quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Fora de Pauta | Brasilianas.Org

Fora de Pauta | Brasilianas.Org: "Psicologia de massas do fascismo de Wilhem Reich e Revista Veja: relações prováveis.

* Publicado por Paulo Roberto de Camargo em 26 novembro 2008 às 15:26 em Política

Há há um bom tempo, precisamente em 1933, que Wilhem Reich lançou sua obra Psicologia de Massas do Fascismo que versa sobre a ideologia do nazismo na Alemanha e a absorção desta pela população. Procurou as causas, não exatamente no nazismo em si, e muito menos na personalidade de Adolf Hitler, mas principlamente na estrutura familiar da baixa classe média alemã, que possuía códigos ainda tradicionais de vida. Neste sentido o nazismo encontrou já um caldo pré-existente na sociedade, e soube canalizar os anseios, sentimentos e resentimentos de acordo com a ideologia ainda reinante e preponderante na Alemanha.

Nessa ideologia tradicionalista, de cunho ainda paternalista, na qual os processos são em grande parte inconscientes, há uma reatividade ao novo, ou melhor aos processos que envolvem uma maior racionalidade de vida, principalmente em relação à vida sexual, que entre outros fatores estão ligados principalmente à espontaneidade desta. Assim, uma educação extremamente rígida, que tolhe os movimentos mais naturais da vida humana são tolhidos de forma rígida e compulsiva (repetitiva e automática). O ser humano, educado nessas situações se torna frágil, inseguro perante a vida e solicita uma condução de suas vidas a todo o momento.

De lá para cá muita coisa mudou: a família não é mais a mesma, a moral sexual não é tão rígida assim, aliás, é ao contrário, mas uma certa compulsão e reação ao novo permaneceu. Viajando no tempo até os dias atuais, para a cidade de São Paulo em 2008, algumas relações podem ser feitas. Da mesma forma que Reich utilizou o nazismo e seus líderes para desvendar a ideologia que subjazia por trás da autoridade rígida e demagógica, aqui pode-se utilizar a revista Veja como um elemento que aponta, por detrás da aparência da eficiência administrativa e progresso, uma certa patologia social.

Ao conversar com muitos leitores de Veja sobre temas políticos, nota-se uma grande admiração pelos seus colunistas e também uma confiança excessiva neles. Após uma série de artigos fundamentados que Nassif colocou aqui neste blog, percebe-se que há um grande bloqueio quando há proximidade de uma discussão mais racional, com argumentos. A maioria dos que já conheciam o assunto sobre o qual Nassif discorria, dizia que este iria se ferrar por ter feito isso, pois a Veja já tinha movimentado processo contra ele.

Outros fatores que vieram em algumas dessas conversas - para mim falta ainda uma pesquisa mais aprofundada - foi a credibilidade da revista. O fato dela ser 'bonita', ter propaganda de produtos caros com referência a alto status social, proporciona o dom da verdade. Aqui creio que há um ponto fundamental na questão: a identificação com o poder, com status, com a vida prometida, com uma 'vida limpa'.

Ao tentar conversar sobre algumas reportagens que não eram verdadeiras, que partem desde os casos do dinheiro de Cuba ao PT, até aos 'grampos' do STF, as respostas vêm em termos de negação total de que essas sejam falsas, uma vez que a revista 'noticiou', o que passa a ser então verdadeiro. Temos aí uma 'verdade inquestionável', onde a parte racional do argumento começa a ser agredida com palavrões e tudo o mais. O inconsciente vêm à tona com preconceitos e agressividade feroz nos ataques.

A minha questão ainda é de prosseguir neste assunto com uma pesquisa, com mais dados, tempo e recurso, pois o passado colonial e arcaico está mais do entranhado em nossa população de classe média e alta. A Veja é apenas mais uma anomalia que dá voz a esses extratos sociais que repousam em códigos senhoriais do século XIX, e aqui Reich nos ajuda a pensar no medo inconsciente que essa população nutre ao viver em condomínios fechados, isolada, mirando a ascenção social a qualquer preço, maldizendo os marginais e aquilo que possa ser diferente. A cultura do ódio impotente se sobrepõe a qualquer outra relação com a vida, e aí são necessários condutores que possam dar vazão a esta situação.

– Enviado usando a Barra de Ferramentas Google"

Nenhum comentário:

Postar um comentário