domingo, 16 de julho de 2017

Por que não sabemos quantos presos há no Brasil - BBC Brasil

Por que não sabemos quantos presos há no Brasil - BBC Brasil



Por que não sabemos quantos presos há no Brasil


O Brasil tem uma
das maiores populações carcerárias do mundo - e, atualmente, essa é um
dos poucos dados conhecidos sobre o sistema penitenciário brasileiro,
segundo especialistas. Isso porque, desde 2014, o Ministério da Justiça
não divulga informações sobre a população dos presídios no país.
O
Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, o Infopen, que
trazia dados quantitativos (e alguns qualitativos) sobre o sistema foi
criado em 2004 e era divulgado semestralmente. No entanto, desde
dezembro de 2014, não houve qualquer atualização de dados.

A
falta de informações vem à tona em situações como a violenta rebelião no
presídio de Alcaçuz (região metropolitana de Natal). Mesmo seis meses
após o massacre, o número de mortos ainda é incerto, porque as contas
não fecham. O número oficial é de 26 vítimas, mas há 11 presos, segundo o
Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, que estavam no
presídio, mas não constam nem na lista de fugitivos, nem na de mortos e
nem na de transferidos para outras penitenciárias.



"No Rio Grande do Norte foi um diz-que-diz sobre quantidade de
pessoas que morreram. Até hoje, a gente não sabe nem isso. Me lembrou
uma coisa grave da época do massacre do Carandiru, que se fala em 111
pessoas mortas, mas pessoas que costumavam frequentar o presídio com
regularidade falam que tinha muito mais. E a gente não sabe. Uma conta
simples de quantas pessoas tinham, quantas ficaram", disse à BBC Isabel
Figueiredo, ex-diretora da Secretaria Nacional de Segurança Pública de
2011 a 2014 e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Questionado
pela reportagem, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) afirmou
que "as informações solicitadas não estão disponíveis no momento, pois
as mesmas dependem da conclusão do levantamento estatístico
correspondentes aos anos de 2015 e 2016, que ainda se encontra em
andamento".





A BBC Brasil apurou, porém, que os dados dos últimos
dois anos já teriam sido compilados e entregues ao Depen - o órgão, no
entanto, ainda não divulgou as informações atualizadas. O departamento
alega que um novo sistema está em implementação para o acesso aos dados.


"Está em vias de implantação uma ferramenta denominada SISDEPEN,
Sistema de Informações do Departamento Penitenciário Nacional, na qual
será possível o acesso às informações do Sistema Prisional tanto na sua
forma quantitativa, conforme apresentada nos relatórios estatísticos
atuais, como qualitativa, permitindo o cadastro das informações dos
custodiados em caráter individual."

'Tiro no escuro'

Segundo
especialistas ouvidos pela reportagem, os dados do Infopen são
necessários para a criação de políticas públicas para o sistema
penitenciário, e a ausência deles faz com que ações pensadas neste
contexto sejam "um tiro no escuro".

"A gente tem dados muito ruins
da segurança pública no Brasil, tanto do Judiciário, quanto da parte
penitenciária. Mas chama a atenção o retrocesso, porque a gente tinha
regularidade na divulgação desses dados e ela se perdeu", afirmou
Figueiredo.













"E o problema disso é que a gente navega no escuro,
sem saber para onde está indo e com quem está lidando. O Depen estava
numa mudança de método de coleta, mas o sistema estava praticamente
pronto no ano passado já. Houve uma troca de equipe com o impeachment da
presidente Dilma Rousseff, mas essa equipe já está há mais de um ano
aí. Já era para ter mostrado essas informações."

Segundo dados
revelados há três anos, o Brasil tinha a quarta maior população
carcerária do mundo, com mais de 622 mil pessoas em regime de prisão -
sendo que 41% delas ainda aguardavam julgamento. O deficit de vagas do
sistema à época já ultrapassava as 250,3 mil.

Para Valdirene
Daufemback, que foi diretora de políticas penitenciárias do Depen até
novembro do ano passado, "é fundamental ter informações para direcionar
políticas públicas".












"Sem dados, a gestão pública, vai sempre atuar de
maneira reativa, improvisada. As políticas não estão sendo planejadas a
partir de informações fidedignas. Elas estão sendo ordenadas muito mais
por providências que dão uma resposta imediatista, mas que não traz
soluções a médio e longo prazo", afirmou.

Para especialistas, a
falta de dados sobre as penitenciárias do país põe em questionamento, a
eficácia do novo Plano Nacional de Segurança, lançado pelo governo após a
sequência de massacres no início do ano no Norte e Nordeste, e de uma
das principais medidas propostas pelo Ministério da Justiça à época: a
construção de mais presídios.

"Sem ter os dados, você acaba
percebendo o problema só quando está no meio da crise", observou Guaracy
Mingardi, pesquisador em segurança pública, ex-subsecretário Nacional
de segurança pública e ex-secretário de segurança de Guarulhos.

"E
aí falam em construir mais presídio: é disso que gente precisa? Tudo
bem, você parte do princípio que precisa mais, mas de que tipo? Onde?
Qual é o estado mais problemático? Você precisa saber que tipo de preso
você tem para poder alocar melhor o dinheiro, se não, você estará indo
pelo impressionismo."

A ex-diretora do Depen ressalta ainda que,
sem dados atualizados, é difícil avaliar se as políticas e soluções
implementadas têm gerado resultado.

"Nossa resposta às crises têm
sido o encarceramento em massa. Mas o encarceramento em massa tem tido
efeito contrário, não está resolvendo. Só que sem dados, a gente não
consegue ter resposta sobre qual seria a solução para o problema ou
sobre o que já não está mais dando certo", afirmou Daufemback.

Procurado,
o Ministério da Justiça afirmou que a ferramenta SISDEPEN já estava
pronta no final de 2015, mas "não havia instrumento contratual para
colocar o módulo de coletas de dados em ambiente de produção, ou seja,
disponibilizado na internet".

"O Departamento sempre trabalhou
com a expectativa de que o contrato seria assinado ainda no primeiro
semestre de 2016, fato que não aconteceu devido à complexidade de se
negociar um contrato robusto diante da realidade orçamentária do ano de
2016."

"Diante da incerteza, no segundo semestre de 2016, o
Departamento decidiu contratar uma consultoria para que a coleta de
dados fosse realizada, utilizando novamente a plataforma disponibilizada
pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Desta forma, as coletas de
dados de dezembro de 2015 e junho de 2016 foram iniciadas em outubro de
2016. Essas coletas foram realizadas, mas ainda estão em fase de
processamento e análise. De forma concomitante, também estão sendo
feitos relatórios com as análises de dados", disse a pasta.

Custos e implementação do plano nacional

No
fim do ano passado, o governo do presidente Michel Temer anunciou um
repasse de R$ 1,2 bilhão para o sistema penitenciário. Depois, na
primeira semana do ano, diante das rebeliões ocorridas em Manaus, Natal e
Roraima, o então ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, confirmou o
repasse de outro R$ 1,8 bilhão do Fundo Penitenciário para os Estados
ainda no primeiro semestre de 2017.












No entanto, os dados oficiais sobre o custo de cada
preso no Brasil ainda são desconhecidos. Há estimativas do próprio Depen
que falam em R$ 2,4 mil por detento, mas segundo os especialistas, não
são todos os Estados que fornecem essas informações e os critérios para o
cálculo também não são padronizados.

A ex-diretora do Depen
ressalta que, muitas vezes, quando o cálculo é feito, ele acontece de
maneira genérica, pegando o valor repassado à penitenciária e dividindo
isso pelo número de presos. "Não existe um padrão nacional para se fazer
essa conta".

"Pensar numa política pública sem pensar num planejamento orçamentário é muito preocupante", afirmou Valdirene Daufemback.

Os
dados de 2014 mostravam um sistema penitenciário já em crise, abrigando
622.202 mil pessoas, quando as vagas disponíveis nas cadeias
brasileiras não ultrapassavam 371.884. Os especialistas veem que o
número de presos estava em tendência de alta e deve ter aumentado nos
últimos anos.












Ainda assim, para Isabel Figueiredo, o problema do
sistema não está na falta de vagas. "No meu entendimento, eu acho que a
gente tem vaga demais. E preso demais. Essas vagas que seriam mais do
que suficientes, mas a gente prende mais do que seria necessário ou
razoável", afirma, ressaltando que os índices de violência seguem altos,
apesar do aumento de encarcerados.

Para ela, mais do que
recursos, é preciso entender melhor os problemas do sistema para definir
uma melhor estratégia do uso deles. "Como vou pensar na alocação de
recursos se eu não souber a quantidade de pessoas do sistema, qual é o
regime de cumprimento delas, quantas pessoas entram no sistema e quantas
saem por ano, qual é a taxa de reincidência? Porque se a pessoa sai e
volta, é porque o sistema não está sendo efetivo", avaliou.

"Não
dá pra fazer política pública sem conhecer o que ela quer modificar. E
mais grave do que isso é essa lógica de tudo que se responde com pena de
prisão. Não é que se investe pouco no sistema penitenciário, mas se
investe mal. Nos Estados Unidos, hoje se investe em sistema
penitenciário quase 5 vezes mais do que no sistema de educação. E não
deveria ser essa a resposta para o problema."

Segundo o Ministério
da Justiça, em 2017 foi realizado um único repasse para o sistema
penitenciário, de mesmo valor a todos os Estados, mas não esclareceu o
critério usado até o momento.

"A Medida Provisória 781
estabelecerá os critérios para distribuição de recursos aos estados, via
Fundo Penitenciário Nacional para o Fundos Penitenciários estaduais. A
referida MP foi encaminhada para votação pelo Congresso Nacional",
disse o órgão.

domingo, 9 de julho de 2017

O poder econômico

Maurício Abdalla: O poder econômico constrói ou destrói de acordo com sua conveniência - Viomundo - O que você não vê na mídia



Maurício Abdalla: O poder econômico constrói ou destrói de acordo com sua conveniência

08 de junho de 2017 às 18h02









Foto do Culturamix


13 PONTOS PARA EMBASAR QUALQUER ANÁLISE DE CONJUNTURA


O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não
veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é
tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas
metas de maximização dos lucros



por Maurício Abdalla, no Le Monde Diplomatique


1 – O foco do poder não está na política, mas na economia. Quem
comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões
globais e conformações específicas locais.


2 – Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder.


3 – O verdadeiro exercício do poder é invisível. O que vemos, na
verdade, é a construção planejada de uma narrativa fantasiosa com
aparência de realidade para criar a sensação de participação consciente e
cidadã dos que se informam pelos meios de comunicação tradicionais.


4 – Os grandes meios de comunicação não se constituem mais em órgãos
de “imprensa”, ou seja, instituições autônomas, cujo objeto é a notícia,
e que podem ser independentes ou, eventualmente, compradas ou cooptadas
por interesses. Eles são, atualmente, grandes conglomerados econômicos
que também compõem o complexo financeiro-empresarial que comanda o poder
invisível. Portanto, participam do exercício invisível do poder
utilizando seus recursos de formação de consciência e opinião.


5 – Os donos do poder não apoiam partidos ou políticos específicos.
Sua tática é apoiar quem lhes convém e destruir quem lhes estorva. Isso
muda de acordo com a conjuntura. O exercício real do poder não tem
partido e sua única ideologia é a supremacia do mercado e do lucro.


6 – O complexo financeiro-empresarial global pode apostar ora em
Lula, ora em um político do PSDB, ora em Temer, ora em um aventureiro
qualquer da política. E pode destruir qualquer um desses de acordo com
sua conveniência.


7 – Por isso, o exercício do poder no campo subjetivo,
responsabilidade da mídia corporativa, em um momento demoniza Lula, em
outro Dilma, e logo depois Cunha, Temer, Aécio, etc. Tudo faz parte de
um grande jogo estratégico com cuidadosas análises das condições
objetivas e subjetivas da conjuntura.


8 – O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não
veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é
tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas
metas de maximização dos lucros.


9 – Assim, os donos do poder não querem um governo ou outro à toa:
eles querem, na conjuntura atual, a reforma na previdência, o fim das
leis trabalhistas, a manutenção do congelamento do orçamento primário,
os cortes de gastos sociais para o serviço da dívida, as privatizações e
o alívio dos tributos para os mais ricos.


10 – Se a conjuntura indicar que Temer não é o melhor para isso, não
hesitarão em rifá-lo. A única coisa que não querem é que o povo
brasileiro decida sobre o destino de seu país.


11 – Portanto, cada notícia é um lance no jogo. Cada escândalo é um
movimento tático. Analisar a conjuntura não é ler notícia. É especular
sobre a estratégia que justifica cada movimento tático do complexo
financeiro-empresarial (do qual a mídia faz parte), para poder reagir
também de maneira estratégica.


12 – A queda de Temer pode ser uma coisa boa. Mas é um movimento
tático em uma estratégia mais ampla de quem comanda o poder. O que
realmente importa é o que virá depois.


13 – Lembremo-nos: eles são mais espertos. Por isso estão no poder.


*Maurício Abdalla é professor de filosofia na Universidade Federal do Espírito Santo

O Brasil ainda tem chance!

O Brasil ainda tem chance!



O Brasil ainda tem chance!

Essas coisas de astrologia que falam em alinhamentos e conjunturas e relatam casos especiais para determinados eventos!


Que um tal planeta se alinhou de forma raríssima a um ou mais corpos celestes e dali aconteceu um fato raro!


Isso aconteceu agora com o Brasil, só que ao contrário!


Uma conjunção fantásticas de péssimos agentes públicos, empresários e
pessoas se encontraram no Brasil quando LULA ascendeu ao poder em 2003!


Não havia solução para o Brasil em 2002 - os banqueiros e ricaços
sabem disto - iriamos para uma convulsão social, então para salvar seus
negócios deixaram o LULA com aquilo que sabiam ser uma "roubada", que
não fizesse um bom governo, mas ao menos controlasse a "turba"!


E a cada sucesso do torneiro mecânico retorciam de inveja!


Esse torneiro mecânico foi convidado de honra para a casa da Rainha da Inglaterra!


Esses invejosos deviam dizer a si mesmos!


Se um retirante, semi analfabeto, um torneiro mecânico conseguiu -
por que nós, poderosos e cercados do melhor que o dinheiro pode comprar
tanto de bens quanto pessoas - não poderíamos fazer?


Acredito que as leis da natureza, da física imprimem condicionamentos
que a partir disto buscamos "copiar" para a realidade humana...


A lei da gravidade é igual para todos - não se ensina a um filho que
ele pode se jogar do 10 andar de um prédio e sair ileso, quer seja rico
ou pobre!


As doenças, não seu tratamento, não distingue ricos de pobres!


Desta pressão da natureza nasceu a democracia!


Num outro planeta onde cada ser tenha uma "fisica especial" onde cada
um é diferente, talvez nunca venha a existir algo como a democracia!


A democracia - é a lei da natureza aplicada a relação entre governos e os seres humanos!


Não é privilégio de nenhuma nação ou povo - é um caminho!


Outro caminho natural é:


Se seu chefe rouba, é corrupto - ou eja - é do mal -  não há como
fazer com que seus subordinados escolham o caminho do virtuosismo e
passe a trabalhar!


Trocando em miúdos!


Pelo jardim se conhece o jardineiro!


Enquanto ficar arrombada a constituição, não houver a meritocracia
através de eleições justas -  a máquina do governo não funcionará!


Internamente cada funcionário se verá na situação na qual se ele for
integro ele estará trabalhando contra si mesmo e seus familiares, estará
trabalhando contra o pais - contra o povo deste pais - favorecendo o
grupo corrupto que se instalou na direção do governo!


O resultado é perda de eficiência no serviço público e empresas que lesam terceiros!


Só a democracia e a legitimidade numa eleição levará o Brasil para um futuro melhor, qualquer outra coisa será perda.


Então a todos empresários, funcionário públicos, coxinhas e
não-coxinhas, forças armadas, vamos nos unir para democracia e eleições
livres e justas!

O Brasil ainda tem chance!

O Brasil ainda tem chance!



O Brasil ainda tem chance!

Essas coisas de astrologia que falam em alinhamentos e conjunturas e relatam casos especiais para determinados eventos!


Que um tal planeta se alinhou de forma raríssima a um ou mais corpos celestes e dali aconteceu um fato raro!


Isso aconteceu agora com o Brasil, só que ao contrário!


Uma conjunção fantásticas de péssimos agentes públicos, empresários e
pessoas se encontraram no Brasil quando LULA ascendeu ao poder em 2003!


Não havia solução para o Brasil em 2002 - os banqueiros e ricaços
sabem disto - iriamos para uma convulsão social, então para salvar seus
negócios deixaram o LULA com aquilo que sabiam ser uma "roubada", que
não fizesse um bom governo, mas ao menos controlasse a "turba"!


E a cada sucesso do torneiro mecânico retorciam de inveja!


Esse torneiro mecânico foi convidado de honra para a casa da Rainha da Inglaterra!


Esses invejosos deviam dizer a si mesmos!


Se um retirante, semi analfabeto, um torneiro mecânico conseguiu -
por que nós, poderosos e cercados do melhor que o dinheiro pode comprar
tanto de bens quanto pessoas - não poderíamos fazer?


Acredito que as leis da natureza, da física imprimem condicionamentos
que a partir disto buscamos "copiar" para a realidade humana...


A lei da gravidade é igual para todos - não se ensina a um filho que
ele pode se jogar do 10 andar de um prédio e sair ileso, quer seja rico
ou pobre!


As doenças, não seu tratamento, não distingue ricos de pobres!


Desta pressão da natureza nasceu a democracia!


Num outro planeta onde cada ser tenha uma "fisica especial" onde cada
um é diferente, talvez nunca venha a existir algo como a democracia!


A democracia - é a lei da natureza aplicada a relação entre governos e os seres humanos!


Não é privilégio de nenhuma nação ou povo - é um caminho!


Outro caminho natural é:


Se seu chefe rouba, é corrupto - ou eja - é do mal -  não há como
fazer com que seus subordinados escolham o caminho do virtuosismo e
passe a trabalhar!


Trocando em miúdos!


Pelo jardim se conhece o jardineiro!


Enquanto ficar arrombada a constituição, não houver a meritocracia
através de eleições justas -  a máquina do governo não funcionará!


Internamente cada funcionário se verá na situação na qual se ele for
integro ele estará trabalhando contra si mesmo e seus familiares, estará
trabalhando contra o pais - contra o povo deste pais - favorecendo o
grupo corrupto que se instalou na direção do governo!


O resultado é perda de eficiência no serviço público e empresas que lesam terceiros!


Só a democracia e a legitimidade numa eleição levará o Brasil para um futuro melhor, qualquer outra coisa será perda.


Então a todos empresários, funcionário públicos, coxinhas e
não-coxinhas, forças armadas, vamos nos unir para democracia e eleições
livres e justas!

Sobre comportamentos técnicos de heróis e políticos de "inimigos do Brasil"

Métodos da Lava Jato desmoralizam o direito — Conversa Afiada



Métodos da Lava Jato desmoralizam o direito

Aragão: argumentar nunca foi o forte de Janot…









O Conversa Afiada publica texto de Eugênio Aragão, ministro da Justiça do governo Dilma (ela acertou por último...):


Sobre comportamentos técnicos de heróis e políticos de "inimigos do Brasil"


Até há pouco era assim: criticar a Lava-Jato era atitude política,
participar do golpe fingindo que as instituições estavam a funcionar era
técnico. Agora, é difícil definir se ter náuseas e ânsia de vômito é
técnico ou político. O momento é oportuno para produzir clareza sobre a
obtusidade dessa ideológica distinção entre o técnico e o político. É
evidente que o primeiro se subordina ao segundo e acaba tudo por ser
político.

O Ministério Público Federal gosta muito desse jogo de
palavras. Recentemente, em entrevista ao "Estado de São Paulo", seu
chefe foi incisivo: "os que querem frear a Lava Jato são inimigos do Brasil". E concluiu com a pérola: "...não
concordo que existam abusos por parte do Ministério Público. Temos como
ponto basilar da atuação a observância à Constituição Federal e nos
pautamos por ela. Nossa atuação é técnica, apolítica e responsável
".
Tive que ouvir bobagem similar quando, há mais de ano, despedi-me da
amizade de Janot. Mas o tempo não era de risadas. Mais recentemente ouvi
essa mesma troça de seu assistente, o importador xinguelingue da teoria do domínio do fato que foi desmentido por Claus Roxin, o criador da teoria.

Agora dá vontade de apor um "smiley" de gargalhada. Argumentar nunca foi o forte de Rodrigo e nem de seu entourage.
O chefe prefere se gabar, deblaterar, xingar ou fazer piada. E o
entorno aplaude. Ao agasalhar esse velho bordão da atuação técnica que
distinguiria os membros "patrióticos" do MPF dos "inimigos" do outro
lado, o PGR ou é tolinho ou acha que nós o somos.

O direito é um
instrumento de legitimação de decisões. Nem o instrumento e nem a
legitimação em si seguem regras objetivas que correspondam a esforço de
precisão lógica. Decisões não são redutíveis a cálculos sentenciais sem
graves problemas de consistência.

Toda tomada de decisão jurídica
comporta dois ou mais caminhos de legitimação, que, de regra, são
contraditórios. Simplificando, pode-se dizer que um juiz tem que optar
entre a tese do autor e a do réu. Tem a sua disposição um espectro
relativamente largo de alternativas, sempre dentro desse intervalo.
Todas são juridicamente igualmente sustentáveis (e, portanto, ao ver dos
juristas "legítimas"), mesmo que fundamentem pretensões opostas. Dizer
que o réu ou o autor tem razão não é um resultado inexorável, com
precisão da conclusão de um silogismo em Bar-ba-ra! É resultado
de uma escolha que corresponde melhor às convicções subjetivas do
julgador. No fundo, para tudo ficar como está. A única coisa que o juiz é
obrigado a fazer é motivar essa escolha, de modo que possa ao menos ser
criticada e contestada e, com isso, ganhar um brilhozinho de falsa
falseabilidade.

A "técnica" não está na opção, que, quase sempre,
é a priori e política, mas na motivação. Esta trata de travestir de
"exato" um conteúdo que nada tem de exato. Oferece à opção a aparência
de um resultado científico. É só casca, não é essência. É um acessório
apenas e, como tal, tem a mesma natureza do principal. É um instrumento
da política.

E quando operadores perdem a paciência, seja por
náuseas, seja porque o bambu para fabricar flechas está acabando, não
coram ao mandarem a técnica para aquele lugar. Fazem hashtags nos seus perfis de Facebook, lembrando que #2018tachegando
e tornam públicas gravação de Geddel Vieira Lima a chorar para
humilhá-lo. Fazem seus troféus humanos desfilarem algemamos, de Baraço e
pregão pelas ruas da vila. Anunciam à “IstoÉ” a sentença condenatória
contra Lula e dizem que delações contra o PSDB não vêm ao caso. Fazem
estardalhaço com diálogo ilicitamente captado entre Dona Marisa e Fábio,
recheado de linguagem coloquial, só para refratar a imagem da primeira
dama que foi. E depois dizem que sentem náuseas...

Não é sua
"técnica" que faz esses energúmenos melhores. Ledo engano. A técnica
somente lhes penteia a vaidade. E olha que às vezes penso (só penso) que
alguns deles estudaram no exterior não foi direito, mas culinária,
tamanha a gula pelo poder.

Não quero afirmar aqui que a técnica
só é engodo. É, na verdade, como uma chave de fenda. Serve para apertar
parafusos ou para estocar alguém num acesso de raiva. Depende como a
manuseamos, com que índole, com que objetivo político. Se a usarmos para
abraçar e acolher os filhos pródigos que à casa do Pai retornam, está
valendo! Se for para castigar, maltratar, expor e arruinar a esmo e, com
isso, se exaltar com inexistentes virtudes a si mesmo atribuídas, passa
a ser uma arapuca "satânica" (ou será diabólica, que nem a prova
impossível, Senhor PGR?).

Uma boa técnica usada por um operador
politicamente consciente enaltece a Justiça. Legitima a decisão, porque
lhe oferecerá a roupagem em que todos se espelham. Mas isso não funciona
com quem a usa orgulhosamente apenas para se distinguir daqueles que,
sem moral, desqualifica, para lograr apoio de uma sociedade doente pelo
ódio disseminado por instituições e mídia deformadas. Esse é apenas o
caminho mais seguro para desacreditar o direito e seus profissionais,
procuradores lavajateiros ou não. E aí não adiantam as mais pontudas flechas de bambu. Não serão elas que redimirão os vaidosos arqueiros.

sábado, 8 de julho de 2017

Baixos preços fazem empresas tirarem do mercado medicamentos essenciais

Baixos preços fazem empresas tirarem do mercado medicamentos essenciais - 08/07/2017 - Cotidiano - Folha de S.Paulo



Baixos preços fazem empresas tirarem do mercado medicamentos essenciais






Por falta de interesse comercial, laboratórios farmacêuticos têm
retirado do mercado medicamentos antigos e baratos, alguns deles
essenciais e sem substitutos.





Das 1.748 drogas canceladas entre maio de 2014 e junho de 2017, 63%
foram por motivação comercial, segundo levantamento feito pela Folha no site da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).





As outras razões (37%) se referem a mudanças no local de fabricação,
problemas com o princípio ativo da droga, entre outras. Quase um quinto
(17%) dos cancelamentos foi reativado depois.





A indústria deve informar a interrupção à Anvisa com, no mínimo, seis
meses de antecedência –se a droga não tiver substituto, o aviso deve
ocorrer um ano antes.





As farmacêuticas alegam que há defasagem de preços motivada pela
política governamental. Já o governo federal diz que os preços dessas
drogas têm sido revisados.





Na oncologia, há uma grande preocupação com essa situação porque o
atraso do tratamento ou sua interrupção pode acelerar o crescimento do
tumor e reduzir as chances de cura.





Segundo a médica Maria Inez Gadelha, diretora do departamento de atenção
especializada do Ministério da Saúde, muitos pacientes têm ficado
"órfãos" dessas drogas.





"A maioria dessas drogas integra esquemas quimioterápicos que curam o
câncer, enquanto os novos antineoplásicos, em quase sua totalidade, só
tratam paliativamente os doentes", afirma.





Gadelha diz que ao menos 30 medicamentos para o câncer já foram
descontinuados desde 2014 ou correm sério risco de sê-lo, entre eles
para tratamentos de tumores de bexiga, pulmão e leucemias.





"Muitos desses remédios foram desenvolvidos a partir dos anos 1950, não
possuem patente e, por serem baratos, a indústria não tem mais interesse
em produzi-los."





Vera Maria Pinho de Oliveira, 56, já sentiu na pele os efeitos dessa
falta. Ela trata de um linfoma desde 2009 com o medicamento Leukeran.
"Foi o único capaz de manter a doença controlada."





Desde novembro, porém, o medicamento, que custava R$ 38, desapareceu das
farmácias de Belo Horizonte (MG), onde mora. Ela tentou encontrá-lo em
outros Estados, mas não teve sucesso.





Foram seis meses de tentativas até que conseguiu comprar quatro caixas
diretamente do laboratório e recebeu a doação de outras três.





No período em que ficou sem a droga, usou altas doses de corticoide para
controlar a doença. "Tive reação alérgica, ganhei peso, fiquei sem
dormir e precisei tomar outros remédios para controlar esses sintomas",
conta.





A fabricante GSK diz que o desabastecimento foi temporário e comunicado à
Anvisa. E que, em conjunto com a farmacêutica Aspen, a nova fabricante
do Leukeran, trabalha para regularizar a oferta.





PARADOXO





Para Angelo Maiolino, presidente da Associação Brasileira de
Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, os pacientes com câncer
vivem hoje um paradoxo: sofrem dificuldade de acesso a drogas antigas e
baratas, por falta de interesse das farmacêuticas, e também às novas,
por causa do alto custo.





Maiolino cita outro exemplo de droga que sumiu do mercado: o melfalano,
usado para tratar o mieloma múltiplo e essencial no transplante de
medula, teve sua produção interrompida neste ano.





Segundo ele, o remédio não tem substituto e sua falta prejudica o tratamento de muitos pacientes, diminuindo as chances de cura.





"Por mais antiético, absurdo e quase criminoso que seja imaginar a falta
de um medicamento imprescindível, a indústria não é obrigada a
produzi-lo. Nem aqui e nem em outros países", diz.





A droga, também da GSK, parou de ser fabricada no mundo todo e, após
pressão internacional, voltou a ser produzida em janeiro último, mas
ainda há falta.





Maria Inez Gadelha diz que um outro laboratório aguarda autorização da Anvisa para produzir o melfalano.





Para Merula Steagall, presidente da Abrale (Associação Brasileira de
Linfoma e Leucemia), o Ministério da Saúde só age "apagando incêndios".
"Eles precisam prever o desabastecimento e agir de forma preventiva."





O oncologista pediátrico Vicente Odone diz que outra preocupação é a
qualidade das drogas importadas em substituição das tradicionais que são
descontinuadas."O país não têm grandes centros de qualidade de
medicamentos que atestem a segurança e a eficácia do que está vindo."





FARMACÊUTICAS





Os laboratórios farmacêuticas alegam que a interrupção de certos
remédios no país ocorre muitas vezes mais por defasagem de preços
provocada pela política governamental do que por motivo comercial.





"Muitas vezes, as empresas querem fabricar determinados medicamentos,
inclusive essenciais, mas o preço autorizado pelo governo não cobre os
custos de produção", diz Nelson Mussolini, presidente-executivo do
Sindusfarma (sindicato paulista da indústria de produtos farmacêuticos).





Nessas circunstâncias, segundo ele, é do governo, e não da indústria, a
responsabilidade pelo fato de um produto ficar indisponível para o
paciente.





"No Brasil, é o governo que dá a palavra final sobre a oferta de
medicamentos no mercado, ao determinar o preço dos produtos, permitindo
apenas um reajuste anual, também definido pelo governo."





Em nota, a Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa)
lembra que, após o término da patente de um medicamento, surgem
indústrias que passam a fabricar novas versões do medicamento.
"Portanto, quando uma indústria decide descontinuá-lo, não significa
necessariamente que haverá desabastecimento, pois existem versões
similares e genéricas."





A nota diz ainda que a própria decisão pela descontinuidade do
medicamento não significa que a indústria deixará de produzir terapias
contra a mesma doença. "É comum haver medicamentos substituídos por
novas moléculas, capazes de tratar com mais eficácia e segurança as
mesmas enfermidades."





Segundo a Interfarma, em menor número, existem os casos em que
medicamentos únicos, sem versões genéricas, são descontinuados. "Isso
geralmente acontece porque o custo dos insumos aumentou demais ou a
própria fabricante do insumo, fornecedora da indústria farmacêutica,
descontinuou a sua linha de produção, impactando a viabilidade do
produto final."





PREÇOS REVISADOS





O Ministério da Saúde diz que, por meio de medida provisória, já foi
autorizada a revisão do preço de drogas com risco de desabastecimento e
falta de alternativa terapêutica que supra o mercado.





A ação teve efeito prático no abastecimento de penicilina e outros
medicamentos. O ministério diz estar investindo R$ 6,4 bilhões em nova
política de estímulo ao desenvolvimento da indústria nacional.





Foram eleitos 56 itens para parcerias de transferência de tecnologia e
115 para encomendas tecnológicas. Entre os oncológicos que podem ser
descontinuados, dez estão nessa lista prioritária.



sábado, 1 de julho de 2017

Economistas neolibelês dão bye-bye, Brazil!

Economistas neolibelês dão bye-bye, Brazil! — Conversa Afiada



Economistas neolibelês dão bye-bye, Brazil!

Só o que lhes interessa é a taxa real de juro









O Conversa Afiada reproduz notável artigo de Saul Leblon, na Carta Maior:

Bye, bye, Brasil


Economistas de bancos, gente bem sucedida de berço, executivos
prestigiados estão se desfazendo de ativos e participações no país e
rumam para temporadas sabáticas no exterior.

O comboio classe A
reedita no ‘formato pessoa física’ o percurso que o patrimônio, o
chamado dinheiro grosso, sempre fez e continua a fazer.

A explicação para o enfado é a resiliência dos impasses que o golpe tarda a resolver.

Nada contra o golpe, a nonchalance é ... com o Brasil.

O país secularmente marcado por crises recorrentes, desta vez não parece reunir tônus para superar seus gargalos.

Pelo
menos não do ponto de vista descortinado do mirante dos que nunca
sofreram na carne os efeitos dos reveses pátrios, embora sempre tenham
se beneficiado dos ciclos de alta.

Persio Arida, o ex-menino
prodígio do Plano Real, doutor pelo Massachusetts Institute of
Technology (MIT), é um dos que afivela malas em direção ao embarque
internacional.

Carrega na bagagem a tranquilidade financeira de quem presidiu o BNDES no governo do PSDB.

De
lá migrou junto com a então esposa, Elena Landau (que dirigiu o plano
de privatização tucano no mesmo banco) para o Opportunity, de Daniel
Dantas. Ali, o casal de tucanos exerceria a republicana função de
orientar o capital estrangeiro na compra de ações de estatais
privatizáveis.

Arida está se desfazendo também da participação
graúda no conselho do BTG-Pactual, o banco que presidiu quando o
titular, André Esteves, foi preso por corrupção: compra de emendas no
balcão de Eduardo Cunha.


Na juventude nos anos 70, o economista tucano, agora aos 65
anos, militou na resistência armada à ditadura como membro da
VAR-Palmares, a mesma organização da ex-presidenta Dilma Rousseff, da
qual diverge radicalmente hoje.

 
Definindo-se
como um liberal completo, ele deixa para trás as pendências materiais
produzidas por esse choque de ideias para um retiro em Oxford, na
Inglaterra.

 
A partir de setembro
ministrará workshops na Blavatnik School of Goverment aproveitando o
tempo livre para escrever suas memórias.

 
Outro titã do Plano Real, André Lara Resende, já decolou há mais tempo.
 
Foi
viver, pedalar, cavalgar e refletir sobre os impasses brasileiros longe
do objeto em transe. Primeiro, como fellow scholar da Universidade de
Oxford, na Inglaterra, para onde teria levado seus cavalos de corrida a
bordo de aviões fretados; mais recentemente, como morador em Tribeca,
nos EUA, e professor visitante da Columbia.

 
Sugestivamente, Lara Resende também recheou o currículo com uma passagem na presidência do BNDES, sob o governo tucano de FHC.
 
Em 1998 teve que deixar o cargo, ejetado pelo escândalo da privatização da telefonia brasileira.
 
Como
se recorda, gravações envolvendo Fernando Henrique Cardoso e o então
ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, vieram à
tona, então. Num deles, Lara Resende
fala em ‘acionar a bomba atômica’(FHC) para obrigar um fundo ligado ao
setor público a apoiar um consórcio privado interessado nas teles.

 
Os
diálogos demonstraram que o BNDES e o governo como um todo teriam
atingido o ‘limite da responsabilidade’ (frase de Mendonça) nas
articulações com grupos de interesses no rateio de um negócio
milionário.

 
Apesar das suspeitas de favorecimento e enriquecimento ilícito de tucanos graúdos e seus parentes miúdos, Lara Resende foi absolvido nas investigações.
 
O
economista –que já fora sócio de Luiz Carlos Mendonça de Barros na
criação do banco Matrix, em 1993, de sucesso meteórico na era tucana--
está no país para lançar seu terceiro livro.

 
 Intelectual
respeitado como uma das mentes mais inquietas do conservadorismo, ele
inverte a relação convencional que explica a anomalia do juro sideral
praticado aqui como consequência e remédio da inflação alta.

 
A
tese do tucano, que num primeiro momento assustou seus pares do
mercado, é que ‘no Brasil o juro alto virou o indexador de preços do
mercado’.

 
Mas calma, não é uma guinada esquerdista.
 
A aparente heterodoxia converge por linhas tortas ao velho ninho seminal da narrativa conservadora.
 
A origem do juro alto --que indexaria a inflação-- é o déficit público.
 
‘O país é viciado no Estado’, diz o quadro tucano mais admirado por FHC.
 
 ‘O
país gasta mais do que arrecada’, reiterou em entrevista
tranquilizadora para os centuriões competitivos das mesas de operação.

 
A verdadeira inversão causal que seria dizer ‘o país arrecada menos do que gasta’ nunca esteve nas cogitações de Lara Resende.
 
Respiram
aliviados os endinheirados que, segundo Estudos do Senado brasileiro,
auferiram em 2016 cerca de R$ 334 bilhões em lucros e dividendos livres
de qualquer tributação (leia nesta página:
http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Rua-voto-e-politizacao-do-desenvolvimento/38252)

 
A
lógica intocada está na origem de uma crise avaliada por outro bico
longo, José Serra –um dos responsáveis por ela-- como ‘pior que a de
1964’.

 
Desta vez, no entanto, não são os perseguidos políticos que buscam os saguões do embarque internacional.
 
O
movimento, na verdade, tornou-se perceptível porque atingiu, ademais de
pavões e tucanos ilustres, justamente círculos bem postos da classe
média alta, sem falar dos seus filhos, em eterna jeunesse dourée.

 
Fartos
ou indiferentes eles se despedem de uma nação posta de joelhos, para
retiros mais acolhedores, ainda que com menor grau acadêmico.

 
Miami
e Lisboa lideram as preferencias aqui, sendo a capital portuguesa
listada nas apreciações conservadoras, paradoxalmente, pelo bom momento
econômico, social e cultural propiciado por políticas heterodoxas. Obra
da coalizão de esquerda que, sugestivamente, assumiu o poder português
depois do fracasso de um governo austericida.

 
Dados da Receita Federal contabilizam 20.469 Declarações de Saída Definitiva do país só em 2016.
 
O salto é graúdo se comparado às estatísticas do início da década: 8.510 saídas definitivas em 2011, por exemplo.
 
Mais
que a escala, importa ressaltar aquia qualidade da resposta
conservadora a um desmanche que ajudou a semear com afinco, mas de cuja
colheita agora prefere manter-se à distância.

 
São tempos interessantes.
 
Na
letra miúda do descaso elitista com a sorte da nação define-se, por
contraposição, o verdadeiro lastro à pertinência da ideia de Estado,
democracia e desenvolvimento em nosso tempo.

 
Quem
de fato sustenta essa sobrevivência porque dela necessita como a
corrente sanguínea precisa dos músculos cardíacos para não coagular é o
povo brasileiro.

 
A maciça, esférica
maioria de homens, mulheres, idosos, jovens e crianças do país não pode
prescindir desses ‘anacronismos’, no dizer neoliberal, sob pena de se
tornarem eles próprios anacrônicos na fila cada vez mais estreita e
seletiva do ingresso ao estado das artes da civilização.

 
A
indiferença dos de cima complica sobremaneira o acesso dos que dependem
da construção uma república de todos nestes 8,5 milhões de kms2 de
segregação e riquezas desigualmente auferidas.

 
Se
vivo, o coronel Pedro Nunes Tamarindo, protagonista da Guerra dos
Canudos (1896-1897), perfilaria ao lado dos Aridas e Resendes que se
escafedem, a bradar o famoso bordão: ‘É tempo de murici, que cada um
cuide de si’.

 
A evocação à debandada
corresponde ao empoçamento do futuro para a grande Canudos cuja sorte
está atada à superação progressista dos gargalos do desenvolvimento
brasileiro.

 
Da servidão rentista do século XXI ela não se livrará pela lógica de mercado.
 
Pelo menos é o que se pode depreender da estratégia que gestores de fortunas reservam ao pecúlio sob a sua guarda.
 
Luis Stuhlberger, dirigente e estrategista do fundo Verde é um caso ilustrativo de exílio financeiro dentro do próprio país.
 
Ele tem a guarda de algo como R$ 20 bilhões em espécie de ricaços e empresas.
 
Mas
não se dispõe a correr nenhum risco com investimentos de longo prazo,
desses que o país necessita desesperadamente para sair do pântano
recessivo.

 
Sua escolha alinha-se a
lógica dos que batem asas de costas para a encruzilhada nacional,
reduzindo os laços à frequência e intensidade do hotmoney de estadia
curta.

 
 ‘A única coisa que tem no
fundo hoje é uma posição grande --metade do fundo-- em NTN-B com
‘duration’ (prazo médio) curta. De Brasil é isso. Tenho CDI com NTN-B.
Nem diria que é uma aposta (são papéis de autoproteção)’, explica o
estrategista do ‘Verde’, um dos maiores fundos de ‘investimento’ do
país.

 
O exílio do dinheiro grosso na dívida pública é um garrote vil.
 
Para
garantir a remuneração da riqueza privada, que tem na dívida pública a
sua contrapartida de miséria, o mercado, a mídia e a escória política
fizeram uma sublevação e derrubaram uma Presidenta honesta.

 
Substituíram- na por um plantel de achacadores profissionais da política.
 
Agora,
nem o Estado investe em infraestrutura, nem os gestores privados querem
correr o risco, preferindo exortar as tarraxas do arrocho.

 
Câmbio
favorável à exportação, previsibilidade fiscal, taxa de juro civilizada
incluem-se entre os ingredientes da difícil calibragem macroeconômica
de qualquer nação em luta pelo desenvolvimento.

 
Mas
a verdade, a dura verdade, é que não bastam; sobretudo, não brotam
jamais dos ‘impulsos’ do próprio sistema cantado pelos sacerdotes dos
‘mercados racionais’, como mostra o raciocínio dos gestores da riqueza
na hora do aperto.

 
Enfim, a crise econômica atual não se explica nem se resolve nela mesma.
 
Atribuir
a pasmaceira do país exclusivamente aos ‘erros da Dilma’ – ilusão
ruminada inclusive por segmentos à esquerda; ou o cacoete daqueles que
transpirando preconceito de classe acusam o ‘voluntarismo lulopopulista’
de responsável pelos gargalos estruturais de um dos sistemas econômicos
mais injustos da face da terra, são miragens de quem se recusa a
encarar o deserto a transpor e prefere retiros confortáveis enquanto a
guerra civil se arma por aqui.

 
Os riscos decorrentes são enormes.
 
Num extremo encontram-se as saídas voluntaristas, de verbalização tão simples quanto falsa.
 
No
outro, a ‘rendição dos sensatos’, esses que aparentando
responsabilidade descartam irresponsavelmente qualquer alternativa ao
armagedon recessivo exigido pelos mercados.

 
A colonização dos partidos de esquerda por essa lente embaçante de dupla película é uma das tragédias do nosso tempo.
 
'O
ponto importante’, explica o pensador marxista István Mészàros, ‘é que
eles (os mercados capitalistas) vêm praticando orgias financeiras como
resultado de uma crise estrutural do sistema produtivo’.

 
Insista-se: a terra em transe resulta de um traço estrutural do sistema capitalista nos dias que correm.
 
Ou,
na síntese iluminadora de Mészàros: ‘A acumulação de capital não pode
mais funcionar adequadamente no âmbito da economia produtiva’.

 
Seu apetite só se satisfaz na voragem de uma dança financeira descolada da produção.
 
Essa
que capturou o Estado brasileiro para ser a negação da alavanca
permeável ao interesse popular na luta por desenvolvimento e justiça
social.

 
Resulta daí o impasse
protagonizado por endinheirados que nem investem, nem permitem a
tributação da riqueza para que o Estado possa faze-lo.

 
Como
formular e implantar uma política de desenvolvimento focada na
construção de uma democracia social nesse ambiente de beligerância
constitutiva?

 
Como fazê-lo contra um
adversário capacitado a exercer, como de fato exerce pelas prerrogativas
midiáticas e financeiras de que dispõe, seu poder de veto sobre as
urnas, partidos, governos e o discernimento social?

 
O resultado dos desencontros é a crise.
 
Sobra capital especulativo no fundo Verde atado a títulos de ‘duration’ curta, de um lado.
 
De outro, a sociedade carece de infraestrutura, serviços, emprego e renda.
 
No arremate, a retração da atividade reduz ainda mais a margem de ação fiscal do governo.
 
Não
por acaso, o golpe que veio corrigir a ‘gastança’ debate-se em sérias
dificuldades para conter o déficit fiscal dentro da meta de R$ 139
bilhões, dependendo para isso de receitas extras que compensem a
arrecadação aguada pela retração econômica.

 
Sem consertar o motor do desenvolvimento brasileiro o comboio não sairá do atoleiro.
 
Não se trata de uma falha mecânica, porém, mas de um desastre deliberado.
 
Decorridos
53 anos do golpe militar de 1964, quando tentou pela última vez modelar
um país à sua imagem e semelhança, as elites se conformaram em fincar
no endividamento público que tanto criticam seu porto seguro histórico.

 
 Essa escolha custa 7% do PIB ao ano.
 
Juros
e rolagem pagos em detrimento de outras prioridades cuja postergação
gera múltiplos desse custo, conduzindo a espiral do apartheid em curso
nas vísceras da nação.

 
A tolerância
conservadora com quase uma década de políticas progressistas esgotou o
prazo de validade quando ficou claro que a crise de 2008 marcava o
crepúsculo da ordem neoliberal no mundo.

 
 O
comércio internacional cuja expansão feérica, duas vezes maior que a do
PIB global, funcionou como força acomodatícia dos conflitos de classe
secou seu poder lubrificante.

 
A
consequente atrofia da receita fiscal deixou três opções ao passo
seguinte do desenvolvimento brasileiro: I) endividamento público
desestabilizador; II) reformas progressistas com taxação adicional da
riqueza, ou III) um arrocho fiscal drástico.

 
‘O
Brasil gasta mais do que arrecada’ tornou-se o bordão da opção que
partiu para inviabilizar a ação do governo petista, declarando guerra
aberta à Presidenta Dilma Rousseff já na metade final de seu primeiro
governo.

 
 O estopim foi a decisão
presidencial, em 2012, de contornar a saturação do gasto público impondo
ao mercado financeiro uma queda expressiva do juro e do crédito, a
partir dos bancos estatais.

 
A manchete
garrafal do jornal O Globo do dia sete de maio de 2012 trazia como
resposta uma declaração de guerra ao governo: ‘Bancos reagem a Dilma e
não garantem crédito maior’.

 
Em
pronunciamento em horário nobre seis dias antes, no 1º de Maio, a
Presidenta criticara o que chamou de ‘lógica perversa’ do sistema
financeiro.

 
Foi além: qualificou de
‘roubo’ as tarifas cobradas para administrar fundos de investimento e
pediu queda urgente das taxas de juros.

 
Ato contínuo, o Banco do Brasil anunciaria o seu terceiro corte indutor nas linhas de empréstimo.
 
A
resposta do sindicato dos banqueiros (a Febraban) desaguava na
insolência: não garantiria a oferta de crédito pedida pelo governo para
assegurar o crescimento econômico. E espicaçava: ‘Você pode levar um
cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber a água’.

 
Era a ordem unida à greve branca do capital, contra o projeto de desenvolvimento com cidadania para todos.
 
Uma parte da adesão ao lockout explica-se pela existência efetiva desequilíbrios macroeconômicos acumulados desde os anos 90.
 
Um exemplo: o câmbio valorizado.
 
Ademais
de incentivar importações baratas, ele atrofiou a exportação, subtraiu
demanda à indústria local, levou a uma integração desintegradora com as
cadeias globais de suprimento e tecnologia.

 
Em
vez de investir, fabricantes trocaram máquinas por guias de importação.
E se tornaram sócios do endividamento público, aplicando sobras de
capital em títulos, não em capacidade produtiva, empregos ou inovação.

 
As distorções explicam em parte os impasses da industrialização e do desenvolvimento nos dias que correm.
 
Mas não explicam tudo.
 
Quem
vê no capitalismo apenas um sistema econômico, e não a dominação
política intrínseca ao seu funcionamento derrapa no economicismo.

 
Ele subestima aspectos cruciais da encruzilhada atual.
 
Destravar
um novo ciclo de investimento no país envolve –ademais da retificação
de distorções desindustrializantes-- uma disputa para mudar o comando do
sistema financeiro na economia.

 
Que se completa com uma nova relação fiscal do Estado com a riqueza da plutocracia.
 
Essa
que aderiu à ciranda rentista e dela não abdicará espontaneamente,
necessitando ser tangida por instrumentos fiscais e de controle da conta
de capitais --para evitar fuga de recursos e queima de reservas.

 
O que se instalou com o golpe de agosto de 2016 foi o oposto disso.
 
Uma
democracia garroteada, humilhada e tutelada, de um lado, por juízes e
mídia partidarizada; de outro, por uma escória parlamentar a serviço do
mercado, que transformou o Congresso em uma assembleia permanente contra
o povo.

 
O arrocho contido na PEC do
Teto, que congela em termos reais orçamentos de serviços públicos
subfinanciados, como é o caso da saúde, ilustra essa deriva programada
do futuro da sociedade.

 
O banqueiro
Roberto Setúbal explicitou a dissociação elitista com as consequências
dessa engrenagem ao declarar ao jornal Valor Econômico no último sábado
(24/06): ‘O momento é difícil, complexo, bem atrapalhado. Mas a economia
está funcionando; as políticas são corretas, mantendo mais ou menos as
coisas bem equilibradas. Houvesse políticas confusas, o problema seria
maior’.

 
Às favas o fato de o país
rastejar no fundo do precipício com um governo composto de achacadores,
abrigar uma bomba social de 14 milhões de desempregados, ter R$55
bilhões em obras públicas paralisadas e um presidente aprovado por
apenas 7% da sociedade.

 
 Dá para levar, diz o dono do maior banco do país: ‘Houvesse políticas confusas, o problema seria maior’.
 
É tempo de murici, grita igualmente o sujeito oculto do golpe de 2016, o ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso.
 
Diante
de um Brasil em ponto de desmanche, ele atualiza a teoria da
dependência que defendeu como sociólogo nos anos 60 e personificou como
presidente da República nos 90.

 
Agora, dando ao entreguismo uma dimensão salvacionista.
 
‘“O
que puder privatizar, privatiza, porque não tem outro jeito. Essa não é
minha formação cultural, mas não tem mais jeito, ou você realmente
aumenta a dose de privatização, ou você vai ter de novo um assalto ao
Estado pelos setores políticos e corporativos’, disse em declaração
oportunista à imprensa dia 22/06.

 
É
esse Brasil mantido em um formol de iniquidade, congelado fiscalmente
pelo custo de uma dívida contraída junto a quem deveria ser taxado,
decepado de ferramentas estatais indutoras do desenvolvimento que
explica o descrédito popular na política e no futuro, emulado pela
panaceia de um combate à corrupção cuja finalidade principal –que nem
Moro disfarça mais-- consiste em excluir o nome de Lula da cédula de
2018.

 
Titãs do mercado financeiro,
competitivos estrategistas de fundos e bancos são assertivos em dizer
que o futuro vai demorar muito para visitar de novo os trópicos.

 
 A
estagnação secular do mundo ricos, prevista por Larry Summers,
ex-conselheiro econômico de Obama, como resultado de mudanças
estruturais na economia e na sociedade coaguladas pela desordem
neoliberal, chegou antes.

 
E durará
tanto quanto seu cicerone político quiser um conservadorismo que se
protege entre a dívida pública –em títulos de ‘duration’ curta-- e o
aeroporto.

 
Deixa aos da terra o
emprego instável, informal e mal remunerado, característico da
recuperação atual na Europa e nos EUA –aqui replicada a ferro e fogo
pela reforma trabalhista que pretende implodir a CLT.

 
O
engessamento de um Estados endividado e sem espaço para promover
investimentos contracíclicos é outro garrote, cuja cristalização local
representa a própria razão de ser do golpe.

 
A
existência de elevada capacidade ociosa na indústria mundial e chinesa
desautoriza, ao mesmo tempo, expectativas de expansão pela alavanca das
exportações.

 
Sobra o quê?
 
O
saldo desse capitalismo deixado à própria sorte – livre mercado- é o
‘murchamento’ produtivo, coroado por desigualdade crescente, uma
regressão ordinária do trabalho e a tensão social permanente, embebida
em nitroglicerina de marcas variadas: ódio de classe, xenofobia, guerra
de tráfico, racismo, intolerâncias de gênero e outras ressurgências
nazistas.

 
Mas pode ser diferente.
 
O
Brasil tem trunfos com escala e densidade suficientes para ocuparem o
motor de um novo ciclo de expansão industrializante, em sintonia com a
revolução 4.0 que combina biotecnologia, informatização e robótica.

 
A
reciclagem de seu sistema agrícola em práticas e manejos
agro-sustentáveis é um exemplo; outro, o potencial de inovação e de
transição para uma matriz verde contido no desenvolvimento da cadeia do
pre-sal.

 
 O requisito capaz de
interligar esse potencial a um novo ciclo de desenvolvimento é a
soberania na condução de suas possibilidades industrializantes.

 
 Sem isso o futuro se esfarela nas remessas imediatistas das grandes corporações
 
 Como
está planejado para acontecer, graças ao projeto de liberação de terras
aos estrangeiros, por exemplo; e do desmonte do modelo soberano de
partilha do pre-sal.

 
 Retomar os espaços de soberania e planejamento democrático constitui, assim, o requisito de vida ou morte diante desse cerco.
 
Para retirar essa chance do reino das ideias é vital reconhecer que os ciclos históricos tem um começo e tem um fim.
 
Vivemos essa intersecção típica em que o novo ainda não emergiu e o velho já não tem o que propor ao futuro.
 
O golpe é a manifestação mórbida mais explícita dessa encruzilhada.
 
Sacrificar
90% da sociedade para gerar riqueza em benefício de 1% é o que os donos
do dinheiro tem a oferecer ao século XXI brasileiro. Alguns o fazem da
forma mais cínica acenando da escada do avião.

 
 Não
há nada mais importante nesse momento do que organizar a capacitação do
campo progressista para enfrentar a severidade dessa quadra histórica.

 
Ela requer o desassombro político para enxergar na debandada dos ‘entediados’ mais que um traço pitoreco da crise.
 
O auto-exílio financeiro aqui dentro mostra que é muito mais grave que isso.
 
Políticas
de congelamento fiscal da nação em nitrogênio de arrocho por décadas
informam a dimensão totalizante da revoada dos bacanas para remansos
sabáticos no exterior.

 
Definitivamente,
as elites abdicaram das responsabilidades e valores compartilhados que
distinguem um ajuntamento demográfico de uma nação democrática e
inclusiva.

 
Aquilo que nos devora, que
nos faz girar em círculos até a prostração, é a hesitação diante da
tarefa incontornável que essa abdicação cobra.

 
Em
12 anos de governos de centro esquerda foram dados passos efetivos na
construção da nova fronteira de soberania por aqui: aquela calcada na
justiça social e em alianças internacionais progressistas.

 
Descuidou-se,
porém, do indispensável: a contrapartida da organização popular para
sustentar e adicionar avanços a esse percurso.

 
O armagedon penetrou por essa fresta.
 
O
Brasil só retomará seu desenvolvimento se esse erro for retificado sem
hesitação, nem sectarismos, por uma frente democrática e popular que se
proponha, claramente, a assumir a frente da nação e o comando do seu
desenvolvimento.

 
Inclua-se nisso a
disposição de negociar uma repactuação do desenvolvimento com todos os
segmentos empresariais locais e estrangeiros; mas a partir dessa
condição hegemônica organizada e programática.

 
Dotada dos instrumentos democráticos de Estado necessários ao exercício dessa hegemonia.
 
Portanto, não é obra que se possa atribuir a uma liderança ou a um partido isolado.
 
O Brasil necessita urgentemente viabilizar um novo braço coletivo.
 
Que
seja maior do que a soma das partes, capaz de sacudir o torpor da
esquerda, afrontar a soberba da direita, abrir espaço à organização
popular e assim preencher o vácuo de futuro e esperança no qual a elite
pretende asfixiar o destino de mais de 200 milhões de pessoas na oitava
maior economia do planeta.

 
A travessia
requer a força e o consentimento que só podem ser obtidos se a
tendência à fragmentação for substituída pela construção urgente de um
amplo palanque presidencial progressista.

 
Trata-se
de reunir desde já todos os potenciais candidatos das forças
democráticas, populares, socialistas, comunistas e nacionalistas.

 
Para fazer da campanha contra o golpe não o subtexto de uma gincana fratricida.
 
Mas a definição de uma nova referência de credibilidade histórica na vida da sociedade.
 
 Na qual a nação se reconheça.
 
Porque
reúne projeto e densidade organizativa para conduzir a reconciliação de
todos os segmentos sociais interessados no sonho irresistível que é
desfrutar uma verdadeira democracia social em seu próprio lugar e em sua
própria vida.



O discurso da direita, a hioicrisia do STF

"Só Moro prende, só Moro Salva". O discurso da direita, a hipocrisia do STF - TIJOLAÇO



“Só Moro prende, só Moro Salva”. O discurso da direita, a hipicrisia do STF




Post publicado pelo site de extrema-direita da turma do Diego Mainardi:


Só Moro prende os criminosos

Os casos de Aécio Neves e Rodrigo Rocha Loures confirmam aquilo que já se sabia: só Sergio Moro prende os criminosos.

Por isso ele é tão temido pela ORCRIM.

Por isso ele é o homem mais popular do Brasil.
Nada pode ser mais revelador do que é o discurso de direita e a obra da pusilanimidade de nosso Supremo Tribunal Federal.


Permitiu que um juiz de comarca, com prisões a granel e delações
obtidas por este meio fizessem de tudo contra aqueles que não só os
conduziram à toga mas não lhes cobraram, por isso, sabujice.


Nos excessos da Lava Jato ou nas estrepolias de Cunha mantiveram uma “legalidade da ausência” enojante.


O Gilmar Mendes que agora esbraveja contra o “Direito Penal de
Curitiba” é o mesmo que usou gravações ilegais para bloquear a posse de
Lula na Casa Civil, cartada política que poderia ter salvado o mandato
da presidenta que foi eleita.


Outros reduziram o Supremo ao papel de “despachante” de Cunha,
cuidando de dar regularidade formal ao que era uma monstruosidade
jurídica, uma aberração moral e um atentado à democracia.


Abaixaram-se, abaixaram-se até que, como dizia minha avó, algo lhes aparecesse.


Até que, no julgamento desta semana, a posição lhe valesse a dor
íntima de reconhecerem-se  inermes diante do  “julgamento” e da “pena”
negociados pelo Ministério Público, numa usurpação de funções que  os
fazia mais decorativos do que Temer se queixava de ser.


Numa reação aparentemente coordenada, no último dia de funcionamento
da Corte, despejam uma onda tardia de legalismo que beneficia, claro,
Temer e Aécio, PMDB e PSDB, os artífices do golpe.


Na moral vigente, a do “prende e arrebenta”, desmoralizam-se.


Mas expõe Moro à contradição – para a direita, mérito – de prender com motivos muito menos convincentes?


Como explicar que se mantenha preso Antonio Palocci, porque ele tem
“grande influência” e poderia interferir com a Justiça e soltar um
senador da República e presidente de partido essencial e sócio do poder?


Como manter preso João Vaccari, absolvido de uma sentença feroz, em
nome de outra, ainda não examinada, baseada nas mesmas confissões que
foram consideradas insuficientes em um tribunal superior?


A razão é simples e está expressa pela turma do Mainardi: “só Moro prende”.


Ou, alternativamente, como está na Folha, hoje: “Só Bolsonaro mata”.

Nem Brewer nem Rouxin: achamos o Manual da Lava-Jato!

Nem Brewer nem Rouxin: achamos o Manual da Lava-Jato!



Nem Brewer nem Rouxin: achamos o Manual da Lava-Jato!

Roberto Requião















Leio, com frequência, opiniões de juristas,
jornalistas e curiosos sobre a importação de teorias do Direito por
parte de promotores e juízes para acusar e condenar os envolvidos em
denúncias de corrupção, principalmente.


No caso do tal “mensalão”, o único “mensalão” que foi julgado, porque
os outros, os do PSDB e do DEM correm fatalmente para prescrição, por
decurso de prazo ou decurso de idade; no caso do “mensalão” do PT,
dizia, importou-se a esdruxularia da “teoria do fato”.


Importação, diga-se, cuja aplicação ao caso nacional foi duramente
criticada pelo próprio criador da tese, o jurista alemão Claus Roxin.


Nada a ver, disse o teuto.


E daí? Quem estava se importando, notadamente na mídia, no Supremo,
na OAB, no Ministério Público ou no mercado financeiro com a legalidade
da aplicação da teoria?


Afinal o objetivo comum era o de esmagar a cabeça da hidra. Para isso, valia tudo.


Agora, na Lava Jato, os promotores e os juízes que viajam com uma
frequência inquietante aos Estados Unidos trouxeram de lá a tal da
“teoria da abdução das provas”, para supervalorizar as chamadas as
“provas indiciárias”.


Segundo o doutor em Ciência Política e mestre em Direito Rogério
Dultra, da Universidade Federal Fluminense, a Lava Jato importou a dita
tese do professor de Direto de Harvard Scot Brewer, que orientou o
mestrado de Deltan Dallagnol na universidade norte-americana.


Dultra explica que a “teoria da abdução das provas” é na verdade do
filósofo norte-americano Charles Sanders Peirce, tido como o pensador
que estabeleceu as bases da semiótica, ainda no século XIX.


Mas, o que seria a “teoria da abdução das provas”?


Seria o primeiro momento de um processo de inferência, isto é, de
indução ou dedução, que permite, por exemplo, com bases em amostras
estatísticas, efetuar generalizações. Enfim, com tal teoria, formula-se
uma hipótese geral para explicar determinados fatos empíricos.


Dultra acusa tanto o orientador havardiano como o seu aluno
brasileiro de distorcer a teoria de Peirce, como o fez Joaquim Barbosa
com a teoria de Claus Roxin. Enfim, mais uma vez o tal do “jeitinho”
pátrio para ajustar o círculo ao quadrado.


No entanto, estabeleço aqui uma divergência com o professor da
Universidade Federal Fluminense e com outros que buscam em Peirce,
Roxin et allia inspirações para os nossos criativos promotores e juízes.


Na verdade, promotores e juízes iluminam-se nas orientações de um
livro editado em 1484, na Alemanha, ou na região que viria a ser depois a
Alemanha, com a unificação dos principados teutos por Bismarck, no
século XIX.


Antes de declinar o nome do livro, para não suscitar resmungos
precipitados de alguns colegas, vou buscar no documento medieval algumas
orientações. Orientações, sugestões, exemplos e decisões que servem de
manancial, de matriz para a Lava Jato.


Quanto às testemunhas.


Diz o livro que o juiz não deve levar em consideração quando as
testemunhas divergem em seus relatos, pois basta uma única convergência
para considerar os depoimentos verdadeiros, idôneos.


E quando as acusações das testemunhas são graves, é preciso apenas um
mínimo de evidência para que se considere o acusado culpado.
Pouquíssimos argumentos, por si só, já expõem o crime do indiciado,
ensina o manual.


Quer dizer: quanto mais testemunhas arroladas contra o suspeito, e
quanto mais graves as acusações, mesmo que não provadas, mais clara a
culpa do denunciado.


Enfim, esse livro diz que é lícito que se condene o réu apenas com base em testemunhos.


Notórios malfeitores e criminosos são aceitos como testemunhas perfeitamente confiáveis.


As evidências, colhidas nas oitivas das testemunhas, só podem ser
usadas pela promotoria, nunca pela defesa, pois as evidências têm mais
valia em provar uma acusação do que em refutá-la.


Os indícios colhidos contra os acusados por depoimentos prestados por perjuros devem ser considerados como válidos.


Os perjuros, ressalva o manual, não falam por leviandade, nem por
inimizade, tampouco por suborno, e sim pelo mais puro zelo; assim, mesmo
que tenham mentido, que tenham falseado a verdade dos fatos, há de se
considerar válido o seu testemunho.


Tão válido como o de uma pessoa honesta.


Afinal, tamanho é o mal causado pelos réus, face as graves suspeitas
que pesam sobre eles, que qualquer criminoso poderá prestar depoimento
contra os acusados; até mesmo os servos contra os seus amos.


Em algumas circunstâncias, prescreve o manual de 1484, a gravidade
das acusações é tal que a causa deve ser conduzida da maneira mais
simples e mais sumária, sem os argumentos e as contenções dos advogados
de defesa.


 Enfim, a defesa é um atrapalho a ser ou contido ou mesmo eliminado.


Quando o réu nega todas as acusações, o juiz deve levar em conta,
para considera-lo culpado, três condições: a má reputação do réu, tendo
em vista as suspeitas que pesam contra o ele; e evidência dos fatos,
mesmo que não haja provas que os vincule aos réus, e o depoimento das
testemunhas, ainda que perjuras.


Conforme o manual que inspira os promotores e os juízes da Lava Jato,
o simples boato da má reputação do acusado já é suficiente para que o
juiz o processe e condene-o.


 Não são necessários evidências, suposições e muito menos fatos.
Boatos sobre a má reputação do réu já bastam para se abrir o processo,
julgar e condenar o indigitado.


 Boatos, apenas boatos, ainda que maledicentes, são suficientes para se abrir um processo.


 O livro, mesmo ressalvando que um dos doutores da Igreja, Bernardo de Claraval, falava em fato evidente, para determinar a verdade das coisas, diz que basta uma evidência para provar uma acusação.


Assim, o indivíduo indiciado pela evidência dos fatos ou pelo
depoimento de testemunhas, ainda que perjuras, registre-se, quer
confesse o crime ou o negue obstinadamente, será condenado.


 E já que a culpabilidade está, em um caso e noutro,
pré-estabelecida, o livro recomenda que o processo seja conduzido de
forma abreviada e sumária.


 Sem delongas, sem concessão de tempo para a defesa.


 Mais ainda: recomenda expressamente o “confinamento do acusado na
prisão por algum tempo, ou por alguns anos, caso em, que, talvez, depois
de padecer por um ano das misérias do cárcere, venha a confessar os
crimes cometidos”.


Sábios juízes de 1484!


 Sapientíssimos juízes de 2017!


 Os autores do manual, Heinrich Kramer e James Sprenger, advertem
ainda os advogados dos acusados, recomendando moderação, pois do
contrário poderão também ser considerados suspeitos e processados.


Esta é a recomendação: se o advogado defende uma pessoa já suspeita,
torna-se a si próprio um defensor do crime e lança sobre si mesmo não
uma suspeita leve, mas uma greve suspeita, e deverá abjurar publicamente
o pecado cometido por defender um criminoso.


Parece que está aqui a origem de toda a má vontade dos senhores da
Lava Jato para com os advogados de defesa ou com os jornalistas que não
fazem parte do clube exclusivo dos vazadores de notícias.


 A reputação pública do acusado é outro fator que o juiz deve levar em conta, diz o tratado medieval.


O magistrado deve estar atento ao que a opinião pública pensa e
manifesta sobre o suspeito. Se o que a opinião pública pensa não
favorece a reputação do indivíduo, ele pode ser considerado sob forte
suspeita de crime.


 A difamação – seja o cidadão culpado ou não da maledicência – é outro critério para se iniciar um processo.


Os juízes devem partir da premissa que o difamado é, liminarmente,
culpado pelo que lhe imputam. Alguém assim classificado, deverá ser
submetido a interrogatório, à prisão por tempo indeterminado e à
tortura, para que confesse o crime.


No entanto, o manual que até hoje orienta os nossos juízes e
promotores, 533 anos depois de sua primeira edição, pede prudência em
relação às delações que, adverte, não são suficientes em si para uma
condenação, porque o demônio pode tê-las inspirado.


Assim, recomenda, as delações devem ser acompanhadas por outras
condicionantes, como a má reputação do acusado, o depoimento de
testemunhas, ainda que perjuras, e pela evidência dos fatos.


 O livro aconselha ainda que o juiz seja misericordioso. Não com o
réu, mas misericordioso para consigo mesmo e para com o Estado.


 Consigo, por ter que julgar tantos crimes e se expor a tantos
malfeitores; para com o Estado porque tudo o que é feito para a
segurança do Estado é misericordioso.


 Outra questão que merece dos autores do manual longa consideração é a chamada suspeita manifesta.


Dizem eles, não basta o depoimento das testemunhas, não bastam as
evidências e nem basta o fato do acusado já ter sido anteriormente
condenado. E preciso também que haja suspeita manifesta ou grave
suspeita de crime.


Kramer e Sprenger socorrem-se aqui de São Gerônimo, o cenobita e
Doutor da Igreja, para quem a esposa poderá obter o divórcio se houver
forte suspeita de que o seu marido esteja traindo-a. Logo, concluem: a
grave suspeita é suficiente para a condenação do suspeitoso.


 E há, como bem sabem e agem os juízes e promotores da Lava Jato, vários graus de suspeita.


 Há, por exemplo, a suspeita provável. Quer dizer, é
provável que fulano seja suspeito de ter cometido algum crime. Mas essa
suspeita é ainda considerada leve e os que nela incorrem devem provar a
inocência fazendo penitência, redimindo-se da suposta falta.


 Não interessa que a suspeita seja infundada.


Mesmo assim, caso os suspeitos não se submetam à purgação do
hipotético crime, devem ser condenados. De leve, a suspeita gradua-se à
grave.


 Os autores, volta e meia, retornam à questão da má reputação do suspeito como premissa para considera-lo suspeito.


E dizem: ainda que nada for provado contra ele, o fato de ser objeto
de difamação pública é suficiente para a abertura de um processo. E,
acautelam, a difamação não deverá necessariamente provir de pessoas
honestas e respeitáveis; o peso é igual quando a calúnia advém de gente
simples e comum ou de criminosos.


Quer dizer, o simples fato de uma pessoa ser caluniada é suficiente
para ela ser processada. E mesmo que nada se prove, ela deverá ser
condenada a atos de penitência e de reparação. Caso a pessoa repudie a
calúnia e não aceite a purgação, porque é absolutamente inocente,
sofrerá graves sanções.


A retenção de acusados ou suspeitos ou difamados a longos períodos na
prisão deverá servir para que parentes, amigos e pessoas influentes
convençam os indigitados a confessarem seus crimes, prescreve o manual.


 A resistência à confissão será tomada como confissão de culpa; e, no
caso de relutância a confessar, recomendam-se a longa detenção e a
tortura.


 A pessoa inocente, que, quando considerada suspeita de um crime,
confessa o delito para se livrar da pressão do juiz, deve ter cuidado
para não ser considerada novamente suspeita, já que a reincidência na suspeição leva à condenação.


 Uma vez suspeita, vá lá, mas duas vezes suspeita é criminosa na certa.


Muito familiar, não é?


 Ah, sim. A suspeita manifesta ou grave suspeita não admite prova ou defesa. A pessoa é condenada e pronto.


 É uma espécie de domínio do fato avant garde.


 Um dos capítulos finais do livro trata da pessoa que é apanhada, denunciada e condenada.


Culpada de crime pela evidência dos fatos e pelo depoimento de
testemunhas, essas pessoas, firme e constantemente tendem a negar a
responsabilidade, ponderam os autores. Então, insistem os autores, os
juízes devem manter essas pessoas no cárcere, pressionando-as,
empenhando-se ao extremo para induzi-las à confissão.


Segundo eles, o “remédio” é certo, pois não há quem resista ao
isolamento, às ameaças, aos apelos das famílias e ao exemplo de outros
acusados que cederam e confessaram.


 Mas, observam Kramer e Sprenger, caso o condenado seja executado e
depois se descobre que era inocente, ele deve ser imediata e solenemente
absolvido.


 Mas só se for inocente; caso o juiz acredite que o morto tinha culpa, deve, ao contrário, evitar absolvê-lo.


 Por fim, os autores tratam da justeza dos juízes em negar objeções, apelações, recursos.


Vamos à citação: “Feito isso, que se declare o seguinte: assim
agindo, o juiz procedeu devida e justamente, e não se desviou do caminho
da justiça, e de forma alguma molestou indevidamente o apelante.
Todavia, o apelante, alegando objeções mentirosas e falsas, tentou,
mediante uma apelação indevida e injusta, escapar da sentença.


Pelo que sua apelação é frívola e inválida, sem qualquer fundamento,
errada no conteúdo e na forma. E como as leis não reconhecem apelações
frívolas, nem são estas reconhecidas pelo juiz, declara este, portanto,
que não admite e nem pretende admitir a mencionada apelação, nem a
reconhece e nem mesmo se propõe a reconhece-la. E dá esta reposta ao
acusado que faz tal indevida apelação....”


 No ano do Senhor de 1487, a prestigiosa Universidade de Colônia,
Alemanha, com a chancela do Papa Inocente, do imperador Maximiliano, que
ainda ostentava o título de imperador romano do Ocidente, este manual
recebeu o certificado de aprovação.


E, passados 530 anos de tal certificado, continua a ser adotado até
os nossos dias, como o comprovam promotores e juízes da Lava Jato, e até
mesmo alguns ministros de tribunais superiores.


 O manual de orientações é este, o Malleus Maleficarum ou O Martelo das Feiticeiras.


Foi este compêndio que instruiu e guiou a Igreja no combate,
perseguição, tortura e morte de milhares de homens e mulheres, estas
principalmente, acusados de bruxaria e de heresia. E que hoje instrui e
direciona as ações de juízes promotores auto investidos de anjos
vingadores, da espada santa do senhor.


Modus in rebus, senhores do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário.