sexta-feira, 4 de julho de 2014

Vidas paralelas

As vidas paralelas de Dirceu e Barbosa

Vidas paralelas



Postado em 03 jul 2014

Dois homens que frequentaram nos últimos anos as primeiras páginas iniciaram, nesta semana, uma nova etapa em sua vida.


As fotos falam sozinhas.


É um Joaquim Barbosa reluzente, com ares de estrela de Hollywood, que você vê se despedindo do STF.


Jornalistas se apressaram em tirar selfies ao lado de JB. Seu futuro é
previsível. Fora a pensão vitalícia de quase 30 mil reais, a
possibilidade de fazer palestras em série com cachês milionários.


Quanto tempo vai demorar até que JB se torne colunista do Globo ou da
Folha, comentarista da CBN e da Globonews – todas aquelas coisas,
enfim, que alavancam você para a vida de palestrante?


A direita cuida dos seus.


Mas antes de tudo o ócio esplêndido, gasto em parte provavelmente no
apartamento de Miami comprado com um expediente para evitar imposto.


A foto do segundo homem é bem diferente. É um Zé Dirceu muito mais
magro e claramente abatido que é fotografado a caminho do seu emprego.


Foram sete meses de prisão por um capricho de Joaquim Barbosa, que
contrariou uma jurisprudência consagrada para mantê-lo trancafiado.



Neste período de mais de meio ano, enquanto Barbosa fazia coisas como
dar um giro pela Europa e ver num camarote a abertura da Copa do Mundo,
Dirceu desfrutava o que a mídia chamava de “regalias” da Papuda.


O banheiro, por exemplo, não tem vaso sanitário, apenas um buraco.
Mas para a mídia era como se Dirceu estivesse no George 5 de Paris.


Ainda agora é este o tom. Leio no site do Globo que “especialistas
dizem que Dirceu debochou” dos brasileiros ao sair da prisão numa Hilux
com motorista.


Como ele deveria sair para satisfazer o Globo? Ele deveria ir a pé para o trabalho? Numa perua Brasília 1974? De quatro?


Vou ver quem é o “especialista”. É Bolívar Lamounier, apresentado
como “cientista político”, simplesmente. Pobres leitores do Globo.
Talvez eles imaginem que Lamounier seja um analista “isento” e não, como
é, um antigo militante do PSDB.


O que Lamounier tem a dizer sobre Robson Marinho, de seu partido,
mantido há tantos anos no Tribunal de Contas do Estado mesmo sob
evidências cabais de contas secretas na Suíça?


Então ficamos assim: o Globo quer que alguém bata em Dirceu e vai
procurar esta pessoa no PSDB. Diz que ela é “especialista”, para lhe
conferir autoridade. Só não avisa seu leitor de que o “especialista”
pertence ao PSDB.


Num certo momento, pouco mais de dez anos atrás, as vidas de Joaquim
Barbosa e José Dirceu se cruzaram. Estavam em situação diferente da
atual.


Barbosa batalhava, sôfrego, por uma vaga no STF, e Dirceu era um ministro poderoso.


Algum tempo depois, no Mensalão, os papeis tinham mudado. Barbosa era Deus e Dirceu o demônio.


Nos últimos meses, em mais um giro da roda, Barbosa era o homem que
podia fazer de Dirceu um presidiário em tempo integral, mesmo sob a
reprovação de quase todos os seus colegas de STF – e fez.


Agora, Barbosa parte para um futuro que promete trazer dinheiro e
status em grandes quantidades. Dirceu é uma incógnita: como a temporada
na prisão o afetou?


Como a posteridade tratará dois homens tão diferentes mas que compartilharam uma mesma história de forma tão intensa?


Representam visões tão opostas que um haverá de aparecer como vencedor e o outro como vencido nos livros de história.


Qual o vencedor, qual o vencido?


Façam suas apostas, amigos.


Tenho a minha.

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