sábado, 14 de novembro de 2015

O antipetismo em nome de um moralismo de fancaria

O antipetismo em nome de um moralismo de fancaria — CartaCapital



O antipetismo em nome de um moralismo de fancaria

A direita se vale do moralismo da elite financeira que sonega impostos e suborna funcionários públicos





por Roberto Amaral







publicado
13/11/2015 04h59














A tarefa prioritária,
ingente e agônica da esquerda e dos liberais progressistas é esmagar o
ovo da serpente antes que a peçonha contamine por completo o corpo
social, costurando as bases de um Estado reacionário, conservador,
autoritário e, ninguém se engane, protofascista. Assim se vem
modificando o caráter da sociedade brasileira, aos poucos mas sistematicamente.


Ele se manifesta sob as mais variadas facetas, no Parlamento e na vida social.


O antipetismo
em nome de um moralismo de fancaria  – esse que a imprensa e os
partidos de oposição destilam – é apenas uma só de suas máscaras, como o
moralismo é apenas um disfarce. Pois tudo, fatos e criações, são,
tão-só o instrumento de uma tentativa, em marcha desde 2013, ou antes,
de implantação, entre nós, de uma clima de violência que lembra (pelos
efeitos psicossociais) o  fascismo italiano e o nazismo alemão em suas
infâncias, envenenando as entranhas de suas sociedades.


Não caminham, ainda, pelas ruas, os camisas pretas, os grupos
paramilitares quebrando lojas de judeus e espancando homossexuais,
prostitutas, negros e comunistas, mas celerados conspurcam velórios e atacam o Instituto Lula.
Ontem, nos anos da ascensão integralista brasileira, os camisas verdes
das hordas de Plínio Salgado desfilavam impunes até a tentativa de
assassinar o presidente Vargas em um putsch covarde que lembrava e
imitava a primeira tentativa hitlerista de tomada do poder (levante de
Munique, 1924) pelo golpe de força.


Nos idos brasileiros da repressão militar, grupos de aloprados
depredaram no Rio de Janeiro o Teatro Opinião e em São Paulo invadiram
 o Teatro Ruth Escobar durante montagem de “Roda Viva”? Nos estertores
do terrorismo praticaram atentados contra a OAB e a Câmara Municipal do
Rio de Janeiro e tentaram o felizmente frustrado massacre do Riocentro.
São sempre os mesmos, variam os países, variam as datas e os pretextos
mas a ideologia do ódio e a covardia na ação são as mesmas. 



Agora, súcias de ululantes bem nutridos, vestidos ou não com a
camisa da seleção canarinha, tentam, em todo o país, mediante o
amedrontamento físico, interditar, em um hospital da grã-finagem
paulistana, nas ruas, nos bares, nos aviões, nos aeroportos, a livre
circulação de homens de bem como, Guido Mantega, João Pedro Stédile e,
de último, o ministro Patrus Ananias.



Tudo isso está na crônica jornalística. Mesmo em seus momentos mais
acres de disputa política, a direita brasileira jamais havia ousado
tanto e jamais nossas esquerdas haviam recuado tanto, e jamais os
liberais foram tão omissos.


Os primeiros sinais foram dados na abertura dos Jogos Pan-americanos,
no Rio de Janeiro (2007), e replicados em Brasília na abertura da Copa
das Confederações em 2013. A esquerda não quis ver nem ouvir, fez-se de
morta, como se as vaias e as agressões – primeiro a Lula, depois a Dilma
– não lhes dissessem respeito e, assim, silente e inerte permaneceu sem
qualquer tentativa de compreender as jornadas de 2013 – prenúncio as
dificuldades de 2014, que assistiu atônita.

O moralismo da elite financeira
que sonega impostos e suborna funcionários públicos sempre foi a chave
para a conquista da classe média. Dele sempre se valeu a direita, no
Brasil e em todo o mundo.
Assim foi entre nós nos idos de 1954 quando a classe média,
majoritariamente, e setores liberais da sociedade, populares e mesmo o
movimento estudantil, e mesmo setores da esquerda e comunistas sob a
liderança de Pestes, abraçaram  o cantochão da direita  que a todos
mobilizou no pedido de renúncia de Getúlio Vargas, quando o alvo,
encoberto pela denúncia de  um ‘mar de lama’ que jamais existiu, era a
política nacionalista do ditador feito presidente democrata. A história
não se repete, mas há pontos de contato entre dois momentos históricos
tão distintos.


Getúlio também levara a cabo uma campanha presidencial levantando as
teses progressistas do nacionalismo e do trabalhismo, mas, para
executa-las, montara um ministério  reacionário. Era a sua forma de
compor com as elites, especialmente paulistas, que  sempre lhe foram
hostis. Era a velha ilusão da conciliação de classes, que conquistaria
Lula tantos anos passados.


Não deu certo com Getúlio como não daria certo com Lula e não está
dando certo com Dilma. Atacado pela direita, inconformada com a aliança
do trabalhismo com o nacionalismo, viu-se Vargas em 1954  sem o apoio
das massas trabalhistas. Essas só foram às ruas – e foram como turba,
sem vanguarda – depois do suicídio. E, aí, nada mais havia a ser feito.


Naquela altura como hoje, e como nos preparativos de 1964, a imprensa
brasileira, igualmente monolítica e igualmente de forma quase unânime,
servia à saturnal dos ódios que envenenava a opinião publica e deixava
aturdido o povo, mesmo os trabalhadores – então como agora desassistidos
ideologicamente por seus partidos e organizações.


Uma vez mais o governo de centro-esquerda se vê no cume de uma
campanha de descrédito presidida pela imprensa, uma vez mais a partir da
cantilena moralista. Uma vez mais o governo de centro-esquerda se vê
desprotegido no Congresso, onde dominam ora uma oposição ensandecida,
ora uma base parlamentar movida a negócios e negociatas e negocinhos a
cada votação.


Para não dizer que a história se repete, lembremos que os postos
antes ocupados por Carlos Lacerda, Afonso Arinos, Aliomar Baleeiro e
outros de igual calibre é exercido hoje por Paulinho da Força, Jair
Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Eduardo Cunha – o que apenas diz que o
aviltamento da linguagem e dos procedimentos alcançou o mais baixo nível
da República.


Uma vez mais, agora como em 1954, as grandes massas não afluem em defesa de seu governo.


Uma vez mais a moralidade é um mero biombo dos grandes interesses em jogo.


Pois o que está em jogo não é a moralização dos costumes – e quem é
contra? – nem é só a tentativa de assalto  ao mandato legítimo da
presidente Dilma. Não é só a destruição do PT e dos demais partidos de
esquerda, inclusive daqueles que ainda hoje pensam que passarão
incólumes. Não é apenas a destruição de Lula, ainda a maior liderança
popular deste país depois de Vargas.


O que está em jogo são os interesses dos trabalhadores, da economia e
da soberania nacionais, de defesa  ainda mais difícil após eventual
derrocada do atual governo. Adiada – até quando ? – a hipótese do impeachment
clássico, a oposição põe em prática um novo projeto de golpe, contra o
qual nem a base parlamentar do governo – heterogênea e frágil –,  nem
muito menos sua articulação política parecem preparadas para enfrentar.


Trata-se da tática de impedir o governo de governar, e contra
essa artimanha nem mesmo as últimas negociações ministeriais – penosas,
rasteiras, pedestres e nada republicanas – se mostraram eficientes.  E
enquanto o governo não governa e se desgasta perante a opinião pública, a
direita governa, desfazendo, no Congresso ordinário, as grandes
conquistas da Constituição de 1988.


A direita, sob a batuta de Eduardo Cunha, faz sua parte, e dessa
desconstituição conservadora fazem parte o  fim do desarmamento, o fim
da demarcação das terras indígenas (fim dos índios?), o fim dos direitos
sexuais das mulheres, e a quase legalização do estupro,  o fim da
pós-graduação pública gratuita.


Este é o golpe.


A destruição do governo Dilma levará de roldão a política de
prioridade nas compras estatais aos produtos e bens nacionais, levando
consigo, de saída, a indústria naval brasileira. Levará de roldão os
projetos sociais, como o Minha casa, Minha vida; o Luz para Todos; como o Bolsa Família. Mudará a política de reajuste do salário-mínimo e, fundamentalmente, a política de transferência de renda.


Será a renúncia ao pré-sal (já caminha o projeto José Serra), será o
fim de uma política externa autônoma, com a aliança subserviente e
submissa aos interesses dos EUA, será o fim do Mercosul e a retomada da
Alca, nossa recolonização, será um torpedo contra os BRICS e uma ameaça
às experiências de governos independentes na América do Sul. (


Por isso, certa está  a Frente Brasil Popular por entender que os
erros da atual política econômica – agravados pela crise ética que
assolou os governos do PT –  não podem servir de argumento para a
omissão na defesa do mandato da presidente Dilma, ou, dito por outras
palavras, nem a defesa do mandato inviabiliza a crítica à política
econômica, nem a crítica à politica econômica inviabiliza a defesa do
mandato.


Ao contrário, a  defesa do mandato deve ser feita de par com o
combate à política recessiva e esse combate deve ter em vista a
reaglutinação das forças progressistas de esquerda, com objetivo claro,
deter a reação. Para isso é preciso construir uma nova correlação de
forças.

O mito do isolamento do Brasil e as cadeias globais de valor

O mito do isolamento do Brasil e as cadeias globais de valor



Marcelo Zero














O mito do isolamento do Brasil e as cadeias globais de valor







Os conservadores brasileiros têm obsessões
e temas recorrentes. Em política externa, há vários. Mas talvez o mais
renitente seja o relativo ao suposto isolamento do Brasil.


Como Fênix, esse tema costuma ressurgir das cinzas ideológicas de um
livre-cambismo quimérico para assombrar as consciências colonizadas por
medos atávicos de autarquias imaginadas por reais complexos de
inferioridade.


Em passado não muito longínquo, que coincidiu com o início da
hegemonia do pensamento neoliberal no país, falava-se muito na
“globalização” e no grande perigo de o Brasil ficar à margem desse
processo virtuoso, quase magnânimo, que conduziria o mundo a uma era
definitiva e irreversível de modernidade e crescimento para todos.


Na época, nossos liberais nos advertiam que, para aceder a esse brave new world,
tínhamos de abrir a economia à saudável concorrência internacional,
reduzir o tamanho do Estado, privatizar e diminuir consideravelmente
custos trabalhistas, previdenciários e tributários.


Se o fizéssemos, subiríamos ao “bonde” ou ao “trem” da História,
metáfora talvez apropriada à Revolução Industrial, mas fora de lugar e
época em nosso caso.


Caso falhássemos em promover as reformas liberalizantes que nos
incluiriam na “globalização” simétrica e virtuosa, perderíamos o trem da
História, o qual, como o Expresso Polar do filme infantil de Robert
Zemeckis, nos levaria ao mundo encantado do Papai Noel de mãos
invisíveis.


Pois fizemos. Não tudo, porém bastante. Alguns vizinhos, como a
Argentina, fizeram tudo e mais um pouco. Chegaram ao ponto de
estabelecer relaciones carnales com o principal país beneficiário da desinteressada globalização.


Ante tal assimetria relacional, podemos imaginar as posições
assumidas por cada um. E podemos constatar, hoje, que tal estratégia de
integração ingênua à globalização foi um desastre para a Argentina e a
maioria dos países da América do Sul. Não por coincidência, no início
deste século, boa parte desses governos que haviam apostado na
integração incauta e acrítica à globalização assimétrica já tinha sido
substituída por governos mais atentos à realpolitik presente nas relações internacionais. Realidade melhor explicada por Clausewitz; não por Kant.


Contudo, agora ressurge o “trem da História” a apitar de novo a sua
urgência liberalizante na estação Tupiniquim.  É o mesmo trem, com o
mesmo itinerário. Contudo, mudou de nome. Não se chama mais
globalização. Hoje, atende pelo nome mais sofisticado de “cadeias
globais de valor”.


Os hodiernos paleoliberais agora nos advertem que o Brasil estaria
“excluído das cadeias globais de valor”. Mais: nos informam, furiosos,
que os recentes governos brasileiros, com sua política externa
“terceiro-mundista” e “bolivariana”, “isolaram” e “marginalizaram” o
país da comunidade internacional. O Brasil teria se transformado num
pária econômico, comercial e diplomático.


Bem, afirmações peremptórias e dramáticas como essas demandariam, é claro, substancial base fática para sua sustentação.


Não obstante, a solidez da base empírica de tais “teses” parece inversamente proporcional à sua altissonância ideológica.


Por exemplo: seria de se esperar que, nesse período em que o Brasil
foi, em tese, marginalizado e isolado, a nossa participação no comércio
internacional tivesse caído dramaticamente. No entanto, os dados
demonstram exatamente o contrário.


Nos primeiros 11 anos deste século, justamente nesse período de
“nefasto isolamento bolivariano”, a participação das exportações
brasileiras no comércio mundial cresceu de 0,88% para 1,46%, um aumento
de 63%, muito significativo para um período tão curto.


Pode-se argumentar, é óbvio, que esse percentual é ainda muito baixo,
que poderíamos ampliá-lo mais. Mas não se pode afirmar, com bases
nesses dados, que o Brasil foi isolado, no período histórico recente.
Também se pode argumentar que esse período coincide parcialmente com o
ciclo das commodities, que se iniciou realmente em 2005. Porém, se o
Brasil estivesse marginalizado, como se alega, não poderia ter
aproveitado tão bem esse ciclo.


Da mesma forma, não se pode alegar que a diminuição recente da
participação Brasil no comércio internacional, que caiu para 1,3% em
2014, é fruto de um suposto isolamento. Isso é clara consequência do
recrudescimento da crise e do fim do ciclo das commodities.


Também seria de se esperar que, nesse período de suposta
autarquização ideológica, os investidores estrangeiros tivessem fugido
deste nosso perigoso país terceiro-mundista.


Curiosamente, as informações da UNCTAD, agência especializada da ONU
dedicada ao comércio e ao desenvolvimento, demonstram o inverso. Segundo
os relatórios dessa agência, insuspeita de bolivarianismo, em 2012,
2013 e 2014, o Brasil foi, respectivamente, o 4º, o 5º e novamente o 5º
país receptor de investimentos estrangeiros diretos. Como um país
“isolado e marginalizado” consegue tamanha façanha, em meio à crise
internacional que vem reduzindo os fluxos globais de investimentos,
escapa à nossa compreensão.


É possível, contudo, que os arautos do novo trem da História estejam
se referindo a uma suposta marginalização política e diplomática, mais
que a um isolamento comercial e econômico.


Não obstante, também nesse caso temos dificuldades em encontrar a base fática para tal “tese”.


Desde 2003, o Brasil abriu 44 novas embaixadas em todos os
continentes do mundo, demonstrando, desse modo, indiscutível disposição
para o “isolamento e a marginalização”. Concomitantemente, entre 2003 e
2012 Brasília recebeu 30 novas embaixadas, se colocando, naquele último
ano, como a 13ª capital do mundo em número de missões diplomáticas
estrangeiras. Hoje, essa colocação de Brasília já deve ser bem superior,
pois em 2012 havia 13 novas embaixadas na fila para a instalação em
nossa capital.


Temos dificuldades em entender como esses dados se coadunam com o
suposto processo de “isolamento” e “marginalização” do Brasil.
Dificuldades compartilhadas também pelo presidente Obama. Com efeito,
por ocasião da recente visita de Dilma Rousseff aos EUA, jornalista
brasileira, certamente imbuída da crença no isolamento do Brasil,
afirmou que aquele país nos considerava mera potência regional. Foi
corrigida, com firmeza, pelo próprio Obama, o qual afirmou que os EUA
hoje consideram o Brasil potência mundial, que contribui positivamente
para a solução de problemas globais.


Tal status jamais havia sido alcançado e reconhecido nos governos que
apostaram na integração acrítica à globalização assimétrica.  Nada mal
para um país “marginalizado” e para um governo “bolivariano”.


Na realidade, nesse período de suposto isolamento, o Brasil deu um
salto de qualidade em seu protagonismo internacional. Hoje, nosso país é
ator internacional de primeira linha, interlocutor necessário e
respeitado em todos os foros globais. E nosso monoglota líder Lula tem,
sem dúvida nenhuma, muito mais prestígio internacional que os poliglotas
que o antecederam.


O Brasil nunca esteve, de fato, isolado e marginalizado. Nunca fomos
um país autárquico. O Brasil foi criado pelas “caravelas da História”.
Foi construído pelos fluxos internacionais de comércio, desde a época do
pau-brasil. Sempre fomos, em maior ou menor grau, integrados e
dependentes.


Mas, então, com base em que os críticos dos governos supostamente
“bolivarianos e terceiro-mundistas” afirmam que o Brasil estaria
isolado? Simples: o Brasil estaria isolado e marginalizado porque não
assinou, nesse período, muitos acordos de livre comércio.


Ora, em primeiro lugar, isso é apenas uma meia verdade. O Brasil,
quer bilateralmente, quer via Mercosul, já assinou, em período recente,
10 acordos de livre comércio, em âmbito regional, e 5 outros acordos, em
âmbito extrarregional.


Por certo, esses acordos extrarregionais não são substantivos, embora
o Brasil e o Mercosul estejam se esforçando para fechar um amplo acordo
com a União Europeia, que resiste a abrir seu mercado agrícola e
insiste numa abertura irrestrita do nosso mercado industrial e em novas
regras para serviços, compras governamentais e propriedade intelectual.
Mas é certo também que os acordos regionais são importantes e
substanciais. Em razão deles, até 2019 toda América do Sul será uma
grande área de livre comércio.


Muito embora o novo entusiasmo com o velho trem da História desdenhe
dessa “integração cucaracha”, é preciso considerar que ela é de enorme
relevância estratégica para o Brasil, especialmente para nossa
indústria. No período 2011-2014, a Associação Latino-Americana de
Integração (ALADI) absorveu mais exportações brasileiras de
manufaturados que todos os países desenvolvidos somados.


Ademais, essa integração e esses acordos regionais são importantes
também para a nossa participação nas tais cadeias globais de produção. Isso porque elas não são realmente globais. A bem da verdade, as evidências empíricas mostram que elas são claramente regionalizadas.  


De fato, não existem grandes cadeias globais de produção, simétrica e
harmoniosamente distribuídas pelo planeta. O que há, na realidade, são
grandes cadeias regionais, hierarquizadas e centradas em países líderes.


Há a “fábrica da América do Norte”, liderada incontestavelmente pelos
EUA; a “fábrica Europa”, liderada, sobretudo, pela Alemanha; e a
“fábrica da Ásia”, liderada mais intensamente pela China e, de forma
hoje secundária, também pelo Japão.


Nessas grandes “fábricas” predomina a agregação de valor em nível
regional e doméstico. Estudo feito por economistas do BID, intitulado
“As Cadeias Globais de Valor são Realmente Globais?”[1]
demonstra que na Europa, Ásia-Pacífico e América do Norte a
contribuição intrarregional para o valor agregado estrangeiro é de 51%,
47% e 43%, superando, com sobras todas as fontes extrarregionais.
Ademais, o valor agregado estrangeiro, somando todas as fontes, mal
chega a 30%, na maioria do casos. Especificamente nos EUA, o conteúdo de
valor doméstico agregado às exportações chega a 89%, de acordo com a
OCDE. Contudo, na América Latina, a contribuição de outra região (no
caso, a América do Norte) na agregação de valor é superior à
contribuição da própria região.


Essas grandes fábricas, além de serem regionalizadas, competem muitas
vezes entre si. Os recentes acordos do TPP e do TTIP refletem
movimentos estratégicos que visam limitar ao crescimento da fábrica da
China, a qual por sua vez, lançou contraofensiva, na forma de seu
próprio acordo, o RCEP.


O que tudo isso demonstra?


Demonstra que, para os países que pretendem ter alguma base
industrial, os elementos regional e nacional são vitais, bem mais
importantes que a inserção em inexistentes cadeias “globais”, simétricas
e harmônicas de produção e valor.


Assim sendo, deve-se perguntar qual a melhor estratégia que o Brasil
poderia seguir: abandonar a união aduaneira do MERCOSUL e assinar
celeremente, com as grandes economias do mundo, acordos de livre
comércio de “recente geração’, com novas regras sobre serviços,
concorrência, propriedade intelectual, etc.; ou investir na integração
regional e tentar construir, em escala evidentemente mais modesta, uma
fábrica “América do Sul”, liderada pela indústria brasileira?


Países da América Latina, como México, que apostaram na integração
panglossiana a um inexistente globalismo econômico, apresentam, hoje,
resultados muito ruins, principalmente no que refere à sua capacidade de
gerar inovação tecnológica e agregar valor substancial às cadeias
regionalizadas. Especificamente no México, o valor doméstico acrescido
às exportações de manufaturas mal chega a 34%[2]. O México subiu no trem da História no vagão da segunda classe.


Melhor seria, portanto, reconstruir estrategicamente o Mercosul e a
integração regional, buscando inserir-nos de forma mais competitiva e
soberana no cenário mundial e agregando substancial valor doméstico e
regional às nossas exportações.


Para isso, no entanto, é necessário enfrentar, em definitivo, aquele
fator concreto que realmente nos “isola”, notadamente isola a nossa
indústria, da economia mundial: o câmbio.


Afinal, é impossível comprar a passagem no “trem da História” com
câmbio sobrevalorizado, mesmo assinando todos os acordos de livre
comércio existentes. Principalmente assinando todos os acordos de livre
comércio existentes.




[1] Antoni Estevadeordal, Juan Blyde e Kati Suominen, “As Cadeias Globais de Valor são Realmente Globais?”, RBCE, nº 115.


[2] “Estimating Foreign Value-added in Mexico’s Manufacturing”, Justino De La Cruz, Robert B. Koopman


Zhi Wang e Shang-Jin Wei, OFFICE OF ECONOMICS WORKING PAPER, U.S. INTERNATIONAL TRADE COMMISSION, 2011.


Opinião: Rede Globo, a "TV irrealidade" que ilude o Brasil

Opinião: Rede Globo, a "TV irrealidade" que ilude o Brasil - Notícias - UOL Notícias



Opinião: Rede Globo, a "TV irrealidade" que ilude o Brasil

Vanessa Barbara*
Em São Paulo

Gigante da mídia cativa os telespectadores com novelas vazias e comentários ineptos no noticiário. 




No ano passado, a revista "The Economist" publicou um artigo sobre a
Rede Globo, a maior emissora do Brasil. Ela relatou que "91 milhões de
pessoas, pouco menos da metade da população, a assistem todo dia: o tipo
de audiência que, nos Estados Unidos, só se tem uma vez por ano, e
apenas para a emissora detentora dos direitos naquele ano de transmitir a
partida do Super Bowl, a final do futebol americano".

Esse
número pode parecer exagerado, mas basta andar por uma quadra para que
pareça conservador. Em todo lugar aonde vou há um televisor ligado,
geralmente na Globo, e todo mundo a está assistindo hipnoticamente.


Sem causar surpresa, um estudo de 2011 apoiado pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que o percentual de lares
com um aparelho de televisão em 2011 (96,9) era maior do que o
percentual de lares com um refrigerador (95,8) e que 64% tinham mais de
um televisor. Outros pesquisadores relataram que os brasileiros assistem
em média quatro horas e 31 minutos de TV por dia útil, e quatro horas e
14 minutos nos fins de semana; 73% assistem TV todo dia e apenas 4%
nunca assistem televisão regularmente (eu sou uma destes últimos).


Entre eles, a Globo é ubíqua. Apesar de sua audiência estar em declínio
há décadas, sua fatia ainda é de cerca de 34%. Sua concorrente mais
próxima, a Record, tem 15%.

Assim, o que essa presença
onipenetrante significa? Em um país onde a educação deixa a desejar (a
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico classificou o
Brasil recentemente em 60º lugar entre 76 países em desempenho médio nos
testes internacionais de avaliação de estudantes), implica que um
conjunto de valores e pontos de vista sociais é amplamente
compartilhado. Além disso, por ser a maior empresa de mídia da América
Latina, a Globo pode exercer influência considerável sobre nossa
política.

Um exemplo: há dois anos, em um leve pedido de
desculpas, o grupo Globo confessou ter apoiado a ditadura militar do
Brasil entre 1964 e 1985. "À luz da História, contudo", o grupo disse,
"não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um
erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do
período que decorreram desse desacerto original".

Com esses
riscos em mente, e em nome do bom jornalismo, eu assisti a um dia
inteiro de programação da Globo em uma terça-feira recente, para ver o
que podia aprender sobre os valores e ideias que ela promove.

A
primeira coisa que a maioria das pessoas assiste toda manhã é o
noticiário local, depois o noticiário nacional. A partir desses, é
possível inferir que não há nada mais importante na vida do que o clima e
o trânsito. O fato de nossa presidente, Dilma Rousseff, enfrentar um
sério risco de impeachment e que seu principal oponente político,
Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, está sendo investigado por
receber propina, recebe menos tempo no ar do que os detalhes dos
congestionamentos. Esses boletins são atualizados pelo menos seis vezes
por dia, com os âncoras conversando amigavelmente, como tias velhas na
hora do chá, sobre o calor ou a chuva.

A partir dos talk shows
matinais e outros programas, eu aprendi que o segredo da vida é ser
famoso, rico, vagamente religioso e "do bem". Todo mundo no ar ama todo
mundo e sorri o tempo todo. Histórias maravilhosas foram contadas de
pessoas com deficiência que tiveram a força de vontade para serem
bem-sucedidas em seus empregos. Especialistas e celebridades discutiam
isso e outros assuntos com notável superficialidade.

Eu decidi
pular os programas da tarde –a maioria reprises de novelas e filmes de
Hollywood– e ir direto ao noticiário do horário nobre.

Há dez
anos, um âncora da Globo, William Bonner, comparou o telespectador médio
do noticiário "Jornal Nacional" a Homer Simpson –incapaz de entender
notícias complexas. Pelo que vi, esse padrão ainda se aplica. Um
segmento sobre a escassez de água em São Paulo, por exemplo, foi
destacado por um repórter, presente no jardim zoológico local, que disse
ironicamente "É possível ver a expressão preocupada do leão com a crise
da água".

Assistir à Globo significa se acostumar a chavões e
fórmulas cansadas: muitos textos de notícias incluem pequenos
trocadilhos no final ou uma futilidade dita por um transeunte. "Dunga
disse que gosta de sorrir", disse um repórter sobre o técnico da seleção
brasileira. Com frequência, alguns poucos segundos são dedicados a
notícias perturbadoras, como a revelação de que São Paulo manteria dados
operacionais sobre a gestão de águas do Estado em segredo por 25 anos,
enquanto minutos inteiros são gastos em assuntos como "o resgate de um
homem que se afogava causa espanto e surpresa em uma pequena cidade".


O restante da noite foi preenchido com novelas, a partir das quais se
pode aprender que as mulheres sempre usam maquiagem pesada, brincos
enormes, unhas esmaltadas, saias justas, salto alto e cabelo liso. (Com
base nisso, acho que não sou uma mulher.) As personagens femininas são
boas ou ruins, mas unanimemente magras. Elas lutam umas com as outras
pelos homens. Seu propósito supremo na vida é vestir um vestido de
noiva, dar à luz a um bebê loiro ou aparecer na televisão, ou todas as
opções anteriores. Pessoas normais têm mordomos em suas casas, que são
visitadas por encanadores atraentes que seduzem donas de casa
entediadas.

Duas das três atuais novelas falam sobre favelas,
mas há pouca semelhança com a realidade. Politicamente, elas têm uma
inclinação conservadora. "A Regra do Jogo", por exemplo, tem um
personagem que, em um episódio, alega ser um advogado de direitos
humanos que trabalha para a Anistia Internacional visando contrabandear
para dentro dos presídios materiais para fabricação de bombas para os
presos. A organização de defesa se queixou publicamente disso, acusando a
Globo de tentar difamar os trabalhadores de direitos humanos por todo o
Brasil.

Apesar do nível técnico elevado da produção, as
novelas foram dolorosas de assistir, com suas altas doses de
preconceito, melodrama, diálogo ruim e clichês.

Mas elas
tiveram seu efeito. Ao final do dia, eu me senti menos preocupada com a
crise da água ou com a possibilidade de outro golpe militar –assim como o
leão apático e as mulheres vazias das novelas.

*(Vanessa Barbara é uma colunista do jornal "O Estado de São Paulo" e editora do site literário "A Hortaliça".)

domingo, 8 de novembro de 2015

dois pesos e duas medidas fhc e lula

dois pesos e duas medidas fhc e lula



Coisa do Estadão em comatoso estado
dois pesos e duas medidas fhc e lula

Jatos desiguais

Jatos desiguais - 08/11/2015 - Janio de Freitas - Colunistas - Folha de S.Paulo



Jatos desiguais






Uma busca preliminar no que sucedeu desde a "Operação Juízo Final",
criada há um ano para a prisão de dirigentes de empreiteiras, faz mais
do que surpreender. E, dadas as indagações que suscita, clama por uma
reflexão sobre as características não difundidas da Lava Jato e seus
efeitos presentes e futuros.





Menos de uma semana depois daquela decisão que elevou o juiz Sergio Moro
às culminâncias do prestígio, dava-se outro fato determinante na Lava
Jato. Ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco assinava, em 19 de
novembro, o acordo de delação premiada. Sua advogada era Beatriz Catta
Preta, que mais tarde abandonaria os seus clientes, invocando ameaças
recebidas. Ela e um batalhão de 14 procuradores e delegados da Polícia
Federal assinaram o acordo.





Catta Preta já conduzira acordo semelhante para Julio Camargo. Sem
vínculo com a Petrobras, esse lobista chegou a uma posição de destaque
no noticiário da Lava Jato a partir da confissão de que ganhou muito
dinheiro fazendo, em transações com dirigentes da estatal, a
intermediação para as contratações da coreana Samsung e da japonesa
Mitsui.





Mas Barusco foi o mais prolífico. Aqui mesmo, e quando seu nome mal fora
citado, saiu a informação de que era o mais temido não só pelos já
implicados, por estar com a vida pendente de um câncer. Foi dele a
promessa de devolver quase U$ 100 milhões. Dinheiro de suborno recebido
das maiores empreiteiras brasileiras. Mas não só. Além do que recebeu
como gerente da Petrobras, depois Barusco foi subornado como diretor de
uma empresa, a Sete Brasil, constituída para a produção de sondas
destinadas ao pré-sal. Os estaleiros Jurong e Keppel Fels, de Cingapura,
lhe pagaram alto pela obtenção e pelo valor das respectivas
contratações.





Para não ficar só nas empreiteiras do Brasil e em grupos asiáticos, uma
subornadora europeia enfeita a lista: um dos mais recentes delatores
premiados, João Antonio Bernardi, descreveu subornos milionários de
dirigentes da Petrobras para a contratação da italiana Saipem.





Decorrido um ano da Juízo Final, Ricardo Pessoa, dono da UTC, foi o mais
noticiado dos dirigentes de empreiteiras brasileiras presos pela PF,
com suas idas e vindas em torno da delação premiada. Dentre esses
executivos, já há condenados a penas altas, como Sergio Mendes, da
Mendes Júnior, com recente sentença de 19 anos. Em síntese, quem dentre
eles não se dobrou à delação premiada, ou já está condenado, ou aguarda
sentença em processo criminal por corrupção ativa, via suborno —e outras
possíveis acusações em cada caso.





Nenhum dos dirigentes das empresas estrangeiras que pagaram suborno foi
preso. Nem teve sua casa visitada pela PF para busca e apreensão de
documentos. Nenhum está ou foi submetido a processo por suborno. Só os
intermediários passaram por busca e apreensão. Como nos crimes de morte
em que o matador e o intermediário são presos, mas o mandante não é
incomodado. O Brasil conhece bem este tipo de critério.





As empreiteiras brasileiras acusadas de prática de suborno estão
proibidas de firmar contrato com a Petrobras. O que tem implicações
múltiplas também para a própria Petrobras.





As empresas estrangeiras Jurong, Keppel Fels, Saipem, Samsung e Mitsui
não receberam visitas policiais para busca e apreensão nas filiais que
todas têm no Brasil. Nem sofreram medida alguma por serem, como as
brasileiras, acionadoras de corrupção e pagadoras de subornos. E
continuam liberadas para fazer contratos com a Petrobras.





A diferenciação de tratamentos suscita inúmeras indagações, das quais a
primeira pode ser esta: o objetivo da Lava Jato, e tudo o que a partir
daí se irradia para o país todo, não era a corrupção, e só a corrupção?

Ah, sim, uma das cinco estrangeiras praticantes de corrupção, a Mitsui,
ficou liberada para se tornar até sócia da Petrobras na Gaspetro. É o
que acaba de fazer.



Globo confessa antes de ser condenada — Conversa Afiada

Globo confessa antes de ser condenada — Conversa Afiada



Globo confessa antes de ser condenada

























publicado
08/11/2015














Errar, erra sempre. E só desmente porque Lula foi à Justiça!
página do globo

A primeira página inútil do Globo - que só sobrevive porque a TV Globo o sustenta - traz nesse domingo 08/11 essa preciosidade.

O Globo confessa que mentiu quando seu notável colonista - egresso do detrito sólido de maré baixa - estreou com a "informação" de que um dos 23.098 delatores de Guantánamo tinha citado o Lulinha, filho do Lula.

Mentira.

Lula entrou com um dos processos que decidiu mover contra "os corruptos que me chamam de corrupto", como ele diz.

O colonista
chegou ao Globo - mais um, porque o Globo tem mais colonistas que o
Moro tem delatores - precedido de uma campanha publicitária que só se
compara à chegada Beyoncé ao The Voice Brasil.

Como se o Messi viesse para o Flamengo.

Como se o Walter Cronkite substituísse o William Bonner.

Era a ultima bolacha do pacote.

(Quem sabe da vida dele é o Nassif, que conhece o detrito sólido de maré baixa em suas entranhas e cavernas.)

Taí.

O Globo vai ter que engolir essa colona e ele.

E ele vai ficar pendurado nessa mentira, por toda a sua gloriosa carreira no Globo.

Já, já, ele vai para a GloboNews, concorrer com as fanhas da CBN.

Em tempo: o direito de resposta do Requião não é a Ley de Medios, mas já deixa o PiG aflito.. Cacete não é santo mas faz milagre...

Paulo Henrique Amorim

O tamanho da humanidade

O tamanho da humanidade | Congresso em Foco



O tamanho da humanidade

“É diante de tantos números que fico
a pensar em Vercors, segundo quem ‘a humanidade não é um estado a que
se ascenda – é uma dignidade que se conquista’. Pois é: seria a raça
humana dotada de humanidade?”















Dia desses vi um cálculo curioso. Alguém teve a ideia de
imaginar que todo o planeta fosse apenas uma pequena aldeia com exatos
100 habitantes, mantidas, porém, todas as proporções e escalas que regem
nossa realidade.


Logo de cara alguns números curiosos se apresentaram. Assim, nesta
aldeia haveria 57 asiáticos, 21 europeus, 8 africanos e 4 americanos –
algo que dá o que pensar em termos de projeções econômicas, mercado
consumidor, etc.


Nesta pequena aldeia 70% dos habitantes não seriam brancos, 30%
seriam cristãos e 89% heterossexuais. É curioso constatar que diante dos
números subitamente a realidade mundial parece algo diversa daquela que
testemunhamos diariamente em nossa cidade.


De toda a população desta aldeia, ou seja, 100 pessoas, apenas 6
possuiriam 59% de toda a riqueza – todas elas norte-americanas. Enquanto
isso, 80 habitantes viveriam na mais triste miséria, em condições
degradantes. Inclusive, 50 pessoas – a metade – sofreriam de
desnutrição.


Destes 100 habitantes 70 não conseguiriam ler, e apenas um teria
educação de nível superior – parece incrível, mas apenas um teria
frequentado uma universidade! Complemento esta informação com uma outra,
não menos chocante: nesta aldeia haveria apenas um proprietário de
computador. Sim, em plena “era da tecnologia e da informação” apenas um
habitante disporia de um computador pessoal.


Estes são números absolutamente simples, mas que retratam um quadro
deplorável sobre a raça humana em termos de solidariedade, de piedade e
até mesmo de inteligência.


Mas prossigamos nesta viagem pelos números, agora indo de encontro à
sua realidade em comparação com a da população mundial. Assim, se você
nunca sofreu os horrores de uma guerra e nunca foi torturado, comemore o
fato de estar em situação melhor que a de nada menos que 500 milhões de
semelhantes seus.


Outro número chocante: se você pode ir a uma igreja orar sem receio
de ser humilhado, preso, torturado ou morto, agradeça a Deus, pois sua
situação é mais digna que a de três bilhões de seres humanos.


Você tem comida na geladeira? Roupa no armário? Um teto sobre sua
cabeça? Então alegre-se, pois sua riqueza é maior que a de 75% da
população deste planeta. E, se você tem algum dinheiro no banco ou
moedas em um daqueles cofrinhos em formato de porquinho, celebre
duplamente, pois já está entre os 8% mais ricos do mundo.


Sua vida é um calvário por conta da seca? Você sofre os horrores da
desertificação e da sede? Se a resposta for negativa, isto significa que
você está livre de um infortúnio que flagela a vida de um bilhão de
seres humanos em cerca de 100 países em pleno “planeta água”.


Você tem um simples banheiro à disposição? Então agradeça, pois 2,5
bilhões de semelhantes nossos não contam com algo tão básico. Você bebe
água tratada? Se a resposta for positiva, lembre-se de que 1,4 bilhão de
pessoas bebem água suja até hoje – assim, aproveite cada gole.


Finalmente, parabéns por estar lendo este texto – imagine que dois
bilhões de semelhantes nossos não conseguiriam fazê-lo, vítimas de uma
taxa de analfabetismo incompatível com este início de milênio.


É diante de tantos números que fico a pensar em Vercors, segundo quem
“a humanidade não é um estado a que se ascenda – é uma dignidade que se
conquista”. E em Jane Howard, quando dizia que “civilização é um método
de viver, uma atitude de respeito igual por todos os homens”. Pois é:
seria a raça humana dotada de humanidade?

sábado, 7 de novembro de 2015

Em crise, Veja não segura seus reacionários | Brasil 24/7

Em crise, Veja não segura seus reacionários | Brasil 24/7









247 - A revista
Veja demitiu nesta sexta-feira (6) a apresentadora do seu canal de
vídeos (a TVeja), Joice Hasselmann. Esta é a terceira demissão de
comentaristas e blogueiros direitistas só neste semestre. Antes dela, os
blogueiros Rodrigo Constantino e Ricardo Setti já haviam sido
desligados. Mais recentemente, Caio Blinder, colunista do site em Nova
York, foi também despachado.


Joice foi denunciada por 65 plágios de veículos como Gazeta do Povo,
Bem Paraná e G1 pelo Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas do
Paraná (Sindijor-PR), que comprovou a cópia dos conteúdos. Ela tinha
amplo espaço no canal de vídeos, mas vinha perdendo espaço desde a
denúncia (aqui).


Rodrigo Constantino é um entre vários discípulos do ultraconservador
Olavo de Carvalho que foram colocados no site da revista nos últimos
tempos. Sua demissão não sinaliza uma mudança na linha editorial de
direita da Veja. Confirma, apenas, que as coisas estão realmente ruins
para a Abril. Pouco tempo atrás, a Veja não conseguiu segurar um de seus
mais conhecidos jornalistas, Lauro Jardim, da seção Radar. Lauro foi
para O Globo.


Pouco depois de sair da revista, Constantino atacou a publicação Ele
não gostou de ler em Veja um editoral contra mudanças no Estatuto do
Desarmamento. Então, ele disse que a revista aderiu “a teses da
esquerda” e terá “morte horrível”.


É óbvio que a Veja não chegou nem perto de qualquer tese da esquerda.
Mas em uma coisa o Constantino pode ter razão: a publicação caminha
para uma "morte horrível".


2015 tem sido um ano particularmente difícil para a publicação. Suas
versões regionais de Belo Horizonte e de Brasília foram canceladas. No
primeiro semestre, foram 49 demissões (lembre aqui).


O encolhimento de Veja é a última etapa do enfraquecimento da Editora
Abril, que já teve metade do seu imponente prédio devolvido, várias
revistas descontinuadas e seu braço educacional, a Abril Educação,
vendido (aqui).


Abaixo análise do jornalista Paulo Nogueira, do DCM, sobre o declínio da Veja no campo jornalístico:


A Veja não chegou a este grau de miséria jornalística expressa no caso Romário de repente.


Foi uma longa jornada.


O marco zero foi a substituição, no final dos anos 1990, de Mario Sergio Conti por Tales Alvarenga na direção da redação.


Ali, Roberto Civita deixou claro que era ele que iria editar a revista.


Foi uma ocupação de espaço progressiva. O primeiro diretor da Veja, Mino Carta, tinha carta branca.


Em seu contrato, estava acertado que os Civitas só comentariam a revista depois que ela chegasse às bancas.


Era um acerto que refletia o espírito do patriarca da Abril, Victor
Civita, à época no comando, mas não o de seu filho e herdeiro, Roberto.


VC não competia com seus editores: era apenas um empreendedor. Jamais
se teve na conta de editor, ou jornalista, e muito menos um
intelectual.


Com VC já se despedindo das funções executivas da Abril, Roberto pressionou pela saída de Mino.


Queria mais espaço. E teve.


O segundo diretor da Veja, José Roberto Guzzo, representou a entrada de Roberto nas decisões editoriais da Veja.


Era impensável um contrato nos moldes do de Mino.


Eu era um jovem repórter quando entrei na Veja, em 1980, no início da Era Guzzo.


Já houvera uma transferência efetiva de poder, mas as aparências eram mantidas.


RC raramente aparecia na redação. Nas noites de quinta, véspera do
fechamento, Guzzo descia da redação no sétimo andar do prédio da
Marginal do Tietê e ia para o sexto, onde ficava a sala de RC.


Ali, despachavam. Quase sempre Guzzo estava acompanhado de seu adjunto, Elio Gaspari, jornalista marcante na Veja de então.


Uma alteração de forte caráter simbólico veio na Carta do Editor. Mino, desde o início, a assinava com as iniciais MC.


Com sua saída, Guzzo passou a assiná-la com JRG. Em suas férias de
janeiro, você encontrava as iniciais EG na carta. Era Elio Gaspari.


Não demorou muito e as iniciais desapareceram. A carta deixou de ser assinada, embora Guzzo a escrevesse.


Era uma mensagem. Nela, estava a opinião da Abril, e não dos diretores de redação da Veja.


Mesmo sem os poderes de Mino, Guzzo ainda tinha mais autonomia do que RC desejava.


Guzzo, nos anos 1980, levou a Veja rumo a quase 1 milhão de
exemplares. Mas mesmo assim quando ele disse a Roberto que gostaria de
sair da direção este não opôs resistência nenhuma.


“Ele logo gostou”, me disse, anos depois, um diretor da Abril que
participou da sucessão de Guzzo. “Depois de alguns minutos, o Roberto
perguntou ao Guzzo quando ele gostaria de sair.”


Mario Sergio Conti, o sucessor de Guzzo, deveria ser um passo a mais na tomada de poder por RC.


Mas, no meio do caminho, aconteceu o caso Collor.


Conti se deixou inebriar. Achou que ele tinha derrubado Collor.
Passou a se comportar como uma celebridade jornalística, e isso não
estava no programa de RC.


O prédio todo comentou um dia em que RC, durante o caso Collor, foi
com amigos à sala de Conti para mostrar “seus meninos” em ação.


Conti falava ao telefone com Claudio Humberto, fonte na história, e
fez um sinal rápido para que RC e comitiva esperassem do lado de fora da
sala enquanto ele estivesse ao telefone.


Roberto não se livrara de Mino e deixara sair Guzzo para enfrentar esse tipo de embaraço na frente de amigos.


De resto, a Abril, embora grande, era pequena demais para dois derrubadores de presidente.


Conti estava tão liquidado quanto Collor.


O sucessor de Conti, Tales Alvarenga, um apagado editor de carreira
que subiu na hierarquia por inércia, significou um novo e enorme passo
para que Roberto reinasse sem contraponto na Veja.


Tive um papel nesta sucessão. Na época, eu era diretor de redação da
Exame. Durante um ano, em segredo, um pequeno grupo liderado por RC
discutiu quem substituiria Conti.


Começaram com vinte nomes, e chegaram a dois, finalmente. Marcos Sá
Corrêa e eu. Num encontro num hotel em Portugal (a Abril tinha montado
uma editora lá) o grupo chegou a um nome. O meu.


Quando Conti soube que era eu, vazou para os editores da Veja. Foi um tumulto na redação.


Eu liderara um processo de renovação na Exame, e a velha guarda da Veja temia que eu pudesse mexer nela.


Tales Alvarenga, então adjunto de Conti, decidiu se demitir. Ele
marcou uma conversa com RC na qual entrou demissionário e saiu diretor.


Roberto percebeu, ali, que Tales, um burocrata pouco brilhante, faria tudo que ele gostaria sem opor nenhum tipo de sombra.


Eu era uma incógnita para RC, neste sentido. Poderia ser controlado?
Não era esta exatamente minha fama na Abril, a de um cordeiro.


Tales fez, como diretor, o que RC esperava. O papel do diretor de redação da Veja ficou ainda menor.


De Mino a Guzzo, de Guzzo a Conti, de Conti a Tales, o diretor foi progressivamente minguando.


O apogeu deste processo se deu quando Tales, já perto dos 60 anos e
desgastado fisicamente por muitos anos de entrega desvairada à Veja, foi
substituído.


O novo diretor, Eurípedes Alcântara, foi a etapa definitiva para a dominação de Roberto.


Ainda hoje no cargo, Eurípedes se prestou basicamente a transformar
em capas, títulos, textos e legendas as determinações do patrão.


Roberto já passava a se apresentar publicamente como “editor” da Veja.


Seu sonho se realizara na plenitude, enfim, depois de um longo percurso.


Esta era a boa notícia.


A má é que Roberto jamais foi um jornalista, um editor. Era filho do
dono, e ponto. Não sabia escrever, não sabia editar um texto, não sabia
fazer uma legenda, não sabia fazer uma chamada de capa. Era um sujeito
pessoalmente encantador, mas confuso e detalhista, e isso se refletiu em
seu desempenho como empresário e como editor.


Sem contraponto de editores profissionais, a falta de noção de Roberto se esparramou pelas páginas da Veja.


Quando as limitações editoriais de RC se somaram a seu ódio por Lula, a Veja virou o que é hoje.


Numa aberração histórica, a revista publicou um dossiê que atribuía conta no exterior a Lula, como agora no caso de Romário.


No meio do texto, estava escrito que a revista não conseguira “nem confirmar e nem desmentir”. Mesmo assim, publicou.


Outro dia, ao ler o rumor de que a Abril estava prestes a pedir
recuperação judicial, brinquei com a turma do DCM. “Só faltava a gente
publicar isso dizendo que não conseguíramos confirmar ou desmentir.”


Mas é claro que esse tipo de coisa não faz parte de nossos valores editoriais. Era apenas uma piada.


Mas para a Veja tal procedimento tem sido uma realidade, com preço
tenebroso para as vítimas dos assassinatos de reputação empreendidos
pela revista.


Tinha que dar no caso Romário.


A destruição da cultura editorial da Veja não poderia se limitar ao
PT e a Lula. Ela acabou se espalhando, como um câncer, por toda a
revista.


Quando um redator-chefe manda que escrevam uma crítica laudatória de
várias páginas sobre seu romance, é porque só sobraram ruínas
editoriais. (O autor desse atentado contra a decência, Mario Sabino,
levou sua cultura jornalística para o site Antagonista, que edita ao
lado de Mainardi, outro símbolo da Veja desgovernada.)


A diferença, agora, é que o falso extrato de Romário foi parar na polícia e na Justiça da Suíça.


No Brasil, não aconteceria nada. Apesar das provas coletadas por Romário, a Veja continuou a agredi-lo.


Uma matéria na edição impressa que está nas bancas afirmou, no título: “A conta não fecha, Peixe.”


Blogueiros como Augusto Nunes e Felipe Moura Brasil também investiram contra Romário pouco antes do pedido de desculpa.


É possível agora, com o caso chegando à Suíça, que os donos da Abril
comecem enfim a se preocupar com o passivo jurídico de uma revista sem o
menor compromisso com a apuração dos fatos.


Não existe, a rigor, surpresa na história. Você poderia perguntar:
por que a Veja não perguntou para o banco se Romário tinha mesmo uma
conta? Foi o que ele mesmo, Romário, fez.


Mas não.


Este tipo de cuidado básico no jornalismo foi exterminado por Roberto
Civita – com a contribuição milionária de Eurípides Alcântara.

Os R$ 975 mil do iFHC são agulha no palheiro tucano

Os R$ 975 mil do iFHC são agulha no palheiro tucano



Os R$ 975 mil do iFHC são agulha no palheiro tucano







O aspecto
mais interessante na revelação do contrato de R$ 975 000 entre a
Odebrecht e o Instituto Fernando Henrique Cardoso reside no próprio
vazamento.



Pudemos saber que entre dezembro de
2011 e dezembro de 2012, o Instituto de Fernando Henrique recebeu R$ 75
000 durante dez meses e uma contribuição de R$ 150 000 da empresa de
Marcelo Odebrecht.



Também pudemos tomar conhecimento de
uma instrutiva troca de e-mails entre uma funcionária da Brasken – uma
das empresas do grupo – e o IFHC. Negociando o pagamento de uma palestra
de Fernando Henrique, que acabou cancelada, uma funcionária esclareceu
que “há duas maneiras de se fazer "a doação": uma "doação direta", que
geraria um recibo, ou "a elaboração de um contrato, porém não podemos
citar que a prestação de serviço será uma palestra do presidente".



Logo depois que uma das empresas de
Luis Claudio Lula da Silva ter sido alvo de uma operação de busca e
apreensão, FHC disse que Lula precisa “esclarecer” acusações que têm
sido veiculadas contra ele.



O contrato de R$ 975 000 e o e mail
com a historinha sobre o pagamento de uma palestra ajuda a colocar algum
realismo na discussão que o país tem feito na última década.



Mostram que ambos viveram e
frequentaram um mesmo universo, um mundo “opaco”, como gosta de dizer o
filósofo José Arthur Gianotti, amigo de FHC desde os anos 1960.



Estamos falando do não-transparente,
do obscuro, sustentado por uma hipocrisia de conveniência, que tenta
convencer o país inteiro que não é preciso discutir política, nem
diferenças entre pobres e ricos, nem necessidades diversas e até opostas
– mas uma caricatura de mocinhos e bandidos, ou intelectuais
sofisticados e sindicalistas aproveitadores ou, porque  é aí que eles
querem chegar, entre ricos educados e pobres sem instrução.



Na realidade, os R$ 975 000 são uma
agulha num imenso palheiro que as autoridades não investigam, não
apuram. A Polícia Federal só chegou a esses dados porque foi investigar a
Odebrecht durante o governo Lula e, tchan, tchan, tchan... apareceram
as contribuições para o Instituto de Fernando Henrique. Assim, por
acaso. Quem sabe por azar. Certamente por azar.



Imagino -- isso é pura ficção meus
amigos, um minuto de comédia no sábado a tarde -- a reação de policiais 
que em 2014 fizeram campanha feroz contra Dilma e Lula pela internet no
momento em que apareceram essas revelações. " Putz!," disse um. "Meu
Deus, o que será de nós," disse outro. Um terceiro olha para os céus,
mãos na cabeça.  



Em 2002, quando  Fernando Henrique
montou o IFHC, a bolada inicial foi oferecida por um grupo de
empresários amigos, reunidos no Alvorada para um jantar. Detalhe:
naquele momento,  FHC ainda não deixara o Planalto. A caneta
presidencial ainda estava em seu poder. Mesmo assim, o baronato
entregou, com alguma chiadeira pelo volume necessário para cada doação
individual, um total de R$ 7 milhões. O caso causou um certo
constrangimento naquele momento, levando o repórter Gerson Camarotti, da
Época, perguntar ao procurador Rodrigo Janot -- que 12 anos depois se
tornaria procurador-geral da República -- se ele via alguma coisa de
errada nos pedidos de doação. Janot respondeu que não. Alegou que,
naquele momento, FHC cuidava de seu futuro, fora da presidência.
Esclareceu que seus compromissos eram diferentes, pois se tratavam de um
cidadão privado. O caso seria diferente se estivesse no exercício da
presidência.



 


No mesmo palheiro se encontram o
metroduto de São Paulo, as privatizações, o esquema de compra de votos
que permitiu a reeleição de FHC, o mensalão PSDB-MG. 



Mesmo o dinheiro das empresas que
operam com a Petrobras só é propina quando se dirige a partidos que
apoiam o governo Lula-Dilma. É moeda patriótica quando vai para seus
adversários.



A investigação sobre o Instituto
Lula, como sabemos todos, ajuda a mostrar que alguns brasileiros tem
direito a vida privada -- e outros não. É mais um ensinamento no
palheiro.



Sempre se pode perguntar, numa
operação dirigida por delegados reconhecidamente simpáticos ao PSDB se o
vazamento de R$ 975 000 é um recado a seus protetores políticos, num
momento em que sua atuação é questionada em vários aspectos, a começar
pelos grampos ilegais na carceragem de Curitiba. Há uma relação entre
uma coisa e outra?



De vez quando desse mundo encantado, do silêncio absoluto, acaba vazando alguma coisa. Foi o que aconteceu.  

Odebrecht doou R$ 975 mil ao Instituto FHC

Odebrecht doou R$ 975 mil ao Instituto FHC em um ano, diz PF - 06/11/2015 - Poder - Folha de S.Paulo



Odebrecht doou R$ 975 mil ao Instituto FHC em um ano, diz PF












Um laudo da Polícia Federal anexado nesta sexta-feira (6) a uma das
investigações sobre a construtora Odebrecht na Operação Lava Jato
identificou pagamentos de R$ 975 mil ao Instituto FHC, do ex-presidente
tucano Fernando Henrique Cardoso.





É a primeira vez que são divulgados valores de doações da Odebrecht ao
instituto do ex-presidente, que mantém as finanças da instituição sob
sigilo.





O laudo, porém, não diz se há suspeitas de irregularidades nesses
pagamentos da construtora, cujo presidente Marcelo Odebrecht atualmente se encontra preso. Não há, porém, detalhes sobre a razão dos pagamentos.





De acordo com o documento, foi levado em conta para o levantamento das
informações a quebra de sigilo da Odebrecht entre 2004 e 2014.





O documento aponta a ocorrência de doações mensais de R$ 75 mil entre
dezembro de 2011 e dezembro de 2012. O laudo classifica as
transferências ao Instituto FHC como "pagamentos a ex-agentes
políticos".





Além disso, a PF encontrou uma troca de e-mails entre uma funcionária do
Instituto FHC e um representante da Braskem negociando a contratação de
FHC para uma palestra, que acabou sendo cancelada.





Em uma das mensagens, a funcionária diz à Braskem que há duas maneiras
de se fazer "a doação": uma "doação direta", que geraria um recibo, ou
"a elaboração de um contrato, porém não podemos citar que a prestação de
serviço será uma palestra do presidente".





A PF também contabilizou doações de R$ 3,9 milhões da Odebrecht ao
Instituto Lula e à empresa do ex-presidente entre 2011 e 2014. Os
pagamentos à organização do ex-presidente petista, porém, já haviam sido
revelados anteriormente.





A Folha entrou em contato com a assessoria do Instituto FHC na
noite desta sexta, mas não obteve resposta. Em entrevista anterior, FHC
já declarou não ver problema em doações de empresas investigadas na Lava
Jato ao instituto e que os pagamentos não têm a ver com política.





Em nota, a Odebrecht afirmou: "A CNO fez contribuições pontuais ao
Instituto FHC, dentro do seu programa de apoio às iniciativas que ajudam
a fortalecer as democracias. Apoiamos também iniciativas de outros
institutos no Brasil e no exterior, sempre que possuam ligação direta
com as posições institucionais da Odebrecht".



quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Como punir os criminosos da Lava Jato sem destruir as empresas — CartaCapital

Como punir os criminosos da Lava Jato sem destruir as empresas — CartaCapital



Como punir os criminosos da Lava Jato sem destruir as empresas

Um livro discute o futuro de companhias que representam cerca de 15% de todo o investimento nacional





por Carlos Drummond







publicado
04/11/2015 04h59













Tânia Rêgo / Agência Brasil


ANP

Protesto durante a 13ª rodada de
licitações de petróleo e gás da Agência Nacional do Petróleo, em
outubro: a cadeia produtiva sente os efeitos da corrupção


É possível salvar as 29 construtoras brasileiras fornecedoras da Petrobras envolvidas na Lava Jato sem prejuízo das investigações criminais em curso?


O fato de comporem a cadeia produtiva de óleo e gás, responsável por
10% do Produto Interno Bruto e 15% por cento de todo o investimento do
País, justifica a preocupação com o seu resgate, ainda mais depois da projeção de variação negativa de 3% do PIB
neste ano. Importantes fornecedoras do Estado, se forem condenadas pela
Justiça não poderão mais firmar contratos com o poder público e muitas
deverão quebrar. As construtoras implicadas na Lava Jato são também as
principais empresas de infraestrutura do País e as maiores exportadoras
de serviços de engenharia. A sua falência arrastaria segmentos
produtivos inteiros e fecharia milhares de empregos.


Mas há uma saída legal para punir os criminosos sem impor profundos danos à economia, mostra o livro Um plano de ação para o salvamento do projeto nacional de infraestrutura, dos advogados Walfrido Jorge Warde Júnior, Gilberto Bercovici e José Francisco Siqueira Neto.


A proposta inclui um acordo público-privado em que as empresas paguem
integralmente as indenizações e multas pelos prejuízos causados à
Petrobras e à União com a entrega ao Estado das suas ações em projetos
de licitações em que saíram vencedoras, a exemplo da produção de sondas
para prospecção de petróleo, usinas e aeroportos.


As ações não ficarão com o Estado, pois em seguida a União e à
Petrobrás as venderão em leilão no mercado de capitais e o dinheiro
obtido servirá para cobrir os prejuízos provocados pela corrupção.


Os compradores das ações no leilão serão os novos donos dos projetos.
Depois de pagar o que devem com as ações, as construtoras poderão
voltar ao mercado de concorrências públicas. A proposta prevê supervisão
rigorosa de órgãos como o Ministério Público Federal, a
Controladoria-Geral da União, o Tribunal de Contas da União e
Advocacia-Geral da União.

Um plano de ação para o salvamento do projeto nacional de infraestrutura
Livro traz propostas para punir empresas
A adoção do plano pelo governo evitaria a substituição em grande
escala das empreiteiras por concorrentes estrangeiras, um desfecho que
resultaria na quebra de centenas de indústrias locais que são suas
fornecedoras e a sua substituição por supridores externos trazidos ao
País pelas novas protagonistas.
Na parte de anexos, o livro traz minutas de um decreto-presidencial
sugerido à chefe do Executivo,  de uma portaria proposta à AGU e do
termo de pagamento. “O volume elevado de investimento público em
infraestrutura é importante para a formação da taxa de crescimento e
decisivo para a política industrial fundada na formação de redes de
produtividade entre as construtoras e seus fornecedores”, destaca o
economista Luiz Gonzaga Belluzzo na seção de comentários.


A proposta dos advogados “atende a todos os que têm interesse no
progresso e na harmonia da sociedade brasileira”, observa o economista
Delfim Netto. O livro inclui também comentários do ministro da Fazenda,
Joaquim Levy, e dos professores da Faculdade de Direito da USP Heleno
Torres e Modesto Carvalhosa.


A proposta dos advogados percorreu todos os caminhos necessários,
recebeu aprovação generalizada, mas estacionou em uma mesa de Brasília. A
crise das construtoras e a ameaça da sua extinção, entretanto, avançam
com velocidade.


Serviço


Título: Um plano de ação para o salvamento do projeto nacional de infraestruturaAutores: Walfrido Jorge Warde Júnior, Gilberto Bercovici e José Francisco Siqueira NetoEditora: ContracorrenteTamanho: 113 páginasLançamento: dia 12 de novembro, às 18h30, no Shopping JK Iguatemi.

sábado, 31 de outubro de 2015

Bispos denunciam

Bispos denunciam que “propaganda derrotista” gera “pessimismo contaminador” | Portal Fórum



Bispos denunciam que “propaganda derrotista” gera “pessimismo contaminador”:

Não se deixe tomar pela “sensação de derrota que nos
transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de
vinagre” (Papa Francisco – Alegria do Evangelho, 85).






outubro 30, 2015 15:11








“É inadmissível alimentar a crise econômica com uma
crise política irresponsável e inconsequente”, diz a Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em nota



Por Adital


Os bispos do Brasil apontam dificuldades e oportunidades na atual
conjuntura social e política.A Presidência da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB) divulgou esta semana uma nota sobre “A realidade
sociopolítica brasileira: dificuldades de oportunidades”. O texto foi
aprovado pelo Conselho Permanente da instituição, que esteve reunido em
Brasília, de 27 a 29 deste mês.


Na nota, a CNBB manifesta-se a respeito do momento de crise na atual
conjuntura. “A permanência e o agravamento da crise política e
econômica, que toma conta do Brasil, parecem indicar a incapacidade das
instituições republicanas, que não encontram um modo de superar o
conflito de interesses que sufoca a vida nacional, e que faz parecer que
todas as atividades do país estão paralisadas e sem rumo”, declaram os
bispos.


Para a entidade católica, a frustração presente e a incerteza no
futuro somam-se à desconfiança nas autoridades e à propaganda
derrotista, gerando um pessimismo contaminador. “Porém, equivocado, de
que o Brasil está num beco sem saída”. Os bispos alertam para que a
população não se deixe tomar pela “sensação de derrota que nos
transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de
vinagre” (Papa Francisco – Alegria do Evangelho, 85).


Os bispos chamam a população a garantir a governabilidade do país,
que implica no funcionamento adequado dos três poderes; recuperar o
crescimento sustentável; diminuir as desigualdades; exigir profundas
transformações na saúde e na educação; ampliar a infraestrutura; cuidar
das populações mais vulneráveis, que são as primeiras a sofrerem com os
“desmandos e intransigências dos que deveriam dar o exemplo”.


Para a CNBB, cabe à sociedade civil exigir que os governantes do
Executivo, Legislativo e Judiciário recusem, terminantemente, mecanismos
políticos que, disfarçados de solução, aprofundam a exclusão social e
alimentam a violência, entre os quais o estado penal seletivo, as
tentativas de redução da maioridade penal, a flexibilização ou revogação
do Estatuto do Desarmamento e a transferência da demarcação de terras
indígenas para o Congresso Nacional.


Os bispos defendem que a superação da crise passa pela recusa
sistemática de toda e qualquer corrupção; pelo incremento do
desenvolvimento sustentável e pelo diálogo que resulte num compromisso
comum entre os responsáveis pela administração dos poderes do Estado e a
sociedade. “O Congresso Nacional e os partidos políticos têm o dever
ético e moral de favorecerem a busca de caminhos que recoloquem o país
na normalidade. É inadmissível alimentar a crise econômica com uma crise
política irresponsável e inconsequente”.


Leia a nota na íntegra.


Foto de capa: Divulgação CNBB