domingo, 29 de abril de 2012

Documentos do STF vazados na web ligam, definitivamente, Policarpo Jr. e a Veja ao crime organizado por Cachoeira e Demóstenes

Documentos do STF vazados na web ligam, definitivamente, Policarpo Jr. e a Veja ao crime organizado por Cachoeira e Demóstenes

Documentos do STF vazados na web ligam, definitivamente, Policarpo Jr. e a Veja ao crime organizado por Cachoeira e Demóstenes

Na sexta-feira, dia 27, o jornalista Vassil Oliveira, do Brasil 247 com o auxílio da Agência Brasil, trouxe com exclusividade o documento encaminhado pelo ministro Ricardo Lewandowski do Supremo Tribunal Federal (STF) à CPI do Cachoeira e ao Conselho de Ética do Senado (clique aqui).
O Limpinho, após a leitura do documento, separou os principais trechos em que Policarpo Jr., vulgo PJ ou Poli, editor da revista Veja em Brasília, aparece em conversas pouco convencionais com suas “fontes” Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o senador Demóstenes Torres. Também estão presentes nos diálogos selecionados abaixo Cláudio Abreu, diretor da Delta na Região Centro-Oeste; Aredes Correia Pires, diretor geral da Polícia Civil de Goiás; vereador Wesley Silva, do PMDB de Anápolis (GO); Gleyb Ferreira da Cruz, um dos principais assessores de Cachoeira; e sargento da PM do Distrito Federal Jairo Martins de Souza.
O documento traz provas contundentes que Policarpo Jr. e seu patrão, Roberto Civita, estão envolvidos com os crimes de Cachoeira e sua quadrilha.
Confira a seguir.
23/4/2009 e 13/5/2009 – O senador Demóstenes Torres articulou com Carlos Cachoeira a divulgação pela imprensa de dados sigilosos que seriam entregues informalmente a um repórter pela Polícia Civil do Estado de Goiás. Segundo consta dos diálogos, o plano não se consumou porque o diretor geral da Polícia Civil teria desistido de entregar ao repórter os documentos que conteriam os dados sigilosos. Abaixo segue o diálogo em que é dito o nome do tal repórter.

09/03/2011 – Demóstenes diz que está na cidade e marca de encontrar com Carlinhos na manhã seguinte. Carlinhos diz que vai até Demóstenes depois de passar no Policarpo.

27/04/2011 – Carlinhos diz que vai almoçar com a prefeita de Valparaíso e com Policarpo Jr. da revista Veja.
27/04/2011 – Carlinhos e Demóstenes conversam sobre Marcelo Miranda (senador). Demóstenes pede orientação sobre sua situação partidária. Conversam sobre uma lista de materiais e volta o assunto do almoço com Policarpo.

28/04/2011 – Carlinhos diz que está com Gleyb e está vendo os negócios de compra de som. E Policarpo Jr. aparece na conversa novamente.

02/05/2011 – Conversa entre Carlinhos e Wesley. Carlinhos diz que o Policarpo Jr. da Veja está atrás da fita. Wesley diz que vai procurar.

09/05/2011 – Carlinhos conversa com Cláudio sobre a Sigma, Delta e mais um encontro com o Policarpo.
10/05/2011 – Carlinhos conta a Cláudio sobre a conversa que leve com Policarpo, da Veja, a respeito da reportagem que saiu na revista no último final de semana.

10/05/2011 – Carlinhos conversa com Dadá. Carlinhos diz que falou com Policarpo, da Veja. Dadá diz que ficou sabendo que quem fez a reportagem foi Hugo Marques. Conversam sobre reportagem que iria sair na Veja envolvendo filmagem de Agnelo com a Delta.

04/06/2011 – Carlinhos e Cláudio conversam: “O Policarpo Jr. vai detonar a associação...”

29/06/2011 – Cláudio diz que esteve com Policarpo Jr. e passou informações sobre reunião em Curitiba sobre licitação da BR-280.
02/07/2011 – Cláudio fala com Carlinhos da reportagem de Policarpo Jr. sobre o Ministério dos Transportes.

07/07/2011 – Carlinhos pergunta para Cláudio o que o Márcio Pontes está ameaçando. Cláudio diz que é falar merda e que dia 13 é a recisão dele. Bilhetagem vai ficar na mão de Valdir e vai querer ajuda financeira de 300 mil agora. E Policarpo Jr. é tratado como “o homem”.

26/07/2011 – Carlinhos conversa com Policarpo Jr., que lhe pergunta como faz para levantar umas ligações entre o deputado Jovair Arantes e a gente da Conab.

04/08/2011 – Carlinhos e Policarpo Jr. conversam por telefone.

04/08/2011 – Cláudio diz a Carlinhos que o PJ – Policarpo Jr., editor da Veja, em Brasília – quer falar com ele em Brasília. Carlinhos fala para Cláudio mandar Policarpo soltar a nota do Carlos Costa. Cláudio diz que está esperando Policarpo no apartamento 1103, do Hotel Meliá.

04/08/2011 – Depois do encontro no Meliá, Claudio diz que ele [Policarpo Jr.] já chegou e perguntou onde era para publicar. Carlinhos diz que pode ser no “Radar” ou no “On-Line”, mas se for como matéria da revista, seria melhor ainda.

04/08/2011 – Cláudio conversa com Calinhos sobre o encontro que teria com Policarpo Jr., mas jornalista não pôde comparecer. Policarpo pede a Cláudio que mandasse o material para seu e-mail: pjunior@abril.com.br.
11/08/2011 – Demóstenes pergunta se Carlinhos deu uma olhada no negócio do Áureo. Policarpo Jr. também aparece na conversa.

10/08/2011 – Jairo se encontra com Policarpo Jr. num churrasquinho.
11/08/2011 – Carlinhos diz a Cláudio que está no Churchill, possivelmente com Policarpo Jr.
11/08/2011 – Carlinhos conversa com Demóstenes, que fala que o primeiro assunto está com o estrangeiro e o segundo já tem reunião. Carlinhos diz que o assunto do Zé vai estremece o partido.

12/08/2011 – Carlinhos liga para Demóstenes e conversam sobre Edivaldo, Paulo Bernardo, Colbert, prisão, Congonhas, Policarpo Jr.

15/08/2011 – Carlinhos orienta Jairo sobre conversa com Policarpo Jr. Diz que eles têm de pedir aquele assunto para ele.

15/08/2011 – Policarpo está entrando de serviço agora e marca encontro com Jairo em 10 minutos no espetinho.

Em determinadas passagens do texto do inquérito, é dito o seguinte sobre Policarpo Jr, José Dirceu, Dilma Rousseff, dentre outros:

O triunfo da verdade põe #VejaGOLPISTA no TT | Brasil 247

O triunfo da verdade põe #VejaGOLPISTA no TT | Brasil 247

O triunfo da verdade põe #VejaGOLPISTA no TT

O triunfo da verdade põe #VejaGOLPISTA no TT Foto: Folhapress_Divulgação

Neste sábado, a revista da Abril fez uma leitura particular do inquérito sobre a Operação Monte Carlo e seu julgou inocentada; nas redes sociais, a interpretação foi totalmente distinta; Roberto Civita tem um sério problema de credibilidade; fãs da revista reagem com #VejaNelles; batalha animada

29 de Abril de 2012 às 13:27
247 – Desde a noite desta sexta-feira, quando o Brasil 247 publicou com exclusividade o inquérito relacionado à Operação Monte Carlo, internautas do Brasil inteiro começaram a garimpar informações ainda não divulgadas pela imprensa. Muitos se focaram nas relações entre o bicheiro Carlos Cachoeira e a revista Veja – cuja parceria editorial, com benefícios empresariais e políticos, fica evidenciada em vários trechos.
Neste sábado, Veja fez uma leitura bem particular do relatório. Por meio do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), noticiou que o documento esvazia a possibilidade de uma “CPI da mídia”. E, através do blogueiro Reinaldo Azevedo, que escreveu o texto “O Triunfo da Verdade”, defendeu a tese de que ratos, obscurantistas e inimigos da liberdade estariam combatendo o bom jornalismo investigativo praticado pela revista.
Pois, neste sábado, a hashtag #VejaGOLPISTA alcançou o topo dos assuntos mais comentados no Twitter global. Internautas do Brasil inteiro se mobilizaram para protestar contra os métodos utilizados pelo carro-chefe da Abril, empresa de Roberto Civita. Mais tarde, fãs da publicação reagiram com a hashtag #VejaNelles, que também entrou nos TTs. Porta-voz da publicação, Reinaldo Azevedo publicou novo texto acusando José Dirceu de comandar um movimento organizado na internet contra a imprensa livre.
A batalha envolveu milhares de tuiteiros, mas o fato é que Veja se vê hoje diante de um problema sério de imagem. Ninguém é contra que Veja ou qualquer outro veículo de comunicação fiscalize o poder e faça jornalismo. O problema ocorre quando o jornalismo é colocado a serviço dos interesses de um contraventor.
Leia, abaixo, o texto “A última diatribe de Reinaldo”:
Inquérito vazado pelo 247 já revelou Cachoeira editando a Veja, a produção do escândalo Naoum, a ação contra um diretor do Dnit e a tentativa de implodir um secretário de segurança; blogueiro da Abril, no entanto, enxerga apenas a ação de obscurantistas que querem acabar com o jornalismo investigativo
247 – Não deve ser fácil ser Reinaldo Azevedo nos dias de hoje. A antiga referência moral no Congresso, Demóstenes Nacional (sem partido/GO), é uma monstruosidade. Quem o levou para a Abril, Mario Sabino, caiu em desgraça. O amigo Diogo Mainardi refugia-se na Itália. E a defesa apaixonada da casa perde credibilidade a cada dia.
Num texto postado neste sábado, ele pinça um ponto do inquérito vazado pelo 247 para “provar” a independência de Veja em relação a Carlos Cachoeira. É um diálogo em que o bicheiro comentar com Demóstenes erros de um matéria publicada por Veja sobre a Delta – o principal erro seria o vínculo da construtora com José Dirceu. “Não tem essa ligação com o Zé Dirceu”, diz Cachoeira, que, na conversa com Demóstenes, sugere ações para abafar o impacto da reportagem.
O fato de Cachoeira ter ficado contrariado com uma reportagem, no contexto de uma parceria editorial que durou mais de uma década, foi a tábua de salvação à qual Reinaldo se agarrou.
Ocorre que o inquérito vazado ontem já revelou que, em vários momentos, Veja trabalhou em defesa dos interesses do bicheiro. Como quando Cachoeira se vangloriou de “colocar no r...” de Luiz Pagot. Ou quando discutiu com Demóstenes como “f... um secretário”, valendo-se dos préstimos de “Poli”, o jornalista Policarpo Júnior. Ou ainda quando planejou a reportagem de capa sobre os encontros de figuras petistas no hotel Naoum. Há até o episódio em que o bicheiro discute com Cláudio Abreu se uma nota de seu interesse deve ser publicada na coluna Radar, de Lauro Jardim, ou na revista impressa. Sim, Cachoeira era uma espécie de “editor at large” da publicação.
O fato de uma reportagem ter desagrado a este “editor” não significa que ele tenha emplacado uma série de outras – como já ficou amplamente demonstrado. E que não atendiam ao interesse público, mas sim ao interesse privado de um dos maiores contraventores que o Brasil já conheceu.
Em sua reflexão sobre ética jornalística, Eurípedes Alcântara diz que o critério de Veja na relação com fontes criminosas é baseado na avaliação de que a publicação deve sempre contribuir para reduzir o raio de ação de corruptos. Tendo Veja como aliada, Cachoeira deixou de ser um personagem menor de Goiás para dominar boa parte do País e se tornar até sócio de empreiteira.
Reinaldo, que denuncia a ação de obscurantistas contra a liberdade de expressão, tem se esforçado muito. Mas seu poder de convencimento é cada vez menor. Até porque a Inglaterra, um país livre, já demonstrou que o debate sobre métodos dos meios de comunicação é salutar. Em vez de solapar, aprofunda a democracia.

terça-feira, 24 de abril de 2012

TERRA BRASILIS: Antes do "mensalão", há um processo contra José Se...

TERRA BRASILIS: Antes do "mensalão", há um processo contra José Se...:

Antes do "mensalão", há um processo contra José Serra que precisa ser julgado

Julgamento de José Serra está na fila antes do caso ‘mensalão’


Clique na imagem para ampliá-la

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Apesar de as expectativas estarem voltadas a celeridade no julgamento do caso ‘mensalão’, prometido para breve pelo novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto, outros processos de escândalos de corrupção seguem arquivados.  Entre eles, o processo que se arrasta desde 2003 e envolve o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB) em um desvio de recursos do Banco Econômico. 

Em termos de réus ilustres supera o chamado “mensalão”, e em termos de valores também. O rombo no Banco Econômico, socorrido com R$ 3 bilhões no âmbito do PROER, quando Serra era ministro do planejamento envolve praticamente toda a equipe econômica do governo FHC. Estão entre os envolvidos, o ex-ministro Pedro Malan, ex-ministro e banqueiro Ângelo Calmon de Sá e os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Loyola e Gustavo Franco. 

A juíza Daniele Maranhão Costa, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, acatou a denúncia apontando dano ao erário, enriquecimento ilícito e violação aos princípios administrativos no caso. O processo corre no TRF1-DF, e os detalhes da ação estão aqui, íntegra.

CRÔNICAS DO MOTTA: A ética do boimate

CRÔNICAS DO MOTTA: A ética do boimate:

A ética do boimate


Como não pôde descontar em quem queria, a revista Veja resolveu dar o troco atacando os baixinhos.
A capa de sua última edição por pouco não se ombreia (ops!) à sensacional matéria sobre o boimate, o cruzamento do boi com o tomate, furo mundial editado anos atrás, que tornou a publicação ainda mais famosa e respeitada pelo público em geral, reportagem que deve ter exigido um esforço considerável de seu autor, uma checagem e rechecagem infindável de dados, e acima de tudo, muito respeito a seus leitores.
Se já tinha uma legião de gente que não pode nem ouvir o seu nome, a revista, com esse besteirol de agora certamente vai ganhar mais um tanto de desafetos, graças ao preconceito explícito contra sei lá quantos por cento da população brasileira que não atinge os padrões de altura que Veja julga ideais.
O assunto de capa é tão palpitante que deve ser devido a ele que o diretor de redação, Eurípedes Alcântara, abriu o editorial "Ética Jornalística: uma reflexão permanente", publicado apenas no site da revista, dizendo que "VEJA nunca permitiu que suas páginas fossem usadas para outro fim que não a busca do interesse público".
O problema é que, quem se dispõe a ler o restante do artigo, vai notar que o jornalista não estava se referindo aos baixinhos, o alvo da vez da fúria moralizadora da publicação.
O que ele tenta, na verdade, explicar é como a revista é feita, que critérios jornalísticos utiliza e o modus operandi de seus valorosos e leais funcionários, talvez motivado pelo cipoal de denúncias que enreda a publicação desde que o caso Demóstenes/Cachoeira veio à luz.
No mundo ideal, aquele em que a sujeira e a maldade, os crimes e o cinismo, a corrupção e a hipocrisia. não têm lugar, num mundo em que nada de ruim acontece, talvez toda a sua peroração sobre ética fosse entendida como um depoimento absolutamente crível.
Neste mundo, porém, em que as imperfeições do ser humano se revelam a cada instante como a essência de sua atividade, as palavras do sr. diretor de redação sobre princípios éticos e coisa e tal soam absolutamente vãs e sem sentido.
Afinal, para que esse blá-blá-blá se, como a própria capa de Veja mostra, a evolução "tecnofísica" explica "por que as pessoas mais altas são mais saudáveis e tendem a ser mais bem-sucedidas", e essa revelação apaga toda as estrepulias do bando de Demóstenes/Cachoeira?
Não seria melhor para a revista, carro-chefe de uma megaempresa de comunicação, recorrer a essa tal de "tecnofísíca"  para pautar o seu comportamento daqui para adiante, sempre com o princípio de sua chamada de capa em mente?
"As pessoas altas tendem a ser mais bem-sucedidas"...
Pensando bem, esse seria um início bem melhor para o editorial do sr. diretor de redação do que palavras tão sem sentido como "VEJA nunca permitiu que suas páginas fossem usadas para outro fim que não a busca do interesse público".
Ai que saudades do boimate...

Leandro Fortes

Leandro Fortes

A CPI e o fim do jornalismo investigativo de araque

Há oito anos, escrevi um livrete chamado “Jornalismo Investigativo”, como parte do esforço da Editora Contexto em popularizar o conhecimento básico sobre a atividade jornalística no Brasil. Digo “livrete” sem nenhum desmerecimento, muito menos falsa modéstia, mas para reforçar sua aparência miúda e funcional, um livro curto e conceitual onde plantei uma semente de discussão necessária ao tema, apesar das naturais deficiências de linguagem acadêmica de quem jamais foi além do bacharelado. Quis, ainda assim, formular uma conjuntura de ordem prática para, de início, neutralizar a lengalenga de que todo jornalismo é investigativo, um clichê baseado numa meia verdade que serve para esconder uma mentira inteira. Primeiro, é preciso que se diga, nem todo jornalismo é investigativo, embora seja fato que tanto a estrutura da entrevista jornalística como a mais singela das apurações não deixam de ser, no fim das contas, um tipo de investigação. Como é fato que, pelo prisma dessa lógica reducionista, qualquer atividade ligada à produção de conhecimento também é investigativa.
A consideração a que quero chegar é fruto de minha observação profissional, sobretudo ao longo da última década, período em que a imprensa tornou-se, no Brasil, um bloco quase que monolítico de oposição não somente ao governo federal, a partir da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, mas a tudo e a todos vinculados a agendas da esquerda progressista, aí incluídos, principalmente, os movimentos sociais, os grupos de apoio a minorias e os defensores de cotas raciais. Em todos esses casos, a velha mídia nacional age com atuação estrutural de um partido, empenhada em fazer um discurso conservador quase sempre descolado da realidade, escoltado por um discurso moralista disperso em núcleos de noticiários solidificados, aqui e ali, em matérias, reportagens e editoriais de indignação seletiva.
A solidez – e a eficácia – desse modelo se retroalimenta da defesa permanente do grande capital em detrimento das questões sociais, o que tanto tem garantido um alto grau de financiamento desta estrutura midiática, como tem servido para formar gerações de jornalistas francamente alinhados ao que se convencionou chamar de “economia de mercado”, sem que para tal lhes tenha sido apresentado nenhum mecanismo de crítica ou reflexão. Essa circunstância tem ditado, por exemplo, o comportamento da imprensa em relação a marchas, atos públicos e manifestações de rua, tratados, no todo, como questões relacionadas a trânsito e segurança pública. Interditados, portanto, em seu fundamento social básico e fundamental, sobre o qual o jornalismo comercial dos oligopólios de comunicação do Brasil só se debruça para descer o pau.
O resultado mais perverso dessa estrutura midiática rica e reacionária é a perpetuação de uma política potencialmente criminosa de assassinato de reputações e intimidação de agentes públicos e privados contrários às linhas editoriais desses veículos. Ou, talvez pior ainda, a capacidade destes em atrair esses mesmos agentes para seu ventre, sob a velha promessa de conciliação, para depois, novamente, estrangulá-los sob a vista do público.
“Jornalismo Investigativo”, porém, foi escrito anteriormente ao chamado “escândalo do mensalão”, antes, portanto, de a mídia brasileira formar o bloco partidário ora em progresso, tristemente conservador, que se anuncia diuturnamente como guardião das liberdades de expressão e imprensa – conceitos que mistura de forma deliberada para, justamente, esconder sua real indiferença, tanto por um quanto pelo outro. Distante, por um breve instante de tempo, da guerra ideológica deflagrada a partir do mensalão, me foi possível escrever um livro essencialmente simples sobre o verdadeiro conceito de jornalismo investigativo, ao qual reputo a condição de elemento de influência transversal, e não um gênero capaz de ser enclausurado em editorias, como o são os jornalismos político, econômico, esportivo, cultural, etc.
Jornalismo investigativo é a sistematização de técnicas e conceitos de apuração para a produção de reportagens de fôlego, não necessariamente medidas pelo tamanho, mas pela profundidade de seus temas e, principalmente, pela relevância da notícia que ela, obrigatoriamente, terá que encerrar. Este conceito, portanto, baseado na investigação jornalística, existe para se utilizado em todos os gêneros de reportagem, em maior ou menor grau, por qualquer repórter. Daí minha implicância com o termo “jornalista investigativo”, ostentado por muitos repórteres brasileiros como uma espécie de distintivo de xerife, quando na verdade a investigação jornalística é determinada pela pauta, não pela vaidade de quem a toca. O mesmo vale para o título de “repórter especial”, normalmente uma maneira de o jornalista contar ao mundo que ganha mais que seus colegas de redação, ou que ficou velho demais para estar no mesmo posto de focas recém-formados.
Para compor o livro editado pela Contexto, chamei alguns jornalistas para colaborar com artigos de fundo, como se dizia antigamente, os quais foram publicados nas últimas páginas do livro. Fui o mais plural possível, em muitos sentidos, inclusive ideológico, embora essa ainda não fosse uma discussão relevante, ou pelo menos estimulante, dentro da imprensa brasileira, à época. O mais experiente deles, o jornalista Ricardo Noblat, hoje visceralmente identificado ao bloco de oposição conservadora montado na mídia, havia também escrito um livro para a Contexto sobre sua experiência como editor-chefe do Correio Braziliense, principal diário de Brasília que, por um breve período de oito anos (1994-2002), ele transformou de um pasquim provinciano e corrupto em um jornal respeitado em todo o país. Curiosamente, coube a Noblat assinar um artigo intitulado “Todo jornalismo é investigativo” e, assim, reforçar a lengalenga que o livro esforça-se, da primeira à última página, em desmistificar.
Tivesse hoje que escrever o mesmo livro, eu teria aberto o leque desses artigos e buscaria opiniões menos fechadas na grande imprensa. Em 2004, quando o livro foi escrito (embora lançado no primeiro semestre de 2005), o fenômeno da blogosfera progressista era ainda incipiente, nem tampouco estava em voga a sanha reacionária dos blogs corporativos da velha mídia. No mais, minha intenção era a de fazer um livro didático o bastante para servir de guia inicial para estudantes de jornalismo. Nesse sentido, o livro teve relativo sucesso. Ao longo desses anos, são raras as palestras e debates dos quais participo, Brasil afora, em que não me apareça ao menos um estudante para comentar a obra ou para me pedir que autografe um exemplar.
Faz-se necessário, agora, voltar ao tema para trazer o mínimo equilíbrio ao recrudescimento dessa discussão na mídia, agora às voltas com uma CPI, dita do Cachoeira, mas que poderá lhe revolver as vísceras, finalmente. Contra a comissão se levantaram os suspeitos de sempre, agora, mais do que nunca, prontos a sacar da algibeira o argumento surrado e cafajeste dos atentados às liberdades de imprensa e expressão. A alcova de onde brota essa confusão deliberada entre dois conceitos distintos está prestes a tomar a função antes tão cara a certo patriotismo: o de ser o último refúgio dos canalhas.
Veio da revista Veja, semanal da Editora Abril, a reação mais exaltada da velha mídia, a se autodenominar “imprensa livre” sob ataque de fantasmas do autoritarismo, em previsível – e risível – ataque de pânico, às vésperas de um processo no qual terá que explicar as ligações de um quadro orgânico da empresa, o jornalista Policarpo Jr., com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Primeiro, com novos estudos do Santo Sudário, depois, com revelações sobre a superioridade dos seres altos sobre as baixas criaturas, a revista entrou numa espiral escapista pela qual pretende convencer seus leitores de que a CPI que se avizinha é parte de uma vingança do governo cuja consequência maligna será a de embaçar o julgamento do “mensalão”. Pobres leitores da Veja.
Não há, obviamente, nenhum risco à liberdade de imprensa ou de expressão, nem à democracia e ao bem estar social por causa da CPI do Cachoeira. Há, isso sim, um claro constrangimento de setores da mídia com a possibilidade de serem investigados por autoridades às quais dedicou, na última década, tratamento persecutório, preconceituoso e de desqualificação sumária. Sem falar, é claro, nas 200 ligações do diretor da Veja em Brasília para Cachoeira, mentor confesso de todos os furos jornalísticos da revista neste período. Em recente panfletagem editorial, Veja tentou montar uma defesa prévia a partir de uma tese obtusa pela qual jornalistas e promotores de Justiça obedecem à mesma prática ao visitar o submundo do crime. Daí, a CPI da Cachoeira, ao investigar a associação delituosa entre a Veja e o bicheiro goiano, estaria colocando sob suspeita não os repórteres da semanal da Abril, mas o trabalho de todos os chamados “jornalistas investigativos” do país.
A tese é primária, mas há muita gente no topo da pirâmide social brasileira disposta a acreditar em absurdos, de modo a poder continuar a acreditar nas próprias convicções políticas conservadoras. Caso emblemático é o do atentado da bolinha de papel sofrido pelo tucano José Serra, na campanha eleitoral de 2010. Na época, coube ao Jornal Nacional da TV Globo montar um inesquecível teatro com um perito particular, Ricardo Molina, a fim de dar ao eleitor de Serra um motivo para entrar na fila da urna eleitoral sem a certeza de estar cometendo um ato de desonestidade política. Para tal, fartou-se com a fantasia do rolo-fantasma de fita crepe, gravíssimo pedregulho de plástico e cola a entorpecer as idéias do candidato do PSDB.
Todos nós, jornalistas, já nos deparamos, em menor ou maior escala, com fontes do submundo. Esta é a verdade que a Veja usa para tentar se safar da CPI. Há, contudo, uma diferença importante entre buscar informação e fazer uso de um crime (no caso, o esquema de espionagem da quadrilha de Cachoeira) como elemento de pauta – até porque, do ponto de vista da ética jornalística, o crime em si, este sim, é que deve ser a pauta. A confissão do bicheiro, captada por um grampo da PF, de que “todos os furos” recentes da Veja se originaram dos afazeres de uma confraria de criminosos, nos deixa diante da complexidade desse terrível zeitgeist, o espírito de um tempo determinado pelos espetáculos de vale tudo nas redações brasileiras.
Foi Cachoeira que deu à Veja, a Policarpo Jr., a fita na qual um ex-diretor dos Correios recebe propina. O material foi produzido pela quadrilha de Cachoeira e serviu para criar o escândalo do mensalão. Sob o comando de Policarpo, um jovem repórter de apenas 24 anos, Gustavo Ribeiro, foi instado a invadir o apartamento do ex-ministro José Dirceu, em um hotel de Brasília. Flagrado por uma camareira, o jornalista acabou investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal, mas escapou ileso. Não se sabe, até hoje, o que ele pretendia fazer: plantar ou roubar coisas. A matéria de Ribeiro, capa da Veja, era em cima de imagens roubadas do sistema interno de segurança do hotel, onde apareciam políticos e autoridades que freqüentavam o apartamento de Dirceu. A PF desconfia que o roubo (atenção: entre jornalistas de verdade, o roubo seria a pauta) foi levado a cabo pela turma de Cachoeira. A Veja, seria, portanto, receptadora do produto de um crime. Isso se não tiver, ela mesmo, o encomendado.
Por isso, além da podridão política que naturalmente irá vir à tona com a CPI do Cachoeira, o Brasil terá a ótima e rara oportunidade de discutir a ética e os limites do jornalismo a partir de casos concretos. Veremos como irão se comportar, desta feita, os arautos da moralidade da velha mídia, os mesmos que tinham no senador Demóstenes Torres o espelho de suas vontades.

sábado, 7 de abril de 2012

O Dadá sabe tudo: como o Dantas soube da Satiagraha | Conversa Afiada

O Dadá sabe tudo: como o Dantas soube da Satiagraha | Conversa Afiada

O Dadá sabe tudo: como
o Dantas soube da Satiagraha

    Publicado em 07/04/2012
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Dadá conversava muito com a Folha
O Dadá está preso na companhia do Carlinhos Cachoeira.

O Dadá sabe muita coisa.

Na pág 3 do Globo deste sábado, Dadá aparece como representante de Carlinhos Cachoeira e licitações ou supostas licitações na Infraero, para defender interesses de Demóstenes e Cachoeira.

Dadá era do serviço de Inteligência da Aeronáutica e depois se tornou figurinha manjada do sub-mundo da arapongagem e do “jornalismo investigativo” de Brasília.

Se o PiG (*) apertar bem, se furar com broca de dentista, vai chegar à jornalista investigativa da Folha (**), Andrea Michael.

O Dadá sabe como a Andrea Michael passou informações da Satiagraha ao Daniel Dantas e quase desmonta a Satiagraha.

Dadá sabe de todos os detalhes desse serviço inestimável que o banqueiro condenado recebeu da jornalista “investigativa”.

Foi um dos momentos inesquecíveis da História da Folha.

Andrea Michael aparecerá num próximo livro da Editora Três que tratar das caminhonetes da Folha a serviço da tortura.

O Juiz Fausto De Sanctis lamenta não ter mandado prender Michael, como pediu o presidente da Satiagraha, o ínclito delegado Protógenes Queiroz.

De Sanctis acreditava que o PiG (*) saberia fazer a mea-culpa e extirparia Michael de seu meio.

Ao contrário: numa sessão de fuzilamento no programa com Protógenes, no Roda Morta, da TV Cultura, Michael foi elevada à condição de Joana D’Arc pelos jornalistas “investigativos” que a defenderam com unhas e dentes.

Dadá conhece mais da Historia do Jornalismo Contemporâneo Brasileiro do que os autores daquele livro que a Folha editou para se blindar.

O amigo navegante não se recorda desse Momento Sublime do PiG (*) ?

Uma desinteressada contribuição se segue:

Protógenes identifica advogado e jornalista da gravação

A propósito da divulgação de um áudio da Operação Satiagraha, onde há menção a um advogado e a uma jornalista, este ansioso blogueiro conversou por telefone com o deputado federal pelo PC do B de São Paulo, Protógenes Queiroz.

Na qualidade de delegado da Polícia Federal, Protógenes presidiu a Operação Satiagraha.

O áudio é verdadeiro ?

Sim, parece idôneo, ele respondeu.

(Ouça abaixo a íntegra da entrevista.)

Protógenes observou que foi precisamente um suposto vazamento que o condenou na Justiça, na primeira instância.

Pergunta ele: por que ele vazaria a Satiagraha ?

Para boicotá-la ?

E agora: quem vazou para os hackers ?

Com que objetivo ?, pergunto.

Segundo Protógenes, esse vazamento, agora, tem o objetivo de tentar desestabilizar o Governo Dilma.

Num telefonema posterior, este ansioso blogueiro perguntou: por que desestabilizar ?

Porque a Satiagraha pega o PT e o PSDB, ele respondeu.

Quem são Bernardo e Cristina, que aparecem no início da gravação ?

São integrantes do grupo do banqueiro condenado, Daniel Dantas, ele responde.

Quem é Nélio ?

Quem defendia Daniel Dantas era o Dr Nélio Machado, respondeu Protógenes.

Nélio Machado é quem traçava a estratégia de defesa de Dantas.

O Nélio do áudio se refere a uma jornalista – sem dar o nome – que passava informações muito precisas.

Tão precisas que deram “consistência” a um pedido de “salvo conduto” que Nélio tentaria na Justiça.

Quem é essa jornalista, perguntei.

É a Andréa Michael, da Folha (**), ele respondeu.

Foi ela quem em abril de 2008, no sábado, na Folha, estampou parte da investigação Operação, explicou Protógenes.

Por causa disso, foi preciso fazer um esforço muito grande para “fechar” a investigação.

Por que fechar ?, pergunto.

Porque havia indícios de que uma parte da cúpula da Polícia Federal estava comprometida com esses vazamentos.

Protógenes conta que foi obrigado a “fechar” a investigação até para a cúpula da Polícia.

A mesma cúpula que tirou pessoal da Satiagraha, e que, em pouco tempo, mudou duas vezes a base física da Operação.

Houve tempo em que Protógenes só contava com dois funcionários da Polícia Federal para realizar o trabalho.

A reportagem da Andrea Michael poderia ter destruído a Satiagraha, perguntei ?

Sim !, ele responde.

O vazamento ocorreu em abril e a Satiagraha só pôde ser desfechada em julho.

Quase que a gente não consegue apreender o R$ 1 milhão em espécie, diz Protógenes.

Sobre essa apreensão em dinheiro, convém assistir à reportagem sobre a passagem de bola que o jornal nacional exibiu e Gilmar Dantas (***) ignorou.

A voz de Brasília no áudio se refere a um delegado Troncón, da Polícia Federal, que teria posição diferente da sua na Satiagraha – explicou o ansioso blogueiro.

Quem é Troncón, perguntou o ansioso blogueiro.

Trata-se de Roberto Troncón, hoje Superintende da Policia Federal em São Paulo e, na época, diretor geral do Combate ao Crime Organizado – explicou Protógenes.

Ele explica que Troncón – um homem acima de qualquer suspeita, diz Protógenes -, de fato, via a Operação de forma diversa.

Protógenes lembra também que muitos vazamentos para a imprensa, talvez provenientes da própria Polícia Federal,  mais tarde se confirmaram.

Por exemplo, o vazamento sobre a remoção de Protógenes da Diretoria de Inteligência – onde começou a investigar Daniel Dantas – para a de Combate ao Crime Organizado – e, portanto, subordinado de Troncón.

Troncón foi nomeado para o importantíssimo cargo de Superintendente em São Paulo pelo Ministro da Justiça Zé Eduardo Cardozo.

Sobre a conclusão da Satiagraha pelo Delegado Saadi, existe um pedido do líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira, ao Ministro Zé Cardozo.

Por que a Satiagraha II só vaza para a Época ?

E por que o vazamento para a Época não provoca nenhum processo, como os 893 que Luis Fernando Corrêa – aquele que não acha o áudio do grampo – moveu contra Protógenes ?

Viva o Brasil !


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(***) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

Russia working on electromagnetic radiation guns | Space, Military and Medicine | Herald Sun

Russia working on electromagnetic radiation guns | Space, Military and Medicine | Herald Sun

Russia working on electromagnetic radiation guns

    zombies
    A scene from Call of Duty: Black Ops Zombies.
    WHILE many believed it to be an April Fool's Day joke, Vladimir Putin has confirmed Russia has been testing mind-bending psychotronic guns that can effectively turn people into zombies.
    The futuristic weapons - which attack their victims' central nervous system - are being developed by scientists and could be used against Russia's enemies and even its own dissidents by the end of the decade.
    Mr Putin has described the guns, which use electromagnetic radiation like that found in microwave ovens, as entirely new instruments for achieving political and strategic goals.
    Plans to introduce the super-weapons were announced by Russian defence minister Anatoly Serdyukov.
    While the technology has been around for some time, MrTsyganok said the guns were recently tested for crowd control purposes.
    “When it was used for dispersing a crowd and it was focused on a man, his body temperature went up immediately as if he was thrown into a hot frying pan," Mr Tsyganok said.
    "Still, we know very little about this weapon and even special forces guys can hardly cope with it,'' he said.
    Research into electromagnetic weapons has been carried out in the US and Russia since the '50s but it appears Putin has stolen a march on the US.
    Precise details have not been revealed but previous research has shown that low-frequency waves or beams can affect brain cells, alter psychological states and make it possible to transmit suggestions and commands directly into someone's thoughts.
    Mr Putin said the technology is comparable in effect to nuclear weapons but “more acceptable in terms of political and military ideology''.
    Mr Serdyukov said the weaponry based on new physics principles - direct-energy weapons, geophysical weapons, wave-energy weapons, genetic weapons and psychotronic weapons - were part of the state arms procurement program for 2011-2020.
    Maybe there will be a reason to purchase that zombie safe house, after all.
    Last year Texan Austin Fleming’s created the Vagabond Mobile Safe House Device, which incorporates potable water filtration, tracking devices and photovoltaic cells into a handy and stylish leather backpack.
    The whole things flips out armadillo-style in under three minutes and is covered in reflective coating to confuse drooling marauders.
    The design won the 2011 Architects Southwest Zombie Safe House competition.

    O Custo Brasil

    O Custo Brasil

    O Custo Brasil

    Por O Enciclopedista
    Essa semana foi marcada por um protesto contra a desindustrialização que reuniu sindicatos patronais e de trabalhadores em frente à Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. A diminuição da participação da indústria no PIB é uma das principais causas do protesto.
    O tema do texto não é a desindustrialização em si, que não é um fenômeno brasileiro, mas um fenômeno global. De acordo com a ONU, todas as principais economias do mundo tiveram forte recuo da participação industrial na economia. A intenção é desconstruir a falácia do setor industrial brasileiro, que insiste em determinar o Custo Brasil como a principal causa de perda de competitividade por parte da indústria brasileira.
    Dentre as justificativas, estão o custo dos salários de nossos políticos, muito altos, o excesso de corrupção, a falta de infra-estrutura, dentre outros. Todos eles tendo como alvo o governo, nunca os próprios empresários. E espalhado por gente como o proto-político Paulo Skaf, presidente da FIESP.
    Em minha concepção, o problema industrial brasileiro tem origem em uma característica peculiar e cultural do brasileiro, eternizada pelo ex-jogador Gérson: a necessidade quase patológica de levar vantagem em tudo. Um trecho despretensioso de uma propaganda de cigarros acabou se tornando um dos raros virais brasileiros anteriores à Internet. A frase “eu gosto de levar vantagem em tudo, certo?” acabou virando um fenômeno sociológico, explicando algumas atitudes de boa parcela dos brasileiros:
    No caso do Custo Brasil, é possível concluir algumas coisas. A primeira delas é que, de fato, a abertura comercial traz à indústria novos desafios. No entanto, a maioria dos países enfrentou esses desafios investindo em inovação, e não reclamando de desindustrialização e pedindo mais protecionismo aos governos. Mesmo porque o Brasil já é o sétimo país mais protecionista do mundo.
    Existem três exemplos que denotam bem a aplicação profissional dessa necessidade brasileira de levar vantagem em tudo. Dois industriais e um no setor de serviços. O primeiro deles é o das montadoras de automóveis. O Brasil montou seu parque industrial automotivo dentre das décadas de 30 e 60, baseado em plantas de multinacionais do setor. Os incentivos à indústria automotiva se estendem até hoje, como fruto de um pesado lobby das mesmas. Temos 21 indústrias automotivas instaladas no país, e nenhuma delas é nacional.
    Dentre os 10 maiores mercados automotivos do mundo, apenas Brasil e Canadá não possuem fábricas próprias. No entanto, o Canadá possui acordos de livre comércio com os EUA que barateiam sensivelmente os custos de produção e importação no país.
    O Brasil tem o carro mais caro do mundo. E isso por causa do lucro das empresas, e não dos impostos cobrados, como argumentam federações como a Anfavea, que sempre usam impostos como pretexto para aumentarem os valores de revenda dos automóveis. O carro mais barato do país atualmente, o Ford Ka, custa, sem nenhum opcional, R$ 23.650,00. Na cotação de 05 de abril, quase US$ 13 mil. Considerando a renda média do brasileiro, que é de R$ 1699,70, gastamos quase 14 meses de salário para comprar o carro mais barato do país.
    Ford Ka, o carro mais "barato" do Brasil
    A conta fica ainda mais inexplicável quando são contabilizados os lucros enviados pelas montadoras brasileiras ao exterior: apenas em 2011, eles chegaram a US$ 5,6 bilhões. Considerando que existe uma limitação legal em 30% para envio de remessa de lucros ao exterior, podemos calcular o lucro das montadoras brasileiras, em 2011, em, no mínimo, em US$ 18,7 bilhões. Algo que oscila, de acordo com a cotação do dólar em 2011, entre 30 e 35 bilhões de reais. Os lucros das montadoras brasileiras são sigilosos e atrelados às matrizes, mas sabe-se, por exemplo, que a GM brasileira foi determinante na recuperação da concordatária GM americana, em pouco mais de um ano. Graças aos lucros exorbitantes das montadoras daqui.
    Tal estrutura de lucros também acaba com as tentativas de produção de um veículo genuinamente nacional. A tentativa mais célebre foi feita por João Amaral Gurgel, que produziu veículos no país entre 1987 e 1994, mas foi vítima de uma abertura econômica mal planejada e mal executada pelos governos Collor e Itamar Franco. Abaixo, uma entrevista em que Gurgel mostra as dificuldades enfrentadas por ele, como industrial:

    O segundo setor é o imobiliário. As construtoras reajustaram, nos últimos anos, os preços dos imóveis a índices abusivos nas grandes metrópoles brasileiras, formando uma bolha imobiliária localizada nas regiões metropolitanas brasileiras (para mais informações, leia esse texto, e depois esse). Tal ânsia por lucros afeta o próprio planejamento urbano, provocando uma explosão de desigualdade social nas cidades. É claramente insustentável a médio e a longo prazo, e poderá culminar com uma explosão na inadimplência dos mutuários em breve (ou em uma quebradeira generalizada das construtoras, se o governo não intervir). O terceiro setor em que é notório o desejo de se levar vantagem em tudo é o bancário. Em outubro, quando da greve dos bancários, já fiz uma reflexão sobre o assunto. Os bancos brasileiros são os únicos do mundo que não necessitam de alavancagem, pois se sustentam apenas com tarifas. E, ainda assim, cobram os spreads bancários mais altos do mundo. O problema é tão grave que o governo atual estuda atacar radicalmente o spread bacário, através dos bancos públicos. Enquanto a taxa de juro básica da economia brasileira, a Selic, está em 9,75% ao ano, bancos chegam a cobrar até 19,90% ao mês, ou 245% ao ano, em taxas como o pagamento rotativo dos cartões de crédito. Tudo isso torna o lucro dos bancos brasileiros incrivelmente altos para a estrutura e o nível de alavancagem dos mesmos. Tanto que, nessa época de crise na União Européia, o Santander Brasil foi decisivo para a recuperação da matriz espanhola. É normal que você esteja se perguntando, nesse momento, se eu vou ter a calhordice de defender que, na verdade, o Custo Brasil não existe. Obviamente que não. O Custo Brasil existe sim, mas é provocado pelo mesmo motivo que leva os três setores da economia citados a acumularem lucros tão exorbitantes: o desejo de se levar vantagem em tudo. O excesso de corrupção, a burocracia de agentes públicos “criando dificuldades para vender facilidades”, a falta de infra-estrutura, é tudo fruto dessa mentalidade mesquinha de boa parte dos brasileiros, no setor público e no setor privado, em levar vantagem em tudo. Os brasileiros pagam caro pelo que consomem e pagam altos impostos por conta do anseio de políticos e empresários em lucrarem acima do que seria considerado justo. Na verdade, o brasileiro médio é tão calcificado pela falta de educação formal e pela falta de senso crítico que não consegue nem mesmo formar uma noção razoável de justiça. Não consegue quantificar o valor justo de um produto ou de um serviço, e também não consegue compreender situações abusivas de forma conclusiva. Nesse caso, de fato, fica mais fácil atacar o governo, por um único motivo. O governo é um agente público, impessoal, distante, disperso em diversos rostos. A noção de “classe”, torna essa “instituição” chamada poder público, nas três esferas (Executivo, Legislativo e Judiciário) e nas três instâncias federativas (União, Estados e Municípios), mais fácil de ser atacada e culpada por todos os problemas de nossa sociedade. Mas a culpa não é só do poder público. É da nossa noção individualista de deixar a justiça de lado para levar vantagem em tudo. A conclusão é que o Custo Brasil existe, diminui a eficiência das empresas, mas é alvo de um marketing agressivo utilizado para os empresários do país, nas mais diversas áreas, fazerem lobby junto aos governos e à opinião pública, buscando vantagens que, em muitas oportunidades, margeiam a lei. Além de todos os malefícios já citados aqui, a necessidade de empresários e políticos de levarem vantagem em tudo trazem duas consequências negativas imediatas sobre a própria sociedade: A primeira delas é o desestímulo à inovação. O Brasil nunca ganhou um Prêmio Nobel (*) por não investir em educação e pesquisa científica. Mas também por ter a inovação historicamente desestimulada pela intenção de muitos em levar vantagem em todos osaspectos, utilizando “jeitinhos” para isso, à margem da lei. O trabalho contínuo e o acúmulo de conhecimento nunca foram valorizados no país. No lugar disso, são valorizados os atalhos. E preferimos, por exemplo, taxar importados à inovar, fazer lobby à inovar, ou fornecer escolas particulares de nível superior de péssima qualidade ao invés de investir continuamente em educação. A segunda, e mais grave, é o aumento das brutais desigualdades sociais do país. Se alguém tenciona levar vantagem em tudo, por mais que seja anti-ético, por muitas vezes consegue. E, quando alguém leva vantagens indevidas, alguém sempre é desfavorecido. E tal relação só aumenta as diferenças sociais entre ricos e pobres. E tais diferenças só são diminuídas artificialmente pelos governos, através de programas de transferência de renda. Mas, mais uma vez, a solução para tal disparidade está no aumento sensível e contínuo do nível da educação pública. E com um sistema legislativo que funcione efetivamente, impondo sérias punições a comportamentos de mercado condenáveis. Na próxima vez que um empresário citar o Custo Brasil em um discurso, tenha uma certeza: ele está fazendo lobby. Para pagar menos impostos e para jogar a sociedade contra o governo. É tão irritante quanto aquele jogador de futebol que fica se jogando no chão a cada trombada para jogar a torcida contra o juiz ou quanto aquele guri de oito anos que faz escândalo e chuta o tabuleiro estragando a brincadeira de todo mundo, depois de perder no Banco Imobiliário. São coisas que devem ser ignoradas, porque o nosso problema não é o Custo Brasil. É a cultura de levar vantagem em tudo que é aceitável, por boa parte dos brasileiros, eternizando as desigualdades sociais e e desenvolvimento torto e manco do país. (*) O Brasil nunca teve um vencedor em uma das seis principais categorias do Prêmio Nobel: Medicina, Economia, Física, Química, Literatura e Paz. Em 1994 o geógrafo Milton Santos ganhou o Prêmio Valtrin Lud, maior distinção internacional na área e considerado por muitos como um “Prêmio Nobel da Geografia”.

    Aula magna de jornalismo

    Aula magna de jornalismo

    3rd abril
    2012
    written by Paulo Nogueira 




    Brilhante. Tocante. Esclarecedor. Imperdível.
    Não sei que adjetivos mais empregar para designar o documentário A Guerra Que Você Não Vê, de John Pilger, um jornalista nascido na Austrália e radicado em Londres. Pilger, 71 anos, é aquele jornalista que todos sonhamos ser no início da carreira – quando temos a convicção de que o jornalismo pode mudar o mundo. O dia a dia logo nos rouba as ilusões e nos dá em troca uma quantidade suficiente de cinismo para olharmos para o espelho sem a auto-recriminação dos que traem a si próprios.
    Pilger não desistiu do sonho – e por isso acabou construindo como jornalista uma obra simplesmente única.  Em seus artigos, livros e documentários, Pilger cumpre um dos objetivos mais nobres e mais esquecidos do jornalismo: dar voz a quem não tem.
    Em A Guerra Que Você Não Vê, Pilger dá uma aula magna de história moderna e de jornalismo. (No YouTube, ele aparece fatiado, como mostra o vídeo que abre este texto.) Pilger põe foco na Guerra do Iraque, mas também fala de outras.
    Dois fatores, lembram ele, foram determinantes que os Estados Unidos e a Inglaterra de Tony Blair invadissem o Iraque em 2003. O primeiro é que o regime de Saddam Hussein teria armas de alto poder destrutivo. Não era verdade. O segundo é que Hussein teria vínculo com a Al-Qaeda de bin Laden. Também não era verdade.
    A mídia comprou as duas mentiras. Não fez o que deveria ter feito: checar as informações oficiais. Os jornais e os jornalistas fizeram não jornalismo, mas propaganda – e isso como que legitimou a Guerra do Iraque.
    Quando as falácias vieram à tona, era tarde demais.  Dezenas de milhares de civis iraquianos estavam mortos. Crianças, mulheres, velhos em quantidade pavorosa numa guerra cuja única causa era – e é – o petróleo.
    Pilger entrevistou alguns dos grandes jornalistas que não fizeram o que deveriam ter feito. Quase todos estão claramente embaraçados e envergonhados. O âncora Dan Rather, que era o principal nome do telejornalismo americano naqueles dias, reconhece que, se os jornalistas tivessem feito um trabalho de investigação decente diante das alegações de Bush, provavelmente os Estados Unidos não invadiriam o Iraque.
    A cobertura ocidental da guerra fazia crer que os iraquianos estavam felizes com a chegada das tropas aliadas. Quando o mundo tomou ciência do sofrimento e da revolta dos iraquianos, foi por obra da rede árabe Al Jazeera, bancada pelo governo do Catar. Um jornalista britânico que cobria a guerra para a BBC lembra, no documentário, que escritórios da Jazeera no Iraque foram objeto de atentados. Era uma tentativa de intimidar jornalistas que estavam mostrando uma guerra que não era exatamente a que se via nas emissoras americanas ou inglesas. Ou matá-los.
    A guerra real – e Pilger dá o crédito – só seria revelada ao público ocidental pelo Wikileaks, no célebre vídeo que mostra soldados americanos em dois helicópteros matando por engano civis numa Bagdá destroçada.
    O documentário produz uma reação ambígua. Você amaldiçoa o jornalismo por conta de coisas como seu papel na Guerra do Iraque – mas ao mesmo tempo o abençoa por causa de gente como John Pilger.

    Brilhante. Tocante. Esclarecedor. Imperdível.
    Não sei que adjetivos mais empregar para designar o documentário A Guerra Que Você Não Vê, de John Pilger, um jornalista nascido na Austrália e radicado em Londres. Pilger, 71 anos, é aquele jornalista que todos sonhamos ser no início da carreira – quando temos a convicção de que o jornalismo pode mudar o mundo. O dia a dia logo nos rouba as ilusões e nos dá em troca uma quantidade suficiente de cinismo para olharmos para o espelho sem a auto-recriminação dos que traem a si próprios.
    Pilger não desistiu do sonho – e por isso acabou construindo como jornalista uma obra simplesmente única.  Em seus artigos, livros e documentários, Pilger cumpre um dos objetivos mais nobres e mais esquecidos do jornalismo: dar voz a quem não tem.
    Em A Guerra Que Você Não Vê, Pilger dá uma aula magna de história moderna e de jornalismo. (No YouTube, ele aparece fatiado, como mostra o vídeo que abre este texto.) Pilger põe foco na Guerra do Iraque, mas também fala de outras.
    Dois fatores, lembram ele, foram determinantes que os Estados Unidos e a Inglaterra de Tony Blair invadissem o Iraque em 2003. O primeiro é que o regime de Saddam Hussein teria armas de alto poder destrutivo. Não era verdade. O segundo é que Hussein teria vínculo com a Al-Qaeda de bin Laden. Também não era verdade.
    A mídia comprou as duas mentiras. Não fez o que deveria ter feito: checar as informações oficiais. Os jornais e os jornalistas fizeram não jornalismo, mas propaganda – e isso como que legitimou a Guerra do Iraque.
    Quando as falácias vieram à tona, era tarde demais.  Dezenas de milhares de civis iraquianos estavam mortos. Crianças, mulheres, velhos em quantidade pavorosa numa guerra cuja única causa era – e é – o petróleo.
    Pilger entrevistou alguns dos grandes jornalistas que não fizeram o que deveriam ter feito. Quase todos estão claramente embaraçados e envergonhados. O âncora Dan Rather, que era o principal nome do telejornalismo americano naqueles dias, reconhece que, se os jornalistas tivessem feito um trabalho de investigação decente diante das alegações de Bush, provavelmente os Estados Unidos não invadiriam o Iraque.
    A cobertura ocidental da guerra fazia crer que os iraquianos estavam felizes com a chegada das tropas aliadas. Quando o mundo tomou ciência do sofrimento e da revolta dos iraquianos, foi por obra da rede árabe Al Jazeera, bancada pelo governo do Catar. Um jornalista britânico que cobria a guerra para a BBC lembra, no documentário, que escritórios da Jazeera no Iraque foram objeto de atentados. Era uma tentativa de intimidar jornalistas que estavam mostrando uma guerra que não era exatamente a que se via nas emissoras americanas ou inglesas. Ou matá-los.
    A guerra real – e Pilger dá o crédito – só seria revelada ao público ocidental pelo Wikileaks, no célebre vídeo que mostra soldados americanos em dois helicópteros matando por engano civis numa Bagdá destroçada.
    O documentário produz uma reação ambígua. Você amaldiçoa o jornalismo por conta de coisas como seu papel na Guerra do Iraque – mas ao mesmo tempo o abençoa por causa de gente como John Pilger.

    Diário do Centro do Mundo

    Diário do Centro do Mundo

    A imprensa operou uma mágica em Demóstenes Torres: transformou rapidamente um político paroquial e inexpressivo numa personalidade nacional.
    Demóstenes, para ganhar uma cobertura extraordinária de jornais e revistas, seguiu a receita clássica: falou o que os outros queriam ouvir. Basicamente, um discurso arquiconservador enfeitado por uma pregação moralista em que o governo era combatido pela ótica da corrupção.
    Com isso, Demóstenes se tornou uma presença ubíqua, previsível e maçante na mídia. Ele se juntaria a um coral conservador do qual fazem parte articulistas como Merval Pereira, Ali Kamel, Marco Antonio Villa, Luiz Felipe Condé e Arnaldo Jabor. Todos eles falam, essencialmente, a mesma coisa, frases como que extraídas dos discursos de Ronald Reagan e Margaret Thatcher nos anos 1980. (Curioso que a nenhum deles ocorra fazer, já com a distância que vinte anos permitem, o balanço da obra que Reagan e Thatcher legaram aos Estados Unidos, ele, e ao Reino Unido, ela: declínio econômico acrescentado de uma elevação notável da desigualdade social. Cada um de seu lado do Atlântico, os dois criaram o que um economista americano chamou, num livro recente, de Nanny State ao contrário –  Estados-Babás para os ricos.)
    É vital que haja microfones para o pensamento conservador. Mas onde o contraponto para ajudar o leitor a formar opinião? Hoje, esse contraponto está praticamente confinado à internet no Brasil. Até por razões econômicas – o consumidor de notícias que não se sente representado é sinônimo de perda de circulação e de audiência – é imperioso para a indústria da mídia brasileira a retomada do equilíbrio perdido. O Deus Mercado, para usar uma expressão cara ao conservadorismo, demanda isso. Os leitores — eu incluído — ficarão felizes.
    Demóstenes floresceu exatamente num ambiente de perda de pluralidade de idéias na mídia brasileira. Picaretas aparecem assim, porque a filtragem fica rala.  Basta dizer coisas como as que Demóstenes dizia, e seu celular vai tocar, chamado por jornalistas que precisam de frases para preencher textos com idéias preestabelecidas. Das entrevistas telefônicas a convites para participar de programas na Globonews ou escrever colunas é um passo. (Numa rápida pesquisa que fiz, vi que Demóstenes tinha até uma coluna no blog de Ricardo Noblat, das Organizações Globo.)
    Demóstenes pertencia claramente à categoria dos conservadores de conveniência. Espertalhões como ele sabem como atrair os holofotes, e se adaptam às circunstâncias. Se para conseguir espaço ele tivesse que adotar uma retórica de esquerda, com certeza Demóstenes andaria com um chaveiro de Marx no bolso e repetiria frases de Lenine. Homens como ele têm uma única ideologia: a do dinheiro.
    Demóstenes usou a imprensa, com motivos pecuniários, para se promover. Foi usado por ela, por motivos ideológicos. E quem perdeu nisso foi o Brasil: é nociva para a democracia a crença de que todo político é corrupto. E é difícil fugir dessa conclusão ao ler a história de Demóstenes.
    Há uma espécie de justiça poética no fato de que a notícia mais importante da política brasileira em muitos anos tenha nascido não da mídia — mas da Polícia Federal. Para a qual seguem aplausos de pé.
    Clap, clap, clap.

    Ligando os pontos até a grande reportagem de Veja | Brasilianas.Org

    Ligando os pontos até a grande reportagem de Veja | Brasilianas.Org

    O círculo se fecha! Jairo vazou a Satiagraha, obtida por Idalberto, para a Veja - a mando de Cachoeira - e inventou o episódio do "grampo sem aúdio" de Gilmar Mendes e Demóstenes Torres.

    Através da Op. Monte Carlo fica provado que Idalberto Matias de Araújo, terceiro-sargento da Aeronáutica, e Jairo Martins de Souza, terceiro-sargento da Polícia Militar no Distrito Federal são funcionários de Carlos Cacheira. Então, vamos ler as seguintes notícias disponíveis na internet sabendo dessa informação.

    *****

    Por Daniel Roncaglia, do Consultor Jurídico [12 de janeiro de 2009]

    “Amparado no inquérito e nos argumentos do delegado Ferreira, o juiz Ali Mazloum decretou buscas nas casas de Melo e Braun, ambos residentes no Setor de Mansões Park Way, em Brasília. Também foram alvos da inspeção Idalberto Matias de Araújo, terceiro-sargento da Aeronáutica, Jairo Martins de Souza, terceiro-sargento da Polícia Militar no Distrito Federal e Walter Guerra Silva, escrivão da PF.
    >Graças a esse pedido, a PF também fez busca e apreensão no apartamento do delegado Protógenes Queiroz, alugado em Brasília, no quarto de hotel que costuma ocupar em São Paulo e no apartamento de seu filho, no Rio. Os policiais levaram um notebook, o telefone celular, um pen drive e um rádio usados pelo delegado.”

    ****

    Consultor Jurídico, 26 de março de 2009

    “O terceiro sargento da PM do Distrito Federal, Jairo Martins de Souza, negou aos integrantes da CPI dos Grampos que tenha participado do vazamento de gravações telefônicas da Operação Satiagraha e da conversa, publicada pela revista Veja, entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). O policial disse não ter ideia do porquê da suspeita sobre ele, mas disse que é provável que seja apenas uma forma de se encontrar um culpado para o vazamento das informações.

    O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), porém, afirmou que é possível identificar os mesmos personagens e modos de atuação em duas outras ações investigadas pela Câmara nos últimos três anos: o processo de cassação do então deputado André Luiz (sem partido-RJ) e a CPI dos Correios.

    Fruet afirma que foi Jairo Martins de Souza quem fez as gravações que incriminaram o ex-deputado André Luiz, acusado de tentar extorquir R$ 4 milhões do empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. O objetivo, segundo o parlamentar, era livrá-lo de indiciamento pela CPI da Loterj, feita pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

    O policial admitiu, durante o depoimento, que montou a maleta com que foi feita a gravação do pagamento de suborno ao servidor público Maurício Marinho, fato que deu origem à CPMI dos Correios.

    Recrutamento

    Martins de Souza entrou na PM em 1989. Em 1993, foi convocado para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), onde ficou nove anos. Ele disse que nunca trabalhou com escutas, sendo especialista em recrutamento. Depois dos episódios das escutas, o policial ressaltou que sua vida foi muito prejudicada e que sofreu ameaças. Por isso, afirmou: “Jamais me envolveria outra vez nesse tipo de operação”.

    O policial reconheceu que é muito amigo do sargento Idalberto e que conheceu o ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI) Francisco Ambrósio Nascimento e o agente Jerônimo Jorge da Silva Araújo durante seu período na Abin.

    Ele também afirmou à CPI que é amigo de jornalistas, entre eles Policarpo Júnior, autor das reportagens sobre a Assembléia carioca, a corrupção nos Correios e o grampo no STF, todas para a revista Veja. Ele atribui suas boas relações com a imprensa ao fato de também ser jornalista de formação. Com informações da Agência Câmara.”

    Foto: O deputado Nelson Pellegrino e o presidente da CPI, Marcelo Itagiba, interrogam o sargento Jairo Martins.



    ******

    Sargento Dadá, que era o braço direito de Carlos Cachoeira e está preso, também atuou diretamente na operação mais polêmica da PF; deve ter gostado tanto do trabalho que resolveu registrar um negócio chamado Satiagraha; por Claudio Julio Tognolli

    25 de Março de 2012 às 16:50



    Claudio Julio Tognolli _247 - A página 459 da denúncia oferecida contra Carlos Cachoeira, pelo Ministério Público Federal de Goiás, na Operação Monte Carlo, é um dissuasivo nuclear que está tirando o sono de muita gente. Nela está degravada uma escuta telefônica em que Idalberto Matias de Araújo, o sargento Dadá, (braço direito de Cachoeira, preso da Monte Carlo, e agente recrutado por Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha) confessa a interlocutores que está criando, com amigos, uma empresa de segurança privada chamada “Satiagraha” – justamente o nome da operação que imortalizou Protógenes por ter prendido, temporariamente, o banqueiro Daniel Dantas.

    A gravação foi feita a partir das 13h29 minutos, pela PF, no dia 4 de abril de 2011. Durou dez minutos e treze segundos. Na conversa, há trechos como “o negócio de Minas Gerais ainda não fechou. Evaldo tá criando a empresa Satiagraha”. Fala-se na criação de uma Home Page para a empresa Satiagraha e na presença, na futura empresa, de pessoal treinado em Israel, EUA, Iraque, e Afeganistão – ou seja, ex-militares dos EUA. Os cursos para os demais membros a serem dados no Rio de Janeiro, com intuito de “vender segurança para a América do Sul”.

    Para você entender a kriptonita que esse trecho representa aos heróis das esquerdas, como Protógenes Queiroz, há que lembrar o seguinte: ao pedir a CPI da Monte Carlo, Protógenes vai sacrificar dois de seus ex-empregados-arapongas. Ambos foram pegos pela PF na Operação Monte Carlo, por cuja CPI Protógenes ora luta.

    Um deles é policial Jairo Martins de Souza. Foi ele quem gravou a fita que detonou, em 2005, o escândalo do Mensalão. Trata-se da cena em que um ex-funcionário dos Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo uma propina de R$ 3 mil. A fita foi entregue ao jornalista Policarpo Júnior, que é amigo de Jairo Martins, e hoje, além de dirigir a sucursal da revista Veja em Brasília, é redator-chefe da publicação.

    De acordo com a acusação do Ministério Público, Jairo Martins era um “empregado” da quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Recebia R$ 5 mil mensais e tinha a função de cooptar policiais e também levantar informações que pudessem prejudicar os negócios do grupo.

    Em 2005, na crise do Mensalão, Jairo Martins depôs no Congresso, e disse que gravou a fita com Maurício Marinho por “patriotismo”. Não se sabe, ainda, se Cachoeira estaria por trás da denúncia.

    Se aprovada, a CPI da Operação Monte Carlo, como quer Protógenes, vai ter como um de seus alvos o segundo ex-braço direito do deputado Protógenes na Satiagraha: o sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. Saído do Cisa, o serviço secreto da Aeronáutica, justamente para cumprir a missão presidencial da Satiagraha, Dadá foi preso pela PF na Operação Monte Carlo. Na Satiagraha, foi Dadá quem aproximou Protógenes da Abin. E foi justamente essa participação dos arapongas que acabou por invalidar a operação no STJ – o que o Ministério Público agora tenta reverter. Obviamente, é o mesmo Dadá que quis criar com arapongas de todo o mundo, para Carlinhos Cachoeira, a empresa de segurança privada de nome Satiagraha.

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    EX-BRAÇO DIREITO DO DELEGADO, QUE ESTÁ PRESO POR SUAS LIGAÇÕES COM CARLINHOS CACHOEIRA, AMEAÇA CONTAR TUDO SOBRE A OPERAÇÃO SATIAGRAHA SE O DEPUTADO INSISTIR COM O PEDIDO DE ABERTURA DE CPI; QUAIS SERÃO OS MISTÉRIOS?

    247 – Idalberto Matias de Araújo, o sargento Dadá, guarda muitos segredos. Preso na Papuda, em Brasília, ele contou a policiais do Distrito Federal que revelará ao Brasil os segredos da Operação Satiagraha, caso o delegado e deputado Protógenes Queiroz (PC do B/DF) insista em abrir uma CPI para investigar as atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Antes dele, o próprio Cachoeira fez a mesma ameaça ao delegado. A informação foi publicada nesta segunda-feira na coluna do jornalista Claudio Humberto, que é distribuída a vários jornais.

    Dadá teve participação decisiva na Operação Satiagraha. Foi ele quem entregou detalhes da investigação conduzida por Protógenes à jornalista Andrea Michael, que trabalhava na Folha de S. Paulo. Michael foi orientada por Dadá a produzir uma reportagem informando que o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e alguns de seus parentes seriam presos. Ou seja: avisou publicamente que uma operação sigilosa vinha sendo conduzida pela equipe de Protógenes.

    A partir desta reportagem, Protógenes obteve do juiz Fausto de Sanctis e do promotor Rodrigo de Grandis autorização para montar uma ação controlada. A equipe do delegado se sujeitaria a uma oferta de suborno para produzir um flagrante que levasse os alvos da operação à prisão. Nesta ação controlada, Protógenes recorreu a um amigo de muitos anos, chamado Hugo Chicaroni, com quem já havia trabalhado em outras operações. Este foi filmado num restaurante chamado El Tranvia, em São Paulo, oferecendo suborno a um assistente de Protógenes, chamado Victor Hugo, para que a operação fosse suspensa. A partir desta imagem, captada por cinegrafistas da Rede Globo, e não da Polícia Federal, foi possível deflagrar a operação.

    Sumiço do dinheiro

    Na Satiagraha, considerada a operação mais polêmica já realizada pela Polícia Federal, o dinheiro apreendido na casa de Chicaroni não foi periciado. Sumiu antes que se pudesse descobrir sua procedência. A ação acabou invalidada pelo Superior Tribunal de Justiça, em função da participação informal de agentes da Agência Brasileira de Inteligência – hoje, o MP tenta reabrir o caso, que será julgado no STF.

    Além de Dadá, outro funcionário de Carlos Cachoeira também participou da Satiagraha. Foi o araponga Jairo Martins, fonte contumaz da revista Veja, que também está preso.

    Se Dadá tem segredos a revelar, e Protógenes não tem nada a esconder sobre a ação policial que lhe deu fama e um mandato parlamentar, o ideal é que a CPI seja rapidamente instalada e Dadá o primeiro a depor