vez, como há milhões de anos, errará pelo éter.”
“Nos anos de 1913 e 1914 manifestei a opinião, em vários círculos, que, em parte, hoje estão filiados ao movimento nacional-socialista, de que o problema futuro da nação alemã devia ser o aniquilamento do marxismo.”
“O marxismo, cuja finalidade última é, e será sempre, a destruição de todas as nacionalidades não judaicas, teve de verificar, com espanto, que nos dias de julho de 1914, os trabalhadores alemães, já por eles conquistados, despertaram e cada dia com mais ardor, se apresentavam ao serviço da pátria.”
A Crise de 29 promoveu o colapso completo do liberalismo econômico. Segundo Hobsbawn, a grande depressão destruiu o liberalismo econômico por meio século. E com o liberalismo combalido ”três opções competiam agora pela hegemonia intelectual-política. O comunismo marxista; um capitalismo privado de sua crença na otimização de livres mercados, e reformado por uma espécie de casamento não oficial ou ligação permanente com a moderada social-democracia de movimentos trabalhistas não comunistas; e a terceira opção era o fascismo, que a Depressão transformou num perigo mundial.
Neste ambiente, o NAZI se tornou o partido dirigente das classes médias alemãs, pois elas compunham seu principal eleitorado. As classes médias escolhiam sua política conforme seus temores, então, com medo do Partido Comunista alemão, fortemente influenciado pelas orientações bolcheviques, preferiram se submeter à ditadura nazista a apoiar os “comunas".
No entanto, a ascensão nazista ocorreu não somente pelo apoio das classes médias, mas também pela introdução de uma propaganda brutal que possibilitou a integração das massas. A propaganda nazista não oferecia somente o fim da crise e do desemprego, mas aparelhados e financiados pela burguesia, prometia melhores salários, participação nos lucros, nacionalização dos trustes, reforma agrária, anulação de dívidas de camponeses, isto é, oferecia mudanças no próprio sistema capitalista.
Os nazistas levaram a sério suas mentiras propagandistas e impressionaram com sua força de organização. O resultado disto todos conhecemos: o genocídio de milhões de pessoas (judeus, comunistas, ciganos, deficientes físicos, testemunhas de Jeová, entre outros).
É preciso que fique claro que o fascismo e o nazismo foram ideologias e governos de extrema-direita, e que estiveram muito distantes da direita liberal e democrática. Segundo Michel Gherman, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e coordenador do Centro de Estudos Judaicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, “(…) a razão de existência do Estado era manter as diferenças raciais. Estabelecer um estado racialmente hegemônico, escravizar e eliminar raças inferiores e combater e exterminar a oposição que falava em classes sociais. O nazismo, ao contrário do socialismo, não pretendia a abolição da propriedade privada e nem a coletivização dos meios de produção. O nazismo gostaria de garantir a arianização da economia, buscava ter alianças com grandes empresas verdadeiramente alemães e buscava construir um estado corporativo. O nazismo constituía-se assim, como modelo de capitalismo excludente e estatal. Nada mais distante do que qualquer posição a esquerda.”
Portanto, é preciso que se refutem as pós-verdades. A quem serve a reprodução de mentiras desonestamente forjadas? Opiniões, hoje tão banalizadas, devem ser embasadas em argumentos sólidos e honestos. O conhecimento só é real quando construído pelo próprio indivíduo, e isso se dá por intermédio de pesquisa, crítica sobre as fontes e profunda reflexão, e relações dialéticas, ou seja, o processo de se educar. Caso contrário, será um papagaio a serviço de pessoas ou instituições intelectualmente desonestas.
Reproduzir estas pós-verdades sem nenhuma crítica ou reflexão é o que denomino ignorância ostentação, pois, não basta ser ignorante, há de se ostentar.
Seguem algumas indicações bibliográficas para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o tema.
PARA SABER MAIS:
ALMEIDA, Angela Mendes. A República de Weimar e a ascensão do nazismo. São Paulo: Brasiliense, 1999.
DEFELICE, R. Explicar o fascismo. São Paulo: Edições 70, 1980.
HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos: o breve século XX São Paulo: Companhia das letras, 1995.
PARIS, R. As origens do fascismo. São paulo: Perspectiva, 1970.
POULANTZAS, N. Fascismo e ditadura. São Paulo: Martins Fontes, 1970.
Cadu de Castro é historiador, com pós-graduação em gestão ambiental. Educador, dedica-se ao trabalho com povos originários, tradicionais e outras comunidades, bem como com a cultura popular brasileira.