Maria Rita Kehl explica a “Acumulação primitiva da democracia” | Maria Frô: "Dois pesos…
02 de outubro de 2010
Maria Rita Kehl, no Estadão
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
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sábado, 2 de outubro de 2010
Maria Fro
Maria Fro: "Maria Rita Kehl explica a “Acumulação primitiva da democracia”
outubro 2nd, 2010 by mariafro
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Belíssimo texto da Maria Rita Kehl que explica de modo mais sintético o que outro professor, Daniel Caetano, comprovou também com maestria aqui, e como a matéria do Al Jazeera nos mostrou: programas como bolsa-família são interessantes para movimentar a economia e o mercado interno brasileiro, combater a fome, tornam-se antídotos do coronelismo e, principalmente da super-exploração de uma elite perversa e preconceituosa.
Dois pesos…
02 de outubro de 2010
Maria Rita Kehl, no Estadão
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
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outubro 2nd, 2010 by mariafro
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Belíssimo texto da Maria Rita Kehl que explica de modo mais sintético o que outro professor, Daniel Caetano, comprovou também com maestria aqui, e como a matéria do Al Jazeera nos mostrou: programas como bolsa-família são interessantes para movimentar a economia e o mercado interno brasileiro, combater a fome, tornam-se antídotos do coronelismo e, principalmente da super-exploração de uma elite perversa e preconceituosa.
Dois pesos…
02 de outubro de 2010
Maria Rita Kehl, no Estadão
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
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Maria Fro
Maria Fro: "Humor: Está cansado da ‘gentalha’?
outubro 2nd, 2010 by mariafro
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O texto que transcrevo ao final deste post é um texto irônico. Ele circula na rede sem autoria (alô internauta se for o autor ou souber a autoria me informe). De todo modo, o Maria Frô já fez várias ironias aqui neste sentido, no de mostrar como uma parcela da elite brasileira, uma parte importante em São Paulo, mas que pode ser encontrada em qualquer grande centro do Brasil está indignadíssima com o fato de encontrar, por exemplo, filas nos aeroportos.
Já ouvi de professora algo como: ‘Congonhas está parecendo a Rodoviária do Tiêtê’. Tive de explicar para ela que isso só iria aumentar pois estima-se que em 2011 mais de 8 milhões de brasileiros da nova Classe C conseguirão, pela primeira vez na vida, viajar de avião. Sugeri a ela que para viagens de pequenas distâncias ela experimentasse andar de ônibus, pois a rodoviária do Tietê é bastante organizada.
Mas existe outra elite no Brasil. Ouço de meus amigos dessa elite não perversa um certo orgulho e menos culpa de classe histórias como esta aqui: ‘Pedi para minha empregada ficar à noite em casa para ajudar na recepção, festa da minha sogra, (eles pagam horas extras nesta ocasião) e sugeri que ela dormisse em casa (já que ônibus não circula na madrugada na capital paulistana etc.) e ouviram da empregada: ‘Não se preocupem, meu marido vem me buscar de carro’.
Outro amigo jornalista me conta emocionado que encontrou o filho de uma ex-empregada em uma das dezenas de encontros que participou discutindo democratização da comunicação que ocorreram no Brasil nos últimos dois anos. Era estudante de jornalismo.
Este é um novo Brasil. Mas a elite perversa que sempre foi minoria (mas que sempre esteve no poder) não se conforma com ele.
Agora a pouco publiquei um belo texto de Maria Rita Kehl falando exatamente desta elite preconceituosa, forte herança da Casa Grande, que adora falar em democracia, mas acha que viver uma democracia plena é direito apenas dela e está amedrontada com a perda remota de seus privilégios.
Se tiver estômago leia este texto aqui é a cara desta elite perversa que foi com bom humor satirizada no texto abaixo:
Mudei de ideia: Vou votar no Serra !
Desculpem amigos, vou votar no Serra.
“Cansei…Basta”! Vou votar no Serra, do PSDB.
Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.
Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.
Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares.
O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega…
Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro a juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. ” É uma vergonha! “, como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque como em S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro.
Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz.
Vergonha, vergonha, vergonha…
Desculpem amigos, vou votar no Serra.
“Cansei…Basta”! Vou votar no Serra, do PSDB.
Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.
Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.
Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e aproveitar a inflação. Investir em ações de Estatais quase de graça e vender com altos lucros. Chega dessa baboseria politicamente correta, dessa hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco… Quem pode, pode, quem não pode, se sacode.
Tenho culpa eu, se meu pai era mais esperto que os outros para ganhar dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça? Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem é superior e quem é inferior.
Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. Quero minha felicidade de volta.
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outubro 2nd, 2010 by mariafro
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O texto que transcrevo ao final deste post é um texto irônico. Ele circula na rede sem autoria (alô internauta se for o autor ou souber a autoria me informe). De todo modo, o Maria Frô já fez várias ironias aqui neste sentido, no de mostrar como uma parcela da elite brasileira, uma parte importante em São Paulo, mas que pode ser encontrada em qualquer grande centro do Brasil está indignadíssima com o fato de encontrar, por exemplo, filas nos aeroportos.
Já ouvi de professora algo como: ‘Congonhas está parecendo a Rodoviária do Tiêtê’. Tive de explicar para ela que isso só iria aumentar pois estima-se que em 2011 mais de 8 milhões de brasileiros da nova Classe C conseguirão, pela primeira vez na vida, viajar de avião. Sugeri a ela que para viagens de pequenas distâncias ela experimentasse andar de ônibus, pois a rodoviária do Tietê é bastante organizada.
Mas existe outra elite no Brasil. Ouço de meus amigos dessa elite não perversa um certo orgulho e menos culpa de classe histórias como esta aqui: ‘Pedi para minha empregada ficar à noite em casa para ajudar na recepção, festa da minha sogra, (eles pagam horas extras nesta ocasião) e sugeri que ela dormisse em casa (já que ônibus não circula na madrugada na capital paulistana etc.) e ouviram da empregada: ‘Não se preocupem, meu marido vem me buscar de carro’.
Outro amigo jornalista me conta emocionado que encontrou o filho de uma ex-empregada em uma das dezenas de encontros que participou discutindo democratização da comunicação que ocorreram no Brasil nos últimos dois anos. Era estudante de jornalismo.
Este é um novo Brasil. Mas a elite perversa que sempre foi minoria (mas que sempre esteve no poder) não se conforma com ele.
Agora a pouco publiquei um belo texto de Maria Rita Kehl falando exatamente desta elite preconceituosa, forte herança da Casa Grande, que adora falar em democracia, mas acha que viver uma democracia plena é direito apenas dela e está amedrontada com a perda remota de seus privilégios.
Se tiver estômago leia este texto aqui é a cara desta elite perversa que foi com bom humor satirizada no texto abaixo:
Mudei de ideia: Vou votar no Serra !
Desculpem amigos, vou votar no Serra.
“Cansei…Basta”! Vou votar no Serra, do PSDB.
Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.
Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.
Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares.
O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega…
Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro a juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. ” É uma vergonha! “, como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque como em S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro.
Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz.
Vergonha, vergonha, vergonha…
Desculpem amigos, vou votar no Serra.
“Cansei…Basta”! Vou votar no Serra, do PSDB.
Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.
Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.
Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e aproveitar a inflação. Investir em ações de Estatais quase de graça e vender com altos lucros. Chega dessa baboseria politicamente correta, dessa hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco… Quem pode, pode, quem não pode, se sacode.
Tenho culpa eu, se meu pai era mais esperto que os outros para ganhar dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça? Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem é superior e quem é inferior.
Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. Quero minha felicidade de volta.
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Altamiro Borges: Veja, Globo e Folha rifaram o Serra?
Altamiro Borges: Veja, Globo e Folha rifaram o Serra?: "Veja, Globo e Folha rifaram o Serra?
Por Altamiro Borges
A temida capa da Veja deste sábado deu chabu. Após quatro edições consecutivas de ataques raivosos ao governo Lula e à candidata Dilma Rousseff, o panfleto serrista da famíglia Civita parece que cansou. Na véspera do dia das eleições, a capa da revista estampa 'propostas para o Brasil' - já tentando enquadrar o futuro governo.
Até agora também não ocorreu a temida manipulação das imagens do debate com os presidenciáveis realizado pelo Jornal Nacional da TV Globo. Muita gente temia, com razão, que Ali Kamel, o senhor das trevas da poderosa emissora, tentasse repetir o jogo sujo do pleito de 1989, quando editou cenas para favorecer Collor de Melo.
Já os jornalões tradicionais, como Folha, Estadão e O Globo, reduziram o seu veneno nas edições dos últimos dois dias. No diário da famíglia Frias, o queridinho José Serra até apareceu isolado, solitário numa cadeira, na foto de capa. O Datafolha - ou Datafraude ou DataSerra - também deu outro cavalo de pau. Após apontar a 'queda' de Dilma nas pesquisas, ajustou a sua sondagem dois dias depois.
Será que a mídia demotucana resolveu desembarcar da canoa furada de Serra? Será, como diz Paulo Henrique Amorim, que 'na reta final, o PIG [Partido da Imprensa Golpista] amarelou'? Será que a mídia demotucano já fez seus cálculos temendo pelo futuro, por mudanças do marco regulatório das comunicações no Brasil?
A conferir nas próximas horas!
– Enviado usando a Barra de Ferramentas Google"
Por Altamiro Borges
A temida capa da Veja deste sábado deu chabu. Após quatro edições consecutivas de ataques raivosos ao governo Lula e à candidata Dilma Rousseff, o panfleto serrista da famíglia Civita parece que cansou. Na véspera do dia das eleições, a capa da revista estampa 'propostas para o Brasil' - já tentando enquadrar o futuro governo.
Até agora também não ocorreu a temida manipulação das imagens do debate com os presidenciáveis realizado pelo Jornal Nacional da TV Globo. Muita gente temia, com razão, que Ali Kamel, o senhor das trevas da poderosa emissora, tentasse repetir o jogo sujo do pleito de 1989, quando editou cenas para favorecer Collor de Melo.
Já os jornalões tradicionais, como Folha, Estadão e O Globo, reduziram o seu veneno nas edições dos últimos dois dias. No diário da famíglia Frias, o queridinho José Serra até apareceu isolado, solitário numa cadeira, na foto de capa. O Datafolha - ou Datafraude ou DataSerra - também deu outro cavalo de pau. Após apontar a 'queda' de Dilma nas pesquisas, ajustou a sua sondagem dois dias depois.
Será que a mídia demotucana resolveu desembarcar da canoa furada de Serra? Será, como diz Paulo Henrique Amorim, que 'na reta final, o PIG [Partido da Imprensa Golpista] amarelou'? Será que a mídia demotucano já fez seus cálculos temendo pelo futuro, por mudanças do marco regulatório das comunicações no Brasil?
A conferir nas próximas horas!
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Clipping do dia | Brasilianas.Org
Clipping do dia | Brasilianas.Org: "O protagonismo eleitoral da imprensa e o futuro da indústria jornalística no Brasil
Postado por Carlos Castilho em 1/10/2010 às 14:39:02
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id={5BBABDB3-4F49-43A2-A0FC-CA50DAF237D1}#
A imprensa sempre foi um protagonista relevante em eleições no Brasil, mas, até agora, a sua participação era menos importante do que o posicionamento dos candidatos. As polêmicas sobre o papel da midia se limitavam à sua estratégia editorial. Os candidatos faziam as denúncias e os jornais, revistas, TV e rádios repercutiam.
Em 2010 surgiu um novo enfoque na questão do protagonismo eleitoral da imprensa, pois ela passou a ser percebida como um partido de oposição. Esta percepção é uma consequência do fato de as denúncias terem sido feitas primariamente por orgãos da imprensa, cabendo a repercussão posterior aos candidatos.
Esta inversão de papéis é uma das causas do surgimento da idéia de que a publicação de escândalos de corrupção e de abuso do poder durante a campanha eleitoral de 2010 teria sido o resultado de uma operação coordenada, que equivaleria a uma ação típica de um partido político.
É importante ressaltar que tudo isto ocorre no terreno da percepção, ou seja, a forma como as pessoas percebem fatos, processos ou dados por meio dos seus sentidos. Numa campanha eleitoral, as percepções são alimentadas basicamente pelos veículos de comunicação e pelos formadores de opinião.
Mesmo sendo imateriais, elas (as percepções) são usadas hoje como base para estudos sobre comportamento humano no mesmo pé de igualdade que os fatos concretos. Em politica é corrente o jargão de que as versões (as percepções) podem ser até mais importantes do que os fatos.
Esta 'viajada' teórica visa mostrar como o protagonismo eleitoral da imprensa transformou-se num 'fato', mesmo sendo fruto de uma percepção. E é isto que gera uma situação nova com desdobramentos imprevisíveis.
Se a imprensa não adotar comportamentos que desmanchem as percepções desenvolvidas durante a campanha eleitoral, a credibilidade e independência de alguns jornais, revistas e emissoras de rádio ficará abalada. Sem credibilidade, o negócio da imprensa perde o seu principal ativo.
A sociedade brasileira não pode abrir mão da imprensa porque ela faz parte do conjunto de meios que levam e trazem informação, para e do público. A internet ocupou um bom espaço daquilo que era uma espécie de monopólio da imprensa escrita e audiovisual, mas não é hegemônica e nem onipresente.
Assim, o que provavelmente começaremos a assistir, passadas as eleições e dependendo dos acontecimentos imediatamente posteriores, é umquestionamento do papel das empresas jornalisticas no Brasil, num processo que não tem nada a ver com liberdade de expressão.
Muito pelo contrário, dependendo do tipo de questionamento e da reação dos principais grupos midiáticos do país, o processo pode gerar uma inédita revisão das relações entre empresas e consumidores de informação.
Ninguém quer a ditadura de uma única percepção da realidade — portanto, se as empresas jornalísticas desejarem continuar cumprindo o seu papel de provedoras de informação terão que colocar a diversidade informativa como um dos seus objetivos centrais. Isto pode ajudar a anular a percepção de que a imprensa transformou-se num partido político.
A diversidade informativa levará também as empresas a rever o seu relacionamento com o público, porque ele hoje não é mais um consumidor passivo de noticias, mas um protagonista proativo no processamento de informações — não apenas no papel de cobrador de serviços qualificados, mas também como de fornecedor de matéria prima informativa, como é o caso de alguns weblogs.
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Postado por Carlos Castilho em 1/10/2010 às 14:39:02
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id={5BBABDB3-4F49-43A2-A0FC-CA50DAF237D1}#
A imprensa sempre foi um protagonista relevante em eleições no Brasil, mas, até agora, a sua participação era menos importante do que o posicionamento dos candidatos. As polêmicas sobre o papel da midia se limitavam à sua estratégia editorial. Os candidatos faziam as denúncias e os jornais, revistas, TV e rádios repercutiam.
Em 2010 surgiu um novo enfoque na questão do protagonismo eleitoral da imprensa, pois ela passou a ser percebida como um partido de oposição. Esta percepção é uma consequência do fato de as denúncias terem sido feitas primariamente por orgãos da imprensa, cabendo a repercussão posterior aos candidatos.
Esta inversão de papéis é uma das causas do surgimento da idéia de que a publicação de escândalos de corrupção e de abuso do poder durante a campanha eleitoral de 2010 teria sido o resultado de uma operação coordenada, que equivaleria a uma ação típica de um partido político.
É importante ressaltar que tudo isto ocorre no terreno da percepção, ou seja, a forma como as pessoas percebem fatos, processos ou dados por meio dos seus sentidos. Numa campanha eleitoral, as percepções são alimentadas basicamente pelos veículos de comunicação e pelos formadores de opinião.
Mesmo sendo imateriais, elas (as percepções) são usadas hoje como base para estudos sobre comportamento humano no mesmo pé de igualdade que os fatos concretos. Em politica é corrente o jargão de que as versões (as percepções) podem ser até mais importantes do que os fatos.
Esta 'viajada' teórica visa mostrar como o protagonismo eleitoral da imprensa transformou-se num 'fato', mesmo sendo fruto de uma percepção. E é isto que gera uma situação nova com desdobramentos imprevisíveis.
Se a imprensa não adotar comportamentos que desmanchem as percepções desenvolvidas durante a campanha eleitoral, a credibilidade e independência de alguns jornais, revistas e emissoras de rádio ficará abalada. Sem credibilidade, o negócio da imprensa perde o seu principal ativo.
A sociedade brasileira não pode abrir mão da imprensa porque ela faz parte do conjunto de meios que levam e trazem informação, para e do público. A internet ocupou um bom espaço daquilo que era uma espécie de monopólio da imprensa escrita e audiovisual, mas não é hegemônica e nem onipresente.
Assim, o que provavelmente começaremos a assistir, passadas as eleições e dependendo dos acontecimentos imediatamente posteriores, é umquestionamento do papel das empresas jornalisticas no Brasil, num processo que não tem nada a ver com liberdade de expressão.
Muito pelo contrário, dependendo do tipo de questionamento e da reação dos principais grupos midiáticos do país, o processo pode gerar uma inédita revisão das relações entre empresas e consumidores de informação.
Ninguém quer a ditadura de uma única percepção da realidade — portanto, se as empresas jornalísticas desejarem continuar cumprindo o seu papel de provedoras de informação terão que colocar a diversidade informativa como um dos seus objetivos centrais. Isto pode ajudar a anular a percepção de que a imprensa transformou-se num partido político.
A diversidade informativa levará também as empresas a rever o seu relacionamento com o público, porque ele hoje não é mais um consumidor passivo de noticias, mas um protagonista proativo no processamento de informações — não apenas no papel de cobrador de serviços qualificados, mas também como de fornecedor de matéria prima informativa, como é o caso de alguns weblogs.
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AbundaCanalha
AbundaCanalha: "Deu branco na Veja
A Veja é minimalista.
Passou oito anos reportando, minimamente, que o atual presidente era um bêbado, um analfabeto, incompetente, faria um apagão, se aliava às FARC colombianas, deixaria o povo brasileiro à mercê de uma horrenda peste de gripe suína, não conseguiria enfrentar a crise econômica que viria como um tsunami...
Sempre precisa.
Agora, no final de semana das próximas eleições presidenciais, ela nos completa de 'bons' conceitos.
Os candidatos não têm idéias, tenta dizer, só ela as tem. A revista que tenta se vender, até de graça em supermercados junto a sabão em pó.
A Veja nos ajuda a pensar neste final de semana, e muito.
Deu um branco nas elites conservadoras, herdeiras da casa grande, do nosso passado escravocrata, submissas ao poderio de nações estrangeiras, dona de uma mídia velha e velhaca.
O resultado é esse: um branco. O que mais teriam a dizer para fazer do pouco que ainda sabem: a propaganda?
Nada. Tentaram propagandear, e mais, e mais, e o atual presidente acaba seu mandato com estratosférica aprovação.
Ah, aquele lindo e minimalista polvo, o polvo não sabe votar, que pena.
A democracia não funciona para barrar a opinião da senzala. Os militares, procurados por ela, não podem agora ajudar. Que pena!
É um grande branco. Uma grande cegueira da nação que não a lê. Por consequência, votarão na primeira mulher presidente do Brasil.
Logo a Veja que tem um ensaio iluminado para o dia da votação. Compre seu sabão em pó e veja o que ela tem a dizer além da capa.
Eu passo, leio blogs, a mídia velha e velhaca morreu.
Não fará falta.
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A Veja é minimalista.
Passou oito anos reportando, minimamente, que o atual presidente era um bêbado, um analfabeto, incompetente, faria um apagão, se aliava às FARC colombianas, deixaria o povo brasileiro à mercê de uma horrenda peste de gripe suína, não conseguiria enfrentar a crise econômica que viria como um tsunami...
Sempre precisa.
Agora, no final de semana das próximas eleições presidenciais, ela nos completa de 'bons' conceitos.
Os candidatos não têm idéias, tenta dizer, só ela as tem. A revista que tenta se vender, até de graça em supermercados junto a sabão em pó.
A Veja nos ajuda a pensar neste final de semana, e muito.
Deu um branco nas elites conservadoras, herdeiras da casa grande, do nosso passado escravocrata, submissas ao poderio de nações estrangeiras, dona de uma mídia velha e velhaca.
O resultado é esse: um branco. O que mais teriam a dizer para fazer do pouco que ainda sabem: a propaganda?
Nada. Tentaram propagandear, e mais, e mais, e o atual presidente acaba seu mandato com estratosférica aprovação.
Ah, aquele lindo e minimalista polvo, o polvo não sabe votar, que pena.
A democracia não funciona para barrar a opinião da senzala. Os militares, procurados por ela, não podem agora ajudar. Que pena!
É um grande branco. Uma grande cegueira da nação que não a lê. Por consequência, votarão na primeira mulher presidente do Brasil.
Logo a Veja que tem um ensaio iluminado para o dia da votação. Compre seu sabão em pó e veja o que ela tem a dizer além da capa.
Eu passo, leio blogs, a mídia velha e velhaca morreu.
Não fará falta.
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monitorando
monitorando: "veja derrapa. de novo
Publicado: 28/ 09/ 2010 por rogério christofoletti em jornalismo
Etiquetas: ética jornalística, censura e liberdade de expressão, política brasileira, provocações, democracia
10
A edição que está nas bancas da revista semanal de informação mais influente do país é categórica: o governo Lula não quer jornalismo nenhum e está fazendo de tudo para cercear a liberdade de imprensa.
Impositiva, editorializada, recheada de adjetivos e carente de dados, a matéria de capa – A imprensa ideal dos petistas – é assinada por Fábio Portela. Em oito páginas fartamente ilustradas, a Veja desfere frontais ataques ao governo numa espécie de revide após declarações críticas do presidente Lula na semana passada. Lula se queixava da imprensa, o que é natural e esperado de qualquer governante. Veja transforma as reclamações em ações concretas do governo para deter os meios de comunicação e os jornalistas. Este é o raciocínio, que – convenhamos – não se sustenta pela absoluta falta de dados da realidade e argumentos no plano discursivo.
A revista exagera.
Sim, estamos a menos de uma semana das eleições e os ânimos estão inflamados. Mas isso não justifica exagerar.
Se um estrangeiro ou alienígena lesse a reportagem, sua impressão seria a de que vivemos num país ditatorial, que não existe liberdade individual e que o exercício profissional dos jornalistas é impedido pelas instituições. E isso não é verdade. A questão da liberdade de expressão e de imprensa é um nervo exposto, delicado, quando se discute solidez democrática, estabilidade política e vigência de estado democrático de direito. Historicamente, há uma relação tensa entre governos e mídia, pois alguns interesses de lado a lado não coincidem e, às vezes, se contrapõem. Os governos têm suas funções, a mídia também. Consagrou-se para o jornalismo a tarefa de fiscalizar os poderes, o que significa denunciar abusos, investigar, revelar e apresentar à sociedade sintomas do mau funcionamento das relações entre estado e cidadãos.
Com isso, reafirmo: é natural que os governantes se queixem da imprensa. Assim como é natural os jornalistas reafirmarem a defesa das liberdades de imprensa e expressão, e perseguirem sua função de cães de guarda frente os poderes instituídos. Mas a própria reportagem da Veja não sustenta o pânico que tenta instaurar. Das seis “ameaças” do governo apresentadas num box da página 79, nenhuma se efetivou. Por quê? Por várias razões, entre as quais o fato de que o país é mais complexo do que supõe a revista e que as instituições, se e quando contrariadas, atuam politicamente, fazendo funcionar um sistema de pesos e contrapesos para estabilizar a democracia.
Por isso, a reportagem da Veja derrapa. É mais campanha antigoverno do que peça jornalística. Basta contar as fontes ouvidas. Não se ouve o lado denunciado. O governo ou fontes ligadas a ele são apenas mencionadas; não foram procuradas, ouvidas ou entrevistadas. Ouvir os lados é essencial no jornalismo. Ser parcial e não promover a pluralidade de opiniões e versões é tão ou mais perigoso quanto as “ameaças” do governo…
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Publicado: 28/ 09/ 2010 por rogério christofoletti em jornalismo
Etiquetas: ética jornalística, censura e liberdade de expressão, política brasileira, provocações, democracia
10
A edição que está nas bancas da revista semanal de informação mais influente do país é categórica: o governo Lula não quer jornalismo nenhum e está fazendo de tudo para cercear a liberdade de imprensa.
Impositiva, editorializada, recheada de adjetivos e carente de dados, a matéria de capa – A imprensa ideal dos petistas – é assinada por Fábio Portela. Em oito páginas fartamente ilustradas, a Veja desfere frontais ataques ao governo numa espécie de revide após declarações críticas do presidente Lula na semana passada. Lula se queixava da imprensa, o que é natural e esperado de qualquer governante. Veja transforma as reclamações em ações concretas do governo para deter os meios de comunicação e os jornalistas. Este é o raciocínio, que – convenhamos – não se sustenta pela absoluta falta de dados da realidade e argumentos no plano discursivo.
A revista exagera.
Sim, estamos a menos de uma semana das eleições e os ânimos estão inflamados. Mas isso não justifica exagerar.
Se um estrangeiro ou alienígena lesse a reportagem, sua impressão seria a de que vivemos num país ditatorial, que não existe liberdade individual e que o exercício profissional dos jornalistas é impedido pelas instituições. E isso não é verdade. A questão da liberdade de expressão e de imprensa é um nervo exposto, delicado, quando se discute solidez democrática, estabilidade política e vigência de estado democrático de direito. Historicamente, há uma relação tensa entre governos e mídia, pois alguns interesses de lado a lado não coincidem e, às vezes, se contrapõem. Os governos têm suas funções, a mídia também. Consagrou-se para o jornalismo a tarefa de fiscalizar os poderes, o que significa denunciar abusos, investigar, revelar e apresentar à sociedade sintomas do mau funcionamento das relações entre estado e cidadãos.
Com isso, reafirmo: é natural que os governantes se queixem da imprensa. Assim como é natural os jornalistas reafirmarem a defesa das liberdades de imprensa e expressão, e perseguirem sua função de cães de guarda frente os poderes instituídos. Mas a própria reportagem da Veja não sustenta o pânico que tenta instaurar. Das seis “ameaças” do governo apresentadas num box da página 79, nenhuma se efetivou. Por quê? Por várias razões, entre as quais o fato de que o país é mais complexo do que supõe a revista e que as instituições, se e quando contrariadas, atuam politicamente, fazendo funcionar um sistema de pesos e contrapesos para estabilizar a democracia.
Por isso, a reportagem da Veja derrapa. É mais campanha antigoverno do que peça jornalística. Basta contar as fontes ouvidas. Não se ouve o lado denunciado. O governo ou fontes ligadas a ele são apenas mencionadas; não foram procuradas, ouvidas ou entrevistadas. Ouvir os lados é essencial no jornalismo. Ser parcial e não promover a pluralidade de opiniões e versões é tão ou mais perigoso quanto as “ameaças” do governo…
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Vírus misterioso atinge computadores do Irã e reacende alerta sobre a ameaça dos ciberataques - 02/10/2010 - UOL Notícias - Internacional
Vírus misterioso atinge computadores do Irã e reacende alerta sobre a ameaça dos ciberataques - 02/10/2010 - UOL Notícias - Internacional: "02/10/2010 - 08h00
Vírus misterioso atinge computadores do Irã e reacende alerta sobre a ameaça dos ciberataques
Thiago Chaves-Scarelli*
Usina nuclear iraniana Bushehr pode ser alvo potencial de ciberataque com o vírus 'Stuxnet'
Durante mais de um ano, um vírus desconhecido se espalhou por dezenas de milhares de computadores iranianos sem ser percebido. Com um raro grau de complexidade, o “Stuxnet” foi identificado em julho passado, mas até agora não se sabe qual o seu objetivo, nem quem é o responsável por sua programação. Mas aquilo que os analistas já descobriram é suficiente para lançar um alerta de que o mundo está diante de uma ameaça com potencial para destruir usinas atômicas ou derrubar o sistema financeiro. Neste sábado (2), o Irã disse que deteve 'um grupo de espiões nucleares' que trabalhavam para atacar as centrais iranianas por meio da internet.
Um detalhe que torna o Stuxnet especialmente perigoso é que ele foi programado para mirar sistemas industriais. Ou seja, softwares semelhantes aos que controlam, por exemplo, usinas atômicas.
Como atua o Stuxnet?
Este vírus, até onde sabemos, explora pelo menos quatro tipos diferentes de vulnerabilidades no sistema Windows (que oficialmente já foram resolvidas pela companhia), em especial uma brecha relacionada à autoexecução de drivers removíveis, como drivers USBs. Para operar sem ser notado, o malware traz consigo dois certificados digitais de autenticidade roubados e esconde suas pegadas por onde passa. Uma vez dentro do sistema, ele pode modificar o código que controla as operações e comandos daquele software.
O caso ganhou repercussão no campo da estratégia geopolítica porque pelo menos 60% das infecções confirmadas estão em computadores do Irã, um país que enfrenta sanções internacionais por não atender às exigências da Agência Internacional de Energia Atômica quanto à transparência de seu programa nuclear.
“Stuxnet despertou muita atenção entre pesquisadores e na mídia recentemente. Há uma boa razão para isso. Stuxnet é uma das mais complexas ameaças que nós já analisamos”, afirma um relatório da empresa de segurança Symantec divulgado há alguns dias.
Para o analista alemão Ralph Langner – o primeiro a alertar para a ameaça do Stuxnet – existem diversos indícios de que esse vírus seja de fato uma “sabotagem” intencionada, a cargo de uma organização poderosa.
“O ataque combina uma quantidade imensa de habilidades”, publicou o analista em seu site há duas semanas. “Isso foi montado por um time com os mais qualificados especialistas, envolvendo expertise específica em controle de sistemas. Isso não é só um hacker sentado no porão da casa dos pais. Para mim, parece que os recursos necessários para realizar esse ataque apontam para um Estado nação”.
Em entrevista exclusiva ao UOL Notícias, Langner confirmou que há elementos para crer que o ataque tenha como alvo a usina nuclear iraniana de Bushehr. “Há meses eu estava esperando que uma coisa como o Stuxnet atingisse Bushehr”, afirmou.
Em seu site, Langner especula que a usina é um alvo importante, sem a proteção proporcional, e que enfrentou problemas técnicos recentemente.
Estamos diante de um possível novo tipo de guerra moderna? “Sim. E muito mais. Iremos presenciar atividades de hackers, crime organizado e ciberterrorismo em uma nova dimensão”, afirmou o analista ao UOL Notícias.
Teoria da conspiração ou ameaça real?
Outras análises de grandes grupos envolvidos com segurança virtual, como a Symantec e a F-Secure, confirmam os elementos apontados por Langner. Todos eles concordam que se trata de uma ameaça complexa, de dimensões inéditas, produzida por uma organização poderosa, e com um objetivo claro. O que nenhum deles sabe é quem foi, ou qual a motivação, o que abre espaço para especulação.
“O que é importante destacar é que se trata de uma evolução nas formas de ataque, nas estratégias de propagação dos vírus”, afirmou ao UOL Notícias o especialista Otávio Luiz Artur, diretor do Instituto de Peritos em Tecnologias Digitais e Telecomunicações (IPDI).
Artur explica que, a partir das análises disponíveis, é possível notar que o Stuxnet foi planejado com o objetivo claro de romper as barreiras de um sistema blindado, ou seja, de um sistema que, por motivos de segurança, tenha o menor contato possível com redes abertas.
“Para esse tipo de ataque funcionar, seria necessária a colaboração de alguém de dentro da organização alvo, alguém que introduzisse a primeira contaminação”, afirmou o analista.
A conexão com um drive USB contaminado, por exemplo, seria suficiente para que o vírus entrasse em operação. Daí para frente, no entanto, um vírus semelhante ao Stuxnet devidamente programado seria capaz de ações 'gravíssimas' em sistemas blindados, alerta o especialista.
“Uma central nuclear tem todo o sistema de controle digitalizado. Uma refinaria de petróleo é toda controlada por computadores. O vírus poderia parar a produção ou destruir aquela refinaria alterando os padrões de sistema”, explica o analista. “Controles de tráfego aéreo, o sistema de controle de um Airbus, tudo isso depende do funcionamento de muitos softwares”.
“Por enquanto, isso é só uma possibilidade. Pode ser uma realidade em um futuro próximo? Pode. É um caminho sem volta. Não sabemos como isso vai operar, mas os governos devem estar preparados para esse tipo de ameaça”, conclui Artur.
Irã prende 'espiões cibernéticos'
O ministro de Inteligência iraniano, Heydar Moslehi, disse hoje que seu país deteve 'um grupo de espiões nucleares' que trabalhavam para atacar as centrais iranianas por meio da internet.
O responsável não detalhou o número de detidos, tampouco onde ocorreu a suposta operação, limitando-se a sugerir que os detidos são ligados 'aos poderes hegemônicos'.
Esta expressão é como as autoridades iranianas costumam referir-se ao Ocidente, em particular aos Estados Unidos, o Reino Unido e a Israel.
'O inimigo criou e enviou um vírus pela internet para atingir as atividades nucleares do Irã', afirmou Moslehi citado pela agência de notícias 'Mehr' e a televisão estatal 'PressTV'.
'Sempre estamos enfrentando essas atividades destrutivas de outras agências (de espionagem), e, naturalmente, detivemos um grupo de espiões nucleares para frear os movimentos do inimigo', acrescentou.
A este respeito, Moslehi insistiu que o Irã possui 'equipes com rapidez suficiente para detectar e resistir aos passos destrutivos dos poderes hegemônicos na internet'.
'Posso garantir que as forças de inteligência têm a experiência necessária e o controle sobre o ciberespaço, e não permitirão que o inimigo se infiltre e danifique os avanços nucleares nacionais', disse.
*Com as agências internacionais
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Vírus misterioso atinge computadores do Irã e reacende alerta sobre a ameaça dos ciberataques
Thiago Chaves-Scarelli*
Usina nuclear iraniana Bushehr pode ser alvo potencial de ciberataque com o vírus 'Stuxnet'
Durante mais de um ano, um vírus desconhecido se espalhou por dezenas de milhares de computadores iranianos sem ser percebido. Com um raro grau de complexidade, o “Stuxnet” foi identificado em julho passado, mas até agora não se sabe qual o seu objetivo, nem quem é o responsável por sua programação. Mas aquilo que os analistas já descobriram é suficiente para lançar um alerta de que o mundo está diante de uma ameaça com potencial para destruir usinas atômicas ou derrubar o sistema financeiro. Neste sábado (2), o Irã disse que deteve 'um grupo de espiões nucleares' que trabalhavam para atacar as centrais iranianas por meio da internet.
Um detalhe que torna o Stuxnet especialmente perigoso é que ele foi programado para mirar sistemas industriais. Ou seja, softwares semelhantes aos que controlam, por exemplo, usinas atômicas.
Como atua o Stuxnet?
Este vírus, até onde sabemos, explora pelo menos quatro tipos diferentes de vulnerabilidades no sistema Windows (que oficialmente já foram resolvidas pela companhia), em especial uma brecha relacionada à autoexecução de drivers removíveis, como drivers USBs. Para operar sem ser notado, o malware traz consigo dois certificados digitais de autenticidade roubados e esconde suas pegadas por onde passa. Uma vez dentro do sistema, ele pode modificar o código que controla as operações e comandos daquele software.
O caso ganhou repercussão no campo da estratégia geopolítica porque pelo menos 60% das infecções confirmadas estão em computadores do Irã, um país que enfrenta sanções internacionais por não atender às exigências da Agência Internacional de Energia Atômica quanto à transparência de seu programa nuclear.
“Stuxnet despertou muita atenção entre pesquisadores e na mídia recentemente. Há uma boa razão para isso. Stuxnet é uma das mais complexas ameaças que nós já analisamos”, afirma um relatório da empresa de segurança Symantec divulgado há alguns dias.
Para o analista alemão Ralph Langner – o primeiro a alertar para a ameaça do Stuxnet – existem diversos indícios de que esse vírus seja de fato uma “sabotagem” intencionada, a cargo de uma organização poderosa.
“O ataque combina uma quantidade imensa de habilidades”, publicou o analista em seu site há duas semanas. “Isso foi montado por um time com os mais qualificados especialistas, envolvendo expertise específica em controle de sistemas. Isso não é só um hacker sentado no porão da casa dos pais. Para mim, parece que os recursos necessários para realizar esse ataque apontam para um Estado nação”.
Em entrevista exclusiva ao UOL Notícias, Langner confirmou que há elementos para crer que o ataque tenha como alvo a usina nuclear iraniana de Bushehr. “Há meses eu estava esperando que uma coisa como o Stuxnet atingisse Bushehr”, afirmou.
Em seu site, Langner especula que a usina é um alvo importante, sem a proteção proporcional, e que enfrentou problemas técnicos recentemente.
Estamos diante de um possível novo tipo de guerra moderna? “Sim. E muito mais. Iremos presenciar atividades de hackers, crime organizado e ciberterrorismo em uma nova dimensão”, afirmou o analista ao UOL Notícias.
Teoria da conspiração ou ameaça real?
Outras análises de grandes grupos envolvidos com segurança virtual, como a Symantec e a F-Secure, confirmam os elementos apontados por Langner. Todos eles concordam que se trata de uma ameaça complexa, de dimensões inéditas, produzida por uma organização poderosa, e com um objetivo claro. O que nenhum deles sabe é quem foi, ou qual a motivação, o que abre espaço para especulação.
“O que é importante destacar é que se trata de uma evolução nas formas de ataque, nas estratégias de propagação dos vírus”, afirmou ao UOL Notícias o especialista Otávio Luiz Artur, diretor do Instituto de Peritos em Tecnologias Digitais e Telecomunicações (IPDI).
Artur explica que, a partir das análises disponíveis, é possível notar que o Stuxnet foi planejado com o objetivo claro de romper as barreiras de um sistema blindado, ou seja, de um sistema que, por motivos de segurança, tenha o menor contato possível com redes abertas.
“Para esse tipo de ataque funcionar, seria necessária a colaboração de alguém de dentro da organização alvo, alguém que introduzisse a primeira contaminação”, afirmou o analista.
A conexão com um drive USB contaminado, por exemplo, seria suficiente para que o vírus entrasse em operação. Daí para frente, no entanto, um vírus semelhante ao Stuxnet devidamente programado seria capaz de ações 'gravíssimas' em sistemas blindados, alerta o especialista.
“Uma central nuclear tem todo o sistema de controle digitalizado. Uma refinaria de petróleo é toda controlada por computadores. O vírus poderia parar a produção ou destruir aquela refinaria alterando os padrões de sistema”, explica o analista. “Controles de tráfego aéreo, o sistema de controle de um Airbus, tudo isso depende do funcionamento de muitos softwares”.
“Por enquanto, isso é só uma possibilidade. Pode ser uma realidade em um futuro próximo? Pode. É um caminho sem volta. Não sabemos como isso vai operar, mas os governos devem estar preparados para esse tipo de ameaça”, conclui Artur.
Irã prende 'espiões cibernéticos'
O ministro de Inteligência iraniano, Heydar Moslehi, disse hoje que seu país deteve 'um grupo de espiões nucleares' que trabalhavam para atacar as centrais iranianas por meio da internet.
O responsável não detalhou o número de detidos, tampouco onde ocorreu a suposta operação, limitando-se a sugerir que os detidos são ligados 'aos poderes hegemônicos'.
Esta expressão é como as autoridades iranianas costumam referir-se ao Ocidente, em particular aos Estados Unidos, o Reino Unido e a Israel.
'O inimigo criou e enviou um vírus pela internet para atingir as atividades nucleares do Irã', afirmou Moslehi citado pela agência de notícias 'Mehr' e a televisão estatal 'PressTV'.
'Sempre estamos enfrentando essas atividades destrutivas de outras agências (de espionagem), e, naturalmente, detivemos um grupo de espiões nucleares para frear os movimentos do inimigo', acrescentou.
A este respeito, Moslehi insistiu que o Irã possui 'equipes com rapidez suficiente para detectar e resistir aos passos destrutivos dos poderes hegemônicos na internet'.
'Posso garantir que as forças de inteligência têm a experiência necessária e o controle sobre o ciberespaço, e não permitirão que o inimigo se infiltre e danifique os avanços nucleares nacionais', disse.
*Com as agências internacionais
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Dilma não é o diabo « Marcos Guterman
Dilma não é o diabo « Marcos Guterman: "Dilma não é o diabo
por Marcos Guterman
Seção: América Latina
30.setembro.2010 19:19:02
Como costuma acontecer, a campanha eleitoral brasileira chegou a sua reta final cheia de “denúncias” desenhadas para desmoralizar quem está na frente nas pesquisas. Dilma Rousseff está sendo pintada agora como o próprio diabo, graças a seu suposto apoio ao aborto. Há poucos dias, a mulher do tucano José Serra, Mônica, não deixou por menos: “Ela é a favor de matar as criancinhas”.
Em geral, quando estratégias de campanha não funcionam, resta apelar para a criação de fantasmas – um verdadeiro desserviço ao espírito republicano, como aconteceu com Fernando Henrique Cardoso na eleição de 1985, quando foi acusado de ser “ateu”, e com Barack Obama na eleição de 2008, quando foi acusado de não ser nem americano.
Uma coisa é discutir se Dilma tem uma biografia que a qualifique como presidente, se sua passagem pelo governo foi boa ou ruim, se ela sabia e se omitiu sobre os escândalos na Casa Civil. Há gente muito boa que considera a petista excelente ou péssima para o cargo, o que oxigena a democracia.
Outra coisa, muito diferente, é atribuir-lhe qualidades que, verdadeiras ou falsas, servem somente para diminuir-lhe a estatura e para desviar o verdadeiro foco do debate, que deveria ser o futuro do país. No entanto, como eleição é um evento muito menos racional do que deveria, os petistas se preocuparam bastante com a confusão sobre o aborto, temendo perder votos. Lula foi à TV para dizer que Dilma está sendo vítima do “submundo da política” e que sua candidata, como ele, “respeitará a vida”. Dilma, por sua vez, reuniu líderes religiosos cristãos para assegurar que não é a favor do aborto, e obteve em troca um manifesto em que eles repudiam a “boataria cruel e mentirosa” contra a petista.
Finalmente, resta lamentar que um tema tão importante como o aborto seja tratado de forma tão leviana – e isso numa eleição que tem, entre seus três protagonistas, duas mulheres. Feita de forma clandestina no Brasil, a interrupção da gravidez mata 250 mulheres por ano. A maioria das mulheres não aborta por luxo. Ademais, como mulher, Dilma certamente sabe que a proibição é uma forma de controle masculino sobre o corpo feminino. Não é à toa que não havia uma única mulher, além de Dilma, na reunião com os líderes cristãos.
Justamente por se apresentar como “mulher” na campanha, Dilma deveria ter tido mais coragem para enfrentar um problema que diz respeito diretamente a seu gênero. Pelo jeito, porém, as conveniências políticas foram mais importantes e, mesmo que Dilma vença, não será ainda desta vez que as mulheres chegarão de fato ao poder no Brasil.
– Enviado usando a Barra de Ferramentas Google"
por Marcos Guterman
Seção: América Latina
30.setembro.2010 19:19:02
Como costuma acontecer, a campanha eleitoral brasileira chegou a sua reta final cheia de “denúncias” desenhadas para desmoralizar quem está na frente nas pesquisas. Dilma Rousseff está sendo pintada agora como o próprio diabo, graças a seu suposto apoio ao aborto. Há poucos dias, a mulher do tucano José Serra, Mônica, não deixou por menos: “Ela é a favor de matar as criancinhas”.
Em geral, quando estratégias de campanha não funcionam, resta apelar para a criação de fantasmas – um verdadeiro desserviço ao espírito republicano, como aconteceu com Fernando Henrique Cardoso na eleição de 1985, quando foi acusado de ser “ateu”, e com Barack Obama na eleição de 2008, quando foi acusado de não ser nem americano.
Uma coisa é discutir se Dilma tem uma biografia que a qualifique como presidente, se sua passagem pelo governo foi boa ou ruim, se ela sabia e se omitiu sobre os escândalos na Casa Civil. Há gente muito boa que considera a petista excelente ou péssima para o cargo, o que oxigena a democracia.
Outra coisa, muito diferente, é atribuir-lhe qualidades que, verdadeiras ou falsas, servem somente para diminuir-lhe a estatura e para desviar o verdadeiro foco do debate, que deveria ser o futuro do país. No entanto, como eleição é um evento muito menos racional do que deveria, os petistas se preocuparam bastante com a confusão sobre o aborto, temendo perder votos. Lula foi à TV para dizer que Dilma está sendo vítima do “submundo da política” e que sua candidata, como ele, “respeitará a vida”. Dilma, por sua vez, reuniu líderes religiosos cristãos para assegurar que não é a favor do aborto, e obteve em troca um manifesto em que eles repudiam a “boataria cruel e mentirosa” contra a petista.
Finalmente, resta lamentar que um tema tão importante como o aborto seja tratado de forma tão leviana – e isso numa eleição que tem, entre seus três protagonistas, duas mulheres. Feita de forma clandestina no Brasil, a interrupção da gravidez mata 250 mulheres por ano. A maioria das mulheres não aborta por luxo. Ademais, como mulher, Dilma certamente sabe que a proibição é uma forma de controle masculino sobre o corpo feminino. Não é à toa que não havia uma única mulher, além de Dilma, na reunião com os líderes cristãos.
Justamente por se apresentar como “mulher” na campanha, Dilma deveria ter tido mais coragem para enfrentar um problema que diz respeito diretamente a seu gênero. Pelo jeito, porém, as conveniências políticas foram mais importantes e, mesmo que Dilma vença, não será ainda desta vez que as mulheres chegarão de fato ao poder no Brasil.
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Folha de S.Paulo - José Simão: Uau! Debatédio do Tio Bonner! - 02/10/2010
Folha de S.Paulo - José Simão: Uau! Debatédio do Tio Bonner! - 02/10/2010: "E os versos de um poeta de Pernambuco: 'Eleição é apenas o dia marcado/ pra esse povo abestalhado/ escolher a marca de vaselina/ com que vai ser enrabado'. Rarará!
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Folha de S.Paulo - Claudio Weber Abramo: Apesar de vocês - 02/10/2010
Folha de S.Paulo - Claudio Weber Abramo: Apesar de vocês - 02/10/2010: "CLAUDIO WEBER ABRAMO
Apesar de vocês
Versos de Chico Buarque vêm à mente na véspera da eleição; o contexto é outro, mas a evocação faz sentido
FAZ QUASE exatamente 40 anos que Chico Buarque compôs 'Apesar de Você', uma de suas músicas mais marcantes. Avisava os detentores do poder de então que a vida passa e que a escuridão do regime militar um dia se dissiparia.
Os versos vêm à mente nesta véspera de eleição. O contexto é outro, mas a evocação, creio, faz sentido. Não, contudo, na direção esperançosa que inspirava o compositor. E, apresso-me a esclarecer, tampouco desejo fazer alusão ao candidato X ou Y.
'Amanhã há de ser outro dia', prosseguia o refrão de Chico Buarque. O problema está aí. Que amanhã?
A principal disputa eleitoral que se resolverá (é o que a tendência do eleitorado indica) no pleito deste domingo opõe candidatos que, ao longo da campanha, se eximiram de adotar alguma coloração.
Conforme se apontou neste mesmo e em outros espaços, a competição presidencial não se trava sobre concepções diversas a respeito do rumo da sociedade, mas em torno de trivialidades e, no máximo, questiúnculas gerenciais.
A mensagem coletiva que passam ao eleitorado é que vai tudo muito bem -quando basta um olhar ligeiro sobre a sociedade, a economia e as instituições para perceber que as coisas não vão bem de jeito nenhum.
Isso tem pouco ou nada a ver com os oito anos de Lula no poder. Tem a ver com moléstias estruturais que permanecem instaladas com a complacência conjunta de petistas, tucanos, demistas e o que mais venha à mente.
Veja-se, para começar, a qualidade da representação política.
Costuma-se falar em 'partidos de aluguel', pequenas agremiações que estão permanentemente à venda. O epíteto oculta coisa muito mais grave, a saber, aquilo que se poderia denominar de partidos de arrendamento, entre os quais o PMDB é o exemplo mais saliente, embora não único.
Alia-se a qualquer um, e qualquer um se alia a ele, como demonstram as coligações estaduais. O preço, idêntico ao dos partidos de aluguel, são cargos na administração.
Não apenas a representação política deixa de fazer sentido, como o Poder Legislativo deixa na prática de existir. De quebra, não há administração pública que resista ao assalto contumaz praticado pelos agentes políticos.
Olhe-se para o lado do Judiciário, e o que é que se enxerga? Um poder paralisado, perdido em seus próprios meandros e que falha miseravelmente na entrega da justiça.
Como é que esse tipo de tema não aparece numa campanha eleitoral, ainda que lateralmente (é complicado e não sensibiliza marqueteiros, mas mesmo assim)?
Por outro lado, deve-se talvez considerar que a evolução da sociedade moderna induz nas pessoas um acanhamento das perspectivas. Os horizontes vão se estreitando aos limites da existência pessoal ou familiar. A visão de sociedade, de futuro, de aspiração coletiva, desaparece.
Para além desse âmbito, o que parece existir são forças inexoráveis que operam numa esfera situada além da capacidade de compreensão das pessoas. Resta-lhes obedecer, porque, se não obedecerem, serão esmagadas.
Até outro dia.
CLAUDIO WEBER ABRAMO é diretor-executivo da Transparência Brasil
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Apesar de vocês
Versos de Chico Buarque vêm à mente na véspera da eleição; o contexto é outro, mas a evocação faz sentido
FAZ QUASE exatamente 40 anos que Chico Buarque compôs 'Apesar de Você', uma de suas músicas mais marcantes. Avisava os detentores do poder de então que a vida passa e que a escuridão do regime militar um dia se dissiparia.
Os versos vêm à mente nesta véspera de eleição. O contexto é outro, mas a evocação, creio, faz sentido. Não, contudo, na direção esperançosa que inspirava o compositor. E, apresso-me a esclarecer, tampouco desejo fazer alusão ao candidato X ou Y.
'Amanhã há de ser outro dia', prosseguia o refrão de Chico Buarque. O problema está aí. Que amanhã?
A principal disputa eleitoral que se resolverá (é o que a tendência do eleitorado indica) no pleito deste domingo opõe candidatos que, ao longo da campanha, se eximiram de adotar alguma coloração.
Conforme se apontou neste mesmo e em outros espaços, a competição presidencial não se trava sobre concepções diversas a respeito do rumo da sociedade, mas em torno de trivialidades e, no máximo, questiúnculas gerenciais.
A mensagem coletiva que passam ao eleitorado é que vai tudo muito bem -quando basta um olhar ligeiro sobre a sociedade, a economia e as instituições para perceber que as coisas não vão bem de jeito nenhum.
Isso tem pouco ou nada a ver com os oito anos de Lula no poder. Tem a ver com moléstias estruturais que permanecem instaladas com a complacência conjunta de petistas, tucanos, demistas e o que mais venha à mente.
Veja-se, para começar, a qualidade da representação política.
Costuma-se falar em 'partidos de aluguel', pequenas agremiações que estão permanentemente à venda. O epíteto oculta coisa muito mais grave, a saber, aquilo que se poderia denominar de partidos de arrendamento, entre os quais o PMDB é o exemplo mais saliente, embora não único.
Alia-se a qualquer um, e qualquer um se alia a ele, como demonstram as coligações estaduais. O preço, idêntico ao dos partidos de aluguel, são cargos na administração.
Não apenas a representação política deixa de fazer sentido, como o Poder Legislativo deixa na prática de existir. De quebra, não há administração pública que resista ao assalto contumaz praticado pelos agentes políticos.
Olhe-se para o lado do Judiciário, e o que é que se enxerga? Um poder paralisado, perdido em seus próprios meandros e que falha miseravelmente na entrega da justiça.
Como é que esse tipo de tema não aparece numa campanha eleitoral, ainda que lateralmente (é complicado e não sensibiliza marqueteiros, mas mesmo assim)?
Por outro lado, deve-se talvez considerar que a evolução da sociedade moderna induz nas pessoas um acanhamento das perspectivas. Os horizontes vão se estreitando aos limites da existência pessoal ou familiar. A visão de sociedade, de futuro, de aspiração coletiva, desaparece.
Para além desse âmbito, o que parece existir são forças inexoráveis que operam numa esfera situada além da capacidade de compreensão das pessoas. Resta-lhes obedecer, porque, se não obedecerem, serão esmagadas.
Até outro dia.
CLAUDIO WEBER ABRAMO é diretor-executivo da Transparência Brasil
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