sábado, 13 de maio de 2017

Seis fortes indícios do interesse dos Estados Unidos

Seis fortes indícios do interesse dos Estados Unidos nos resultados da Lava Jato - Viomundo - O que você não vê na mídia



Seis fortes indícios do interesse dos Estados Unidos nos resultados da Lava Jato

13 de maio de 2017 às 18h40









por Luiz Carlos Azenha


Barack Obama assume a Casa Branca e escala Hillary Clinton para o Departamento de Estado.


O órgão anda enfraquecido relativamente ao Pentágono, que deu as cartas na política externa durante George W. Bush.


Mas, a grana é curta. E Hillary fala em usar mais o “soft power“, apontando o Itamaraty — sob Celso Amorim — como exemplo da eficácia da estratégia.


Soft power é quase como influenciar o vizinho e convencê-lo
de que seus interesses são convergentes e que vocês podem trabalhar
juntos. Quando Estados Unidos e Belize trabalham juntos, por exemplo,
quem tem mais força na relação? E quando isso se dá entre Brasil e
Paraguai?


Soft power é usar sua diplomacia para conquistar mercados e
obras no Exterior, como fizeram a Suécia no caso dos caça Gripen, o
Brasil no caso das obras da Odebrecht e os Estados Unidos no caso do
Sistema de Vigilância da Amazônia, o SIVAM:


Da Folha:


Espionagem do governo dos EUA e a ajuda de um militar
brasileiro garantiram à companhia norte-americana Raytheon a conquista
do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), projeto de US$ 1,4 bilhão
de proteção da bacia amazônica que será inaugurado na quinta-feira em
Manaus.



Documentos oficiais dos Estados Unidos revelam que, em junho e em
julho de 1994, nas semanas que antecederam a apresentação final das
duas propostas finalistas do processo de seleção do Sivam, a Casa Branca
soube, por meio de “fontes dos serviços de inteligência”, que as
condições de financiamento oferecidas de forma sigilosa pela francesa
Thomson-CSF (que mudou seu nome para Thales em 2000) eram melhores que
as da Raytheon.



Com base nessa descoberta, diplomatas americanos reuniram-se
sigilosamente com o tenente-brigadeiro Marcos Antônio de Oliveira, então
coordenador do processo de seleção da empresa que forneceria
equipamentos ao Sivam, e, todos juntos, puseram em prática uma
estratégia que melhorou a proposta da Raytheon e garantiu sua
vitória. Hoje, Oliveira é o chefe do Estado-Maior da Aeronáutica.



Os documentos, cerca de 400, são do Departamento de Estado, do
Departamento de Comércio, da CIA (agência de inteligência) e da
embaixada dos EUA no Brasil. Foram obtidos pela Folha ao longo dos
últimos três anos com base na lei norte-americana da liberdade da
informação –“Freedom of Information Act”. Outros cem papéis sobre o
Sivam foram total ou parcialmente censurados.
No mundo real, é assim que funciona.


É óbvio que os Estados Unidos nunca engoliram a ideia de que o Brasil
poderia projetar poder sobre seu “quintal”, na América Latina,
disputando mercados e influenciando eleições. Mas, na diplomacia, isso
sempre foi assim (mais recentemente, na clara opção preferencial de
Vladimir Putin por Donald Trump).


Portanto, é bom juntar os indícios de que os Estados Unidos, se não
promoveram diretamente a Operação Lava Jato e o impeachment de Dilma,
não assistiram passivamente aos acontecimentos no Brasil —  por exemplo,
à aproximação preferencial com os Brics ou atuação destacada nos
organismos multilaterais.


Vamos a alguns deles:


1. A National Security Agency (NSA), dos Estados Unidos, espionou a
Petrobras e, pessoalmente, a então presidente Dilma Rousseff, que chegou
a utilizar um celular comum;


2. Assim que foi dado o golpe contra Dilma, as ações adotadas por
Michel Temer na estatal vieram ao encontro dos interesses dos acionistas
e, por acaso, dos Estados Unidos: transformar a Petrobras em mera
furadora de poço (não mais, como a Shell e a Exxon Mobil, uma empresa
que atua do poço à bomba). Isso significa acelerar a produção do
pré-sal, o que implica em derrubar o preço internacional do petróleo e
abrir mais espaço para as multinacionais, às quais faltam oportunidades
de negócios devido ao grande controle estatal sobre o petróleo em todo o
mundo;


3. O destaque dado por várias publicações norte-americanas ao juiz
Sergio Moro, que estudou nos Estados Unidos e fez um tour pelo país
bancado pelo Departamento de Estado;


4. A negativa de visto dos Estados Unidos ao senador Romero Jucá,
acusado mas ainda não condenado por envolvimento na Lava Jato. Um recado
a outros investigados: não há como escapar;


5. A descoberta, agora, de que o governo Lula — segundo os
marqueteiros João Santana e Monica Moura — pode ter interferido na
reeleição de Nicolas Maduro na Venezuela e na eleição de Mauricio Funes
em El Salvador, através da Odebrecht, fazendo avançar interesses da
diplomacia brasileira dentro do “quintal” dos Estados Unidos. É óbvio
que Washington tem olhos e ouvidos fiéis nos dois paises e jamais
aceitaria que outro país fizesse o que Washington faz todos os dias em
todo o planeta.


6. O jogo duro da Lava Jato não apenas com os executivos corruptos,
mas com a empresa Odebrecht, uma das maiores exportadoras de serviços do
Brasil. Acordos de cooperação internacional fechados pela PGR, dos
quais o Executivo brasileiro foi praticamente excluído, são
entendimentos entre burocracias que apenas aparentemente são
despolitizados. Vejam o caso da Raytheon, acima, para entender que nos
Estados Unidos há “vasos comunicantes” e cooperação entre as agencias
governamentais, de maneira a colocar acima de tudo os interesses
políticos, diplomáticos e econômicos de Washington.


Fiquem, agora, com recente entrevista do jurista Fábio Konder Comparato à Rede Brasil Atual:


Comparato: ‘Prender ou pelo menos incriminar Lula faz parte da política norte-americana’


Para jurista, depoimento de Lula mostrou que “não há o menor
indício de prova” contra o ex-presidente. Mas interesses por trás da
Lava Jato são poderosos: “Moro é um grande amigo dos Estados Unidos”



por Eduardo Maretti, da RBA


São Paulo – Para o jurista Fábio Konder Comparato, o destaque do
depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é que o
interrogatório do petista pelo juiz Sérgio Moro em Curitiba, na
quarta-feira (10), “demonstra claramente” que a acusação da compra do
apartamento no Guarujá pelo próprio Lula ou por sua esposa, Marisa
Letícia, é falsa.


Porém, ele avalia que, embora o depoimento tenha mostrado não haver
“absolutamente o menor indício de prova” contra Lula, existem interesses
enormes por trás da Operação Lava Jato. “É óbvio que a Lava Jato vai
procurar prender ou pelo menos incriminar o Lula. Porque isso faz parte,
entre outras coisas, da política norte-americana”, diz. “Assim que a
Dilma caiu, graças aos esforços de um senador chamado José Serra, eles
conseguiram quase imediatamente desnacionalizar o pré-sal.”


Ao comentar o destaque dado hoje pela imprensa comercial do país –
segundo a qual Lula atribui a Marisa Letícia o interesse e decisões
sobre o apartamento no litoral sul de São Paulo – Comparato ironiza a
falta de provas materiais que respaldem as acusações contra o petista.
“Veja só, essa é uma prova da falsidade do Lula.”


O que o sr. destacaria no depoimento de Lula?


A parte que vi demonstra claramente que essa acusação da compra do
apartamento no Guarujá é falsa. Mas, de qualquer maneira, é obvio que a
Operação Lava Jato vai procurar prender ou pelo menos incriminar o Lula.
Porque isso faz parte, entre outras coisas, da política
norte-americana. O Moro é, aliás, não digo um agente norte-americano
(risos), mas ele é sem dúvida um grande amigo dos Estados Unidos. Ele
fez o seu curso de pós-graduação lá. E vai quase todo mês aos Estados
Unidos.


Ora, para os americanos, a presidência do Lula não foi nada
agradável. Assim que a Dilma caiu, graças aos esforços de um senador
chamado José Serra, eles conseguiram quase imediatamente desnacionalizar
o pré-sal e depois foram vendendo a Petrobras aos poucos. O que
significa que já tiveram este resultado muito importante. Mas o outro
resultado importante foi tornar muito difícil a vida dos Brics com a
saída do Brasil. O que eu vi no depoimento é que não há absolutamente o
menor indício de prova ou qualquer coisa que seja possível apresentar
como prova.


Os advogados de Lula falaram em “anomalia e patologia processual” contra o ex-presidente, na Lava Jato…


Sim, e sobretudo em um momento em que o juiz Moro perguntou ao Lula
algo sobre o “mensalão”. Ora, se alguém ou alguma parte tivesse
perguntado isso, no interrogatório de um réu ou no depoimento de
testemunhas, ou seja, nesse caso do tríplex, o juiz iria impedir essa
pergunta. E no entanto ele resolveu fazer a pergunta ele próprio.


O sr. concordaria com algumas avaliações de que o juiz Moro teria ficado de certa maneira desmoralizado no processo?


Desmoralizado diante de quem?


Diante da opinião pública.


A opinião pública é falseada pelos meios de comunicação de massa.


A reação popular e a mobilização a Curitiba configuraria um tiro no pé da Lava Jato, como alguns avaliam?


Não, porque eles têm outros processos em andamento e, de qualquer
maneira, se os americanos decidiram que o Lula não pode se candidatar, é
óbvio que a Justiça brasileira vai impedir esta candidatura.


O sr. destacaria algum trecho específico do depoimento?


Eu vi… tudo aquilo que dizia respeito ao tríplex. Hoje o Estadão põe na primeira página algo como “Marisa tinha interesse no apartamento”. Veja só, essa é uma prova da falsidade do Lula.


A grande imprensa parte agora para essa nova narrativa, como se Lula não tivesse escrúpulos.


Exato, e como se o Lula não fosse uma pessoa adulta e responsável.
Teria que responder pela Marisa. Sobretudo porque a Marisa já não está
mais no mundo dos vivos, então ela não pode contestar essa questão.


Como o sr. viu a mobilização popular até Curitiba?


Muito boa a mobilização popular. Mas, pelo menos no que diz respeito aos meios de comunicação de massa, ela não foi divulgada.

domingo, 7 de maio de 2017

Guerra de classe

Reforma cria uma guerra de classe - 29/04/2017 - André Singer - Colunistas - Folha de S.Paulo



Reforma cria uma guerra de classe











Ao assistir, quarta (26), à votação da reforma antitrabalhista,
ocorreu-me frase atribuída ao bilionário Warren Buffett. Em tradução
livre, a sentença do investidor seria a seguinte: "Existe, sim, guerra
de classe, mas é a minha classe, a classe dos ricos, que está fazendo
guerra, e estamos ganhando".





O ditado me voltou porque o debate que explodia no plenário fora pautada
cinco anos atrás pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O
documento intitulado "101 propostas para a modernização trabalhista",
para o qual chamei a atenção aqui à época, antecipava o duelo atual. Ali se dissolvia a coalização produtivista (industriais + sindicatos).





Incrédulo quanto ao que parecia uma lenda urbana, consultei a internet.
De fato, a citação do segundo homem da lista da Forbes aparecera em
reportagem do jornal "The New York Times" no dia 26 de novembro de 2006.
Incrível, mas verdadeira, portanto.





Depois, voltei aos deputados que protagonizavam o mais explícito
confronto classista de que me lembro em âmbito congressual no Brasil,
por iniciativa da direita, seguindo a previsão buffettiana. Em reação,
verificou-se a maior unidade popular de que tenho notícia.





Líderes de partidos oposicionistas usavam os microfones para afirmar
que, por trás da derrocada da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT),
estavam 200 parlamentares empresários, filiados às agremiações
governistas. O PT lembrou-se, em uníssono, de onde vem o T da sua sigla.
Cada um dos membros da bancada fazia questão de declarar, orgulhoso, o
voto contrário ao esbulho da legislação.





PSOL, PDT, Rede, PMN, Solidariedade, PSB, enfim, legendas que têm algum
vínculo com o mundo do trabalho, brandiam vistosos cartazes com uma
carteira de trabalho rasgada. Um parlamentar do PC do B, ele mesmo
operário metalúrgico, chegou a vestir um macacão para protestar contra a
retirada de antigos direitos dos trabalhadores.





No final de contas, contudo, 296 representantes do povo votaram a favor
do emprego sem horário fixo e para que não haja obrigatoriedade de
pagamento pelo piso da categoria ou pelo salário mínimo na remuneração
por produção, entre muitos outros retrocessos. Da outra parte, 177 se
manifestaram contra as propostas patronais. Ficara claro de que lado
estava, naquela noite, a maioria da Câmara.





A resposta veio na sexta (28). Na que talvez tenha sido a maior
paralisação nacional desde os anos 1980, se não me falha de novo a
lembrança, a base da sociedade mostrou que começa a reagir. Agora,
precisamos preservar a democracia para que, mesmo de maneira lenta e
paulatina, seja possível construir uma representação majoritária capaz
de reverter a batalha histórica perdida nesta semana.

Lulistas respondem

Lulistas respondem com amor ao fascismo curitibano | Brasil 24/7





Paraná 247 – Os
outdoors criminosos espalhados em Curitiba contra o ex-presidente Lula,
retratado como presidiário, aparentemente pagos por movimentos como MBL e
vemprarua, ganharam uma intervenção criativa.



Apoiadores do ex-presidente grudaram um coração com a mensagem: "Lula ladrão, roubou meu coração".


Além disso, escreveram "Moro descontente, Lula presidente".


A resposta ao ódio fascistoide foi arte e amor.

Vergonha: Receita impede rastrear quem trouxe fortunas de fora

Vergonha: Receita impede rastrear quem trouxe fortunas de fora - TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”



Vergonha: Receita impede rastrear quem trouxe fortunas de fora

cnpj


Sabe aquela turma do “Leão” que cria caso com aquela nota fiscal de
exame de sangue, que implica com desconto de pensão alimentícia e que
vai em cima dos cinco ou dez mil reais que você ganhou numa ação
trabalhista, catando trocados enquanto os tubarões ganham perdão?


Pois tem mais uma, agora no episódio da repatriação de capitais autorizada no ano passado. O Valor
informa, com documentos, que a Receita Federal “atuou para impedir que a
identidade de pessoas físicas e jurídicas que aderiram ao Regime
Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT) seja rastreada
pelos próprios auditores fiscais”.


Documento obtido pelo jornal diz que, para proteger o sigilo fiscal
dos que repatriaram dinheiro do exterior, “todos os Documentos de
Arrecadação de Receitas Federais pagos para a adesão foram armazenados
(…) com o identificador alterado para o número de inscrição no Cadastro
Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da Secretaria da Receita Federal do
Brasil”


Ou seja, só com ordem da alta cúpula da Receita os fiscais poderão
ter acesso às identidades dos que trouxeram dinheiro de for. Acesso
livre para ser fiscalizado é só para nós, que não temos dinheiro dentro,
que dirá fora do Brasil.

Depoimento de Lula

Depoimento de Lula foi adiado para a produção de delações, diz defesa | Brasil 24/7



Depoimento de Lula foi adiado para a produção de delações, diz defesa



247 – O adiamento
do depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação
Lava Jato, de 3 para 10 de maio, próxima quarta-feira, ocorreu para que a
acusação tivesse tempo para tentar produzir provas contra ele.



A argumentação é do advogado
Cristiano Zanin Martins, que defende Lula. Segundo ele, como as 73
testemunhas do processo inocentaram Lula, o Ministério Público precisou
fabricar evidências contra Lula.



Coincidentemente, surgiram acusações
recentes, como as das delações premiadas de Léo Pinheiro, ex-presidente
da OAS, e Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, que estão presos em
Curitiba e teriam encontrado nas falas contra Lula o único caminho para
sair da prisão.



Leia, abaixo, nota da defesa de Lula:


O depoimento de hoje (5/5) do
ex-diretor da área de serviços da Petrobras Renato Duque segue o padrão
já identificado nas declarações dos novos candidatos a delatores que o
antecederam, caso de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e de seu
subordinado Agenor Medeiros. Eles citam Lula, falam de encontros e de
conversas com o ex-Presidente, mas não têm qualquer prova do que
afirmam. Ao dizer que Lula tinha "pleno conhecimento de tudo, tinha o
comando", Duque busca por em pé perante o Juízo da 13ª Vara Criminal
Federal de Curitiba a falaciosa tese do procurador Deltan Dallagnol
explorada no seu famoso power-point e que foi negada por 73 testemunhas
já ouvidas sob o compromisso de dizer a verdade. Depoimentos cruzados - e
certamente combinados - não substituem provas.



Nos três casos, chama a atenção que
os advogados dos réus tenham feito questionamentos não para defesa dos
clientes, mas com o objetivo de envolver o nome de Lula, inclusive em
processos em que ele sequer é parte - caso do depoimento de hoje. O
ex-Presidente foi submetido a uma devassa com a quebra de seus sigilos
bancário, fiscal e telefônico, além de buscas e apreensões em sua casa e
na de seus familiares e nenhum ato ilegal foi identificado. Até mesmo
pessoas referidas por Duque, como Pedro Barusco, quando ouvidas com o
compromisso de dizer a verdade, negaram a participação de Lula.



Foram 24 audiências realizadas só na
ação que trata do triplex do Guarujá e nenhuma prova foi produzida
contra o ex-Presidente. Não pode ser coincidência que, nos últimos 15
dias, depois de anunciado o adiamento do depoimento de Lula, três
pessoas que há muito tentam destravar uma delação para reduzir suas
penas e até mesmo sair da cadeia - caso de Pinheiro e Duque - tenham
resolvido falar, especialmente considerando que o processo de Duque já
estava em fase de alegações finais. Merece repúdio que se aceite
negociar futuras vantagens em troca de acusações frívolas, confirmando o
caráter ilegítimo das denúncias contra Lula.



Cristiano Zanin Martins

Palmério Dória

Palmério Dória ao 247: “Só o que garante Temer hoje é a Globo” | Brasil 24/7





Por Alex Solnik -
Autor de reportagens memoráveis em revistas como Realidade ("Uma cidade
chamada Democracia"), Interview ("O namorado brasileiro de George
Michael") e Caros Amigos ("Por que a imprensa esconde o filho de 8 anos
de FHC com a jornalista da Globo?"), dentre muitas outras que escreveu
em publicações como Ex-, Careta, O Nacional e de best-sellers como "A
guerrilha do Araguaia", "Honoráveis Bandidos" e "O Príncipe da
Privataria", os dois últimos em parceria com Mylton Severiano da Silva, o
jornalista Palmério Dória afirma, nessa entrevista exclusiva ao 247,
que "Temer está por um fio" e só não caiu até agora porque a Globo não
quis. Mas que "não tem como ele resistir até 2018".



Palmério responsabiliza "as quatro
grandes irmãs da mídia" pelo golpe que levou Temer ao poder e diz que
ele só continua no Palácio do Planalto por causa delas. Denuncia a era
do pensamento único na Globo: "Eles limaram todas as vozes destoantes". E
aponta uma solução: a população cercar a Globo (e a Folha de S.Paulo)
para exigir que elas informem "o que interessa ao povo brasileiro". "A
Globo News é criminosa", afirma. "Ela pratica crimes de imprensa 24
horas por dia".



Não perdoa seus colegas jornalistas.
"A Globo News importa agora da Folha todos os meliantes", diz,
referindo-se a Renata Lo Prete, Natuza Nery e Valdo Cruz. Diz que Elio
Gaspari, "um ítalo-brasileiro mais ítalo que brasileiro, apostava todas
as suas fichas em Joaquim Barbosa e agora aposta em Moro para presidente
da República". Diz que Leilane Neubarth "é burra como uma porta", que
Ruy Castro "quer preencher a lacuna que Ferreira Gullar deixou" e que
Clovis Rossi "fala da bile que tomou conta do país, para a qual ele
contribuiu". A respeito de Moro, cunhou uma frase lapidar: "Não tem nada
pior que Moro"!



Você viu que todo mundo
ficou com raiva do Gilmar Mendes porque ele deu o voto de Minerva que
tirou o José Dirceu da cadeia até a condenação em segunda instância?



Ele que era tão amado...


Virou o inimigo público
número 1 da turma do Pato Amarelo...um amigo do facebook escreveu na
minha timeline: quer dizer que você prefere o Gilmar ao Moro? Tô fora!
Falei: claro que prefiro o Gilmar. Mil vezes. Quem você prefere?



Eu prefiro o Gilmar neste momento, sem dúvida. Sou Gilmar desde criancinha! Não tem nada pior que o Moro!


Talvez o João Dória...aliás, o teu Dória é o mesmo dele?


Não. O clã dos Dória de Santarém se
orgulha de não ter nada a ver com ele. Nós somos Dória do Baixo
Amazonas, ele é da Bahia. Não temos nada a ver com essa gente. O Audálio
Dantas levantou aí uma questão do Ruy Castro, que tem uma visão
seletiva, ele virou a Carolina da crônica, porque ele tirou um pelo da
greve geral...”uns arruaceiros que estropiaram uma loja lá”...



Depois que parou de beber ele ficou chato...


É. E aí ele não viu aquela bomba no palanque da greve...


Ele assistiu pela Globo e a Globo não mostrou...


Ele quer ser o novo Ferreira Gullar, quer preencher a lacuna que ele deixou.


Será?


Ah, sim! É Ruy Castro Gullar Lacerda. Mudou de nome agora.


Trabalhou com ele em redação?


Você deve ter tido mais contato...eu
fiz uma entrevista com ele na Interview às vésperas de lançar o livro
sobre Nelson Rodrigues. Suponho. Se não me falha a memória. E falha
muito. Foi curioso, porque ele pediu, depois, ele ligou pro Michael
Koellreutter, eu acho, pedindo pra matéria não sair, uma coisa de
arrependido. Ele estava confuso naquela época. Eu acho que deixando de
beber, entrou numa crise... ele pediu para que a matéria não fosse
publicada. Uma entrevista deliciosa. Mas ele entrou numa trip ruim...foi
meu único contato com ele.



Vem cá, o que você achou dessa votação no STF que soltou Dirceu, Eike Batista, Bumlai... é o começo do fim da Lava Jato?


Um leitor da Folha escreveu que foi
um banho de água fria na Lava Jato. Se um leitor da Folha acha que foi
um banho de água fria, então já é um bom começo. Precisa ver como as
pessoas vão reagir. E essa onda toda, essa indignação geral nessa área
extremosa direitista é sinal que pode ser um começo do fim mesmo. Porque
não dá pra continuar. Essa é uma coisa que...



É interminável!


É interminável e...


Transformou o Brasil numa delegacia de polícia a céu aberto... Não cabem outras notícias nos jornais senão de polícia...


Mas não é só isso. Acabou com uma
operação da CIA de destruição do país ... está chegando uma frota
americana agora para participar de um exercício na Amazônia, com o
beneplácito do Exército, desta aberração Temer...o Brasil virou Porto
Rico! E a Lava Jato é peça dessa quebradeira. O aspecto fundamental, que
é o desemprego de milhões de brasileiros, de empresas liquidadas por um
juiz de primeira instância que resolve... eu nunca vi na minha vida um
juiz de primeira instância quebrar...



A hierarquia? A economia?


Tudo, né.


Ele não dá a menor bola para a constituição...


Nada, nada. Uma figura que apareceu
no caso Banestado de repente assume uma posição dessas... um não votado,
como diz o Galeano...



E agora aparece em pesquisa de presidente da República...como é que pode?


Mas não é. Você viu que o
ítalo-brasileiro Elio Gaspari, mais ítalo que brasileiro, há muito tempo
se tomava de amores por figuras desse tipo. Por exemplo: você deve se
lembrar que o Elio Gaspari apostou na candidatura do Joaquim Barbosa
durante um tempão. Foi um dos últimos a abandonar o barco. Ele apostou
todas as fichas no Joaquim Barbosa. E agora ele aposta todas as fichas
no Moro. Ao mesmo tempo que a Globo. Não preciso nem falar dos outros
assemelhados, é tudo a mesma coisa. Às vezes até piores. A Band às vezes
consegue ser muito pior que a Globo. Então, você vê que a Globo, o
Temer está sustentado por um fio pela Globo. Só o que garante hoje em
dia o Temer é a Globo. Não tem nada mais que garanta.



As ruas ele já perdeu. Ontem
num ônibus eu vi uma senhora bem vivida exclamar “com esse governo nós
estamos na rua da amargura”! Viu o Datafolha? 73% dizem que Temer tem
relação com os escândalos...



Daqui a pouco vai ser 120% vai achar
isso! A popularidade dele cai já para o chamado zero à esquerda. E
daqui a pouco 150% dos brasileiros desaprovam...



Você acha que isso pode durar mais dois anos? Qual é a palavra certa para definir esse tempo que vivemos? Pesadelo?


É uma aberração. Quem encontrou a
palavra certa foi o Jânio de Freitas: Aberração Temer. Foi o melhor
achado até agora. Mordomo de filme de terror... vampiro...



Você viu por que o João Santana escondia Temer no programa de campanha? Porque ele era rejeitado por ter ligações com satanismo!


Xô, Satanás! Pé de pato, mangalô três vezes...


Rejeitado porque as pessoas veem nele ligações com satanismo...


Mas o Moro, você vê...o candidato...
essa é a questão... a Globo quer manter... ela criou o seu próprio
universo paralelo... mesmo, desta vez...talvez mais do que em
64...então, ela acha que pode... na verdade, o poder da TV Globo vem
depois de 69...com o Ato 5 é que ela se instala...vira a maior força
desarmada do país...



No governo Sarney, Roberto
Marinho é que escolhia o ministro da Fazenda. O Mailson da Nóbrega é que
conta. Antes de ser ministro o Sarney mandou que fosse conversar com o
dono da Globo. Passou por uma sabatina.



Ele soube da nomeação pelo Jornal
Nacional...Mas a Globo fabricava seus incêndios. Você se lembra de
quando a Globo precisava dar um salto de qualidade em termos de
equipamento fabricava aqueles incêndios maravilhosos e o ministro
Armando Falcão, da Justiça, ia lá na sede da Globo prestar
solidariedade. Se o Roberto Marinho fazia aquilo, o que é que impede
agora...porque a única maneira de fazer a chamada regulação da mídia é
cercar a Globo! Não há uma outra possibilidade. É o povo cercar a Globo.
Porque, se o Roberto Marinho adotou essas medidas terroristas dentro da
empresa dele, por que o povo não pode cercar a Globo e fazer uma
manifestação para pedir “noticiem o que interessa ao povo brasileiro”?
Porque nós não temos outra saída. Lula não fez o dever de casa, não
encarou a Globo, a Dilma não encarou a Globo. O povo tem que dizer: “nós
queremos ser informados”. A vantagem é que hoje dizem em dia... dizem
que são seis, mas na verdade são quatro famílias que dominam. O povo tem
que ir para a Barão de Limeira. Não teve uma menina que de repente foi
uma das melhores fotos dos últimos tempos, a menina botou lá no portão
da Folha “Abaixo os golpistas”? Uma garotona. Uma mulher. O povo sabe
onde é que está o golpe. O povo sabe o que sustenta o golpe. O povo sabe
que Temer está aí só por causa dessas famílias dos grandes irmãos da
mídia. Por que não as cercar? A Folha em São Paulo, no Rio a Vênus
Platinada. Pelo lado da Vênus Platinada é difícil, mas a Rua Von Martius
tem uma bela área para concentração popular. É o povo ir pra lá. Em São
Paulo, antes era mais central, na Praça Marechal Deodoro, hoje é lá
onde estão aquelas torres...     



Na Avenida Jornalista Roberto Marinho...veja só...


Tem que ir lá pra Roberto Marinho, o Boulos já fez isso...


Quem pôs esse nome na avenida?


Acho que é coisa da Marta Suplicy...


Ou Maluf?


Um dos dois...a Marta pode ter sido o
Octavio Frias... a Ponte Estaiada Octavio Frias...a única maneira
possível de organizar essa suruba da informação é concentração em massa
na frente dessas grandes famílias...



Você acha que pode haver democracia no Brasil com a Globo?


Não, não há possibilidade. É
impossível. É o mesmo caso da saúva. Ou o Brasil acaba com a Globo ou
pelo menos segura a Globo ou eles acabam com o Brasil.



Lula não conseguiu, Dilma não conseguiu, FHC não conseguiu...


Fernando Henrique fazia parte da
coisa...imagina... teve um momento que ele disse “estão exagerando”.
Estava acabrunhado. Era tanto oba-oba que ele falou puxa já estão
exagerando. Ele disse. Foi uma coisa dirigida pra ele.



Tem algum outro país onde uma rede de TV tem um monopólio como a Globo no Brasil?


Não existe. Bastava pegar a
legislação americana e aplicar aqui: é proibido monopólio, é proibido
propriedade cruzada...essas coisas simples... como é que pode ter rádio,
TV, jornal, site? No final das contas, a gente teve uma vitória
fantástica nessa greve porque foi a primeira vez que eu vi a internet
dar uma surra na Globo. Eles foram obrigados a cobrir a greve no outro
dia porque o pau já estava comendo.



Em São Paulo, no Largo da Batata, o José Roberto Burnier foi expulso pelos manifestantes... teve que ir embora...


A Globo só pode cobrir manifestações
ou muito afastada ou com drone. Em vários momentos eles tiram a marca
da Globo do microfone. Chegou ao ponto de um cara como Caco Barcelos ser
agredido. Em frente à Assembleia do Rio jogaram-lhe um cone na cabeça.
Agora, isso acontece com um dos melhores repórteres do Brasil. Hoje, se
você juntar os cacos, resta o Caco Barcelos na Globo.



Você consegue entender
porque as pessoas sentem prazer em saber que o Zé Dirceu está preso? Ou
ficam irritadas se ele é solto? Ou querem o Lula preso. O que é isso?
Tem a ver com frustração sexual?



Acho que passa por isso.


Você fica feliz se alguém vai preso? Abre champanhe?


Não. Não.


Não te dá impressão que o Brasil virou uma Torre de Babel? Ninguém se entende!


Hoje eu li o Clovis Rossi dizendo
assim, falando da bile que tomou conta do país. Bile para a qual ele
contribuiu! E vem contribuindo. Dia desses ele estava incentivando
pessoalmente a abertura da A Hebraica do Rio de Janeiro para o
Bolsonaro. Se isso não é incentivar o ódio... é aquela história... só a
cabecinha... começa aí... e com entusiasmo! E também autor de uma das
maiores façanhas dessa imprensa por ocasião do assassinato de Jean
Charles ele disse que havia a digital do Lula na morte dele... uma das
maiores barrigas da imprensa brasileira... aconteceu o seguinte: jean
Charles morreu e ele disse que “tá vendo? A morte do jean Charles se
devia aos brasileiros que se mudaram para a Europa, para Londres porque
não encontravam mais trabalho no Brasil. Ó azar! Jean Charles se mandou
do Brasil no governo Fernando Henrique! Ele errou! Ele disse que o Lula
tinha matado o Jean Charles! Ele comete essas coisas. Estou só citando
jornalistas experientes que estão embarcando nessa canoa. Jornalistas
experientes estão incentivando o ódio! Eu citei o Ruy Castro, que é
autor de Carmen Miranda, música, Garricha, alegria do povo, bossa nova e
ele se transformou num celerado de extrema-direita. Porque esses
casos... o Deltan Dalagnoll, se vê que é um ignorante... o Moro é um
imbecil...o Moro é um imbecil completo! Você vê ele falar... muito da
pena que ele deu ao Zé Dirceu foi pelo baile da audiência entre os dois.
O Dirceu o humilhou de tal forma, sem querer, apenas com a inteligência
dele. Ele aplicou uma pena absurda! De criminoso de Nuremberg! Por que?
Porque levou um baile! Humberto Werneck conta que em 64 o Miguel Reale
Hr. ameaçou Chico Buarque meio que brincando, mas não se brinca com
isso, agora nós vamos na tua casa, acabar com aqueles livros, com
aquelas porcarias do teu pai! O Miguel reale Jr. de 64 é o mesmo que
apresentou o pedido de impeachment da Dilma. E ainda a Janaína
Pascoal...



O que ela te parece?


Bem, aquela cena memorável no Largo
de São Francisco, ela com aquela bandeira... uma alucinada! Porque
antigamente nós tínhamos as pajelanças do Brizola, que eram alegres,
pajelança era sinônimo de alegria, pô, claro, Darcy Ribeiro estava no
meio! Era um outro Brasil. Aquilo ali é exorcismo!



Se o Edyr Macedo visse mandava exorcizar na hora!


E foi esse Brasil que se instalou no
país. É o país do ignorantismo... do Mendocinha na Educação...a dona
Eleonora Menicucci acaba de receber uma sentença do Alexandre Frota. Vai
ganhar R$10 mil, certamente para aplicar na Fundação Alexandre Frota de
uma batalhadora de uma vida inteira dedicada a grandes batalhas
sociais! Uma heroína brasileira! Condenada por quem? Pelo Alexandre
Frota! Você quer mais que isso? É uma alucinação!  



E o Renan?


Virou inimigo público também, como
Gilmar. Porque o Renan agora aparece assim: tem sempre uma vírgula,
“Renan, com não sei quantos processos nos costados”...



Eu prefiro o Renan ao Moro!


Não dá pra comparar! O Renan tem uma
história de cultura interessante. O novo herói do momento, esse Carlos
Marun, “viúva” do Eduardo Cunha, melhor amigo dele, que o visita para
levar marmelada...



É o Zé Colmeia...


Ele é que está à frente da reforma
da Previdência. Ontem quase foi preso. Pelos agentes penitenciários.
Aquilo não foi invasão, foi território ocupado. Palestina! Ele entra e
as pessoas não dizem de quem se trata. Um meliante, que é amigo do
Cunha...parece que é um honorável bandido! Mais um! Sabem que o cara era
o parceiro, levando marmelada para ele na prisão e apoiando a
marmelada! É a Globo! Todos os dias ali, direto, eles interrompem a
programação e quem aparece? Carlos Marun! Mas ninguém diz... aquele
Valdo Cruz... que a Globo News importa agora da Folha todos os
meliantes... eles vão fazer um tempinho o vestibular de
“delinquenciologia” da Globo, depois eles aparecem ali, como as Renatas
Lo Prete...agora essa nova, a Natuza Nery... eles fazem a mesma turma, a
mesma curriola, se preparam pra televisão porque precisa ter preparo
também, é um novo ofício. Então, eles vão preparando. Limaram George
Vidor, você lembra?



Claro.


Foi limado! Ele dava o contraponto
dessa menina, a Leilane Neubarth, os dois faziam uma cena e eu vi um
momento em    que pensei que ela ia pegar o George Vidor, que é um homem
preparado, conhece economia brasileira, um grande jornalista, eu vi um
momento em que essa menina, burra como uma porta, ia avançar na
gravatinha borboleta dele e enforca-lo! Gente como ele... foi um
processo lento...eles limparam! A Globo tirou qualquer voz destoante!  É
ordem unida! Em 64 eliminaram a palavra camponês, agora estão
eliminando a palavra trabalhador. Daqui a pouco Temer vai abrir os
discursos dele dizendo: “Terceirizados e terceirizadas do Brasil!
Pejotas e pejotas”!



Eu não consigo imaginar como
isso vai durar mais dois anos! Este ano inteiro e mais 2018 inteiro!
São mais de 700 dias! Como Temer vai cair? Vai dar um tiro no coração?



Tem um fenômeno fantástico que é a
união das centrais. Até com Paulinho. Com o sucesso da greve geral
ameaçam agora invadir Brasília. Você lembra que o Temer convidou o Papa
Francisco. Ele: nem fodendo, né. Prefiro ir pro inferno, como está numa
charge do Benet. Aí, foi o João Dória lá. Antes disso houve uma reunião
em torno de um livro a respeito do Primeiro de Maio.  Ali o Paulinho
apareceu e em torno desse livro, que vai ser lançado agora, escrito pelo
José Luis Del Royo, ex-senador por Milão, ex-membro do Parlamento
Europeu, ex-redator da Enciclopédia Britânica e ex-fundador da ALN com o
Marighella, entre outros, inclusive o Aloysio Nunes Ferreira. Então,
ali pintou uma coisa fantástica. Se fechou...as centrais fecharam.
Porque na última manifestação, a anterior, que foi um sucesso teve duas
centrais só. Com oito a coisa já muda de figura. Mesmo que Paulinho
tenha esculhambado a Dilma no Primeiro de Maio. Agora eles ameaçam
invadir Brasília. Mas eu estava falando do Francisco. A Igreja, em todos
os púlpitos do Brasil caiu de pau. Convocou a greve. Mas isso não foi
mencionado nos jornais. A CNBB voltou a ser aquela CNBB de guerra.
Fala-se nas centrais, mas não se toca na Igreja. E, no entanto, o papel
da Igreja foi fundamental. Agora, você junta a Igreja, pega essas
centrais sindicais invadindo Brasília...então, há uma possibilidade
real... há uma ofensiva clara...eles perderam a rua! Perderam a rua e
não vão recuperar tão cedo! Por isso, Temer não resiste! Não tem como
Temer resistir até 2018. A Globo vai ter que se virar como cobra em
areia quente. A Folha já está se ajustando. Procurando um ajuste. Porque
é impossível! Eles estão ganhando uma grana... Porque eles eliminaram,
principalmente na Globo, o contraditório... antigamente, era impossível
sair uma matéria dessa importância, como a reforma da Previdência sem um
contraditório...eles eliminaram o chamado outro lado! Não tem mais.
Virou uma propaganda. Departamento de Imprensa e Propaganda.



A Globo é o DIP do Temer?


Não se ouve mais ninguém. Eles pegam
as piores pessoas para defender a reforma da Previdência. São os piores
economistas, são os piores sociólogos, são os piores tudo. O
comercial... eles estão bomburrando de grana, o governo está dando uma
grana fantástica, então não existe mais divisão da publicidade e do
Jornalismo. Acabou. Acabou! Na Globo e na Bandeirantes. Em todas. Agora o
SBT está com o Ratinho defendendo a Previdência. É uma grana tão
fabulosa que o governo... esses jornais... estão comprometidos com o
pescoço. Inclusive porque foram eles que deram o golpe. Foi um golpe
midiático. E eles não podem se desvencilhar desse “toma que o filho é
teu”. O Temer é produto deles. O golpe é produto deles. O Congresso
chegou a esse ponto por causa deles. O Cunha era produto deles. Então
como é que fica a situação? É aquela história: o povo não entende. E
quando o povo não entende, é foda.



Não entende o que?


Na eleição de 98, o Ciro se
apresentava como candidato a presidente com o vice Roberto Freire, era
Dom Quixote e Sancho Pança. Faziam bonito. Roberto Freire não era esse
farrapo humano marcado pela sarjeta como em nossos tempos. Faziam bonito
fora do Ceará. Quando chegava no Ceará, Ciro subia no palanque do Tasso
Jereissati, que é o Somoza do Ceará. Aí o povo não entendia. O povo não
entende essa esquizofrenia. Por falar em Roberto Freire, qual é o
intelectual, o historiador, qual é o professor, qual é a figura do
Brasil que está associada a esse governo? Que empresta o seu nome a esse
governo que não presta? Não tem um ser humano, um ser humano ali
dentro. Não pode dar certo. Como é que pode dar certo? Não é a toa que
um dos nomes mais coroados da propaganda brasileira aconselha a ele a
apelar para a impopularidade. O Nizan Guanaes, o Golden boy do Gantois! É
tudo uma loucura! Um publicitário que vende coisas diz assim: não se
venda. Aproveite a sua impopularidade. No fundo é uma continuidade:
Fernando I, Fernando II e esse cara tudo o que o Fernando II não
conseguiu fazer ele vai fazer para ser o Fernando III, que é essa
entrega geral e irrestrita, do pré-sal, por exemplo, é o rentismo
desenfreado, é liquidar o Banco do Brasil, desmoralizar a Caixa, os
Correios, tudo. Acabar com Vargas. Eu tô preocupado porque o Dia das
Mães foi criado pelo Getúlio em 1932, se não me engano, a pedido de uma
feminista. Deve estar na mira do Temer. Estão acabando com tudo. Não vai
sobrar nada. Sem falar da alma nacional, que essa já foi faz tempo com
Fernando Henrique Cardoso.  



E a situação dos índios, hein?


Agora é genocídio mesmo. Essa
demarcação é uma bomba atômica! Não há área em que eles não estejam
mirando. Tem um genocida notório ali, assassino segundo a Comissão
Nacional da Verdade. Romero Jucá provocou genocídio entre os yanomamis. E
está lá. E a imprensa também não toca nisso. Diz que é ladrão e tal,
mas ele tem um crime muito pior que é o genocídio do povo indígena!
Aquelas mortes do período ditatorial se elevam a milhares, mais de 9000
índios, promovidos por esse tipo de gente. E agora estão fazendo uma
lei, que é essa PEC 215, se não me engano que é o fim! Foi aprovada
pelos ruralistas em 2013 ao grito de “assassinos, assassinos” no Dia
Internacional dos Direitos Humanos. Olha a loucura. Então, essas coisas
estão acontecendo nesse país faz tempo já.



A diferença é que agora as notícias não param...


Esse negócio de notícias 24 horas
por dia gerou crimes de imprensa 24 horas por dia! A Globo News é
criminosa! Ela pratica crime de imprensa full time.

Sem massa, Lava Jato apela aos outdoors

Sem massa, Lava Jato apela aos outdoors:

A campanha da Lava Jato tem até agência de propaganda para a campanha extemporânea negativa contra o PT e o pré-candidato Lula. As peças publicitárias são assinadas pelos movimentos fascistas ‘Vem Pra Rua’ e ‘MBL






Sem massa, Lava Jato apela aos outdoors











Se outdoor fosse gente, a Lava Jato
estaria em alta. Mas a força-tarefa de Sérgio Moro não goza mais de
tanto de prestígio e outdoor não é gente. 



Dito isto, vamos ao cerne da questão.


Milhares de outdoors foram
espalhados na capital paranaense, às vésperas do depoimento do
ex-presidente Lula, em tom provocativo? “Seja bem-vindo! A ‘República de
Curitiba’ te espera de grades abertas.”



A campanha da Lava Jato tem até
agência de propaganda para a campanha extemporânea negativa contra o PT e
o pré-candidato Lula. As peças publicitárias são assinadas pelos
movimentos fascistas ‘Vem Pra Rua’ e ‘MBL.



A campanha extemporânea negativa
(alô, defesa de Lula!) é milionária. Não se sabe como é paga e por quem,
embora haja pistas. Para usar a expressão do procurador da República
Diogo Castor de Mattos, membro da força-tarefa Lava Jato, seria precisa uma outra Lava Jato para investigar a farra pró-Moro e Deltan Dallagnol.



As suspeitas de que dinheiro mal
havido financia as manifestações de grupos fascistas pela queda de Dilma
Rousseff e agora pela prisão de Lula não são de hoje, como o leitor pode verificar aqui.



Em desgraça nos partidos políticos,
os marqueteiros estão em alta na Lava Jato. A força-tarefa em até uma
agência de propaganda — a OpusMúltipla, de Curitiba. A mesma que atende aos tucanos. Portanto, a força-tarefa age como as legendas partidárias sempre agiram.



Quanto ao protesto organizado pelos “coxinhas” na próxima quarta-feira, dia 10, a tendência é que seja um novo fracasso para a coleção. As últimas seis tentativas de manifestação desses grupelhos não reuniu 30 pessoas.


O clima borocoxô na Lava Jato pôde sentir nesta quinta-feira (4) com a soltura do ex-ministro José Dirceu.
Apontado pelo PT como responsável pela crise econômica e desemprego no
país, Moro já não reúne muitos adeptos nem na capital paranaense.



Também contribui para a depressão na força-tarefa as sucessivas reformas de sentenças nas instâncias superiores, isto é, TRF-4 e STF, o que desmitificou a “invencibilidade” do juiz Sérgio Moro. Tais derrotas reforçam as teses de partid

Duque ganhou R$ 70 milhões "de graça"?

Duque ganhou R$ 70 milhões "de graça", sem cobrar propina? - TIJOLAÇO | 



Duque ganhou R$ 70 milhões “de graça”, sem cobrar propina?




Estarrecedora a omissão da mídia sobre o que disse o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, ontem ao juiz Sérgio Moro.


Já nem digo em relação a Lula, com quem descreve encontros
imprecisos, depois de ter sido demitido do cargo e onde teria sido
indagado ou cobrado por providências que, obvio, já não poderia tomar.


Mas é inacreditável que não se tenha reação ao fato de que Duque
disse ter recebido, em apenas duas das três contas que mantinha no
exterior, mais de € 20 milhões de empreiteiras sem qualquer
contrapartida ou ameaça de punição em seus contratos.


A afirmação foi tão escandalosa que até Sérgio Moro estranhou e
perguntou “a troco de quê” as empresas fariam estes pagamentos. Duque
meteu os pés pela mãos e disse que porque era “institucional”, porque
encobriria roubos entre sócios ou justificariam a ação de lobistas.


Nada disso explica que ladrões que quisessem roubar ladrões fossem
depositar gratuitamente R$ 70 milhões para quem nem sequer os pedia,
como ele afirma.


Não há como afirmar que é verdade ou mentira, embora não faça sentido, o que Duque diz em relação a Lula.


Mas é falso, evidentemente, que possa ter recebido esta montanha de
dinheiro da maneira que diz ter recebido, induzido pelo terrível
Barusco, e só pensando que isso lhe daria algum conforto.


Seu Duque, o senhor pode passar sem questionamentos pelo Dr. Moro ou
pelos procuradores da Lava Jato por ter-lhes feito o favor de acusar
Lula. Mas garanto que não passa por um investigador de delegacia de
subúrbio, destes que não são otários.


Ou cúmplices.

Prova de parcialidade

Marona: confronto Lula X Moro é prova de parcialidade do Judiciário | Brasil 24/7





Por Mário Marona, em seu Facebook


Em qualquer lugar civilizado do mundo, a justiça é resultado de um duelo entre promotoria e defesa.


A imprensa brasileira nunca foi tão
verdadeira ao confessar que, aqui, trata-se de um confronto entre o
juiz, que deveria ser imparcial, e o acusado, que deveria ter direito a
um julgamento honesto.



Veja e Isto É revelam que já foi cravado o último prego no caixão em que está sendo enterrada a justiça brasileira.


Leia, ainda, artigo de Fernando Brito, editor do Tijolaço:


A melhor sacada deste sábado é, sem
dúvida, do veterano e competente jornalista Mario Marona, que olha,
pensa e vê o que a mídia diz, mesmo quando não assume que diz.



As capas da Veja e da Istoé que começaram a circular hoje, sábado, têm um raro momento em que mostram a verdade.


E a verdade, observa Marona, é que
“a imprensa brasileira nunca foi tão verdadeira ao confessar que, aqui,
trata-se de um confronto entre o juiz, que deveria ser imparcial, e o
acusado, que deveria ter direito a um julgamento honesto”.



Está claro agora porque Moro adiou
por uma semana o depoimento de Lula. Neste intervalo, providenciou uma
procissão de “convertidos”, que nunca acusaram Lula nos seus inúmeros
depoimentos e, agora, foram colocados contra parede: ou diziam o que se
queria para tornar o depoimento de Lula o clímax roteirizado do filme
que produzem ou iriam seguir mofando na cadeia.



Temos um juiz que dirige o processo para um final que está desenhado desde o seu início.


A “investigação” e o julgamento “justo” não passam de uma pantomima.


“Em qualquer lugar civilizado do mundo”, observa Marona, o juiz avalia o resultado de “um duelo entre promotoria e defesa”.


Não em Curitiba.


As duas revistas confessam, em suas capas que quem duela com Lula é o próprio juiz.


E, portanto, trata-se de uma luta onde não há quem, de fato, seja o juiz, não parte.


Uma democracia jamais pode aceitar
isso. E como não existe processo fora da realidade, este processo,
sempre suspeito, revela sua mácula, sua nódoa irremovível.



A Justiça brasileira, ou ao menos o
que resta de senso jurídico no lamaçal que ela se tornou, deveria sanear
este processo em que Sérgio Moro, por deter o controle de todos os
casos e em que os promotorers tem o direito de negociar às escuras todas
as “delações”, formando o quadro que desejam, desde o início, com suas
convicções.



E sanear deveria ser retirar Moro do caso, por óbvia suspeição.


Claro que não o fará e, com isso, assumir, como instituição, a parcialidade que nele não se esconde.


E, com isso, tornará verdadeira a
frase com que Marona fecha seu raciocínio: “Veja e Isto É revelam que já
foi cravado o último prego no caixão em que está sendo enterrada a
justiça brasileira.”



Faltou apenas dizer que as suas
garras levam junto com ela qualquer possibilidade de sermos um país onde
o Direito seja a fórmula de composição dos conflitos humanos.



Com todos os seus “data vênia”, o Judiciário sacramenta a selvageria e o vale-tudo como a forma de vivermos neste país.

sábado, 6 de maio de 2017

Submundo da internet

Submundo da internet já se tornou formador de opinião, diz Leonardo Sakamoto — Rede Brasil Atual



Submundo da internet já se tornou formador de opinião, diz Leonardo Sakamoto

Produção de notícias falsas: de quem é a responsabilidade? "Pra muita gente, confiável é quem fala aquilo que ela quer ouvir"






por Vitor Nuzzi, da RBA






publicado
05/05/2017 14h32,



última modificação
05/05/2017 18h21











Abraji/Via Isso é notícia

Leonardo Sakamoto

Sakamoto: Há estruturas armadas para isso (propagar mentiras), e também tem muita gente que é paga
São Paulo – A enxurrada de notícias falsas na
internet, que é motivo de preocupação de observadores e agentes da
comunicação, mistura descuido, interesses e más intenções. Em debate
realizado na manhã de hoje (5), o jornalista e cientista político
Leonardo Sakamoto, diretor da ONG Repórter Brasil, disse que os
divulgadores das chamadas fake news, que ele chamou de "submundo", já se tornaram fontes de informação. "A
parte invisível da internet, os sites anônimos, que não têm expediente,
que não tem quem assina, já formam opinião tanto quanto a parte
visível", afirmou.



O evento foi promovido pela Faculdade de Comunicação da
Fundação Armando Alvares Penteado (Facom/Faap). Foi a primeira edição de
uma parceria com o jornal espanhol 
El País – outras
duas já estão programadas para este ano. "A gente está vivendo um
momento tão complicado no Brasil que qualquer motivo é motivo para virar
fake news", comentou a e
ditora-executiva do El País Brasil,
Carla Jimenez, citando caso ocorrido ainda ontem, sobre uma informação a
respeito de emenda para prorrogar o mandato do atual governo.


"Antes do desmentido, já tinha ido pros blogs de esquerda e
essa notícia pegou fogo. Essa ansiedade, a insatisfação e o estado
emocional do país favorecem também essa disseminação de informações."
Carla contou ter se assustado quando um jornalista catalão disse a ela
estar espantado com o grau de polarização no Brasil. "A 
Catalunha (região da Espanha) vive esse dilema da separação há muitas décadas, e ouvir isso dele me chocou."


Autor de livro com título autoexplicativo (O que aprendi sendo xingado na internet),
Sakamoto citou três casos em que foi envolvido em divulgação de falsas
notícias. Contou que foi xingado e agredido na rua, além de alvo de uma
cuspida (que não o acertou). "Na internet, o ônus da prova é do acusado. Você tem de provar que você não fez alguma coisa que alguém acabou colocando."


Há também aqueles que ajudam a espalhar essas notícias por identificação. "Pouco
importa pra muita gente se aquilo é verdade ou mentira, o que importa é
que aquilo pode ser usado como munição na guerra virtual. Você começa a
usar aquilo à exaustão. Mesmo portais verdadeiros acabam caindo também
nesse processo", diz Sakamoto, para quem a preocupação principal deve
ser "qualificar o debate público".



Como se faz isso? Por exemplo, não dando likes (a
imagem em que o polegar aparece levantado, sinal de que gostou da
publicação) para coisas absurdas que se espalham na redes. "A 
partir daí, você tem a construção de uma verdade", afirma o jornalista, para quem a trollagem "é uma ciência".


O caso da figurinista Su Tonani,
que recentemente denunciou o ator José Mayer por assédio, também levou a
uma notícia falsa, de que eles teriam sido amantes. Isso a motivou a
novamente se pronunciar, em um texto publicado hoje no blog #AgoraÉQueSãoElas, no portal UOL.


Leia mais


Checagem

Segundo a coordenadora do curso de Jornalismo da Faap, a
jornalista e cientista social Mônica Rugai Bastos, uma preocupação
básica do profissional deve ser buscar as fontes, de preferência as que
originaram a informação. Ela destaca a responsabilidade da mídia, mas
também chama a atenção do leitor, do receptor da notícia. "
Os
veículos de comunicação também têm responsabilidade. (Devem) checar a
informação, para uma produção de qualidade. Se a sociedade quiser, terá
notícia de qualidade", afirmou. Mas muitas vezes, observou, à
preocupação é de "repercutir o próprio ódio".  



Uma falsa notícia sobre o fim do programa Bolsa Família chegou a ter
mais de 400 mil compartilhamentos. Sobre a "prisão" do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, nove em 10 notícias compartillhadas eram fakes.
Às vezes, uma simples consulta ao Google pode resolver o problema, diz o
jornalista e cientista político André Rossi, sócio-fundador da Veto,
empresa de inteligência de redes.


Ele também sugere desconfiar de sites com nomes que tentam "imitar" veículos conhecidos, citando a Folha Política.
Rossi lembra que Google e Facebook começam a adotar medidas para tentar
barrar a multiplicação de falsas informações. Também começa a aumentar o
número de organizações que fazem checagem – segundo Carla Jimenez,
chegam a 115, um número que o fundador da Veto ainda acha pequeno.


O debate lembrou a influência das notícias falsas nas recentes eleições norte-americanas. Em entrevista ao El País
em novembro do ano passado, o diretor da Escola da Jornalismo da
Universidade de Columbia, Steve Coll, via um ambiente contaminado por
esse tipo de notícia e citou o exemplo da informação inverídica de que o
Papa Francisco apoiava Donald Trump – 1 milhão de compartilhamentos.



Para Sakamoto, as notícias falsas já influenciaram a
eleição brasileira em 2014. Ele citou a informação espalhada nas redes
de que o doleiro Alberto Youssef tinha sido envenenado e estava à beira
da morte em Curitiba. Não adiantaram nem sequer os desmentidos da
própria Polícia Federal. "Acho que isso só tende a piorar. (Há) desde
estruturas 
estruturas armadas para isso, mas também
tem muita gente que é paga", afirmou, destacando a criação de perfis
falsos, mas aparentemente convincentes. "Pra muita gente, confiável é
quem fala aquilo que ela quer ouvir."



A uma pergunta sobre o caso Escola Base,
sempre lembrado em escolas de Jornalismo, a coordenadora do curso da
Faap observou que o repórter sempre deve questionar, entre outras
coisas, por que algumas autoridades falam sobre determinados assuntos
quando a investigação ainda está em curso. "
Muitas vezes elas
querem aparecer, e a mídia é uma das melhores formas pra isso." Mas ela
ressalva que, naquele caso, a notícia original saiu de um delegado.
"Tinha fonte."


O diretor da Repórter Brasil avalia que um dos problemas é a "falta
de pluralidade" no espectro ideológico, em relação aos meios de
comunicação. "Há espaço para todo mundo. O ideal seria que a gente
tivesse veículos contemplando todo o espectro político, para que a
população pudesse escolher." Em um momento em que todos podem ser
"produtores" de notícias, ele disse esperar que "a gente esteja vivendo apenas uma adolescência da internet", à espera da maturidade.

“Ouviu a boa notícia? Eu e Dilma vamos nos casar!”

“Ouviu a boa notícia? Eu e Dilma vamos nos casar!”



“Ouviu a boa notícia? Eu e Dilma vamos nos casar!”

O professor americano James Green fala sobre sua relação com a ex-presidente do país

POR Flora Thomson-Deveaux



FOTO: REPRODUÇÃO_FACEBOOK
Desde a última quarta-feira,
dia 3 de maio, o e-mail, o inbox do Facebook e a caixa de mensagens do
celular de James Green, professor de história latino-americana da Brown
University, estão abarrotados. Em suas postagens nas redes sociais
também passaram a transbordar comentários do tipo: “Aeeee Dilminha!”
“Cuide bem dela…” “Mais amor, menos golpe.” “Que lindo! Ela merece”.
“James, so now you’re Dilma’s new affair?”


Por telefone, ele parecia bem-humorado quando perguntei sobre o
assunto. “Não ouviu a boa notícia? Eu e Dilma vamos nos casar!”,
disse-me em tom de troça. E emendou: “Sabe que a gente realmente se deu
muito bem? Ela é tão inteligente, a gente teve conversas maravilhosas.
Ela conhece melhor os impressionistas franceses do que eu, e olha que eu
conheço bem”, disse.


Naquele dia, uma reportagem no portal RD1 dera o tom da
balbúrdia: “Saiba detalhes sobre o novo affair de Dilma Rousseff”. A
matéria tinha uma galeria de fotos da dupla – em frente ao Lincoln
Center em Nova Iorque, juntos no sebo The Strand, abraçados num
restaurante. O texto, citando “duas fontes […] que preferem não ser
identificadas”, dizia que o professor estava “encantado” pela
ex-presidente e que os dois ficaram “inseparáveis” durante a turnê dela
por várias faculdades norte-americanas. “Mas é claro que estávamos
inseparáveis, eu estava ajudando a organizar as palestras, passei vários
dias como o intérprete dela”, disse James – conhecido como Jim pelos
amigos norte-americanos e Jimmy pelos brasileiros. A única resposta que
ele deu para os veículos e curiosos querendo saber do romance:
“Bobagem.”


Os dois haviam se conhecido no dia 7 de junho do ano passado. Foi num
evento em que um grupo de historiadores foi até o Palácio da Alvorada,
residência oficial, para manifestar sua solidariedade com a presidente,
afastada da função desde a votação do dia 12 de maio. Green, autor do
livro Apesar de Vocês, sobre a resistência à ditadura brasileira que partiu dos Estados Unidos, e de Além do Carnaval,
uma história da homossexualidade masculina no Brasil, foi o último a
falar, sentado ao lado esquerdo de Dilma. “Foi uma mesa lotada de
acadêmicos e ativistas incríveis. Estava bem ansioso, como sempre quando
falo em português. Tem que acertar o gênero, se é ‘o’ ou ‘a’, se tem
que usar o subjuntivo… E eu falei da solidariedade internacional, e de
como, enquanto ela estava sendo submetida à tortura no Brasil, pessoas
nos Estados Unidos estavam se mobilizando em solidariedade. Eu estava
tão tenso que nem olhava para ela, mas as pessoas comentaram comigo
depois que ela estava prestando muita atenção.”


Depois das palestras, Green comentou com a ex-presidente que estava
escrevendo um livro sobre Herbert Daniel, companheiro de luta com quem
ela morou na clandestinidade no Rio de Janeiro em 1969. O livro, Brazilian Gay Revolutionary: The Life and Times of Herbert Daniel,
sairá em breve pela Duke University Press. Dilma ficou encantada ao
saber do tema do livro e topou ser entrevistada sobre o amigo e o
período da clandestinidade. Duas semanas mais tarde, James voltou ao
Alvorada, desta vez para um encontro particular. Dilma parabenizou-o
pelo manuscrito, disse ter passado três noites seguidas lendo. O que era
para ser uma entrevista de 45 minutos acabou sendo uma conversa de duas
horas e meia.


“Já que eu estou pesquisando esse livro há oito anos, conheço até
detalhes que Dilma nem lembrava mais”, relembrou Green. “Ela falava:
‘Você conhece melhor minha vida em 1969 do que eu!’” Por meio de
depoimentos de presos políticos e relatórios policiais, o professor
havia reconstruído uma sequência de eventos e encontros sigilosos do
grupo revolucionário do qual Dilma e Herbert Daniel participaram. De
forma tangencial, a pesquisa dele abriu uma porta para o passado da
ex-presidente, para um ano em que ela vivia as suas convicções da forma
mais intensa possível. “Ela me contou lá em Brasília que 1969 foi um dos
melhores anos da vida dela.”  Green ficou incrédulo. No ano seguinte,
ela seria presa e torturada no Departamento de Ordem Política e Social, o
DOPS. “Mas estávamos vivendo o que acreditávamos”, Dilma explicou.


O que ajudou a aproximar os dois foi o fato de o próprio Green ter
militado contra a ditadura dentro do Brasil no final dos anos 70 e ter
ajudado a organizar uma campanha internacional reunindo acadêmicos
contrários ao processo de impeachment. “Acho que ganhei um amigo novo”,
Green lembra dela comentar no final da conversa.


O reencontro dos dois se deu no mês passado. Dilma deu palestras em
nove universidades na Costa Leste norte-americana, entre elas a Brown,
onde James dá aula. Depois do evento na Brown, em Providence, Rhode
Island, ela discursou na City University of New York. No dia de folga da
ex-presidente em Nova Iorque, o estudioso a levou para passear
no Central Park (“já que sei que ela gosta de exercício físico”), ao
Metropolitan Museum of Art, e Ópera, onde assistiram a uma produção de Eugene Onegin (“Ela
adora ópera e eu também”). Os dois se viram novamente quando a
ex-presidente deu uma palestra em Harvard, no final da viagem. Green fez
as vezes de intérprete quando Dilma se encontrou com Jane Sanders,
mulher de Bernie Sanders, e com o ator Danny Glover. “E foi só isso. Foi
uma temporada muito agradável.”


Em conversas com amigos e em textos do Facebook, o professor
americano frisa o quanto Dilma não se parece em nada com a imagem que
pintam dela, de ser uma mulher severa e inarticulada. “Ela é brilhante”,
disse enfaticamente. Relatou que Dilma quis comprar um livro sobre Lord
Palmerston, primeiro ministro da Inglaterra durante os anos 50 e 60,
para entender melhor a política dele em relação à Guerra Civil
norte-americana. Foram para The Strand – daí a foto dos dois folheando
livros – e fuçaram nas prateleiras até achar um tomo dedicado ao tema.
“Daí ela falou: ‘Preciso de mais contexto’, e fomos atrás de mais três
ou quatro livros sobre a história da Grã-Bretanha no século XIX para que
ela pudesse entender melhor a conjuntura política.” Green também
rejeita a imagem da ex-presidente como durona, descrevendo-a como
divertida e engraçada. Foi com o intuito de desfazer essas percepções
negativas que ele escreveu uma postagem no dia 23 de abril sobre a
visita de Dilma e o tempo que passaram juntos:


[…] eu sempre tive dúvidas e críticas em relação aos governos de
Lula e Dilma. Porém, o que mais me impressionou durante esta semana
intensa de eventos, reuniões e interações foi a crença firme de Dilma na
democracia. As pessoas que viveram o choque elétrico do regime militar,
a censura da imprensa, os decretos arbitrários e os silêncios impostos
sobre a nação compreendem que sem democracia não há justiça e sem
justiça real e igualdade socioeconômica não há democracia.



A pessoa que eu tive a honra de conhecer um pouquinho nesta última
semana é profundamente honesta e uma pessoa íntegra. Estou muito grato
pela oportunidade de compartilhar este tempo com ela. […]”



Ao terminar de relatar o tempo que passaram juntos, o tom de Green
mudou. “O curioso sobre esse boato [do namoro] é que reflete toda a
misoginia que ronda a Dilma. Tem a percepção de que uma mulher não pode
ser livre e independente, que ela tem que ter sempre algum homem para
apoiá-la. Daí quando ela aparece com qualquer pessoa, surge essa
especulação imediata sobre um relacionamento romântico, se ela vai
casar.”


James disse não saber quem poderia estar por trás das informações passadas à RD1.
“Não tenho ideia. Ah, vai, é ridículo.” Quanto à foto em que os dois
aparecem abraçados no restaurante: “Eu tinha passado o dia inteiro
fazendo crowd control de todas as pessoas que queriam tirar foto
com ela. À noite eu me dei conta de que não tinha nenhuma foto com ela,
aí pedi para tirarem.” E na foto em que ele aparece do lado dela numa
das palestras, contemplando-a com evidente admiração: “Claro que admiro
ela! Ela foi presidente do Brasil e lutou contra a ditadura. Admiro
todos os que lutaram.”


Antes de desligar, perguntei de outra pessoa que talvez se
interessasse com a notícia dessa nova amizade: Moshe Sluhovsky, o
companheiro de Green, com quem tem um relacionamento há 24 anos. “Ele
está super ciumento”, brincou, “e a Dilma disse que ele tem toda a razão
para estar.”

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Bom jornalismo também aderiu à greve

Bom jornalismo também aderiu à greve do dia 28, admite ombudsman da Folha | GGN



Jornal GGN - A cobertura que a grande mídia fez
sobre a greve geral do dia 28 de abril não fez jus aos fatos e tampouco
se prestou a aprofundar a discussão sobre a pauta dos trabalhadores que
paralisaram diversos setores da economia: as reformas do governo Temer
para a Previdência e legislação trabalhista.
 
Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha, publicou artigo
criticando a imprensa por não tem feito o mínimo que se espera do "bom
jornalismo": apontar o tamanho da greve e discutir os motivos que
levaram à adesão de 40 milhões de pessoas, segundo os organizadores.
 
Ao invés disso, a mídia se apegou a vandalismos pontuais e aos
problemas enfrentados por quem queria trabalhar. "Na sexta-feira, o bom
jornalismo aderiu à greve geral. Não compareceu para trabalhar", disse.
 
 
Por Paula Cesarino Costa
 
Na Folha
 
 
Assim como a de milhões de brasileiros, minha rotina diária foi
alterada pela greve geral da sexta-feira, 28. Lojas de que precisei
estavam fechadas; no supermercado, o gerente disse que apenas um terço
dos funcionários comparecera; a experiência nos aeroportos de amigos e
familiares que viajaram foi sofrida, apesar de a Folha ter dito que os
aeroportos funcionaram normalmente. Pode não ter sido um caos, mas
normal não foi.
 
De modo geral, esse foi o problema da cobertura da greve geral
convocada contra as reformas da Previdência e das leis trabalhistas.
Focou a alteração da rotina das cidades, de modo previsível, sem
inventividade nem relatos ricos.
 
Em suma, os jornais se concentraram no impacto sobre as árvores e
deixaram de abordar a situação da floresta. A velha imagem é eficiente
por condensar a mensagem de modo tão claro.
 
Um parágrafo do editorial da Folha trazia o resumo do que pretendo
dizer quando cobro abordagem mais ampla: "Em nenhum país do mundo,
propostas de redução de direitos relativos à aposentadoria contarão com
apoio popular. Governantes, em geral, só as apresentam quando as
finanças públicas já estão em trajetória insustentável. Este é, sem
dúvida, o caso do Brasil".
 
Essa é a visão da floresta que deveria ser discutida nos jornais. É
preciso acrescentar que a discussão sobre a reforma trabalhista é
também uma discussão sobre perda de direitos, contraposta à
possibilidade de dinamização e crescimento do mercado do trabalho
–promessa de comprovação difícil. Esses são os dois lados da moeda.
 
Pode-se até afirmar que essa discussão está presente no jornal. Não
com a clareza do dilema exposto pelo editorial da Folha: está em jogo a
perda de direitos em nome do ajuste fiscal. Jornais estrangeiros assim
enquadraram a manifestação. A imprensa brasileira abriu mão da discussão
sobre a floresta.
 
A greve geral convocada por centrais sindicais e movimentos de
esquerda mostrou que a mídia precisa se qualificar para esse tipo de
cobertura, complexa e de altíssimo interesse do público leitor.
 
Quase em uníssono, os três principais jornais destacaram nas
manchetes de suas edições impressas o efeito no transporte e a violência
com que terminaram manifestações em São Paulo e no Rio.
 
Será que o vandalismo em pontos isolados do Rio e de São Paulo era
notícia a destacar em enunciado de manchete, se a própria Folha escreveu
que a calmaria reinou durante quase todo o dia? Por que valorizar as
cenas de confronto, em vez de imagens que pudessem, por exemplo, mostrar
o que diziam as faixas levadas às manifestações.
 
A greve paralisou, segundo o noticiário da Folha, parcialmente as
atividades nas principais capitais do país e em ao menos 130 municípios,
em todos os Estados e no Distrito Federal. Os organizadores classificam
como a maior greve da história do país: cerca de 40 milhões paralisaram
suas atividades.
 
Não há reportagem ou quadro na edição que diga qual era exatamente o
objetivo da greve ou, se fosse o caso, a análise de seu impacto nos
objetivos do movimento.
 
Há dois pontos básicos a que o jornal, na minha avaliação deveria ter respondido:
 
Qual foi o tamanho da paralisação? Era preciso encontrar parâmetros
que permitissem ao leitor entender o que foi o movimento de agora em
comparação com convocações anteriores.
 
Quais as possíveis consequências da greve? Terá algum efeito em seu
objetivo principal de parar a tramitação das reformas trabalhista e da
Previdência, obrigando Executivo e Legislativo a negociar com a
sociedade e os sindicatos?
 
Eram desafios difíceis, mas a imprensa não conseguiu nem chegar perto de enfrentá-los.
 
À exceção dos colunistas André Singer e Demétrio Magnoli, não houve
tentativa de interpretação do que aconteceu. Cientistas políticos,
sociólogos e analistas não estão nas páginas da Folha ajudando a
entender o que aconteceu e o que pode vir a acontecer.
 
Deputados e senadores não se manifestaram de forma a sinalizar se o
protesto pode vir a ter algum efeito objetivo nos projetos em
discussão. Apenas o governo federal fala, expressando a óbvia e
obrigatória avaliação de que adesão foi pequena, fracassou.
 
Ainda há muito a aprender e a ser desenvolvido em cobertura de casos dessa magnitude.
 
Na sexta-feira, o bom jornalismo aderiu à greve geral. Não compareceu para trabalhar.

Micos amestrados

Fernando Brito



Micos amestrados, por Luís Costa Pinto

delonge


Do sempre lúcido Luís Costa Pinto no Poder360 – que se tornou leitura
indispensável – uma análise acachapante do comportamento da mídia
brasileira diante da greve geral, com o obrigatório destaque àquilo que
já se registrou aqui: a “pérola” da Folha ao chamar o capitão Augusto
Sampaio de “homem trajado de policial militar”.


Um país conflagrado e mergulhado numa crise que já desemprega mais de
14 milhões parece que tem como causa de seus problemas mais graves
algumas interdições de rua e meia dúzia de conflitos fabricados por
 grupos obscuros ou pela própria polícia. Esta exacerba a brutalidade e
avança com ganas sobre qualquer um, porque, como se viu no caso do
capitão covarde e recalcado, porque da mídia e dos governos jamais lhe
vêm nada sobre seus abusos que não sejam “sindicâncias” e “apurações com
rigor” que nunca dão em nada.


Greve geral mostrou vergonhoso

momento da mídia tradicional brasileira

Luís Costa Pinto, no Poder 360
A greve geral da última 6ª feira
(28.abr.2017), que paralisou parcela relevante e majoritária do país,
aprofundou também o fosso que aparta a mídia tradicional brasileira do
Brasil real. Veículos como a Rede Globo (TVs aberta e fechada, suas
rádios, jornais e sites), TV Bandeirantes e sua rádio, jornais O Estado
de S. Paulo, Correio Braziliense e muitos outros títulos regionais
parecem habitar um bloco de gelo que já se separou do continente e
navega num mar de rosas particular.
O bloco, transformado em iceberg,
assiste de longe ao derretimento continental. Mas seus arautos áulicos
preferem crer que o mar de rosas enxergado só por eles irá congelar e
reconstruir caminhos capazes de lhes conduzir de volta ao meio de onde
vieram, e onde haviam reinado. A Folha de S.Paulo, desesperada e na
dúvida, segura-se com uma mão na beira do abismo formado entre o iceberg
e a placa continental em chamas. Em razão disso, ainda é dentre eles o
único veículo capaz de relatar com alguma fidelidade o que se passa na
vida real.
No universo paralelo do iceberg que
está a vagar por águas incandescentes não houve greve geral –houve
“paralisações pontuais” e “protestos promovidos por centrais sindicais”.
O entardecer da 6ª feira, que levou às ruas das principais metrópoles
vigorosas manifestações de repúdio a uma agenda de reformas econômicas
que carece de chancela popular, posto não ter emergido das urnas, foi o
“encerramento com protestos de grupos violentos, entre eles black
blocks”.
Em seu desespero e confusão mental
produzida por quem parece estar mais atenta a ter tudo o que todos têm e
menos à qualidade do que publica, sem saber se é uma foca destinada a
se conservar placidamente na praia iceberguiana ou se é uma orca com
gana predatória por notícia, a Folha de S.Paulo produziu a pérola
destinada a sintetizar o vergonhoso momento da mídia tradicional
brasileira: ante sequência irrefutável de imagens que mostravam um
capitão da Polícia Militar de Goiás desferir violento golpe de cassetete
contra a cabeça do estudante Mateus Ferreira da Silva, durante os
protestos em Goiânia, descreveu o ato de violência desproporcional como
tendo sido praticado por “um homem trajado de policial militar”.
A atitude do jornal foi tão covarde
quanto a do capitão Augusto Sampaio de Oliveira Neto, subcomandante da
37ª Companhia da Polícia Militar de Goiás. Ele foi o agressor de Mateus,
usou de força tão desproporcional que o porrete quebrou na cabeça do
estudante. Mateus respira por aparelhos, corre risco de morte. O mau
jornalismo que produziu o relato parcial do crime quase consumado contra
o universitário goiano, contudo, é apenas a síntese parcial de um
conjunto patético de veículos de comunicação que já não sabem refletir
sobre o papel destinado a eles na sociedade. Dentre todos esses veículos
os casos mais abrasivos de divergência entre o fato e a versão são
protagonizados pelas TVs Globo e GloboNews e pela rádio CBN.
Na 5ª feira 27 de abril, como
relatado aqui e em diversos outros espaços destinados a tentar flagrar
uma crônica lógica do dia a dia político do Brasil, os veículos das
Organizações Globo esconderam a greve convocada para a 6ª feira. Quando a
greve eclodiu, com sucesso, na manhã do dia 28, os telejornais
vespertinos pareciam surpresos e tentavam bancar o papel de guardiães do
serviço público focando nos “transtornos” do movimento paredista à
população e tratando a greve como “protestos de centrais sindicais”. Em
momento algum houve foco naquilo em torno de que se protestava –as
reformas trabalhista e da Previdência que tramitam no Congresso
Nacional. Um mico.
Ao longo do dia, comentaristas
amestrados desses canais, que nasceram para funcionar como elos entre a
sociedade dispersa e as instituições do país e são concessão pública
(devendo, portanto, observar um compromisso mínimo com a tradução de
expectativas sociais e a mediação de conflitos de opinião),
esforçaram-se por tentar explicar o que para eles –e só para eles–
parecia inexplicável: por que existe quem seja contra reformas como
aquelas ora propostas? O esforço, como todo o resto, era parcial. Não
havia opiniões divergentes às deles sendo ouvidas e levadas em conta nos
programas levados ao ar.
Para alguns é cômico, motivo de piada
de mau gosto, flagrar a desfaçatez diária com a qual a notícia é
maltratada nesses veículos. Há sempre um viés político por trás daquilo
que se diz, ou daquilo sobre o que não se fala. Não é difícil perceber a
seletividade dos temas abordados, a escolha precisa de qual frase de
entrevistado encerra as passagens das “reportagens” –em geral, com a
missão precisa de reafirmar a tese dominante dos controladores de
opinião desses veículos. Mas é tudo muito trágico. Afinal, o
telespectador médio brasileiro, habitante de um país de iletrados reais
ou funcionais, só tem contato de fato com o cotidiano do Brasil por meio
de veículos audiovisuais. Produz-se, portanto, uma massa bovina que
segue o peão boiadeiro. As reses que ousam fugir do rebanho tornam-se,
por conseguinte, desqualificadas e imprestáveis. O berrante segue
guiando a massa para o matadouro, um ou outro mugido é ouvido, e aqueles
que saíram do caminho são apartados para virar boi de piranha nas
travessias mais arriscadas do charco.
As focas contemplativas que
lagarteiam na praia gelada do iceberg da mídia tradicional brasileira
falam apenas para dentro do universo paralelo em que vivem. Como o
continente está em chamas, a luta travada nesse momento só tem 2
resultados possíveis: ou o calor dos fatos, de um país que arde por
dentro, derrete o bloco à deriva no mar de rosas particular; ou o ar
gelado da redoma construída pelas focas às custas de muitos micos
arrefecerá as chamas e permitirá o reembarque deles num país só
existente em seus imaginários panglossianos.

Só no Brasil mesmo pra fazer greve em dia útil

Só no Brasil mesmo pra fazer greve em dia útil - 01/05/2017 - Gregorio Duvivier - Colunistas - Folha de S.Paulo




Tem certas coisas que só existem no Brasil mesmo. Sexta-feira vimos
surgir um novo fenômeno bem brasileiro: a greve em pleno dia de
trabalho. Greve, como todos sabem, é algo que se faz no feriado, pra não
atrapalhar ninguém. O marido da Ana Hickmann calcula que perdeu R$ 25
mil. Vocês já viram a sala da casa dele? Aquilo precisa de 15 pessoas
pra limpar. Deve tá uma nojeira.





Claro que o trabalhador pode protestar. Mas primeiro tem que pensar na
sociedade. Tem que escolher um dia bom. Feriado serve pra isso: você
pode ir à praia, ao sítio ou fazer greve. Vai do gosto de cada um.







Jesus, por exemplo, poderia ter nascido em qualquer dia. Mas nasceu no
Natal. Por quê? Porque era feriado. Ele sabia que quando nascesse ia
parar tudo, daí ele escolheu uma data em que já tá tudo parado, pra não
atrapalhar o marido da Ana Hickmann. E ainda nasceu uma semana antes do
Réveillon, numa época que todo o mundo já tá mais tranquilo, dá pra
emendar as duas datas, ir pra Bahia. E vamos combinar que ele morreu
numa época ótima, também. Mas isso a gente deve aos romanos. Os romanos
sabiam tudo de calendário. Podiam ter matado Jesus em qualquer época,
mas escolheram a Páscoa, pra não atrapalhar o trânsito nem a vida de
ninguém.





D. Pedro foi outro que arrasou: declarou a independência num feriado, o
Sete de Setembro, pra não atrapalhar a vida de ninguém. Tem dia melhor
pra declarar a independência que o Dia da Independência? Matou dois
coelhos com um feriado só.





O problema é que o pessoal quer fazer baderna. Desse jeito ninguém
consegue nada. O que falta nesse povo é gentileza. Quer alguma coisa?
Pede com jeitinho. E para de falar mal da pessoa pra quem você tá
pedindo. É indelicado.





Na última pesquisa só 4% de vocês disseram que o governo do Temer era
bom ou ótimo. Se vocês ficarem falando mal do presidente, por que é que
ele iria ajudar vocês? Tem que respeitar pra ser respeitado.





Uma ideia pra vocês: os sindicalistas, como todos sabem, estão entre os
homens mais ricos do país (ver "Forbes"). Por que não fazem uma vaquinha
pra mandar flores pro presidente? Um patinete pro Michelzinho? Uma
limpeza espiritual no Alvorada? Tem que pensar no outro. Não deve tá
fácil pro Temer, nem os fantasmas deixam ele trabalhar. Tem um pessoal
ótimo que faz esse trabalho de limpeza, chama Ghostbusters. Um pouquinho
mais de gentileza, por favor.