terça-feira, 15 de abril de 2014

Quem são os "bandidos", os "ladrões", "quadrilhas" ou "cartéis"

Quem são os "bandidos", os "ladrões", "quadrilhas" ou "cartéis"

Quem são os "bandidos", os "ladrões", "quadrilhas" ou "cartéis"






As linguagens revelam os humanos em seu Tempo. Revelam inclusive quando
buscam esconder. Não seria diferente no Brasil, ainda mais no ano
eleitoral de 2014.



De maneira consciente ou não, cada palavra, cada imagem tem um sentido.
Tanto faz se em relação às ações de partidos, de personagens, ou de
escândalos.



Cada expressão, cada imagem aponta para as escolhas de quem faz o uso da
linguagem. Vamos a alguns exemplos do momento, já que o ano exige
atenção à linguagem.



"Rodízio", como sabemos, se dá em relação a churrasco, pizza, placa de
automóvel... Quando usado em relação a racionamento de água, indica
intenção de esconder.



Já "Racionamento" é quando o adversário é responsabilizado pela falta de
algo. Energia, por exemplo. Mesmo que hipótese ligada ao futuro, ou a
fato passado.



Assim, se for amigo é "Rodízio". Se for adversário é "Racionamento". O mesmo se aplica a "bandido", "gatuno", "quadrilheiro"...



Não há chance do uso de tais definições contra amigos. Será, sempre,
contra alguém do outro lado. "Acusação sem provas": Essa, se usa só para
partido ou personagem do coração.



Quando é "inimigo", vale "corrupção", "ladrão", expressões que terminem
em "ão". Se for agremiação da prefrência , se usa o eufemismo "formação
de cartel".



"Propinoduto" é obra do adversário. Os do peito são "investigados por
supostas irregularidades". Adversário não merece o "suposto". Adversário
"É". E ponto.



Como se sabe, não existe "corruptor" no Brasil, e não importa a cor
partidária. Existe "operador". E "suborno" é ato exclusivo do
adversário; amigos recebem "comissão".



Do governo alheio se mostra o número dos "assassinatos". No dos amigos
usa-se, também , o "latrocínio". Assalto seguido de morte, "latrocínio"
dá uma mãozinha na estatística.



"Quadrilha", "organização criminosa", é, sempre, o "inimigo". Os amigos
são vitimas de "politização" e, sempre, "negam as acusações".



Quando amigos são presos houve "espetacularização" na ação policial.
Quando o preso é adversário é "Operação", e com o nome de batismo.



Ainda escolhas: para uns se usa "vândalos"; aqueles que praticam o
"vandalismo". Em outros se percebe apenas a "ação de manifestantes". Ou,
de "ativistas".



O "inimigo" "sonega milhões em impostos", "assalta o tesouro" e
"empobrece o país". Quem pode, e manda, apenas erra. Ou, faz
"planejamento tributário".

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