Destrinchando a delação de Odebrecht | Marcelo Auler
sábado, 22 de abril de 2017
O fetiche da moeda na aldeia global
Fora de Pauta | GGN
Certo
dia, numa terra verde e amarela, uma empresa de mídia reuniu notáveis
economistas para refletir sobre a vida em sociedade num regime de
economia mercantil.
Como não podia ser diferente, o encontro foi aberto pelo anfitrião,
fazendo uso da palavra. E, ciente de seu poder, foi econômico com elas.
- Somos ricos, porque temos muuuuito dinheiro.
- Ohhh!
Todos se admiraram. Não se sabe se com as sábias palavras ou a
quantidade de dinheiro. Muuuuito. O fato é que o recado estava dado.
Apesar do nome pomposo, o objetivo do encontro era fazer a bilionária
família ficar ainda mais rica, no menor tempo possível. Afinal, rico tem
pressa. Ou, na língua materna de alguns economistas, time is money.
Imbuído desse espírito cívico um dos PhDs presentes pediu a palavra e
iniciou uma profunda reflexão lógico-científica. Partindo,
evidentemente, da premissa do organizador do evento.
E foi direto ao ponto.
- Riqueza é medida em moeda corrente.
- Ohhh!
Todos mais uma vez se admiraram. Na verdade, estavam em êxtase diante de tanta riqueza.
Aproveitando esse estupor momentâneo o doutor em economia ponderou.
- Não se assustem. Iniciarei uma dedução deveras abstrata, mas, ao final, todos entenderão perfeitamente a mensagem.
E assim prosseguiu.
- Quanto menor a demanda, menor a produção.
- Quanto menor a produção, menor a pressão sobre o mercado de trabalho.
Nesse momento, pensou em dizer “maior desemprego”, ou talvez, “menor
nível de emprego”. Mas achou que não cairia bem nos ouvidos de tão
seleta plateia, e seguiu em frente.
- Quanto menor a pressão sobre o mercado de trabalho, menor o custo da mão de obra.
Novamente, passou pela sua cabeça a ideia: “maior arrocho salarial”.
Mas, imediatamente descartou-a de sua cachola. Um palavrão desses seria
um disparate, refletiu.
Superada outra crise de consciência crítica, prosseguiu. Desta vez, mais confiante.
- Quanto menor o custo do trabalho, menor a pressão sobre os preços e, consequentemente, menos inflação.
- Menos inflação, ao longo do tempo, implica em maior o poder de compra da moeda.
- E, quanto maior o poder de compra da moeda...
Nesse instante, quase não conseguia conter seu entusiasmo.
Imaginava-se partícipe daquela seleta corte de comentaristas econômicos,
arautos da mais rica e poderosa família verde e amarela. E assim,
deveras entusiasmado, concluiu.
- Quanto maior o poder de compra da moeda, maior a riqueza!
- Logo, ...
Agora estava nas nuvens. No Olimpo. Sentia-se um Kant tropical. E com esse espírito sentenciou.
- Quanto menor a demanda maior a riqueza.
A plateia o aplaudia de pé. Entusiasticamente.
Num último suspiro crítico ainda pensou em adjetivar a riqueza como
monetária (sem lastro em ouro e numa máquina de guerra). Mas logo
percebeu que não era hora de se preocupar com detalhes. As favas com
os... Pensou, ao lembrar-se de um nobre intelectual daquela amada aldeia
global.
Por fim, encarnando agora a rebeldia de um Nietzsche, ergueu os
braços e pediu um minuto da atenção de todos para suas considerações
finais.
- O deus mercado está morto. Sucumbiu nas putrefatas relações de
trocas entre suados e gananciosos produtores e consumidores de bens e
serviços. De seu estertor nascerá uma nova era. A era da moeda. Uma
riqueza que se multiplica interruptamente à medida que evita as
depreciativas relações mercantis de produção e consumo de bens e
serviços.
Findada essas palavras ele puxou uma corda que segurava um pano cobrindo um quadro.
Nele, podia se ler:
Menos produção e consumo (sustentável ou não), mais riqueza!
A moeda incólume, triunfará num processo de valorização infinita.
Pra frente Brasil!!! Viva o Partido Novo.
As duas últimas frases não estavam no quadro, mas na mente do economista e dos presentes daquele iluminado encontro.
Ao fundo, o anfitrião sorria discretamente de tudo que ouvira.
Ah, esses meus economistas, sic, valem ouro. Pensava satisfeito.
O fetiche da moeda na aldeia global
http://jornalggn.com.br/usuario/rpv
dia, numa terra verde e amarela, uma empresa de mídia reuniu notáveis
economistas para refletir sobre a vida em sociedade num regime de
economia mercantil.
Como não podia ser diferente, o encontro foi aberto pelo anfitrião,
fazendo uso da palavra. E, ciente de seu poder, foi econômico com elas.
- Somos ricos, porque temos muuuuito dinheiro.
- Ohhh!
Todos se admiraram. Não se sabe se com as sábias palavras ou a
quantidade de dinheiro. Muuuuito. O fato é que o recado estava dado.
Apesar do nome pomposo, o objetivo do encontro era fazer a bilionária
família ficar ainda mais rica, no menor tempo possível. Afinal, rico tem
pressa. Ou, na língua materna de alguns economistas, time is money.
Imbuído desse espírito cívico um dos PhDs presentes pediu a palavra e
iniciou uma profunda reflexão lógico-científica. Partindo,
evidentemente, da premissa do organizador do evento.
E foi direto ao ponto.
- Riqueza é medida em moeda corrente.
- Ohhh!
Todos mais uma vez se admiraram. Na verdade, estavam em êxtase diante de tanta riqueza.
Aproveitando esse estupor momentâneo o doutor em economia ponderou.
- Não se assustem. Iniciarei uma dedução deveras abstrata, mas, ao final, todos entenderão perfeitamente a mensagem.
E assim prosseguiu.
- Quanto menor a demanda, menor a produção.
- Quanto menor a produção, menor a pressão sobre o mercado de trabalho.
Nesse momento, pensou em dizer “maior desemprego”, ou talvez, “menor
nível de emprego”. Mas achou que não cairia bem nos ouvidos de tão
seleta plateia, e seguiu em frente.
- Quanto menor a pressão sobre o mercado de trabalho, menor o custo da mão de obra.
Novamente, passou pela sua cabeça a ideia: “maior arrocho salarial”.
Mas, imediatamente descartou-a de sua cachola. Um palavrão desses seria
um disparate, refletiu.
Superada outra crise de consciência crítica, prosseguiu. Desta vez, mais confiante.
- Quanto menor o custo do trabalho, menor a pressão sobre os preços e, consequentemente, menos inflação.
- Menos inflação, ao longo do tempo, implica em maior o poder de compra da moeda.
- E, quanto maior o poder de compra da moeda...
Nesse instante, quase não conseguia conter seu entusiasmo.
Imaginava-se partícipe daquela seleta corte de comentaristas econômicos,
arautos da mais rica e poderosa família verde e amarela. E assim,
deveras entusiasmado, concluiu.
- Quanto maior o poder de compra da moeda, maior a riqueza!
- Logo, ...
Agora estava nas nuvens. No Olimpo. Sentia-se um Kant tropical. E com esse espírito sentenciou.
- Quanto menor a demanda maior a riqueza.
A plateia o aplaudia de pé. Entusiasticamente.
Num último suspiro crítico ainda pensou em adjetivar a riqueza como
monetária (sem lastro em ouro e numa máquina de guerra). Mas logo
percebeu que não era hora de se preocupar com detalhes. As favas com
os... Pensou, ao lembrar-se de um nobre intelectual daquela amada aldeia
global.
Por fim, encarnando agora a rebeldia de um Nietzsche, ergueu os
braços e pediu um minuto da atenção de todos para suas considerações
finais.
- O deus mercado está morto. Sucumbiu nas putrefatas relações de
trocas entre suados e gananciosos produtores e consumidores de bens e
serviços. De seu estertor nascerá uma nova era. A era da moeda. Uma
riqueza que se multiplica interruptamente à medida que evita as
depreciativas relações mercantis de produção e consumo de bens e
serviços.
Findada essas palavras ele puxou uma corda que segurava um pano cobrindo um quadro.
Nele, podia se ler:
Menos produção e consumo (sustentável ou não), mais riqueza!
A moeda incólume, triunfará num processo de valorização infinita.
Pra frente Brasil!!! Viva o Partido Novo.
As duas últimas frases não estavam no quadro, mas na mente do economista e dos presentes daquele iluminado encontro.
Ao fundo, o anfitrião sorria discretamente de tudo que ouvira.
Ah, esses meus economistas, sic, valem ouro. Pensava satisfeito.
Vazamentos da PF
ConJur - Vi vazamentos da PF e nada fiz, porque entendi qual foi o propósito
Subtema: Constituinte — porque se trata de um haraquiri institucional
Leio que, face à delação da Odebrecht (a Moab – Mother Of All Bargains)
e do desgaste da política (e do Direito), muita gente começa a
ressuscitar a tese da Assembleia Constituinte. Na crise, não criamos.
Atalhamos. Explico: quando vejo o jornal Estadão colocando a tese em editorial, fico arrepiado. Afinal, o mesmo Estadão festejou a derrocada da Constituição de 1946 ao declarar apoio ao golpe de 1964, postura também seguida pela Folha e outros veículos como, é claro, O Globo (e também a OAB).
É
isso que me preocupa. Vejam no que deu. Demoramos mais de 25 anos para
voltar à democracia. Construímos uma Constituição democrática. Mas não a
cumprimos. Houve um incentivo ao seu descumprimento. Pronto. A solução?
Simples: façamos uma nova. Bingo. Para um problema complexo, uma
resposta simples... E errada.
Um sintoma: lembro de uma palestra
de um jovem que assisti há uns dez anos. Ele era mestre e doutorando em
Direito, usava kit carreira jurídica (terno bem cortado e chave de Audi
A4 à mostra) e gritava: “Interpretar a lei é um ato de vontade; tudo é subjetivo; não há verdades”
(onde esse menino estudou?). Além de o desmentir publicamente —
confesso que cheguei a ser deselegante (não faria isso de novo, hoje,
desse modo rude) —, quando terminei minha fala, ainda fiz uma
observação: “Isso tudo ainda vai sair muito caro para a democracia”.
Dito e feito.
Minha lhana crítica
Nesta coluna, quero dizer o que penso sobre tudo isso, com todo o
respeito e lhaneza aos que propugnam por uma nova Constituição. Fui rude
com o jovem. Já não sou assim. Portanto, por favor, quem assim pensa
não se sinta nem acusado nem ofendido. Sinta-se homenageado, porque
suscitou o debate, que, por óbvio, transcende à tese de uma nova
constituinte. Mas transcende, mesmo.
Assim, sigamos. Primeiro:
quem faria a nova Constituição? Legisladores da Noruega? Quem elegerá os
constituintes? Os 35 partidos, existentes, aliás, por um julgamento
ativista do STF, que disse ser inconstitucional (até hoje não entendi
por que) a cláusula de barreira. Ah: quem será que colocou os atuais
parlamentares no Congresso? Vamos trocar de eleitor?
E vejam a
bizarrice. Temos mais de mil faculdades de Direito, dezenas de milhares
de professores (de Direito), carreiras jurídicas que devem chegar a duas
dezenas, dependendo de como contarmos as advocacias públicas (todas,
incluindo as Defensorias, ganhando mais de R$ 22 mil de salário inicial,
algumas carreiras ainda recebendo honorários e incentivos por cobrança
de tributos), além da pesada máquina dos tribunais de Contas,
Controladorias etc., e o diagnóstico é o de que temos de fazer uma nova Lei Maior? Fracassamos? Mas, então, a coisa vai mal por causa da CF ou por que falhamos nas nossas atribuições de juristas?
E não seria (também) porque fiscalizamos mal, burocratizamos a máquina
ao extremo, criamos cargos a mancheias, transformamos o país em uma
“concursocracia”? Os políticos “fizeram a parte deles”, se me permitem o
sarcasmo... Mas os juristas também “fizeram a sua parte”. E como
fizeram.
Querem ver? A primeira falha do espectro jurídico foi a de não saber identificar o seu objeto — o direito.
Um bom positivista contemporâneo poderia ensinar muito a essa gente que
confunde direito e moral (no plano analítico, é claro — mas que é
extremamente útil). Qual é o erro? Porque respondemos a qualquer assunto
jurídico com a opinião pessoal ou com a moralização da resposta. Antes do direito... Colocamos a moral, a política etc. Resultado: a fragilização do objeto — o direito.
Agora mesmo, quando defendemos uma nova Constituição, estamos,
nitidamente, raciocinando moralmente. Dizemos: a culpa é da
Constituição. “Façamos uma nova.” Fetiche da lei. Logo quereremos
substitui-la por outra. Constituição virou um produto descartável. Minha
resposta: não adiantará, porque, com essa comunidade jurídica, com
esses operadores (sic), pode ser feita a constituição ideal-fundamental, a Grundverfassung ou a Moal (Mother Of All Laws – a mãe-de-todas-as-leis) e... Nada mudará.
Como
culpar a Constituição pela incapacidade dos juristas de aplicar o
Direito, ensinado nas faculdades por — pelo menos uma parcela razoável —
professores mal preparados (estou sendo generoso), que “ensinam” as
maiores barbaridades aos incautos alunos? Esses incautos logo se formam e
fazem concursos, depois de passarem por cursinhos ministrados (em
grande parte deles) por professores que ensinam por decoreba e por
pegadinhas (para dizer o menos).
De que adianta uma nova
Constituição se, nos concursos públicos para as carreiras que a irão
aplicar, são feitas perguntas que não passam de pegadinhas e exercícios
de memorização, sem falar nos Caios, Tícios, teorias da graxa,
pamprincipios, hiperbolismos etc.? Chegamos a este ponto: técnicas de chutes para concursos. Tem muito disso (aqui). E ensinam crime tentado com “beijinho no ombro” (aqui). Tem até um professor (que também é juiz) que inventou a técnica do chute consciente.
Bingo. O Brasil é demais. Afora tudo o que mostrei na coluna sobre a
concursocracia e a teoria da graxa, descubro a cada dia coisas novas,
como Jusjitsu – a arte do concurseiro.
É, de fato, precisamos de uma NCF... Para nela fazer constar um
dispositivo para impedir esse tipo de coisa. Repito: a culpa é da
Constituição? Do CPP? Do NCPC? Do “badanha”? Do “bispo”?
Como
querer uma nova Constituição se acabamos de aprovar um NCPC do qual
sequer conseguimos fazer cumprir dispositivos que determinam o básico —
como o dever de coerência e integridade, além da fundamentação
detalhada? Quem está cumprindo o artigo 10? E o 489? E o 926? Então, de
novo: quem vai aplicar a NCF? Os que hoje não cumprem o NCPC ou a atual
Constituição? Os que não cumprem o CPP?
Imagino o futuro: sai a
NCF e, dias depois, as livrarias estarão atulhadas de novos livros. E
centenas de congressos. E fóruns (permanentes) para elaboração de teses
sobre os dispositivos dessa NC (claro, as teses exigem unanimidade para
“valerem”). Bingo de novo. Ou não é assim? Desmintam-me. Nosso sonho é
voltar ao século XIX, no positivismo clássico: dar respostas antes das perguntas. Fazer conceitos sem coisas. Imitar o legislador (e “fazer-melhor-que-ele”). E escrever novos livros tipo: NCF Facilitada; NCF Descomplicada... E começa tudo de novo.
Pergunto,
lhanamente: quem vai aplicar e doutrinar sobre essa tal NCF? Os que,
mesmo que o NCPC tenha dito que não há mais livre convencimento, dizem —
e escrevem — que o legislador é mero detalhe (há gente que pensa como
Llewellyn, em The Bramble Bush, para quem “leis constituem lindos brinquedos”) e que o que vale é o livre convencimento como persuasão racional?
Ora, ora, meus caros noruegueses e/ou dinamarqueses... Se fazemos isso
com o NCPC, assim agiremos em relação a uma eventual NCF. Para, de novo,
dizermos o que queremos sobre o seu conteúdo. Para exercermos a nossa Wille zur Macht (vontade
de poder). Para ficarmos bradando em palestras e vender muitos livros,
dizendo que o Direito é, ao fim e ao cabo, o que o Judiciário diz que
ele é.
Já vi esse tipo de filme. Marcelo Cattoni, Gilberto Bercovici, Martonio Barreto Lima e eu já escrevemos sobre isso aqui na ConJur.
E eu quero dizer que lutei muito pela Constituição de 1988. Esta que
muitos dizem já não ter mais serventia. Fiz 37 palestras sobre
Assembleia Constituinte entre 1985 e 1987.
Temos de apostar na
democracia. No Estado (Democrático) de Direito. E, mesmo no entremeio de
uma crise desta monta que faz o delírio da Globo News e do Jornal Nacional,
mantenho o otimismo. Não devemos ter a ilusão de que possa existir uma
sociedade sem vícios. Aliás, sempre lembro da fábula mais liberal do
mundo, a das abelhas (Barão de Mandeville): vícios privados, benefícios públicos (que o pessoal da teoria da graxa deveria ter lido).
Para
quem quer uma “nova Carta”, pense em como seria a parte que trata dos
direitos fundamentais. Já imagino um dispositivo dizendo: pena de morte e
perpétua poderão ser estabelecidas após aprovadas por plebiscito;
delações poderão ser feitas em todas as modalidades de crimes,
dispensada a presença de advogado se o réu desde logo optar por delatar
ou aceitar a barganha; para crimes cujas penas são superiores a 10 anos,
a prisão será obrigatória (repristinando o que havia antes da lei
Fleury)... E assim por diante. E um dispositivo será assim: acima
das leis e da CF está a justiça e o direito natural; nos casos de
flagrante injustiça da lei, aplicar-se-á a fórmula Radbruch (isso
dará boas questões para os futuros concursos no novo regime
constitucional — os cursinhos passariam a ensinar a fórmula Radbruch...
E logo fariam com ela o que fizeram com a ponderação; e também fariam
paródias musicais). Bolsonaro poderá ser o relator.
Moral da
história: antes de desistirmos das leis e da atual Constituição, seria
bom que começássemos por cumprir o ordenamento. Seria bom receber as
denúncias sem usar formulários tipo “defiro os requerimentos do MP acaso
existentes”; passar a cumprir o CPC (inclusive fazendo-o valer no
processo penal no que tange à fundamentação); não responder os embargos
de declaração como se respondia no CPC/73; parar de inverter o ônus da
prova em processos de furto e tráfico; fundamentalmente, parar de
corrigir o Direito (sim, o Direito, o produto com o qual trabalhamos,
porque, ao que sei, direito não é moral, não é política, não é filosofia
moral etc. — ler aqui)
a partir de nossas opiniões pessoais. Se cumprirmos as leis e a CF,
chegaremos à conclusão de que uma lei só pode não ser aplicada em seis
hipóteses (ver aqui). É o primeiro passo.
Necessárias críticas à entrevista da ex-ministra Eliana Calmon
Sei que entrevistas podem falsear o que o entrevistado falou. Mas como
não houve desmentido, presumo que o que está escrito foi dito. Falo da
ex-ministra Eliana Calmon, que disse:
Ao que entendi, cumprir “com severidade” a lei é “condenar”. E talvez
“aplicar a lei com severidade” seja o que o STJ fez na semana passada,
ao decidir que o condenado pode cumprir pena em regime mais grave do que
o do decorrente da pena (aqui). Ou o juiz que mandou desalojar 300 famílias (em 300 mil hectares) li-mi-nar-me-nte
e sem ouvir o MP? Mas, segundo a decisão, foi sob “a proteção de
Deus”... Ah, bom. O que é isto — cumprir a lei com severidade (sic)? É receber denúncia em formulário? É inverter o ônus da prova? Como é mesmo ficar “na moda”[1]? Eu sou démodé. Ainda uso pomada Minancora (aqui).
Pode ser também que estar na moda é (deixar) vazar informações, que, para a ex-ministra, são meros pecados veniais (sic). Pecadilhos (por isso não surpreende que um site tenha transmitido ao vivo
o interrogatório de Marcelo Odebrecht diretamente da audiência de
Curitiba para o mundo). De novo: como não houve desmentido, tenho que o
que a ex-ministra disse foi exatamente o que está na entrevista. Vejam a
gravidade: ela confessou que, como ministra do STJ, “vi
muitas vezes o vazamento de informações saindo da Polícia Federal e
nada fiz contra a PF, porque entendi qual foi o propósito”.
Veja-se: “Vazamentos de informações”. Mas, vejam a ironia da coisa: o
propósito era para “o bem”. Pergunto: como descumprir leis pode ter um
bom propósito? No final da entrevista, a ex-ministra diz que, como
juíza, “sempre agi como Sergio Moro”. Sem comentários adicionais de
minha parte.
Numa palavra: parece que estar na moda — no Brasil —
é aceitar a tese de que “os fins justificam os meios”. E tem gente
querendo fazer uma NCF... Quem vai cumprir a NCF? Lembro-me, de novo, do
jovem processualista palestrante que gritava que “interpretação é um
ato de vontade” e outros quejandos. De fato, lendo a entrevista da
ex-ministra, vejo que o menino com seu kit carreira jurídica tinha chão
fértil para fazer florescer suas teses.
Mas temos que resistir. Por isso escrevo todas as semanas esta coluna hebdomadária.
Vi vazamentos da PF e nada fiz, porque entendi qual foi o propósito

Leio que, face à delação da Odebrecht (a Moab – Mother Of All Bargains)
e do desgaste da política (e do Direito), muita gente começa a
ressuscitar a tese da Assembleia Constituinte. Na crise, não criamos.
Atalhamos. Explico: quando vejo o jornal Estadão colocando a tese em editorial, fico arrepiado. Afinal, o mesmo Estadão festejou a derrocada da Constituição de 1946 ao declarar apoio ao golpe de 1964, postura também seguida pela Folha e outros veículos como, é claro, O Globo (e também a OAB).
É
isso que me preocupa. Vejam no que deu. Demoramos mais de 25 anos para
voltar à democracia. Construímos uma Constituição democrática. Mas não a
cumprimos. Houve um incentivo ao seu descumprimento. Pronto. A solução?
Simples: façamos uma nova. Bingo. Para um problema complexo, uma
resposta simples... E errada.
Um sintoma: lembro de uma palestra
de um jovem que assisti há uns dez anos. Ele era mestre e doutorando em
Direito, usava kit carreira jurídica (terno bem cortado e chave de Audi
A4 à mostra) e gritava: “Interpretar a lei é um ato de vontade; tudo é subjetivo; não há verdades”
(onde esse menino estudou?). Além de o desmentir publicamente —
confesso que cheguei a ser deselegante (não faria isso de novo, hoje,
desse modo rude) —, quando terminei minha fala, ainda fiz uma
observação: “Isso tudo ainda vai sair muito caro para a democracia”.
Dito e feito.
Minha lhana crítica
Nesta coluna, quero dizer o que penso sobre tudo isso, com todo o
respeito e lhaneza aos que propugnam por uma nova Constituição. Fui rude
com o jovem. Já não sou assim. Portanto, por favor, quem assim pensa
não se sinta nem acusado nem ofendido. Sinta-se homenageado, porque
suscitou o debate, que, por óbvio, transcende à tese de uma nova
constituinte. Mas transcende, mesmo.
Assim, sigamos. Primeiro:
quem faria a nova Constituição? Legisladores da Noruega? Quem elegerá os
constituintes? Os 35 partidos, existentes, aliás, por um julgamento
ativista do STF, que disse ser inconstitucional (até hoje não entendi
por que) a cláusula de barreira. Ah: quem será que colocou os atuais
parlamentares no Congresso? Vamos trocar de eleitor?
E vejam a
bizarrice. Temos mais de mil faculdades de Direito, dezenas de milhares
de professores (de Direito), carreiras jurídicas que devem chegar a duas
dezenas, dependendo de como contarmos as advocacias públicas (todas,
incluindo as Defensorias, ganhando mais de R$ 22 mil de salário inicial,
algumas carreiras ainda recebendo honorários e incentivos por cobrança
de tributos), além da pesada máquina dos tribunais de Contas,
Controladorias etc., e o diagnóstico é o de que temos de fazer uma nova Lei Maior? Fracassamos? Mas, então, a coisa vai mal por causa da CF ou por que falhamos nas nossas atribuições de juristas?
E não seria (também) porque fiscalizamos mal, burocratizamos a máquina
ao extremo, criamos cargos a mancheias, transformamos o país em uma
“concursocracia”? Os políticos “fizeram a parte deles”, se me permitem o
sarcasmo... Mas os juristas também “fizeram a sua parte”. E como
fizeram.
Querem ver? A primeira falha do espectro jurídico foi a de não saber identificar o seu objeto — o direito.
Um bom positivista contemporâneo poderia ensinar muito a essa gente que
confunde direito e moral (no plano analítico, é claro — mas que é
extremamente útil). Qual é o erro? Porque respondemos a qualquer assunto
jurídico com a opinião pessoal ou com a moralização da resposta. Antes do direito... Colocamos a moral, a política etc. Resultado: a fragilização do objeto — o direito.
Agora mesmo, quando defendemos uma nova Constituição, estamos,
nitidamente, raciocinando moralmente. Dizemos: a culpa é da
Constituição. “Façamos uma nova.” Fetiche da lei. Logo quereremos
substitui-la por outra. Constituição virou um produto descartável. Minha
resposta: não adiantará, porque, com essa comunidade jurídica, com
esses operadores (sic), pode ser feita a constituição ideal-fundamental, a Grundverfassung ou a Moal (Mother Of All Laws – a mãe-de-todas-as-leis) e... Nada mudará.
Como
culpar a Constituição pela incapacidade dos juristas de aplicar o
Direito, ensinado nas faculdades por — pelo menos uma parcela razoável —
professores mal preparados (estou sendo generoso), que “ensinam” as
maiores barbaridades aos incautos alunos? Esses incautos logo se formam e
fazem concursos, depois de passarem por cursinhos ministrados (em
grande parte deles) por professores que ensinam por decoreba e por
pegadinhas (para dizer o menos).
De que adianta uma nova
Constituição se, nos concursos públicos para as carreiras que a irão
aplicar, são feitas perguntas que não passam de pegadinhas e exercícios
de memorização, sem falar nos Caios, Tícios, teorias da graxa,
pamprincipios, hiperbolismos etc.? Chegamos a este ponto: técnicas de chutes para concursos. Tem muito disso (aqui). E ensinam crime tentado com “beijinho no ombro” (aqui). Tem até um professor (que também é juiz) que inventou a técnica do chute consciente.
Bingo. O Brasil é demais. Afora tudo o que mostrei na coluna sobre a
concursocracia e a teoria da graxa, descubro a cada dia coisas novas,
como Jusjitsu – a arte do concurseiro.
É, de fato, precisamos de uma NCF... Para nela fazer constar um
dispositivo para impedir esse tipo de coisa. Repito: a culpa é da
Constituição? Do CPP? Do NCPC? Do “badanha”? Do “bispo”?
Como
querer uma nova Constituição se acabamos de aprovar um NCPC do qual
sequer conseguimos fazer cumprir dispositivos que determinam o básico —
como o dever de coerência e integridade, além da fundamentação
detalhada? Quem está cumprindo o artigo 10? E o 489? E o 926? Então, de
novo: quem vai aplicar a NCF? Os que hoje não cumprem o NCPC ou a atual
Constituição? Os que não cumprem o CPP?
Imagino o futuro: sai a
NCF e, dias depois, as livrarias estarão atulhadas de novos livros. E
centenas de congressos. E fóruns (permanentes) para elaboração de teses
sobre os dispositivos dessa NC (claro, as teses exigem unanimidade para
“valerem”). Bingo de novo. Ou não é assim? Desmintam-me. Nosso sonho é
voltar ao século XIX, no positivismo clássico: dar respostas antes das perguntas. Fazer conceitos sem coisas. Imitar o legislador (e “fazer-melhor-que-ele”). E escrever novos livros tipo: NCF Facilitada; NCF Descomplicada... E começa tudo de novo.
Pergunto,
lhanamente: quem vai aplicar e doutrinar sobre essa tal NCF? Os que,
mesmo que o NCPC tenha dito que não há mais livre convencimento, dizem —
e escrevem — que o legislador é mero detalhe (há gente que pensa como
Llewellyn, em The Bramble Bush, para quem “leis constituem lindos brinquedos”) e que o que vale é o livre convencimento como persuasão racional?
Ora, ora, meus caros noruegueses e/ou dinamarqueses... Se fazemos isso
com o NCPC, assim agiremos em relação a uma eventual NCF. Para, de novo,
dizermos o que queremos sobre o seu conteúdo. Para exercermos a nossa Wille zur Macht (vontade
de poder). Para ficarmos bradando em palestras e vender muitos livros,
dizendo que o Direito é, ao fim e ao cabo, o que o Judiciário diz que
ele é.
Já vi esse tipo de filme. Marcelo Cattoni, Gilberto Bercovici, Martonio Barreto Lima e eu já escrevemos sobre isso aqui na ConJur.
E eu quero dizer que lutei muito pela Constituição de 1988. Esta que
muitos dizem já não ter mais serventia. Fiz 37 palestras sobre
Assembleia Constituinte entre 1985 e 1987.
Temos de apostar na
democracia. No Estado (Democrático) de Direito. E, mesmo no entremeio de
uma crise desta monta que faz o delírio da Globo News e do Jornal Nacional,
mantenho o otimismo. Não devemos ter a ilusão de que possa existir uma
sociedade sem vícios. Aliás, sempre lembro da fábula mais liberal do
mundo, a das abelhas (Barão de Mandeville): vícios privados, benefícios públicos (que o pessoal da teoria da graxa deveria ter lido).
Para
quem quer uma “nova Carta”, pense em como seria a parte que trata dos
direitos fundamentais. Já imagino um dispositivo dizendo: pena de morte e
perpétua poderão ser estabelecidas após aprovadas por plebiscito;
delações poderão ser feitas em todas as modalidades de crimes,
dispensada a presença de advogado se o réu desde logo optar por delatar
ou aceitar a barganha; para crimes cujas penas são superiores a 10 anos,
a prisão será obrigatória (repristinando o que havia antes da lei
Fleury)... E assim por diante. E um dispositivo será assim: acima
das leis e da CF está a justiça e o direito natural; nos casos de
flagrante injustiça da lei, aplicar-se-á a fórmula Radbruch (isso
dará boas questões para os futuros concursos no novo regime
constitucional — os cursinhos passariam a ensinar a fórmula Radbruch...
E logo fariam com ela o que fizeram com a ponderação; e também fariam
paródias musicais). Bolsonaro poderá ser o relator.
Moral da
história: antes de desistirmos das leis e da atual Constituição, seria
bom que começássemos por cumprir o ordenamento. Seria bom receber as
denúncias sem usar formulários tipo “defiro os requerimentos do MP acaso
existentes”; passar a cumprir o CPC (inclusive fazendo-o valer no
processo penal no que tange à fundamentação); não responder os embargos
de declaração como se respondia no CPC/73; parar de inverter o ônus da
prova em processos de furto e tráfico; fundamentalmente, parar de
corrigir o Direito (sim, o Direito, o produto com o qual trabalhamos,
porque, ao que sei, direito não é moral, não é política, não é filosofia
moral etc. — ler aqui)
a partir de nossas opiniões pessoais. Se cumprirmos as leis e a CF,
chegaremos à conclusão de que uma lei só pode não ser aplicada em seis
hipóteses (ver aqui). É o primeiro passo.
Necessárias críticas à entrevista da ex-ministra Eliana Calmon
Sei que entrevistas podem falsear o que o entrevistado falou. Mas como
não houve desmentido, presumo que o que está escrito foi dito. Falo da
ex-ministra Eliana Calmon, que disse:
“Hoje,
o Judiciário mudou inteiramente. Todo mundo quer acompanhar o sucesso
de Sergio Moro. Os ventos começam a soprar do outro lado. Antigamente, o
juiz que fosse austero, que quisesse punir, fazer valer a legislação
era considerado um radical, um justiceiro, como se diz. Agora, não. Quem
não age dessa forma está fora da moda. Está na moda juiz aplicar a lei
com severidade” (ler aqui).
Pois é, ministra. Mas, o que é isto — cumprir a lei com severidade?o Judiciário mudou inteiramente. Todo mundo quer acompanhar o sucesso
de Sergio Moro. Os ventos começam a soprar do outro lado. Antigamente, o
juiz que fosse austero, que quisesse punir, fazer valer a legislação
era considerado um radical, um justiceiro, como se diz. Agora, não. Quem
não age dessa forma está fora da moda. Está na moda juiz aplicar a lei
com severidade” (ler aqui).
Ao que entendi, cumprir “com severidade” a lei é “condenar”. E talvez
“aplicar a lei com severidade” seja o que o STJ fez na semana passada,
ao decidir que o condenado pode cumprir pena em regime mais grave do que
o do decorrente da pena (aqui). Ou o juiz que mandou desalojar 300 famílias (em 300 mil hectares) li-mi-nar-me-nte
e sem ouvir o MP? Mas, segundo a decisão, foi sob “a proteção de
Deus”... Ah, bom. O que é isto — cumprir a lei com severidade (sic)? É receber denúncia em formulário? É inverter o ônus da prova? Como é mesmo ficar “na moda”[1]? Eu sou démodé. Ainda uso pomada Minancora (aqui).
Pode ser também que estar na moda é (deixar) vazar informações, que, para a ex-ministra, são meros pecados veniais (sic). Pecadilhos (por isso não surpreende que um site tenha transmitido ao vivo
o interrogatório de Marcelo Odebrecht diretamente da audiência de
Curitiba para o mundo). De novo: como não houve desmentido, tenho que o
que a ex-ministra disse foi exatamente o que está na entrevista. Vejam a
gravidade: ela confessou que, como ministra do STJ, “vi
muitas vezes o vazamento de informações saindo da Polícia Federal e
nada fiz contra a PF, porque entendi qual foi o propósito”.
Veja-se: “Vazamentos de informações”. Mas, vejam a ironia da coisa: o
propósito era para “o bem”. Pergunto: como descumprir leis pode ter um
bom propósito? No final da entrevista, a ex-ministra diz que, como
juíza, “sempre agi como Sergio Moro”. Sem comentários adicionais de
minha parte.
Numa palavra: parece que estar na moda — no Brasil —
é aceitar a tese de que “os fins justificam os meios”. E tem gente
querendo fazer uma NCF... Quem vai cumprir a NCF? Lembro-me, de novo, do
jovem processualista palestrante que gritava que “interpretação é um
ato de vontade” e outros quejandos. De fato, lendo a entrevista da
ex-ministra, vejo que o menino com seu kit carreira jurídica tinha chão
fértil para fazer florescer suas teses.
Mas temos que resistir. Por isso escrevo todas as semanas esta coluna hebdomadária.
[1]
O brilhante promotor de Justiça e doutor em Direito Elmir
Duclerc resumiu o que ele denominou de pérolas do surrealismo processual
penal contemporâneo (publico aqui uma parte, sem sua licença): 1)
condução coercitiva que não implica restrição à liberdade de ir e
vir; 2) presunção de inocência que não impede a execução provisória da
pena; 3) regime inicial que já inicia mais grave; 4) ônus de provar sem
provas; 5) gravações ilegais e sigilosas publicadas e audiências de
instrução (públicas) que não podem ser gravadas; 6) Estado Democrático
com medidas excepcionais; 6) delação “espontânea” de quem está preso. E
eu poderia acrescentar um rol de outras pérolas. Que ocorrem nas demais
áreas. Bem, algumas já estão delineadas na coluna.
O brilhante promotor de Justiça e doutor em Direito Elmir
Duclerc resumiu o que ele denominou de pérolas do surrealismo processual
penal contemporâneo (publico aqui uma parte, sem sua licença): 1)
condução coercitiva que não implica restrição à liberdade de ir e
vir; 2) presunção de inocência que não impede a execução provisória da
pena; 3) regime inicial que já inicia mais grave; 4) ônus de provar sem
provas; 5) gravações ilegais e sigilosas publicadas e audiências de
instrução (públicas) que não podem ser gravadas; 6) Estado Democrático
com medidas excepcionais; 6) delação “espontânea” de quem está preso. E
eu poderia acrescentar um rol de outras pérolas. Que ocorrem nas demais
áreas. Bem, algumas já estão delineadas na coluna.
A Lava Jato está no forno
A Lava Jato está no forno, por Guilherme Scalzilli | GGN
A Lava Jato está no forno, por Guilherme Scalzilli
O pior efeito colateral das delações dos executivos da Odebrecht é a
credulidade que inspiram no público. Ávidas pelo teor escandaloso das
narrativas, as pessoas deixam de contextualizá-las, isto é, de tomar a
sua própria divulgação como parte de um fenômeno mais amplo e relevante
do que o teor dos relatos.
Por que só agora vêm à tona os conhecidíssimos elos criminosos de
certas figuras? Por que nada surgiu quando essa cáfila agenciava um golpe parlamentar em
nome da moralidade? E por que os depoimentos apareceram de uma vez, sem
o conta-gotas personalizado que outrora serviu para destruir
reputações?
Essas perguntas têm respostas óbvias, e todas convergem para o
suspeito oportunismo do episódio. Um viés estratégico, portanto, que o
histórico abusivo e clandestino da Lava Jato faz necessário denunciar, senão mesmo combater.
Arrastando o mundo político brasileiro à lama, a turma da Odebrecht
deu um presente aos berlusconis: forneceu-lhes o álibi do escopo
pluripartidário que faltava para o bote final em Lula.
Sua prisão já pode resgatar a fantasia original da Lava Jato, baseada
na premissa de que os petistas seriam um ponto de partida para se
atingir o resto.
Continua havendo apenas o ponto de partida. A generalização punitiva
não ocorrerá, principalmente porque o instituto da delação é frágil. Sem
provas cabais que a sustentem, o choque de versões resulta nulo, ou
quase isso. O método pelo qual elas foram obtidas agrava o problema e
fundamentará recursos bastante sólidos nas cortes superiores.
Mas nem precisaremos chegar a tanto. No caminho autodestrutivo dos
processos há falhas de investigação, deslizes de conduta, vistas por
tempo indeterminado, prescrições, todo um rol de obstáculos que impedirá
o início da maioria dos julgamentos. Algo similar aconteceu no “mensalão mineiro”, apesar das promessas e expectativas.
Repete-se a dinâmica das famosas listas de Rodrigo Janot. Passada a histeria seletiva da mídia, os indiciamentos cairão nas catacumbas do Judiciário, fonte máxima das impunidades, para serem esquecidos até nova ordem. E as denúncias contra Lula irão à mesa de Sérgio Moro, afoito e rigoroso como ninguém.
Os inquéritos pedidos por Edson Fachin têm uma utilidade
apaziguadora. Oferecem material para todas as filiações partidárias,
cujas narrativas convergem no endosso tácito à Lava Jato. É a maior
propaganda legitimadora que a operação teve desde que seus justiceiros
maníacos viraram militantes involuntários da esquerda. Sem qualquer
mudança real no quadro condenatório preestabelecido.
Parece incongruente dizer que Lava Jato vira pizza justo quando
assimila dezenas de novos indiciados, afundando o PSDB no escárnio
popular. Mas seria ainda mais ingênuo acreditar que a operação iria ao
forno sem passar por essa fase catártica, especialmente depois que a
Odebrecht entrou no jogo.
Ao mesmo tempo, se quisessem apanhar tucanos e asseclas (e se o STF
permitisse), os berlusconis já o teriam feito. Usando os instrumentos
coercitivos aplicados a petistas, armando grampos ilegais, apertando
informantes graúdos, confiscando equipamentos, perseguindo aliados.
Ignorando a mera necessidade de provas.
Décadas de máfias, privatarias, cartéis,
e tudo que os justiceiros possuem para comprovar as boas intenções da
Lava Jato é um punhado de historietas sabidamente inverificáveis, talvez
em parte fantasiosas, levando a contas anônimas e reuniões secretas?
Dando aos acusados os mesmos argumentos garantistas defendidos pela
esquerda?
Ora. Esse é o melhor desfecho possível para a operação: um rápido
constrangimento de figuras sem perspectiva eleitoral, o teatro da
indignação farisaica, as chamas preguiçosas da lenha judiciária, a
prisão de Lula, o terreno aberto a candidaturas salvacionistas em 2018.
Basta cortar e servir. Bom apetite.
http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2017/04/a-lava-jato-esta-no-forno.html
A Lava Jato está no forno, por Guilherme Scalzilli
O pior efeito colateral das delações dos executivos da Odebrecht é a
credulidade que inspiram no público. Ávidas pelo teor escandaloso das
narrativas, as pessoas deixam de contextualizá-las, isto é, de tomar a
sua própria divulgação como parte de um fenômeno mais amplo e relevante
do que o teor dos relatos.
Por que só agora vêm à tona os conhecidíssimos elos criminosos de
certas figuras? Por que nada surgiu quando essa cáfila agenciava um golpe parlamentar em
nome da moralidade? E por que os depoimentos apareceram de uma vez, sem
o conta-gotas personalizado que outrora serviu para destruir
reputações?
Essas perguntas têm respostas óbvias, e todas convergem para o
suspeito oportunismo do episódio. Um viés estratégico, portanto, que o
histórico abusivo e clandestino da Lava Jato faz necessário denunciar, senão mesmo combater.
Arrastando o mundo político brasileiro à lama, a turma da Odebrecht
deu um presente aos berlusconis: forneceu-lhes o álibi do escopo
pluripartidário que faltava para o bote final em Lula.
Sua prisão já pode resgatar a fantasia original da Lava Jato, baseada
na premissa de que os petistas seriam um ponto de partida para se
atingir o resto.
Continua havendo apenas o ponto de partida. A generalização punitiva
não ocorrerá, principalmente porque o instituto da delação é frágil. Sem
provas cabais que a sustentem, o choque de versões resulta nulo, ou
quase isso. O método pelo qual elas foram obtidas agrava o problema e
fundamentará recursos bastante sólidos nas cortes superiores.
Mas nem precisaremos chegar a tanto. No caminho autodestrutivo dos
processos há falhas de investigação, deslizes de conduta, vistas por
tempo indeterminado, prescrições, todo um rol de obstáculos que impedirá
o início da maioria dos julgamentos. Algo similar aconteceu no “mensalão mineiro”, apesar das promessas e expectativas.
Repete-se a dinâmica das famosas listas de Rodrigo Janot. Passada a histeria seletiva da mídia, os indiciamentos cairão nas catacumbas do Judiciário, fonte máxima das impunidades, para serem esquecidos até nova ordem. E as denúncias contra Lula irão à mesa de Sérgio Moro, afoito e rigoroso como ninguém.
Os inquéritos pedidos por Edson Fachin têm uma utilidade
apaziguadora. Oferecem material para todas as filiações partidárias,
cujas narrativas convergem no endosso tácito à Lava Jato. É a maior
propaganda legitimadora que a operação teve desde que seus justiceiros
maníacos viraram militantes involuntários da esquerda. Sem qualquer
mudança real no quadro condenatório preestabelecido.
Parece incongruente dizer que Lava Jato vira pizza justo quando
assimila dezenas de novos indiciados, afundando o PSDB no escárnio
popular. Mas seria ainda mais ingênuo acreditar que a operação iria ao
forno sem passar por essa fase catártica, especialmente depois que a
Odebrecht entrou no jogo.
Ao mesmo tempo, se quisessem apanhar tucanos e asseclas (e se o STF
permitisse), os berlusconis já o teriam feito. Usando os instrumentos
coercitivos aplicados a petistas, armando grampos ilegais, apertando
informantes graúdos, confiscando equipamentos, perseguindo aliados.
Ignorando a mera necessidade de provas.
Décadas de máfias, privatarias, cartéis,
e tudo que os justiceiros possuem para comprovar as boas intenções da
Lava Jato é um punhado de historietas sabidamente inverificáveis, talvez
em parte fantasiosas, levando a contas anônimas e reuniões secretas?
Dando aos acusados os mesmos argumentos garantistas defendidos pela
esquerda?
Ora. Esse é o melhor desfecho possível para a operação: um rápido
constrangimento de figuras sem perspectiva eleitoral, o teatro da
indignação farisaica, as chamas preguiçosas da lenha judiciária, a
prisão de Lula, o terreno aberto a candidaturas salvacionistas em 2018.
Basta cortar e servir. Bom apetite.
http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2017/04/a-lava-jato-esta-no-forno.html
Menos cobiça e mais lazer
Crítica: Menos cobiça e mais lazer são base de vida boa, defende livro - 22/04/2017 - Mercado - Folha de S.Paulo
ANA ESTELA DE SOUSA PINTO
"Quanto é o suficiente?", perguntam no título de seu livro o economista
político britânico Robert Skidelsky e seu filho, o filósofo Edward.
A questão nasce do ensaio "Possibilidades econômicas para nossos netos",
publicado em 1930 por John Maynard Keynes, um dos economistas mais
influentes do século 20.
Keynes imaginou que, com o avanço da tecnologia, as pessoas precisariam
trabalhar menos para satisfazer suas necessidades até o ponto em que
poderiam se dedicar apenas a "viver bem, de maneira sábia e agradável".
Na utopia keynesiana, isso aconteceria em 2030.
A profecia, como se sabe, fracassou. O número de horas trabalhadas nos
países ricos cresceu, e o consumo explosivo de bens supérfluos –ou o
desejo por eles– enterrou a ideia de que exista um patamar em que o
homem se contente com o "suficiente".
O capitalismo como é praticado hoje, defendem os autores, predispõe ao
consumo insaciável e induz todos a trabalhar mais do que precisam para
comprar aquilo de que não precisam (e ostentá-lo).
Deixada de lado pelo próprio Keynes (de quem Robert é um dos principais
biógrafos), a reflexão é retomada agora em tom de manifesto: os países
ricos precisam trocar o crescimento a qualquer custo e o amor pela
riqueza por um projeto que liberte o homem do trabalho estafante e
produza justiça social.
Os Skidelsky comparam o estado atual do capitalismo ao castigo do
personagem Fausto. Em pacto com o demônio, a sociedade usou meios "maus"
para obter poder, conhecimento, prazer e abundância. Mas, presa nas
correntes do sistema, não consegue usufruí-los.
Em retrospectiva histórica, apresentam utopias e distopias de
economistas e filósofos desde Platão, na Grécia Antiga, passando por
Nicolau Maquiavel, Thomas More, Bernard Mandeville, Adam Smith e John
Stuart Mill, até "o fracasso do apocaliplse de Karl Marx" e a liberação
erótica de Herbert Marcuse.
"As épocas e os mecanismos variam, mas todos concordam que, mais cedo ou
mais tarde, de uma maneira ou de outra, a felicidade chegará. Para que,
então, tanto trabalho, tanta miséria e deformação do sentimento?"
Antes de oferecer seu próprio mapa para o pós-capitalismo (uma época em
que acumulação de capital deixe de ser um fim em si mesmo), os Skidelsky
enumeram os conceitos do que é uma vida boa em diferentes culturas.
É aqui que chegam ao ponto mais sensível da obra: a crítica ao
liberalismo. Até a década de 1960, o liberalismo era uma doutrina de
tolerância, e não de neutralidade, demarcam. A diferença é fundamental:
"O Estado tolerante não enfrenta o dilema do Estado neutro ao lidar com
necrófilos ou neonazistas".
O tema do livro é econômico, mas uma economia vista como "a teologia da
nossa época", que sobrepujou a filosofia ("recolhida em ninharias
linguísticas"), a sociologia ("incapaz de desenvolver um corpo teórico
sistemático") e a história ("submissa aos encantos do poder").
Os autores, contudo, deixam claro que não defendem a economia da
felicidade –que a trata como um recurso escasso semelhante a outros e
procura maximizá-la.
Levada ao extremo, ela produziria apenas a idiotia feliz. Seria algo
como o enredo do livro "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, em que
todos se entregam a uma droga sintética legalizada e viciante cujo
efeito é produzir felicidade e prazer.
"Um sistema desses poderia perfeitamente existir como resultado das
livres escolhas individuais, sem que ninguém precise apontar uma arma
para ninguém."
Já a proposta de vida boa dos autores, detalhada no capítulo 6, não
prescinde de um Estado que imponha restrições, escolha estímulos e leve a
cabo uma ideologia alternativa ao hoje triunfante individualismo de
mercado.
"Descrevemos nossa posição como paternalismo não coercitivo. Acreditamos
que os poderes do Estado talvez sirvam para garantir os bens básicos,
mas só até onde não danificam a personalidade, que é um bem central."
Ações concretas não são propósito central dos Skidelsky, mas eles citam
algumas: renda básica, tributação do consumo, imposto sobre fortunas e
heranças, taxação de derivativos (instrumentos financeiros de risco) e
restrições à publicidade.
A argumentação dos autores é moral, quase religio- sa, condição que eles
assumem abertamente nas considerações finais: "Poderia uma sociedade
totalmente desprovida de impulso religioso estimular a si mesma a buscar
o bem comum? Nós duvidamos".
Menos cobiça e mais lazer são base de vida boa, defende livro
"Quanto é o suficiente?", perguntam no título de seu livro o economista
político britânico Robert Skidelsky e seu filho, o filósofo Edward.
A questão nasce do ensaio "Possibilidades econômicas para nossos netos",
publicado em 1930 por John Maynard Keynes, um dos economistas mais
influentes do século 20.
Keynes imaginou que, com o avanço da tecnologia, as pessoas precisariam
trabalhar menos para satisfazer suas necessidades até o ponto em que
poderiam se dedicar apenas a "viver bem, de maneira sábia e agradável".
Na utopia keynesiana, isso aconteceria em 2030.
A profecia, como se sabe, fracassou. O número de horas trabalhadas nos
países ricos cresceu, e o consumo explosivo de bens supérfluos –ou o
desejo por eles– enterrou a ideia de que exista um patamar em que o
homem se contente com o "suficiente".
O capitalismo como é praticado hoje, defendem os autores, predispõe ao
consumo insaciável e induz todos a trabalhar mais do que precisam para
comprar aquilo de que não precisam (e ostentá-lo).
Deixada de lado pelo próprio Keynes (de quem Robert é um dos principais
biógrafos), a reflexão é retomada agora em tom de manifesto: os países
ricos precisam trocar o crescimento a qualquer custo e o amor pela
riqueza por um projeto que liberte o homem do trabalho estafante e
produza justiça social.
Os Skidelsky comparam o estado atual do capitalismo ao castigo do
personagem Fausto. Em pacto com o demônio, a sociedade usou meios "maus"
para obter poder, conhecimento, prazer e abundância. Mas, presa nas
correntes do sistema, não consegue usufruí-los.
Em retrospectiva histórica, apresentam utopias e distopias de
economistas e filósofos desde Platão, na Grécia Antiga, passando por
Nicolau Maquiavel, Thomas More, Bernard Mandeville, Adam Smith e John
Stuart Mill, até "o fracasso do apocaliplse de Karl Marx" e a liberação
erótica de Herbert Marcuse.
"As épocas e os mecanismos variam, mas todos concordam que, mais cedo ou
mais tarde, de uma maneira ou de outra, a felicidade chegará. Para que,
então, tanto trabalho, tanta miséria e deformação do sentimento?"
Antes de oferecer seu próprio mapa para o pós-capitalismo (uma época em
que acumulação de capital deixe de ser um fim em si mesmo), os Skidelsky
enumeram os conceitos do que é uma vida boa em diferentes culturas.
É aqui que chegam ao ponto mais sensível da obra: a crítica ao
liberalismo. Até a década de 1960, o liberalismo era uma doutrina de
tolerância, e não de neutralidade, demarcam. A diferença é fundamental:
"O Estado tolerante não enfrenta o dilema do Estado neutro ao lidar com
necrófilos ou neonazistas".
O tema do livro é econômico, mas uma economia vista como "a teologia da
nossa época", que sobrepujou a filosofia ("recolhida em ninharias
linguísticas"), a sociologia ("incapaz de desenvolver um corpo teórico
sistemático") e a história ("submissa aos encantos do poder").
Os autores, contudo, deixam claro que não defendem a economia da
felicidade –que a trata como um recurso escasso semelhante a outros e
procura maximizá-la.
Levada ao extremo, ela produziria apenas a idiotia feliz. Seria algo
como o enredo do livro "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, em que
todos se entregam a uma droga sintética legalizada e viciante cujo
efeito é produzir felicidade e prazer.
"Um sistema desses poderia perfeitamente existir como resultado das
livres escolhas individuais, sem que ninguém precise apontar uma arma
para ninguém."
Já a proposta de vida boa dos autores, detalhada no capítulo 6, não
prescinde de um Estado que imponha restrições, escolha estímulos e leve a
cabo uma ideologia alternativa ao hoje triunfante individualismo de
mercado.
"Descrevemos nossa posição como paternalismo não coercitivo. Acreditamos
que os poderes do Estado talvez sirvam para garantir os bens básicos,
mas só até onde não danificam a personalidade, que é um bem central."
Ações concretas não são propósito central dos Skidelsky, mas eles citam
algumas: renda básica, tributação do consumo, imposto sobre fortunas e
heranças, taxação de derivativos (instrumentos financeiros de risco) e
restrições à publicidade.
A argumentação dos autores é moral, quase religio- sa, condição que eles
assumem abertamente nas considerações finais: "Poderia uma sociedade
totalmente desprovida de impulso religioso estimular a si mesma a buscar
o bem comum? Nós duvidamos".
QUANTO É O SUFICIENTE? 
QUANTO: R$ 65 (307 PÁGS.)
AUTOR: ROBERT E EDWARD SKIDELSKY
EDITORA: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA

QUANTO: R$ 65 (307 PÁGS.)
AUTOR: ROBERT E EDWARD SKIDELSKY
EDITORA: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
As "provas" e as provas -
As "provas" e as provas - TIJOLAÇO |

Folha e O Globo
trazem hoje relatos sobre as provas oferecidas pela Odebrecht e pela
OAS para ratificar as declarações dos delatores contra, respectivamente,
Michel Temer e o ex-presidente Lula.
A Odebrecht apresentou , segundo o jornal paulista, “extratos que
seriam de pagamento de propina vinculada por delatores a uma reunião com
o presidente Michel Temer em 2010”.
seu executivo Léo Pinheiro como prova de que este teve encontros com
Lula, à qual a Força Tarefa pretende anexar um relatório de pedágio
demonstrando que os carros que servem a Lula teriam ido, ao longo de
dois anos, seis vezes ao Guarujá. É capaz de eu ter ido umas seis vezes a
Petrópolis ao longo de dois anos, que fica do Rio mais ou menos à mesma
distância e nem por isso tenho um “simplex” lá, que dirá um triplex.
De um lado, situações objetivas, retratando a movimentação de mais de
uma centena de milhões de reais – “os extratos atingem US$ 54 milhões,
mas a soma de planilhas anexadas chega a US$ 65 milhões – saídos de
cinco empresas em “mais de 50 depósitos em offshores fora do Brasil que vão de US$ 280 mil a US$ 2,3 milhões”.
Ou seja, de onde veio e para onde foi. Uma riqueza probatória que nem
mesmo no caso das contas suíças de Eduardo Cunha se dispunha.
Do outro lado: “eu digo que foi”, “eu tenho meu diário”, ninguém
ouviu, mas ele me disse” e outras coisas do gênero que podem ser
acusações, mas não adquirem a materialidade da prova: um documento, um
depósito, um registo bancário, uma procuração, nada que se possa usar
para dizer: sim, o apartamento pertenceu a Lula.
O Globo, porém, produz a melhor das provas circunstanciais de que Léo Pinheiro mentiu em sua delação.
É que informa que o jornal publica, desde 2010, reportagens dizendo que o tríplex seria de Lula.
Não seria preciso apenas ser corrupto, mas muito burro para operar um
favorecimento na troca de um apartamento no Guarujá que há quatro anos
já despertava os inquisidores da “Lava Globo”.
O contraste das duas investigações é impressionante.
Uma é tudo o que se quer que seja. Na outra, mesmo estando evidente que é, não é para ser.
Ou, pelo menos, enquanto não de quiser um novo impeachment.
As “provas” e as provas
Por Fernando Brito · 22/04/2017

Folha e O Globo
trazem hoje relatos sobre as provas oferecidas pela Odebrecht e pela
OAS para ratificar as declarações dos delatores contra, respectivamente,
Michel Temer e o ex-presidente Lula.
A Odebrecht apresentou , segundo o jornal paulista, “extratos que
seriam de pagamento de propina vinculada por delatores a uma reunião com
o presidente Michel Temer em 2010”.
Os valores superam os US$ 40 milhões
que, segundo ex-executivos, tiveram o repasse acertado em encontro com o
hoje presidente, em seu escritório político paulistano.
que, segundo ex-executivos, tiveram o repasse acertado em encontro com o
hoje presidente, em seu escritório político paulistano.
A propina é ligada, de acordo com a
Odebrecht, a um contrato internacional da Petrobras, o PAC-SMS, que
envolvia certificados de segurança, saúde e meio ambiente em nove países
onde a estatal atua. O valor inicial era de US$ 825 milhões.
Já a OAS, diz o jornal dos Marinho, pretende apresentar a agenda de Odebrecht, a um contrato internacional da Petrobras, o PAC-SMS, que
envolvia certificados de segurança, saúde e meio ambiente em nove países
onde a estatal atua. O valor inicial era de US$ 825 milhões.
seu executivo Léo Pinheiro como prova de que este teve encontros com
Lula, à qual a Força Tarefa pretende anexar um relatório de pedágio
demonstrando que os carros que servem a Lula teriam ido, ao longo de
dois anos, seis vezes ao Guarujá. É capaz de eu ter ido umas seis vezes a
Petrópolis ao longo de dois anos, que fica do Rio mais ou menos à mesma
distância e nem por isso tenho um “simplex” lá, que dirá um triplex.
De um lado, situações objetivas, retratando a movimentação de mais de
uma centena de milhões de reais – “os extratos atingem US$ 54 milhões,
mas a soma de planilhas anexadas chega a US$ 65 milhões – saídos de
cinco empresas em “mais de 50 depósitos em offshores fora do Brasil que vão de US$ 280 mil a US$ 2,3 milhões”.
Ou seja, de onde veio e para onde foi. Uma riqueza probatória que nem
mesmo no caso das contas suíças de Eduardo Cunha se dispunha.
Do outro lado: “eu digo que foi”, “eu tenho meu diário”, ninguém
ouviu, mas ele me disse” e outras coisas do gênero que podem ser
acusações, mas não adquirem a materialidade da prova: um documento, um
depósito, um registo bancário, uma procuração, nada que se possa usar
para dizer: sim, o apartamento pertenceu a Lula.
O Globo, porém, produz a melhor das provas circunstanciais de que Léo Pinheiro mentiu em sua delação.
É que informa que o jornal publica, desde 2010, reportagens dizendo que o tríplex seria de Lula.
Não seria preciso apenas ser corrupto, mas muito burro para operar um
favorecimento na troca de um apartamento no Guarujá que há quatro anos
já despertava os inquisidores da “Lava Globo”.
O contraste das duas investigações é impressionante.
Uma é tudo o que se quer que seja. Na outra, mesmo estando evidente que é, não é para ser.
Ou, pelo menos, enquanto não de quiser um novo impeachment.
O golpe ainda está em marcha
O golpe ainda está em marcha.
Por Paulo Pimenta - TIJOLAÇO |

O Brasil hoje gira em torno das chamadas “delações premiadas”
deflagradas no âmbito da operação Lava Jato. Especialmente o depoimento
de Marcelo Odebrecht chocou o país por mostrar a articulação de décadas
entre empresas e políticos que agiram de forma criminosa e se
beneficiaram mutuamente de recursos públicos para formar fortunas,
muitas delas depositadas em contas no exterior.
Porém, o que mais chocou nesse depoimento não foi exatamente o fato
de se descobrir que há corrupção, e sim a forma descarada, debochada,
acobertada com que o diretor de uma das maiores empresas do país revelou
em rede nacional que a construtora criou um departamento de propina e
institucionalizou um esquema de compra de pareceres com uma espécie de
“advocacy” que mais que defender seus interesses patrocinava vantagens e
se aproximava de pessoas a fim de obter benefícios.
Pelo que tudo indica desvelou-se uma história de golpes bilionários
que teve como escudo o financiamento privado de campanhas eleitorais,
desvirtuado para servir aos interesses de indivíduos e grupos poderosos.
É evidente a relação enraizada entre a construtora e os políticos do
PMDB e do PSDB, que a mídia se esforça para acobertar, e a amplitude
desse esquema, o qual parece impossível de se realizar sem a omissão
deliberad, também, de setores do judiciário.
Os depoimentos poderiam ser vistos como positivos se a operação
comandada pelo juiz Sérgio Moro confirmasse a intencionalidade de
combater a corrupção e fizesse essa investigação de forma séria, isenta e
guiada por objetivos públicos, não partidários. A farsa da Lava a Jato é
tamanha que, enquanto as investigações estão em curso, as dependências
da Polícia Federal, seus agentes e equipamentos são colocados à
disposição de um filme que tem por finalidade promover a operação e
cujos financiadores são mantidos em sigilo.
É nítida a ausência de compromisso com os fundamentos republicanos e
democráticos, como a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa
humana e o pluralismo político em todo esse processo. O que tem
caracterizado a “Lava a Jato” é o populismo e o comportamento
autoritário do juiz Sérgio Moro que desrespeita os direitos e faz a
incitação ao ódio.
Isso se observou na condução coercitiva do ex-presidente Lula, no
vazamento seletivo e ilegal de depoimentos e também na manipulação de
delatores com vistas a proteger o presidente ilegítimo Michel Temer e
outras figuras, especialmente do PSDB, ou forjar provas contra o PT a
qualquer custo.
Todos sabem que os depoimentos de delatores exigem cautela e que a
legislação requer a confirmação com provas, no entanto, a imprensa
tradicional, principalmente a Rede Globo, tratou corruptores como heróis
e tornou as peças da investigação um show midiático. A fórmula
encontrada para maquiar as informações foi ungir a fala dos chefes da
construtora com o dom da verdade e criar generalizações sobre tudo que
disseram.
A Globo cria o estereótipo de que todos os políticos são iguais,
oculta quem de fato beneficia e é beneficiado por essas e outras
empresas. Ao mesmo tempo, esse noticiário perversos mantém ileso o
governo ilegítimo que está atolado em corrupção, incluindo o próprio
Michel Temer, que acelera a votação de medidas que liberam as
terceirizações e retiram os direitos previdenciários e trabalhistas.
A falsidade da notícia é algo gravíssimo. Um crime contra a
democracia. A Rede Globo é parte desse golpe e sua estratégia de tratar
como iguais a quem recebeu doações legais de campanha, quem recebeu
recursos de caixa dois e quem recebeu propina e se favoreceu de fraudes
serve apenas para enfraquecer a política e minar a possibilidade do país
reestabelecer a democracia. Da mesma forma, as práticas de setores do
Ministério Público e da Polícia Federal são não apenas controversas, mas
absolutamente comprometedoras.
Não há democracia que sobreviva à tirania de um judiciário que se
empenha em arrancar delações contra um líder político como Lula pelo
fato dele representar um projeto de esquerda no país, para tentar calar a
sua voz e impedir que seja eleito, uma vez que detém 45% das intenções
de voto, segundo as últimas pesquisas.
O teor do comando da “Lava a Jato” se revelou fascista e mostrou que
não busca punir quem fraudou contratos públicos, exigir a devolução
integral dos recursos ilegais ou fechar empresas que formam quadrilha
para operar a corrupção. Estão mais interessados em “caçar as bruxas”, e
com apoio da mídia, a irao repor o selo da honestidade em empresários
corruptos, que serão “presos” em suas mansões e depois vão trocar a
fachada de suas construtoras para seguir operando.
Na lógica em que se desenrola do golpe no país, contando com a
conivência de grandes empresas, da imprensa tradicional e do judiciário,
os partidos de direita cujos velhos líderes foram pegos em corrupção
comprovada vão se reinventar com outros nomes tidos como “não políticos”
para atender aos interesses do capital que precisa deles e exige que
façam a chamada “modernização”. Enquanto isso os partidos de esquerda
terão que lutar para não terminar criminalizados pelo abuso de poder que
se instaurou e que ganha espaço quando se consegue intimidar os
investigados, torturar e destruir suas trajetórias.
Eugenio Aragão, ex-ministro da Justiça, sintetiza esse mal quando diz
que “o mal da tortura é que não oferece provas sólidas da verdade, mas
apenas provas sólidas da (in)capacidade de resistência do torturado”,
lembrando que a tortura que não é apenas física, do pau de arara, do
choque elétrico, mas também é psicológica.
Tem ficado evidente que esses depoimentos passam por uma combinação
prévia sobre o que interessa ser dito na deleção e para estabelecer a
garantia de medidas especiais de proteção aos delatores,
assegurando-lhes uma “nova vida”, sem máculas, em algum paraíso, de
preferência um paraíso fiscal.
É preciso estar atento, o golpe não chegou com militares dando tiros
dentro de um tanque de guerra. As estratégias do golpe iniciado em 2016
no Brasil são mais subjetivas e de difícil percepção.
Contudo alguns líderes de esquerda estão presos, alguns serão
injustamente punidos, a ameaça de jorrar sangue é eminente sempre que a
população se organiza e usa o direito legítimo de se manifestar. A
derrubada da Presidenta Dilma era apenas o início do golpe, e não seu
fim, que, entre outros, prossegue com a retirada de direitos e o uso
político do sistema de justiça. Mas, não podemos calar e submetermo-nos
ao regime de força que vem se desenhando, o golpe ainda está em curso no
Brasil e nos precisamos detê-lo.
Por Paulo Pimenta - TIJOLAÇO |
O golpe ainda está em marcha.
Por Paulo Pimenta
Por Fernando Brito · 22/04/2017

O Brasil hoje gira em torno das chamadas “delações premiadas”
deflagradas no âmbito da operação Lava Jato. Especialmente o depoimento
de Marcelo Odebrecht chocou o país por mostrar a articulação de décadas
entre empresas e políticos que agiram de forma criminosa e se
beneficiaram mutuamente de recursos públicos para formar fortunas,
muitas delas depositadas em contas no exterior.
Porém, o que mais chocou nesse depoimento não foi exatamente o fato
de se descobrir que há corrupção, e sim a forma descarada, debochada,
acobertada com que o diretor de uma das maiores empresas do país revelou
em rede nacional que a construtora criou um departamento de propina e
institucionalizou um esquema de compra de pareceres com uma espécie de
“advocacy” que mais que defender seus interesses patrocinava vantagens e
se aproximava de pessoas a fim de obter benefícios.
Pelo que tudo indica desvelou-se uma história de golpes bilionários
que teve como escudo o financiamento privado de campanhas eleitorais,
desvirtuado para servir aos interesses de indivíduos e grupos poderosos.
É evidente a relação enraizada entre a construtora e os políticos do
PMDB e do PSDB, que a mídia se esforça para acobertar, e a amplitude
desse esquema, o qual parece impossível de se realizar sem a omissão
deliberad, também, de setores do judiciário.
Os depoimentos poderiam ser vistos como positivos se a operação
comandada pelo juiz Sérgio Moro confirmasse a intencionalidade de
combater a corrupção e fizesse essa investigação de forma séria, isenta e
guiada por objetivos públicos, não partidários. A farsa da Lava a Jato é
tamanha que, enquanto as investigações estão em curso, as dependências
da Polícia Federal, seus agentes e equipamentos são colocados à
disposição de um filme que tem por finalidade promover a operação e
cujos financiadores são mantidos em sigilo.
É nítida a ausência de compromisso com os fundamentos republicanos e
democráticos, como a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa
humana e o pluralismo político em todo esse processo. O que tem
caracterizado a “Lava a Jato” é o populismo e o comportamento
autoritário do juiz Sérgio Moro que desrespeita os direitos e faz a
incitação ao ódio.
Isso se observou na condução coercitiva do ex-presidente Lula, no
vazamento seletivo e ilegal de depoimentos e também na manipulação de
delatores com vistas a proteger o presidente ilegítimo Michel Temer e
outras figuras, especialmente do PSDB, ou forjar provas contra o PT a
qualquer custo.
Todos sabem que os depoimentos de delatores exigem cautela e que a
legislação requer a confirmação com provas, no entanto, a imprensa
tradicional, principalmente a Rede Globo, tratou corruptores como heróis
e tornou as peças da investigação um show midiático. A fórmula
encontrada para maquiar as informações foi ungir a fala dos chefes da
construtora com o dom da verdade e criar generalizações sobre tudo que
disseram.
A Globo cria o estereótipo de que todos os políticos são iguais,
oculta quem de fato beneficia e é beneficiado por essas e outras
empresas. Ao mesmo tempo, esse noticiário perversos mantém ileso o
governo ilegítimo que está atolado em corrupção, incluindo o próprio
Michel Temer, que acelera a votação de medidas que liberam as
terceirizações e retiram os direitos previdenciários e trabalhistas.
A falsidade da notícia é algo gravíssimo. Um crime contra a
democracia. A Rede Globo é parte desse golpe e sua estratégia de tratar
como iguais a quem recebeu doações legais de campanha, quem recebeu
recursos de caixa dois e quem recebeu propina e se favoreceu de fraudes
serve apenas para enfraquecer a política e minar a possibilidade do país
reestabelecer a democracia. Da mesma forma, as práticas de setores do
Ministério Público e da Polícia Federal são não apenas controversas, mas
absolutamente comprometedoras.
Não há democracia que sobreviva à tirania de um judiciário que se
empenha em arrancar delações contra um líder político como Lula pelo
fato dele representar um projeto de esquerda no país, para tentar calar a
sua voz e impedir que seja eleito, uma vez que detém 45% das intenções
de voto, segundo as últimas pesquisas.
O teor do comando da “Lava a Jato” se revelou fascista e mostrou que
não busca punir quem fraudou contratos públicos, exigir a devolução
integral dos recursos ilegais ou fechar empresas que formam quadrilha
para operar a corrupção. Estão mais interessados em “caçar as bruxas”, e
com apoio da mídia, a irao repor o selo da honestidade em empresários
corruptos, que serão “presos” em suas mansões e depois vão trocar a
fachada de suas construtoras para seguir operando.
Na lógica em que se desenrola do golpe no país, contando com a
conivência de grandes empresas, da imprensa tradicional e do judiciário,
os partidos de direita cujos velhos líderes foram pegos em corrupção
comprovada vão se reinventar com outros nomes tidos como “não políticos”
para atender aos interesses do capital que precisa deles e exige que
façam a chamada “modernização”. Enquanto isso os partidos de esquerda
terão que lutar para não terminar criminalizados pelo abuso de poder que
se instaurou e que ganha espaço quando se consegue intimidar os
investigados, torturar e destruir suas trajetórias.
Eugenio Aragão, ex-ministro da Justiça, sintetiza esse mal quando diz
que “o mal da tortura é que não oferece provas sólidas da verdade, mas
apenas provas sólidas da (in)capacidade de resistência do torturado”,
lembrando que a tortura que não é apenas física, do pau de arara, do
choque elétrico, mas também é psicológica.
Tem ficado evidente que esses depoimentos passam por uma combinação
prévia sobre o que interessa ser dito na deleção e para estabelecer a
garantia de medidas especiais de proteção aos delatores,
assegurando-lhes uma “nova vida”, sem máculas, em algum paraíso, de
preferência um paraíso fiscal.
É preciso estar atento, o golpe não chegou com militares dando tiros
dentro de um tanque de guerra. As estratégias do golpe iniciado em 2016
no Brasil são mais subjetivas e de difícil percepção.
Contudo alguns líderes de esquerda estão presos, alguns serão
injustamente punidos, a ameaça de jorrar sangue é eminente sempre que a
população se organiza e usa o direito legítimo de se manifestar. A
derrubada da Presidenta Dilma era apenas o início do golpe, e não seu
fim, que, entre outros, prossegue com a retirada de direitos e o uso
político do sistema de justiça. Mas, não podemos calar e submetermo-nos
ao regime de força que vem se desenhando, o golpe ainda está em curso no
Brasil e nos precisamos detê-lo.
O FMI no poder: degola da Previdência é "imperativa"
O FMI no poder: degola da Previdência é "imperativa" - TIJOLAÇO |

Os “bons tempos” voltaram.
O Fundo Monetário Internacional, como na era FHC, sente-se à vontade para ditar o que o Brasil deve fazer.
Hoje, divulgou documento dizendo que é que é “imperativo” que o
Brasil aprove a reforma da previdência para restabelecer a
sustentabilidade fiscal do país, noticia a Folha.
Não é “imperativo” que haja justiça social.
Não é imperativo que haja proteção e dignidade na velhice.
Não é imperativo que haja equilíbrio fiscal para fazermos
investimentos estruturais, não é imperativo que tenhamos mais energia,
mais capacidade de explorar nosso petróleo recém descoberto, não é
imperativo que possamos ampliar nossa presença econômica no mundo, nada
disso.
Segundo o FMI, nós e nossos companheiro de desgraçada sina na América
Latina, temos é “perigo”, segundo Alejandro Werner, diretor do
Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI.
O nosso “gerente”Alejandro Werner, diretor do Departamento de
Hemisfério Ocidental do FMI as eleições previstas para “os países da
América Latina nos próximos dois anos -Brasil, Chile, Paraguai,
Colômbia, México e Argentina (legislativas)- pode gerar incertezas na
região e, assim, atrasos na recuperação dos países”.
Quem sabe o retorno ao abjeto “populismo” que privilegia o mercado interno, a produção, a renda, o consumo?
Que o FMI dê palpite sobre os países que lhe têm dívidas – com todas
as ressalvas que se possam fazer, ainda há a lógica do dinheiro devido, a
do credor.
Mas nós devemos estar , portanto, pior do que a Grécia, quando a
“troika” – além do FMI, o Banco Central Europeu e a Comissão da União
Europeia dizima tudo o que o país deveria fazer.
Ao menos, lá, eles lhe deviam os tubos.
Porque, recorde-se, o “gastador” governo Lula não só saldou todos os débitos como ainda emprestou dinheiro à instituição.
O curioso é que, se houvesse rigor técnico no FMI para além de seu
interesse explícito de defender a manutenção de um governo dócil aos
interesses do capital estrangeiro, a esta altura veira que a reforma
previdenciária, do ponto de vista da contas públicas e de sua
sustentabilidade, tornou-se um farrapo e, ainda assim, de aceitação
duvidosa.
O FMI no poder: degola da Previdência é “imperativa”
Por Fernando Brito · 22/04/2017

Os “bons tempos” voltaram.
O Fundo Monetário Internacional, como na era FHC, sente-se à vontade para ditar o que o Brasil deve fazer.
Hoje, divulgou documento dizendo que é que é “imperativo” que o
Brasil aprove a reforma da previdência para restabelecer a
sustentabilidade fiscal do país, noticia a Folha.
Não é “imperativo” que haja justiça social.
Não é imperativo que haja proteção e dignidade na velhice.
Não é imperativo que haja equilíbrio fiscal para fazermos
investimentos estruturais, não é imperativo que tenhamos mais energia,
mais capacidade de explorar nosso petróleo recém descoberto, não é
imperativo que possamos ampliar nossa presença econômica no mundo, nada
disso.
Segundo o FMI, nós e nossos companheiro de desgraçada sina na América
Latina, temos é “perigo”, segundo Alejandro Werner, diretor do
Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI.
O nosso “gerente”Alejandro Werner, diretor do Departamento de
Hemisfério Ocidental do FMI as eleições previstas para “os países da
América Latina nos próximos dois anos -Brasil, Chile, Paraguai,
Colômbia, México e Argentina (legislativas)- pode gerar incertezas na
região e, assim, atrasos na recuperação dos países”.
Quem sabe o retorno ao abjeto “populismo” que privilegia o mercado interno, a produção, a renda, o consumo?
Que o FMI dê palpite sobre os países que lhe têm dívidas – com todas
as ressalvas que se possam fazer, ainda há a lógica do dinheiro devido, a
do credor.
Mas nós devemos estar , portanto, pior do que a Grécia, quando a
“troika” – além do FMI, o Banco Central Europeu e a Comissão da União
Europeia dizima tudo o que o país deveria fazer.
Ao menos, lá, eles lhe deviam os tubos.
Porque, recorde-se, o “gastador” governo Lula não só saldou todos os débitos como ainda emprestou dinheiro à instituição.
O curioso é que, se houvesse rigor técnico no FMI para além de seu
interesse explícito de defender a manutenção de um governo dócil aos
interesses do capital estrangeiro, a esta altura veira que a reforma
previdenciária, do ponto de vista da contas públicas e de sua
sustentabilidade, tornou-se um farrapo e, ainda assim, de aceitação
duvidosa.
Globo mira seus canhões
Globo mira seus canhões
A Rede Globo não é apenas um canal de TV. É uma arma de guerra de
desinformação criada por organizações estrangeiras durante a ditadura
militar para controlar e sabotar o Brasil por décadas. É uma organização
de fora do país que interferiu e manipulou TODAS as eleições
presidenciais sempre contra os verdadeiros líderes populares. Roberto
Marinho era só um figurante laranja que em 1965 viu seu pequeno jornal
ser transformado em uma máquina de poder com pesados investimentos do
grupo norte-americano Timelife. Depois, a Globo passou a ser sustentada
pelos impostos pagos pelo povo brasileiro para manipular a sua própria
opinião pública contra si mesmo de forma a sabotar nossos interesses
estratégicos. Sem a Globo a ditadura militar não teria durado um ano,
até porque essa organização tem um monopólio da informação ao
influenciar, chantagear e persuadir todos os outros canais de mídia que,
no Brasil, são controladas por apenas 7 famílias. A Rede Globo, com seu
jornalismo manipulador, cria um constante clima de pessimismo,
mostrando só o que tem de ruim no país e escondendo tudo o que tem de
bom para baixar a nossa moral e nos manter numa eterna síndrome de
vira-latas. A Globo consegue fazer com que o brasileiro torça pelos
inimigos do país, pois a dominação através da mídia é mais barata do que
a militar e tem a vantagem de deixar a população satisfeita, dentro do
mundo irreal criado por ela, o que não acontece com a dominação através
da força bruta. Com cinco novelas por dia, ela prostitui nossos valores
culturais transformando nossos jovens em criaturas fúteis, consumistas,
narcisistas e alienados, enchendo suas cabeças com um vácuo cultural com
programas como o Big Brother. A Globo é um atentado CONSTANTE a nossa
soberania nacional com o objetivo de nos manter colonizados. As gerações
futuras, nossos filhos e netos, irão nos questionar porque aturamos
esse câncer por tanto tempo. A simples existência dessa organização é um
completo absurdo
A Rede Globo não é apenas um canal de TV. É uma arma de guerra de
desinformação criada por organizações estrangeiras durante a ditadura
militar para controlar e sabotar o Brasil por décadas. É uma organização
de fora do país que interferiu e manipulou TODAS as eleições
presidenciais sempre contra os verdadeiros líderes populares. Roberto
Marinho era só um figurante laranja que em 1965 viu seu pequeno jornal
ser transformado em uma máquina de poder com pesados investimentos do
grupo norte-americano Timelife. Depois, a Globo passou a ser sustentada
pelos impostos pagos pelo povo brasileiro para manipular a sua própria
opinião pública contra si mesmo de forma a sabotar nossos interesses
estratégicos. Sem a Globo a ditadura militar não teria durado um ano,
até porque essa organização tem um monopólio da informação ao
influenciar, chantagear e persuadir todos os outros canais de mídia que,
no Brasil, são controladas por apenas 7 famílias. A Rede Globo, com seu
jornalismo manipulador, cria um constante clima de pessimismo,
mostrando só o que tem de ruim no país e escondendo tudo o que tem de
bom para baixar a nossa moral e nos manter numa eterna síndrome de
vira-latas. A Globo consegue fazer com que o brasileiro torça pelos
inimigos do país, pois a dominação através da mídia é mais barata do que
a militar e tem a vantagem de deixar a população satisfeita, dentro do
mundo irreal criado por ela, o que não acontece com a dominação através
da força bruta. Com cinco novelas por dia, ela prostitui nossos valores
culturais transformando nossos jovens em criaturas fúteis, consumistas,
narcisistas e alienados, enchendo suas cabeças com um vácuo cultural com
programas como o Big Brother. A Globo é um atentado CONSTANTE a nossa
soberania nacional com o objetivo de nos manter colonizados. As gerações
futuras, nossos filhos e netos, irão nos questionar porque aturamos
esse câncer por tanto tempo. A simples existência dessa organização é um
completo absurdo
sexta-feira, 21 de abril de 2017
A insanidade de Léo Pinheiro
A insanidade de Léo Pinheiro – Lula manda destruir provas e só conservar a mais robusta de todas, o triplex do Guarujá - O Cafezinho
Por Bajonas Teixeira
A acusação de Léo Pinheiro é tão imbecil, tão incrivelmente idiota
que, em resumo, diz que Lula mandou destruir as provas, mas deu também
ordens para não vender o triplex. Isso equivaleria a um chefe de
quadrilha que ordenasse ao seu bando: “escondam o dinheiro do assalto
mas deixem os corpos dos guardas assassinados bem visíveis na minha sala
de estar”. Em nenhum planeta desse vasto universo, isso seria crível:
deixar-se de eliminar a prova, a única prova, que é uma prova tripla,
justamente o triplex do Guarujá. Que outra prova poderia haver? Nenhuma.
Mas justamente essa robusta, tripla, materialíssima prova, não teria
sido eliminada, isto é, vendida a outro pela OAS.
Como o grande cérebro do maior esquema criminoso da história do
Brasil, o comandante em chefe, o intelecto do mal, o mago que faz as
provas desaparecerem num passe de mágica, teria ordenado tal sandice?
Seria ele um triplexmaníaco?
Sim. Talvez uma criança de cinco anos, ou um adolescente formado pela
escola sem partido, pudessem ser ludibriados pela farsa montada pelo
ex-presidente da OAS. Mas um adulto com um mínimo de capacidade de
reflexão, jamais se deixaria convencer pela construção primária dos
fatos e pelas inconsistências dessas denúncias.
Vejamos como tanta imbecilidade pôde ser construída.
É preciso voltar a história recente de Léo Pinheiro para explicar sua
afronta ao mais simples bom senso. Na verdade, elas são a tentativa
desesperada de um sujeito que, tendo se calado em seu depoimento a Moro no dia 24 de agosto de 2016, foi, como um incentivo ao canto livre, preso novamente no dia 05 de setembro, justamente por ordem de Sérgio Moro.
Ou seja, após se calar no depoimento de agosto, por não ter dito o
que Moro queria ouvir, Leo Pinheiro recebeu como punição a volta à
prisão apenas 12 dias depois. Pode haver melhor método para ensinar um
passarinho a cantar? E mais, um passarinho já bem amaciado que já havia
sido preso em 2014 pela Lava Jato e condenado a 16 anos?
Contudo, até aí Léo Pinheiro se manteve firme. Não inventou nada.
Veio então sua tentativa de delação premiada que, contudo, segundo o
UOL, não foi adiante por faltar elementos que incriminassem Lula:
“Segundo Pinheiro, as obras que a OAS fez no apartamento tríplex do
Guarujá (SP) e no sítio de Atibaia (SP) foram uma forma de a empresa
agradar a Lula, e não contrapartidas a algum benefício que o grupo tenha
recebido. A versão é considerada pouco crível por procuradores. Na
visão dos investigadores, Pinheiro busca preservar Lula com a sua
narrativa.”
Ou seja, mesmo condenado a 16 anos, Léo Pinheiro se recusou a mentir.
Isso aconteceu em junho de 2016. Mas o que veio depois? Logo depois, em
segunda instância, a pena do empresário foi aumentada para 23 anos.
Por que a versão foi considerada “pouco crível pelos procuradores”?
Por que para eles todo o edifício da Lava Jato, conforme aquele risível
PowerPoint de Dallagnol, repousa na colocação de Lula como o comandante
em chefe de toda a corrupção. E qual a narrativa?
A Lava Jato diz ter convicção de que, em paga de três contratos com a
Petrobras, em que se incluem obras das refinarias REPAR e RNEST, a OAS
teria pago a Lula vantagem indevida, ou seja, o mísero triplex do
Guarujá.
Ordem para destruir provas
Primeiro, como não existe prova alguma que incrimine Lula, ao invés
disso ser o suficiente para inocentá-lo, Lula foi acusado de destruir
provas, ou seja, de ser um criminoso duplo (que comete o crime e destrói
as provas do crime cometido): deu ordens para destruir as provas. Para
tentar tornar verossímil isso, Léo Pinheiro diz que seguia instruções,
que era orientado. Então, foi orientado a destruir provas. De toda essa
baboseira, não mostra sequer uma única… prova. Ou seja, o argumento é:
não tenho provas porque Lula mandou destruir as provas.
E no entanto, Lula mandou não vender o triplex…
“A orientação que foi me passada naquela época foi de que: ‘toque o
assunto do mesmo jeito que você vinha conduzindo. O apartamento não pode
ser comercializado, continua em nome da OAS, e, depois, a gente vai
fazer para fazer a transferência ou o que for’. De acordo com Pinheiro,
assim foi feito.”
Mas que imbecil pediria para não vender a prova do crime, e
guarda-la para que, mais à frente, pudesse fazer a transferência?? Isso
está além da imaginação e do mínimo de verossimilhança. O país inteiro, e a Lava Jato em particular, a mídia de olho, e a ordem que vem é essa: mantenha para mais tarde transferir.
É óbvio que isso contradiz inteiramente a versão da destruição de
provas. A maior, mais robusta, clara, cristalina, e irrefutável prova,
deveria ser mantida.
É um discurso, como já assinalamos, calibrado para egressos da escola
sem partido. Como parte do país pode crer nisso? Pela repetição
incessante da mídia, pela falta de um discurso contrário, pela entrada
do Brasil em uma espiral totalitária. Também na Rússia stalinista, em
1937 e 1938, julgamentos espetáculo foram montados e seus réus culpados e
fuzilados. Todos os melhores homens que comandaram a revolução de 1917
foram eliminados. Hoje, num linchamento ainda maior, todas as armas se
voltam para um único alvo: Lula.
PS: O leitor Francisco de Assis chama-nos a atenção para um ponto
bastante importante. O gênio do Mal, Lula, segundo o depoimento de Léo
Pinheiro, teria mandado destruir as provas em “maio ou junho de 2014”.
Contudo, o mesmo Léo assegurou em outro depoimento, que os “comparsas”
do chefe da organização, Marisa e Fábio, visitaram em sua companhia o
imóvel em agosto de 2014. E avisaram que pretendiam tomar posse do
triplex no revéillon 2014-2015. Ou seja, Lula iria mudar-se para a prova
número 1 dos seus delitos meses depois de ordenar a destruição das
provas. É um disparate tão evidente que trai toda a insanidade das
denúncias do ex-presidente da OAS.
A insanidade de Léo Pinheiro – Lula manda destruir provas e só conservar a mais robusta de todas, o triplex do Guarujá
A acusação de Léo Pinheiro é tão imbecil, tão incrivelmente idiota
que, em resumo, diz que Lula mandou destruir as provas, mas deu também
ordens para não vender o triplex. Isso equivaleria a um chefe de
quadrilha que ordenasse ao seu bando: “escondam o dinheiro do assalto
mas deixem os corpos dos guardas assassinados bem visíveis na minha sala
de estar”. Em nenhum planeta desse vasto universo, isso seria crível:
deixar-se de eliminar a prova, a única prova, que é uma prova tripla,
justamente o triplex do Guarujá. Que outra prova poderia haver? Nenhuma.
Mas justamente essa robusta, tripla, materialíssima prova, não teria
sido eliminada, isto é, vendida a outro pela OAS.
Como o grande cérebro do maior esquema criminoso da história do
Brasil, o comandante em chefe, o intelecto do mal, o mago que faz as
provas desaparecerem num passe de mágica, teria ordenado tal sandice?
Seria ele um triplexmaníaco?
Sim. Talvez uma criança de cinco anos, ou um adolescente formado pela
escola sem partido, pudessem ser ludibriados pela farsa montada pelo
ex-presidente da OAS. Mas um adulto com um mínimo de capacidade de
reflexão, jamais se deixaria convencer pela construção primária dos
fatos e pelas inconsistências dessas denúncias.
Vejamos como tanta imbecilidade pôde ser construída.
É preciso voltar a história recente de Léo Pinheiro para explicar sua
afronta ao mais simples bom senso. Na verdade, elas são a tentativa
desesperada de um sujeito que, tendo se calado em seu depoimento a Moro no dia 24 de agosto de 2016, foi, como um incentivo ao canto livre, preso novamente no dia 05 de setembro, justamente por ordem de Sérgio Moro.
Ou seja, após se calar no depoimento de agosto, por não ter dito o
que Moro queria ouvir, Leo Pinheiro recebeu como punição a volta à
prisão apenas 12 dias depois. Pode haver melhor método para ensinar um
passarinho a cantar? E mais, um passarinho já bem amaciado que já havia
sido preso em 2014 pela Lava Jato e condenado a 16 anos?
Contudo, até aí Léo Pinheiro se manteve firme. Não inventou nada.
Veio então sua tentativa de delação premiada que, contudo, segundo o
UOL, não foi adiante por faltar elementos que incriminassem Lula:
“Segundo Pinheiro, as obras que a OAS fez no apartamento tríplex do
Guarujá (SP) e no sítio de Atibaia (SP) foram uma forma de a empresa
agradar a Lula, e não contrapartidas a algum benefício que o grupo tenha
recebido. A versão é considerada pouco crível por procuradores. Na
visão dos investigadores, Pinheiro busca preservar Lula com a sua
narrativa.”
Ou seja, mesmo condenado a 16 anos, Léo Pinheiro se recusou a mentir.
Isso aconteceu em junho de 2016. Mas o que veio depois? Logo depois, em
segunda instância, a pena do empresário foi aumentada para 23 anos.
Por que a versão foi considerada “pouco crível pelos procuradores”?
Por que para eles todo o edifício da Lava Jato, conforme aquele risível
PowerPoint de Dallagnol, repousa na colocação de Lula como o comandante
em chefe de toda a corrupção. E qual a narrativa?
A Lava Jato diz ter convicção de que, em paga de três contratos com a
Petrobras, em que se incluem obras das refinarias REPAR e RNEST, a OAS
teria pago a Lula vantagem indevida, ou seja, o mísero triplex do
Guarujá.
Ordem para destruir provas
Primeiro, como não existe prova alguma que incrimine Lula, ao invés
disso ser o suficiente para inocentá-lo, Lula foi acusado de destruir
provas, ou seja, de ser um criminoso duplo (que comete o crime e destrói
as provas do crime cometido): deu ordens para destruir as provas. Para
tentar tornar verossímil isso, Léo Pinheiro diz que seguia instruções,
que era orientado. Então, foi orientado a destruir provas. De toda essa
baboseira, não mostra sequer uma única… prova. Ou seja, o argumento é:
não tenho provas porque Lula mandou destruir as provas.
E no entanto, Lula mandou não vender o triplex…
“A orientação que foi me passada naquela época foi de que: ‘toque o
assunto do mesmo jeito que você vinha conduzindo. O apartamento não pode
ser comercializado, continua em nome da OAS, e, depois, a gente vai
fazer para fazer a transferência ou o que for’. De acordo com Pinheiro,
assim foi feito.”
Mas que imbecil pediria para não vender a prova do crime, e
guarda-la para que, mais à frente, pudesse fazer a transferência?? Isso
está além da imaginação e do mínimo de verossimilhança. O país inteiro, e a Lava Jato em particular, a mídia de olho, e a ordem que vem é essa: mantenha para mais tarde transferir.
É óbvio que isso contradiz inteiramente a versão da destruição de
provas. A maior, mais robusta, clara, cristalina, e irrefutável prova,
deveria ser mantida.
É um discurso, como já assinalamos, calibrado para egressos da escola
sem partido. Como parte do país pode crer nisso? Pela repetição
incessante da mídia, pela falta de um discurso contrário, pela entrada
do Brasil em uma espiral totalitária. Também na Rússia stalinista, em
1937 e 1938, julgamentos espetáculo foram montados e seus réus culpados e
fuzilados. Todos os melhores homens que comandaram a revolução de 1917
foram eliminados. Hoje, num linchamento ainda maior, todas as armas se
voltam para um único alvo: Lula.
PS: O leitor Francisco de Assis chama-nos a atenção para um ponto
bastante importante. O gênio do Mal, Lula, segundo o depoimento de Léo
Pinheiro, teria mandado destruir as provas em “maio ou junho de 2014”.
Contudo, o mesmo Léo assegurou em outro depoimento, que os “comparsas”
do chefe da organização, Marisa e Fábio, visitaram em sua companhia o
imóvel em agosto de 2014. E avisaram que pretendiam tomar posse do
triplex no revéillon 2014-2015. Ou seja, Lula iria mudar-se para a prova
número 1 dos seus delitos meses depois de ordenar a destruição das
provas. É um disparate tão evidente que trai toda a insanidade das
denúncias do ex-presidente da OAS.
A revolução não será delatada
A revolução não será delatada - O Cafezinho
“Você não poderá ficar em casa, irmão”.
Assim começa o famoso – e maldito – poema de Gil Scott-Heron, a Revolução não será televisionada.
Há uma razão para os roteiristas de Homeland, a premiada série
política americana, incluírem trechos desse poema, recitados pelo
próprio Gil, na abertura de todos os episódios da temporada 6. O clímax
dramático da temporada acontece no episódio 11, quando Saul, ex-agente
da CIA, explica à presidenta eleita sobre os métodos usados por seus
adversários para enfraquecê-la.
Eu transcrevo a fala de Saul aqui, por motivos que vocês entenderão rapidamente conforme forem lendo:
novamente: o que está acontecendo no Brasil, com a Lava Jato, é um
golpe de Estado.
Assim como ocorre na trama de Homeland, e, na verdade, em quase todas
as histórias parecidas, os articuladores do golpe não são os políticos,
e sim as forças de segurança do próprio regime. No caso do Brasil, é a
Lava Jato, ponta-de-lança dos setores mais radicalizados desse monstro
de três cabeças que substituiu os militares de 1964: Ministério Público
Federal, Polícia Federal e Judiciário.
Em algum momento, esses três setores perceberam que, trabalhando juntos, poderiam assumir o poder político no país.
Para isso, é preciso disseminar uma quantidade faraônica de
desinformação, com vistas a desacreditar todo o sistema político, eleito
pela população.
Dalton Dallagnol, por exemplo, aproveitando-se do momento, tem
distribuído, via whatsapp, um artigo de José Padilha, que traz uma
análise primária, profundamente preconceituosa, cheia de exageros e
omissões, sobre o sistema político brasileiro. Não fala nada sobre
desigualdade de renda. Não fala nada, claro!, sobre concentração da
mídia.
É claro que o nosso sistema político tem milhares de falhas. Mas é
insanidade total destruí-lo sem termos nada para pormos em seu lugar.
Sobretudo, é antidemocrático e desonesto desacreditá-lo a golpes de delação.
Esse último espetáculo da Lava Jato me provocou profundas náuseas. No
vídeo com Emilio Odebrecht, vemos o procurador usar o interrogatório
para tentar incriminar a revista Carta Capital! É muita podridão! É
Emílio, o delator, o corruptor, o “vilão”, que tenta defender a revista,
explicando ao procurador que os adiantamentos de publicidade que fez à
Carta Capital também foram usados para o Estadão, Folha, Correio
Braziliense, para toda a imprensa brasileira!
Como a história se repete!
O “mar de lama” do tempo de Vargas era a Lava Jato daquela época. Os
mesmos jornais, representantes das mesmas forças reacionárias, acusavam o
governo de ter financiado, através do Banco do Brasil, a Última Hora,
de Samuel Wainer. Anos depois, Nelson Werneck Sodré, em sua História da
Imprensa Brasileira, resgata documentos que provam que (olha eles de
novo!) Folha, Estadão, Globo, Correio da Manhã, receberam
financiamentos, do mesmo Banco do Brasil, ainda maiores!
No post anterior, eu já explicitei esse raciocínio, mas gostaria de
aprofundá-lo: a delação (o fato de ser “premiada” apenas a torna ainda
mais ilegítima) é a representação mais perfeita da antiverdade.
O problema não se trata apenas de acreditar ou não numa delação, e sim dar legitimidade ao discurso de um delator!
Uma delação pode até conter várias verdades, mas a maneira como essas
verdades são contadas podem configurar a maior mentira de todas!
Se a imprensa comercial, que depende de sua credibilidade,
especializou-se, de maneira tão sofisticada, em produzir pós-verdades em
série, o que dizer de um delator?
O problema da informação política destinada às grandes massas é que
estas não são guiadas por informações verdadeiras, e sim por símbolos
fortes que vão de encontro a seu profundo irracionalismo, conforme
explica Wilhelm Reich, em Psicologia de Massas do Fascismo.
É assim que fazem os partidos políticos. É assim que fazem os grandes meios de comunicação.
A Lava Jato está legitimando, no topo da pirâmide social, a repressão
brutal e indiscriminada que sempre aconteceu embaixo. Por isso, não é
lógico que setores da esquerda defendam a operação com o argumento
infantil de que está “prendendo empresários e políticos”, ou
“desmontando o sistema político burguês”. O objetivo de um regime
democrático, seja de esquerda, socialista ou liberal, não é “prender
empresários e políticos”, e sim ampliar o conjunto de direitos e
liberdades à disposição da sociedade. Ou seja, temos que prender menos,
não mais. Se há políticos e empresários que cometeram crimes, que sejam
punidos, mas com direito amplo à defesa, inclusive o de responder ao
processo em liberdade!
Nos últimos dias, o STJ indeferiu habeas corpus para o Almirante
Othon Pinheiro e para o ex-ministro Pallocci. O judiciário tornou-se um
bloco monolítico em apoio às violências e arbítrios da Lava Jato, até
porque os ministros tem medo da operação. Um ou outro ministro do STJ
que ousou discordar de seus métodos foi rapidamente enquadrado através
do modus operandi da Lava Jato, que é vazar alguma coisa contra a
pessoa. Como a Lava Jato detêm o maior banco de dados do país, com dados
eletrônicos, telefônicos, fiscais, bancários, de milhares de pessoas,
não é difícil para seus operadores vazarem um trecho qualquer em que um
investigado menciona o nome de alguém. Daí essa nova categoria penal,
genial, terrível, que a imprensa adotou com tanto entusiasmo e cinismo,
como se tivesse existido desde sempre: o citado na Lava Jato. Fulano foi
“citado” na Lava Jato. Não quer dizer nada, mas é o bastante para se
iniciar um desgastante e paralisante processo de enlameamento da
reputação.
Luciana Genro, defensora da Lava Jato, acaba de sentir o bafo na
nuca, ao aparecer como recebedora de uma quantia de empresa vinculada à
Odebrecht.
Temos de tomar muito cuidado, porém, para não sucumbir às violências morais da Lava Jato.
A situação do PT é muito complicada do ponto-de-vista narrativo. Eles
tem de jogar não apenas contra um time infinitamente mais poderoso,
porque tem mídia, mas contra o próprio juiz!
Os militantes e operadores políticos do PT lutam com as armas que
conseguem, a custo de muito sacrifício, tomar das mãos de seus inimigos,
brandindo em suas redes pedaços de delações que possam neutralizar o
jogo de acusações e contra-acusações que um partido lança ao outro. É um
método perigoso, porque ao mesmo tempo que atinge o seu inimigo
partidário, também fortalece os operadores que atuam como adversários
políticos e jurídicos.
A leitura do livro Justiça Política, de Otto Keichmeiner, que relata
as aflições de operadores políticos europeus e russos, comunistas,
social-democratas, nazistas, liberais, de todos os credos, para
transformarem batalhas judiciais em capital político, me fez compreender
melhor os dilemas dos partidos brasileiros em meio à guerra jurídica.
Keichmeiner estuda generosamente o problema do “delator”, que é uma
figura sempre presente na justiça política. Ele explica que o delator
jamais falará a verdade. O delator tentará, invariavelmente, dizer
alguma coisa que beneficie a si mesmo, que agrade ao interrogador e que,
naturalmente, atinja com a maior violência possível o adversário das
forças que controlam o processo de delação.
A Lava Jato ainda tem cartas na mão. Ela pode prender quem ela quiser, e obrigar essa pessoa a delatar.
Isso sem contar os que já estão presos, e ainda não se decidiram a
delatar: Pallocci, Eike Batista, João Santana e sua esposa, Sergio
Cabral.
Qual a resistência psicológica de cada um desses antes de falar exatamente o que os procuradores querem ouvir?
A partir do momento em que se elege a “delação” como principal arma
política, e as críticas à delação são neutralizadas por uma estratégia
bastante sofisticada de relações públicas (que inclui vazamentos
cuidadosamente seletivos), então os órgãos de repressão detêm um poder
descomunal. Um delator pode dizer tudo que você quiser. Pode falar, por
exemplo, que um determinado dirigente político “sabia”. Que numa noite
tal, foi conversado “tal coisa”.
A ética desse tipo de investigação é deplorável. Aprovar e apoiar a
delação premiada foi mais um desses atos suicidas do PT que nasceram de
sua debilidade no campo do pensamento jurídico, e, mais genericamente,
de sua miséria intelectual, ao não criar um think tank que discutisse,
antes de tomar qualquer decisão, os seus prós e contras.
Delação é uma coisa negativa, antiética. O ser humano precisa ser
leal, sempre! Sem confiança, sem lealdade, não há política, não há
solidariedade, não há civilização.
Se alguém precisa denunciar um crime que testemunhou, de um político
ou empresário, que seja uma delação espontânea, baseada na consciência
de que está fazendo um bem à sociedade.
Premiar a delação é bizarro. Premiar uma delação extraída de alguém
sob tortura, sob ameaça de permanecer em “prisão cautelar” por tempo
indeterminado, é duplamente bizarro!
Quanto à questão de se “acreditar” numa delação, não creio que exista
nada mais profundamente antijornalístico ou mesmo antifilosófico.
Um jornalista não deveria acreditar nem em provas.
Um jornalista de verdade não deve acreditar em nada.
A história já mostrou muito bem que provas podem ser manipuladas, e que a nossa própria consciência nos prega um monte de peças.
Um jornalista não precisa “acreditar” em alguma coisa. Ele deve questionar. Questionar, sobretudo, o poder!
Cadê todos aqueles jornalistas que viviam dizendo que a imprensa
deveria questionar o poder? Onde está o questionamento do judiciário, da
Lava Jato, do Ministério Público, da própria grande imprensa?
O trabalho do jornalista deveria constituir, sempre, um contraponto à
violência do Estado. Se alguém é acusado pelo Estado, não compete ao
jornalista se aliar ao Estado na acusação. Um jornalista dotado de
espírito democrático, humanista e liberal deve ouvir, primordialmente, a
versão do acusado, porque ele é a parte frágil do processo.
A Lava Jato nos revela ainda uma outra coisa, extremamente importante: a demagogia é desonesta, hipócrita e cínica.
Testemunhamos, esse tempo todo, colunistas da grande imprensa
declarando que a justiça brasileira é boa porque está prendendo
“poderosos”, sem jamais lembrar aos espectadores/leitores uma coisa
óbvia. Os verdadeiros poderosos não vão presos. É exatamente por isso
que eles são poderosos. É uma questão lógica.
Se alguém é preso pela Lava Jato, isso é prova cabal de que esse
fulano não era tão poderoso como ele mesmo pensava. A Lava Jato pode
estar prendendo políticos e empresários, mas não poderosos!
A Lava Jato está revelando, com uma clareza solar, quem são os
verdadeiros poderosos no país: o Estado burocrático, não-político, em
primeiro lugar, representado por seus agentes de repressão; em segundo,
os barões da mídia; os banqueiros, em terceiro.
Encerro o post com um outro trecho do poema de Gil Scott-Heron:
A revolução não será delatada
Escrito por Miguel do Rosário,
Assim começa o famoso – e maldito – poema de Gil Scott-Heron, a Revolução não será televisionada.
Há uma razão para os roteiristas de Homeland, a premiada série
política americana, incluírem trechos desse poema, recitados pelo
próprio Gil, na abertura de todos os episódios da temporada 6. O clímax
dramático da temporada acontece no episódio 11, quando Saul, ex-agente
da CIA, explica à presidenta eleita sobre os métodos usados por seus
adversários para enfraquecê-la.
Eu transcrevo a fala de Saul aqui, por motivos que vocês entenderão rapidamente conforme forem lendo:
É sério? É difícil ouvir o que vocês estão falando.Desculpem se pareço repetitivo, mas eu sinto necessidade de afirmá-lo
Porque o que eu estou ouvindo não é um plano. Rastrear o dinheiro?
Acreditem, é muito mais difícil do que pensam. Vocês ainda estarão
fazendo isso quando o mundo rolar por cima de suas cabeças. Por que não
conseguem enxergar? Está acontecendo debaixo de seus narizes! Já temos
O’Keefe (blogueiro de extrema-direita). Temos uma campanha de
desinformação projetada para desacreditar a presidenta eleita. E a
partir de hoje temos tropas em terra e os manifestantes dos quais me
desviei para chegar aqui. Isto não lhes é familiar? Porque para mim,
sim. Nós fizemos isso na Nicarágua, Chile, Congo, em vários outros
países, começando pelo Irã, nos anos 50. E o regime eleito se dá mal. A
vida de vocês está em jogo, entenderam? Vocês não podem se calar. E não
me refiro à coletiva de imprensa.
– Ao que você se refere?
– Você o intimou a mostrar a cara e foi o que ele fez. Você tem que enfrentá-lo.
novamente: o que está acontecendo no Brasil, com a Lava Jato, é um
golpe de Estado.
Assim como ocorre na trama de Homeland, e, na verdade, em quase todas
as histórias parecidas, os articuladores do golpe não são os políticos,
e sim as forças de segurança do próprio regime. No caso do Brasil, é a
Lava Jato, ponta-de-lança dos setores mais radicalizados desse monstro
de três cabeças que substituiu os militares de 1964: Ministério Público
Federal, Polícia Federal e Judiciário.
Em algum momento, esses três setores perceberam que, trabalhando juntos, poderiam assumir o poder político no país.
Para isso, é preciso disseminar uma quantidade faraônica de
desinformação, com vistas a desacreditar todo o sistema político, eleito
pela população.
Dalton Dallagnol, por exemplo, aproveitando-se do momento, tem
distribuído, via whatsapp, um artigo de José Padilha, que traz uma
análise primária, profundamente preconceituosa, cheia de exageros e
omissões, sobre o sistema político brasileiro. Não fala nada sobre
desigualdade de renda. Não fala nada, claro!, sobre concentração da
mídia.
É claro que o nosso sistema político tem milhares de falhas. Mas é
insanidade total destruí-lo sem termos nada para pormos em seu lugar.
Sobretudo, é antidemocrático e desonesto desacreditá-lo a golpes de delação.
Esse último espetáculo da Lava Jato me provocou profundas náuseas. No
vídeo com Emilio Odebrecht, vemos o procurador usar o interrogatório
para tentar incriminar a revista Carta Capital! É muita podridão! É
Emílio, o delator, o corruptor, o “vilão”, que tenta defender a revista,
explicando ao procurador que os adiantamentos de publicidade que fez à
Carta Capital também foram usados para o Estadão, Folha, Correio
Braziliense, para toda a imprensa brasileira!
Como a história se repete!
O “mar de lama” do tempo de Vargas era a Lava Jato daquela época. Os
mesmos jornais, representantes das mesmas forças reacionárias, acusavam o
governo de ter financiado, através do Banco do Brasil, a Última Hora,
de Samuel Wainer. Anos depois, Nelson Werneck Sodré, em sua História da
Imprensa Brasileira, resgata documentos que provam que (olha eles de
novo!) Folha, Estadão, Globo, Correio da Manhã, receberam
financiamentos, do mesmo Banco do Brasil, ainda maiores!
No post anterior, eu já explicitei esse raciocínio, mas gostaria de
aprofundá-lo: a delação (o fato de ser “premiada” apenas a torna ainda
mais ilegítima) é a representação mais perfeita da antiverdade.
O problema não se trata apenas de acreditar ou não numa delação, e sim dar legitimidade ao discurso de um delator!
Uma delação pode até conter várias verdades, mas a maneira como essas
verdades são contadas podem configurar a maior mentira de todas!
Se a imprensa comercial, que depende de sua credibilidade,
especializou-se, de maneira tão sofisticada, em produzir pós-verdades em
série, o que dizer de um delator?
O problema da informação política destinada às grandes massas é que
estas não são guiadas por informações verdadeiras, e sim por símbolos
fortes que vão de encontro a seu profundo irracionalismo, conforme
explica Wilhelm Reich, em Psicologia de Massas do Fascismo.
É assim que fazem os partidos políticos. É assim que fazem os grandes meios de comunicação.
A Lava Jato está legitimando, no topo da pirâmide social, a repressão
brutal e indiscriminada que sempre aconteceu embaixo. Por isso, não é
lógico que setores da esquerda defendam a operação com o argumento
infantil de que está “prendendo empresários e políticos”, ou
“desmontando o sistema político burguês”. O objetivo de um regime
democrático, seja de esquerda, socialista ou liberal, não é “prender
empresários e políticos”, e sim ampliar o conjunto de direitos e
liberdades à disposição da sociedade. Ou seja, temos que prender menos,
não mais. Se há políticos e empresários que cometeram crimes, que sejam
punidos, mas com direito amplo à defesa, inclusive o de responder ao
processo em liberdade!
Nos últimos dias, o STJ indeferiu habeas corpus para o Almirante
Othon Pinheiro e para o ex-ministro Pallocci. O judiciário tornou-se um
bloco monolítico em apoio às violências e arbítrios da Lava Jato, até
porque os ministros tem medo da operação. Um ou outro ministro do STJ
que ousou discordar de seus métodos foi rapidamente enquadrado através
do modus operandi da Lava Jato, que é vazar alguma coisa contra a
pessoa. Como a Lava Jato detêm o maior banco de dados do país, com dados
eletrônicos, telefônicos, fiscais, bancários, de milhares de pessoas,
não é difícil para seus operadores vazarem um trecho qualquer em que um
investigado menciona o nome de alguém. Daí essa nova categoria penal,
genial, terrível, que a imprensa adotou com tanto entusiasmo e cinismo,
como se tivesse existido desde sempre: o citado na Lava Jato. Fulano foi
“citado” na Lava Jato. Não quer dizer nada, mas é o bastante para se
iniciar um desgastante e paralisante processo de enlameamento da
reputação.
Luciana Genro, defensora da Lava Jato, acaba de sentir o bafo na
nuca, ao aparecer como recebedora de uma quantia de empresa vinculada à
Odebrecht.
Temos de tomar muito cuidado, porém, para não sucumbir às violências morais da Lava Jato.
A situação do PT é muito complicada do ponto-de-vista narrativo. Eles
tem de jogar não apenas contra um time infinitamente mais poderoso,
porque tem mídia, mas contra o próprio juiz!
Os militantes e operadores políticos do PT lutam com as armas que
conseguem, a custo de muito sacrifício, tomar das mãos de seus inimigos,
brandindo em suas redes pedaços de delações que possam neutralizar o
jogo de acusações e contra-acusações que um partido lança ao outro. É um
método perigoso, porque ao mesmo tempo que atinge o seu inimigo
partidário, também fortalece os operadores que atuam como adversários
políticos e jurídicos.
A leitura do livro Justiça Política, de Otto Keichmeiner, que relata
as aflições de operadores políticos europeus e russos, comunistas,
social-democratas, nazistas, liberais, de todos os credos, para
transformarem batalhas judiciais em capital político, me fez compreender
melhor os dilemas dos partidos brasileiros em meio à guerra jurídica.
Keichmeiner estuda generosamente o problema do “delator”, que é uma
figura sempre presente na justiça política. Ele explica que o delator
jamais falará a verdade. O delator tentará, invariavelmente, dizer
alguma coisa que beneficie a si mesmo, que agrade ao interrogador e que,
naturalmente, atinja com a maior violência possível o adversário das
forças que controlam o processo de delação.
A Lava Jato ainda tem cartas na mão. Ela pode prender quem ela quiser, e obrigar essa pessoa a delatar.
Isso sem contar os que já estão presos, e ainda não se decidiram a
delatar: Pallocci, Eike Batista, João Santana e sua esposa, Sergio
Cabral.
Qual a resistência psicológica de cada um desses antes de falar exatamente o que os procuradores querem ouvir?
A partir do momento em que se elege a “delação” como principal arma
política, e as críticas à delação são neutralizadas por uma estratégia
bastante sofisticada de relações públicas (que inclui vazamentos
cuidadosamente seletivos), então os órgãos de repressão detêm um poder
descomunal. Um delator pode dizer tudo que você quiser. Pode falar, por
exemplo, que um determinado dirigente político “sabia”. Que numa noite
tal, foi conversado “tal coisa”.
A ética desse tipo de investigação é deplorável. Aprovar e apoiar a
delação premiada foi mais um desses atos suicidas do PT que nasceram de
sua debilidade no campo do pensamento jurídico, e, mais genericamente,
de sua miséria intelectual, ao não criar um think tank que discutisse,
antes de tomar qualquer decisão, os seus prós e contras.
Delação é uma coisa negativa, antiética. O ser humano precisa ser
leal, sempre! Sem confiança, sem lealdade, não há política, não há
solidariedade, não há civilização.
Se alguém precisa denunciar um crime que testemunhou, de um político
ou empresário, que seja uma delação espontânea, baseada na consciência
de que está fazendo um bem à sociedade.
Premiar a delação é bizarro. Premiar uma delação extraída de alguém
sob tortura, sob ameaça de permanecer em “prisão cautelar” por tempo
indeterminado, é duplamente bizarro!
Quanto à questão de se “acreditar” numa delação, não creio que exista
nada mais profundamente antijornalístico ou mesmo antifilosófico.
Um jornalista não deveria acreditar nem em provas.
Um jornalista de verdade não deve acreditar em nada.
A história já mostrou muito bem que provas podem ser manipuladas, e que a nossa própria consciência nos prega um monte de peças.
Um jornalista não precisa “acreditar” em alguma coisa. Ele deve questionar. Questionar, sobretudo, o poder!
Cadê todos aqueles jornalistas que viviam dizendo que a imprensa
deveria questionar o poder? Onde está o questionamento do judiciário, da
Lava Jato, do Ministério Público, da própria grande imprensa?
O trabalho do jornalista deveria constituir, sempre, um contraponto à
violência do Estado. Se alguém é acusado pelo Estado, não compete ao
jornalista se aliar ao Estado na acusação. Um jornalista dotado de
espírito democrático, humanista e liberal deve ouvir, primordialmente, a
versão do acusado, porque ele é a parte frágil do processo.
A Lava Jato nos revela ainda uma outra coisa, extremamente importante: a demagogia é desonesta, hipócrita e cínica.
Testemunhamos, esse tempo todo, colunistas da grande imprensa
declarando que a justiça brasileira é boa porque está prendendo
“poderosos”, sem jamais lembrar aos espectadores/leitores uma coisa
óbvia. Os verdadeiros poderosos não vão presos. É exatamente por isso
que eles são poderosos. É uma questão lógica.
Se alguém é preso pela Lava Jato, isso é prova cabal de que esse
fulano não era tão poderoso como ele mesmo pensava. A Lava Jato pode
estar prendendo políticos e empresários, mas não poderosos!
A Lava Jato está revelando, com uma clareza solar, quem são os
verdadeiros poderosos no país: o Estado burocrático, não-político, em
primeiro lugar, representado por seus agentes de repressão; em segundo,
os barões da mídia; os banqueiros, em terceiro.
Encerro o post com um outro trecho do poema de Gil Scott-Heron:
A primeira revolução acontece quando você muda a sua
mente sobre como ver as coisas, e percebe que pode haver uma outra
maneira de olhar para elas que ainda não lhe mostraram. O que você vê
depois é o resultado disso, mas essa revolução, esta mudança que se
opera em sua maneira de ver, não será televisionada.
domingo, 16 de abril de 2017
O Leopardo de Odebrecht,
O Leopardo de Odebrecht, por Sergio Saraiva | GGN
O Leopardo de Odebrecht, por Sergio Saraiva
Quem espera que as delações da Odebrecht provoquem uma
transformação do modelo político nacional deveria ouvir o que tem a
dizer o autor italiano Tomasi de Lampedusa em seu clássico - O
leopardo: “é necessário mudar, para que tudo fique na mesma”

A implosão do sistema partidário brasileiro através das delações da
Odebrecht à Lava Jato atende a dois objetivos: Lula preso e as reformas
neoliberais aprovadas.
Tudo na mesma I - Lula preso
Caso Lula seja preso, haverá uma comoção social no país. Bem, a comoção já foi providenciada, agora só falta Lula ser preso.
Não há autoridade moral na Lava-Jato para prender Lula enquanto
políticos tucanos sequer são investigados. Bem, não sobrou um tucano
para contar a história, agora só falta prender o Lula.
Desde 2005 – lá se vai mais de uma década – acostumamo-nos a ver
ações do Judiciário sincronizadas com o tempo político-partidário.
Pensei nisso quando da espetaculosa divulgação da mais nova lista de
políticos delatados na Lava Jato. A Lista de Janot II.
Agora estamos às vésperas do depoimento de Lula ao juiz Moro – faltam
pouco mais de 15 dias. Dá-se, há tempos, como favas contadas, a sua
condenação.
O clima para tanto está criado. Quanto ao preço pago por isso, a
implosão do sistema político brasileiro, recomento o grande texto do
colega Jeferson Miola.
Para o PSDB, o preço será módico. Pagará o preço "José Mayer": algum
tempo na geladeira até que esqueçam do pecado e a volta no papel de um
padre preocupado com questões sociais. Silêncio na mídia, longos
processos no STF para os que têm foro privilegiado e para os que não o
têm também - veja-se o desfecho do caso Marka-FonteCidam -
até a prescrição. Para FHC, nem isso, basta a justiça paulista não
aceitar o processo; o ex-presidente tem mais de 80 anos e os
acontecimentos são do final da década de 1990.
Tudo na mesma II - Temer solto e reformas neoliberais garantidas
Gostaria, no entanto, de tratar do segundo objetivo.
O segundo é aprovar as reformas. Deram um golpe para isso.
Porém, para tanto, é preciso manter, apesar de tudo, o governo Temer.
Não é à toa que Janot descartou de princípio qualquer investigação em
relação a ele. Mas também a mídia.
E, em relação à mídia, busquei comparação ente os casos atuais dos
ministros de Temer e do próprio presidente com um caso de 2010 – O caso
Erenice Guera.
Erenice Guerra era a secretária-executiva de Dilma na Casa Civil e
foi sua sucessora quando Dilma se candidatou a primeira vez para a
presidente. Foi fulminada em uma campanha sórdida que a acusou de vender
facilidades para financiamentos no BNDES.
Acompanhar tal caso e compará-lo com o do ministério Temer é didático para perceber o quanto tem de “Leopardo” o momento atual.

Erenice acusada por manchetes em primeira página da Folha de São
Paulo com denúncias de alguém condenado por receptação de cargas
roubadas e dinheiro falsificado: “Fiquei horrorizado de ter de pagar”.
Dois anos depois, em 2012, Erenice foi absolvida por faltas de
provas. A Folha noticiou de forma inusitada – fazendo-lhe novas
acusações para dizer que nada havia contra ela.

Mas, e agora com o governo Temer?

Caberia à mídia encabeçar uma campanha por uma reforma ministerial,
nem que fosse para pedir do “ministério ético” que cobrou de Collor – se
não a própria renúncia de Temer.
Mas o mais fraco dos presidentes pós-redemocratização canta de galo.
E por quê? Porque é fiador das reformas neoliberais.

E é aqui as delações da Odebrecht podem ser de uma utilidade imprescindível.
O Senado mostrava-se recalcitrante em relação a elas, mas, com 24
senadores e 39 deputados no partido da Lava Jato, Janot tornou-se líder
de uma das bancadas mais poderosas do Congresso.
Seria interessante saber sua opinião sobre as reformas trabalhista e da previdência.

PS1: quem não se interessa por literatura poderia valer-se da
história, analisar o que era a Itália antes da Operação Mãos Limpas e o
que se tornou após ela. Antes, era a Máfia, depois, Berlusconi
transformou a Itália em um país que se rivaliza com a Alemanha na
economia está à frente da Suécia em direitos sociais.
PS2: Oficina de Concertos Gerais e Poesia - bunga bunga per tutti e buona Pasqua.
O Leopardo de Odebrecht, por Sergio Saraiva
dom, 16/04/2017 - 08:39
Atualizado em 16/04/2017 - 10:13
transformação do modelo político nacional deveria ouvir o que tem a
dizer o autor italiano Tomasi de Lampedusa em seu clássico - O
leopardo: “é necessário mudar, para que tudo fique na mesma”

A implosão do sistema partidário brasileiro através das delações da
Odebrecht à Lava Jato atende a dois objetivos: Lula preso e as reformas
neoliberais aprovadas.
Tudo na mesma I - Lula preso
Caso Lula seja preso, haverá uma comoção social no país. Bem, a comoção já foi providenciada, agora só falta Lula ser preso.
Não há autoridade moral na Lava-Jato para prender Lula enquanto
políticos tucanos sequer são investigados. Bem, não sobrou um tucano
para contar a história, agora só falta prender o Lula.
Desde 2005 – lá se vai mais de uma década – acostumamo-nos a ver
ações do Judiciário sincronizadas com o tempo político-partidário.
Pensei nisso quando da espetaculosa divulgação da mais nova lista de
políticos delatados na Lava Jato. A Lista de Janot II.
Agora estamos às vésperas do depoimento de Lula ao juiz Moro – faltam
pouco mais de 15 dias. Dá-se, há tempos, como favas contadas, a sua
condenação.
O clima para tanto está criado. Quanto ao preço pago por isso, a
implosão do sistema político brasileiro, recomento o grande texto do
colega Jeferson Miola.
Para o PSDB, o preço será módico. Pagará o preço "José Mayer": algum
tempo na geladeira até que esqueçam do pecado e a volta no papel de um
padre preocupado com questões sociais. Silêncio na mídia, longos
processos no STF para os que têm foro privilegiado e para os que não o
têm também - veja-se o desfecho do caso Marka-FonteCidam -
até a prescrição. Para FHC, nem isso, basta a justiça paulista não
aceitar o processo; o ex-presidente tem mais de 80 anos e os
acontecimentos são do final da década de 1990.
Tudo na mesma II - Temer solto e reformas neoliberais garantidas
Gostaria, no entanto, de tratar do segundo objetivo.
O segundo é aprovar as reformas. Deram um golpe para isso.
Porém, para tanto, é preciso manter, apesar de tudo, o governo Temer.
Não é à toa que Janot descartou de princípio qualquer investigação em
relação a ele. Mas também a mídia.
E, em relação à mídia, busquei comparação ente os casos atuais dos
ministros de Temer e do próprio presidente com um caso de 2010 – O caso
Erenice Guera.
Erenice Guerra era a secretária-executiva de Dilma na Casa Civil e
foi sua sucessora quando Dilma se candidatou a primeira vez para a
presidente. Foi fulminada em uma campanha sórdida que a acusou de vender
facilidades para financiamentos no BNDES.
Acompanhar tal caso e compará-lo com o do ministério Temer é didático para perceber o quanto tem de “Leopardo” o momento atual.

Erenice acusada por manchetes em primeira página da Folha de São
Paulo com denúncias de alguém condenado por receptação de cargas
roubadas e dinheiro falsificado: “Fiquei horrorizado de ter de pagar”.
Dois anos depois, em 2012, Erenice foi absolvida por faltas de
provas. A Folha noticiou de forma inusitada – fazendo-lhe novas
acusações para dizer que nada havia contra ela.

Mas, e agora com o governo Temer?

Caberia à mídia encabeçar uma campanha por uma reforma ministerial,
nem que fosse para pedir do “ministério ético” que cobrou de Collor – se
não a própria renúncia de Temer.
Mas o mais fraco dos presidentes pós-redemocratização canta de galo.
E por quê? Porque é fiador das reformas neoliberais.

E é aqui as delações da Odebrecht podem ser de uma utilidade imprescindível.
O Senado mostrava-se recalcitrante em relação a elas, mas, com 24
senadores e 39 deputados no partido da Lava Jato, Janot tornou-se líder
de uma das bancadas mais poderosas do Congresso.
Seria interessante saber sua opinião sobre as reformas trabalhista e da previdência.

PS1: quem não se interessa por literatura poderia valer-se da
história, analisar o que era a Itália antes da Operação Mãos Limpas e o
que se tornou após ela. Antes, era a Máfia, depois, Berlusconi
transformou a Itália em um país que se rivaliza com a Alemanha na
economia está à frente da Suécia em direitos sociais.
PS2: Oficina de Concertos Gerais e Poesia - bunga bunga per tutti e buona Pasqua.
O golpe é bem mais complexo que uma briga entre esquerda e direita
O golpe é bem mais complexo que uma briga entre esquerda e direita - O Cafezinho
comentário do leitor Miguel Gouveia ao post: Golpe ‘made in USA’: Queda de Dilma foi ordenada por Wall Street?
É BEM MAIS COMPLEXO DO QUE UMA BRIGA ENTRE ESQUERDA E DIREITA, SENHORES “JORNALISTAS”
É estarrecedor o primarismo de alguns “jornalistas” ao reduzir o que
ocorre no Brasil e no mundo a velha, mofada e ultrapassada peleja de
esquerda vs direita. Se não for primarismo, é má fé mesmo.
O Comunismo teve seu fim decretado em 1989, com a queda do muro de
Berlim. A partir dali a podre União Soviética ruiu e explodiu em dezenas
de pedaços, jogando na lata do lixo tudo o que tinha aprendido em
geografia.
O Capitalismo cantou vitória até 2008, quando uma fraude financeira
espetacular nos USA quebrou o mundo e quase o trouxe à falência global. A
partir dali as agências de rating mostraram a sua cara de serviçais dos
interesses financeiros e a falta de regulamentação no mercado provou
ser um dos maiores erros do berço do capitalismo.
A Esquerda extrema morreu. A Direita extrema se ridicularizou e
faliu. Ambos jazem em covas não muito profundas, mas estão enterrados
enquanto modelos econômicos de valia no mundo moderno.
Hoje em dia, o comunismo da China compra bancos e tem 4 deles entre
os 10 maiores do mundo. Esse mesmo comunismo tem Bolsa de Valores e
dança a ciranda do mercado financeiro como gente grande. Seu PIB
rivaliza o dos USA e cresce a taxas invejáveis, independente dos
problemas que possam ser apontados na sustentação desse crescimento. Os
índices financeiros da comunista China determinam a economia mundial.
Nos USA, o prejuízo do desastre capitalista da fraude de 2008 foi
socializado. O governo socorreu fartamente a iniciativa privada
incompetente e criminosa com bilionárias verbas públicas, fazendo inveja
ao nosso BNDES. De olho no aumento da pobreza USA, a administração
Obama lançou o maior dos programas de medicina socializada do mundo: o
Obamacare. Esse programa está estimado em US$1,3 trilhões (segundo a
Money) para a próxima década – o PIB do Brasil vai ser gasto em saúde
pública (nosso SUS) nos próximos 10 anos.
Eis a falência da discussão reduzida a esquerda vs direita. Dói ler
artigos de “jornalistas” de ambos os extremos rebaixarem os problemas
atuais a esta disputa bolorenta.
A discussão hoje é bem mais profunda, mas o tema central é muito
simples de ser identificado. Diz respeito ao fracasso do Neoliberalismo
como política econômica de distribuição de riquezas.
O Neoliberalismo, implantado com vigor nas eras Reagan e Thatcher,
trabalhou na premissa de que ao incentivar o setor privado, sem qualquer
ou com mínima interferência do governo, este criaria um ambiente
econômico de fartura e crescimento para todos.
A transferência de dinheiro público (nossos impostos) ao setor
privado sem qualquer regulamentação se provou um equívoco, pois os donos
da iniciativa privada o usaram para aumentar suas fortunas pessoais.
Descobriram que com a globalização (outra falácia), os mercados
financeiros do mundo estavam à disposição para uma lucrativa
especulação. Ficaram mais ricos as custas dos mais pobres.
O resultado do Neoliberalismo está disponível em números: nunca a
concentração de riqueza foi tão acentuada na história do mundo. A
organização não-governamental britânica Oxfam, baseado em dados do banco
Credit Suisse relativos a outubro de 2015, mostrou que a riqueza
acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial agora equivale,
pela primeira vez, à riqueza dos 99% restantes. Eis o resultado prático
de décadas de neoliberalismo.
Recentemente, o Neoliberalismo recebeu críticas de um de seus maiores
defensores, o Fundo Monetário Internacional (FMI), em artigo publicado
por três economistas da instituição. “Em vez de gerar crescimento,
algumas políticas neoliberais aumentaram a desigualdade, colocando em
risco uma expansão duradoura”, argumentaram seus autores. O artigo pode
ser lido aqui.
Com o aumento da desigualdade social, passamos a conviver com mais
pobreza, menos educação, menos saúde, mais violência, menos moradia,
mais miséria, mais protestos, mais manifestações, mais crise e todos
aqueles problemas sociais que estamos fartos de saber. O mundo se tornou
um lugar mais injusto e perigoso. E os 99% vivem isso na pele em menor
ou maior grau, enquanto o 1% desfruta de suas regalias conquistadas com
as verbas públicas – dinheiro dos 99%.
Portanto, senhores “jornalistas”, a discussão a ser abordada hoje em
dia é sobre distribuição de riquezas – não é sobre esquerda e direita. O
tema central é: que tipo de Economia precisamos ter para redistribuir
as riquezas de forma mais justa.
Redistribuir riquezas de forma mais justa significa reduzir muito a
política neoliberal que encheu o setor privado de dinheiro sem cobrar
resultados econômicos. O problema aqui reside mais uma vez no setor
financeiro. Este setor pegou as benesses do Neoliberalismo e saiu
emprestando aos governos de diversos países para com esse dinheiro
público (de graça) gerar mais dinheiro ainda e aumentarem absurdamente
seus lucros. E saiu emprestando para todo mundo – e os governos saíram
gastando em programas sociais diversos para combater o aumento da
desigualdade social.
Os programas de combate à desigualdade social incluíam desde obras de
infraestrutura, programas de empréstimos para Educação, programas de
auxílio à aposentadoria, de moradia, de saúde socializada, etc. São
dívidas contraídas juntos as entidades financeiras do mundo e aplicadas
em programas que, na sua maioria, visam a sanar problemas do passado e
agora. Muitos desses programas ignoraram o futuro ou simplesmente deram
errado e aumentaram sobremaneira a dívida pública dos países.
A Trading Economics, no seu banco de dados, afirma que o quadro de dívida pública dos países do G7 chegou em 2015 ao seguinte:
Ao ultrapassar 100% do seu PIB, um país atesta que a sua capacidade
de gerar riquezas é inferior à sua capacidade de honrar compromissos.
Não há como sua Economia pagar o que pegou emprestado para melhorar a
sua Economia, salvo a exceção em que o dinheiro foi gasto em programas
que permitirão o aumento de seu PIB mais à frente – o que não
corresponde ao caso dos países mais endividados. A dívida do Japão, por
exemplo, tem um componente pesado de previdência social para atender uma
população envelhecida que não se renova.
Observem que o G7, considerados os países mais ricos do mundo,
formado por Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e
Estados Unidos, estão todos endividados de forma avassaladora, com a
exceção a Alemanha. Esses países não dispõem de uma Economia capaz de
saldar essas dívidas e a perspectiva é que não tenham como no futuro.
Reparem também que os países do recém-criado BRICS não compartilham essa inadimplência toda com o G7. Brasil,
Índia, China e Rússia estão com dívidas públicas administráveis. No
momento, suas respectivas Economias têm capacidade de honrar
compromissos e suas respectivas dívidas são em prol de programas que
visam o crescimento de seus PIBs – por exemplo, o programa de Pré-sal no
Brasil.
E para quem esses países devem essa impagável dívida? Para o setor
financeiro (Bancos e Fundos) e para outros governos, em diferentes
moedas. Essa generalização toda desemboca nos maiores bancos do mundo,
os quais estão por trás do setor financeiro credor, e representam a
maioria dos que são classificados no 1% acima já mencionado.
Segundo a consultoria Brand Finance e a revista especializada The Banker, os maiores Bancos do mundo em 2015 são:
Sem capacidade para aumentar suas respectivas Economias, os governos
dos países endividados colocam em risco a riqueza do 1% tão
generosamente aumentada pelos anos de ouro do Neoliberalismo. E esse
pessoal de forma alguma aceita reduzir sua criminosa margem de lucro (?)
para redistribuir a riqueza do mundo.
O que fazer? Resposta: avançar sobre a capacidade de geração de riqueza de países/continentes economicamente em ascensão.
Tomando foco no Brasil, ao final de 2015, meses antes do dia da
consumação do golpe no país, a economia brasileira era descrita pelos
seguintes dados (fontes: PNAD, IPEA, IBGE, BC):
1) as reservas internacionais líquidas do Brasil são de US$ 377
bilhões (eram de apenas US$ 16 bilhões em 2002). Elas superam, com
folga, toda a dívida externa do país, que é de US$ 333,6 bilhões, sendo
que apenas 30% disso a curto prazo;
2) o Brasil é credor do FMI – o Brasil é credor externo líquido em US$ 42,7 bilhões;
3) a dívida pública líquida era 36% do PIB e a bruta 66% do PIB (em 2002 a dívida líquida era de 60% do PIB);
4) os investimentos externos produtivos (IED) no Brasil foram de US$ 75 bilhões em 2015, sendo equivalentes a 4,5% do PIB;
5) o Brasil tem o 7o. maior PIB mundial (era o 13o. em 2002);
6) o PIB per capita fechou em US$8.670 (era de US$2.800 em 2002);
7) a taxa de inflação está caindo e deverá fechar o ano, segundo o
Banco Central, perto do teto da meta em 2016, ficando próxima de 6,5% no
acumulado do ano. Para 2017, já se prevê uma taxa de inflação perto do
centro da meta (de 4,5%);
8) o salário mínimo fechou em de R$824, equivalente a cerca de US$368 (era de US$158 em 2002);
9) o déficit externo, em transações correntes, fechou em 3,32% do PIB (caiu dos 4,31% de 2014) e continua caindo; e
10) o Superávit comercial foi de US$19,7 bilhões em 2015, já acumulou
US$32,4 bilhões de janeiro a agosto de 2016, sendo que estimativas
apontam que o mesmo poderá chegar a US$50 bilhões neste ano.
Dificilmente um cenário ruim, ainda mais quando comparado aos países endividados do G7.
Alguns “jornalistas” vendem esse cenário como “terra arrasada”, país
quebrado, etc. Há problemas sim com a tendência de piora de alguns
índices, mas nada que não possa ser corrigido ou que o país não tenha
condições econômicas de assim fazer.
Eis que surge a encomenda do golpe no Brasil.
O setor financeiro enxerga no cenário atual, nos investimentos
estratégicos realizados e nas possibilidades econômicas do Brasil,
detentor de mais de 50% da economia na região, uma fonte de geração de
receita para tapar o buraco da farra financeira que patrocinou aos
países do G7 – agora sem qualquer garantia de retorno. A mesma
perspectiva também ocorre em relação ao continente africano, hoje em
disputa ferrenha com a China.
Não somente é necessário adquirir as fontes de riqueza do país alvo,
como também reduzir ao máximo seus gastos em programas sociais e
trabalhistas. Essa receita toda deverá ser migrada para o setor
financeiro em risco de calote. Deverá ser transferida para as economias
dos países esgotados. Deverá ser usada para gerar riquezas aos grandes
devedores do mundo.
Então, a questão central é a seguinte: com equacionar o poder do 1%
com as necessidades do 99%. Isso não necessariamente desemboca numa
discussão ideológica de esquerda vs direita. E levar para essa disputa é
retroagira aos tempos de guerra fria.
O fato é: a continuar essa exploração indevida e sem controle, sem
espaço para o social sem ser na forma de esmola, o confronto interno
será inevitável. Esse confronto não será, apesar de possível,
necessariamente uma guerra civil.
Virá na forma do aumento da violência do 99% em cima de si mesmo e,
transpostas as barreiras de segurança, em cima do 1%. Testemunharemos
mais assaltos, mais roubos, mais crimes e mais mazelas sociais de que
tanto tememos e que também afetará, consequentemente, o 1%.
Aceitar que nossos “jornalistas” não reportem isso é inadmissível
numa era que envolve o descontrole da informação, a ponto de colocar
tudo ao alcance de todos via Internet; a redefiniçao dos mercados
econômicos com novas fontes de geração de receita e a crise ambiental
que bate a nossa porta.
O Jornalismo deve a si mesmo esse alerta. Ou morreu de fato.
comentário do leitor Miguel Gouveia ao post: Golpe ‘made in USA’: Queda de Dilma foi ordenada por Wall Street?
É BEM MAIS COMPLEXO DO QUE UMA BRIGA ENTRE ESQUERDA E DIREITA, SENHORES “JORNALISTAS”
É estarrecedor o primarismo de alguns “jornalistas” ao reduzir o que
ocorre no Brasil e no mundo a velha, mofada e ultrapassada peleja de
esquerda vs direita. Se não for primarismo, é má fé mesmo.
O Comunismo teve seu fim decretado em 1989, com a queda do muro de
Berlim. A partir dali a podre União Soviética ruiu e explodiu em dezenas
de pedaços, jogando na lata do lixo tudo o que tinha aprendido em
geografia.
O Capitalismo cantou vitória até 2008, quando uma fraude financeira
espetacular nos USA quebrou o mundo e quase o trouxe à falência global. A
partir dali as agências de rating mostraram a sua cara de serviçais dos
interesses financeiros e a falta de regulamentação no mercado provou
ser um dos maiores erros do berço do capitalismo.
A Esquerda extrema morreu. A Direita extrema se ridicularizou e
faliu. Ambos jazem em covas não muito profundas, mas estão enterrados
enquanto modelos econômicos de valia no mundo moderno.
Hoje em dia, o comunismo da China compra bancos e tem 4 deles entre
os 10 maiores do mundo. Esse mesmo comunismo tem Bolsa de Valores e
dança a ciranda do mercado financeiro como gente grande. Seu PIB
rivaliza o dos USA e cresce a taxas invejáveis, independente dos
problemas que possam ser apontados na sustentação desse crescimento. Os
índices financeiros da comunista China determinam a economia mundial.
Nos USA, o prejuízo do desastre capitalista da fraude de 2008 foi
socializado. O governo socorreu fartamente a iniciativa privada
incompetente e criminosa com bilionárias verbas públicas, fazendo inveja
ao nosso BNDES. De olho no aumento da pobreza USA, a administração
Obama lançou o maior dos programas de medicina socializada do mundo: o
Obamacare. Esse programa está estimado em US$1,3 trilhões (segundo a
Money) para a próxima década – o PIB do Brasil vai ser gasto em saúde
pública (nosso SUS) nos próximos 10 anos.
Eis a falência da discussão reduzida a esquerda vs direita. Dói ler
artigos de “jornalistas” de ambos os extremos rebaixarem os problemas
atuais a esta disputa bolorenta.
A discussão hoje é bem mais profunda, mas o tema central é muito
simples de ser identificado. Diz respeito ao fracasso do Neoliberalismo
como política econômica de distribuição de riquezas.
O Neoliberalismo, implantado com vigor nas eras Reagan e Thatcher,
trabalhou na premissa de que ao incentivar o setor privado, sem qualquer
ou com mínima interferência do governo, este criaria um ambiente
econômico de fartura e crescimento para todos.
A transferência de dinheiro público (nossos impostos) ao setor
privado sem qualquer regulamentação se provou um equívoco, pois os donos
da iniciativa privada o usaram para aumentar suas fortunas pessoais.
Descobriram que com a globalização (outra falácia), os mercados
financeiros do mundo estavam à disposição para uma lucrativa
especulação. Ficaram mais ricos as custas dos mais pobres.
O resultado do Neoliberalismo está disponível em números: nunca a
concentração de riqueza foi tão acentuada na história do mundo. A
organização não-governamental britânica Oxfam, baseado em dados do banco
Credit Suisse relativos a outubro de 2015, mostrou que a riqueza
acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial agora equivale,
pela primeira vez, à riqueza dos 99% restantes. Eis o resultado prático
de décadas de neoliberalismo.
Recentemente, o Neoliberalismo recebeu críticas de um de seus maiores
defensores, o Fundo Monetário Internacional (FMI), em artigo publicado
por três economistas da instituição. “Em vez de gerar crescimento,
algumas políticas neoliberais aumentaram a desigualdade, colocando em
risco uma expansão duradoura”, argumentaram seus autores. O artigo pode
ser lido aqui.
Com o aumento da desigualdade social, passamos a conviver com mais
pobreza, menos educação, menos saúde, mais violência, menos moradia,
mais miséria, mais protestos, mais manifestações, mais crise e todos
aqueles problemas sociais que estamos fartos de saber. O mundo se tornou
um lugar mais injusto e perigoso. E os 99% vivem isso na pele em menor
ou maior grau, enquanto o 1% desfruta de suas regalias conquistadas com
as verbas públicas – dinheiro dos 99%.
Portanto, senhores “jornalistas”, a discussão a ser abordada hoje em
dia é sobre distribuição de riquezas – não é sobre esquerda e direita. O
tema central é: que tipo de Economia precisamos ter para redistribuir
as riquezas de forma mais justa.
Redistribuir riquezas de forma mais justa significa reduzir muito a
política neoliberal que encheu o setor privado de dinheiro sem cobrar
resultados econômicos. O problema aqui reside mais uma vez no setor
financeiro. Este setor pegou as benesses do Neoliberalismo e saiu
emprestando aos governos de diversos países para com esse dinheiro
público (de graça) gerar mais dinheiro ainda e aumentarem absurdamente
seus lucros. E saiu emprestando para todo mundo – e os governos saíram
gastando em programas sociais diversos para combater o aumento da
desigualdade social.
Os programas de combate à desigualdade social incluíam desde obras de
infraestrutura, programas de empréstimos para Educação, programas de
auxílio à aposentadoria, de moradia, de saúde socializada, etc. São
dívidas contraídas juntos as entidades financeiras do mundo e aplicadas
em programas que, na sua maioria, visam a sanar problemas do passado e
agora. Muitos desses programas ignoraram o futuro ou simplesmente deram
errado e aumentaram sobremaneira a dívida pública dos países.
A Trading Economics, no seu banco de dados, afirma que o quadro de dívida pública dos países do G7 chegou em 2015 ao seguinte:
- Japão – 229% do PIB
- Italia – 132 % do PIB
- USA – 104% do PIB
- Espanha – 99% do PIB
- França – 98% do PIB
- Canadá – 92% do PIB
- Região do Euro – 91% do PIB
- Reino Unido – 90% do PIB
- Alemanha – 72% do PIB
- Índia – 67% do PIB
Ao ultrapassar 100% do seu PIB, um país atesta que a sua capacidade
de gerar riquezas é inferior à sua capacidade de honrar compromissos.
Não há como sua Economia pagar o que pegou emprestado para melhorar a
sua Economia, salvo a exceção em que o dinheiro foi gasto em programas
que permitirão o aumento de seu PIB mais à frente – o que não
corresponde ao caso dos países mais endividados. A dívida do Japão, por
exemplo, tem um componente pesado de previdência social para atender uma
população envelhecida que não se renova.
Observem que o G7, considerados os países mais ricos do mundo,
formado por Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e
Estados Unidos, estão todos endividados de forma avassaladora, com a
exceção a Alemanha. Esses países não dispõem de uma Economia capaz de
saldar essas dívidas e a perspectiva é que não tenham como no futuro.
Reparem também que os países do recém-criado BRICS não compartilham essa inadimplência toda com o G7. Brasil,
Índia, China e Rússia estão com dívidas públicas administráveis. No
momento, suas respectivas Economias têm capacidade de honrar
compromissos e suas respectivas dívidas são em prol de programas que
visam o crescimento de seus PIBs – por exemplo, o programa de Pré-sal no
Brasil.
E para quem esses países devem essa impagável dívida? Para o setor
financeiro (Bancos e Fundos) e para outros governos, em diferentes
moedas. Essa generalização toda desemboca nos maiores bancos do mundo,
os quais estão por trás do setor financeiro credor, e representam a
maioria dos que são classificados no 1% acima já mencionado.
Segundo a consultoria Brand Finance e a revista especializada The Banker, os maiores Bancos do mundo em 2015 são:
- Wells Fargo – USA
- ICBC – China
- HSBC – UK
- Banco da Construção da China – China
- Citi – USA
- Bank of America – USA
- Chase – USA
- Banco da Agricultura da China – China
- Bank of China – China
- Santander – Espanha
Sem capacidade para aumentar suas respectivas Economias, os governos
dos países endividados colocam em risco a riqueza do 1% tão
generosamente aumentada pelos anos de ouro do Neoliberalismo. E esse
pessoal de forma alguma aceita reduzir sua criminosa margem de lucro (?)
para redistribuir a riqueza do mundo.
O que fazer? Resposta: avançar sobre a capacidade de geração de riqueza de países/continentes economicamente em ascensão.
Tomando foco no Brasil, ao final de 2015, meses antes do dia da
consumação do golpe no país, a economia brasileira era descrita pelos
seguintes dados (fontes: PNAD, IPEA, IBGE, BC):
1) as reservas internacionais líquidas do Brasil são de US$ 377
bilhões (eram de apenas US$ 16 bilhões em 2002). Elas superam, com
folga, toda a dívida externa do país, que é de US$ 333,6 bilhões, sendo
que apenas 30% disso a curto prazo;
2) o Brasil é credor do FMI – o Brasil é credor externo líquido em US$ 42,7 bilhões;
3) a dívida pública líquida era 36% do PIB e a bruta 66% do PIB (em 2002 a dívida líquida era de 60% do PIB);
4) os investimentos externos produtivos (IED) no Brasil foram de US$ 75 bilhões em 2015, sendo equivalentes a 4,5% do PIB;
5) o Brasil tem o 7o. maior PIB mundial (era o 13o. em 2002);
6) o PIB per capita fechou em US$8.670 (era de US$2.800 em 2002);
7) a taxa de inflação está caindo e deverá fechar o ano, segundo o
Banco Central, perto do teto da meta em 2016, ficando próxima de 6,5% no
acumulado do ano. Para 2017, já se prevê uma taxa de inflação perto do
centro da meta (de 4,5%);
8) o salário mínimo fechou em de R$824, equivalente a cerca de US$368 (era de US$158 em 2002);
9) o déficit externo, em transações correntes, fechou em 3,32% do PIB (caiu dos 4,31% de 2014) e continua caindo; e
10) o Superávit comercial foi de US$19,7 bilhões em 2015, já acumulou
US$32,4 bilhões de janeiro a agosto de 2016, sendo que estimativas
apontam que o mesmo poderá chegar a US$50 bilhões neste ano.
Dificilmente um cenário ruim, ainda mais quando comparado aos países endividados do G7.
Alguns “jornalistas” vendem esse cenário como “terra arrasada”, país
quebrado, etc. Há problemas sim com a tendência de piora de alguns
índices, mas nada que não possa ser corrigido ou que o país não tenha
condições econômicas de assim fazer.
Eis que surge a encomenda do golpe no Brasil.
O setor financeiro enxerga no cenário atual, nos investimentos
estratégicos realizados e nas possibilidades econômicas do Brasil,
detentor de mais de 50% da economia na região, uma fonte de geração de
receita para tapar o buraco da farra financeira que patrocinou aos
países do G7 – agora sem qualquer garantia de retorno. A mesma
perspectiva também ocorre em relação ao continente africano, hoje em
disputa ferrenha com a China.
Não somente é necessário adquirir as fontes de riqueza do país alvo,
como também reduzir ao máximo seus gastos em programas sociais e
trabalhistas. Essa receita toda deverá ser migrada para o setor
financeiro em risco de calote. Deverá ser transferida para as economias
dos países esgotados. Deverá ser usada para gerar riquezas aos grandes
devedores do mundo.
Então, a questão central é a seguinte: com equacionar o poder do 1%
com as necessidades do 99%. Isso não necessariamente desemboca numa
discussão ideológica de esquerda vs direita. E levar para essa disputa é
retroagira aos tempos de guerra fria.
O fato é: a continuar essa exploração indevida e sem controle, sem
espaço para o social sem ser na forma de esmola, o confronto interno
será inevitável. Esse confronto não será, apesar de possível,
necessariamente uma guerra civil.
Virá na forma do aumento da violência do 99% em cima de si mesmo e,
transpostas as barreiras de segurança, em cima do 1%. Testemunharemos
mais assaltos, mais roubos, mais crimes e mais mazelas sociais de que
tanto tememos e que também afetará, consequentemente, o 1%.
Aceitar que nossos “jornalistas” não reportem isso é inadmissível
numa era que envolve o descontrole da informação, a ponto de colocar
tudo ao alcance de todos via Internet; a redefiniçao dos mercados
econômicos com novas fontes de geração de receita e a crise ambiental
que bate a nossa porta.
O Jornalismo deve a si mesmo esse alerta. Ou morreu de fato.
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