quarta-feira, 30 de maio de 2012

Teste de voz revela que Gilmar mentiu

Teste de voz revela que Gilmar mentiu

Teste de voz revela que Gilmar mentiu

Na enxurrada de entrevistas que vem concedendo sobre o seu encontro com o ex-presidente Lula, no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, no dia 26 de abril, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, aparece cada vez mais descontrolado, atirando para todo lado, como se estivesse sofrendo uma forte perseguição.
Foi o que se viu na entrevista que concedeu ao "Jornal Nacional", da TV Globo, na noite de segunda-feira. Suando muito, lívido, inseguro, olhando a toda hora para os lados, Mendes em nada lembrava o combativo ministro do STF, sempre muito veemente e definitivo nas suas declarações.
O perito Mauro Nadvorny, diretor presidente da Truster Brasil, empresa especializada em análise de frequência de voz, detectou trechos "fraudulentos e suspeitos" na entrevista concedida à TV pelo ex-presidente do STF.
A revelação do laudo de Nadvorny foi feita discretamente pelo portal UOL, uma empresa do Grupo Folha, em nota publicada às 18h14 de terça-feira, quando Mendes já havia concedido mais um balaio de entrevistas:
"Na análise de um total de 3 minutos de trechos da entrevista, foram detectadas 11 ocorrências de alto risco, cinco de provável risco e duas de baixo risco".
Para que não restem dúvidas, o perito explicou os termos técnicos: "Alto risco é uma maneira de dizer que a pessoa está mentindo".
A empresa Truster Brasil produz a tecnologia que detecta sinais de tensão, estresse, medo, embaraço e excitação em arquivos de voz. É o que antigamente se chamava de "detector de mentiras".
Sem saber da perícia feita na sua voz, em outra entrevista publicada nesta quarta-feira, Gilmar Mendes afirmou peremptoriamente ao jornal O Globo: "Não tenho histórico de mentira"
Curiosamente, a notícia do UOL, publicada sob o título "Exame de voz destaca "segmentos fraudulentos" em fala do ministro Gilmar Mendes", foi omitida dos assinantes da versão em papel da Folha, que preferiu dar outra manchete, mais ou menos na mesma linha dos seus concorrentes: "Meta de Lula é melar o julgamento", diz Mendes.
Neste caso, o jornal não fez nenhuma perícia para analisar a voz do ministro do STF, nem pediu provas sobre a sua acusação. Apenas reproduziu as declarações de Mendes ao repórter Felipe Seligman, da sucursal de Btrasília.
"Vamos parar com fofoca. A gente está lidando com gângsters. Estamos lidando com bandidos que ficam plantando informações". Na mesma entrevista, Mendes acusou o ex-presidente Lula de agir como uma "central de divulgação" com informações sobre as suas ligações com o senador Demóstenes Torres e seu amigo, o contraventor Carlinhos cachoeira.
Ao falar para o Estadão, Gilmar Mendes desta vez mirou também em Paulo Lacerda, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-chefe da Agência Brasileira de Informações (Abin), a quem acusou de fazer investigações e fornecer informações contra ele para o PT.
"Eu acho que o ministro Gilmar Mendes, se ele falou isso, está totalmente desinformado em relação à minha vida e ao meu trabalho. Eu não tenho nenhuma relação com partido político. Nunca tive e não tenho", disse Lacerda ao repórter Eduardo Kattah.
Paulo Lacerda foi afastado da direção da Abin no célebre caso do "grampo sem áudio" publicado pela revista "Veja", em setembro de 2008, com denúncias sobre a gravação de supostas conversas entre Gilmar Mendes e seu amigo Demóstenes Torres.
Falando sem parar durante todo o dia aos veículos das Organizações Globo, Gilmar Mendes denunciou "uma sórdida ação orquestrada para enfraquecer o Supremo, levar o tribunal para a vala comum, fragilizar a instituição e estabelecer a nulidade da Corte", segundo a versão publicada pelo jornal impresso.
Para ele, como fica claro em todas as entrevistas, o principal responsável por esta ação é o ex-presidente Lula, mas Mendes não foi convidado por nenhum veículo a apresentar provas sobre as suas acusações. Prefere fazer comparações: "... o Brasil não é a Venezuela de Chávez... ele mandou até prender juiz."
É neste clima que Brasília convive com os preparativos para o julgamento do processo do mensalão e as trombadas da CPI do Cachoeira, a quatro meses das eleições municipais. Se juntar tudo e bater no liquidificador, vai dar um caldo meio esquisito.
Até o momento em que escrevo, na manhã desta quarta-feira, Lula ainda não respondeu às acusações de Gilmar Mendes.
O fato é que o ex-presidente, ainda se recuperando das sequelas do tratamento do câncer na laringe, que já completou sete meses, fez três apostas de alto risco: denunciar a "farsa do mensalão", bancar a candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo e incentivar a criação da CPI do Cachoeira, tudo ao mesmo tempo.
Enquanto isso, com boa retaguarda na mídia, o ministro Gilmar Mendes vai assumindo o papel de líder da oposição a Lula e ao PT.
O que pensarão de tudo isso os demais membros do Supremo Tribunal Federal?

ÉPOCA – Paulo Moreira Leite » Lula deve ser amordaçado? » Arquivo

ÉPOCA – Paulo Moreira Leite » Lula deve ser amordaçado? » Arquivo

Lula deve ser amordaçado?


A julgar pela oposição, Luiz Inácio Lula da Silva só tem liberdade para falar de futebol. O ministro Celso de Mello declarou que, se Lula fosse presidente da República, poderia enfrentar um processo de impeachment caso tivesse feito declarações e insinuações semelhantes àquelas que
o ministro Gilmar Mendes afirma que ele fez.
O caso é este. Um presidente da República não tem opinião pessoal. Tudo o que ele pensa e manifesta envolve o cargo que ocupa e pode
ser considerado uma forma de pressão sobre alguém.
Mas Lula é ex-presidente e tem o direito de dizer o que pensa para toda pessoa que tenha disposição de ouvi-lo.
Ex-presidente é assim. Se o Fernando Henrique pode falar a favor da legalização das drogas num pais infernizado pelo crack, embora muitos educadores considerem que essa simples medida pode estimular o consumo da droga, pergunto por que Lula não pode dizer o que pensa sobre a melhor época para o julgamento do mensalão.
Não pode, é claro, chantagear nem sugerir uma barganha, coisa que eu duvido sinceramente que tenha feito.
Mas eu acho que toda pessoa maior de idade e em pleno gozo de sua saúde mental que senta-se para conversar com um ex-presidente e um
ex-ministro do Supremo, do governo Lula e do governo FHC, como Nelson Jobim, sabe que a conversa não vai se limitar a futebol nem a mulher bonita. Vai se falar de política e é claro que, de uma forma ou de outra, vai chegar ao assunto do momento, que é o mensalão.
E é claro que quando Lula, Gilmar Mendes e Nelson Jobim falam desses assuntos, a conversa não é simples tertulia literária. Vem carregada
de duplos, triplos e quádruplos sentidos.
São profissionais da conversa. Muito pouco precisa ser dito porque tudo pode ser entendido.
O esforço para transformar esse triálogo atende a outra agenda. Consiste na tentativa permanente da oposição para criar um clima politizado em torno do julgamento do mensalão.
Essa é a questão. Na medida em que as partes já apresentaram suas armas, as estratégias para o julgamento estão cada vez mais claras.
A oposição aposta que um clima politizado, de denuncia, de indignação, será útil para obter uma condenação. Torce, também, por uma decisão no primeiro semestre, que poderá trazer benefícios nas eleições de outubro. Não é preciso ter diploma de marketing eleitoral para calcular que uma sentença do Supremo terá um valor de prova na visão de muitos eleitores.
O PT se esforça na direção contrária. Acredita que o exame das provas, a exposição serena dos pontos de vista pode ser favorável aos acusados.
Essa é a discussão.

Imprensa é dócil com Mendes, esquece Jobim e mantém encenação

Imprensa é dócil com Mendes, esquece Jobim e mantém encenação

Imprensa é dócil com Mendes, esquece Jobim e mantém encenação

Gilmar Mendes vem sendo alvo de inúmeros protestos contra sua atuação parcial no STF nos últimos anos.  Sua presença na alta corte tem sido contestada até por grandes juristas brasileiros, como Dalmo Dallari
O que será que está faltando aos sagazes jornalistas investigativos dos mais ‘atuantes’ grupos de comunicação do país, parlamentares (inclusive os da oposição) e membros do Judiciário (principalmente os do STF) para ligar o tal “Gilmar” citado nas escutas telefônicas da Polícia Federal, que estaria na companhia de Demóstenes Torres em Berlim em abril de 2011, com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal?

O próprio ministro Gilmar Mendes confirmou que esteve em Berlim e se encontrou com Demóstenes, mas teria dito a Lula, na mítica conversa de uma só versão (ou nota), que costuma ir Berlim, tal como Lula vai a São Bernardo do Campo...

A Operação Monte Carlo flagrou tal conversa de Cachoeira com Wladmir sobre a liberação de um jatinho para trazer Demóstenes da capital alemã, juntamente com um tal de “Gilmar”, de carona em voo patrocinado por um contraventor...

Não seria coincidência demais?

E fica por isso mesmo? Ninguém se coça para ir mais fundo, pelo menos, em reportagens baseadas nestes fortes indícios?

A Globo News que entrevistou o douto ministro do Supremo em Manaus sequer tocou no assunto, não o questionou sobre nenhuma destas informações. Parecia conversa de amigos, para livrar a barra daquele que está no sufoco.
A âncora do programa, Leilane Neubarth, preferiu alimentar dúvidas, onde o próprio entrevistado, segundo sua postura vacilante, já não sustentava a versão que deu a Veja, dias antes, de uma suposta pressão sofrida um mês atrás...

Outra questão deve ser aplicada a todos aqueles citados no início deste texto: Por que Gilmar Mendes demorou trinta dias para ficar indignado?
Nova indagação: O que teria se passado neste período para que não se pronunciasse de imediato?
Mais uma: por que não convocar uma entrevista coletiva, mesmo com tamanho retardo, para apresentar os graves fatos enunciados?
Afinal uma acusação desta natureza feriria de morte a independência dos poderes e colocaria o STF como presa fácil para movimentações ardilosas. Mereceria um mar de microfones a sua volta, um salão nobre e espaçoso para tantos jornalistas e meios de comunicação que lá coubessem, com transmissão ao vivo, inclusive, na TV aberta.
Mas procurar a Veja, um mês após a suposta chantagem e dois dias depois da publicação e repercussão na mídia da revista do grupo Abril, de Robert Civita, soa a muito pouco esforço feito para esclarecer, mais parece um movimento calculado, que não logrou o êxito vislumbrado no início da trama.
Qual seria o êxito? Esta questão, aqueles citados, lá no começo deste texto, também não parecem dispostos a explorar, pelo menos até este momento.

Não se pode ser categórico em uma questão tão sensível, principalmente vindo de quem e de onde veio esta nova tentativa de desviar o foco da CPMI, porque são personagens (Veja, Demóstenes e “Gilmar”) citados e flagrados em esquemas sinistros de Carlinhos Cachoeira.

Acredito que faltou combinar melhor o script com Nelson Jobim ou, sabe-se lá, tenha faltado algum ponto que o convencesse a embarcar nesta canoa furada.
Fica, por fim, a pergunta (também a dúvida): Pelo menos a imprensa, falo das grandes corporações que predominam no noticiário, Globo, Veja, Folha e Estadão, não vai tentar descobrir e apresentar ao grande público quem seria este tal “Gilmar”, citado nas escutas da Operação Monte Carlo, que estaria acompanhado de Demóstenes Torres e voltaria no jatinho providenciado pelo amigo senador junto a um contraventor??? 

Nenhuma ilação vai ser explorada na pauta jornalística destes veículos de comunicação???

Nenhuma entrevista vai ser solicitada ao ministro do STF para elucidar tais fatos???

Não vai haver uma postura mais incisiva e perseverante dos repórteres em tais questionamentos???

Os articulistas mais preditos tecerão comentários e análises que apontem supostas razões para o ocorrido???

Ou será que este tipo de expediente só está autorizado para ser utilizado para com a outra parte, um tão somente popularíssimo ex-presidente da república???

São perguntas demais, como de costume, poucas serão respondidas...

p.s. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel encaminhou para o Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF), representação protocolada pelo PSDB contra Lula por supostamente ter pressionado o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os tucanos acusam Lula de praticar “coação no curso do processo, tráfico de influência ativo e, ainda, promessa de vantagens indevidas”. Desta vez Gurgel não vacilou momento algum e deu curso imediato a um pedido judicial...

p.s. 2 O ex-ministro da Defesa e ex-ministro do STF, Nelson Jobim, foi, misteriosamente, esquecido pelas redações de alguns órgãos da grande imprensa em toda esta polêmica encenada...

GILMAR MENDES USA LULA PARA OFENDER E TENTAR HUMILHAR JOAQUIM BARBOSA

GILMAR MENDES USA LULA PARA OFENDER E TENTAR HUMILHAR JOAQUIM BARBOSA

GILMAR MENDES USA LULA PARA OFENDER E TENTAR HUMILHAR JOAQUIM BARBOSA


Gilmar Mendes nunca engoliu a revelação feita pelo Ministro Joaquim Barbosa de que possui "capangas". A oportunidade de se vingar do "colega" de STF veio no bojo da mais recente parceria com a Revista Veja, que publicou uma matéria em que Gilmar Mendes faz graves acusações ao ex-presidente Lula, indo de pressão indevida para retardar o julgamento do caso mensalão até chantagem, relacionada com o encontro (já confirmado) entre o Ministro acusador, e Carlos Cachoeira, na Alemanha.

Deixemos de lado se o que diz Gilmar Mendes é verdade, seja no todo, seja em parte. Qual o sentido de "revelar" que Lula chamou Joaquim Barbosa de "frustrado" ?  Se verdadeiro que Lula se referiu dessa forma ao "colega" de Gilmar, essa não seria dentro do contexto do "pseudo teor da conversa", uma afirmação que guardasse relação com a suposta tentativa de Lula em pressionar Gilmar Mendes.

Ao tornar público essa parte, tenha Lula dito ou não isso, Gilmar Mendes mostrou o quanto é um ser humano mesquinho, capaz de atitudes pequenas e vingativas. Que revelasse aos "colegas" de STF, ou o fizesse de forma reservada ao próprio Joaquim Barbosa, e seria a atitude digna e cortês que se espera tenha um membro da SUPREMA CORTE.

Gilmar preferiu porém, com a "prestimosa" ajuda da revista Veja, sempre pronta a realizar serviços sujos de enlamear a honra alheia, a lançar a intriga no "ar".

De um jeito ou de outro, Gilmar Mendes que demonstra escancaradamente que não tem a menor preocupação em preservar o Tribunal de que faz parte, nem aos seus colegas ministros, usou Lula para atacar covardemente, de forma rasteira, Joaquim Barbosa.

Faz-se necessário que Lula tenha a agilidade de apresentar sua negativa em relação a essa gravíssima ofensa, talvez, o pior de tudo nessa "história" eivada de erros e baixarias. Eu não acredito que Lula tenha dito isso, na minha opinião é MENTIRA de Gilmar Mendes, acho que Joaquim Barbosa também não crê na "história' de Gilmar, nem no todo, nem nessa parte bastante específica, mas, LULA precisa apresentar um desmentido e DESAGRAVO ao Ministro Joaquim Barbosa, e tem de ser público.

Dalmo Dallari, avisou, mas ninguém escutou

Dalmo Dallari, avisou, mas ninguém escutou

QUE ABSURDO! GILMAR MENDES DESMENTE GILMAR MENDES E DIZ QUE LULA ‘NÃO FEZ NENHUM PEDIDO EM RELAÇÃO AO MENSALÃO’


Gilmar, Mentes?

São inacreditáveis as atitudes do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes  e da revista Veja, assim como da grande mídia ao repercutir uma notícia falsa divulgada pela revista que está envolvida na investigação da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, segundo a Polícia Federal.

Em reportagem de ontem à noite do Jornal da Globo, o ministro Gilmar Mendes (da Globo) desmentiu o ministro Gilmar Mendes (da Veja). Ele diz no vídeo: “não houve nenhum pedido específico do presidente em relação ao mensalão”. Mas que bandalheira é essa?!

Será que Gilmar Mentes? Ou seria a Veja que mente?  Dalmo Dallari, avisou, mas ninguém escutou. Veja a declaração de Gilmar Mendes a partir do segundo minuto do vídeo abaixo.

Enquanto os responsáveis pela revista Veja não se sentarem na CPMI do Carlinhos Cachoeira, a situação continuará dessa maneira, com um jornalismo totalmente sórdido e irresponsável. É hora de convocar o Civita para a CPMI.

 

 

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Elio Gaspari, O Globo
O que aconteceu no dia 26 de abril no escritório de Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça, da Defesa, e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal? Certo mesmo, só que lá se encontraram Lula, o ministro Gilmar Mendes e o dono da casa.
Os repórteres Rodrigo Rangel e Otávio Cabral revelaram a lembrança de Mendes. Coisa tenebrosa. Lula recomendou que se adiasse o julgamento do mensalão: “É inconveniente julgar esse processo agora”, e contou que estava caitituando votos da Corte.
Cármen Lúcia? “Vou falar com o Pertence para cuidar dela.” Referia-se ao ex-ministro Sepúlveda Pertence, por coincidência presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência.
Dias Toffoli? “Ele tem de participar do julgamento.” (O ministro, como ex-advogado-geral da União, poderia dar-se por impedido.)
Ricardo Lewandowski? “Ele só iria apresentar o relatório no semestre que vem, mas está sofrendo muita pressão.”
Joaquim Barbosa: “Complexado.”
Finalmente, Lula prensou Mendes com uma pergunta. “E a viagem a Berlim?”
Por trás da curiosidade estava a maledicência de que o ministro fizera uma viagem a Berlim com o senador Demóstenes Torres e parte do paganini por conta de Carlinhos Cachoeira. O ministro rebateu a insinuação e dobrou a aposta: “Vá fundo na CPI.”
O repórter Jorge Bastos Moreno ouviu a narrativa de Jobim: “Não houve nada disso.” Ele contou que o encontro ocorreu por acaso, durou cerca de uma hora, e em nenhum momento os dois estiveram a sós. Dias depois, corrigiu-se e disse que marcou o encontro a pedido de Lula.
O ex-presidente, por intermédio de sua assessoria, contestou, indignado, a reconstrução de Gilmar Mendes.
Alguém está mentindo. Ou mente Gilmar, ou mentem Lula e Jobim.
Pela narrativa de Gilmar, “fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”. O ministro conta que narrou o episódio ao presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, na quarta-feira da semana passada, 27 dias depois do ocorrido.
Infelizmente, ambos mantiveram-no restrito ao mundo de confidências que alimentam a nobiliarquia de Brasília.
Se a narrativa de Gilmar é verdadeira, o escracho começou na própria conversa. Nem Lula poderia ter dito o que disse, nem Gilmar poderia ter ouvido. Sua perplexidade diante das “insinuações despropositadas” deveria ter sido expressa no ato.
A comunicação do ocorrido ao ministro Ayres Britto deveria ter desencadeado uma imediata iniciativa pública. A essa altura era Britto quem não poderia ter ouvido o que Gilmar lhe contou. O cargo em que está investido recomendava que pedisse ao colega que narrasse o episódio na sala de sessões da Corte, ao vivo e em cores, como já fez o ministro Joaquim Barbosa quando julgou impertinente um telefonema que lhe dera um ex-ministro da Casa, advogando um caso milionário.
Nessa ocasião, Barbosa começou a construir sua fama de intratável.
Um Supremo Tribunal Federal com onze juízes intratáveis jamais acabaria metido numa história dessas.
P.S.- A memória exige o registro de que em 2008 o ministro Gilmar Mendes, presidindo o STF, denunciou um “estado policialesco” a partir da leitura do que seria a transcrição de uma conversa que tivera com o senador Demóstenes Torres. Até hoje não apareceu o áudio desse grampo.

Comentário de Bob Fernandes




Estranhíssimo que um ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal vaze conversa reservada com um ex-presidente da República. Muito mais estranho: se a conversa teve tal gravidade, por que Gilmar Mendes não reuniu o Tribunal no dia seguinte e não denunciou o fato? Por que não fez uma representação contra Lula? Por que esperou um mês para se dizer indignado?
É digno de um ministro, e ex-presidente do Supremo, vazar através da imprensa informações desse teor? Se é que são verdadeiras. Se era para revelar, por que ele mesmo não revelou? Por que esperou a Veja fazer o trabalho para, só então, numa tabelinha, dizer o que disse?
Jobim, também ex-presidente do Supremo, em entrevista ao Jornal Zero Hora negou que o mensalão tenha sido tema da conversa. Contou Jobim: "Foi uma conversa institucional. Não teve nada nos termos em que a Veja está falando". Perguntado sobre a hipótese de Lula e Gilmar terem conversado reservadamente, Jobim negou: "Não, não, não".
E por quê a Revista Veja? O que já produziu para a história o quarteto Veja, Gilmar, Jobim, e Lula? Em 3 de setembro de 2008, acompanhado de outros ministros do Supremo, Gilmar Mendes foi ao Palácio. Para, como disse então, "chamar "Lula às falas". Isso porque a Veja havia publicado capa sobre grampos. E informado que Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres tinham sido grampeados.
O grampo nunca existiu. Mas a cobrança de Gilmar, nisso auxiliado pelo mesmo Jobim, então ministro da Defesa, levou à queda de Paulo Lacerda e diretores da Abin. Mais grave. Reverberado por colunas amestradas, o grampo que nunca existiu foi a arma usada para atacar a Operação Satiagraha. Aquela que prendeu Daniel Dantas.
O campo para os ataques foi a CPI dos Grampos. CPI presidida pelo deputado Marcelo Itagiba. Itagiba que teve ajuda do presidente do banco de Daniel Dantas para sua campanha. Tudo sempre muito estranho. Ou, muito claro. Estranho, por exemplo, que Demóstenes Torres, o mesmo da CPI do Cachoeira, tenha empregado em seu gabinete uma enteada de... Gilmar Mendes.
Aliás, depois disso tudo o ministro Gilmar Mendes ainda se considera habilitado para votar no caso Mensalão? Esse gesto do ministro se torna, obviamente, uma declaração de voto antecipada.
Mais um fato estranho: por quê Lula, tão experiente, tão rodado, se põe outra vez numa conversa do gênero com Jobim e Gilmar Mendes? A assessoria de Lula negou há pouco o que Gilmar Mendes diz que ele disse. Se disse, ou tivesse dito, isso seria um desastre.
De qualquer forma, o ex-presidente Lula cometeu um erro político. Não bastaram o grampo que não existiu e a atuação anterior do triunvirato Gilmar Mendes, Jobim e Demóstenes Torres?
O que Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal, foi fazer no escritório do hoje advogado, Jobim, e com um ex-presidente da República? E por que, ainda e mais uma vez Lula confiou em... Gilmar Mendes?