domingo, 14 de maio de 2017

É preciso fulanizar

É preciso fulanizar o recheio do câncer, por Rui Daher | GGN



Por Rui Daher


Não acham que estamos lhes dando muita
folga? Vou à banca de jornais pegar charutos caribenhos menos puros.
“Los puros” só os têm Fernando Morais, com todo respeito e mérito.
Enquanto converso com o dono, torcedor do Peixe como eu, noto as
manchetes dos diários e as capas das semanais, linhas auxiliares do
Poder Judiscricionário. Sem exceção, condenam Lula.   



Despeço-me do “peixeiro” da Praça Pan-americana e, qual Baby do
Brasil, alucino, “reviro os olhinhos”, e chamo a “preta, pretinha” alma
de todas as mães.


Vem a ideia. Quem está lá dentro? Quero saber, conhece-los, ouvi-los
explicar o porquê de aceitarem tal papel. Passariam fome, sendo
honestos? Pouco se importam, pois vivemos a despersonalizá-los.
Centramos fogo em carnes de vacas fracas e podres. Marcas onde diluem
seus venenos. São Veja, IstoÉ, Época, Globo, Folha, Estadão.


Só? Sei que estamos numa Federação de Corporações, mas isso não
deveria nos condicionar a tratar política apenas de forma
institucionalizada e corporativa.


Por que não dar nome aos bovinos e bubalinos? Por que não fulanizar?
Ou, por acaso, o que lá sai impresso é gerado espontaneamente na
tipografia?


Como fazem eles conosco? Não se referem com o nome das páginas eletrônicas de sites e blogs. Vão direto às pessoas físicas. É GGN ou Luís Nassif? É Conversa Afiada ou Paulo Henrique Amorim? É Blog da Cidadania ou Eduardo Guimarães? Viomundo ou Azenha? DCM
ou Paulo Nogueira? Vez ou outra, dão currículo, RG, CPF, e os mais
escabrosos chegam às famílias. Talvez, por também ser impressa, misturam
CartaCapital e Mino Carta.


Por isso, fora os colunistas que não decidem capa e linha editorial,
embora a maior parte no diapasão dos donos, quero saber o nome de quem
promove essa campanha sórdida contra a democracia brasileira, por único
medo do retorno de um político ao Poder Executivo.


Poderão argumentar: “geralmente, junto com a matéria vem o nome de
quem a fez”. Não é a isso que me refiro. Explícitos, mas anônimos como
“nossa reportagem constatou uma grande cratera na Rua Quintino Bocaiúva,
centro velho de São Paulo”. A cratera é mais embaixo.


Não sou do meio jornalístico ou com ele convivo. Apenas, diletante,
escrevo em publicações que me acolhem e de quem acolho as ideias. Mas
quem está no meio, tenho certeza, poderá nominar a des(intelligentsia)
dos principais responsáveis pelo esgoto que amedrontados repórteres são
obrigados a mal escrever, assinar e publicar.


Quero suas biografias completas. Por onde passaram, o que estudaram, a
quem apoiaram no passado, foram assessores de políticos, quem já os
processou, chefiaram alguma Redação importante, aonde foram
correspondentes.


Por exemplo, hoje, domingo materno, quem respondeu ao depoimento do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sérgio Moro e, assim, o
condenou?


Comecemos a fulanizar. “Quem mandou publicar isso foi ‘João das
Couves’ ... Quem fez essa reportagem foi ´Antônio Repolho’ ... Quem
bolou essa manchete nada a ver com o texto final foi ‘Eurico Pepino’”.


Clamo aos excelentes pesquisadores de internet. Vocês, ótimos
articulistas e analistas digitais, comecem a ajudar-nos e devolver na
mesma moeda, pois de nós eles sabem tudo. São espertos.


Eu mesmo, pequeno, mas antes convidado frequente a palestrar sobre agronegócios, depois que passei a opinar neste GGN e em CartaCapital, não recebo convite do agro nem para ordenhar vacas.


Como não podemos fuzilá-los, seria crime, então, os fulanizar
podemos. Desses infelizes, poupemos apenas suas mães, que hoje é Dia
delas.

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